{"id":93321,"date":"2026-01-14T00:50:22","date_gmt":"2026-01-14T03:50:22","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=93321"},"modified":"2026-02-05T00:23:19","modified_gmt":"2026-02-05T03:23:19","slug":"critica-afrika-gumbe-rola-sem-musgo-com-soro-energizado-seu-terceiro-disco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/01\/14\/critica-afrika-gumbe-rola-sem-musgo-com-soro-energizado-seu-terceiro-disco\/","title":{"rendered":"Cr\u00edtica: Afrika Gumbe rola sem musgo com &#8220;Soro Energizado&#8221;, seu terceiro disco"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>texto de <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/arthurdapievereal\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Arthur Dapieve<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cE tudo vem da m\u00fasica africana e por isso \u00e9 t\u00e3o excitante. H\u00e1 algo primal nisso no qual todos nos reconhecemos, porque somos todos africanos. Alguns de n\u00f3s apenas partiram e embranqueceram\u201d, disse Keith Richards. Estava se referindo especificamente ao blues, t\u00e3o caro aos Rolling Stones, mas a beleza das frases tanto celebra a origem comum quanto exp\u00f5e uma lacuna intrigante: o rock do qual Richard \u00e9 senhor ignora a m\u00fasica africana sem escala no Mississippi (ou em Memphis ou em Kingston). Da\u00ed o tanto que h\u00e1 para se celebrar em um novo \u00e1lbum do <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/afrikagumbe\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Afrika Gumbe<\/a>, \u201c<a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/intl-pt\/album\/5t6rARfSmAR5v8FnvxWC9f\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Soro Energizado<\/a>\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Afinal, nos pr\u00f3prios Stones, a m\u00fasica africana surge como eventual percuss\u00e3o e olhe l\u00e1. Caso de \u201cSympathy for the Devil\u201d, na qual Richards &amp; Jagger acreditavam emular um rito de umbanda&#8230; Nos EUA, p\u00e1tria do blues, h\u00e1 algo em Talking Heads e Vampire Weekend&#8230; Na Inglaterra? Traffic e&#8230; No rock do Brasil, houve o multinacional Obina Shok, de Bras\u00edlia, origem parcial, ainda, dos sincr\u00e9ticos Paralamas do Sucesso&#8230; Pois bem. O carioca Afrika Gumbe tamb\u00e9m se formou naquela d\u00e9cada mitol\u00f3gica e seguiu firme, sen\u00e3o na regularidade \u2013 j\u00e1 que \u201cSoro Energizado\u201d, <a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/intl-pt\/album\/5t6rARfSmAR5v8FnvxWC9f\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">que saiu em dezembro de 2025<\/a>, \u00e9 somente seu terceiro \u00e1lbum, sucessor de \u201cAfrika Gumbe\u201d (1989) e \u201cMeu Refr\u00e3o Inquieto\u201d (2010) \u2013 e sim na convic\u00e7\u00e3o de que a m\u00fasica do continente que lhe inspira o nome tem muito mais a dizer \u00e0 maior na\u00e7\u00e3o africana fora da \u00c1frica do que por interm\u00e9dio da percuss\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Afrika Gumbe se nutre dos riqu\u00edssimos ritmos e polirritmos, claro, mas tamb\u00e9m das melodias e das harmonias d\u2019\u00c1frica. N\u00e3o seria t\u00e3o aliciante se n\u00e3o fosse assim. Suas m\u00fasicas sempre grudaram no ouvido como o melhor pop. Afropop. Afrorock. Afrod\u00e9lico. H\u00e1 tanto para ouvir dentro de cada uma das nove faixas de \u201cSoro Energizado\u201d que um rec\u00e9m-convertido ir\u00e1 se surpreender quando perceber que o Afrika Gumbe \u00e9 um mero trio: Marcelo Lobato (voz, baixo, teclados, marimba, vibrafone, glockenspiel, hurdy gurdy, samples, percuss\u00e3o e bateria), Pedro Le\u00e3o (baixo e guitarra) e Marcos Lobato (vocais, baixo, guitarra, cavaquinho, banjo e bandolim). Trio acrescido de Z\u00e9 N\u00f3brega na guitarra em \u201cWifi Free\u201d.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-93322 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/afrika_gumbe.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/afrika_gumbe.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/afrika_gumbe-300x300.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/afrika_gumbe-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cWifi Free\u201d deve soar familiar: foi lan\u00e7ada como single em 2024, com participa\u00e7\u00e3o de Lenine (que tamb\u00e9m em dezembro <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/01\/05\/entrevista-sou-um-representante-da-mcb-a-musica-contemporanea-brasileira-avisa-lenine\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">lan\u00e7ou disco novo<\/a>, &#8220;EITA&#8221;). \u201cVida Rasteja\u201d e \u201cUma Vida S\u00f3\u201d tamb\u00e9m: ambas apareceram bem antes, noutras vers\u00f5es, claro, em \u00e1lbuns do O Rappa, grupo que, quando ativo, contava com os talentos dos Lobato Brothers. Atente, portanto, para a faixa de abertura e t\u00edtulo, \u201cSoro Energizado\u201d: na levada gostosa, h\u00e1 uma estrofe como \u201cArdil da serpente\/ \u00e9 deliciar-se com a presa\/ N\u00e3o somente devor\u00e1-la\/ Desejar \u00e9 f\u00e1cil tarefa\/ Cortejar \u00e9 suprema arte\u201d (as letras intrincadas s\u00e3o quase todas de Marcos, aqui tamb\u00e9m respons\u00e1vel pela pedal steel sutil que faz toda diferen\u00e7a). E preste aten\u00e7\u00e3o at\u00e9 a faixa final, \u201cTodas as Bobagens\u201d, de refr\u00e3o sedutor, sobre as guitarras se costurando: \u201cTodas as bobagens, todas utopias\/ Todas as mentiras, as patifarias\/ Todas as del\u00edcias ainda improv\u00e1veis\/ Toda a mal\u00edcia da mulher amada.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre uma e outra h\u00e1, obviamente, muito para se fruir, na variedade bem medida da instrumenta\u00e7\u00e3o. No entusiasmo das performances. No efeito dram\u00e1tico do poema \u2013 recitado por Ivan Santos, compositor paraibano, rec\u00e9m falecido \u2013 que encerra \u201cEsta\u00e7\u00e3o Espacial Lunar\u201d: \u201cNo pasto sentado espero\/ Meu tra\u00e7o, meu verbo\/ Aqui o verde me cerca (\u2026). Nos versos-porrada de Marcelo para \u201cVida Rasteja\u201d, versos que lembram que a cr\u00edtica social sempre fez parte da obra do Afrika Gumbe (assim como d\u2019O Rappa): \u201cResolver tudo do dia pra noite\/ Tudo de uma s\u00f3 vez\/ Uma vida inteira\/ Pegar na arma e mascarar o medo\/ Se come\u00e7ar foi f\u00e1cil\/ Dif\u00edcil vai ser parar.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dif\u00edcil, tamb\u00e9m, parar de ouvir \u201cSoro Energizado\u201d. O \u00e1lbum te enreda num universo pr\u00f3prio, fa\u00e7anha dos grandes artistas, que sabem o que querem. Em tempos em que a m\u00fasica se tornou mais et\u00e9rea do que nunca, impalp\u00e1vel nos servi\u00e7os de streaming, \u201cSoro Energizado\u201d oferece uma bela capa, um desenho do mesmo Tarso Pizzorno que fizera as capas de \u201cAfrika Gumbe\u201d e de \u201cMeu refr\u00e3o inquieto\u201d. O tri\u00e2ngulo Lobato-Le\u00e3o-Lobato \u00e9, basta ver e escutar, redondinho.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Ou\u00e7a o disco na integra abaixo<\/em><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Soro Energizado\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/videoseries?list=OLAK5uy_kParUGhMWI3HuAipJCca6GXleoOsdD-Hs\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><em>&#8211; <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/arthurdapievereal\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Arthur Dapieve<\/a> \u00e9 jornalista, professor e escritor.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O \u00e1lbum \u201cSoro Energizado\u201d te enreda num universo pr\u00f3prio, fa\u00e7anha dos grandes artistas, que sabem o que querem.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/01\/14\/critica-afrika-gumbe-rola-sem-musgo-com-soro-energizado-seu-terceiro-disco\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":76,"featured_media":93324,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[8058],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/93321"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/76"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=93321"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/93321\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":93326,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/93321\/revisions\/93326"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/93324"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=93321"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=93321"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=93321"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}