{"id":93344,"date":"2026-01-16T02:10:26","date_gmt":"2026-01-16T05:10:26","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=93344"},"modified":"2026-02-22T11:19:39","modified_gmt":"2026-02-22T14:19:39","slug":"guilherme-arantes-apresenta-seu-novo-disco-interdimensional-faixa-a-faixa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/01\/16\/guilherme-arantes-apresenta-seu-novo-disco-interdimensional-faixa-a-faixa\/","title":{"rendered":"Guilherme Arantes apresenta seu novo disco, \u201cInterdimensional\u201d, faixa a faixa"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>texto de introdu\u00e7\u00e3o de\u00a0 <a href=\"https:\/\/twitter.com\/screamyell\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Marcelo Costa<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos \u00faltimos anos, um <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/guilhermearantesoficial\/?hl=pt-br\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Guilherme Arantes<\/a> verborr\u00e1gico surgiu nas redes sociais decidido a cobrar seu espa\u00e7o na hist\u00f3ria da m\u00fasica brasileira, ora contando como produziu um dos pilares do pop brasileiro dos anos 80, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/06\/23\/guilherme-arantes-relembra-como-produziu-perdidos-na-selva-da-gang-90\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">a cl\u00e1ssica \u201cPerdidos na Selva\u201d, da Gang 90<\/a>, ora relembrando momentos luminosos de sua carreira de esteta pop, ora buscando entender como alguns nomes do rock brasileiro foram al\u00e7ados ao posto de g\u00eanios enquanto ele foi escanteado (este \u00faltimo, um dos temas da longa conversa de 30 p\u00e1ginas que Guilherme teve conosco em 2021, texto presente no livro \u201c<a href=\"https:\/\/editorabarbante.com.br\/produtos\/eu-nem-queria-dar-entrevista-o-melhor-do-scream-yell-vol-1-d59kd\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Eu Nem Queria Dar Entrevista \u2013 O Melhor do Scream &amp; Yell, Vol. 1<\/a>\u201d).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Paralelamente, enquanto fazia esse balan\u00e7o pessoal da carreira, que chega aos 50 anos em 2026, Guilherme tamb\u00e9m vinha afiando a sua musicalidade: a partir de \u201cL\u00f3tus\u201d (2007) e, principalmente, do excelente \u201cCondi\u00e7\u00e3o Humana\u201d (2013), um Guilherme Arantes cada vez mais inspirado dava \u00e0s caras, interessado em um acerto de contas com (a cr\u00edtica, o p\u00fablico e) o mundo. O auge desse compositor e int\u00e9rprete ciente de seu dom se deu com o deslocado \u201cA Desordem dos Templ\u00e1rios\u201d (2021), um \u00f3timo disco de vi\u00e9s medieval e progressivo lan\u00e7ado no meio da pandemia, mas que parece n\u00e3o pertencer a esses tempos de trap, sertanejo universit\u00e1rio e proibid\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Agora, Guilherme Arantes apresenta \u201c<a href=\"https:\/\/vm.group\/interdimensional-do4-x\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Interdimensional<\/a>\u201d (2025), um disco que soa um resgate primoroso da fase mais popular da carreira do artista, quando era figurinha obrigat\u00f3ria nas AMs e FMs (e &#8220;dos elevador&#8221;) dos anos 80, pop e rom\u00e2ntico. Lan\u00e7ado em vinil duplo, CD e <a href=\"https:\/\/vm.group\/interdimensional-do4-x\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">j\u00e1 dispon\u00edvel em streaming<\/a>, \u201cInterdimensional\u201d re\u00fane 10 can\u00e7\u00f5es in\u00e9ditas (incluindo uma parceria com Nelson Motta) mais cinco regrava\u00e7\u00f5es de can\u00e7\u00f5es que Guilherme comp\u00f4s para Ala\u00edde Costa, Boca Livre, Claudette Soares e Gal Costa, e que agora ganham registro oficial em sua voz. Abaixo, ele\u00a0comenta faixa a faixa seu novo disco.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"A Vida Vale a Pena\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/EUN0iWzOf7A?list=OLAK5uy_lu9sdO23fpBu4eDatG9SOmk8dB7GRTdzA\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>01.\u00a0\u201cA Vida Vale a Pena\u201d<\/strong>\u00a0(Guilherme Arantes\/ Nelson Motta)<br \/>\nAo ouvir em primeira m\u00e3o \u201cO Prazer de Viver para Mim \u00c9 Voc\u00ea\u201d, meu parceiro Nelson Motta reconheceu uma linhagem: aquela que conecta Chopin (1810-1849), Debussy (1862-1918) e Tom Jobim (1927-1994), tendo o per\u00edodo \u00e1ureo do samba-can\u00e7\u00e3o e da bossa nova como matriz fundamental da minha forma\u00e7\u00e3o, mesmo quando a m\u00fasica que eu fazia se aproxima de uma vertente mais pop. Ali se renovou o desejo de uma nova parceria nossa. Muitos cl\u00e1ssicos do meu repert\u00f3rio nasceram dessa assinatura conjunta, em can\u00e7\u00f5es como \u201cCoisas do Brasil\u201d, \u201cMarina no Ar\u201d e \u201cEra uma Vez um Ver\u00e3o\u201d, entre outras. A saudade de voltar a compor com Nelsinho me levou a caprichar ainda mais na feitura da can\u00e7\u00e3o, escrita em janeiro de 2025. Assim surgiu a faixa que abre este novo \u00e1lbum: claramente chopiniana-jobiniana em sua simplicidade harm\u00f4nica e crom\u00e1tica, e rapidamente assumida como um novo cl\u00e1ssico da nossa parceria. Nelson entregou a letra em quest\u00e3o de dias. Ela traz um olhar retrospectivo sobre a vida, marcado por um \u201cotimismo realista\u201d e por uma vis\u00e3o madura do amor na convic\u00e7\u00e3o profunda de uma plenitude agregadora de todas as contradi\u00e7\u00f5es do viver e do sonhar rom\u00e2ntico. Um romance menos idealizado e mais real. \u00c9 uma balada cl\u00e1ssica vestida com simplicidade em piano, viol\u00e3o e cordas, com destaque para o coro de inspira\u00e7\u00e3o gospel no verso \u201cI believe in love\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>02.\u00a0\u201cNo Mel dos Seus Olhos\u201d<\/strong>\u00a0(Guilherme Arantes)<br \/>\nAs influ\u00eancias v\u00e3o do pop oitentista de Billy Idol, Brian Ferry e dos su\u00ed\u00e7os do Double \u00e0 MPB dos anos 90, numa ode \u00e0 revela\u00e7\u00e3o amorosa atrav\u00e9s do olhar. A curiosidade est\u00e1 num falso final que, aos 2 minutos e 20 segundos, separa a segunda parte do poema. Em tons \u201ccaetan\u00edsticos\u201d e \u201cbuarqueanos\u201d, aflora ali o del\u00edrio da letra, que exp\u00f5e o complexo desafio do cotidiano nas rela\u00e7\u00f5es amorosas. A escolha \u00e9 tamb\u00e9m uma provoca\u00e7\u00e3o \u00e0 l\u00f3gica do mercado radiof\u00f4nico, que imp\u00f5e \u00e0s can\u00e7\u00f5es uma dura\u00e7\u00e3o estritamente funcional. A pausa funciona como uma tenta\u00e7\u00e3o para que as r\u00e1dios interrompam a execu\u00e7\u00e3o, deixando o \u201cpapo cabe\u00e7a\u201d reservado aos ouvintes mais atentos. Uma brincadeira consciente de compositor. Destaques para o baixo de Milton Pellegrin e as guitarras de Alexandre Blanc.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>03.\u00a0\u201cMin\u00facias\u201d<\/strong>\u00a0(Guilherme Arantes)<br \/>\nEsta can\u00e7\u00e3o nasceu de uma crescente ang\u00fastia diante do olhar devassador com que o ambiente social, coletivo e digital atua. Ele acaba sendo, no dia a dia, um tribunal de constante e implac\u00e1vel julgamento sobre as escolhas individuais. A felicidade alheia, nesse tempo de vigil\u00e2ncia opressora das redes, parece sempre convocar adjetivos, julgamentos e opini\u00f5es. Uma (des)humanidade imag\u00e9tica que projeta e constr\u00f3i tudo a partir do olhar: olhares, c\u00e2meras e telas transformados em instrumentos de engano, desencanto e condena\u00e7\u00e3o. Diante disso, o amor e as rela\u00e7\u00f5es precisam resistir, seja aos olhares de desaprova\u00e7\u00e3o materializados em coment\u00e1rios e cr\u00edticas, seja \u00e0 inveja, seja ainda \u00e0 admira\u00e7\u00e3o exagerada, que beira o desejo incontido e o aliciamento \u00e0 trai\u00e7\u00e3o. Destaque para o trombone de Marlon Sette, que pontua a melodia e inaugura a can\u00e7\u00e3o com uma introdu\u00e7\u00e3o magistral.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>04. \u201cLibido da Alma\u201d\u00a0<\/strong>(Guilherme Arantes)<br \/>\nTraz um estilo h\u00edbrido de MPB com soul music brasileira que j\u00e1 visitei em can\u00e7\u00f5es que ficaram bastante conhecidas como \u201cPedacinhos\u201d, no in\u00edcio da d\u00e9cada de 80. E marca uma antiga afinidade com o estilo dos teclados de Lincoln Olivetti (1954-2015), dos arranjos de Biafra, Pr\u00eantice (1956-2005), Claudia Telles (1957-2020) e Banda Black Rio: uma linhagem nobre que soube misturar bossa nova com soul music. Mais um destaque para o baixo de Milton Pellegrin. O tom do canto foi cuidado para soar ao p\u00e9 do ouvido, inspirado na escola de Jo\u00e3o Gilberto (1931-2019) e a delicada emiss\u00e3o que ele ensinou ao mundo. Um cuidadoso aprendizado, uma aventura nova como int\u00e9rprete.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>05.\u00a0\u201cIntergal\u00e1ctica: Miss\u00e3o\u201d<\/strong>\u00a0(Guilherme Arantes)<br \/>\nBalada pop cl\u00e1ssica de vi\u00e9s c\u00f3smico-filos\u00f3fico, a can\u00e7\u00e3o \u00e9 uma declara\u00e7\u00e3o expl\u00edcita de amor que se expande at\u00e9 se tornar um di\u00e1logo com a Inst\u00e2ncia M\u00e1xima da Cria\u00e7\u00e3o. Iluminado por uma nova vis\u00e3o do Cosmos, possibilitada por instrumentos recentes e avan\u00e7os espetaculares da pesquisa cient\u00edfica, o Universo se revela em grandeza e complexidade ampliadas ao olhar fascinado e estupefato da humanidade. As dimens\u00f5es e dist\u00e2ncias inalcan\u00e7\u00e1veis do espa\u00e7o-tempo passam a expressar, cada vez mais, a pequenez humana. Mesmo assim, h\u00e1 uma esperan\u00e7a filos\u00f3fica no ponto em que Ci\u00eancia e Espiritualidade convergem. Uma epifania recente: a vida inteligente pode ser tamb\u00e9m uma recria\u00e7\u00e3o do Princ\u00edpio Criador de Tudo. Sou fascinado pelo princ\u00edpio ao qual damos o nome gen\u00e9rico de Amor. O mesmo Amor ao qual damos um nome gen\u00e9rico e teol\u00f3gico para explicar a Inst\u00e2ncia M\u00e1xima que Tudo Rege. O Princ\u00edpio fundador e final da Cria\u00e7\u00e3o, ao qual atribu\u00edmos o nome abrangente de Deus, seria algo que carregamos dentro de n\u00f3s. Talvez a\u00ed resida a chave para a liberta\u00e7\u00e3o da pequenez e da sensa\u00e7\u00e3o de insignific\u00e2ncia humanas. Ao conectar o esp\u00edrito ao Princ\u00edpio Criador, tudo se tornaria poss\u00edvel no espa\u00e7o-tempo. E talvez esse seja o segredo comum a todas as tradi\u00e7\u00f5es teol\u00f3gicas, uma esp\u00e9cie de meta-tecnologia que nos faria regentes do Todo. Destaque ao baixo de Willy Verdaguer e \u00e0 bateria de Gabriel Martini.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>06.\u00a0\u201cEnredo de Romance\u201d\u00a0<\/strong>(Guilherme Arantes)<br \/>\nEmbora meu nome tenha sido muitas vezes associado \u00e0 d\u00e9cada de 1980, minhas ra\u00edzes est\u00e3o mais profundamente fincadas nos anos 1970, com suas est\u00e9ticas, refer\u00eancias e iconografias pr\u00f3prias. Dentro deste novo \u00e1lbum, a vertente pop setentista se manifesta em \u201cEnredo de Romance\u201d, faixa de sonoridade \u201cvintage\u201d que combina influ\u00eancias evidentes de Steely Dan, Doobie Brothers, Rita Lee (1947-2023) e A Cor do Som, por exemplo. A grava\u00e7\u00e3o se apoia numa levada guiada por piano el\u00e9trico Wurlitzer e guitarras retr\u00f4, com destaque para o solo de Luiz S\u00e9rgio Carlini, justamente o guitarrista do Tutti-Frutti, que se insere entre as guitarras de acento latino de Blanc. Resultou em um pop brasileiro t\u00edpico: ensolarado, colorido de ver\u00e3o e repleto de percuss\u00e3o: congas, bong\u00f4s, chocalhos, reco-reco e cowbell.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>07.\u00a0\u201cO Prazer de Viver para Mim \u00c9 Voc\u00ea\u201d<\/strong>\u00a0(Guilherme Arantes)<br \/>\nComposta para Claudette Soares a partir de um convite de Marcus Preto, a can\u00e7\u00e3o visita um g\u00eanero cl\u00e1ssico da can\u00e7\u00e3o brasileira que, at\u00e9 ent\u00e3o, eu n\u00e3o tinha visitado como compositor. Acabou por se tornar um portal criativo, abrindo a janela para um universo m\u00e1gico de sonho, um sonho delicado de brasilidade moderna. A audi\u00e7\u00e3o recorrente de elementos basais dos anos 1950 e 1960, como Julie London (1926-2000), Chet Baker (1929-1988) e Jo\u00e3o Gilberto (1931-2019) se soma ao prazer de sentar ao piano para estudar e tocar Tom Jobim (1927-1994), Johnny Alf (1919-2010) e Jo\u00e3o Donato (1994-2023), mergulhando na riqueza do piano brasileiro, do samba-can\u00e7\u00e3o e da bossa nova que marcaram minha inf\u00e2ncia ainda no per\u00edodo pr\u00e9-Beatles. Havia ali algo de renascimento. Todo esse caldeir\u00e3o come\u00e7ou a ferver durante o hiato de 2024 e 2025, fase de longos recolhimentos dedicados \u00e0 composi\u00e7\u00e3o. A grava\u00e7\u00e3o deste \u00e1lbum marca o reencontro com o meu piano Steinway no estudio de Avila, agora conclu\u00eddo. A faixa, agora, foi remixada por Sylvia Massy com nova concep\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao single lan\u00e7ado em 2024 para manter unidade sonora com o restante do \u00e1lbum. O arranjo e a reg\u00eancia s\u00e3o de Jacques Morelenbaum e a grava\u00e7\u00e3o aconteceu nos est\u00fadios Biscoito Fino, no Rio de Janeiro.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-93346 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/capa-INTERDIMENSIONAL-1.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/capa-INTERDIMENSIONAL-1.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/capa-INTERDIMENSIONAL-1-300x300.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/capa-INTERDIMENSIONAL-1-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>08.\u00a0\u201cLuar de Prata\u201d<\/strong>\u00a0(Guilherme Arantes)<br \/>\n\u00c9 uma experi\u00eancia nova para mim: uma valsa brasileira cl\u00e1ssica, dentro da tradi\u00e7\u00e3o do piano brasileiro de Ernesto Nazareth (1863-1934). A melodia tem forte influ\u00eancia dos mestres Pixinguinha (1897-1973), Taiguara (1945-1996), Francis Hime e Chico Buarque, falando da passagem do tempo a partir do olhar da maturidade sobre a paix\u00e3o amorosa. Com arranjo em piano, cravo Zuckermann e cordas, traz ainda a participa\u00e7\u00e3o muito especial de M\u00f4nica Salmaso no canto. E ainda as cl\u00e1ssicas flautas de tradi\u00e7\u00f5es mel\u00f3dicas brasileiras de Teco Cardoso em um estilo Pixinguinha que homenageia um Brasil terno e delicado que resiste aos tempos modernos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>09.\u00a0\u201cSob o Sol\u201d\u00a0<\/strong>(Guilherme Arantes)<br \/>\nA faixa mais roqueira deste repert\u00f3rio, seguindo uma est\u00e9tica j\u00e1 presente em meus \u00e1lbuns &#8220;Condi\u00e7\u00e3o Humana&#8221; (2013) e &#8220;A Desordem dos Templ\u00e1rios&#8221; (2021), desta vez com um acento de bandas como o Led Zeppelin, Jethro Tull, Rush e muito de Peter Gabriel na fase solo. S\u00e3o refer\u00eancias seminais para mim. O guitarrista Luiz Sergio Carlini, o baixista Willy Verdaguer e o baterista Gabriel Martini d\u00e3o o aspecto de \u201cband rock\u201d para esta faixa, que versa sobre o paradoxo da humanidade diante da realidade qu\u00e2ntica do intra-universo em face do extra-universo de propor\u00e7\u00f5es descomunais, a natureza meramente energ\u00e9tica de toda subst\u00e2ncia: somos elos numa corrente imposs\u00edvel de se compreender.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>10.\u00a0\u201cO Espelho\u201d\u00a0<\/strong>(Guilherme Arantes)<br \/>\nA can\u00e7\u00e3o teve, a princ\u00edpio, o subt\u00edtulo \u201cDos Descartes\u201d. Parte da figura humana diante do espelho, diante do pr\u00f3prio envelhecimento: o processo gradual de se acostumar \u00e0 pr\u00f3pria metamorfose sem jamais perceber a trucul\u00eancia do tempo. H\u00e1 tamb\u00e9m a vis\u00e3o narc\u00edsica da autoimagem projetada como num espelho retrovisor, em que a vida e o mundo se tornam fugidios, vol\u00e1teis, reduzindo-se a um nada na estrada da exist\u00eancia. Musicalmente, trata-se de um eletropop cl\u00e1ssico, com influ\u00eancia mais evidente de Dave Stewart (Eurythmics) e Vince Clarke, meu \u00eddolo total. Ambos s\u00e3o cl\u00e1ssicos da m\u00fasica eletr\u00f4nica mundial e nobres inspira\u00e7\u00f5es. Participam da grava\u00e7\u00e3o Gabriel Martini (bateria) e o guitarrista norte-americano Scott Ackley (aka Mark James), radicado em Nova Friburgo (RJ). Sua presen\u00e7a resgata um elo hist\u00f3rico e afetivo: no in\u00edcio dos anos 1980, Scott participou das grava\u00e7\u00f5es de \u201cDeixa Chover\u201d e \u201cPlaneta \u00c1gua\u201d e do meu \u00e1lbum de 1982 (o que tem \u201cO Melhor Vai Come\u00e7ar\u201d e \u201cLance Legal\u201d, entre outras), marcando com suas guitarras uma sonoridade cl\u00e1ssica de hits na minha carreira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>11.\u00a0\u201cPuro Sangue<\/strong> (Libelo do Perd\u00e3o)\u201d\u00a0(Guilherme Arantes)<br \/>\nA \u00fanica faixa em [ritmo] 6\/8 do novo \u00e1lbum \u00e9 uma vers\u00e3o pessoal de uma composi\u00e7\u00e3o escrita especialmente para Gal Costa (1945-2002) e lan\u00e7ada por ela em 2016, no \u00e1lbum &#8220;A Pele do Futuro&#8221;. Na letra desta can\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m encomendada por Marcus Preto, \u00e9 abordada a intoler\u00e2ncia de costumes numa onda de radicaliza\u00e7\u00e3o da chamada \u201cguerra cultural\u201d, potencializada pelas redes sociais e expressa em anacronismos dogm\u00e1ticos. O resultado \u00e9 um poema em forma de manifesto. Trata-se, ali\u00e1s, da can\u00e7\u00e3o mais antiga deste repert\u00f3rio. No arranjo desta nova vers\u00e3o, destacam-se o violoncelo de Mario Manga e o cravo (harpsichord) Zuckermann, modelo Double-Flemish Ruckers, executado por Guilherme.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>12.\u00a0\u201cToda Felicidade\u201d\u00a0<\/strong>(Guilherme Arantes)<br \/>\nCan\u00e7\u00e3o foi lan\u00e7ada originalmente no \u00e1lbum mais recente do Boca Livre, &#8220;Rasgamundo&#8221; (2024) e outra encomenda de Marcus Preto, produtor daquele trabalho. Esta minha vers\u00e3o tem contrabaixo ac\u00fastico e bateria tocada com vassourinhas, imprimindo um delicado tom jazz\u00edstico de MPB a uma balada pian\u00edstica de atmosfera on\u00edrica, cuja letra especula a possibilidade de um reatamento amoroso. A guitarra semiac\u00fastica de Alexandre Blanc remete, propositalmente, \u00e0 sonoridade cl\u00e1ssica de Barney Kessel (1923\u20132004), figura fundamental na formula\u00e7\u00e3o do estilo da bossa nova nos anos 1950. Um fasc\u00ednio irresist\u00edvel para mim, que ainda era crian\u00e7a \u00e0 \u00e9poca, sob o impacto da chegada de um movimento revolucion\u00e1rio que colocaria o Brasil no centro da moda musical mundial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>13.\u00a0\u201c50 Anos-Luz\u201d\u00a0<\/strong>(Guilherme Arantes)<br \/>\n\u00c9 a faixa de acento mais progressivo de todo o \u00e1lbum: um tema instrumental de car\u00e1ter \u00e9pico, que destaca a banda de Guilherme \u2013 a mesma que estar\u00e1 nos palcos da turn\u00ea comemorativa que se aproxima e vai percorrer o Brasil em 2026. O importante da composi\u00e7\u00e3o est\u00e1 na solu\u00e7\u00e3o harm\u00f4nica de tons \u201cbrasilianistas\u201d, com influ\u00eancia de Heitor Villa-Lobos (1887-1959), mesclada \u00e0 natureza grandiloquente do rock progressivo. Essa s\u00edntese, ali\u00e1s, aponta para uma das marcas centrais do \u00e1lbum: o resgate da brasilidade na minha m\u00fasica, em uma dimens\u00e3o recorrentemente afetiva, num mundo e num momento de descaracteriza\u00e7\u00e3o e padroniza\u00e7\u00e3o mundial, impulsionadas pela conectividade irrevers\u00edvel e dominante. N\u00e3o por acaso, o \u00e1lbum tamb\u00e9m busca esse mesmo esp\u00edrito na dimens\u00e3o visual. Recorremos \u00e0 est\u00e9tica da azulejaria brasileira moderna como refer\u00eancia de design e estilo, presente nas artes gr\u00e1ficas e cer\u00e2micas de Alexandre Mancini (Minas Gerais), como mote est\u00e9tico para criar as fotografias leves e profundamente brasileiras de L\u00e9o Aversa. Um Guilherme Arantes brasileiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>14.\u00a0\u201cBerceuse\u201d\u00a0<\/strong>(Guilherme Arantes)<br \/>\nCan\u00e7\u00e3o de ninar composta em 2021 especialmente para a interpreta\u00e7\u00e3o de Ala\u00edde Costa no \u00e1lbum &#8220;O que meus Calos Dizem sobre Mim&#8221; (2022), produzido por Pupillo, Emicida e o amigo e produtor Marcus Preto. Foi uma experi\u00eancia muito marcante para mim por conta da ternura do tema. Ala\u00edde gravou com viol\u00e3o e outros instrumentos, j\u00e1 que a op\u00e7\u00e3o est\u00e9tica do \u00e1lbum era n\u00e3o ter piano. No meu \u00e1lbum, esta m\u00fasica vem embalada por meu piano e as cordas densas escritas e regidas por Jacques Morelenbaum, ao estilo de um \u201cromantismo tardio fin-de-si\u00e8cle\u201d com fortes influ\u00eancias harm\u00f4nicas do grande mestre Gabriel Faur\u00e8, uma paix\u00e3o absoluta para um compositor rom\u00e2ntico. Por fim, com o resultado magistral do arranjo de Jacques Morelenbaum, a refer\u00eancia mais forte nessa faixa acaba sendo a obra-prima \u201c\u00c1gua e Vinho\u201d de Egberto Gismonti: um marco na vida do Guilherme nos tempos da FAU-USP.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>15.\u00a0\u201cO Prazer de Viver para Mim \u00c9 Voc\u00ea\u201d\u00a0<\/strong>&#8211; instrumental\u00a0(Guilherme Arantes)<br \/>\nEncerrando o \u00e1lbum, resolvi publicar uma vers\u00e3o \u201ccinematogr\u00e1fica\u201d da melodia \u201cO Prazer de Viver para Mim \u00c9 Voc\u00ea\u201d, em que o ingrediente principal passa a ser o tempo. Um tempo que nos maltrata e aprisiona, mas que pode ser transformado por n\u00f3s em uma dimens\u00e3o fluida, propositalmente lenta, em oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 pressa onipresente do mundo. A inten\u00e7\u00e3o \u00e9 criar uma atmosfera de sonho e devaneio, \u00e0 semelhan\u00e7a dos temas pian\u00edsticos do chamado \u201ccinema de arte\u201d (especialmente o europeu), reflexivo e intenso na emo\u00e7\u00e3o, uma moda maravilhosa da arte mundial que tanto marcou minha adolesc\u00eancia nos anos 60 e 70. A faixa encerra o disco como um \u00faltimo del\u00edrio, uma epifania de amor, a saudade de um futuro que um dia se pintou no imagin\u00e1rio de um mundo talvez imposs\u00edvel, mas incontorn\u00e1vel na nossa emo\u00e7\u00e3o de viver.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-93347\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/GUILHERME-ARANTES-credito-Leo-Aversa-9-1.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"919\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/GUILHERME-ARANTES-credito-Leo-Aversa-9-1.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/GUILHERME-ARANTES-credito-Leo-Aversa-9-1-245x300.jpg 245w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p><em>\u2013 Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/screamyell\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">@screamyell<\/a>) \u00e9 editor do Scream &amp; Yell e assina a\u00a0<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Calmantes com Champagne<\/a>.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\u201cInterdimensional\u201d soa um resgate primoroso da melhor fase da carreira da artista, quando era figurinha obrigat\u00f3ria nas AMs e FMs dos anos 80, pop e rom\u00e2ntico\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/01\/16\/guilherme-arantes-apresenta-seu-novo-disco-interdimensional-faixa-a-faixa\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":2,"featured_media":93345,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[102],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/93344"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=93344"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/93344\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":93359,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/93344\/revisions\/93359"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/93345"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=93344"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=93344"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=93344"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}