{"id":93511,"date":"2026-01-26T01:33:38","date_gmt":"2026-01-26T04:33:38","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=93511"},"modified":"2026-02-27T10:58:19","modified_gmt":"2026-02-27T13:58:19","slug":"entrevista-leon-michels-fala-do-novo-disco-do-el-michels-affair-da-parceria-com-wu-tang-clan-e-mais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/01\/26\/entrevista-leon-michels-fala-do-novo-disco-do-el-michels-affair-da-parceria-com-wu-tang-clan-e-mais\/","title":{"rendered":"Entrevista: Leon Michels fala do novo disco do El Michels Affair, da parceria com Wu-Tang Clan, de jazz, funk, soul e Brasil"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/lage.guilherme66\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Guilherme Lage<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/elmichelsaffair\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Leon Michels<\/a> \u00e9 um g\u00eanio, defini-lo \u00e9 f\u00e1cil assim. Poucos artistas t\u00eam hoje o dom\u00ednio de tantos instrumentos e a facilidade de transitar por g\u00eaneros musicais t\u00e3o diversos e com tanta naturalidade. Como l\u00edder do El Michels Affair, projeto que iniciou aos 18 anos, em 2000, Leon lan\u00e7ou um dos melhores discos de 2025, o incr\u00edvel e imperd\u00edvel \u201c<a href=\"https:\/\/lnk.to\/ElMichelsAffair24HrSports\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">24 Hr Sports<\/a>\u201d, \u00e1lbum que traz uma miscel\u00e2nea musical t\u00e3o rica e t\u00e3o inacreditavelmente bem organizada que s\u00f3 poderia mesmo sair da mente de um incans\u00e1vel como ele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O disco traz jazz, funk, hip hop e o g\u00eanero que consagrou o El Michels, o soul, com participa\u00e7\u00f5es de peso como Norah Jones, Clairo, o her\u00f3i do rock psicod\u00e9lico japon\u00eas Shintaro Sakamoto, a ganesa Florence Adooni e o brasuca Rog\u00ea. \u201c<a href=\"https:\/\/lnk.to\/ElMichelsAffair24HrSports\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">24 Hr Sports<\/a>\u201d segue o igualmente \u00f3timo \u201cGlorious Game\u201d, lan\u00e7ado em 2023, em colabora\u00e7\u00e3o com o rapper Black Thought, com ra\u00edzes bem mais firmes no hip hop. A raz\u00e3o de explorar estilos que se desgarram do \u00faltimo \u00e1lbum \u00e9 simples: \u201cGosto de pensar em como todas essas coisas se traduziriam\u201d, garante Michels.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Leon \u00e9 um dos mais cobi\u00e7ados produtores musicais da atualidade, tendo deixado sua assinatura em \u00e1lbuns de artistas como Lady Wray, Chicano Batman, Mary J. Blige e Lizzo, que lhe garantiram duas indica\u00e7\u00f5es ao Grammy, com direito a uma vit\u00f3ria. Diferente da ang\u00fastia que leva os jovens a berrarem em microfones em meio a guitarras distorcidas durante a adolesc\u00eancia, o m\u00fasico passou a juventude como membro do The Mighty Imperials, banda que ajudou a dar respiro \u00e0s cenas de funk e soul da Nova York do fim dos anos 90. \u201cSei que se tivesse crescido em uma cidade pequena curtir soul n\u00e3o ia ser visto como algo legal\u201d, brinca nesta entrevista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No papo com o Scream &amp; Yell, Leon falou sobre a influ\u00eancia dos pais e como crescer em um ambiente art\u00edstico o empurrou direto para os bra\u00e7os do jazz ainda crian\u00e7a, Mais do que isso, conversou tamb\u00e9m sobre seu trabalho junto ao Wu-Tang Clan e de sua experi\u00eancia no rock, com a banda The Arcs, que comanda ao lado de Dan Auerbach, do Black Keys.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"El Michels Affair - 24 Hr Sports (Full Album)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/videoseries?list=PLxA687tYuMWiG1gHGFN4_naPKuEGBEquh\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Oi, Leon, obrigado por topar falar comigo. J\u00e1 vou come\u00e7ar dizendo que amei o disco, \u00e9 bem diferente do \u201cGlorious Game\u201d, que era muito mais alinhado ao hip hop. Esse disco novo tem mais uma pegada de m\u00fasica de v\u00e1rias partes do mundo, porque voc\u00ea trabalhou com colaboradores de diversos pa\u00edses. Qual era sua inten\u00e7\u00e3o com o \u00e1lbum? Porque tem muita diversidade musical e \u00e9 muito colaborativo por natureza.<\/strong><br \/>\nSim! Acho que &#8211; pensando no que queria com o \u00e1lbum &#8211; eu tinha uma paleta musical muito ampla e que apareceu por todo o disco, sabe? J\u00e1 a parte de ter cantores e artistas convidados de diversas partes do mundo, foi meio que porque eu gosto da ideia de como isso poderia se traduzir. Porque escuto muita m\u00fasica, especialmente hoje em dia, escuto discos, e tamb\u00e9m ou\u00e7o playlists que eu monto ou encontro em plataformas de streaming. E essas playlists sempre t\u00eam todos os tipos de m\u00fasica, sabe? E eu acho que hoje em dia muita gente ouve m\u00fasica desse jeito, ent\u00e3o meio que combina com o conceito do disco, de ter v\u00e1rios idiomas, porque \u00e9 meio que um jeito que digerimos m\u00fasica hoje em dia, porque a m\u00fasica pode ser de qualquer lugar, ent\u00e3o eu achei que seria uma forma mais interessante para o ouvinte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como brasileiro eu tenho que te perguntar: como surgiu a colabora\u00e7\u00e3o com o Rog\u00ea?<\/strong><br \/>\nMeu grande amigo, Thomas Brenneck, produziu os dois \u00faltimos discos do Rog\u00ea. E o Thom est\u00e1 no El Michels Affair e eu toco no Menehan Street Band (banda liderada por Brenneck), e tamb\u00e9m participei bastante do disco que ele produziu para o Charles Bradley, somos amigos muito pr\u00f3ximos. Pra falar a verdade, eu era um grande f\u00e3 do Rog\u00ea e fiz aquela m\u00fasica antes sem a inten\u00e7\u00e3o de ter um cantor nela, mas depois que ela ficou pronta eu achei que soava meio como m\u00fasica brasileira, ent\u00e3o s\u00f3 pensei que seria muito legal ter ele na m\u00fasica. E na verdade \u00e9 a \u00fanica m\u00fasica no disco que \u00e9 sobre esportes, ainda que o disco se chame \u201c24 Hr Sports\u201d, a maior parte das m\u00fasicas n\u00e3o \u00e9 sobre esportes, mas o Rog\u00ea \u00e9 o cara que participou de uma m\u00fasica especificamente sobre esportes.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"El Michels Affair feat. Rog\u00ea - Ma\u0301gica (Official Lyric Video)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/T1hV3QE6p6I?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E esse \u00e9 um ponto interessante, porque, pelo menos pelo que percebo, voc\u00ea se foca mais nas partes instrumentais das m\u00fasicas. Como voc\u00ea decide algo como \u201cok, essa m\u00fasica vai precisar de um cantor\u201d, voc\u00ea comp\u00f5e as linhas vocais ou \u00e9 o cantor quem escreve essas partes?<\/strong><br \/>\nBom, pra esse disco, eu vinha produzindo tanta m\u00fasica pra tanta gente diferente e a maior parte \u00e9 m\u00fasica com vocal, ent\u00e3o de uns anos pra c\u00e1 eu tenho feito discos e ouvido muita m\u00fasica com vocais, diferente de quando eu era mais jovem, que ouvia mais m\u00fasica instrumental. Ouvia muito jazz e muito funk e muito soul instrumentais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ent\u00e3o acho que pra esse disco foi um pouco de prefer\u00eancia musical mesmo, eu queria ouvir vocais na minha m\u00fasica. Agora, sobre as letras, na maior parte do tempo eu tive algumas ideias sobre o refr\u00e3o ou uma mudan\u00e7a em alguma letra, mas a maior parte foi escrita pelos pr\u00f3prios vocalistas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com exce\u00e7\u00e3o da Clairo e da Norah Jones, com quem eu gravei junto, todas as outras m\u00fasicas eu s\u00f3 mandei para os cantores por e-mail e eles me mandavam ideias de volta. Ent\u00e3o eu nem estava no mesmo est\u00fadio com a maior parte deles quando gravaram os vocais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea foi criado no jazz, que \u00e9 um tipo de m\u00fasica muito voltada para a performance, ent\u00e3o eu fiquei me perguntando se ser um m\u00fasico de jazz te ajudou de alguma forma a dominar produ\u00e7\u00e3o anal\u00f3gica, porque acho que esse tipo de produ\u00e7\u00e3o \u00e9 o melhor jeito de tirar o suco de um artista, por assim dizer. De algum jeito voc\u00ea acha que te ajudou?<\/strong><br \/>\nSim, e nossa, que pergunta \u00f3tima, porque do jeito que eu enxergo produ\u00e7\u00e3o e grava\u00e7\u00e3o, tudo que envolve fazer um disco, quando voc\u00ea est\u00e1 gravando uma banda ou fazendo a parte de engenharia de som ou mixando um disco, pra mim \u00e9 tudo muito perform\u00e1tico, no sentido de que sim, envolve uma performance.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ent\u00e3o quando eu fa\u00e7o m\u00fasica \u00e9 muito r\u00e1pido, sou o tipo de produtor que toma decis\u00f5es bem r\u00e1pido, e trabalho com meu primeiro instinto, porque acho que me traz a mesma inspira\u00e7\u00e3o que a performance. Voc\u00ea entra num est\u00fadio, come\u00e7a a fazer as coisas, faz tudo o que normalmente faz, e quando acaba, ali est\u00e3o representadas todas as decis\u00f5es que voc\u00ea tomou. Ent\u00e3o ter crescido no jazz e tocar m\u00fasica como eu toco eu acho que se traduziu na forma que eu fa\u00e7o discos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Estava lendo um pouco sobre voc\u00ea e vi que quando voc\u00ea era adolescente, voc\u00ea adorava soul music, o que me fascinou bastante. Porque voc\u00ea cresceu em Nova York e achou sua galera por l\u00e1, n\u00e9? Voc\u00ea era um garoto que curtia soul e conseguiu achar uma turma que curtia a mesma m\u00fasica. Isso \u00e9 muito diferente de quando voc\u00ea cresce numa cidade pequena, porque se voc\u00ea gosta de soul numa cidade de interior, cara, voc\u00ea est\u00e1 sozinho! Como foi essa experi\u00eancia de ser um adolescente que n\u00e3o ouvia m\u00fasica adolescente, por assim dizer?<\/strong><br \/>\nNuma cidade pequena voc\u00ea n\u00e3o \u00e9 legal, n\u00e9? (cool) (risos). N\u00e3o sei, talvez existam algumas raz\u00f5es. Quando eu era mais jovem eu tinha uma professora de m\u00fasica incr\u00edvel no ensino fundamental e foi ela quem me colocou pra ouvir jazz. Por algum motivo eu fiquei muito obcecado com jazz desde muito novo e eu sempre me interessei muito por m\u00fasica antiga, n\u00e3o sei necessariamente porqu\u00ea, mas acho que quando tinha uns 12 anos eu j\u00e1 n\u00e3o estava mais prestando aten\u00e7\u00e3o \u00e0 m\u00fasica que tocava no r\u00e1dio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E quando me mudei para Nova York, conheci o Gabe Roth e o Philip Lehman, quando tinha 16 anos. O Gabe Roth \u00e9 parte da Daptone Records, ele come\u00e7ou a Daptone e o Dapkings. Esses caras eram mais velhos que eu, o Gabe era 10 anos mais velho que eu e o Philip era 20 anos mais velho que eu. Os conheci porque tinha a minha banda The Mighty Imperials, e n\u00f3s toc\u00e1vamos funk, mas meio que s\u00f3 conhec\u00edamos James Brown, The Meters, essas coisas bem famosas. Ent\u00e3o esses dois caras que conheci foram fundamentais no meu desenvolvimento musical, porque quando os conheci, eles amavam deep soul, funk, tinham muitos discos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ent\u00e3o eles meio que abasteciam a gente com mixtapes, sabe? Eles foram meio que meus mentores, me apresentaram muita m\u00fasica soul incr\u00edvel. E claro, eles tamb\u00e9m eram os caras mais velhos legais, n\u00e9? Ent\u00e3o eu meio que queria ser como eles, sabe? Tudo que eles me davam eu achava incr\u00edvel (risos).<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Wu-Tang Clan - &amp; El Michels Affair &quot;Bring Da Ruckus&quot; live at xm Radio 12\/2005\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/bm6eQolCvek?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E falando um pouquinho sobre hip hop, pode me falar sobre a sua colabora\u00e7\u00e3o com o Wu-Tang? Eles s\u00e3o gigantes entre homens no estilo. Como voc\u00ea se interessou em hip hop e na m\u00fasica deles tamb\u00e9m? Como essa colabora\u00e7\u00e3o come\u00e7ou?<\/strong><br \/>\nQuando estava no ensino m\u00e9dio, as coisas que eu curtia, claro, porque estava crescendo em Nova York, eram coisas como Wu-Tang e Biggie (The Notorious B.I.G), e aquele tipo de m\u00fasica tamb\u00e9m era uma porta para o soul, porque eu sempre ouvia aqueles discos e amavam os samples, e tentava descobrir quais discos eles usavam para aqueles samples.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ent\u00e3o, claro, ouvindo hip hop nos anos 90 voc\u00ea tinha toda essa porta aberta para explorar no soul. Mas o jeito que a colabora\u00e7\u00e3o com o Wu-Tang rolou foi mais ou menos assim: havia essa empresa de carros que estava meio que tentando gastar uma grana, eles faziam esses eventos em que colocavam bandas tocando ao vivo com artistas de hip hop. Um amigo meu trabalhava nessa empresa e ele ofereceu nosso nome e eles, aleatoriamente, nos colocaram com o Raekwon, do Wu-Tang. N\u00f3s tocamos alguns shows e eles foram incr\u00edveis, s\u00e3o at\u00e9 hoje alguns dos melhores shows que eu j\u00e1 toquei e o p\u00fablico estava louco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dai que com todos os arranjos que fizemos para esses shows, eu tive que realmente dissecar a m\u00fasica do Wu-Tang, e vou te falar, a partir do momento que voc\u00ea desmonta a m\u00fasica e tem de toc\u00e1-la ao vivo, ela se torna ainda mais interessante, pelo jeito que o RZA faz os samples em camadas. Tipo, algumas coisas est\u00e3o em afina\u00e7\u00f5es diferentes, \u00e9 muito interessante. Ent\u00e3o quando come\u00e7amos a tocar ao vivo era incr\u00edvel, porque para mim, soava meio que como spiritual jazz dos anos 70, sabe? Porque era meio dissonante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por isso foi interessante o suficiente pra eu olhar para os shows e dizer: a gente deveria gravar umas vers\u00f5es dessas m\u00fasicas, porque gosto demais de ouvi-las. Ent\u00e3o acho que foi uma daquelas raras oportunidades que temos de nos juntar com pessoas t\u00e3o interessantes e reinterpretar o hip hop daquela maneira, mesmo que hoje em dia isso seja feito com bastante frequ\u00eancia. Mas naquela \u00e9poca foi simplesmente incr\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea teve uma cria\u00e7\u00e3o bastante art\u00edstica, certo? Cresceu em uma casa cercada de arte, j\u00e1 que sua m\u00e3e \u00e9 uma escritora e seu pai \u00e9 pintor. Voc\u00ea se sentia inspirado por eles? Porque, claro, voc\u00ea \u00e9 um m\u00fasico, ent\u00e3o \u00e9 um artista. Voc\u00ea est\u00e1 interessado em outros tipos de arte? Algo em que seus pais influenciaram voc\u00ea? Eles apoiaram sua carreira?<\/strong><br \/>\nSim, 100%. Por exemplo, antes de me interessar por m\u00fasica eu queria ser um pintor, porque eu amava desenhar. Mas sim, meus pais s\u00e3o super art\u00edsticos e quando me interessei por m\u00fasica eles me incentivaram muito, ficaram super felizes, porque eles se identificavam com isso tamb\u00e9m. Se eu tivesse decidido ser um advogado, eles teriam me apoiado tamb\u00e9m, mas acho que n\u00e3o teriam muitos conselhos para me dar sobre esse meio (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas eu, sem d\u00favidas, cresci em uma casa em que era constantemente estimulado e motivado. Como minha m\u00e3e era uma escritora, n\u00f3s viaj\u00e1mos muito, porque ela escrevia mat\u00e9rias sobre viagens para revistas, sabe? Ent\u00e3o viaj\u00e1vamos pelo mundo inteiro e \u00edamos a museus de arte e coisas assim. Ent\u00e3o, sim, minha cria\u00e7\u00e3o foi muito art\u00edstica e meus pais sempre me apoiaram muito no que eu queria fazer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ouvindo o disco eu tinha essas imagens mentais, \u00e0s vezes pensava um pouco no MF Doom. Ele inspirou o disco de alguma forma? Voc\u00ea chegou a colaborar com ele enquanto estava vivo? Conhec\u00ea-lo de alguma forma?<\/strong><br \/>\nCurioso isso, porque a semente do disco, o que deu o pontap\u00e9 \u00e9 literalmente o MF Doom, porque eu estava ouvindo bastante os \u201cSpecial Herbs\u201d, aquelas cole\u00e7\u00f5es instrumentais, e eu sempre fiquei fascinado por como os discos soavam, pela forma que ele decidia colocar os samples, e tamb\u00e9m de onde ele tirava os samples, que inclusive vinham de muitos discos brasileiros e discos de jazz fusion.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isso me impactou bastante, ent\u00e3o os beats do MF Doom foram meio que a semente que iniciou todo o disco. Quando o ouvia eu pensava \u201cquero achar um jeito de, pelo menos no som, trazer um pouco disso, porque \u00e9 muito legal tudo que est\u00e1 aqui\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas nunca cheguei a conhec\u00ea-lo, tenho amigos pr\u00f3ximos que trabalharam com ele e o conheciam, mas ele era bem elusivo. Tamb\u00e9m, quando ele estava trabalhando mesmo, eu era bem jovem. Assim, n\u00e3o t\u00e3o jovem, tinha meus 20 e poucos anos, mas n\u00e3o tinha acesso nenhum a ele. Eu queria muito ter conhecido ele.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"The Arcs: NPR Tiny Desk Concert\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/4W0f7FmcJyg?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como \u00e9 para voc\u00ea trabalhar com tantos artistas? Porque voc\u00ea tamb\u00e9m est\u00e1 no The Arcs, voc\u00ea faz m\u00fasica que \u00e9 t\u00e3o diferente entre v\u00e1rios projetos, de um artista para o outro. Como voc\u00ea se adapta de um artista para o outro quando est\u00e1 produzindo e compondo?<\/strong><br \/>\nEu acho que essa \u00e9 a beleza de fazer m\u00fasica, de um jeito esse meio que se conecta ao novo \u00e1lbum, porque um dos motivos de eu nome\u00e1-lo como \u201c24 Hr Sports\u201d \u00e9 porque existem semelhan\u00e7as entre m\u00fasica e esportes. Fazer m\u00fasica e estar em uma equipe esportiva s\u00e3o coisas que dividem muito do mesmo DNA, porque \u00e9 meio que esse esporte em equipe em que todo mundo est\u00e1 trabalhando em prol de um mesmo objetivo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando fa\u00e7o discos com outras pessoas, a beleza da coisa \u00e9 que voc\u00ea conhece essas pessoas, torce para se tornar amigo dela, e a\u00ed voc\u00ea se adapta. Se voc\u00ea tiver sorte, quando realmente funciona, \u00e9 quando voc\u00ea e a outra pessoa t\u00eam meio que v\u00eam de lugares diferentes e t\u00eam refer\u00eancias diferentes, mas quando voc\u00eas juntam essas coisas, se torna algo que eu n\u00e3o faria sozinho ou a outra pessoa n\u00e3o faria sozinha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Acho que esse \u00e9 o motivo de as pessoas quererem fazer discos comigo e tamb\u00e9m eu querer fazer discos com outras pessoas, as pessoas que escolho, porque voc\u00ea quer aprender com as pessoas e fazer algo que n\u00e3o faria sozinho. Assim, eu n\u00e3o quero que as pessoas simplesmente usem minha m\u00fasica,o divertido \u00e9 colaborar e tentar criar algo novo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea n\u00e3o faz tantas turn\u00eas com o El Michels Affair, mas estava pensando, existe alguma chance de voc\u00ea trazer um show desse disco para o Brasil? Fazer um show por aqui?<\/strong><br \/>\nEu j\u00e1 toquei uma vez em S\u00e3o Paulo e foi uma experi\u00eancia inacreditavelmente memor\u00e1vel, eu amei e o p\u00fablico era incr\u00edvel. E eu n\u00e3o viajo muito com bandas, mas as \u00fanicas vezes que fa\u00e7o shows \u00e9 em lugares que eu quero ir. Ent\u00e3o se o Brasil ligar e o Jap\u00e3o ligar, eu vou! (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Que demais! Muito obrigado, Leon, espero te ver por aqui em breve ent\u00e3o.<\/strong><br \/>\nEu tamb\u00e9m! Muito, muito obrigado, essas foram perguntas \u00f3timas!<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"El Michels Affair - Ala Vida - Live At Diamond Mine\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/TAbUa2U8aJ0?list=PL6z4hqjtNDqWJvGx7NCXxaoJgFW0zGUgB\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"El Michels Affair: Walk on By\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/m-vQYe5Z7fU?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u2013 Guilherme Lage (<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/lage.guilherme66\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">fb.com\/lage.guilherme66<\/a>) \u00e9 jornalista e mora em Vila Velha, ES.\u00a0<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/author\/guilherme-lage\/\">Leia outras entrevistas dele<\/a>! A foto que abre o texto \u00e9 de Francis Dalacroix.\u00a0<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Leon Michels \u00e9 um g\u00eanio, defini-lo \u00e9 f\u00e1cil assim. Poucos artistas t\u00eam hoje o dom\u00ednio de tantos instrumentos e a facilidade de transitar por g\u00eaneros musicais t\u00e3o diversos e com tanta naturalidade.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/01\/26\/entrevista-leon-michels-fala-do-novo-disco-do-el-michels-affair-da-parceria-com-wu-tang-clan-e-mais\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":58,"featured_media":93514,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[8068],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/93511"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/58"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=93511"}],"version-history":[{"count":8,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/93511\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":93520,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/93511\/revisions\/93520"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/93514"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=93511"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=93511"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=93511"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}