{"id":93316,"date":"2026-01-13T00:56:40","date_gmt":"2026-01-13T03:56:40","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=93316"},"modified":"2026-02-12T11:03:18","modified_gmt":"2026-02-12T14:03:18","slug":"conde-favela-sexteto-traz-experimentacoes-jazz-e-improvisos-diretamente-do-territorio-de-fuligem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/01\/13\/conde-favela-sexteto-traz-experimentacoes-jazz-e-improvisos-diretamente-do-territorio-de-fuligem\/","title":{"rendered":"Conde Favela Sexteto traz experimenta\u00e7\u00f5es, jazz e improvisos diretamente do territ\u00f3rio de fuligem"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista de\u00a0<a href=\"https:\/\/bsky.app\/profile\/villon.bsky.social\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Elsa Villon<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda fazia frio no ABC Paulista quando essa entrevista foi gravada, \u00e0s v\u00e9speras do lan\u00e7amento do EP \u201c<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/p\/DTNfiThFZyd\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Audacioso<\/a>&#8221; (2025), do <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/condefavela.sexteto\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Conde Favela Sexteto<\/a>, dando sequ\u00eancia aos lan\u00e7amentos em vinil. Definir o estilo do som do grupo \u00e9 uma tarefa \u00e1rdua, pois eles miram no jazz, mas passam at\u00e9 por refer\u00eancias de maracatu. A base, por\u00e9m, se inspira em movimentos inovadores do g\u00eanero: free jazz, bebop, postbop e hardbop.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Formado em 2009 com o nome vindo de um estudo gr\u00e1fico para um r\u00f3tulo de vinho, e os integrantes, Alex Dias (baixo ac\u00fastico), Edson Ik\u00ea (trompete e flugelhorn), Harleyburu (sax tenor e flauta), Luiz Eduardo \u201cTicha\u201d Galv\u00e3o (guitarra), Mabu Reis (trombone) e Rafael Cab (bateria), de diferentes partes do ABC Paulista, o Conde Favela vem ganhando espa\u00e7o fora do circuito do Grande ABC e segue na tend\u00eancia de lan\u00e7amentos de discos em vinil, ampliando os sons para al\u00e9m de playlists de players pagos de m\u00fasica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A materialidade da m\u00eddia f\u00edsica \u00e9 uma marca desde o princ\u00edpio da hist\u00f3ria discogr\u00e1fica do sexteto, com o lan\u00e7amento em vinil de &#8220;Temas Para Tempos de Guerra&#8221; (2020), um disco inspirado pela mitologia eg\u00edpcia, gravado, mixado e masterizado por Lu\u00eds Lopes no Est\u00fadio C4, em 2019. A edi\u00e7\u00e3o limitada a 300 c\u00f3pias est\u00e1 esgotada e quem quiser uma, vai ter que comprar usada por algumas centenas de reais. \u201cABCguetojazz&#8221;, segundo vinil da banda, foi lan\u00e7ado em 2024. A ode ao territ\u00f3rio de fuligem, vulgo ABC Paulista, conta com capta\u00e7\u00e3o e mixagem de Mag\u00ed Batalla, no Est\u00fadio U e masteriza\u00e7\u00e3o de Fernando Sobreira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O final de 2025 contou com um compacto especial: \u201cAudacioso&#8221;, EP com duas faixas que marcam a parceria dos selos Made in Quebrada Discos, Pindorama Discos e Lado 2 Discos. A faixa \u201cNublado&#8221;, do segundo \u00e1lbum, ganha sua vers\u00e3o em jazztrap, com novos arranjos, texturas e scratches no remix de DJ B8. J\u00e1 a segunda faixa, \u201cEs\u00f9\/Z\u00e9 Trocado, Z\u00e9\u201d, \u00e9 uma su\u00edte gravada ao vivo em duas partes, mixada e masterizada no est\u00fadio Giraffa Neon, de Alex Dias. O tema foi composto por Luiz Eduardo Galv\u00e3o com desenvolvimento coletivo. As duas faixas permanecem in\u00e9ditas em streaming, ao menos por enquanto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Novamente limitada a 300 c\u00f3pias, quem quiser garantir sua c\u00f3pia com as duas faixas in\u00e9ditas <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/condefavela.sexteto\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">precisa correr<\/a>. Abaixo, Edson Ik\u00ea fala sobre o disco.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-93317 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/condefavela.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"453\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/condefavela.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/condefavela-300x181.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Conde Favela Sexteto surgiu em 2009, s\u00e3o 16 anos de estrada a\u00ed. O que mudou de l\u00e1 para c\u00e1?<\/strong><br \/>\nA ideia que deu origem ao Conde Favela surgiu bem antes, eu participei do coletivo Afro, em que sempre tivemos esse desejo de aprofundar mais as linguagens, principalmente na m\u00fasica instrumental e na linguagem do jazz. Come\u00e7amos com uma banda e ela acabou se dissolvendo, mas decidimos continuar, acompanhando MCs e come\u00e7amos a tocar temas, na verdade, standards que n\u00f3s gost\u00e1vamos. Passamos a tocar como um laborat\u00f3rio na primeira forma\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m com samba jazz e J.T. Meireles.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nosso som tinha a ver com esse resgate, essa m\u00fasica que tem endere\u00e7o aqui no Brasil, principalmente nas vertentes que gostamos, uma rela\u00e7\u00e3o muito forte com a m\u00fasica brasileira, principalmente essa bossa-nova turbinada, j\u00e1 um p\u00f3s bossa-nova, v\u00e1rias produ\u00e7\u00f5es de m\u00fasica brasileira que extrapolaram os g\u00eaneros: funk, soul. Come\u00e7amos da\u00ed, mas depois decidimos parar de tocar temas e criar as nossas pr\u00f3prias composi\u00e7\u00f5es. At\u00e9 gostamos, mas o projeto nasceu desse laborat\u00f3rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E de onde veio o nome?<\/strong><br \/>\nEu cruzo linguagens e trabalho com artes visuais, al\u00e9m da m\u00fasica. Tinha feito um estudo para um r\u00f3tulo de vinho e batizado de \u201cConde Favela\u201d. O Raph\u00e3o Alaafin, que \u00e9 rapper, achou o nome legal e acabamos adotando-o, porque ficou interessante. Mas isso foi pensando tamb\u00e9m para relacionar como um personagem, um sambista antigo, um jazzista antigo, elegante, de uma eleg\u00e2ncia que n\u00e3o \u00e9 mediada pelo dinheiro, mas de esp\u00edrito. E \u00e9 uma rela\u00e7\u00e3o com a nossa hist\u00f3ria, venho de origem perif\u00e9rica em S\u00e3o Bernardo do Campo, no Arei\u00e3o, ABC, os outros m\u00fasicos tamb\u00e9m v\u00eam do ABC.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Algum marco espec\u00edfico ao longo dessa trajet\u00f3ria?<\/strong><br \/>\nUma coisa que foi chave \u00e9 a grava\u00e7\u00e3o do nosso primeiro disco! Foi uma grande mudan\u00e7a, pensando na banda como est\u00e9tica, ainda mais nesse contexto de m\u00fasica instrumental, que \u00e9 muito segmentada. Acaba sendo uma coisa nichada, tem a ver com um certo tipo de elitismo que tentamos ao m\u00e1ximo desconstruir com esse tipo de som, contextualizando-o em uma perspectiva nossa. Foi algo que acabamos fazendo na brincadeira e foi uma virada de chave, mas que foi importante para firmar algum tipo de identidade e entender a improvisa\u00e7\u00e3o como algo central, importante, decisivo, com teor est\u00e9tico e pol\u00edtico, pensando em uma m\u00fasica negra dentro do contexto comercial. Da\u00ed veio a grava\u00e7\u00e3o de \u201cTemas para tempos de guerra\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tivemos sorte em encontrar o Edivaldo, fomos tocar em uma feira do vinil e o Edivaldo tinha uma loja, vendia vinis e nos chamou para fazer uma parceria com o selo Made in Quebrada. Foi uma coisa meio anacr\u00f4nica, gravar um primeiro disco antes de lan\u00e7ar. Tivemos um zelo, foi gravado em est\u00fadio profissional, com equipamentos vintage, como que ao vivo, como coisas do hard bop, free jazz, g\u00eaneros que gostamos. Foram lan\u00e7adas 300 c\u00f3pias e est\u00e1 esgotado, foi algo quase artesanal, l\u00e1 em 2020.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Za\u00edra 13\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/rv0HyWNLtZo?list=OLAK5uy_l4CjFgmoJROsHoM1casNySwneXUXlgx5s\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Jogaram no modo hard, n\u00e9?<\/strong><br \/>\n\u00c9, e na pandemia o Festival Novos Motores, deu um edital e envolveu muita produ\u00e7\u00e3o, um material bem legal das bandas, artistas aqui da regi\u00e3o, e isso \u00e9 bem significativo, pela forma como transitamos e fazer um di\u00e1logo global com a m\u00fasica instrumental. \u00c9 um tipo de produ\u00e7\u00e3o que n\u00e3o est\u00e1 t\u00e3o conectada assim, ent\u00e3o essas a\u00e7\u00f5es meio globais no contexto do jazz criam uma identidade local. Estamos surfando um pouco nessa onda agora, porque n\u00f3s nos sedimentamos tamb\u00e9m nessa produ\u00e7\u00e3o do grande ABC que vem despontando. Acredito que precisa chamar mais aten\u00e7\u00e3o, talvez ser mais valorizada. Porque se espera, acho que ainda mais no ABC que tem essa caracter\u00edstica mais de cidade dormit\u00f3rio, mas produz coisas e que circula, muitas vezes n\u00e3o no local de onde somos nativos, mas tem um puta potencial para ser polo cultural. A regi\u00e3o merece, tanto do ponto de vista de incentivos, como de um olhar dos poderes p\u00fablicos e privados tamb\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A bio <a href=\"https:\/\/condefavela.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">no site oficial<\/a> diz o seguinte: &#8220;Para resgatar temas de jazz e samba jazz inspirados por movimentos inovadores do g\u00eanero: free jazz, bebop, postbop e hardbop\u201d. Falando para o povo, quais influ\u00eancias e artistas voc\u00eas destacariam?<\/strong><br \/>\n\u00c9 um tipo de quest\u00e3o dif\u00edcil, porque existe uma disputa de audi\u00eancia. Penso que para fruir a arte, tem uma frase que acho mais simples e \u00e9 muito legal, que \u00e9 o seguinte: \u201cSaber \u00e9 sabor\u201d. \u00c0s vezes as pessoas n\u00e3o t\u00eam acesso a esse tipo de coisa, acho dif\u00edcil ouvirem o Conde Favela e se identificarem logo de cara se n\u00e3o t\u00eam acesso \u00e0s refer\u00eancias. N\u00e3o estou dizendo que a pessoa precisa ser iniciada, mas \u00e9 preciso que ela tenha a sensibilidade de entender a diferen\u00e7a de uma flauta para um violino. Isso passa pela educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica e por coisas que est\u00e3o longe das nossas possibilidades. Isso vai depender do contexto da pessoa, do repert\u00f3rio dela. Mas se \u00e9 um perfil mais popular assim, acho que vai ser dif\u00edcil, at\u00e9 pela disputa mesmo que vemos, o g\u00eanero no Brasil \u00e9 o sertanejo universit\u00e1rio e \u00e9 s\u00f3 isso. Mas acho que, no geral, temos um povo bem musical, sem especializar a audi\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Outro trecho mencionado \u00e9 \u201cdo som \u00e1spero ao espiritual\u201d. Quais voc\u00ea considera o som mais \u00e1spero e qual voc\u00ea considera o mais espiritual?<\/strong><br \/>\nEssa \u00e9 uma pergunta da hora. O \u00e1spero, por exemplo, no nosso primeiro disco, (j\u00e1 est\u00e1 no) pr\u00f3prio t\u00edtulo, \u201cTemas Para Tempos de Guerra\u201d. Tem coisas que reunimos no nosso som que transcendem. Participei h\u00e1 algum tempo, n\u00e3o s\u00f3 eu, mas o Buruga, o pr\u00f3prio Ticha, de improvisa\u00e7\u00e3o livre. Ent\u00e3o essa aspereza, talvez, seja\u00e9 dos sons n\u00e3o domesticados, de um tipo de sonoridade que n\u00e3o segue sempre as mesmas progress\u00f5es, as mesmas harmonias. Buscamos sermos livres e fazer aquilo que o presente e que a circunst\u00e2ncia com as energias e com o momento nos proporcionam. \u00c9 desde um som l\u00edmpido mais bonito e angelical ou mais ou mais estridente, talvez considerado feio, mais livre. Acho que talvez essa coisa agressiva, esse som \u00e1spero, \u00e9 nesse lugar da liberdade e de romper padr\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea n\u00e3o falou do som mais angelical, mencionaria algum? Cad\u00ea os sons mais espirituais?<\/strong><br \/>\nTemos nossas refer\u00eancias, muito a ver com o spiritual jazz. Por exemplo, tem coisas de arranjos que levam para esse lugar. \u00c9 sempre um trampo, um trabalho de contraste, da trucul\u00eancia com suavidade, da suavidade com aspereza e \u00e0s vezes d\u00e1 certo, \u00e0s vezes n\u00e3o, porque estamos improvisando. \u00c9 nesse sentido espiritual, de entender que continua, ainda mais com n\u00f3s sempre nos cobrando tanto. Assim de: \u201cAi, caramba, errei\u201d, mas cheguei \u00e0 conclus\u00e3o de que eu vou errar para caramba, porque se erro bastante, tenho mais margem de acertar tamb\u00e9m. Se eu n\u00e3o fizer nada, nem vou errar e nem vou acertar, ent\u00e3o prefiro estar no erro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00eas j\u00e1 tocaram em in\u00fameros lugares. Algum ou alguns voc\u00eas destacariam nessa trajet\u00f3ria a\u00ed? Algum show que voc\u00ea falou: &#8220;Nossa, \u00e9 esse&#8221;. Ou alguns, n\u00e9? Pode ser mais de um.<\/strong><br \/>\nDif\u00edcil falar assim, mas acho que tocar no (Centro Cultural) Dona Leonor, no Festival Jazz \u00e0s Margens, (em Mau\u00e1), foi significativo. Est\u00e1vamos falando dessa coisa de elitizar. Ent\u00e3o sempre foi uma tentativa nossa de fazer circular pelo menos essa linguagem de forma mais popular. Agora, \u00e9 da hora tocar no Sesc, com estrutura, aparelhagem, \u00e9 bom. Mas \u00e0s vezes tocar \u00e9 meio hardcore assim tamb\u00e9m, contato direto \u00e9 importante tamb\u00e9m com o p\u00fablico.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Abcguetojazz\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/videoseries?list=OLAK5uy_nypR50NI9QkgTA-JbwJisZ8iG9UtKrZCU\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quais foram as principais diferen\u00e7as entre \u201cTemas Para Tempos De Guerra\u201d para \u201cABCGuetoJazz\u201d. Fala um pouquinho sobre cada um.<\/strong><br \/>\nVou responder por mim, porque isso \u00e9 muito pessoal. Cada um vai dizer alguma coisa. Como a minha experi\u00eancia tamb\u00e9m \u00e9 de produzir o disco, tem coisas que eu gostei e os caras n\u00e3o gostaram e isso \u00e9 uma negocia\u00e7\u00e3o coletiva. Ent\u00e3o existe sempre essa diferen\u00e7a. Agora quanto a uma evolu\u00e7\u00e3o, eu pessoalmente acho que rolaram v\u00e1rios aprendizados. Desde tocar desafinado no \u201cABC Gueto Jazz\u201d e experimentando o trompete que eu tinha acabado de comprar e j\u00e1 botei para gravar. Essas maluquices que a gente faz. E, para mim, isso soou como um aprendizado, no pr\u00f3ximo disco talvez eu n\u00e3o fa\u00e7a desse mesmo jeito. Por outro lado, aprendi sobre mixagem e edi\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o n\u00f3s tivemos que editar o vinil por conta do limite de tempo, acho que s\u00e3o entre 18 e 21 minutos por lado, passou de 20 j\u00e1 come\u00e7a a ficar ruim (a qualidade).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na edi\u00e7\u00e3o eu n\u00e3o iria cortar o solo do meu amigo, ent\u00e3o cortei o meu, j\u00e1 que ia ter que sacrificar. N\u00e3o que eu adorasse o meu solo, mas \u00e9 o tipo de coisa que tive de fazer. At\u00e9 hoje fico sentido com as coisas que tive que fazer, op\u00e7\u00f5es para as coisas acontecerem. Toda a arte tem isso, dores e del\u00edcias. Comparado ao primeiro disco, tivemos uma mudan\u00e7a: gravamos na mesma sala, mas est\u00e1vamos separados. Ent\u00e3o teve o trabalho do engenheiro de som, dos volumes, coisa que no primeiro disco, gravamos tudo em uma sala s\u00f3, tudo junto, ao vivo. Ali n\u00e3o tinha como dar retoques, mas nesse tamb\u00e9m n\u00e3o fizemos retoques, s\u00f3 mesmo a edi\u00e7\u00e3o. A introdu\u00e7\u00e3o precisava caber no vinil, ent\u00e3o existiu um trampo de edi\u00e7\u00e3o que, para mim, foi um aprendizado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Alex fala do timbre de baixo que ficou muito bom. O Mag\u00ed Batalla \u00e9 um produtor espanhol que entende a linguagem do jazz, ele tamb\u00e9m \u00e9 guitarrista. Isso faz muita diferen\u00e7a, pelo olhar que ele teve com a banda. Foi muito legal. O primeiro est\u00fadio tamb\u00e9m, mas acho que o Magi teve mais ouvido de m\u00fasico, porque o repert\u00f3rio tamb\u00e9m vem da\u00ed, das pessoas que trabalham para sair o disco, n\u00e3o s\u00f3 dos m\u00fasicos em si, mas todo mundo que fica pensando&#8230; s\u00e3o v\u00e1rios detalhes, muita coisa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi um aprendizado, mas n\u00e3o vou dizer que evoluiu: registramos um momento, esse disco \u00e9 uma fotografia do momento. \u00c0s vezes essa fotografia pode ficar meio torta porque \u00e9 uma fotografia. Acredito que, hoje, estou tocando melhor do que no disco. A passo que \u00e0s vezes tem coisas que eu fa\u00e7o no disco e j\u00e1 n\u00e3o consigo fazer mais. Ali foi o calor daquele momento, eu tamb\u00e9m j\u00e1 n\u00e3o sou mais aquele cara que gravou l\u00e1. Eu j\u00e1 morri, j\u00e1 ressuscitei, j\u00e1 sou outra pessoa. Essa \u00e9 a parte da beleza.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Falando de pol\u00edtica agora, t\u00e1? Quais pautas voc\u00eas pensam em defender por meio da arte? Visto que ABC, Periferia.<\/strong><br \/>\nAndo pensando muito nisso. No in\u00edcio, tinha uma hist\u00f3ria no movimento social, que buscava isso mais ativamente, minha milit\u00e2ncia na arte \u00e9 assim. Acredito no legado que a gente vem construindo. A liberdade de fazer, do Mabu fazer o solo que ele quiser, do jeito que ele quiser, da forma que ele quiser. Existe esse respeito das individualidades, at\u00e9 porque o papel de um m\u00fasico \u00e9 isso, cada um tem a sua voz. O Cab na sua forma peculiar de tocar, o pr\u00f3prio Alex e sua hist\u00f3ria, existe uma diferen\u00e7a que comp\u00f5em esse mosaico de seis pessoas, assim como suas refer\u00eancias individuais. O Buruga, por exemplo, n\u00e3o escuta jazz como eu escuto, embora ele escute e goste, mas o lance dele era maracatu, m\u00fasica popular.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00f3s j\u00e1 somos totalmente urbanos. Eu n\u00e3o me sinto \u00e0 vontade, por exemplo, de ficar tocando maracatu, n\u00e3o que eu n\u00e3o goste, \u00e9 porque acho que eu estou t\u00e3o quadrado e t\u00e3o urbano que prefiro ser desterritorializado ou o territ\u00f3rio ser essa da fuligem mesmo que \u00e9 o nosso, territ\u00f3rio da fuligem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Politicamente \u00e9 a arte em si, fazer uma m\u00fasica instrumental no contexto no qual vivemos, um deserto est\u00e9tico. Para mim,\u00e9 uma forma de milit\u00e2ncia, de certa forma n\u00e3o t\u00e3o direta como um partido pol\u00edtico, mas \u00e9 como uma reafirma\u00e7\u00e3o de um esp\u00edrito livre, de fazer as coisas de que gosta. Acho que isso j\u00e1 \u00e9 pol\u00edtico, de resistir, de se encontrar, de fazer, ainda mais nesse contexto do gosto sendo forjado a todo momento, da coisa dos estilos musicais. Acho que isso tem tudo a ver com o capital, nem \u00e9 o estilo em si. N\u00e3o \u00e9 problema nenhum o sertanejo, n\u00e3o existe problema nenhum nisso. O problema \u00e9 a arte capturada pelo capital. Acho que esse \u00e9 o problema. A\u00ed perde o sentido, \u00e0s vezes da pr\u00f3pria rela\u00e7\u00e3o que voc\u00ea tem com a pr\u00f3pria arte que voc\u00ea faz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Acho que a nossa exist\u00eancia por si s\u00f3 \u00e9 uma reafirma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, de fazer arte em contexto desfavor\u00e1vel. J\u00e1 foi mais desfavor\u00e1vel, as coisas mudaram, depois dos lan\u00e7amentos e de ter as coisas materializadas, acho que consolida tamb\u00e9m um certo tipo de maturidade. Mas ainda assim acho que precisa avan\u00e7ar muito, isso \u00e9 mais processo do que final. Acredito que esse disco ou qualquer outra coisa que n\u00f3s lancemos \u00e9 s\u00f3 uma fotografia, porque sen\u00e3o fica muito penoso ficar pensando como um neg\u00f3cio meio acabado. Sei l\u00e1, a gente ainda t\u00e1 vivo ainda.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-93318 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/condefavela2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"683\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/condefavela2.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/condefavela2-300x273.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00eas lan\u00e7aram um EPzinho (em dezembro). Conte-me mais sobre isso.<\/strong><br \/>\nEsse compacto foi uma ideia do Edivaldo, do Made in Quebrada, porque tinha um tema que lan\u00e7amos e um remix que chama \u201cNublado\u201d, de um tema que fizemos no primeiro dia, est\u00e1 no \u201cABC Gueto Jazz\u201d, uma m\u00fasica mais melanc\u00f3lica. Peguei a faixa, ela aberta e pedi pro B8 fazer o remix e ele topou, assim, por divers\u00e3o. Mas n\u00e3o foi pensado para que fosse lan\u00e7ada em um compacto. Ent\u00e3o o compacto acaba sendo assim especial, cria um verniz assim especial, mas s\u00e3o duas faixas. Tem a primeira, que \u00e9 essa, e a segunda, uma faixa in\u00e9dita.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Qual foi o est\u00fadio?<\/strong><br \/>\nGirafa neon. Adorei esse nome comuna.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Pense r\u00e1pido: Conde Favela Sexteto em uma palavra.<\/strong><br \/>\nPutz, que dif\u00edcil. Uma palavra s\u00f3? Para mim, ent\u00e3o, liberdade. (Nota: O Ticha acrescenta: \u201cEncardido\u201d)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Momento freestyle, diga o que quiser.<\/strong><br \/>\nAcho que foi contemplado assim e que isso \u00e9 um desafio. Continuamos a produzir esse tipo de som porque acreditamos no que estamos fazendo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E onde achar os vinis? Faz propaganda.<\/strong><br \/>\nNa <a href=\"https:\/\/www.lado2discos.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Lado 2 Discos<\/a> (Rua Santo Andr\u00e9, 331, Vila Assun\u00e7\u00e3o &#8211; Santo Andr\u00e9) e na <a href=\"https:\/\/www.pindoramadiscos.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Pindorama<\/a> (Rua Cl\u00e9lia, 353, S\u00e3o Paulo).]<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Conde Favela Sexteto | &quot;Exotique&quot; Lee Morgan\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/DOJ5JsOqU5Q?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"[V\u00eddeo promo] Novo disco &quot;abcguetojazz&quot; | Conde Favela 6 no Sesc Pompeia.\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/-g3g1wM4UOI?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Conde Favela Sexteto | Festival Novos Motores\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/GXvp8dYlysA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><em>\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/bsky.app\/profile\/villon.bsky.social\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Elsa Villon<\/a>\u00a0\u00e9 jornalista de dados, especialista em M\u00eddia, Informa\u00e7\u00e3o e Cultura e colecionadora de vinis que est\u00e1 sempre no garimpo nas horas vagas.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O final de 2025 contou com um compacto especial: \u201cAudacioso&#8221;, EP com duas faixas que marcam a parceria dos selos Made in Quebrada Discos, Pindorama Discos e Lado 2 Discos.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/01\/13\/conde-favela-sexteto-traz-experimentacoes-jazz-e-improvisos-diretamente-do-territorio-de-fuligem\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":156,"featured_media":93319,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[8057],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/93316"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/156"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=93316"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/93316\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":93320,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/93316\/revisions\/93320"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/93319"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=93316"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=93316"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=93316"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}