{"id":93575,"date":"2026-01-28T08:00:53","date_gmt":"2026-01-28T11:00:53","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=93575"},"modified":"2026-03-10T20:05:46","modified_gmt":"2026-03-10T23:05:46","slug":"teago-oliveira-minha-geracao-nao-atingiu-o-mainstream-e-isso-machucou-nosso-ego","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/01\/28\/teago-oliveira-minha-geracao-nao-atingiu-o-mainstream-e-isso-machucou-nosso-ego\/","title":{"rendered":"Teago Oliveira: \u201cMinha gera\u00e7\u00e3o n\u00e3o atingiu o mainstream e isso machucou nosso ego\u201d"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista de\u00a0<a href=\"https:\/\/twitter.com\/noacapelas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Bruno Capelas<\/a><\/strong>\u00a0e\u00a0<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/igrmllr\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Igor M\u00fcller<\/a>, do\u00a0<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/programadeindie\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Programa de Indie<\/a><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em conversas de bar ou an\u00e1lises s\u00e9rias sobre a m\u00fasica brasileira nos \u00faltimos anos, o baiano <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/teagoliveira\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Teago Oliveira<\/a> costuma aparecer como um dos principais nomes da \u201cnova gera\u00e7\u00e3o\u201d. H\u00e1 certo engano corriqueiro, por\u00e9m, em apont\u00e1-lo como um novato \u2013 algo que ele pr\u00f3prio deixa claro em \u201cMinha Juventude Acabou\u201d, faixa que abre seu mais recente trabalho, o \u00e1lbum solo \u201c<a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/prerelease\/27KhBprbW4lg2onzg5HEp2?si=7emorKZvQ3yDRKGdUS6tEw&amp;nd=1&amp;dlsi=e4eb11ed1c2a47e0\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Can\u00e7\u00f5es do Velho Mundo<\/a>\u201d (2025). \u201cEstou com quase 40 anos, n\u00e9? N\u00e3o sou mais nem jovem, n\u00e3o preciso mais ficar tentando provar nada para os outros. Entendo quando me chamam de nova gera\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o sou: eu sobrevivi at\u00e9 aqui para hoje ser chamado de nova gera\u00e7\u00e3o\u201d, diz o cantor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m da carreira solo, iniciada em 2019 com o \u00e1lbum \u201cBoa Sorte\u201d, Teago j\u00e1 soma mais de 15 anos de estrada \u00e0 frente da banda <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?s=Maglore\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Maglore<\/a>. Foi uma longa jornada, na qual o artista viu muitos colegas ficarem pelo caminho. \u201cBoa parte da minha gera\u00e7\u00e3o morreu. Essa \u00e9 a verdade. Mas n\u00e3o tem que ficar reclamando, tem que ir l\u00e1 e vencer, porra. N\u00e3o \u00e9 vencer profissionalmente, \u00e9 vencer a vida \u2013 a grande mensagem do disco \u00e9 essa\u201d, explica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lan\u00e7ado em outubro de 2025, \u201cCan\u00e7\u00f5es do Velho Mundo\u201d foi feito de maneira independente, gravado num est\u00fadio erguido na casa de Teago em S\u00e3o Paulo e bancado com os recursos do pr\u00f3prio m\u00fasico. \u201cEu queria fazer tudo como gosto de fazer, do jeito antigo: fazendo testes, usando fita, gravando takes e mais takes. Bancar isso? N\u00e3o recomendo n\u00e3o, sabe? (risos). Foi um fetiche pessoal\u201d, diz. \u201cO or\u00e7amento foi estourado na primeira semana, mas eu precisava ir fundo nessa tara que eu tinha.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De um lado, o disco foi movido por uma vontade de experimentar novas formas de cria\u00e7\u00e3o ap\u00f3s tanto tempo ao lado da Maglore. Do outro, \u00e9 o resultado de um per\u00edodo dif\u00edcil na vida do cantor, que passou por um momento de luto durante a pandemia. \u201cFiquei muito tempo no sof\u00e1, mas estava compondo. A ferida estava ali e n\u00e3o ia sumir, mas o segredo foi fazer a vida ficar mais bonita em volta da ferida\u201d, diz Teago em entrevista concedida em novembro ao <a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/episode\/3wWdCU88GdNY3vrH0WM1vm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Programa de Indie<\/a> \u2013 e agora publicada em texto no Scream &amp; Yell. \u201cPor tudo que passei nos \u00faltimos anos, tem um DNA de sofrimento no disco, mas tamb\u00e9m tem um DNA de quem n\u00e3o tem mais tempo de ficar se recolhendo no quarto. N\u00e3o tenho mais idade para isso, tenho que ganhar o jogo.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para o artista, fazer m\u00fasica \u00e9 uma forma de intervir em uma realidade cada vez mais impiedosa. \u201cO sistema em que a gente vive est\u00e1 massacrando a gente, estamos sendo tragados. Mas falar do que n\u00e3o est\u00e1 legal faz com que a coisa n\u00e3o fique mais \u2018n\u00e3o legal\u2019\u201d, diz Teago, ao mesmo tempo em que defende que as can\u00e7\u00f5es t\u00eam vida pr\u00f3pria face ao cotidiano. \u201cN\u00e3o fa\u00e7o disco pensando que \u00e9 TCC. N\u00e3o quero que minha teoria esteja certa, s\u00f3 estou escrevendo o que eu sinto.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No papo a seguir, Teago fala mais sobre os bastidores do disco, disseca os desafios de fazer um disco solo e teoriza sobre o papel da m\u00fasica na sua vida. \u201cA m\u00fasica \u00e9 uma esp\u00e9cie de doen\u00e7a e terapia. N\u00e3o consigo parar de fazer, porque se eu parar, eu vou morrer. Mas, ao mesmo tempo, tenho que fazer do jeito que me traz bem-estar\u201d, afirma ele, que tamb\u00e9m reflete sobre a evolu\u00e7\u00e3o de sua carreira ao longo dos anos. \u201cQuando comecei, compor era a onda, mas n\u00e3o tinha ainda nenhuma linguagem pr\u00f3pria no cantar. Vejo meu processo como uma grande curva de algu\u00e9m que vai tendo acesso a estruturas, que n\u00e3o tive durante a adolesc\u00eancia.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m disso, ele tamb\u00e9m fala sobre os planos futuros da Maglore \u2013 spoiler: o grupo j\u00e1 est\u00e1 \u201cno gatilho\u201d para um disco novo, com lan\u00e7amento poss\u00edvel ainda para este ano. \u201cA curva criativa da banda \u00e9 uma curva ascendente. \u00c9 muito f\u00e1cil fazer um grande disco e cair. Dif\u00edcil \u00e9 ter f\u00f4lego para seguir. O grande lance \u00e9 saber at\u00e9 onde vai dar essa porra\u201d, brinca.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Can\u00e7\u00f5es do Velho Mundo\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/videoseries?list=OLAK5uy_mS3TxlpB-bW06c26kZJ9mpA-0n6_6CRyU\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Igor Muller: Teago, como nasce o \u201cCan\u00e7\u00f5es do Velho Mundo\u201d?<\/strong><br \/>\n<strong>Teago Oliveira<\/strong>: Foram anos pensando sobre m\u00fasica, refletindo e escrevendo can\u00e7\u00f5es. Acabei juntando essas \u201cmusiquinhas\u201d e fiz v\u00e1rias decis\u00f5es rom\u00e2nticas. Decidi bancar o pr\u00f3prio disco, decidi n\u00e3o assinar com nenhuma major, fazer tudo de forma caseira. Queria fazer tudo conforme eu acreditava, botar a crian\u00e7a pra fora. A Maglore \u00e9 uma banda que me permite fazer muitas coisas, mas o som j\u00e1 \u00e9 muito maturado. Sabemos para onde o som da Maglore vai daqui pra frente. Isso me d\u00e1 a possibilidade de trabalhar outras v\u00e1lvulas de escape. Foi muito legal fazer esse disco, porque fiz sem expectativas muito grandes, junto com o [produtor] Ot\u00e1vio Bonazzi. Fomos nos surpreendendo com o pr\u00f3prio andar do disco, com a forma como fomos gravando, do som que foi sendo tirado. Esper\u00e1vamos muito menos em termos de facilidade sonora, mas o neg\u00f3cio foi fluindo de um jeito\u2026 \u201ccaralho, galera, vamos continuar fazendo at\u00e9 onde der porque t\u00e1 bom\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Bruno Capelas: A vontade de experimentar \u00e9 um fator que muitos artistas usam para justificar um trabalho solo. Mas as m\u00fasicas desse disco n\u00e3o caberiam na Maglore? Por que grav\u00e1-las sozinho?<\/strong><br \/>\nTeago: Acho que tem m\u00fasica desse disco que cabe demais na Maglore, assim como algumas m\u00fasicas do primeiro [\u201cBoa Sorte\u201d, de 2019]. Mas tenho muita seguran\u00e7a sobre as m\u00fasicas que a Maglore vai escolher para ela e que ela mesma vai gerar. Na Maglore, eu preciso ser extremamente honesto comigo e com a banda. [Preciso saber] que a m\u00fasica que eu apresentar para os caras pode ser completamente destrinchada e virar outra coisa. Esse \u00e9 o grande barato de ter banda. Ter uma banda foi o meu grande sonho de crian\u00e7a. \u00c9 um sonho que eu realizei. Mas \u00e9 importante voc\u00ea deixar uma banda ser uma banda, sen\u00e3o ela vira apenas o trabalho de um compositor. O grande lance da Maglore \u00e9 que ela tem uma vida pr\u00f3pria. Escrevo a maior parte das can\u00e7\u00f5es, o <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?s=Lucas+Gon%C3%A7alves\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Lucas [Gon\u00e7alves]<\/a> tamb\u00e9m escreve \u2013 e, para mim, ele \u00e9 um dos compositores de alto n\u00edvel da nossa galera hoje. Individualmente, cada um de n\u00f3s quatro tem sua personalidade. Mas quando a banda se une, n\u00f3s atingimos uma unidade pr\u00f3pria. Levou muito tempo, mas atingimos esse patamar. Tem m\u00fasica do meu disco que poderia ser tocada pela Maglore facilmente. D\u00e1 at\u00e9 vontade de chamar os caras [para tocar comigo] e abaixar o cach\u00ea, mas ia virar outra coisa. Esse disco \u00e9 muito sobre isso tamb\u00e9m: sobre experimentar \u2013 e quanto \u00e0 Maglore, vamos fazer o pr\u00f3ximo disco ano que vem, mas por agora resolvi fazer isso aqui.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Capelas: Vamos voltar no tempo para entender a hist\u00f3ria do disco. O \u201cBoa Sorte\u201d, seu primeiro \u00e1lbum solo, \u00e9 de 2019. Logo depois veio a pandemia, e na sa\u00edda da pandemia, a Maglore <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2022\/08\/29\/entrevista-maglore-lanca-v-olhando-para-o-passado-e-teago-oliveira-diz-que-a-banda-vive-sua-melhor-fase\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">lan\u00e7ou o \u201cV\u201d<\/a>. De quando s\u00e3o essas m\u00fasicas novas? Como elas nascem?<\/strong><br \/>\nTeago: Esse disco vem de uma fase muito dif\u00edcil. Apesar de n\u00e3o parecer, tive uma crise depressiva nos \u00faltimos anos. N\u00e3o falo muito sobre isso, mas perdi um tio em 2021. Foi um luto muito forte. Por muita sorte, as m\u00fasicas do \u201cV\u201d j\u00e1 estavam compostas. Mas aquele foi um momento em que foi muito dif\u00edcil de me encontrar, de ter vontade de fazer as coisas. Fiquei durante muito tempo no sof\u00e1, que \u00e9 o que a gente faz quando a gente n\u00e3o t\u00e1 bem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Capelas: Sei bem.<\/strong><br \/>\nTeago: Foram quase dois anos no sof\u00e1. E como tenho um problema de neurose e obsess\u00e3o muito grande, eu estava no sof\u00e1, mas estava compondo. Muitas coisas ficavam girando na minha cabe\u00e7a \u2013 inclusive uma frase que est\u00e1 em \u201cEu Nasci Pra Voc\u00ea\u201d, que fala \u201cque quando voc\u00ea sabe que algu\u00e9m n\u00e3o vai voltar, tem que aprender a fazer algo novo\u201d. A ferida vai ficar ali, mas o segredo \u00e9 fazer a vida ficar mais bonita em volta da ferida, para que a ferida n\u00e3o fique no primeiro plano, porque a ferida n\u00e3o vai sumir. Foi a\u00ed que decidi agir. Foi quando comecei a comprar um monte de equipamento, decidi montar um est\u00fadio em casa. Comprei um monte de coisa loucamente. Fui montando, o Bonazzi me ajudou a fazer o est\u00fadio, e fui escrevendo as m\u00fasicas. Em nenhum momento pensei que devia deixar as m\u00fasicas pra Maglore. Pelo contr\u00e1rio! Falei assim: \u201cbicho, se a Maglore quiser essa m\u00fasica aqui, foda-se os caras!\u201d. O que \u00e9 da Maglore ia ficar pra Maglore. Mas durante o processo, acabei chamando o Luquinhas pra tocar. N\u00e3o d\u00e1 pra se desvencilhar daquela porra, ele \u00e9 muito foda. (risos). Hoje tive ensaio com ele, ele est\u00e1 tocando guitarra na banda do meu disco. Ele \u00e9 paranormal! \u00c9 muita loucura! Ele tocando guitarra tem outra linguagem, que ele n\u00e3o apresenta na banda, \u00e9 o maior barato. Mas bem, fui escrevendo essas m\u00fasicas, os anos foram passando e fui me entendendo. Aconteceu tamb\u00e9m um neg\u00f3cio que acho o maior barato: evolu\u00e7\u00e3o. Mesmo que seja aos poucos, senti que estou operando em outro n\u00edvel de composi\u00e7\u00e3o \u2013 pode n\u00e3o ser nem melhor nem pior, mas acredito que seja melhor. J\u00e1 \u00e9 algo diferente do \u201cV\u201d, do \u00faltimo disco da Maglore. Sinto que houve f\u00f4lego para isso, mas ao mesmo tempo tamb\u00e9m houve muito questionamento. Eu me perguntava se j\u00e1 tinha feito muitos discos, se j\u00e1 estava come\u00e7ando a ficar repetitivo e a fazer can\u00e7\u00f5es mais \u201cenchedoras de lingui\u00e7a\u201d, um pouco mais superficiais, s\u00f3 porque preciso pagar as contas. Falo sobre isso no disco tamb\u00e9m. Mas de certa forma, entendo que houve f\u00f4lego para fazer esse disco e, assim, ele aconteceu. T\u00f4 falando pra caralho, n\u00e9?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Capelas: Vambora!<\/strong><br \/>\nTeago: Foi muito massa a forma como tudo aconteceu, porque muita gente participou do processo. Amigos ouviram o disco e vieram me ajudar a gravar. A Maglore s\u00e3o quatro caras, ent\u00e3o somos n\u00f3s quatro dentro do est\u00fadio. No meu disco, tem mais de 20 pessoas participando. Ele foi at\u00e9 mais coletivo, do ponto de vista de execu\u00e7\u00e3o, que a pr\u00f3pria banda. Ao mesmo tempo, um disco solo \u00e9 muito solit\u00e1rio. Num disco solo, voc\u00ea n\u00e3o pode ficar perguntando muito para os outros, porque sen\u00e3o o outro toma conta, diz que tem que mudar verso, mexer ali. \u00c9 um neg\u00f3cio que tem que ser voc\u00ea, ali. Quando terminei as m\u00fasicas, treinei muito no viol\u00e3o e na voz para ver se fazia sentido antes de gravar. \u00c9 um processo bem diferente da banda: \u00e0s vezes, a Maglore faz as m\u00fasicas enquanto est\u00e1 gravando. Uma banda precisa dessa coisa viva, mas meu processo foi diferente. \u00c9 legal ter quase 40 anos de idade e ainda explorar coisas novas de novo. \u00c9 um privil\u00e9gio que a vida me deu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Igor: \u00c9 interessante isso que voc\u00ea comentou do processo de composi\u00e7\u00e3o e de decis\u00e3o. Voc\u00ea j\u00e1 \u00e9 um compositor consolidado, mas h\u00e1 nesse disco algumas escolhas maduras nas constru\u00e7\u00f5es das can\u00e7\u00f5es. Antes, talvez tais escolhas fossem intuitivas, mas agora elas parecem mais engendradas, pensadas. Faz sentido isso?<\/strong><br \/>\nTeago: \u00c9 parte da experi\u00eancia tamb\u00e9m. Experi\u00eancia de vida, experi\u00eancia no ramo\u2026 e tem um lance que eu costumo pensar tamb\u00e9m. Nunca tive estrutura para ser m\u00fasico. Se voc\u00ea me colocar em p\u00e9 de igualdade com outros artistas hoje, muitos deles v\u00e3o se reconhecer junto comigo porque n\u00e3o tiveram estrutura para exercer a m\u00fasica cedo, para se descobrir. Vejo meu processo como uma grande curva de algu\u00e9m que vai tendo acesso a estruturas, que n\u00e3o tive durante a adolesc\u00eancia. Comecei a criar paix\u00e3o por produ\u00e7\u00e3o musical h\u00e1 muito tempo. Produzo os discos da Maglore junto com a Maglore, mas nunca assinei a produ\u00e7\u00e3o, porque nunca tive tanta estrutura para isso. Quem produzia era o L\u00e9o Marques, o Rafa [Ramos] da Deck, mas sempre fui apaixonado por produ\u00e7\u00e3o. Os anos foram passando, fui criando experi\u00eancia para tomar decis\u00f5es sozinho, at\u00e9 mesmo decis\u00f5es mais individuais, al\u00e9m de criar uma linguagem pr\u00f3pria. Quer dizer: a linguagem sempre foi pr\u00f3pria, mas ela tem cada vez mais uma sofistica\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria. N\u00e3o sei se estou sendo claro, mas acho que d\u00e1 para entender.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Bora\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/mZoQ5relQhg?list=OLAK5uy_kiR3-gjWLmZItpvHUErP_fT7u6drtoOcs\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Capelas: Faz sentido. (risos)<\/strong><br \/>\nTeago: Gosto muito do \u201cBoa Sorte\u201d porque ele me abriu esse caminho. E agora, no \u201cCan\u00e7\u00f5es\u201d, consegui encontrar uma voz para mim. \u00c9 uma voz maior, n\u00e3o sei julgar se \u00e9 melhor ou pior. Mas acho que cheguei num lugar mais interessante. Enquanto compositor, tamb\u00e9m rola um lance da idade. Estou com quase 40, n\u00e9, galera. N\u00e3o sou mais nem jovem, n\u00e9? N\u00e3o preciso mais ficar tentando provar nada para os outros. \u00c9 algo com o que a minha gera\u00e7\u00e3o sofreu demais. N\u00f3s n\u00e3o atingimos o mainstream e isso machucou, de certa forma, o ego da minha gera\u00e7\u00e3o. N\u00f3s tentamos nos provar o tempo todo, para todo mundo. Mas chegou num momento da minha vida que decidi que n\u00e3o tinha mais o que provar. E isso me deixou mais seguro para fazer m\u00fasica, para escrever sobre o que eu quero escrever. Por isso que digo que \u00e9 um lance de experi\u00eancia de vida, de colher as experi\u00eancias e matur\u00e1-las. \u00c9 tentar fazer com que a coisa tenha magia, sabe, sem endurecer ou virar um neg\u00f3cio herm\u00e9tico. \u00c9 um caminho f\u00e1cil endurecer a parada, fazer uma f\u00f3rmula pronta, at\u00e9 por sacar que o p\u00fablico est\u00e1 ali e vai curtir o que voc\u00ea faz. Acho que o desafio \u00e9 mudar, sacou? Pode n\u00e3o ser uma mudan\u00e7a radical para quem vem de fora, n\u00e9? Mas h\u00e1 um deslocamento art\u00edstico que consegui fazer, pela experi\u00eancia e pelo acesso. \u00c9 por isso que, depois de lan\u00e7ar esse disco, estou come\u00e7ando a me preocupar com os artistas mais jovens, com a garotada de 20 anos que est\u00e1 fazendo banda, compondo, criando. Eles v\u00e3o enfrentar um bagulho ainda mais pesado. O carro passou em cima da gente, est\u00e1 passando e vai passar ainda mais em cima deles. \u00c9 preciso falar disso, fazer algo diferente, porque sen\u00e3o vai acabar tudo, bicho. Vamos combinar, n\u00e9? Do jeito que as coisas est\u00e3o, vai nichar tudo de vez, o mercado vai achatar. Tem quem diga que n\u00e3o tem mais para onde achatar, mas sempre tem. Sempre pode piorar. Uma vez, fiz um projeto com a Marisa Orth, e tinha um monte de artistas mais novos. Est\u00e1vamos elogiando os artistas e ela comentou algo assim: \u201cesse \u00e9 muito bom, mas falta tomar um chifre\u2026\u201d. E n\u00e3o \u00e9 um chifre real, mas um chifre metaf\u00f3rico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Capelas: Tem a hist\u00f3ria cl\u00e1ssica de que o Tim Maia teria dito isso sobre o Ed Motta, que era sobrinho dele.<\/strong><br \/>\nTeago: Pois \u00e9! (risos). Tem coisa que s\u00f3 a experi\u00eancia de vida faz. Pode vir a\u00ed com todo o talento do mundo, sapateando, brilhando, mostrando que voc\u00ea \u00e9 o cara\u2026 mas n\u00e3o tenha d\u00favida: uma hora a vida vai te bater e voc\u00ea vai precisar de experi\u00eancia para se defender dela.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Igor: Tive aula com o <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/06\/26\/entrevista-vladimir-safatle-e-fabiana-lian\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Vladimir Safatle<\/a> e ele dizia que um artista n\u00e3o pode vender um quadro muito caro com 20 anos de idade, porque isso compromete o percurso art\u00edstico dele.<\/strong><br \/>\nTeago: Concordo!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Capelas: \u00c9 curioso voc\u00ea falar sobre essa quest\u00e3o geracional. Nos \u00faltimos tempos, perdemos v\u00e1rios artistas refer\u00eancia de uma gera\u00e7\u00e3o da m\u00fasica brasileira \u2013 <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/11\/19\/1943-2025-jards-macale-a-musica-como-gesto-radical-de-liberdade\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Jards Macal\u00e9<\/a>, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/10\/14\/entrevista-angela-ro-ro-avisa-ja-foi-o-dinheiro\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\u00c2ngela Ro Ro<\/a>, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/11\/03\/lo-borges-tudo-o-que-voce-podia-ser-e-foi-as-10-musicas-mais-tocadas-e-gravadas-de-lo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">L\u00f4 Borges<\/a>. Mas como muitos dos nomes dessa gera\u00e7\u00e3o seguem tocando, \u00e0s vezes se tem a impress\u00e3o que todo mundo que veio depois \u00e9 \u201cjovem\u201d. Nessa conta, um Chico C\u00e9sar acaba sendo jovem, um Zeca Baleiro acaba sendo jovem, mas j\u00e1 s\u00e3o artistas mais que veteranos. Tive esse choque quando dei play no disco e ouvi \u201cMinha Juventude Acabou\u201d. De fato, voc\u00ea n\u00e3o \u00e9 mais um artista novo\u2026 mas como \u00e9 lidar com isso?<\/strong><br \/>\nTeago: \u00c9 preciso lidar com o mundo moderno, com o mundo novo. \u00c9 muito por isso que o disco se chama \u201cCan\u00e7\u00f5es do Velho Mundo\u201d. \u00c9 uma contradi\u00e7\u00e3o, n\u00e9? (risos) Geralmente, quando algu\u00e9m fala que eu sou da nova gera\u00e7\u00e3o, aceito. De certa forma, a Maglore, o Terno, o Boogarins, o Terno Rei, est\u00e1 todo mundo no mesmo bolo. Sou um pouquinho mais velho que eles, mas n\u00e3o mais velho para chamar de garotos. S\u00e3o tr\u00eas, quatro anos de diferen\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Capelas: Mas agora \u00e9 uma \u00e9poca em que essa diferen\u00e7a come\u00e7a a parar de fazer diferen\u00e7a, n\u00e9?<\/strong><br \/>\nTeago: Sim, para de fazer essa diferen\u00e7a toda. Somos a gera\u00e7\u00e3o que est\u00e1 a\u00ed fazendo o bagulho, mas o referencial de tudo mudou. \u00c9 esquisito, n\u00e9, bicho? Entendo quando chamam a gente de nova gera\u00e7\u00e3o. Mas fa\u00e7o umas aspas nesse \u201cnova\u201d. N\u00e3o sou da nova gera\u00e7\u00e3o. Eu sobrevivi at\u00e9 aqui para ser chamado de nova gera\u00e7\u00e3o. Essa \u00e9 a diferen\u00e7a. A nova gera\u00e7\u00e3o \u00e9 a Marina Sena, \u00e9 o Lagum, \u00e9 a Sophia Chablau. Tem toda uma galera que precisa ser chamada de nova gera\u00e7\u00e3o \u2013 e ainda n\u00e3o \u00e9 nem vista como gera\u00e7\u00e3o. Eu? Eu sobrevivi para estar do lado deles agora, para estar com o Z\u00e9 Ibarra ou com a Jadsa. Boa parte da minha gera\u00e7\u00e3o morreu. Essa \u00e9 a verdade. A m\u00fasica \u00e9 assim, vai ficando nesse lugar. Concordo, n\u00e3o tem que ficar reclamando. Tem que ir l\u00e1 e vencer, porra. N\u00e3o d\u00e1: o mundo vai mudando e \u00e9 preciso fazer m\u00fasica. Ainda tem um monte de gente querendo descobrir som novo, que descobre diariamente a Maglore. A banda vai l\u00e1, vende um bocado de ingresso, atrapalha minha carreira solo\u2026 (risos).<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Teago Oliveira - Eu Nasci Pra Voc\u00ea (Clipe Oficial)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/4j4xBdXor6w?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Capelas: Queria falar de \u201cEu Nasci Pra Voc\u00ea\u201d, que tem muito a ver com essa discuss\u00e3o \u2013 para mim, ela tem um refr\u00e3o da Banda Eva preso numa can\u00e7\u00e3o folk. E ela usa justamente essa ideia para discutir o que \u00e9 a can\u00e7\u00e3o. A can\u00e7\u00e3o j\u00e1 \u00e9, por si s\u00f3, uma coisa do velho mundo. Por um lado, o t\u00edtulo \u00e9 uma contradi\u00e7\u00e3o, mas do outro \u00e9 uma redund\u00e2ncia\u2026<\/strong><br \/>\nTeago: Eu tinha essa reflex\u00e3o. \u201cEu Nasci Pra Voc\u00ea\u201d come\u00e7ou como uma m\u00fasica rom\u00e2ntica. Geralmente, gosto de deixar a m\u00fasica fluir. No caso dela, percebi que o refr\u00e3o era rom\u00e2ntico, mas tudo que eu queria falar n\u00e3o tinha nada a ver com o refr\u00e3o. Durante a m\u00fasica, decidi deixar assim e fazer uma m\u00fasica sobre isso. Virou uma m\u00fasica sobre fazer m\u00fasica, sobre fazer uma can\u00e7\u00e3o rom\u00e2ntica para poder fazer algu\u00e9m ouvir o que quero falar. (risos). Ah, bicho, \u00e9 muita loucura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Capelas: No come\u00e7o do papo, voc\u00ea disse que escolheu fazer tudo sozinho. Fazer o est\u00fadio em casa, n\u00e3o assinar com nenhum selo. Sei que \u00e9 chato explicar ironia, mas o que \u00e9 verdade e o que \u00e9 ironia nessas escolhas?<\/strong><br \/>\nTeago: Sou muito rom\u00e2ntico, confio muito nas minhas m\u00fasicas e na liberdade criativa. E \u00e0 medida que o tempo est\u00e1 passando, tenho que ser honesto, n\u00e9? Decidi fazer tudo sozinho e bancando as coisas porque esse \u00e9 um patrim\u00f4nio que quero ter para mim. \u00c9 claro que \u00e9 mais dif\u00edcil fazer o trabalho chegar nos lugares desse jeito, mas eu queria controle. Quero controlar meu pr\u00f3prio fonograma, quero decidir onde ele vai ser tocado, n\u00e3o quero assinar com nenhuma major que vai me colocar no \u00faltimo lugar do mundo para trabalhar. Eu n\u00e3o podia fazer um disco escrevendo o que eu estava a fim de escrever, mas chegar na hora de agir e agir igual um emocionado que vai l\u00e1 e faz tudo diferente. Possivelmente colherei dificuldades dessa escolha? Sim. Mas preferi ter liberdade para isso nesse disco. Tem muitos artistas independentes que gravam com edital, com patroc\u00ednio. Mas n\u00e3o: banquei o disco completamente, comprei as coisas. \u00c9 claro que muita gente fez muita coisa de gra\u00e7a, sen\u00e3o n\u00e3o ia ter como. \u00c9 muito caro fazer um disco. At\u00e9 dei uma entrevista falando sobre isso. Numa gravadora, ela d\u00e1 o or\u00e7amento de X, voc\u00ea vai l\u00e1, gasta X e faz o disco. Eu n\u00e3o tive isso: fui simplesmente me desfazendo das minhas economias porque estava a fim. &#8220;Foda-se, vou comprar esse microfone agora&#8221;. O or\u00e7amento que eu tinha foi estourado na primeira semana! (risos). Chegou at\u00e9 num momento que meus amigos come\u00e7aram a fazer as coisas de gra\u00e7a para mim, mas s\u00f3 pediam para eu parar. O Bruno Orsini, do [est\u00fadio] Fleeting Media, tem um Hammond antigo e me ofereceu para gravar os pianos l\u00e1 \u2013 at\u00e9 porque as coisas que ele tem eu n\u00e3o tenho como ter, precisaria de outra vida trabalhando. Ele falou para eu gravar l\u00e1 sen\u00e3o eu ia enlouquecer. E \u00e9 isso: eu queria fazer tudo como sempre gosto de fazer, do jeito antigo. Fazendo os testes, usando fita, fazer takes, gravar mais takes. Bancar isso\u2026 n\u00e3o recomendo n\u00e3o, sabe? (risos). Foi um fetiche pessoal. D\u00e1 para fazer a mesma coisa ou at\u00e9 melhor sem despender tanta energia dentro do processo. \u00c9 que eu precisava ir fundo nessa tara que eu tinha. Eu sou meio nerd com coisa de equipamento, com som, com mixagem. Com essas coisas que na verdade, vamos combinar, na hora que a galera escuta, a galera n\u00e3o est\u00e1 nem a\u00ed para saber se o piano \u00e9 alem\u00e3o ou de 1900 e tal. E tamb\u00e9m n\u00e3o importa, n\u00e9? O que importa \u00e9 a can\u00e7\u00e3o, \u00e9 a m\u00fasica, se est\u00e1 bem interpretado\u2026 mas esse disco est\u00e1 bem feito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Capelas: \u00c9 muito bom discutir isso porque tem muita gente que vai ouvir esse disco pelo pr\u00f3prio alto-falante do celular, num fone qualquer, a 128 kbps no Spotify\u2026<\/strong><br \/>\nTeago: \u00c9 assim que a vida \u00e9, bicho. Tem que saber que voc\u00ea est\u00e1 fazendo um disco e no final das contas a galera vai ouvir numa JBL mono, perdendo fase, cagando o som todo. Mas a galera vai se emocionar, vai chorar, vai cantar, vai dan\u00e7ar, vai beber em casa e pronto! No final das contas, \u00e9 isso a\u00ed.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Igor: Mas Teago, no longo prazo, esse tipo de decis\u00e3o art\u00edstica n\u00e3o \u00e9 como o trabalho de uma toupeira, que constr\u00f3i n\u00e3o pensando no presente, mas que no futuro tem todo um castelo subterr\u00e2neo constru\u00eddo? No futuro, algu\u00e9m vai olhar e falar que o disco do Teago foi feito com esmero e que a obra se destaca, enquanto outras obras pensadas de maneira mais imediata talvez n\u00e3o sobrevivam\u2026<\/strong><br \/>\nTeago: Ig\u00e3o, n\u00e3o fa\u00e7o pensando nos outros. Fa\u00e7o pensando em mim. Sabe por qu\u00ea? Porque quando escuto o primeiro disco da Maglore, tenho calafrios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Capelas: O \u201cVeroz\u201d?<\/strong><br \/>\nTeago: Sim. Sabe por qu\u00ea? Porque ele foi gravado numa [interface de \u00e1udio] Firewire solo, no [software] Guitar Rig, com bateria programada. O p\u00fablico ama \u2013 e entendo que aquele disco \u00e9 muito importante para o p\u00fablico e para a pr\u00f3pria banda. Isso n\u00e3o importa. Mas o que importa \u00e9 que n\u00e3o consigo voltar no tempo, escutar o meu som e falar \u201colha, que legal\u201d. Sei que aquele som n\u00e3o \u00e9 real para mim. Poderia ter sido com guitarra do s\u00e9culo XII, mas aquele som n\u00e3o era eu. N\u00e3o importa como eu gravei. \u201cBum Bum Tam Tam\u201d foi gravada num iPhone, escuto hoje e falo que \u00e9 do caralho. Mas n\u00e3o consigo enxergar o que eu fiz ali. N\u00e3o \u00e9 sobre equipamento nem dinheiro. At\u00e9 porque voc\u00ea pode gravar num est\u00fadio de US$ 50 milh\u00f5es e ter a mesma sensa\u00e7\u00e3o que tenho ouvindo o \u201cVeroz\u201d. Voc\u00ea pode ser t\u00e3o pl\u00e1stico quanto, independente do equipamento que voc\u00ea usa. Equipamento n\u00e3o determina nada, no final das contas. Ele \u00e9 um facilitador para voc\u00ea chegar no lugar onde voc\u00ea quer.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-93578 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/veroz.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"505\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/veroz.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/veroz-300x202.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Capelas: \u00c9 um proxy de esmero.<\/strong><br \/>\nTeago: Exatamente. No meu primeiro disco, ou no \u201cVamos Para Rua\u201d da Maglore, j\u00e1 enxergo mais coer\u00eancia com aquele som, com o que eu realmente queria fazer naquela \u00e9poca. Mas o deitar da cabe\u00e7a no travesseiro no futuro n\u00e3o \u00e9 pensando no outro. \u00c9 pensando em mim. O \u201cVeroz\u201d me abriu esse r\u00e1dio de pol\u00edcia, essa sirene que ficava na cabe\u00e7a pensando \u201cn\u00e3o faz\u201d. \u201cSe fizer, vai ficar ouvindo o resto da sua vida o fonograma que voc\u00ea n\u00e3o queria ouvir\u201d. A\u00ed \u00e9 onde pega. \u00c9 algo super pessoal. Tem gente que vira para mim e fala \u201cp\u00f4, bicho, voc\u00eas s\u00f3 n\u00e3o viraram a grande banda porque voc\u00eas abandonaram o som do \u2018Veroz\u2019\u201d. J\u00e1 parei pra pensar que essa pessoa poderia estar certa, mas esse foi o pre\u00e7o que tive que pagar para fazer as minhas escolhas. N\u00e3o queria falar aquilo mais, entendeu?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Igor: Ainda assim, acho as guitarras do \u201cVeroz\u201d melhores do que muitas das guitarras gravadas aqui no Brasil, mesmo do jeito que s\u00e3o. Outra coisa que eu ia perguntar sobre a mudan\u00e7a do som \u00e9 a quest\u00e3o da voz. Conversando com o Rodrigo Fischmann, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/12\/01\/entrevista-dingo-celebra-10-anos-do-disco-maravilhas-da-vida-moderna-com-vinil-e-edicao-digital-deluxe\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">da Dingo<\/a>, n\u00f3s falamos muito sobre voz. Ele comentou que ela mudou ao longo da carreira. No \u201cVeroz\u201d, seu registro lembra um pouco o Amarante, enquanto agora voc\u00ea est\u00e1 com uma voz mais suave, com mais aberturas. \u00c9 uma evolu\u00e7\u00e3o ou uma decis\u00e3o?<\/strong><br \/>\nTeago: \u00c9 \u00f3bvio que foi acontecendo. Sempre me enxerguei como um criador de can\u00e7\u00f5es. Enquanto m\u00fasico, tecnicamente, nunca me vi como um cara muito bom. Hoje, acho que fa\u00e7o bem o meu trabalho, mas tenho mod\u00e9stia para reconhecer que n\u00e3o sou um executor de alto n\u00edvel. Ali, no \u201cVeroz\u201d, eu n\u00e3o sabia gravar voz. Cheguei tarde no processo. J\u00e1 fazia as m\u00fasicas, sempre gostei de compor. Compor era a onda, mas eu n\u00e3o tinha ainda nenhuma linguagem pr\u00f3pria no cantar. N\u00e3o cheguei pronto ali, entendeu? Eu estava descobrindo uma forma de cantar, uma forma de afinar. Eu tinha facilidade de afinar cantando assim, fechando a boca. Se voc\u00ea soltar a voz e cantar mais aberto, tem chance de desafinar. Quem canta sabe o que eu estou falando. No come\u00e7o, eu tinha que fazer a coisa mais travada, at\u00e9 porque havia poucas horas para gravar a porra da m\u00fasica. E eu tinha que criar uma persona ali para fazer a coisa, para me sentir bem comigo mesmo. Era pura falta de experi\u00eancia \u2013 e \u00e9 por isso que me constrange hoje. N\u00e3o era eu, eu estava ali ainda desenvolvendo o meu trabalho. No \u201cVamos Pra Rua\u201d, eu j\u00e1 tinha enterrado aquilo, j\u00e1 tinha passado por turn\u00ea, j\u00e1 tinha virado outra coisa. Ao ponto de que, no \u201cVamos Pra Rua\u201d, eu desafino. M\u00fasica \u00e9 o maior barato, cara, porque acho isso mais legal. M\u00fasica n\u00e3o \u00e9 sobre afinar, nunca foi. E eu estava preocupado com isso no primeiro disco, mudei minha voz para conseguir afinar. No final das contas, era melhor ter desafinado, ter sido mais natural. M\u00fasica \u00e9 apenas personalidade e emo\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Capelas: No disco novo, al\u00e9m de voc\u00ea, tem outras duas pessoas cantando em participa\u00e7\u00f5es especiais: a Silvia Machete (em \u201cVida de Casal\u201d) e o Eric Slick, do Dr. Dog (em \u201cSpaceships\u201d). Como essas parcerias surgiram?<\/strong><br \/>\nTeago: J\u00e1 falei em uma entrevista que odeio feat. Odeio mesmo, n\u00e3o gosto, n\u00e3o curto fazer, n\u00e3o vejo sentido. Mas nesse disco tem dois feats! N\u00e3o \u00e9 um, s\u00e3o dois\u2026 mas foi porque eles foram necess\u00e1rios. No caso do Eric, me senti bem com a m\u00fasica depois dele escutar a letra. Ele pediu para participar da m\u00fasica, tamb\u00e9m. N\u00e3o \u00e9 bem isso. Um dia ele me mandou um \u201cwe should collaborate someday\u201d. Pensei: \u201cse um \u00eddolo seu sugere que voc\u00eas deveriam fazer algo juntos, voc\u00ea n\u00e3o vai ser ot\u00e1rio de dizer que n\u00e3o gosta de feats\u2026\u201d. Mandei \u201cSpaceships\u201d para ele, que eu tinha escrito em ingl\u00eas antes mesmo de toda essa conversa. N\u00e3o escrevi a m\u00fasica porque ele falou. Tenho muita vergonha de escrever em ingl\u00eas, porque quando exer\u00e7o o ingl\u00eas, perco metade do meu vocabul\u00e1rio, me sinto burro. Mas decidi voltar a escrever em ingl\u00eas para perder um pouco esse meu medo. N\u00e3o pretendo fazer muitas coisas, meu neg\u00f3cio \u00e9 a l\u00edngua portuguesa mesmo, mas o que acontece \u00e9 que a porra da m\u00fasica veio em ingl\u00eas. Mandei pra ele, ele gostou, disse que ia cantar e s\u00f3 falei um \u201cvamos nessa\u201d.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"&quot;Pessoa Nefasta&quot; - S\u00edlvia Machete feat. Teago Oliveira (Ra\u00e7a Humana Reloaded, \u00e1udio oficial)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/5P2W6hlpR1o?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Capelas: E a Silvia?<\/strong><br \/>\nTeago: O Dudinha, que \u00e9 baixista da Silvia, tinha vindo gravar \u201cPessoa Nefasta\u201d aqui no est\u00fadio, para esse projeto \u201cRa\u00e7a Humana Reloaded\u201d, do Gilberto Gil. Ele veio com o Tiaguinho Silva gravar a bateria, e mod\u00e9stia \u00e0 parte, o som de bateria aqui est\u00e1 muito legal de tirar. Foi assim que eu chamei o Thiaguinho para fazer o meu disco \u2013 e foi o maior acerto do mundo. No meio da grava\u00e7\u00e3o, o Dudinha falou para eu cantar a segunda parte da m\u00fasica. Cantei, ficou legal, aceitaram que fosse um feat e ficou. Na mesma \u00e9poca, eu tinha uma m\u00fasica que tinha decidido n\u00e3o lan\u00e7ar porque estava esquizofr\u00eanica. Ela tinha uma parte em que eu cantava num tom super alto e outra num som mais grave. At\u00e9 achava OK fazer isso ao vivo, porque estaria sozinho, mas no disco ia ser estranho. A m\u00fasica estava implorando para eu chamar algu\u00e9m pra cantar, uma mulher. Como eu j\u00e1 tinha feito a do Gil com a Silvia, chamei ela para cantar. Acabou rolando por conta disso. Foi necessidade, n\u00e3o foi marketing. At\u00e9 porque se fosse marketing, n\u00e3o tinha dado certo. Tudo que eu tento fazer para bombar d\u00e1 errado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Capelas: O que voc\u00ea tenta fazer pra bombar?<\/strong><br \/>\nTeago: Esse tipo de coisa. \u201cAh, vamos fazer um feat com algu\u00e9m\u201d. Se eu chamo algu\u00e9m, a pessoa passa anos dizendo \u201cvamos fazer, vamos marcar\u201d. \u00c9 igual torcer para time de futebol. Se eu torcer para um time, o time perde. Um amigo meu virou pra mim um dia desses para eu n\u00e3o falar essas coisas, porque o mundo n\u00e3o gira em torno de mim. A\u00ed fomos ver o jogo do Bahia. Resultado? O Bahia perdeu de 2 a 1. Por isso que n\u00e3o tor\u00e7o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Igor: S\u00f3 porque voc\u00ea t\u00e1 falando, o Tottenham est\u00e1 ganhando enquanto a gente grava.<\/strong><br \/>\nTeago: Ah, n\u00e3o zica n\u00e3o, velho. Vai zicar a porra do jogo! Champions League, n\u00e3o estou vendo para n\u00e3o zicar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Capelas: Das coisas improv\u00e1veis de Teago Oliveira, uma das principais \u00e9 que voc\u00ea \u00e9 um torcedor muito ferrenho do Tottenham.<\/strong><br \/>\nTeago: Rapaz, isso \u00e9 a coisa mais de ot\u00e1rio do mundo, sabia? Eu me sinto muito ot\u00e1rio por torcer de verdade pro Tottenham. Tor\u00e7o de verdade, de passar mal, de desligar a televis\u00e3o porque me faz mal. O pior \u00e9 que \u00e9 um time ruim. N\u00e3o \u00e9 um time pouco ruim. \u00c9 um time muito ruim, de playboy, de Londres! O Tottenham \u00e9 um time rico e ruim! Eu poderia torcer pro Liverpool, pro Manchester City\u2026 eu poderia ser feliz, man! Mas nem isso. Simplesmente comecei a gostar do time porque ali por 2014, 2015, foi o in\u00edcio da carreira do Harry Kane. Era o Harry Kane e o Son, e o time s\u00f3 perdia\u2026 fiquei apaixonado, era a hist\u00f3ria da minha vida. Quando vi, o neg\u00f3cio come\u00e7ou a ficar s\u00e9rio. A galera pergunta se eu tor\u00e7o pra algum time brasileiro e eu digo que n\u00e3o tem condi\u00e7\u00e3o. Vai dar muito ruim. Estou at\u00e9 parando de acompanhar, porque esse Tottenham de agora \u00e9 um dos piores times que vi nos \u00faltimos dez anos. O Tottenham nem \u00e9 o tema da conversa, mas est\u00e1 vendo como me deixou?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Igor: \u00c9 bizarro isso! Voltando pro disco, \u00e9 bacana voc\u00ea falar quem mais participou das grava\u00e7\u00f5es.<\/strong><br \/>\nTeago: Voc\u00eas querem a ficha t\u00e9cnica completa? Vamos l\u00e1. Quem tocou as teclas foi o Maur\u00edcio Orsolini. O Andr\u00e9 Ribeiro fez o Op1, um sintetizadorzinho port\u00e1til. Na bateria foi o Gabriel Bruce e o Thiaguinho Silva, cada um em quatro faixas, al\u00e9m do Rafael Lira em \u201cN\u00e3o Se Demore\u201d. No baixo fomos eu e o Dudinha. Ele tocou as que t\u00eam baixo bem tocado, eu fiz as que t\u00eam o baixo mal tocado. Viol\u00f5es s\u00e3o meus, as guitarras dividi com o Luquinhas \u2013 at\u00e9 porque n\u00e3o tinha como n\u00e3o ser. O lapsteel \u00e9 o Rubens da Silva, da Mustache e os Apaches. Violinos s\u00e3o todos do Thiago Melo, que faz todos os violinos dos meus discos desde 2019. Al\u00e9m da Silvia Machete, a minha mulher, a Ana Paula, est\u00e1 nos backing vocals. N\u00e3o tinha como n\u00e3o ser: \u201camor, preciso de um backing vocal aqui, vem c\u00e1!\u201d. Na percuss\u00e3o, tem o Filipe Castro, que toca com a Jadsa. Trombone \u00e9 da Helo\u00edsa Alvino, o trompete \u00e9 do Daniel Gralha, do Bixiga 70. O sax \u00e9 do Cuca Ferreira, do Bixiga 70. E no trompete tamb\u00e9m temos o Bruno Orsini, que \u00e9 um dos caras que me ajudou a gravar o disco. \u00c9 uma esp\u00e9cie de produtor executivo. A mixagem foi minha e do Ot\u00e1vio Bonazzi. E a master \u00e9 do Fili Filizzola l\u00e1 em Los Angeles, que deu um tchan muito foda no disco. Ele tirou um pouco a vis\u00e3o que eu tinha de som. Eu e Bonazzi est\u00e1vamos muito presos num som pr\u00f3prio. O Fili \u00e9 um cara do hi-fi, j\u00e1 masterizou at\u00e9 o Justin Bieber, e trouxe uma vis\u00e3o para modernizar o som da master, deixar mais alto, mais competitivo. Tem mais gente que gravou, mas provavelmente vou esquecer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Capelas: O seu gato, Maur\u00edcio Pereira, n\u00e3o participa do disco, n\u00e9?<\/strong><br \/>\nTeago: N\u00e3o. Mas o Maur\u00edcio Pereira \u2013 <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2022\/08\/10\/mauricio-pereira-micro-entrevista-imperdivel\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">o m\u00fasico<\/a> \u2013 eu gostaria que tivesse participado. Quem sabe no futuro a gente faz um feat. (risos)<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-93579 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/cancoes_teago.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/cancoes_teago.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/cancoes_teago-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Capelas: Acredito que todo disco \u00e9 uma polaroide da sua \u00e9poca. J\u00e1 falamos de \u201cEu Nasci Pra Voc\u00ea\u201d, mas queria entender um pouco qual \u00e9 o retrato da \u00e9poca que voc\u00ea queria passar. Fiquei com uma sensa\u00e7\u00e3o muito amb\u00edgua ouvindo o disco: de um lado, estamos numa \u00e9poca terr\u00edvel para a humanidade. Do outro, \u00e9 n\u00e3o s\u00f3 necess\u00e1rio como poss\u00edvel viver bem. \u00c9 isso?<\/strong><br \/>\nTeago: Concordo com a sua vis\u00e3o, um pouco. \u00c9 necess\u00e1rio falar do que n\u00e3o est\u00e1 legal. Falar do que n\u00e3o est\u00e1 legal faz com que a coisa n\u00e3o fique mais n\u00e3o legal. \u00c9 uma tentativa de mudar as coisas que, ao meu ver, est\u00e3o erradas. N\u00e3o precisa descer at\u00e9 1920, n\u00e3o precisa ficar com saudosismo. \u00c9 um disco que fala sobre esses cinco, seis anos p\u00f3s-pandemia, no qual ningu\u00e9m consegue assistir um filme sem olhar 40% do tempo no celular. Um tempo em que as empresas est\u00e3o massacrando o sistema. N\u00e3o tem como n\u00e3o falar. O sistema em que a gente vive est\u00e1 massacrando a gente, estamos sendo tragados \u2013 e passivamente, aceitando mesmo. Voltando a falar de futebol: hoje voc\u00ea tem que assinar a vers\u00e3o premium de um aplicativo de uma empresa para assistir um jogo que ela decide n\u00e3o passar, mesmo que s\u00f3 ela tenha os direitos de transmiss\u00e3o. Em que \u00e9poca da humanidade isso aconteceu? Daqui a pouco, v\u00e3o come\u00e7ar a vender ar para gente. Obviamente, esse tema n\u00e3o \u00e9 algo expl\u00edcito no disco, mas ele est\u00e1 ali, intr\u00ednseco, tentando dizer que a vida \u00e9 bonita. As coisas est\u00e3o uma merda, mas \u00e9 bonito viver. Move s\u00f3 um pouquinho, tenta sair s\u00f3 um pouco da sujeira, e vamos nessa todo mundo. \u00c9 uma mensagem esperan\u00e7osa. Tem v\u00e1rias m\u00fasicas depr\u00ea, mas n\u00e3o acho o disco depr\u00ea. Por tudo que passei nos \u00faltimos anos, tem um DNA de sofrimento ali. Mas tamb\u00e9m tem um DNA de quem n\u00e3o tem tempo de ficar se recolhendo no quarto e achando que tudo vai dar errado. N\u00e3o tenho mais idade para isso. Agora, tenho que ganhar o jogo, entendeu? Tenho que sair das merdas da vida e vencer. N\u00e3o estou falando sobre vencer profissionalmente. \u00c9 um vencer abstrato, \u00e9 vencer a vida mesmo. A vida vem e voc\u00ea vence. A grande mensagem do disco \u00e9 que \u00e9 poss\u00edvel vencer o mundo hoje, trazendo um pouquinho do antigo. N\u00e3o precisa ir longe. Olha para tr\u00e1s, s\u00f3 uns dez anos atr\u00e1s. Em 2013, 2014, a vida n\u00e3o era ruim assim. A vida era mais legal \u2013 e se voc\u00ea parar pra pensar, tem um monte de gente que parou naquele tempo. Aquele tempo \u00e9 o tempo do conforto pra muita gente. Tem gente que parou de ouvir m\u00fasica e s\u00f3 escuta o que foi lan\u00e7ado at\u00e9 ali. Tem gente que est\u00e1 vivendo 2013 at\u00e9 agora \u2013 e s\u00f3 estamos sofrendo porque estamos vivendo em 2025, 2026. Temos at\u00e9 um pouco mais de coragem que as pessoas (risos). D\u00e1 para ser assim em 2025, em 2030, sacou? \u00c9 uma mensagem rom\u00e2ntica? Pode ser, mas \u00e9 a minha forma de tentar fazer parte desse mundo, \u00e9 minha forma de tentar contribuir para alguma coisa. N\u00e3o fa\u00e7o disco pensando que \u00e9 TCC, muita m\u00fasica vem porque ela tem que vir mesmo. M\u00fasica n\u00e3o \u00e9 teoria, escrevi porque quis escrever. N\u00e3o quero que a minha teoria esteja certa, n\u00e3o estou buscando valida\u00e7\u00e3o te\u00f3rica sobre os meus temas. S\u00f3 estou escrevendo o que eu sinto. Se fizer sentido pra voc\u00ea, massa. Se n\u00e3o fizer, segue em frente \u2013 ou escuta mesmo assim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Capelas: \u00c9 engra\u00e7ado voc\u00ea falar isso, porque bate de frente com a sensa\u00e7\u00e3o que tenho com \u201cEles\u201d, da Maglore. Em cada \u00e9poca, ela me d\u00e1 um sentimento diferente. Quando o \u201cV\u201d saiu, ela me dava medo da elei\u00e7\u00e3o. No Primavera Sound, uma semana depois do segundo turno, parecia que a vida ia ser linda. E nos \u00faltimos shows da Maglore, ela bateu estranho para mim. N\u00e3o \u00e9 culpa da banda, mas\u2026 acontece. E n\u00e3o \u00e9 sobre a m\u00fasica, \u00e9 sobre quem est\u00e1 ouvindo.<\/strong><br \/>\nTeago: At\u00e9 porque, em \u201cEles\u201d, n\u00e3o escrevi sobre pol\u00edtica. At\u00e9 tem um clipe que tem cenas, que foi para ilustrar. \u201cEles\u201d \u00e9 sobre o ser humano. \u00c9 mais aberto o neg\u00f3cio. N\u00e3o tem a ver com o Bolsonaro, que est\u00e1 preso, n\u00e3o tem a ver com o Trump, mas \u00e9 tamb\u00e9m sobre. \u00c9 sobre a esp\u00e9cie humana. Viemos aqui para destruir o bagulho. Ela tinha um outro nome antes, que n\u00e3o lembro mais. O nome era mais f\u00e1cil de entender a mensagem da m\u00fasica, mas os caras da banda falaram para mudar porque o nome ia dar uma interpreta\u00e7\u00e3o fechada. Ficou \u201cEles\u201d \u2013 e a\u00ed surgiu essa interpreta\u00e7\u00e3o que voc\u00ea tem. Muda, n\u00e9? Que bom que a m\u00fasica muda. Porque se n\u00e3o o tempo passa e a gente fica com vergonha das coisas que a gente escreve. \u00c9 bom deixar tudo aberto, sabe? Ningu\u00e9m sabe o dia de amanh\u00e3. N\u00e3o quero me decepcionar com os meus her\u00f3is de hoje e t\u00ea-los como vil\u00f5es daqui a dez anos.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Maglore - Eles [Clipe Oficial]\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/tlyNBdT_3A4?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Igor: Voc\u00ea pode n\u00e3o compor a m\u00fasica pensando num momento hist\u00f3rico, mas voc\u00ea tem uma linha de posicionamento como compositor. \u00c9 uma esp\u00e9cie de integridade.<\/strong><br \/>\nTeago: Concordo. Posso ter v\u00e1rios defeitos, mas n\u00e3o sou um artista mentiroso. Acho que n\u00e3o sou. Escrevo sobre o tempo que vivo, n\u00e3o estou fantasiando as coisas. A minha forma de escrita \u00e9 muito simples, ela fala sobre o que observo. Fa\u00e7o isso porque acho que \u00e9 no simples que a gente encontra o caminho. A letra da can\u00e7\u00e3o precisa ser simples. Toda vez que tento enrolar, me sinto um mentiroso, um safado. \u00c9 por isso que fa\u00e7o o som que fa\u00e7o. Talvez eu estivesse muito melhor se eu fosse safado, mas n\u00e3o posso reclamar da minha vida. N\u00e3o tenho como fugir de escrever o que sinto. Se eu fugir, vou ser fajuto \u2013 e l\u00e1 no futuro todo mundo vai pegar. Na verdade, o pior \u00e9 que eu vou pegar. O meu problema n\u00e3o \u00e9 com os outros, o meu problema \u00e9 comigo. (risos). E a\u00ed vou ter \u00f3dio de mim. A m\u00fasica \u00e9 uma esp\u00e9cie de doen\u00e7a e terapia. N\u00e3o consigo parar de fazer, porque se eu parar de fazer, vou morrer. Mas, ao mesmo tempo, tenho que fazer do jeito que me traz bem estar. Nunca \u00e9 algo destrutivo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Capelas: Quais s\u00e3o os planos para levar esse disco ao palco?<\/strong><br \/>\nTeago: Estamos ensaiando j\u00e1, uma big band, pro primeiro show [realizado no dia 14 de dezembro, na Casa Natura Musical &#8211; <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/01\/03\/tres-shows-teago-oliveira-superguidis-carlinhos-carneiro\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">saiba como foi<\/a>]. Mas \u00e9 um show \u00fanico. N\u00e3o sei se repito essa forma\u00e7\u00e3o, s\u00e3o sete pessoas no palco, at\u00e9 porque \u00e9 mais f\u00e1cil fazer uma banda do que ter carreira solo. \u00c9 muita gente para lidar, \u00e9 muita coisa, e do jeito que quero fazer \u00e9 roj\u00e3o. Mas, \u00e0 primeira vista, rolou uma coisa massa. Sinto que n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 o tocar das m\u00fasicas, sinto que tem um prop\u00f3sito do disco estar ao vivo com uma banda. Sen\u00e3o, poderia fazer sozinho com voz e guitarra, representar ele de outra forma no palco. Mas com a banda, ele ganha uma dimens\u00e3o diferente do disco. Eu n\u00e3o esperava que os ensaios fossem legais, mas quando a gente tocou, todo mundo se olhou. Estou ainda estudando fazer em outras cidades. Mas como n\u00e3o vivo do meu trabalho solo, como vivo da Maglore, n\u00e3o tenho obriga\u00e7\u00e3o de fazer tanto show. Quero fazer dessa experi\u00eancia algo novo e diferente do que \u00e9 com a banda. Sen\u00e3o, porra, estou fazendo duas coisas iguais e n\u00e3o \u00e9 esse o prop\u00f3sito. Gostaria de falar que tem uma agenda cheia, mas n\u00e3o tem n\u00e3o, viu? \u00c9 s\u00f3 esse show e por vontade pr\u00f3pria. Quero sacar onde mais quero fazer, da forma como quero fazer, em outros lugares.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Teago Oliveira - Vou Morrer Tentando \/ Mind Games (John Lennon) @ Casa Natura Musical, SP - 14\/12\/25\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/peSuy3cEFTY?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Capelas: \u00c9 legal essa vis\u00e3o porque passa pela ideia de integridade, de estar na \u00edntegra mesmo. Hoje o artista tem que ir muito al\u00e9m de gravar, tocar, compor. Tem que divulgar show, tem que fazer redes sociais, dar entrevista pra dois barbudos chatos que nem n\u00f3s dois\u2026 fazer gest\u00e3o de neg\u00f3cios, de carreira. E ter integridade nisso tudo tamb\u00e9m \u00e9 dif\u00edcil.<\/strong><br \/>\nTeago: \u00c9 dif\u00edcil, \u00e9 romantismo tamb\u00e9m. Perdemos o romantismo um pouco com o tempo. Mas gosto de ser assim. Preciso fazer as coisas desse jeito porque eu quero. Preciso que o som saia de uma certa forma, porque acredito que vai ser melhor na cabe\u00e7a de quem vai ouvir. E na minha cabe\u00e7a tamb\u00e9m. \u00c9 caro pra caramba? N\u00e3o tem problema, vamos fazer. Se isso trouxer frutos no futuro, \u00f3timo, se n\u00e3o me trouxer, tudo bem. Fa\u00e7o outro disco depois.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Capelas: E j\u00e1 que falamos de disco, tem Maglore em 2026?<\/strong><br \/>\nTeago: J\u00e1 est\u00e1 no gatilho!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Capelas: Tem gente que diz que o \u201cV\u201d \u00e9 o grande disco da Maglore. Tem gente que olha para o \u201cV\u201d e fala que a Maglore ainda vai fazer seu grande disco.<\/strong><br \/>\nTeago: Porra, acho que n\u00f3s fizemos grandes discos. O \u201cIII\u201d \u00e9 um grande disco, foi um divisor de \u00e1guas pra gente, trouxe uma proje\u00e7\u00e3o mais nacional. O \u201cTodas as Bandeiras\u201d \u00e9 o favorito de muita gente. E o \u201cV\u201d \u00e9 um disco que consolidou todas as fases da banda. Acredito que n\u00f3s vamos lan\u00e7ar o pr\u00f3ximo disco se ele tiver o calibre que a gente entende, sacou? Infelizmente, somos todos suscet\u00edveis \u00e0 cr\u00edtica, mas s\u00f3 vamos lan\u00e7ar quando acharmos que est\u00e1 valendo \u00e0 pena fazer. Espero que sejam discos cada vez melhores. Se tiver f\u00f4lego para isso, massa. Mas s\u00e3o cinco discos de est\u00fadio em 15 anos de banda. \u00c9 um disco a cada tr\u00eas anos, \u00e9 um tempo relativamente razo\u00e1vel. N\u00e3o foi com pressa, mas tamb\u00e9m n\u00e3o foi devagar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Capelas: Fomos mal acostumados pela ind\u00fastria fonogr\u00e1fica a achar que se faz um disco genial por ano. \u00c9 loucura pensar que os Beatles fizeram 14 discos em oito anos.<\/strong><br \/>\nTeago: A\u00ed vou ter que decepcionar todo mundo, porque nesse n\u00edvel ningu\u00e9m chega n\u00e3o (risos). Pode ser o artista que mais tem m\u00fasica no mundo, n\u00e3o vai rolar: vai fazer disco ruim. Se fizer um por ano, pode ter certeza que, de tr\u00eas, pelo menos um vai ser ruim. Tem artista que n\u00e3o se incomoda, que s\u00f3 extravasa. Gosto de fazer disco com calma, velho. Gosto de sentir que o que estou fazendo \u00e9 um disco. Cada um tem um processo. Do disco novo, n\u00e3o temos letras ainda. Estamos fechando algumas letras. Mas o que sinto \u00e9 que sonoramente o que a Maglore tem soa j\u00e1 mais interessante do que o \u201cV\u201d. Tem um pouco a pegada do \u201cV\u201d, mas \u00e9 mais sofisticado. O som \u00e9 maior, n\u00e3o se preocupa tanto em seguir certas refer\u00eancias est\u00e9ticas, \u00e9 mais solto e mais maduro. Falo sem mod\u00e9stia alguma, pe\u00e7o at\u00e9 desculpa pela falta de humildade, mas a curva criativa da Maglore \u00e9 uma curva ascendente. \u00c9 muito f\u00e1cil fazer um grande disco e cair. Dif\u00edcil \u00e9 ter f\u00f4lego para seguir. Mas a vida foi transformando a banda numa coisa, que vai guiando a gente e a gente vai se surpreendendo. O grande lance \u00e9 saber at\u00e9 onde vai dar essa porra.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Maglore - Tela Quente (Ac\u00fastico) @ Sesc Santana, S\u00e3o Paulo - 5\/5\/2024\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/euip022dt7I?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Igor: \u201cTela Quente\u201d, que voc\u00eas lan\u00e7aram no \u201cAc\u00fastico\u201d em 2024, est\u00e1 mais para o \u201cV\u201d ou para a ideia nova?<\/strong><br \/>\nTeago Oliveira: \u201cTela Quente\u201d n\u00e3o est\u00e1 em nenhum lugar. \u00c9 um single, um B-side mesmo que lan\u00e7amos no \u201cAc\u00fastico\u201d. A quest\u00e3o \u00e9 que ela n\u00e3o \u00e9 uma m\u00fasica ac\u00fastica. Ela era um outro lance. Talvez ela seja uma m\u00fasica mais \u201cVeroz\u201d do que qualquer outra coisa, mas com a linguagem que a gente sabe fazer hoje. Escuto e acho massa. Mas por ela ser mais \u201cVeroz\u201d \u00e9 que n\u00e3o colocamos em plano nenhum. \u201cTela Quente\u201d vai morrer como single.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Igor: E voc\u00eas v\u00e3o gravar no seu est\u00fadio?<\/strong><br \/>\nTeago Oliveira: Vamos tentar gravar em v\u00e1rios lugares. Aqui no est\u00fadio, vamos gravar com outra bateria. Sen\u00e3o \u00e9 foda: eu fa\u00e7o as m\u00fasicas, a voz \u00e9 minha, vou gravar com os mesmos instrumentos? Vamos gravar com outra bateria, outro baixo, outras guitarras. Queremos passar por outros est\u00fadios. Talvez l\u00e1 no Fleeting Media fa\u00e7amos outras coisas. Mas acho que d\u00e1 pra gravar aqui. Tenhos uns negocinhos decentes, porra, fui construindo com o tempo. Tem umas mesas top, instrumento pra caramba, \u00e9 um processo. T\u00e1 longe de ter R$ 1 milh\u00e3o nesse est\u00fadio, bem longe. \u00c9 um trabalho de curadoria, mas que tira o som que eu quero tirar, que eu quis tirar a vida toda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Capelas: Para fechar, Teago, duas perguntas. Uma \u00e9 a cl\u00e1ssica do Programa de Indie: os cinco discos para a ilha deserta?<\/strong><br \/>\nTeago: Porra, galera, pra ilha deserta? S\u00e3o os discos que vou levar o resto da minha vida. Vamos l\u00e1. \u201cA T\u00e1bua de Esmeralda\u201d, do Jorge Ben. \u201cMind Games\u201d, do John Lennon. \u201cGrace\u201d, do Jeff Buckley. Ah, vou mudar, vai. \u201cRefavela\u201d, do Gil, o \u201cDark Side of the Moon\u201d e o \u201cAbbey Road\u201d. Um Beatles para fechar, n\u00e9? Os discos da ilha deserta s\u00e3o esses. N\u00e3o necessariamente s\u00e3o os que mais curto hoje em dia, mas s\u00e3o os da ilha deserta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Capelas: E o que voc\u00ea t\u00e1 ouvindo hoje de bom?<\/strong><br \/>\nTeago: Porra! Cara, o \u00faltimo disco do Dr. Dog, \u201cDr. Dog\u201d, de 2024, acho bem legal. O \u201cNew Purple Dress\u201d, do Scott McMillan, que \u00e9 do Dr. Dog tamb\u00e9m. Os dois \u00faltimos, na real, s\u00e3o bem legais. Queria muito conhecer ele. Conheci o Eric, um grande baterista, mas o Scott, que \u00e9 o compositor majorit\u00e1rio do Dr. Dog, tem um trabalho muito massa. Tem um disco de uma menina americana, a Steady Holiday, de 2024 tamb\u00e9m. [\u201cNewfound Oxygen\u201d] \u00e9 um disco bom, ele \u00e9 legal, ele \u00e9 divertido, assim, popzinho na medida. A\u00ed tem o da Adrienne Lenker [\u201cBright Future\u201d]. O Fruit Bats lan\u00e7ou um disco agora chamado \u201cBaby Man\u201d, que \u00e9 s\u00f3 ele no viol\u00e3o, piano e voz. Surpreendente, bom pra caralho. O novo do Big Thief tamb\u00e9m\u2026 de gringo, acho que \u00e9 isso. E de m\u00fasica daqui, tem muita coisa, v\u00e9i. Se eu falar de um, n\u00e3o vou falar o outro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Capelas: Para voc\u00ea n\u00e3o arranjar briga no boteco depois.<\/strong><br \/>\nTeago: Exatamente! Mas tem uma galera que \u00e9 foda. Tem a Sophia [Chablau], o Pelados, o Exclusive os Cabides, que \u00e9 divertido tamb\u00e9m. Tem muito artista foda, assim. O disco do Z\u00e9 Ibarra [\u201cAfim\u201d] \u00e9 bonito, mas todo mundo j\u00e1 ouve, todo mundo j\u00e1 sacou o Z\u00e9. Que mais? Jadsa, claro. Bom disco tamb\u00e9m. \u00c9 muita gente, cara. A galera da m\u00fasica no Brasil \u00e9 meio rancorosa, cuidado! Tem que falar para todo mundo sempre, a galera leva para o pessoal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Igor: E tem previs\u00e3o de lan\u00e7ar o \u201cCan\u00e7\u00f5es do Velho Mundo\u201d em formato f\u00edsico? Ou \u00e9 muita loucura?<\/strong><br \/>\nTeago: Sabe que tem? O pior \u00e9 que tem, bicho. Duas majors gigantescas entraram em contato comigo para prensar. E eu resolvi fazer l\u00e1 no interior de S\u00e3o Paulo com a galera da Bilesky. J\u00e1 est\u00e1 na pr\u00e9-venda. Vamos nessa, v\u00e9i. Vamos fazer, vamos ser bob\u00e3o o resto da vida. (risos)<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Teago Oliveira ao vivo na Casa Natura Musical\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/videoseries?list=PL6gBQKY5zwa3J6Up58kPd3CM-1gx71xcB\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u2013 Bruno Capelas (<a href=\"https:\/\/x.com\/noacapelas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">@noacapelas<\/a>)\u00a0\u00e9 jornalista. Apresenta o\u00a0<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/programadeindie\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Programa de Indie<\/a>\u00a0e escreve a newsletter\u00a0<a href=\"https:\/\/meusdiscosmeusdrinks.substack.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Meus Discos, Meus Drinks e Nada Mais<\/a>. Colabora com o Scream &amp; Yell desde 2010.<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/igrmllr\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\u00a0Igor M\u00fcller<\/a>\u00a0\u00e9 locutor de r\u00e1dio e um dos respons\u00e1veis pelo\u00a0Programa de Indie.\u00a0<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Al\u00e9m da carreira solo, iniciada em 2019 com o \u00e1lbum \u201cBoa Sorte\u201d, Teago j\u00e1 soma mais de 15 anos de estrada \u00e0 frente da banda Maglore.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/01\/28\/teago-oliveira-minha-geracao-nao-atingiu-o-mainstream-e-isso-machucou-nosso-ego\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":14,"featured_media":93580,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[188,4007],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/93575"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/14"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=93575"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/93575\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":93581,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/93575\/revisions\/93581"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/93580"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=93575"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=93575"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=93575"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}