{"id":9333,"date":"2011-08-03T10:29:23","date_gmt":"2011-08-03T13:29:23","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=9333"},"modified":"2016-09-09T17:23:27","modified_gmt":"2016-09-09T20:23:27","slug":"entrevista-com-giancarlo-rufatto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/08\/03\/entrevista-com-giancarlo-rufatto\/","title":{"rendered":"Entrevista com Giancarlo Rufatto"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-9334\" title=\"rufatto\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/08\/rufatto.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>p<\/strong><strong>or <a href=\"http:\/\/twitter.com\/noacapelas\" target=\"_blank\">Bruno Capelas<\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se Rob Fleming, o her\u00f3i do livro\/filme \u201cAlta Fidelidade\u201d, escrevesse can\u00e7\u00f5es, muito provavelmente elas soariam como o trabalho de Giancarlo Rufatto. \u201cMachismo\u201d, lan\u00e7ado virtualmente no ano passado, est\u00e1 repleto de hist\u00f3rias sobre esse novo tipo de personagem contempor\u00e2neo \u2013 o homem sens\u00edvel, com um p\u00e9 na adolesc\u00eancia e outro na imagina\u00e7\u00e3o, f\u00e3 de cultura pop e um tanto quanto imaturo. \u201cO \u00e1lbum era uma ode a falta de jeito do homem para com os relacionamentos\u201d, explica o cantor e compositor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Natural de Coronel Vivida, uma pequena cidade do sudoeste do Paran\u00e1 com cerca de 22 mil habitantes, Rufatto atualmente mora em Curitiba. Entretanto, ele n\u00e3o nega que sua origem influencia sua m\u00fasica e ser cita Leandro e Leonardo ao lado de Legi\u00e3o Urbana e Jeff Buckley como refer\u00eancias para sua forma\u00e7\u00e3o. Tal como Ryan Adams, um de seus her\u00f3is, ele tamb\u00e9m \u00e9 um compositor prol\u00edfico \u2013 de 2006 para c\u00e1, ele lan\u00e7ou nada menos que dez trabalhos, entre singles e discos inteiros, al\u00e9m da carreira com a Hotel Avenida, banda na qual dividia os vocais com Ivan Santos, do OAEOZ, e que encerrou suas atividades no \u00faltimo m\u00eas de maio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi durante a vinda da Hotel Avenida a S\u00e3o Paulo, para dividir um show com o Lestics na Livraria da Esquina, que Rufatto concedeu essa entrevista ao Scream &amp; Yell. Nela, al\u00e9m de falar sobre sua obra e suas influ\u00eancias, o artista tamb\u00e9m comentou sobre a cena de m\u00fasica independente, o revival dos anos 90 que come\u00e7a a pipocar aqui e l\u00e1 fora e tamb\u00e9m sobre como a Internet muda o seu modo de produzir m\u00fasica: \u201d\u00c9 bom porque \u00e9 plug-and-play: tu grava, e n\u00e3o demora muito tempo pra lan\u00e7ar. O tipo de m\u00fasica que eu quero fazer se encaixa direitinho nessa proposta\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Seus discos est\u00e3o liberados gratuitamente em seu blog (<a href=\"http:\/\/giancarlorufatto.blogspot.com\/\" target=\"_blank\">http:\/\/giancarlorufatto.blogspot.com\/<\/a>) com destaque para os dois singles recentes: \u201c2\u201d traz \u201cT\u00e3o Distante\u201d, &#8211; que segundo Rufatto conta, \u201cera uma daquelas (can\u00e7\u00f5es) que ficavam num caderninho, no arm\u00e1rio velho na casa da minha m\u00e3e\u201d &#8211; e uma vers\u00e3o de \u201cAndo S\u00f3\u201d, dos Engenheiros do Hawaii, elogiada por Humberto Gessinger. \u201c1\u201d foi um single de Dia dos Namorados e compila as faixas &#8220;Dramalh\u00e3o&#8221;, &#8220;\u00daltima Valsa (ou Valsinha)&#8221; e &#8220;33&#8221;, cover do Smashing Pumpkins. Ainda est\u00e3o l\u00e1 os \u00e1lbum \u201cMachismo\u201d (2010) e \u201c14 Can\u00e7\u00f5es\u201d (2008), entre outros. Com voc\u00eas, Giancarlo Rufatto.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-9336 aligncenter\" title=\"rufatto3\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/08\/rufatto3.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como \u00e9 para voc\u00ea tocar em S\u00e3o Paulo?<\/strong><br \/>\nEstou morrendo de medo, na verdade. Porque em Curitiba a gente meio que sabe fazer divulga\u00e7\u00e3o, sabe levar a galera, faz promo\u00e7\u00e3o, sabe encher um local. Aqui (em S\u00e3o Paulo) tem muita coisa acontecendo. Para sair no jornal&#8230; tem que ser amigo dos caras, e l\u00e1 em Curitiba, n\u00e3o. Voc\u00ea tem contato com todo mundo de jornal. Eu trabalho no SESC, e ent\u00e3o quando mando algo que vai rolar l\u00e1 tamb\u00e9m mando o meu. Aqui eu n\u00e3o conhe\u00e7o nada, cara. Sem falar que \u00e9 uma grana que vai pra tocar, sendo que m\u00fasica pra gente \u00e9 mais uma divers\u00e3o que outra coisa. Estou com medo mesmo, e o fato de estar resfriado hoje \u00e9 bem por causa disso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c9 engra\u00e7ado, porque tem certas coisas no teu trabalho que ou\u00e7o e falo: &#8220;Isso \u00e9 Curitiba&#8221;.<\/strong><br \/>\nCara, n\u00e3o acho que \u00e9 Curitiba. L\u00e1 mesmo n\u00e3o tem nenhuma banda que faz um som naquele esquema. Antigamente as bandas tinham aquele apre\u00e7o de fazer algo diferente, hoje em dia nem tanto. Aquele v\u00edcio do indie: &#8220;Ah, n\u00f3s somos assim mesmo e ponto, ent\u00e3o fazemos o que n\u00f3s queremos&#8221;. Em todo lugar tem disso &#8211; aqui em S\u00e3o Paulo mesmo tem bastante. E \u00e9 complicado: cada puta banda legal aqui, que o pessoal elogia e fala horrores, vai num show e toca para 30, 40 pessoas, e isso \u00e9 normal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Outro dia mesmo houve um show do Nevilton no SESC Vila Mariana e sa\u00ed correndo para comprar, achando que iria acabar. Cheguei l\u00e1 e num espa\u00e7o para cem pessoas tinha trinta&#8230;<\/strong><br \/>\nO Nevilton sofreu do mesmo mal l\u00e1 em Curitiba tocando no John Bull, que \u00e9 um lugar pra 400 pessoas. Tem que tocar&#8230; (mas) n\u00e3o \u00e9 porque a pessoa est\u00e1 na MTV que ela tem p\u00fablico. A MTV n\u00e3o significa mais nada hoje. J\u00e1 n\u00e3o significa h\u00e1 muito tempo. Dizer que o nosso som parece Curitiba? Hoje a banda que acho que mais parece Curitiba \u00e9 a Sabonetes, a Gentileza. Mas essas bandas, ao mesmo tempo, tamb\u00e9m parecem bandas de S\u00e3o Paulo ou do Rio. Tem o Charme Chulo tamb\u00e9m. N\u00e3o ser\u00e1 (que voc\u00ea acha que \u00e9 Curitiba) pelas m\u00fasicas que fa\u00e7o terem alguma refer\u00eancia \u00e0 cidade?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c9 mais por essas refer\u00eancias&#8230;<\/strong><br \/>\nEntendo, mas acho que, como can\u00e7\u00e3o, tento fazer alguma coisa o mais universal poss\u00edvel, sabe? Fa\u00e7o isso direto, e tipo, \u00e9 legal, mas acho que n\u00e3o se resuma s\u00f3 \u00e0 cidade (de Curitiba). \u00c9 uma refer\u00eancia \u00e0 cidade (de Curitiba), mas poderia ser qualquer cidade. A m\u00fasica que voc\u00ea est\u00e1 falando, &#8220;Curitiba, se voc\u00ea sorrir, te dou um doce&#8221;, \u00e9 o caminho de casa para o trabalho. Sei l\u00e1, eu achava que tinha que colocar um nome e acabei colocando, mas \u00e9 a \u00fanica. A gente tem muito mais um sotaque do que um som da regi\u00e3o. O sotaque acaba aparecendo mais quando a gente fala. O Sabonetes teve um pouco isso: eles meio que cortaram o sotaque. Acho que o sotaque \u00e9 a grande diferen\u00e7a em Curitiba.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Uma coisa muito bacana no teu disco \u00e9 voc\u00ea ter gravado em lo-fi, n\u00e3o se importando com a sujeira, ou a baixa qualidade. Por que isso?<\/strong><br \/>\nAcho que o tipo de m\u00fasica que quero fazer se encaixa direitinho nessa proposta. \u00c9 diferente gravar ao vivo, com som bonitinho, ou em casa, comigo gravando tudo. Em casa \u00e9 gravar, gravar, gravar, de um jeito legal. Se puder tocar tudo e gravar tamb\u00e9m, legal. Agora comprei um microfone caro \u2013 antes gravava com um microfone de R$ 10. Eu me orgulhava de ter gasto R$ 20 para gravar o \u201cMachismo\u201d. Gastei o qu\u00ea? Energia el\u00e9trica e internet. E comprei papel reciclado, para capinha ficar com cara de velha. Deu R$ 20 reais no total. Agora n\u00e3o. Tamb\u00e9m comprei um viol\u00e3o de doze cordas, um acordeom&#8230; para brincar de ser o Jeneci&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>Aquele texto que voc\u00ea escreveu sobre ele no teu blog \u00e9 sensacional&#8230;<\/strong><\/span><br \/>\nA gente trouxe o Jeneci para fazer um show, e eu estava empolgado, minha chefe tamb\u00e9m \u2013 ela j\u00e1 conhecia ele h\u00e1 muito tempo, quando ele ainda era m\u00fasico de apoio. E ent\u00e3o comprei um acordeonzinho de brinquedo, tem oito baixos para fazer tr\u00eas notas, assim, sabe? E sei l\u00e1, gravo na sala de casa, ou no quarto, e \u00e0s vezes, se tu aumentar o som das minhas grava\u00e7\u00f5es, d\u00e1 para ouvir as velhinhas l\u00e1 fora, porque moro num pr\u00e9dio que tem muitas velhinhas, e d\u00e1 para ouvir elas falando do outro lado da parede. \u00c9 porque o microfone \u00e9 muito bom.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><span style=\"color: #000000;\">Mas isso \u00e9 quest\u00e3o de est\u00e9tica, ou \u00e9 pressa de colocar as m\u00fasicas na internet&#8230;<\/span><\/strong><br \/>\nAs duas coisas. Tem uma necessidade de lan\u00e7ar, porque se n\u00e3o toco assim n\u00e3o sai. E tem a op\u00e7\u00e3o do som mesmo. Gosto muito do som de antigamente, anal\u00f3gico. Comprei um iPad agora para brincar, mas n\u00e3o \u00e9 muito a minha praia. \u00c9 digital, muito tecnol\u00f3gico. E gosto de som assim mesmo. Se der para gravar bem, com est\u00fadio&#8230; mas em casa crio um arranjo na hora, e se ficar legal, beleza. Tem umas coisas que d\u00e1 pra voc\u00ea fazer em casa que \u00e9 muito dif\u00edcil fazer em est\u00fadio, pelo menos Curitiba n\u00e3o tem isso: algu\u00e9m que tope fazer isso aqui (estala os dedos) durante uma m\u00fasica inteira. Ou que pegue uma madeira e fique batendo no ch\u00e3o, feito um bumbo. N\u00e3o tem ningu\u00e9m que tenha essa proposta. E consigo fazer em casa: tenho vergonha de fazer na frente dos outros porque \u00e9 feio, e em casa fa\u00e7o muito bem. S\u00f3 que com banda n\u00e3o tem que fazer isso. Banda \u00e9 banda e acabou. N\u00e3o tem que ficar fazendo um surdo durante cinco minutos. O [Thiago] Pethit, num show em Curitiba, convidou uma percussionista e ela passou o show inteiro tocando bumbo, batendo palminha e tocando um tonzinho. Acho muito foda fazer isso. N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, sabe? Mas quem \u00e9 que vai fazer? Imagino que em S\u00e3o Paulo, ou no Rio, os produtores consigam achar pessoas que fa\u00e7am isso, mas em Curitiba n\u00e3o tem. \u00c9 plug-and-play: tu grava, e demora muito tempo pra lan\u00e7ar. Minha vida \u00e9 tocar na rua, nas pra\u00e7as de Curitiba, no metr\u00f4.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><object width=\"605\" height=\"200\" classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"allowscriptaccess\" value=\"always\" \/><param name=\"src\" value=\"http:\/\/player.soundcloud.com\/player.swf?url=http%3A%2F%2Fapi.soundcloud.com%2Fplaylists%2F902305&amp;\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"605\" height=\"200\" src=\"http:\/\/player.soundcloud.com\/player.swf?url=http%3A%2F%2Fapi.soundcloud.com%2Fplaylists%2F902305&amp;\" allowscriptaccess=\"always\" \/><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A Apanhador S\u00f3 est\u00e1 fazendo uma coisa assim&#8230;<\/strong><br \/>\nPoxa, isso \u00e9 legal pra caramba! E o disco deles \u00e9 muito acess\u00edvel, as letras s\u00e3o bem populares, ent\u00e3o isso funciona para qualquer pessoa. Eu mesmo tento fazer m\u00fasica que a minha m\u00e3e goste&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E ela gosta?<\/strong><br \/>\nHoje ela gosta. Antes odiava. Eu tinha um projeto chamado Lo-Fi Dreams, indiez\u00e3o, cheio de guitarras shoegaze, e ela odiava. N\u00e3o dava para entender nada. Agora n\u00e3o: ela ouve, diz que n\u00e3o gosta das m\u00fasicas porque fico zombando de Deus, mas \u00e9 isso que \u00e9 legal. O lo-fi permite essas coisas. Trabalho no SESC, ent\u00e3o segunda-feira n\u00e3o tem expediente. Fa\u00e7o o qu\u00ea? Fico em casa, plugo o microfone novo e fa\u00e7o alguma coisa. Nas duas \u00faltimas semanas gravei um cover do Smashing Pumpkins de tarde, e coloquei \u00e0 noite no Soundcloud. No outro dia gravei uma m\u00fasica nova, demo. Comecei a ouvir umas coisas diferentes, hardcore, a cena de S\u00e3o Francisco, meio barulhenta. Adoro o Gaslight Anthem, de Nova Jersey: eles pegaram a veia do Bruce Springsteen e a veia do hardcore e juntaram numa s\u00f3, e ficou muito bom.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A ideia \u00e9 ficar em Curitiba e de fez em quando sair pra algum lugar?<\/strong><br \/>\n\u00c9 por a\u00ed mesmo. N\u00e3o tenho mais a pira do Nevilton de sair no Fiat Uno deles e ir tocar no Brasil inteiro. Hoje em dia, por ter muita banda tocando, todo mundo tem um apre\u00e7o&#8230; as pessoas tentam fazer as coisas bonitinhas, para chamar a aten\u00e7\u00e3o. Trabalhar com cultura \u00e9 foda, n\u00e9. Ent\u00e3o tu recebe um monte de release por semana, de banda que n\u00e3o sabe escrever sobre si mesma, ou descrever o que toca, ou que sabe tocar e gravar, mas n\u00e3o sabe dar uma entrevista, falar sobre influ\u00eancias ou sobre outras bandas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O nome do teu disco \u00e9 \u201cMachismo\u201d, mas v\u00e1rias can\u00e7\u00f5es mostram personagens sentimentais, rom\u00e2nticos e tal. Como tu v\u00ea a figura do macho hoje em dia?<\/strong><br \/>\n\u201cMachismo\u201d \u00e9 uma piada sobre sentimentalismo masculino, sobre a mulher ter ficado durona e os caras ficarem sentimentais. O Brasil, por exemplo, fabrica um Jeneci para cada dez Maria Gad\u00fa. O \u00e1lbum era uma ode a falta de jeito do homem para com os relacionamentos. \u201cMachismo\u201d n\u00e3o se resume a mim. Existem muitos (outros) homens da minha vida: meu pai de cria\u00e7\u00e3o, meu pai de sangue, meu av\u00f4, etc. S\u00e3o musicas sobre eles e sobre a forma antiga de ver as coisas, \u201csaudando os tempos \u00e1ureos da heterossexualidade\u201d \u2013 como dizia uma comunidade do Orkut.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Algumas pessoas come\u00e7aram a tocar m\u00fasica que todo mundo fala que \u00e9 brega. A Ti\u00ea gravou Calcinha Preta, o Letuce tocando S\u00f3 Pra Contrariar e Ra\u00e7a Negra&#8230;<\/strong><br \/>\nAh, mas o Letuce faz isso h\u00e1 um temp\u00e3o, cara! A Let\u00edcia, ela faz isso desde 2008, 2009. A gente come\u00e7ou agora&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E ent\u00e3o voc\u00ea regrava Leandro e Leonardo, \u201cN\u00e3o Aprendi Dizer Adeus\u201d&#8230;<\/strong><br \/>\nA Hotel tamb\u00e9m fez (fazia) &#8220;Nuvem de L\u00e1grimas&#8221;, e eu tinha gravado antes uma vers\u00e3o indie. H\u00e1 um monte de vers\u00f5es assim: &#8220;Chico Mineiro&#8221;, &#8220;Longa Estrada da Vida&#8221;&#8230; Na minha cabe\u00e7a, a ideia \u00e9 tocar coisas que marcaram a minha inf\u00e2ncia. Guns&#8217;n Roses, por exemplo. Ou Bon Jovi, essas vers\u00f5es diferentes. A gente andou ensaiando uma vers\u00e3o do Roxette esses dias. Fazer cover qualquer um faz, mas precisa ter uma cara \u2013 at\u00e9 para poder &#8220;estragar&#8221; a m\u00fasica dos outros&#8230;<\/p>\n<p><object width=\"605\" height=\"150\" classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"allowscriptaccess\" value=\"always\" \/><param name=\"src\" value=\"http:\/\/player.soundcloud.com\/player.swf?url=http%3A%2F%2Fapi.soundcloud.com%2Fplaylists%2F853729&amp;\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"605\" height=\"150\" src=\"http:\/\/player.soundcloud.com\/player.swf?url=http%3A%2F%2Fapi.soundcloud.com%2Fplaylists%2F853729&amp;\" allowscriptaccess=\"always\" \/><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>N\u00e3o ser s\u00f3 um cover&#8230;<\/strong><br \/>\n\u00c9 refer\u00eancia, sabe? Que as pessoas entendam que \u00e9 uma ironia. Mais ou menos o que a Let\u00edcia (do Letuce) fez com S\u00f3 Pra Contrariar e Ra\u00e7a Negra. \u00c9 legal pra caramba aquilo. No show, a galera n\u00e3o canta: grita a letra. E \u00e9 um showz\u00e3o. A mulher tem 1,90m, e essa m\u00fasica \u00e9 muito foda. Da\u00ed ela faz uns gestos, cria um clima com o namorado dela, que \u00e9 o guitarrista. Ela mostra exatamente isso que quero passar. O Jeneci tamb\u00e9m tem isso. Ele toca umas coisas meio bregas, que foram refer\u00eancia pra ele. Nem acho que \u00e9 uma tend\u00eancia. \u00c9 s\u00f3 uma gera\u00e7\u00e3o que est\u00e1 na casa dos 25 aos 35 anos e cresceu ouvindo FM, pegou o final dos anos 80 j\u00e1 ouvindo sertanejo, grunge, misturando tudo. \u00c9 meio assim: nos anos 90, o pessoal gravava coisas dos anos 70. Nos anos 2000 veio essa onda de tocar coisas da new wave&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tem uma frase do Scandurra que \u00e9 mais ou menos assim: a cada dez anos a gente percebe que aconteceu uma coisa muito legal a cada vinte anos.<\/strong><br \/>\nE \u00e9 legal isso, cara! Estou pensando seriamente em comprar uma guitarra para voltar a tocar grunge. As camisas xadrez j\u00e1 voltaram \u00e0 moda&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Uma amiga foi ao show do Teenage Fanclub e falou que o lugar estava cheio de hipsters, mas as pessoas que estavam l\u00e1 s\u00e3o as que usavam xadrez desde os anos 90&#8230;<\/strong><br \/>\nE \u00e9 engra\u00e7ado&#8230; o (Andr\u00e9) Barcinski escreveu um texto legal sobre as bandas que nunca acabaram, e justamente s\u00e3o \u00edcones, no caso do Teenage e do Mudhoney. Ele falou que elas emblemam a Inglaterra e os Estados Unidos daquela \u00e9poca. O Brasil mesmo n\u00e3o tem nenhuma banda que seria s\u00edmbolo dessa \u00e9poca&#8230; mas quem poderia ser? Mundo Livre S\/A? Pato Fu?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ah, mas nenhuma delas fez tanto sucesso assim para representar&#8230;<\/strong><br \/>\nNa\u00e7\u00e3o Zumbi? N\u00e3o sei&#8230; acho que Capital Inicial (risos). N\u00e3o consigo lembrar de nenhuma, mesmo. Sei l\u00e1, \u00e9 dif\u00edcil fazer sucesso. Acho que at\u00e9 conseguiria viver de m\u00fasica tocando para 100 pessoas todos os dias. Seria lindo. No resto do mundo voc\u00ea tem como fazer isso, mas aqui no Brasil n\u00e3o d\u00e1.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea estava falando de quando era crian\u00e7a&#8230; isso conta bastante tamb\u00e9m no que voc\u00ea faz?<\/strong><br \/>\nAcho que conta. Passei 2008 inteiro morando na casa da minha m\u00e3e \u2013 eu morava em Curitiba, surgiram uns problemas e voltei para o interior, Coronel Vivida. E foi o per\u00edodo que mais compus. At\u00e9 hoje tem coisa saindo que \u00e9 daquela \u00e9poca. Tem m\u00fasica sobre a minha m\u00e3e, o meu av\u00f4, a minha av\u00f3, mas n\u00e3o exatamente sobre eles. N\u00e3o s\u00e3o sobre mim, mas sobre um monte de gente. \u00c9 como fazer as pazes com as coisas que voc\u00ea renega. A cada tempo voc\u00ea \u00e9 obrigado a olhar pra frente, e pra conseguir ouvir uma coisa precisa renegar outra. Eu tive uma \u00e9poca que era s\u00f3 indie, indiez\u00e3o, e voc\u00ea se esquece de tudo, acha tudo uma merda. Voc\u00ea renega tudo que tem, depois voc\u00ea volta. \u00c9 como encontrar uma namorada antiga \u2013 tu n\u00e3o precisa voltar com a namorada, na verdade, s\u00f3 dar um oi, tomar um caf\u00e9, dizer que est\u00e1 tudo bem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Uma coisa assim meio &#8220;Alta Fidelidade&#8221;&#8230; aproveitando o mote, para encerrar: cinco discos e cinco m\u00fasicas que te fizeram tocar, ou que foram importantes para voc\u00ea, ou simplesmente que tu considera as melhores do mundo.<\/strong><br \/>\nDiscos? \u201cUse Your Illusion 1\u201d e \u201c2\u201d; \u201cCrossroads\u201d, do Bon Jovi, \u201cNo Code\u201d, do Pearl Jam, \u201cGrace\u201d, do Jeff Buckley e qualquer um da Legi\u00e3o, acho que \u201cO Descobrimento do Brasil\u201d. Daria para citar Leandro e Leonardo, mas n\u00e3o consigo lembrar qual disco. M\u00fasicas n\u00e3o saberia dizer. Gosto muito de &#8220;Long as I Can See The Light&#8221;, do Creedence, coisa da minha m\u00e3e. &#8220;Don&#8217;t Cry&#8221;, &#8220;I&#8217;ll Be There For You&#8221;, &#8220;Growing Up&#8221;, do Bruce Springsteen \u2013 a vers\u00e3o ac\u00fastica foi umas das primeiras que ouvi, \u00e9 importante, mas n\u00e3o mais que &#8220;Os Barcos&#8221;, da Legi\u00e3o, ou &#8220;Pinhal&#8221;, do Cidad\u00e3o Quem. Acho que n\u00e3o sei fazer listas sobre o passado.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-9335 aligncenter\" title=\"rufatto2\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/08\/rufatto2.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"445\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/08\/rufatto2.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/08\/rufatto2-300x220.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Download: baixe os \u00e1lbuns &#8220;Machismo&#8221;, &#8220;14 Can\u00e7\u00f5es&#8221; e &#8220;Cancioneiro 3&#8221; clicando nas capas:<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/giancarlorufatto.blogspot.com\/2010\/09\/machismo-album-release-sentimental-o.html\" target=\"_blank\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-9338\" title=\"machismo\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/08\/machismo.jpg\" alt=\"\" width=\"199\" height=\"199\" \/><\/a> <a href=\"http:\/\/www.mediafire.com\/download.php?indxnzgmzot\" target=\"_blank\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-9339\" title=\"14cancoes\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/08\/14cancoes.jpg\" alt=\"\" width=\"199\" height=\"199\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/08\/14cancoes.jpg 200w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/08\/14cancoes-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 199px) 100vw, 199px\" \/><\/a> <a href=\"http:\/\/www.mediafire.com\/download.php?m1ntzmwdklg\" target=\"_blank\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-9340\" title=\"cancioneiro\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/08\/cancioneiro.jpg\" alt=\"\" width=\"199\" height=\"199\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">*******<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">&#8211; Bruno Capelas \u00e9 estudante de jornalismo e assina o blog <a href=\"http:\/\/pergunteaopop.blogspot.com\/\" target=\"_blank\">Pergunte ao Pop<\/a><\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n&#8211; Ao vivo: Letuce e Marcelo Jeneci no CCBB-SP, por Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/03\/16\/ao-vivo-letuce-e-marcelo-jeneci\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Entrevista: Nevilton e Heitor Humberto, por Marcelo Costa e Tiago Agostini (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2010\/02\/21\/entrevista-do-mes-heitor-e-nevilton\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; CDs: Tired Pony, Gaslight Anthem e The Transatlantics, por Adriano Costa (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/01\/18\/tired-pony-the-gaslight-anthem-e-trans\/\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Ele grava seus discos em sua casa (em Curitiba), disponibiliza na internet e faz piada sobre o sentimentalismo masculino.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/08\/03\/entrevista-com-giancarlo-rufatto\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":14,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[1169],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9333"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/14"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9333"}],"version-history":[{"count":24,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9333\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":40097,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9333\/revisions\/40097"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9333"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9333"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9333"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}