{"id":93280,"date":"2026-01-08T00:34:21","date_gmt":"2026-01-08T03:34:21","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=93280"},"modified":"2026-02-01T11:59:26","modified_gmt":"2026-02-01T14:59:26","slug":"faixa-a-faixa-gol-de-quem-o-classico-segundo-disco-do-pato-fu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/01\/08\/faixa-a-faixa-gol-de-quem-o-classico-segundo-disco-do-pato-fu\/","title":{"rendered":"Faixa a faixa: &#8220;Gol de Quem?&#8221;, o cl\u00e1ssico segundo disco do Pato Fu"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>texto de <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/biciati\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Alexandre Biciati<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se 1994 foi o ano em que o rock brasileiro redescobriu suas ra\u00edzes regionais com o estouro de Chico Science e a consolida\u00e7\u00e3o do Skank, 1995 foi o momento em que a cena provou que havia espa\u00e7o para o laborat\u00f3rio, para o humor agridoce e, acima de tudo, para a &#8220;estranheza pop&#8221;. Foi nesse cen\u00e1rio efervescente, sob a onipresen\u00e7a da MTV Brasil ditando as regras est\u00e9ticas e o consumo jovem, que o Pato Fu lan\u00e7ou seu segundo \u00e1lbum e a verdadeira pedra fundamental de sua carreira: \u201cGol de Quem?\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lan\u00e7ado pelo selo Plug (da BMG), o disco aconteceu num momento crucial. A ind\u00fastria fonogr\u00e1fica brasileira, finalmente recuperada da ressaca do in\u00edcio dos anos 90, apostava alto em novas bandas. Enquanto Raimundos trazia o peso e a mal\u00edcia, e o Skank j\u00e1 dominava as r\u00e1dios com \u201cCalango\u201d (1994), o Pato Fu, vindo do cen\u00e1rio independente, oferecia algo que desafiava classifica\u00e7\u00f5es f\u00e1ceis. N\u00e3o era regionalismo, n\u00e3o era punk, n\u00e3o era reggae. Era uma fus\u00e3o de Mutantes, new wave e trilhas sonoras de desenho animado (!).<\/p>\n<figure id=\"attachment_93284\" aria-describedby=\"caption-attachment-93284\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-93284 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/gol-de-quem1.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/gol-de-quem1.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/gol-de-quem1-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-93284\" class=\"wp-caption-text\"><em>Foto de <a href=\"https:\/\/sinistersaladmusikal.wordpress.com\/2021\/05\/29\/sinister-vinyl-collection-pato-fu-gol-de-quem-1995\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Sinister Vinyl Collection<\/a><\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">O disco chegou \u00e0s prateleiras impactando visualmente antes mesmo de ser ouvido. A capa de \u201cGol de Quem?\u201d \u00e9 uma pe\u00e7a curiosa que reflete a dualidade da banda. Uma imagem em preto e branco traz dois querubins pensativos, debru\u00e7ados, olhando para o alto como se questionassem algo. A pitada de melancolia e o grafismo divertido do logo da banda j\u00e1 adiantava o conte\u00fado: uma fus\u00e3o de refer\u00eancias antigas com uma roupagem nova e ligeiramente deslocada, como se a banda estivesse, assim como os anjos, observando o mundo (e a m\u00fasica pop) de uma perspectiva diferente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A sonoridade de \u201cGol de Quem?\u201d \u00e9 um salto em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 estreia independente com \u201cRotomusic de Liquidificapum\u201d (1993). A produ\u00e7\u00e3o, mais limpa e assertiva, conseguiu domar a criatividade ca\u00f3tica do Pato Fu sem castr\u00e1-la. A banda, na \u00e9poca da grava\u00e7\u00e3o, ainda operava como um trio essencialmente eletr\u00f4nico em sua base r\u00edtmica: Fernanda Takai (voz e guitarra), John Ulhoa (guitarra, voz e programa\u00e7\u00e3o) e Ricardo Koctus (baixo e voz). \u00c9 importante notar que, embora a bateria eletr\u00f4nica e os sequenciadores fossem a espinha dorsal do som em est\u00fadio, foi exatamente na turn\u00ea deste disco que a banda ganhou o refor\u00e7o de Xande Tamietti nas baquetas. Sua entrada foi decisiva para traduzir a complexidade dos arranjos de est\u00fadio para a energia visceral necess\u00e1ria nos palcos de festivais como o Hollywood Rock.<\/p>\n<figure id=\"attachment_93285\" aria-describedby=\"caption-attachment-93285\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-93285 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/gol-de-quem2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"377\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/gol-de-quem2.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/gol-de-quem2-300x151.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-93285\" class=\"wp-caption-text\"><em>Encarte do vinil &#8220;Gol de Quem?&#8221; \/ Fotos de <a href=\"https:\/\/sinistersaladmusikal.wordpress.com\/2021\/05\/29\/sinister-vinyl-collection-pato-fu-gol-de-quem-1995\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Sinister Vinyl Collection<\/a><\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cGol de Quem?\u201d \u00e9, acima de tudo, um disco de guitar-pop inteligente. Ele provou que era poss\u00edvel fazer m\u00fasica radiof\u00f4nica sem subestimar a intelig\u00eancia do ouvinte, utilizando ironia fina e refer\u00eancias \u00e0 cultura pop que iam de Jornada nas Estrelas a cl\u00e1ssicos da disco music. Em 2012, a banda revisitou o disco tocando-o na \u00edntegra <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/08\/03\/show-um-golaco-do-pato-fu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">em um show no Sesc Belenzinho<\/a>, em S\u00e3o Paulo.\u00a0Em 2025, nos 30 anos de anivers\u00e1rio do \u00e1lbum, os Fus anunciaram uma turn\u00ea comemorativa do \u201cGol de Quem?\u201d com shows em Bras\u00edlia, Rio de Janeiro e S\u00e3o Paulo (capital e interior). Neste janeiro de 2026, o Pato Fu retorna \u00e0 S\u00e3o Paulo com \u201cGol de Quem?\u201d em show (esgotado) no Cine Joia, sexta, 9. E a capital mineira ir\u00e1 celebrar o \u00e1lbum <a href=\"https:\/\/www.sympla.com.br\/evento\/pato-fu-30-anos-do-gol-de-quem\/3247791\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">no pr\u00f3ximo 31 de janeiro<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Abaixo, um mergulho, faixa a faixa, em \u201cGol de Quem?\u201d Aumente o volume e confira a an\u00e1lise de cada faixa do \u00e1lbum.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Gol de Quem?\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/videoseries?list=OLAK5uy_nl7VMN0WG0Nf36jBdz7iVf1BHTqdFyjgQ\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>01. And Now &#8211;<\/strong> O disco come\u00e7a com um manifesto de humor. &#8220;And Now&#8221; \u00e9 uma vinheta r\u00e1pida, uma colagem sonora ao estilo do seriado Monty Python&#8217;s Flying Circus (&#8220;And now for something completely different&#8221;). Ao iniciar o \u00e1lbum assim, o Pato Fu avisa ao ouvinte: esque\u00e7a a l\u00f3gica convencional, voc\u00ea est\u00e1 entrando em um universo onde o nonsense \u00e9 a regra.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Monty Python - And Now for Something Completely Different opening credits\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/8KwgWqVCPzk?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>02. Mam\u00e3e Ama \u00e9 o Meu Rev\u00f3lver &#8211;<\/strong> A primeira m\u00fasica propriamente dita \u00e9 um petardo mel\u00f3dico. Composta pelo lend\u00e1rio Rubinho Troll \u2014 figura central do underground mineiro e l\u00edder do Sexo Expl\u00edcito \u2014, a can\u00e7\u00e3o traz um t\u00edtulo que \u00e9 uma &#8220;pegadinha&#8221; sem\u00e2ntica deliciosa com o disco dos Beatles de 1966. A letra carrega o surrealismo dada\u00edsta t\u00edpico das composi\u00e7\u00f5es de Troll, enquanto o instrumental entrega um pop rock no capricho com refr\u00e3o pra l\u00e1 de funcional.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Pato Fu - Mam\u00e3e Ama \u00c9 O Meu Revolver\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/7aO9YjlSJho?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>03. Vida Imbecil &#8211;<\/strong> Aqui o Pato Fu refor\u00e7a predicados antropof\u00e1gicos e recorre ao regionalismo em um rock carregado de sotaque e temperado com m\u00fasica italiana (&#8220;Io che amo solo te&#8221; \/ &#8220;Amore, scusami&#8221;). Cantada pela dupla caipira Fernanda e John, &#8220;Vida Imbecil&#8221; \u00e9 uma cr\u00edtica \u00e0 perspectiva de uma vida regrada. O som diverte, mas a letra destila um veneno \u00e1cido. A viola somada \u00e0 programa\u00e7\u00e3o da bateria (ainda tocada por 128 japoneses) conectam dois universos dando um tom caipira-cosmopolita que refor\u00e7a a ironia do texto.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>04. Gol de Quem? &#8211;<\/strong> Um verdadeiro cart\u00e3o de visitas da guitarra distorcida de John Ulhoa. A faixa-t\u00edtulo acelera o ritmo e abre com um manifesto bem-humorado \u00e0 simplicidade: &#8220;o mundo \u00e9 um grande p\u00e3o com manteiga, caf\u00e9 e com leite&#8221;. Indispens\u00e1vel em show do Pato Fu, &#8220;Gol de Quem?&#8221; referencia uma super influ\u00eancia: a banda norte-americana Devo. Temos aqui ainda a letra mais desafiadora de cantar junto. Boa sorte aos aventureiros!<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Devo - Uncontrollable Urge (Live On Fridays)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/XTNGg0Tj5Aw?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>05. Sert\u00f5es &#8211;<\/strong> Talvez a faixa mais po\u00e9tica do disco em termos tem\u00e1ticos. A m\u00fasica de Ricardo Koctus evoca a aridez e a trag\u00e9dia sertaneja. O arranjo \u00e9 arrastado, quase marcial, com transi\u00e7\u00f5es que lembram o Raulzito do velho testamento (&#8220;Let me sing, Let me sing&#8221;). Mostra que o Pato Fu n\u00e3o era apenas uma &#8220;banda engra\u00e7adinha&#8221;, mas um grupo capaz de digerir temas espinhentos e transform\u00e1-los em m\u00fasica pop.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>06. Onofle &#8211;<\/strong> Voltamos \u00e0 galeria de personagens estranhos da banda. &#8220;Onofle&#8221; \u00e9 uma narrativa sobre um sujeito peculiar, constru\u00edda sobre uma base r\u00edtmica quebrada e cheia de recortes. A m\u00fasica destaca o trabalho de baixo de Ricardo Koctus, que conduz a melodia torta enquanto Fernanda e John narram a hist\u00f3ria angustiante. \u00c9 o exemplo perfeito do storytelling do Pato Fu: contar hist\u00f3rias absurdas com melodias que desafiam o padr\u00e3o radiof\u00f4nico.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><span style=\"color: #ff0000;\">QUEM TEM O LP VIRA O DISCO AQUI.<\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>07. Sobre o Tempo &#8211;<\/strong> O grande cl\u00e1ssico. Indiscutivelmente a m\u00fasica que furou a bolha e colocou o Pato Fu no mapa nacional. &#8220;Sobre o Tempo&#8221; sintetiza a f\u00f3rmula perfeita da banda: melodia assobi\u00e1vel, letra existencialista (mas acess\u00edvel) e a voz doce de Fernanda Takai harmonizando com uma guitarra r\u00edtmica pulsante. O clipe, exaustivamente rodado na MTV, consolidou a imagem do grupo. A reflex\u00e3o sobre a passagem do tempo e a inevitabilidade das mudan\u00e7as tocou uma gera\u00e7\u00e3o inteira e permanece atual.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Pato Fu - Sobre O Tempo\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Fh0vvDWtX2s?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>08. A Volta do Bo\u00eamio &#8211;<\/strong> Em 1995, regravar a can\u00e7\u00e3o de Adelino Moreira (consagrada na voz de Nelson Gon\u00e7alves) em um disco de rock era um ato de ousadia e ironia. O Pato Fu pegou o maior cl\u00e1ssico da &#8220;dor de cotovelo&#8221; e o revestiu com uma roupagem eletr\u00f4nica, lo-fi e minimalista. A interpreta\u00e7\u00e3o de John, despida do dramatismo oper\u00edstico do original, deu \u00e0 can\u00e7\u00e3o uma melancolia moderna e cool. Foi a prova definitiva de que a banda n\u00e3o tinha preconceitos musicais e sabia transitar entre o experimentalismo e o r\u00e1dio AM com maestria.<\/p>\n<hr \/>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"making of - Qualquer Bobagem\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/m0wuQA6Mx5k?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>09. Qualquer Bobagem &#8211;<\/strong> Se havia d\u00favida sobre a influ\u00eancia dos Mutantes no DNA do Pato Fu, esta faixa sanou a quest\u00e3o. &#8220;Qualquer Bobagem&#8221; \u00e9 uma ode ao nonsense tropicalista. O Pato Fu transformou uma das m\u00fasicas mais derretidas da banda de Rita e Arnaldo em um pop saltitante que ressignificou a obra. Esta \u00e9 outra faixa que ganhou um videoclipe divertido e despretensioso. Traz um trompete no refr\u00e3o que \u00e9 mais uma camada de sofistica\u00e7\u00e3o ao arranjo. Recentemente, o Pato Fu interpretou a m\u00fasica no palco ao lado do pr\u00f3prio Tom Z\u00e9, parceiro dos Mutantes na can\u00e7\u00e3o. \u00c9pico!<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"&#039;Qualquer Bobagem&#039;, Pato Fu ft. Tom Z\u00e9 ao vivo em S\u00e3o Paulo.\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/fEPHihAdnG4?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>10. Ring My Bell &#8211;<\/strong> A desconstru\u00e7\u00e3o de um cl\u00e1ssico da disco music. A banda pega o hit de Anita Ward e o transforma em um rock alternativo recheado por uma guitarra swingada. O vocal dobrado de Fernanda \u00e9 um deleite \u00e0 parte. \u00c9 a prova da capacidade do Pato Fu de recontextualizar o pop massivo. A vers\u00e3o ficou t\u00e3o boa e t\u00e3o &#8220;Pato Fu&#8221; que muita gente daquela gera\u00e7\u00e3o conheceu a m\u00fasica atrav\u00e9s da banda mineira antes de ouvir a original das pistas de dan\u00e7a dos anos 70.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Ring My Bell - Anita Ward (1979) HD\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Dp11DjaUc5A?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>11. Ok! All Right! &#8211;<\/strong> Uma explos\u00e3o de energia ca\u00f3tica. &#8220;Ok! All Right!&#8221; \u00e9 uma faixa curta, acelerada, quase um hardcore tocado por personagens de desenho animado. A letra \u00e9 fragmentada, misturando idiomas e frases de efeito, funcionando como uma descarga de adrenalina antes do encerramento do \u00e1lbum. \u00c9 a banda exercitando seu lado Devo e B-52&#8217;s, bandas que sempre foram norte para a est\u00e9tica sonora do grupo.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>12. Vida de Oper\u00e1rio &#8211;<\/strong> O disco encerra com uma nota pol\u00edtica e social. A regrava\u00e7\u00e3o de &#8220;Vida de Oper\u00e1rio&#8221;, da banda punk Excomungados, traz a cr\u00edtica \u00e0 explora\u00e7\u00e3o do trabalho para o universo do Pato Fu. A m\u00fasica \u00e9 cantada com uma frieza mec\u00e2nica que torna a letra ainda mais cortante. O disco fecha com a mensagem de que, por tr\u00e1s da divers\u00e3o, havia uma banda consciente de seu entorno. Quem disse que pop n\u00e3o pode ser afiado.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"EXCOMUNGADOS - Vida de oper\u00e1rio\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/GAFfReaOs5I?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><span style=\"color: #ff0000;\">O LP ACABA AQUI. O CD TEM MAIS&#8230;<\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tanto &#8220;Spoc&#8221; quanto &#8220;Ob-La-Di-Ob-La-Da&#8221; j\u00e1 constavam da lendaria \u201c<a href=\"https:\/\/soundcloud.com\/patofu\/sets\/patofudemo\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Pato Fu Demo<\/a>\u201d (ops!) e, rearranjadas, entraram na vers\u00e3o digital como faixas adicionais.<\/p>\n<figure id=\"attachment_93286\" aria-describedby=\"caption-attachment-93286\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-93286\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/gol-de-quem3.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"313\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/gol-de-quem3.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/gol-de-quem3-300x125.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-93286\" class=\"wp-caption-text\"><em>As vers\u00f5es de &#8220;Gol de Quem?&#8221; em fita cassete e CD<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>13. Spoc &#8211;<\/strong> Aqui temos uma das preferidas dos f\u00e3s que funciona muito bem ao vivo. Levada no viol\u00e3o, &#8220;Spoc&#8221; \u00e9 uma balada vibrante que se apropria <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=zrUrJlunI_c\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">do universo de Star Trek<\/a> como met\u00e1fora para a disciplina. Musicalmente, destaca-se novamente a voz doce de Fernanda Takai cantando tamb\u00e9m em franc\u00eas. John Ulhoa aparece na segunda parte subindo o tom da letra que questiona as expectativas e a valoriza\u00e7\u00e3o do labor. &#8220;Spoc&#8221; \u00e9 pra cantar junto!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>14. Ob-La-Di-Ob-La-Da &#8211;<\/strong> O CD termina com uma vers\u00e3o instrumental cartoonizada do cl\u00e1ssico dos Beatles. Mais uma vez o Pato Fu toca o sagrado e entrega uma interpreta\u00e7\u00e3o que transpira a identidade da banda. O fechamento em compasso galopante se amarra perfeitamente com a primeira faixa do disco seguinte.<\/p>\n<figure id=\"attachment_93282\" aria-describedby=\"caption-attachment-93282\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-93282 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/patofu2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"937\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/patofu2.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/patofu2-240x300.jpg 240w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-93282\" class=\"wp-caption-text\"><em>Pato Fu em 1994 \/ Foto de Nino Andr\u00e9s<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cGol de Quem?\u201d envelheceu com dignidade \u00edmpar, capturando o esp\u00edrito de uma \u00e9poca em que o rock brasileiro se permitiu ser experimental. N\u00e3o obstante, figura em v\u00e1rias listas de melhores da m\u00fasica brasileira como nos livros \u201c300 Discos Importantes da M\u00fasica Brasileira\u201d, de Charles Gavin, no \u201cOs 500 Maiores \u00c1lbuns Brasileiros de Todos os Tempos\u201d, do Podcast Discoteca B\u00e1sica, apresentado por Ricardo Alexandre, e no Top 20 da vota\u00e7\u00e3o dos Melhores Discos dos Anos 90 <a href=\"https:\/\/www.screamyell.com.br\/musica\/top20nacional.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui do Scream &amp; Yell<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para amarrar essa obra, a ficha t\u00e9cnica revela o peso dos bastidores, fundamental para o resultado final. A produ\u00e7\u00e3o limpa e vigorosa ficou a cargo de <a href=\"http:\/\/instagram.com\/p\/CLhK1sDDv-s\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Carlos Savalla<\/a> (conhecido por seu trabalho refinado com os Paralamas do Sucesso), enquanto a dire\u00e7\u00e3o art\u00edstica foi assinada por S\u00e9rgio de Carvalho. Para completar o time, a coordena\u00e7\u00e3o art\u00edstica teve o dedo de <a href=\"https:\/\/www.roncaronca.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Maur\u00edcio Valladares<\/a>, o &#8220;MauVal&#8221;, lenda viva do r\u00e1dio rock brasileiro e curador de bom gosto inquestion\u00e1vel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com esse suporte t\u00e9cnico e criativo, o Pato Fu n\u00e3o apenas fez um gol; ganhou o campeonato e garantiu seu lugar na hist\u00f3ria.<\/p>\n<figure id=\"attachment_93283\" aria-describedby=\"caption-attachment-93283\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-93283\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/patofu3.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"938\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/patofu3.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/patofu3-240x300.jpg 240w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-93283\" class=\"wp-caption-text\"><em>Pato Fu em 2025 \/ Foto de Enzo Giaquinto<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p>\u2013\u00a0<em>Alexandre Biciati \u00e9 fot\u00f3grafo e editor da Phono:\u00a0<a href=\"https:\/\/www.phono.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.phono.com.br\/<\/a><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\u201cGol de Quem?\u201d envelheceu com dignidade \u00edmpar, capturando o esp\u00edrito de uma \u00e9poca em que o rock brasileiro se permitiu ser experimental.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/01\/08\/faixa-a-faixa-gol-de-quem-o-classico-segundo-disco-do-pato-fu\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":113,"featured_media":93281,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[207],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/93280"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/113"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=93280"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/93280\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":93290,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/93280\/revisions\/93290"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/93281"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=93280"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=93280"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=93280"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}