{"id":93369,"date":"2026-01-19T02:14:07","date_gmt":"2026-01-19T05:14:07","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=93369"},"modified":"2026-02-15T23:57:16","modified_gmt":"2026-02-16T02:57:16","slug":"entrevista-roddy-bottum-fala-sobre-biografia-a-importancia-do-teclado-no-faith-no-more-e-seu-amor-pelo-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/01\/19\/entrevista-roddy-bottum-fala-sobre-biografia-a-importancia-do-teclado-no-faith-no-more-e-seu-amor-pelo-brasil\/","title":{"rendered":"Entrevista: Roddy Bottum fala sobre a sua autobiografia, a import\u00e2ncia do teclado no Faith No More e seu amor pelo Brasil"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/LuizMazetto1986\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Luiz Mazetto<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se nos anos 1960 e 1970 era comum ver bandas de rock com pianos e teclados em destaque, como The Doors, Animals, Pink Floyd e Deep Puprle \u2013 para n\u00e3o falar dele, Elton John, o mesmo n\u00e3o se pode dizer dos anos 1980 e in\u00edcio dos 1990, especialmente em meio ao boom do grunge e do rock alternativo. A exce\u00e7\u00e3o \u00e0 essa regra n\u00e3o escrita e que acabou redesenhando de alguma forma o que podia ser feito foi um quinteto de San Francisco que misturava rock, metal e funk, o Faith No More.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cofundador da banda, ao lado do baterista Mike Bordin e do baixista Billy Gould, de quem era amigo desde a adolesc\u00eancia em Los Angeles, <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/roddybottum\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Roddy Bottum<\/a> n\u00e3o apenas tocava teclado, mas colocava o instrumento em evid\u00eancia no som massivo do grupo, que chegou ao seu \u00e1pice com \u201cThe Real Thing\u201d (1989) e \u201cAngel Dust\u201d (1992), os dois discos com a chamada forma\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica, os primeiros com Mike Patton nos vocais (substituindo Chuck Mosley, que tinha <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=-3zzMwEgHCk\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">substitu\u00eddo Courtney Love<\/a>) e os \u00faltimos com Jim Martin nas guitarras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Longe da artificialidade for\u00e7ada e repetitiva do industrial, da virtuose do rock progressivo e dos exageros das bandas glam dos anos 1980, o teclado era, de forma simples e direta (e, \u00e0s vezes, pomposa na medida certa), o cora\u00e7\u00e3o do Faith No More, o que dava alma e diferenciava a banda de todo o resto. \u00c9 imposs\u00edvel imaginar cl\u00e1ssicos da banda, como \u201cEpic\u201d, \u201cFalling to Pieces\u201d, \u201cEdge of the World\u201d, \u201cFrom Out of Nowhere\u201d, \u201cMidlife Crisis\u201d, \u201cCaffeine\u201d e \u201cEverything is Ruined\u201d \u2013 e um cover como \u201cEasy\u201d, dos Commodores, sem os teclados classudos e marcantes de Roddy.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na entrevista abaixo, o m\u00fasico fala sobre a sua rec\u00e9m-lan\u00e7ada autobiografia, \u201c<a href=\"https:\/\/amzn.to\/4a0fAWu\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">The Royal We<\/a>\u201d (ainda n\u00e3o dispon\u00edvel em portugu\u00eas), que n\u00e3o por acaso esteve em v\u00e1rias listas dos melhores livros de 2025; relembra momentos hist\u00f3ricos do Faith No More, incluindo a marcante apresenta\u00e7\u00e3o do grupo no Rock in Rio 2, em 1991, quando \u201croubou a cena\u201d do Guns N\u2019Roses; conta por que a banda n\u00e3o poderia ter sido criada em outra cidade que n\u00e3o fosse San Francisco; revela como a sua m\u00e3e influenciou sua abordagem com o piano\/teclado; e conta como foi se assumir gay publicamente no in\u00edcio dos anos 1990, antes de outros m\u00fasicos mais famosos! Confira!<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-93371 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/roddy2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"567\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/roddy2.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/roddy2-300x227.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Queria come\u00e7ar te perguntando quanto tempo voc\u00ea levou para escrever o livro. E tamb\u00e9m saber por que voc\u00ea decidiu ir para Paris para termin\u00e1-lo?\u00a0 N\u00e3o que algu\u00e9m precise de um bom motivo para ir a Paris, mas houve algo espec\u00edfico que fez voc\u00ea querer ir para l\u00e1 para finalizar o livro?<\/strong><br \/>\nRoddy: Demorei provavelmente mais de um ano para escrever, algo assim. N\u00e3o sei, tem algo de franc\u00eas no livro para mim, de um jeito estranho. N\u00e3o consigo realmente explicar em palavras, mas quando escrevi o livro, eu queria que ele tivesse um pouco a sensa\u00e7\u00e3o de um conto de fadas. Sabe o que isso significa? E meio que parecia que algumas das hist\u00f3rias e coisas que eu conto no livro s\u00e3o t\u00e3o estranhas e esquisitas que parecem um pouco como fantasia, quase como se fossem inventadas. E no cinema franc\u00eas, especialmente, sinto que esse tema aparece muito. Parece algo bem franc\u00eas, em que as coisas s\u00e3o exageradas, grandiosas, m\u00e1gicas, joviais e quase inacredit\u00e1veis. E, n\u00e3o sei por que, mas na minha cabe\u00e7a eu pensava: \u201cSim, preciso ir a Paris para terminar isso\u201d. Ent\u00e3o eu fui. Fui para l\u00e1 e ficava indo em uma biblioteca francesa antiga. Por um m\u00eas, ia todos os dias at\u00e9 ela e finalizei o livro l\u00e1.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea comentou que o livro parecia um filme franc\u00eas. Pelo que entendi, voc\u00ea estudou cinema por um tempo na faculdade, certo?<\/strong><br \/>\nEstudei, sim. Quando eu era jovem, quando fui para a faculdade, no primeiro ano eu estudei principalmente cinema. Eu queria ser cineasta e fui para a escola de cinema por isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E havia algum diretor franc\u00eas espec\u00edfico, tipo algu\u00e9m da Nouvelle Vague \u2014 como <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/04\/17\/os-10-primeiros-filmes-de-godard\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Godard<\/a> ou <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/09\/06\/filmografia-comentada-francois-truffaut\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Truffaut<\/a>, para citar os dois mais famosos \u2014 ou algum outro cineasta?<\/strong><br \/>\nQuer dizer, esses dois com certeza, Godard e Truffaut. gosto muito do Louis Malle tamb\u00e9m (diretor franc\u00eas conhecido por t\u00edtulos como \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/12\/10\/tres-filmes-malle-godard-e-rohmer\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Ascensor para o Cadafalso<\/a>\u201d e \u201cPerdas e Danos\u201d). Acho que quando eu estava profundamente\u2026 Na escola de cinema, eu estava mais interessado nos russos. Eu realmente gostava do (Andrei) Tarkovski (cineasta sovi\u00e9tico, respons\u00e1vel por obras como \u201cStalker\u201d, \u201cSolaris\u201d e \u201cO Espelho\u201d), ele foi muito importante pra mim. Talvez mais tarde o (Michael) <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?s=Haneke\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Haneke<\/a> (diretor austr\u00edaco, de filmes como \u201cViol\u00eancia Gratuita\u201d, \u201cCache\u201d, \u201cA Professora de Piano\u201d, &#8220;<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2010\/02\/21\/cinema-a-fita-branca-de-michael-haneke\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Fita Branca<\/a>&#8221; e \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/01\/18\/cinema-amor-michael-haneke\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Amor<\/a>\u201d), n\u00e3o sei. Mas o cinema franc\u00eas sempre teve um espa\u00e7o. O cinema franc\u00eas tinha um tom muito pr\u00f3prio, sabe? E, por alguma raz\u00e3o, me conectei com esse tom para o livro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>No come\u00e7o do livro, voc\u00ea menciona que n\u00e3o lembra por que foi a San Francisco pela primeira vez, mas conta que continuou voltando, voltando e voltando para a cidade \u2013 inclusive, at\u00e9 menciona a rodovia entre as duas cidades, que parecia uma tatuagem em voc\u00ea depois de percorr\u00ea-la tantas vezes. Havia algo espec\u00edfico que fazia voc\u00ea querer voltar? Ou era simplesmente a sua avers\u00e3o a Los Angeles que te fazia querer buscar um lugar diferente na \u00e9poca?<\/strong><br \/>\nBom, eu realmente estava cansado de Los Angeles quando era jovem. Eu tinha 17 anos e estava de saco cheio de LA. A cidade n\u00e3o falava comigo, \u00e9 uma cidade meio cafona, sabe? \u00c9 onde fazem filmes, \u00e9 para onde os atores e atrizes v\u00e3o para ficarem famosos, as pessoas s\u00e3o bronzeadas e tudo mais. Quando eu ficava indo e voltando de San Francisco &#8211; na verdade eu tinha me mudado para l\u00e1, mas ia para LA ver minha fam\u00edlia. Mas sempre voltava para San Francisco porque era onde eu morava. N\u00e3o era como se eu tivesse ido embora e voltado, ido embora e voltado. E as cidades s\u00e3o relativamente pr\u00f3ximas, ent\u00e3o d\u00e1 para fazer as duas coisas. Mas vivi em San Francisco por uns 20 anos depois que me mudei para l\u00e1. No come\u00e7o, eu n\u00e3o gostava. Era tudo muito estranho e t\u00e3o diferente de tudo que eu j\u00e1 tinha visto. \u00c9 uma cidade bem sombria. As drogas s\u00e3o diferentes, as pessoas s\u00e3o diferentes. Tudo parecia meio g\u00f3tico \u2013 e isso foi h\u00e1 muito tempo, em 1981, quando nem sab\u00edamos o que \u201cg\u00f3tico\u201d era. Mas havia m\u00fasicas estranhas, escuras e lentas. Enquanto Los Angeles era pop, animada, divertida, iluminada e a \u201ccara\u201d do ver\u00e3o\u2026 San Francisco era invernal, escura, \u00famida e um pouco assustadora. E algo nisso falou comigo naquela idade &#8211; ajudou a formar a banda e virou quase um personagem no que faz\u00edamos: a escurid\u00e3o.<\/p>\n<figure id=\"attachment_93372\" aria-describedby=\"caption-attachment-93372\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-93372\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/roddy3.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"563\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/roddy3.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/roddy3-300x225.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-93372\" class=\"wp-caption-text\"><em>Billy Gould e Mike Bordin, baixista e baterista do Faith no More, prestigiaram Roddy em San Francisco<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E como \u00e9 para voc\u00ea voltar de vez em quando? Voc\u00ea fez a turn\u00ea do livro h\u00e1 algumas semanas e <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/p\/DRVW_rWEvkw\/?img_index=1\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">vi fotos suas na City Lights<\/a> (ic\u00f4nica livraria local, com mais de 70 anos de hist\u00f3ria), com o Billy (Gould, baixista do Faith No More), o Mike (Bordin, baterista da banda) e outros amigos. Voc\u00ea ainda se sente em casa quando volta a San Francisco?<\/strong><br \/>\nRaramente, mas naquela noite, com certeza. Havia muitos amigos antigos l\u00e1, pessoas que eu conhecia quando morava l\u00e1, e realmente pareceu um retorno para casa. \u00c9 um jeito muito peculiar de visitar um lugar: escrever um livro sobre ele e depois voltar (risos). \u00c9 algo muito espec\u00edfico. E, sim, foi bem emocionante. Eu n\u00e3o esperava. Eu meio que j\u00e1 tinha seguido em frente, quase nunca vou a San Francisco hoje. E n\u00e3o conhe\u00e7o mais muitas pessoas l\u00e1, embora j\u00e1 tenha sido minha vida inteira. Mas, dessa vez, parecia que muitas pessoas que eu n\u00e3o via h\u00e1 anos estavam l\u00e1. E foi muito especial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea mencionou San Francisco como uma personagem. Voc\u00ea acha que o Faith No More poderia ter surgido em outra cidade? Ou foi um produto direto do ambiente em que voc\u00eas viviam?<\/strong><br \/>\nEssa \u00e9 realmente uma \u00f3tima pergunta. Eu acho que o Faith No More \u00e9 especificamente San Francisco. Havia um choque de culturas bem particular quando fomos para l\u00e1 \u2014 os hippies que tinham estado antes, e n\u00f3s chegando depois. Era meio que um conflito constante de refer\u00eancias culturais. Mesmo quando faz\u00edamos coisas sombrias, us\u00e1vamos drogas e toc\u00e1vamos m\u00fasica agressiva, alta, irritante e sombria, ainda havia resqu\u00edcios do lance hippie. N\u00f3s ach\u00e1vamos engra\u00e7ado usar dashikis, queimar incenso, sermos meio hippies. Est\u00e1vamos meio que tirando sarro deles, mas isso fazia parte do que faz\u00edamos. Est\u00e1vamos tirando sarro do que veio antes \u2014 e isso foi realmente algo central para o que est\u00e1vamos fazendo.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Faith No More - Caffeine - MTV - 1992\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/w9rVxa78wi8?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>No livro, voc\u00ea fala de sua amizade com a Lynn (Perko, baterista da cena de San Francisco), com quem mais tarde voc\u00ea formou o Imperial Teen, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/07\/17\/entrevista-gary-floyd-dicks-sister-double-happiness-black-kali-ma\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">e tamb\u00e9m do Gary Floyd<\/a>, vocalista do Dicks e do Sister Double Happiness que tocou com a Lynn nas duas bandas, como um her\u00f3i local para voc\u00ea. Voc\u00ea chegou a conhec\u00ea-lo pessoalmente? E ele foi, de alguma forma, uma inspira\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nSim, ele (Gary) foi definitivamente uma inspira\u00e7\u00e3o. Eu o conhecia muito bem, ele era um grande amigo, que eu via o tempo todo. Lynn era uma das minhas melhores amigas, e ela tocava com ele no Dicks e depois no Sister Double Happiness. Eu o conhecia muito bem, ele tinha um esp\u00edrito incr\u00edvel. Era algu\u00e9m muito ousado e destemido sobre ser gay. Ele usava vestidos desde muito jovem e n\u00e3o dava a m\u00ednima para o que os outros pensavam. Era t\u00e3o provocador. Ele era fant\u00e1stico. E tinha uma voz linda. Sim, ele foi muito inspirador.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em uma entrevista recente <a href=\"https:\/\/www.theguardian.com\/music\/2025\/nov\/07\/faith-no-more-roddy-bottum-queer-memoir-interview\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">para o The Guardian<\/a>, voc\u00ea falou sobre quando se assumiu gay em uma entrevista para a revista The Advocate, em 1993, e mencionou que tinha ficado meio bravo com outros m\u00fasicos do rock que ainda n\u00e3o tinham se assumido publicamente na \u00e9poca \u2014 como <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/06\/13\/entrevista-bob-mould-fala-sobre-novo-disco-solo-o-legado-do-husker-du-trump-e-shows-no-brasil\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Bob Mould<\/a>, Michael Stipe e Rob Halford. Voc\u00ea falou com algum deles depois da entrevista?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o. Eu fico meio nervoso com isso. Voc\u00ea acha que foi maldoso o que eu disse?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>N\u00e3o, acho que foi corajoso. E quando fui pesquisar o assunto, vi que voc\u00ea foi meio que o \u00fanico a fazer isso naquele momento. E voc\u00ea estava no auge da fama com o Faith No More, logo ap\u00f3s seus discos mais famosos. Me parece que foi algo realmente ousado de se fazer.<\/strong><br \/>\nSim, foi ousado. Parecia a coisa nobre e certa a fazer. Politicamente fazia muito sentido, e era um gesto \u00e0 minha comunidade. Uma coisa \u00e9 falar de pessoas como Freddie Mercury ou Rob Halford \u2014 pessoas que eu conhe\u00e7o um pouco, mas n\u00e3o t\u00e3o bem. Ou o Elton John. Essas pessoas\u2026 n\u00e3o sei, elas meio que me irritavam quando eu era jovem, porque eu n\u00e3o tinha ningu\u00e9m. N\u00e3o havia her\u00f3is para olhar, especialmente na m\u00fasica. E era dif\u00edcil, era muito dif\u00edcil. Eu ficava bravo com eles. Eu meio que nunca perdoei o Elton John, por alguma raz\u00e3o &#8211; eu realmente n\u00e3o gosto dele. Mas falando do Michael Stipe ou do Bob Mould, os dois s\u00e3o meus amigos (risos). Ent\u00e3o me sinto meio mal de falar deles assim. Mas \u00e9 a verdade. Eles n\u00e3o eram abertos sobre quem eram, e isso parecia algo meio covarde na \u00e9poca, sabe?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Uma coisa interessante que voc\u00ea comenta no livro \u00e9 que na \u00e9poca do Faith No More havia toneladas de bandas de rock alternativo ou metal com a forma\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica guitarra\u2013baixo\u2013bateria\u2013vocal. Mas voc\u00eas tinham o teclado, que ficava ali na frente, como um protagonista &#8211; voc\u00ea n\u00e3o tentava esconder seu som nem sua abordagem, e era meio que o cora\u00e7\u00e3o e a alma da banda. Por isso, queria saber se houve alguma resist\u00eancia, na banda ou na gravadora, por exemplo, sobre colocar o teclado em destaque?<\/strong><br \/>\nAcho que n\u00e3o. Essa \u00e9 uma \u00f3tima pergunta. Acho que as pessoas inteligentes percebiam. E conseguiam ver que aquilo era o que nos tornava diferentes. E isso \u00e9 especial. Mas era dif\u00edcil, especialmente combinado com o fato de eu n\u00e3o me sentir t\u00e3o bem por ser gay \u2014 j\u00e1 me sentia um pouco deslocado, meio como um impostor num ambiente que n\u00e3o acolhia isso. As bandas daquele tipo, naquela \u00e9poca, n\u00e3o eram realmente abertas a pessoas gays at\u00e9 ent\u00e3o. Ent\u00e3o eu j\u00e1 lidava com isso, estando em ambientes meio \u201cmach\u00f5es\u201d. E ainda por cima tocando teclado, que \u00e9\u2026 um instrumento meio rid\u00edculo, n\u00e9 (risos)? Ele parece t\u00e3o bobo no palco. N\u00e3o \u00e9 como uma guitarra. Voc\u00ea n\u00e3o pode pular com ele e parecer legal, como com um baixo ou at\u00e9 uma bateria. Com o teclado, voc\u00ea fica preso atr\u00e1s dele \u2014 e \u00e9 dif\u00edcil fazer parecer legal (risos). Demorou um tempo \u2014 bom, n\u00e3o muito, acho que consegui fazer parecer bem legal no come\u00e7o \u2014 mas foi um desafio. E definitivamente, comparado \u00e0s bandas com quem toc\u00e1vamos, eu me destacava muito por tocar teclado. Ent\u00e3o eu diria que em um dia ruim eu me sentia humilhado e estranho. E num dia bom, eu me sentia um her\u00f3i \u2014 porque eu era o \u00fanico fazendo aquilo. Mas eu oscilava muito. Hoje, olhando para tr\u00e1s, penso: sim, aquilo foi incr\u00edvel. Aquilo era o que realmente tornava o Faith No More diferente \u2014 os teclados. E que lugar legal de ocupar, que trabalho legal de ter.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ali\u00e1s, voc\u00ea fala no livro como o piano foi uma conex\u00e3o importante entre voc\u00ea e sua m\u00e3e. E menciona que ela depois passou a tocar para detentos na pris\u00e3o \u2014 algo muito bonito de se fazer, inclusive. Voc\u00ea acha que o fato de ter essa conex\u00e3o especial com sua m\u00e3e atrav\u00e9s do piano influenciou sua rela\u00e7\u00e3o com o instrumento e com a m\u00fasica?<\/strong><br \/>\nAcho que sim. \u00c9 algo muito espec\u00edfico. N\u00e3o sei, a rela\u00e7\u00e3o entre um menino e sua m\u00e3e j\u00e1 \u00e9 algo bem carregado e muito particular. Mas era muito especial termos isso, essa conex\u00e3o pelo fato dos dois tocarem. Ela me encorajava e eu sempre tocava meio que para deix\u00e1-la orgulhosa. Quando o Faith No More fez sucesso, foi muito divertido \u2013 especialmente para ela, sabendo que tinha sido respons\u00e1vel por come\u00e7ar isso em mim e meio que me ajudado com isso. Ent\u00e3o era algo que compartilh\u00e1vamos: o sucesso do Faith No More tamb\u00e9m era o sucesso dela. Porque ela trabalhou muito para me fazer uma crian\u00e7a musical. Foi muito especial. E fez tudo parecer mais familiar, mais algo da fam\u00edlia.<\/p>\n<figure id=\"attachment_93373\" aria-describedby=\"caption-attachment-93373\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-93373\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/roddy4.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/roddy4.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/roddy4-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-93373\" class=\"wp-caption-text\"><em>O Faith no More em 2009, foto compartilhada por Roddy em seu Instagram<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea publicou recentemente algumas fotos suas no Faith No More, acho que eram de 2009, da \u00e9poca da reuni\u00e3o da banda, e disse que era tipo um passeio pelas suas mem\u00f3rias. Voc\u00ea ficou um pouco mais nost\u00e1lgico por causa do livro? Ou entrou em contato com o pessoal da banda e isso trouxe lembran\u00e7as?<\/strong><br \/>\nBom, como voc\u00ea disse antes, vi o Mike Bordin e o Billy em San Francisco. A gente sempre mant\u00e9m contato. Mas acho que voc\u00ea tem raz\u00e3o: por causa do livro, tenho pensado muito mais no passado \u2014 especialmente nas mem\u00f3rias do Faith No More. E \u00e9 uma jornada emocional. Muitas emo\u00e7\u00f5es v\u00eam \u00e0 tona. N\u00e3o tanto quando eu estava escrevendo, mas agora \u2014 depois de terminar, e estar falando sobre o livro, como nesta conversa com voc\u00ea, Luiz \u2014 \u00e9 muito emocional. Eu sempre sou puxado para o passado, para os traumas do passado \u2013 tamb\u00e9m para os \u00e1pices e os triunfos, mas principalmente os traumas. Estar em uma banda e chegar a um lugar de sucesso \u00e9 uma jornada muito longa e dif\u00edcil. Apenas muito, muito dif\u00edcil. E \u00e9ramos t\u00e3o jovens \u2014 isso nos desgastou muito. E no fim, quando terminamos, est\u00e1vamos num ponto em que praticamente nos odi\u00e1vamos. \u00c9 muita coisa. Uma jornada insana. \u00c9ramos melhores amigos \u2014 e depois de tanto trabalho, chegamos ao ponto de enlouquecer uns aos outros. Ent\u00e3o, todo o per\u00edodo desde come\u00e7ar a banda \u2014 eu e Billy \u00e9ramos melhores amigos quando \u00e9ramos adolescentes \u2014 at\u00e9 o fim, \u00e9 um per\u00edodo carregado de muito trauma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea menciona que eram muito jovens quando voc\u00eas chegaram ao auge, com o\u00a0\u201cThe Real Thing\u201d (1989)\u00a0e\u00a0\u201cAngel Dust\u201d (1992). Como foi tocar no Brasil e no Rock in Rio, especificamente em 1991? Imagino que tenha sido o maior show de voc\u00eas at\u00e9 ent\u00e3o \u2014 e a primeira vez na Am\u00e9rica do Sul \u2014 tocando com o Sepultura, Judas Priest, depois Guns N\u2019 Roses, com quem voc\u00eas tocaram juntos depois naquela turn\u00ea bizarra que voc\u00ea descreve no livro, ao lado do Metallica. Enfim, quais s\u00e3o suas lembran\u00e7as daquela primeira viagem ao Brasil?<\/strong><br \/>\nFoi fenomenal. Nunca t\u00ednhamos ido ao Brasil, e est\u00e1vamos acostumados a tocar em uma cidade nova e ter algo como um p\u00fablico de seis pessoas para nos ver. Mas no Rock in Rio: aquele lugar era o maior (est\u00e1dio) do mundo (Nota: O Maracan\u00e3, onde a segunda edi\u00e7\u00e3o do festival aconteceu, deixou de ser o maior est\u00e1dio do mundo nas d\u00e9cadas seguintes). E n\u00f3s tocamos logo antes do Guns N\u2019 Roses. Ent\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 o est\u00e1dio estava lotado, como tudo foi transmitido pela TV. Ent\u00e3o, da noite para o dia, todo mundo no Brasil todo sabia quem n\u00f3s \u00e9ramos. Foi uma loucura. E, al\u00e9m disso, eu amo tanto o Brasil. \u00c9 meu pa\u00eds favorito. Quando fui, me conectei imediatamente. Eu amei tanto. Acho que ter crescido em Los Angeles, com essa cultura de praia no seu corpo e depois ir para o Rio especificamente e sentir aquela combina\u00e7\u00e3o de praia, m\u00fasica, pessoas, foi muito libertador. Foi um lugar muito especial para n\u00f3s. Criamos uma conex\u00e3o intensa muito r\u00e1pido. Em parte, porque ficamos famosos muito rapidamente no Brasil \u2014 literalmente da noite para o dia. Mas tamb\u00e9m porque era psic\u00f3tico. Totalmente louco. Al\u00e9m das bandas que voc\u00ea mencionou \u2014 Sepultura, Judas Priest, mas o mix todo do festival tamb\u00e9m tinha nomes mais coloridos. O Prince estava l\u00e1. Eu conheci o Prince no Rio! O Deee-Lite estava l\u00e1. E eu amava o Deee-Lite, eles eram muito importantes para mim, por qualquer motivo. Era um circo musical insano que s\u00f3 refor\u00e7ava a magia do Rio e do Brasil. Sempre amei o Brasil desde ent\u00e3o. Ainda amo muito. \u00c9 maravilhoso.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Faith No More | Rock In Rio II (Maracan\u00e3) - Rio de Janeiro, RJ, BRA - January 20, 1991 (60 min.)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/ZWfIBujVbdQ?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>No livro, voc\u00ea tamb\u00e9m fala sobre a diferen\u00e7a entre estar no Faith No More e depois come\u00e7ar o Imperial Teen. Voc\u00ea diz que foi um processo f\u00e1cil \u2014 apontando que eles eram sua fam\u00edlia escolhida, Lynn e o resto da banda. Nesse sentido, voc\u00ea sentiu um tipo diferente de realiza\u00e7\u00e3o com\u00a0discos como \u201cSeasick\u201d (1996)\u00a0e \u201cOn\u201d (2002), alguns anos depois?<\/strong><br \/>\nSim, mas honestamente\u2026 n\u00e3o fomos uma banda bem-sucedida. N\u00e3o mesmo. O Imperial Teen n\u00e3o foi uma banda de sucesso. Foi meio que\u2026 uma mudan\u00e7a enorme, com certeza \u2014 sair do Faith No More e entrar no Imperial Teen. De repente est\u00e1vamos todos muito unidos, como fam\u00edlia, \u00e9ramos grandes amigos. Eu estava cantando \u2014 tinha um microfone e cantava as letras, algo que nunca tinha feito. E est\u00e1vamos cantando sobre temas bem queer. Era provocador e empolgante. Mas n\u00e3o tivemos sucesso. Olhando hoje, fizemos muito, fizemos coisas primeiro, fomos provocadores\u2026 ningu\u00e9m tinha feito aquilo antes. Era uma banda especial. Mas quando come\u00e7amos, ach\u00e1vamos que ficar\u00edamos famosos \u2014 e n\u00e3o ficamos. No livro eu digo que ganhamos um Grammy, que fizeram est\u00e1tuas nossas em um parque e que recebemos um pr\u00eamio dos gays dos Estados Unidos\u2026 Mas inventei tudo isso, estava sendo ir\u00f4nico. Porque existe uma pontinha de raiva em mim por n\u00e3o termos tido mais sucesso. Acho que est\u00e1vamos um pouco \u00e0 frente do nosso tempo.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Imperial Teen - Yoo Hoo (Rose McGowan).avi\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/UlCOW2F3kA4?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ali\u00e1s, voc\u00eas trabalharam com o <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2021\/05\/19\/entrevista-steven-mcdonald-redd-kross-melvins-off\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Steven McDonald<\/a>, do Redd Kross e <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/04\/14\/entrevista-buzz-osbourne-fala-sobre-o-novo-disco-do-melvins-thunderball-e-da-tour-com-o-napalm-death\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Melvins<\/a>, nos primeiros discos do Imperial Teen. Voc\u00ea j\u00e1 o conhecia de LA, quando ele ainda era um adolescente tocando punk\/hardcore no Redd Kross, ou o conheceu depois com o Faith No More?<\/strong><br \/>\nEu conheci o Steve quando \u00e9ramos bem jovens \u2014 ele devia ter uns 15 ou 16 anos, e eu talvez 19. Sim, eu o conheci em Los Angeles porque eu era um grande f\u00e3 do Redd Kross. E a Joan tamb\u00e9m, e a Lynn tamb\u00e9m \u2014 que era do Imperial Teen. \u00c9ramos todos amigos deles. E acho que ador\u00e1vamos o fato de que o Steve tinha come\u00e7ado muito cedo\u2026 Ele estava no Redd Kross com o irm\u00e3o desde os 11 anos. Ach\u00e1vamos isso t\u00e3o especial e t\u00e3o encantador. E isso combinava com a \u00e9tica do Imperial Teen \u2014essa coisa familiar, de irm\u00e3os na m\u00fasica, fazia sentido. E tamb\u00e9m ador\u00e1vamos que ele nunca tivesse produzido nada antes \u2014 isso era um b\u00f4nus pra gente. Legal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>No livro, voc\u00ea conta que lembra onde estava quando ouviu \u201cSmells Like Teen Spirit\u201d pela primeira vez \u2014 atravessando a Bay Bridge de carro em San Francisco. E menciona tamb\u00e9m o primeiro disco que ouviu \u2014\u00a0\u201cBridge Over Troubled Water\u201d (1970), do Simon &amp; Garfunkel. Ent\u00e3o queria que voc\u00ea me dissesse tr\u00eas discos que mudaram a sua vida \u2014 e por qu\u00ea eles fizeram isso. N\u00e3o precisam ser\u00a0os\u00a0\u00fanicos tr\u00eas, porque isso \u00e9 imposs\u00edvel \u2014mas tr\u00eas que te transformaram.<\/strong><br \/>\nN\u00e3o sei\u2026 deixa eu pensar um pouco. H\u00e1 uma banda, uma das minhas favoritas, chamada Sparks. E eles tinham um disco chamado\u00a0\u201cIndiscreet\u201d (1975)\u00a0\u2014 o Billy adorava tamb\u00e9m. Eu, minhas irm\u00e3s e meus vizinhos ouv\u00edamos o disco sem parar \u2014 ele mudou tudo. Eu o amava profundamente. Tamb\u00e9m acho que o primeiro disco do Kraftwerk (autointitulado, de 1970). Escutar Kraftwerk e entender o que os teclados podiam fazer, ouvir teclados t\u00e3o puros, na linha de frente da mixagem \u2014 isso mudou minha vida. E o disco\u00a0\u201c20 Jazz Funk Greats\u201d (1979), do Throbbing Gristle, abriu minha mente para o que o ru\u00eddo podia ser, e o que arte podia ser dentro da m\u00fasica. N\u00e3o era s\u00f3 m\u00fasica \u2014 era todo o pacote, a apresenta\u00e7\u00e3o, as personalidades. Era algo que eu nunca tinha visto antes. Isso mudou minha vida.<\/p>\n<figure id=\"attachment_93375\" aria-describedby=\"caption-attachment-93375\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-93375\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/sparks.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"250\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/sparks.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/sparks-300x100.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-93375\" class=\"wp-caption-text\"><em>Sparks, Kraftwerk e Throbbing Gristle<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00daltima pergunta. Voc\u00ea tem uma carreira de mais de 40 anos, com Faith No More, Imperial Teen, Man on Man e outros projetos. J\u00e1 produziu musicais, fez trilhas sonoras \u2013 e teve inclusive m\u00fasicas suas com o Faith No More que entraram em trilhas sonoras de novelas famosas aqui no Brasil nos anos 1990. Ent\u00e3o queria saber: do que voc\u00ea mais se orgulha, nesses quase 50 anos da sua hist\u00f3ria na m\u00fasica?<\/strong><br \/>\nBoa pergunta. Acho que para mim sempre \u00e9 o que fiz por \u00faltimo \u2014 e agora estou muito orgulhoso do livro. Porque era algo que eu nunca tinha feito. E exigiu muito de mim \u2014 dar esse passo no escuro, digamos. Foi assustador, vulner\u00e1vel\u2026 E enfrentar esse desafio foi muito recompensador. Musicalmente\u2026 voc\u00ea est\u00e1 perguntando musicalmente. N\u00e3o sei \u2014 muita coisa. Eu amo muita coisa. Normalmente, amo os primeiros discos de cada banda. Adoro o primeiro disco do Faith No More, porque \u00e9ramos perigosos, loucos, ca\u00f3ticos. E o primeiro do Imperial Teen: n\u00e3o sab\u00edamos o que est\u00e1vamos fazendo, gravamos r\u00e1pido, em uma semana. E tamb\u00e9m as primeiras m\u00fasicas que fiz com Joey, meu namorado, no Man on Man. Elas foram feitas durante um per\u00edodo emocional muito intenso: COVID, minha m\u00e3e morrendo, a m\u00e3e do Joey j\u00e1 tinha morrido\u2026E fizemos \u201cDaddy\u201d, eu amo essa m\u00fasica e a forma como ela nasceu. E tem mais, tem muita coisa. Eu amo o Crickets \u2014 a banda que tenho com JD Samson e Michael O\u2019Neill. \u00c9 um projeto do qual me orgulho demais. Acho que n\u00e3o tenho vergonha de nada, acho que me orgulho de quase tudo que fiz.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"MAN ON MAN - Daddy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/e6QhjdKmHCQ?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"CRICKETS ( FULL ALBUM )\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/ELgnXA5Rffg?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Faith No More - Everything&#039;s Ruined - Live Hellfest 2015\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/E501tXLX_AE?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Em papo exclusivo, tecladista e fundador do Faith No More fala sobre novo livro \u201cThe Royal We\u201d e relembra os primeiros dias da banda, em San Francisco, e o show hist\u00f3rico no Rock in Rio em 1991.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/01\/19\/entrevista-roddy-bottum-fala-sobre-biografia-a-importancia-do-teclado-no-faith-no-more-e-seu-amor-pelo-brasil\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":88,"featured_media":93376,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[1713],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/93369"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/88"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=93369"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/93369\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":93378,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/93369\/revisions\/93378"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/93376"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=93369"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=93369"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=93369"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}