{"id":93561,"date":"2026-01-27T14:11:51","date_gmt":"2026-01-27T17:11:51","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=93561"},"modified":"2026-03-02T00:14:41","modified_gmt":"2026-03-02T03:14:41","slug":"entrevista-o-universo-sem-rosto-da-polly-noise-and-the-cracks","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/01\/27\/entrevista-o-universo-sem-rosto-da-polly-noise-and-the-cracks\/","title":{"rendered":"Entrevista: O universo sem rosto da Polly Noise and The Cracks"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\">entrevista de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/ociocretino\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Alexandre Lopes<\/a><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre camadas de distor\u00e7\u00e3o, reverb, m\u00e1scaras sem rosto e uma recusa \u00e0 padroniza\u00e7\u00e3o est\u00e9tica, a <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/pollynoiseandthecracks\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Polly Noise and the Cracks<\/a> constr\u00f3i um universo que desafia a ideia tradicional de identidade. Surgido em 2018 como um projeto solit\u00e1rio, impulsionado por uma vontade de experimentar sonoridades que n\u00e3o encontravam espa\u00e7o em outros grupos da cena paulistana, o trio do ABC paulista come\u00e7ou a ganhar os palcos de forma mais consistente a partir de 2024. Desde ent\u00e3o, cada apresenta\u00e7\u00e3o vem se transformando em um misto de show de rock, performance inc\u00f3gnita e afirma\u00e7\u00e3o identit\u00e1ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Transitando entre o indie, o dreampop, o shoegaze e o p\u00f3s-punk, a Polly Noise and the Cracks cria can\u00e7\u00f5es que falam de sentimentos de deslocamento, excessos, afeto rarefeito e rela\u00e7\u00f5es vazias, com letras em ingl\u00eas sempre abertas \u00e0 interpreta\u00e7\u00e3o do ouvinte. Na parte visual, a banda n\u00e3o se limita apenas a refer\u00eancias roqueiras. \u201cPegamos muita influ\u00eancia do Daft Punk, Lady Gaga em quest\u00f5es visuais, como a moda&#8221;, entrega a l\u00edder Polly Noise. \u201cFilmes do David Lynch, filmes lado B influenciaram muito nossas escolhas\u201d, aponta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s lan\u00e7ar cinco singles, a banda se prepara para apresentar seu primeiro \u00e1lbum \u201cIt\u2019s OK\u201d. O disco traz dez faixas &#8211; entre elas o single \u201cKiss U\u201d &#8211; que aprofundam a experimenta\u00e7\u00e3o sonora e emocional do projeto.\u00a0 Em entrevista por e-mail com o Scream &amp; Yell, Polly Noise falou sobre a origem do projeto, suas influ\u00eancias sonoras e est\u00e9ticas, o que esperar do primeiro disco que vem por a\u00ed e os motivos por tr\u00e1s da escolha pelo anonimato. \u201cA inten\u00e7\u00e3o inicial de usar m\u00e1scaras era porque n\u00e3o queria que soubessem quem eram as pessoas por tr\u00e1s, causar curiosidade. Mas fica meio dif\u00edcil manter o sigilo&#8221;, conta a vocalista. Ent\u00e3o se quiser algumas pistas sobre a real identidade do grupo, \u00e9 s\u00f3 conferir o papo a seguir.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Polly Noise and The Cracks - Kiss U\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/UM-HIR8Y4Ac?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como nasceu a Polly Noise and the Cracks? Voc\u00eas se definem como uma banda ou como um projeto art\u00edstico mais amplo?<\/strong><br \/>\nA Polly \u00e9 meu alter ego, meu projeto solo. Eu falo que ela surgiu na base do \u00f3dio! (risos) Quando comecei a compor as m\u00fasicas, l\u00e1 em 2018, foi uma necessidade de tirar algumas m\u00fasicas que n\u00e3o encaixavam na minha outra banda, e de ter uma banda majoritariamente formada por mulheres, e ser an\u00f4nima ao mesmo tempo. Mas, ela s\u00f3 foi sair do papel para os palcos em 2024. E, sim, defino a Polly como algo al\u00e9m de ser uma banda, e sim um projeto art\u00edstico que envolve teatro e performance.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A est\u00e9tica visual com as m\u00e1scaras chama aten\u00e7\u00e3o logo de cara. O que elas protegem, escondem ou revelam? A decis\u00e3o de usar m\u00e1scaras tamb\u00e9m dialoga com expectativas sobre imagem e g\u00eanero no underground?<\/strong><br \/>\nA inten\u00e7\u00e3o inicial de usar m\u00e1scaras era porque eu n\u00e3o queria que soubessem quem eram as pessoas por tr\u00e1s, causar uma curiosidade. Mas devido aos meios de redes sociais, fica meio dif\u00edcil manter o sigilo (mesmo assim, at\u00e9 hoje estou tentando manter o anonimato). Tamb\u00e9m vem de algo mais profundo; eu estava cansada da padroniza\u00e7\u00e3o de est\u00e9tica que \u00e9 imposta para as mulheres: tem que analisar pra ver se a pessoa \u00e9 jovem, bonita, se serve pro cen\u00e1rio musical. Essa press\u00e3o est\u00e9tica que as bandas carregam, ainda mais com mulheres, em que muitas vezes somos apenas sexualizadas e n\u00e3o enxergam o talento musical, apenas um corpo carregando um instrumento. E, tamb\u00e9m nesse estilo musical que fazemos sempre s\u00e3o bandas com um certo tipo de padr\u00e3o e est\u00e9tica &#8211; queira ou n\u00e3o, \u00e9 um padr\u00e3o. Quisemos causar desconforto, estranheza, curiosidade\u2026 Senti que nos shows as pessoas prestam aten\u00e7\u00e3o no espet\u00e1culo em si e n\u00e3o s\u00f3 em nossas apar\u00eancias. Caso fosse sem m\u00e1scaras, eu tenho certeza que o impacto seria totalmente diferente. E o melhor: tem gente que entende o que queremos passar ali! Isso \u00e9 o que importa no fim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00eas j\u00e1 fizeram\/fazem parte de outras bandas. Sentem que o p\u00fablico reage de forma diferente quando a performance visual mascarada entra em cena?<\/strong><br \/>\nSim! Nossas outras bandas s\u00e3o mais cl\u00e1ssicas no visual e tudo mais. Muita gente n\u00e3o sabe quem \u00e9 (risos). A ideia era ningu\u00e9m saber, mas \u00e9 dif\u00edcil. Sinto que as pessoas se desconectam da pessoa debaixo da m\u00e1scara quando nos veem mascarados! Um exemplo: os integrantes do Daft Punk j\u00e1 mostraram seus rostos, mas a imagem que vem na nossa cabe\u00e7a quando falamos neles \u00e9 deles de m\u00e1scaras! \u00c9 nisso que focamos, somos outras personas no palco, outros alter egos, outros seres!<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Polly Noise and The Cracks - Toxic City (video oficial)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/mpX3tdJQ6s0?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O som de voc\u00eas flerta com shoegaze, dreampop e post-punk. D\u00e1 para sacar algo de The Cure, Molchat Doma e Cannons entre os sons. Mas o que mais voc\u00eas acham que os influencia, al\u00e9m do som?<\/strong><br \/>\nInfluencia tamb\u00e9m a parte visual, pegamos muita influ\u00eancia do Daft Punk, Lady Gaga em quest\u00f5es visuais, como a moda. A baixista vem desse universo e trouxe ainda mais influ\u00eancia do high fashion. Quer\u00edamos um dia transformar o show em um desfile muito louco com pessoas usando m\u00e1scaras sem rosto. Agregamos muito isso, al\u00e9m da parte teatral, que vem tamb\u00e9m do cinema, pois todos os integrantes trabalham com audiovisual. Filmes do David Lynch, filmes lado B influenciaram muito nossas escolhas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>As letras dos singles parecem lidar muito com sensa\u00e7\u00f5es (deslocamento, excesso, afeto ou a falta dele). Elas partem de experi\u00eancias pessoais? Existe uma preocupa\u00e7\u00e3o em deixar as letras mais abertas \u00e0 interpreta\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nSim, s\u00e3o marcadas por experi\u00eancias pessoais. Acho que tudo tem abertura para interpretar, algumas pessoas v\u00e3o se identificar e entender que s\u00e3o pessoais, ou v\u00e3o se achar ali tamb\u00e9m. Quem nunca sentiu um vazio por falta de afeto e deslocamento no meio do caos, em que a sociedade atual costuma nos deixar doente?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Reparei que ao vivo voc\u00eas usam backing tracks para os synths. O que muda quando uma m\u00fasica vai do est\u00fadio para o palco?<\/strong><br \/>\nTemos esse costume de tocar com ponto, e como as m\u00fasicas geralmente carregam muito synth, achamos melhor usar os back attacks pra preencher melhor o som! Acaba que tocamos igual ao cd (risos). O que muda \u00e9 que temos a performance ao vivo, tudo tem que estar em perfeita sincronia, e quase nem sentimos que estamos usando metr\u00f4nomo ao vivo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para o show de lan\u00e7amento no Sesc Paulista, a banda est\u00e1 pensando em preparar algo diferente? O disco ser\u00e1 apresentado na \u00edntegra?<\/strong><br \/>\nSim! Nos shows j\u00e1 tocamos quatro m\u00fasicas do disco; vamos agregar mais ao set e fazer um show diferente do que temos feito! Prometemos um cen\u00e1rio diferente, n\u00e3o vou dar muito spoiler pra que fiquem curiosos e v\u00e3o l\u00e1 assistir (risos). O que posso garantir \u00e9 que n\u00e3o vai ser um show, e sim um espet\u00e1culo em forma de show. Esperamos que seja assim!<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Polly Noise and The Cracks (74 Club 23\/11\/2024)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/1tNgasZPJec?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O que voc\u00eas est\u00e3o explorando agora neste disco que ainda n\u00e3o apareceu nos lan\u00e7amentos anteriores? Por que ele se chama &#8220;It&#8217;s OK&#8221;?<\/strong><br \/>\nEstamos explorando muito estilos de composi\u00e7\u00e3o, gravando muita coisa eletr\u00f4nica, como tamb\u00e9m muita coisa org\u00e2nica! Vai ter instrumento de sopros em algumas e em outras \u00e9 s\u00f3 synths e bateria eletr\u00f4nica\u2026 Eu fa\u00e7o a m\u00fasica, se eu gosto, gravo e n\u00e3o ligo se muda mto de uma pra outra! Mas, sem fugir da minha identidade! O nome surgiu pelo jeito que eu me encontrava naquele momento. \u201cIt\u2019s OK\u201d literal \u00e9 tudo bem ou t\u00e1 tudo bem, e tudo bem ser assim, e tudo bem voc\u00ea dizer n\u00e3o \u00e0s vezes, tudo bem n\u00e3o ser o que esperam de voc\u00ea, tudo bem ser do jeito que somos, \u00e9 esse sentimento!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O que o p\u00fablico pode esperar ap\u00f3s o lan\u00e7amento do disco? Existe uma previs\u00e3o de turn\u00ea ou shows por outras cidades fora de SP?<\/strong><br \/>\nSim! Estamos com planos de fazer uma tour no Sul l\u00e1 para junho! E, por outras cidades que quiserem nosso show, estaremos prontos para isso! \ud83d\ude42<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O que voc\u00eas gostariam que uma pessoa sentisse ao ouvir Polly Noise and the Cracks pela primeira vez?<\/strong><br \/>\nHumm, eu gostaria que ela se impactasse e se sentisse abra\u00e7ada, pois se sentir \u201cdiferente\u201d \u00e9 normal e t\u00e1 tudo bem. Estamos aqui pra isso \ud83d\ude42<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Polly Noise and The Cracks (74 Club 27\/09\/2025)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/1KKmg-vsxcg?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><em>\u2013 Alexandre Lopes (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/ociocretino\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">@ociocretino<\/a>) \u00e9 jornalista e assina o\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ociocretino.blogspot.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">www.ociocretino.blogspot.com.br<\/a>.\u00a0<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Entre camadas de distor\u00e7\u00e3o, reverb, m\u00e1scaras sem rosto e uma recusa \u00e0 padroniza\u00e7\u00e3o est\u00e9tica, a Polly Noise and the Cracks constr\u00f3i um universo que desafia a ideia tradicional de identidade\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/01\/27\/entrevista-o-universo-sem-rosto-da-polly-noise-and-the-cracks\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":101,"featured_media":93562,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[8075],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/93561"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/101"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=93561"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/93561\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":93807,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/93561\/revisions\/93807"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/93562"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=93561"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=93561"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=93561"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}