{"id":93425,"date":"2026-01-23T02:11:53","date_gmt":"2026-01-23T05:11:53","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=93425"},"modified":"2026-02-27T10:58:15","modified_gmt":"2026-02-27T13:58:15","slug":"desastros-banda-formada-por-sara-nao-tem-nome-julia-baumfeld-bernardo-bauer-felipe-dangelo-e-pedro-hamdan-lanca-o-primeiro-album","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/01\/23\/desastros-banda-formada-por-sara-nao-tem-nome-julia-baumfeld-bernardo-bauer-felipe-dangelo-e-pedro-hamdan-lanca-o-primeiro-album\/","title":{"rendered":"Conhe\u00e7a a Desastros, banda formada por Sara N\u00e3o Tem Nome, Bernardo Bauer, Julia Baumfeld, Felipe D&#8217;Angelo e Pedro Hamdan"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista de\u00a0<a href=\"https:\/\/twitter.com\/brunorplisboa\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Bruno Lisboa<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Formada por cinco artistas profundamente enraizados na cena musical mineira \u2014 <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=73481\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Sara N\u00e3o Tem Nome<\/a>, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/08\/08\/entrevista-bernardo-bauer\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Bernardo Bauer<\/a>, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2021\/07\/03\/faixa-a-faixa-falta-flauta-flauta-falta-caneco-quente\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Pedro Hamdan<\/a>, <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/juliabaumfeld\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Julia Baumfeld<\/a> e <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/_fdangelo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Felipe D\u2019Angelo<\/a> \u2014 a banda <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/desastros_\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Desastros<\/a> chega ao <a href=\"https:\/\/play.shakemusic.com.br\/Desastros\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">seu primeiro \u00e1lbum<\/a> carregando a maturidade de trajet\u00f3rias diversas e a liberdade criativa de quem se permite experimentar. Lan\u00e7ado pelo selo Gr\u00e3o Pixel, o trabalho nasceu no Est\u00fadio Cais, em Belo Horizonte, onde os integrantes se revezaram em instrumentos, texturas e timbres para construir um universo sonoro que cruza indie pop, MPB, dream pop, art rock e atmosferas eletr\u00f4nicas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao longo de nove faixas, os Desastros combinam guitarras, sintetizadores, percuss\u00f5es caseiras e vozes m\u00faltiplas com imagens de cartas, b\u00fazios, nebulosas e buracos negros, numa narrativa que costura ci\u00eancia, misticismo e filosofia. Essa busca imaginativa tamb\u00e9m se estende ao projeto visual, assinado pelos pr\u00f3prios integrantes ao lado de artistas convidados como Randolpho Lamonier, resultando em uma est\u00e9tica que mistura materiais org\u00e2nicos, circuitos eletr\u00f4nicos e um imagin\u00e1rio espacial de sabor brasileiro. O \u00e1lbum ainda conta com as participa\u00e7\u00f5es especiais de Digo Leite, Manuela Mares, Flora Magalh\u00e3es e Tom-Lee Richards.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A seguir, os Desastros comentam, por e-mail, alguns pontos essenciais que atravessam a obra. Eles falam sobre o imagin\u00e1rio c\u00f3smico que estrutura o disco (\u201cA gente queria soar como quem observa a Terra de muito longe e, ao mesmo tempo, como quem est\u00e1 preso dentro dela\u201d), sobre a cr\u00edtica ao antropocentrismo (\u201cPensar a humanidade como poeira n\u00e3o \u00e9 pessimismo, \u00e9 responsabilidade\u201d) e sobre a constru\u00e7\u00e3o das visualidades (\u201cO disco s\u00f3 fez sentido quando entendemos que a imagem tamb\u00e9m era parte da narrativa sonora\u201d). Tamb\u00e9m abordam a presen\u00e7a do humor, o di\u00e1logo com desastres ambientais, a necessidade de imaginar futuros poss\u00edveis e o modo como, desde 2019, transformam encontros casuais em paisagens sonoras. Leia abaixo.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Desastros\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/videoseries?list=OLAK5uy_m9hlakzL5oOdMTd10PinDkf_PLiKiuUyI\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O \u00e1lbum de estreia do Desastros nasce de uma comunh\u00e3o criativa entre cinco artistas com trajet\u00f3rias consolidadas na m\u00fasica e nas artes visuais. Como foi esse processo de converg\u00eancia de universos t\u00e3o distintos dentro do est\u00fadio?<\/strong><br \/>\nBernardo Bauer: O primeiro encontro do que se tornariam os Desastros aconteceu no dia 2 de janeiro de 2019. Foi o dia em que eu (Bernardo) conheci a Sara, na casa da Julia, que era nossa amiga em comum e ela queria nos apresentar. Nesse mesmo dia, a gente sentou junto ao Pedro Veneroso, que tamb\u00e9m estava l\u00e1, e compusemos a can\u00e7\u00e3o &#8220;Anos-Luz&#8221;, que falava sobre aquela virada de ano estranha. Era o dia da posse do Bolsonaro, a gente estava bem atordoado e esse acabou sendo o tema da primeira faixa que compusemos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ali a gente j\u00e1 sentiu que os universos convergiam muito, e trabalhamos juntos em v\u00e1rios projetos diferentes desde ent\u00e3o (Sara cantou no meu disco solo, Ju fez clipe desse mesmo disco e depois montamos um coletivo de m\u00fasica dedicada a crian\u00e7as (<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/sitio.rosa\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">S\u00edtio Rosa<\/a>), Sara teve banda com a Ju (<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/tarda_\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Tarda<\/a>), eu gravei no disco solo da Sara, enfim, h\u00e1 entre n\u00f3s uma sintonia e vontade de fazer coisas juntos que \u00e9 super natural). E a\u00ed a gente foi regando lentamente essa ideia de que um dia gravar\u00edamos nosso pr\u00f3prio disco, e nesse processo nos aproximamos do Felipe e do Pedro, que eram meus companheiros de <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2022\/08\/15\/entrevista-moons-lanca-seu-quarto-album-best-kept-secret-um-disco-leve-nas-melodias-e-melancolico-nas-letras\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Moons<\/a>, e eles empolgaram muito com as m\u00fasicas e tinham muito a somar musical e conceitualmente, e de repente percebemos que aquilo ali estava se tornando numa banda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dentro do est\u00fadio a din\u00e2mica foi bem natural &#8211; e, claro, um tanto ca\u00f3tica. Quando come\u00e7amos a gravar as primeiras can\u00e7\u00f5es, j\u00e1 existia essa diretriz \u201cespacial\u201d pro \u00e1lbum. A ideia era misturar essa viagem c\u00f3smica \u00e0 nossa onda de fazer can\u00e7\u00f5es, nesse pop estranho que \u00e9 natural pra gente. E nos processos de arranjar as m\u00fasicas sempre tinha algu\u00e9m com um caderninho escrevendo e desenhando coisas, criando esse universo sinest\u00e9sico de ironia, apocalipse, brincadeira e cosmos. Lembro da Ju desenhando a \u201caerolhasa\u201d, que era a representa\u00e7\u00e3o da cachorrinha que estava no est\u00fadio vestida de astronauta. A gente levava livros de cosmologia e estudava muito esses assuntos durante a grava\u00e7\u00e3o do disco &#8211; e acabamos por fazer m\u00fasicas novas nesse processo tamb\u00e9m. A verdade \u00e9 que foi um processo bem livre, em que hora a gente focava em realmente gravar as can\u00e7\u00f5es que estavam compostas, mas tinham v\u00e1rios momentos em que a gente desvirtuava e come\u00e7ava uma id\u00e9ia nova, se empolgava e acabava gravando a faixa que estava nascendo ali no momento. \u201cS\u00f3 um Bicho\u201d e \u201cVia L\u00e1ctea\u201d s\u00e3o bons exemplos desse m\u00e9todo de composi\u00e7\u00e3o espont\u00e2neo que aconteceu no est\u00fadio e foi gravado no mesmo instante em que foi concebido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O grupo surgiu da proposta de compor uma m\u00fasica a cada encontro. Em que momento essa din\u00e2mica intuitiva se transformou na ideia de gravar um disco?<\/strong><br \/>\nBernardo Bauer: No mesmo dia em que eu conheci a Sara na casa da Ju e a gente fez uma m\u00fasica, e ali combinamos que todas as vezes que a gente encontrasse dali pra frente far\u00edamos uma m\u00fasica nova. E nesses encontros nasceram quatro faixas (\u201cDesastres\u201d, \u201cSono Profundo\u201d, \u201cAnos Luz\u201d e \u201cBuraco Negro\u201d). Todas elas nasceram em 2019, e a gente sonhava em gravar um EP com elas, sempre fal\u00e1vamos disso mas ainda n\u00e3o t\u00ednhamos muito uma ideia de como viabilizar isso tudo. A gente chegou a gravar algumas demos, mas era dif\u00edcil realmente investir o tempo necess\u00e1rio para finalizar o projeto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E a\u00ed teve pandemia, cada um acabou indo pra um lado por um tempo, e quando soubemos da Lei Paulo Gustavo decidimos inscrever o nosso EP no edital e fomos aprovados. Quando tivemos o projeto aprovado marcamos uma imers\u00e3o de 15 dias no Cais, e nela acabamos mudando bastante a dire\u00e7\u00e3o do projeto todo. Deu muita vontade de gastar nosso tempo juntos, livremente, ali dentro do est\u00fadio, experimentando linguagens e sons, e acabamos nos entregando para o processo. Quando a gente percebeu, aquele EP tinha se tornado um \u00e1lbum cheio.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Desastros - Buraco Negro\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/MjEQ5RYUVj0?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A sonoridade do \u00e1lbum \u00e9 um mosaico de refer\u00eancias. Como voc\u00eas chegaram a esse equil\u00edbrio entre o experimental e o mel\u00f3dico?<\/strong><br \/>\nBernardo Bauer: Acho que isso \u00e9 um caminho bem natural pra n\u00f3s cinco, sabia? \u00c9 realmente o que a gente sabe fazer, n\u00e3o sei se houve um desejo manifesto de algu\u00e9m dentro da banda em buscar este equil\u00edbrio, mas acho que era o caminho que esse coletivo tomaria de todo jeito. A gente gosta muito de fazer can\u00e7\u00f5es, m\u00fasica com verso e refr\u00e3o, mas tamb\u00e9m gostamos muito de experimentar texturas e gastar onda fazendo jam. O Felipe tem essa pesquisa muito profunda com o universo dos sintetizadores, e durante as grava\u00e7\u00f5es estava nessa pilha. A Sara sa\u00eda cantando o que vinha na cabe\u00e7a dela, eu e Pedro segu\u00edamos o fluxo. A Ju ajudava a lapidar as letras e a dar dire\u00e7\u00e3o est\u00e9tica e art\u00edstica pro projeto como um todo. E no fim, quando a gente empolgava significava que estava legal, mas muita coisa acabou sendo descartada tamb\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sara: Depois que o \u00e1lbum estava pronto, nos encontramos para pensar juntos as influ\u00eancias e refer\u00eancias conscientes e inconscientes que percebemos nas m\u00fasicas. Pra n\u00f3s n\u00e3o era claro quais eram os estilos musicais do \u00e1lbum como um todo, chegamos at\u00e9 a inventar alguns termos para conseguir abra\u00e7ar a variedade sonora que percebemos nas m\u00fasicas. Entre os estilos que pensamos\/inventamos est\u00e3o &#8211; space mpb, folk c\u00f3smico, balada indie, indie on\u00edrico, pop apocalipse, batuque de rio, cr\u00f4nica pop, indie rural e synth gospel. Foi um exerc\u00edcio de abstra\u00e7\u00e3o muito divertido, que nos fez imaginar em quais universos as m\u00fasicas transitam. Dos artistas e bandas que gostamos e percebemos influ\u00eancias, ressaltamos Pink Floyd, Bjork e Radiohead nos internacionais. Nos nacionais certamente o Clube da esquina, Tom Z\u00e9, Itamar Assump\u00e7\u00e3o, Mutantes e Uakti. Na galera que \u00e9 contempor\u00e2nea da gente, pensamos na Jadsa, Yma, Guto Brant, Ava Rocha, Negro Leo, Bruno Berle e Luiza Brina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>H\u00e1 uma for\u00e7a muito visual nas m\u00fasicas, quase cinematogr\u00e1fica. Isso vem da conviv\u00eancia com o cinema e as artes visuais? Como essas linguagens se entrela\u00e7am na identidade do Desastros?<\/strong><br \/>\nSara: Venho buscando a conex\u00e3o entre minha produ\u00e7\u00e3o musical e visual desde quando comecei a criar. A minha rela\u00e7\u00e3o com a m\u00fasica, artes visuais e cinema, aconteceu concomitantemente em um processo natural de retroalimenta\u00e7\u00e3o. Sempre achei mais org\u00e2nico, criar elos entre as tem\u00e1ticas e assuntos que me interessavam, independente de qual linguagem ou ferramenta seria utilizada para materializar minhas ideias. Durante o mestrado, pesquisei os processos criativos de mulheres multiartistas, como a Yoko Ono e a Laurie Anderson, que em suas carreiras, atuaram diluindo a hierarquia entre a m\u00fasica, a performance, as artes visuais e a literatura, por exemplo. Nos Desastros, buscamos ampliar as conex\u00f5es, trabalhando com temas e teorias que passam por v\u00e1rias \u00e1reas do conhecimento, como a astronomia e a astrologia, que foram surgindo nos nossos encontros e processos. O pensamento musical, visual, po\u00e9tico e filos\u00f3fico se entrela\u00e7am abrindo possibilidades m\u00faltiplas de cria\u00e7\u00e3o. As \u00e1reas de conhecimento se complementam, trazendo complexidade e profundidade para a obra final, seja ela uma m\u00fasica, um v\u00eddeo, ou um show. Em diversos momentos de nossas imers\u00f5es criativas, percebi que buscamos criar paisagens e atmosferas que atingissem outros sentidos, al\u00e9m da escuta. Nosso desejo \u00e9 tornar a experi\u00eancia o mais rica poss\u00edvel, para que as pessoas possam se conectar a esse universo que propomos.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Desastros - Estrela Ma\u0303e feat. Manuela Mares (visualizer)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/B8kVBkE4pmU?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O disco dialoga com temas amplos: o fim do mundo, o colapso ambiental, a nossa rela\u00e7\u00e3o com o cosmos. Como se deu o processo de composi\u00e7\u00e3o l\u00edrica do repert\u00f3rio?<\/strong><br \/>\nBernardo Bauer: N\u00e3o foi t\u00e3o planejado de antem\u00e3o, mas olhando pra tr\u00e1s, d\u00e1 pra tra\u00e7ar uma cronologia de como a tem\u00e1tica de uma can\u00e7\u00e3o foi influenciando a outra e criando este conceito. Primeiro a gente fez \u201cAnos Luz\u201d, nessa coisa desesperada de ver um ex-militar com fortes flertes fascista assumindo o governo do nosso pa\u00eds. Ali a coisa j\u00e1 apontava que nossos temas n\u00e3o seriam muito leves. A segunda faixa que a gente comp\u00f4s foi \u201cDesastres\u201d, que seguia um pouco essa tem\u00e1tica do fim do mundo, falando de como os desastres sociais e ambientais est\u00e3o gritando, mas ali foi inserida uma viagem m\u00edstica, de astrologia, b\u00fazios, cartas. A terceira m\u00fasica que fizemos foi \u201cBuraco Negro\u201d, j\u00e1 inspirados por essa id\u00e9ia de astrologia mas come\u00e7amos a imergir em conceitos de f\u00edsica e astronomia, ficamos fascinados por isso. J\u00e1 \u201cSono Profundo\u201d, foi uma can\u00e7\u00e3o mais terrena, n\u00e9? Brincamos entre n\u00f3s que era a epop\u00e9ia do cotidiano. \u00c9 uma can\u00e7\u00e3o que aterrava a nossa hist\u00f3ria, lembrando que a gente estava olhando pro planeta e pro universo de uma perspectiva totalmente humana, no fim das contas. Essas quatro m\u00fasicas deram o tom de qual seria o conceito geral das outras que acabaram nascendo espontaneamente no est\u00fadio. E foi legal porque quando se tem um conceito definido, a gente acaba se inspirando muito. O dif\u00edcil foi parar de fazer m\u00fasica e escolher quais realmente iriam pro \u00e1lbum, no fim das contas. Tem m\u00fasicas que eu puxava uma letra, outras a Sara. Tem \u201cEstrela M\u00e3e\u201d, que \u00e9 uma faixa que o Felipe e a Sara fizeram juntos num dia que ningu\u00e9m mais p\u00f4de ir ao est\u00fadio. Acho que eles podem falar mais sobre isso\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sara: Alguns dos temas que abordamos no \u00e1lbum, j\u00e1 hav\u00edamos trabalhado em m\u00fasicas de nossos outros projetos. No meu \u00faltimo \u00e1lbum solo, \u201cA situa\u00e7\u00e3o\u201d trato em v\u00e1rias m\u00fasicas sobre as diversas crises que enfrentamos. De forma po\u00e9tica e reflexiva falo nas m\u00fasicas sobre golpes pol\u00edticos, retorno de ideias conservadoras e fascistas no poder, destrui\u00e7\u00e3o ambiental, explora\u00e7\u00e3o, desigualdade social e luta de classes. Uma quest\u00e3o que apareceu nos Desastros, que permeia o \u00e1lbum como um todo, \u00e9 nosso questionamento em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 forma explorat\u00f3ria que a humanidade tem lidado com os recursos animais e naturais. Somos contr\u00e1rios a essa ideologia extrativista, onde o ser humano \u00e9 colocado no centro de tudo, causando danos ambientais irrevers\u00edveis para manter sociedades adoecidas e desiguais, desconectadas da natureza. Na m\u00fasica \u201cS\u00f3 um bicho\u201d, por exemplo, trazemos a perspectiva de que somos \u00ednfimos, um gr\u00e3o de areia, uma poeira no Universo. Achamos muito importante repensar nosso lugar na sociedade, no Mundo, perante a grandeza do Cosmos que nem conseguimos mensurar. Pensar a finitude, o tempo, o espa\u00e7o, o micro e o macro, nos interessa e surge em diversos momentos criando o conceito do disco. Em \u201cEstrela M\u00e3e\u201d trazemos a grandeza do Sol e a beleza das montanhas de Minas Gerais, que s\u00e3o constantemente atacadas e destru\u00eddas pela minera\u00e7\u00e3o. Um dos nossos desejos quando criamos, \u00e9 propor questionamentos e mudan\u00e7as atrav\u00e9s da m\u00fasica, apontando caminhos para o que realmente deveria ser importante para a humanidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O processo de grava\u00e7\u00e3o foi todo conduzido por voc\u00eas no est\u00fadio Cais, em Belo Horizonte. Que import\u00e2ncia teve essa autonomia na constru\u00e7\u00e3o est\u00e9tica e afetiva do disco?<\/strong><br \/>\nBernardo Bauer: A hist\u00f3ria do est\u00fadio Cais se confunde com a pr\u00f3pria hist\u00f3ria dos Desastros. Na verdade, as primeiras grava\u00e7\u00f5es que fizemos na hist\u00f3ria do Cais foram as demos e guias desse disco, em 2022. Acho que foi legal e foi um desafio essa autonomia na constru\u00e7\u00e3o est\u00e9tica, especialmente por termos a inten\u00e7\u00e3o de ser um grupo horizontal, sem hierarquias, isso traz uma cor toda especial pro \u00e1lbum, porque ele acaba passeando por sonoridades, n\u00e9? Algu\u00e9m sempre acaba indicando um universo est\u00e9tico pra cada faixa durante a constru\u00e7\u00e3o dela, e o grupo vai seguindo e confluindo e\/ou contrapondo. \u00c9 um processo muito interessante e ca\u00f3tico, acho que o resultado acaba representando bem essa multiplicidade.<\/p>\n<figure id=\"attachment_93429\" aria-describedby=\"caption-attachment-93429\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-93429\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Capa-Desastros_Arte-por-Randolpho-Lamonier-copiar.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Capa-Desastros_Arte-por-Randolpho-Lamonier-copiar.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Capa-Desastros_Arte-por-Randolpho-Lamonier-copiar-300x300.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Capa-Desastros_Arte-por-Randolpho-Lamonier-copiar-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-93429\" class=\"wp-caption-text\"><em>Capa do \u00e1lbum da Desastros, arte por Randolpho Lamonier<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00eas utilizam instrumentos n\u00e3o convencionais \u2014 como percuss\u00f5es caseiras e circuitos eletr\u00f4nicos \u2014 para criar texturas sonoras. Como esses elementos \u201cimprovisados\u201d ajudam a dar identidade ao som da banda?<\/strong><br \/>\nPedro: Um elemento muito presente nesse disco \u00e9 o VASSOUR\u00c3O, uma baqueta que eu fiz usando aquelas vassouras de palha, fita isolante e borracha (grip?) de raquete de t\u00eanis. O mais legal \u00e9 que ela fica ali num meio termo entre chocalho, baqueta e vassourinha daquelas com que os COBRAS tocam jazz e traz sempre uma textura diferente pras levadas (na faixa &#8220;Sou s\u00f3 um bicho&#8221; d\u00e1 pra sacar como ela soa bem!). Usamos tamb\u00e9m uma LATINHA de biscoito na faixa &#8220;Desastres&#8221;, acho que encaixou bem demais na onda da m\u00fasica, ficou parecendo um tamborim do tipo que se encontraria num sambinha improvisado logo ap\u00f3s uma hecatombe nuclear onde tudo que sobrou \u00e9 boneca sem um olho, veloc\u00edpede quebrado e calota de carro (conforme as refer\u00eancias que encontramos nos VIDEOGAMES). Acho que esses elementos, mais que refor\u00e7ar ou trazer alguma identidade especial pro nosso som, dizem muito sobre a vontade de experimentar com o que temos por perto l\u00e1 dentro do est\u00fadio, sem quebrar muito a cabe\u00e7a e sem planejar demais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sara: Em uma das nossas primeiras grava\u00e7\u00f5es, quando ainda nem existia o est\u00fadio Cais, me lembro do Nadinho e do Pinho, sugerirem da gente gravar uma percuss\u00e3o esfregando um peda\u00e7o de papel. Eu achei muito legal trazer o som de algo t\u00e3o singelo para nossa primeira grava\u00e7\u00e3o, e ainda mais interessante por ser a &#8220;Desastres&#8221;, nossa m\u00fasica de lan\u00e7amento do projeto. Esse ano, j\u00e1 no est\u00fadio Cais e com o Pedr\u00e3o integrando a banda, ele trouxe a ideia de gravar o som de uma percuss\u00e3o feita de uma lata de biscoitos. Foi muito especial pra mim perceber por esse e outros exemplos, como temos a experimenta\u00e7\u00e3o como algo essencial nos processos criativos. Durante nossos encontros sempre buscamos criar um ambiente de liberdade onde todos pudessem propor experimenta\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas e po\u00e9ticas. Acredito que essa nossa despretens\u00e3o e disposi\u00e7\u00e3o ao risco, trouxe um clima muito leve e divertido nas nossas imers\u00f5es, fazendo as cria\u00e7\u00f5es flu\u00edrem naturalmente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O trabalho de arte de <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/randolpholamonier\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Randolpho Lamonier<\/a> dialoga intensamente com as letras e com o imagin\u00e1rio do disco. Como foi o di\u00e1logo entre som e imagem nesse processo criativo?<\/strong><br \/>\nSara: Eu e Julia temos um projeto\/banda com Randolpho, a Tarda. Estamos parados h\u00e1 algum tempo, pois quase todos os integrantes mudaram para S\u00e3o Paulo e acabamos nos envolvendo em outros projetos. Com a Tarda, lan\u00e7amos o \u00e1lbum \u201cFuturo\u201d, em 2020, alguns singles e videoclipes. Randolpho fez a capa do \u00e1lbum, arte para camisetas, fita K7, cartazes, entre outros materiais visuais da banda. Junto de outros parceiros art\u00edsticos, Victor Galv\u00e3o e Pedro Veneroso, trabalhou na concep\u00e7\u00e3o visual do meu \u00faltimo \u00e1lbum, \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/03\/27\/entrevista-sara-nao-tem-nome-lanca-a-situacao-debochado-album-politico-que-trata-de-questoes-dolorosas-e-complexas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">A situa\u00e7\u00e3o<\/a>\u201d. Participei atuando em algumas s\u00e9ries fotogr\u00e1ficas e v\u00eddeos dele. Nossa parceria art\u00edstica \u00e9 recorrente e sempre que temos oportunidade, trabalhamos juntos. Nosso universo sens\u00edvel \u00e9 muito pr\u00f3ximo, temos uma conex\u00e3o po\u00e9tica muito forte. Quando est\u00e1vamos pensando sobre a capa do \u00e1lbum, sentimos que Randolpho poderia contribuir com os Desastros, trazendo para capa suas impress\u00f5es e o que mais o tocou nas nossas m\u00fasicas. Em sua produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica recente, ele tem utilizado colagens, stencil, pintura, not\u00edcias de jornais, trazendo um referencial est\u00e9tico da Pop Art. Sentimos que essa l\u00f3gica de cria\u00e7\u00e3o visual se conecta diretamente com a forma que produzimos nossas m\u00fasicas. Em nossos processos de cria\u00e7\u00e3o e grava\u00e7\u00e3o, sobrepomos e mesclamos camadas sonoras, sampleamos sons, gravamos sons do ambiente &#8211; natureza, tr\u00e2nsito, experimentamos com instrumentos incomuns &#8211; lata de biscoito, garrafa d\u2019\u00e1gua, buscando criar um universo pr\u00f3prio que expresse a liberdade e autenticidade que buscamos imprimir nessa obra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A capa dos singles foi feita por Julia Baumfeld e o design de divulga\u00e7\u00e3o por Pedro Hamdan. H\u00e1 uma coer\u00eancia est\u00e9tica forte em tudo que envolve o projeto. Como voc\u00eas pensam essa unidade entre m\u00fasica e visual?<\/strong><br \/>\nJulia: Na minha trajet\u00f3ria como multiartista venho experienciando a m\u00fasica e as artes visuais como algo que caminha junto, algo que j\u00e1 trabalhei em outros projetos, como na Tarda, a Turva, o S\u00edtio Rosa e a Po\u00e7a, projetos em que realizei diversas fun\u00e7\u00f5es, entre elas, produtora, compositora, musicista e artista visual. Sou formada em Artes Visuais pela Escola Guignard, fiz mestrado e atualmente fa\u00e7o doutorado na Belas Artes. Tenho contato com a m\u00fasica h\u00e1 muitos anos, inclusive com m\u00fasico compositor Marco Ant\u00f4nio Guimar\u00e3es com que tive muita proximidade. Em 2020, lancei o livro P\u00eandulo, sobre os processos de composi\u00e7\u00e3o sonora-visual do Marco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As capas dos singles &#8211; &#8220;Desastres&#8217; e &#8216;Estrela-M\u00e3e&#8221;, s\u00e3o frames de VHS de minha pesquisa com imagens de fitas antigas de um acervo familiar. Na imagem da capa de &#8220;Desastres&#8221;, s\u00e3o cinco dados por cima de um frame que retrata o universo, cada dado representando um integrante dos Desastros. A imagem faz refer\u00eancia direta a letra da m\u00fasica que brinca com essa ideia do destino j\u00e1 estar escrito nas estrelas, da sorte ser decidida pelo universo, pelo movimento dos planetas. A capa de &#8220;Estrela-M\u00e3e&#8221; \u00e9 um frame que comp\u00f5e o trabalho ERA, que \u00e9 um desdobramento da minha pesquisa com o arquivo de fitas VHS filmado por meus pais nos anos 80. O processo de ressignificac\u0327a\u0303o das imagens se iniciou em 2015 e gerou diversos trabalhos, dentre vi\u0301deos, filmes, um livro (<a href=\"https:\/\/www.juliabaumfeld.com\/meio-dil%C3%BAvio-meio-suspiro\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Meio Dilu\u0301vio Meio Suspiro<\/a>) e uma instala\u00e7\u00e3o exposta na Bienal SESC_Videobrasil 2023.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pedro: N\u00e3o existe muito planejamento para que as coisas funcionem dentro de uma s\u00f3 unidade ou sigam um estilo musical\/visual pr\u00e9-definido. Acho que nessa parte das imagens tem rolado uma coisa parecida com o que rolou no est\u00fadio, uma liberdade para que cada um chegue com suas ideias. Felizmente, temos nos entendido bem demais, nossas ondas v\u00eam se complementando de um jeito muito astral. Eu venho tentando conciliar as fun\u00e7\u00f5es de fot\u00f3grafo e integrante da banda, tem sido interessante. Para essas nossas primeiras fotos de divulga\u00e7\u00e3o escolhemos um peda\u00e7o de um parque aqui de Belo Horizonte (Parque das Mangabeiras) que t\u00e1 um pouco descuidado, com umas quadras de peteca meio despetecadas e uns brinquedos infantis que datam da Primeira Corrida Espacial Mineira. Eu j\u00e1 costumava passear por l\u00e1 h\u00e1 um tempo, tirava muitas fotos dessas estruturas decadentes que de certa forma combinam com as texturas do entorno, Serra do Curral de um lado e a cidade do outro.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Desastros - Desastres (visualizer)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Nz-e-S_lkRw?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A participa\u00e7\u00e3o de artistas como Digo Leite, Manuela Mares e Tom-Lee Richards refor\u00e7a o car\u00e1ter colaborativo do projeto. Como essas vozes externas influenciaram o resultado final do \u00e1lbum?<\/strong><br \/>\nBernardo Bauer: Essas participa\u00e7\u00f5es foram bem pontuais e muito importantes. A Manu foi um encontro ao acaso, ela conheceu o Felipe pela internet e foi visitar a gente no est\u00fadio. N\u00f3s ficamos muito impressionados com a musicalidade e a voz dela. E logo convidamos para cantar no coro de &#8220;Nebulosa Planet\u00e1ria&#8221;, e ela acabou fazendo uma esp\u00e9cie de \u201csolo\u201d de vocalizes nessa faixa, que eu particularmente acho que \u00e9 o melhor momento do disco inteiro rsrs. E como ela j\u00e1 estava l\u00e1, chamamos para fazer uma participa\u00e7\u00e3o em &#8220;Estrela M\u00e3e&#8221; tamb\u00e9m, n\u00e9? Enfim, foi uma contribui\u00e7\u00e3o muito grande e bonita, a voz dela \u00e9 uma coisa de outro mundo, foi a cereja do bolo desse disco. Nesse dia da grava\u00e7\u00e3o da Manu a gente estava fazendo uma esp\u00e9cie de confraterniza\u00e7\u00e3o de finaliza\u00e7\u00e3o do disco, e convidamos amigos para contribuir no coral de &#8220;Nebulosa Planet\u00e1ria&#8221;, e a\u00ed o Tom-Lee Richards e a Flora Magalh\u00e3es cantaram com a gente e com o Digo Leite tamb\u00e9m, que \u00e9 um grande amigo e j\u00e1 havia gravado um solo\/textura de guitarras em &#8220;Via L\u00e1ctea&#8221;, que eu amo muito tamb\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00eas s\u00e3o artistas que v\u00eam de uma cena musical independente que se mant\u00e9m viva em Belo Horizonte. Como veem o atual momento da m\u00fasica mineira?<\/strong><br \/>\nSara: Percebo que a pandemia deixou fortes marcas na cena cultural do Brasil, n\u00e3o s\u00f3 de Minas. Muitos espa\u00e7os, projetos e iniciativas que estavam acontecendo acabaram perdendo for\u00e7as devido a esse momento t\u00e3o delicado que passamos. Al\u00e9m disso, tamb\u00e9m enfrentamos o retorno de governos com projetos pol\u00edticos que combatem a cultura, enfraquecendo o cen\u00e1rio musical. Um exemplo de um pr\u00eamio e espa\u00e7o cultural importante que perdemos \u00e9 o Pr\u00eamio BDMG, um dos poucos que reconhecia o trabalho de m\u00fasicos e compositores eruditos e populares de Minas Gerais. Temos estruturas muito fr\u00e1geis que demoram muito para serem constru\u00eddas, e quando se rompem, muitos artistas ficam impossibilitados de seguir na carreira musical. Apesar disso, a cena musical resiste, tentando manter espa\u00e7os independentes, repensando seus formatos e atua\u00e7\u00e3o. Tenho acompanhado alguns artistas da cena local, que apesar de diversos obst\u00e1culos e restri\u00e7\u00f5es, est\u00e3o tentando romper barreiras e ampliar o alcance de seus trabalhos, fazendo parcerias com outros artistas e viajando para tocar em outros estados. Eu destacaria as artistas Augusta Barna e Dram, minhas conterr\u00e2neas de Contagem, Clara Bicho e Polly Terror, duas artistas\/bandas muito legais de BH, e o duo Imprevisto, de Brumadinho, projeto que une m\u00fasica e poesia\/spoken word de uma maneira muito interessante e que tamb\u00e9m tem feito lan\u00e7amentos pela Gr\u00e3o Pixel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O \u00e1lbum foi viabilizado com apoio da Lei Paulo Gustavo. Em tempos de ataques \u00e0 cultura, como voc\u00eas percebem o papel dessas pol\u00edticas de incentivo na sustenta\u00e7\u00e3o de projetos culturais?<\/strong><br \/>\nSara: A Lei Paulo Gustavo foi fundamental para que nosso \u00e1lbum sa\u00edsse do papel, mostrando o quanto pol\u00edticas p\u00fablicas de incentivo s\u00e3o essenciais para a sobreviv\u00eancia da cultura. Em tempos de ataques \u00e0 arte e de cortes nos investimentos culturais, essas iniciativas permitem que artistas independentes realizem seus projetos, mantenham seus trabalhos e continuem contribuindo para a diversidade e a vitalidade da cena. Elas n\u00e3o apenas viabilizam financeiramente os projetos, mas tamb\u00e9m fortalecem a presen\u00e7a da cultura no cotidiano das pessoas. Para n\u00f3s, foi muito importante poder realizar um trabalho que \u00e9 aut\u00eantico, que pode experimentar, sair fora de padr\u00f5es, clich\u00eas, regras e par\u00e2metros que moldam a ind\u00fastria musical. Podem criar com liberdade traz verdade e for\u00e7a para o trabalho art\u00edstico, criando obras com potencial de atravessar fronteiras temporais e geracionais, pois n\u00e3o se restringem a uma demanda comercial ou tend\u00eancia mercadol\u00f3gica moment\u00e2nea.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Por fim, com o disco de estreia na pra\u00e7a, quais s\u00e3o os planos futuros?<\/strong><br \/>\nBernardo Bauer: Bom, agora o plano \u00e9 divulgar o \u00e1lbum e desenvolver um show que represente a loucura que \u00e9 o nosso coletivo. Muito provavelmente com trocas de palco, mudan\u00e7as de instrumenta\u00e7\u00e3o, dois bateristas, proje\u00e7\u00e3o, artes visuais? Enfim, \u00e9 um baita desafio e estamos pensando com muito carinho antes de realmente marcar o primeiro show. Ainda temos algumas m\u00fasicas que fizemos e n\u00e3o entraram no \u00e1lbum que tamb\u00e9m gostar\u00edamos de lan\u00e7ar como single em algum momento em breve.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sara: No momento estamos focados em divulgar o \u00e1lbum, enviar para amigos, jornalistas, cr\u00edticos, e pessoas que achamos que podem se interessar pelo trabalho. Temos algumas ideias para nosso primeiro videoclipe, mas deve sair s\u00f3 ano que vem, talvez junto dos nossos primeiros shows. Queremos muito fazer pelo menos um show legal de lan\u00e7amento em BH e S\u00e3o Paulo, com direito a proje\u00e7\u00f5es, figurinos e um som bacana. Tamb\u00e9m est\u00e3o nos planos fazer produtos legais da banda &#8211; camisetas, cartazes, adesivos, etc. Por enquanto temos alguns postais com a capa do \u00e1lbum e fotos nossas. Estamos tamb\u00e9m buscando parceria com selos\/distribuidoras de material f\u00edsico fora do Brasil. Seria incr\u00edvel ter o \u00e1lbum em um vinil bem bonito.<\/p>\n<figure id=\"attachment_93431\" aria-describedby=\"caption-attachment-93431\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-93431\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Desastros-Foto-Pedro-Hamdan-2-copiar.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"1125\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Desastros-Foto-Pedro-Hamdan-2-copiar.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Desastros-Foto-Pedro-Hamdan-2-copiar-200x300.jpg 200w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-93431\" class=\"wp-caption-text\"><em>Foto de Pedro Hamdan<\/em><\/figcaption><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Ao longo de nove faixas, os Desastros combinam guitarras, sintetizadores, percuss\u00f5es caseiras e vozes m\u00faltiplas com imagens de cartas, b\u00fazios, nebulosas e buracos negros.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/01\/23\/desastros-banda-formada-por-sara-nao-tem-nome-julia-baumfeld-bernardo-bauer-felipe-dangelo-e-pedro-hamdan-lanca-o-primeiro-album\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":4,"featured_media":93432,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[3681,8064,8063,8062,1538,985,1003],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/93425"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=93425"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/93425\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":93435,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/93425\/revisions\/93435"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/93432"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=93425"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=93425"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=93425"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}