{"id":93275,"date":"2026-01-07T01:31:32","date_gmt":"2026-01-07T04:31:32","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=93275"},"modified":"2026-02-08T22:49:49","modified_gmt":"2026-02-09T01:49:49","slug":"undo-o-mundo-esta-chamando-os-roqueiros-de-volta-pra-cena","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/01\/07\/undo-o-mundo-esta-chamando-os-roqueiros-de-volta-pra-cena\/","title":{"rendered":"Undo: &#8220;O mundo est\u00e1 chamando os roqueiros de volta pra cena&#8221;"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\">entrevista de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/ociocretino\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Alexandre Lopes<\/a><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tudo come\u00e7ou de maneira pr\u00e1tica: m\u00fasicas escritas ou apresentadas em encontros informais, demos circulando entre os integrantes e decis\u00f5es tomadas em conjunto. Pode soar como um caminho \u00f3bvio e corriqueiro para uma banda, mas era justamente esse processo que os membros da paulistana <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/undo.oficial\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Undo<\/a> sentiam falta e buscavam retomar. Formada por rostos conhecidos do rock nacional, o grupo se estruturou a partir dessa troca de ideias at\u00e9 se materializar <a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/intl-pt\/album\/2Bekigbif2vJZWlDUvELlY?si=oiWT8Ub3SMqnk3Yl_rdDPg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">em um \u00e1lbum de estreia hom\u00f4nimo<\/a> &#8211; lan\u00e7ado em novembro pela ForMusic &#8211; que j\u00e1 apresenta uma linguagem clara, tanto no est\u00fadio quanto no palco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Juntos, Andr\u00e9 Frateschi (vocais), Rafael Mimi e Johnny Monster (guitarras), Rafael Garga (bateria) e Dudinha Lima (baixo e produ\u00e7\u00e3o) constroem um som que articula refer\u00eancias aos anos 80 como p\u00f3s-punk, sintetizadores e beats eletr\u00f4nicos que convivem perfeitamente com guitarras angulares e bateria ac\u00fastica, criando um equil\u00edbrio entre m\u00e1quina e execu\u00e7\u00e3o org\u00e2nica com um certo tempero contempor\u00e2neo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Singles como \u201cCora\u00e7\u00e3o Selvagem\u201d, \u201cVolta Aquela Cena\u201d, \u201cPorcos N\u00e3o Olham Pro C\u00e9u\u201d, \u201cAprender a Perder\u201d (uma parceria com Leoni), \u201cMelodrama\u201d e o clipe mais recente \u201cM\u00fasculo Novo do Medo\u201d ajudam a delimitar esse territ\u00f3rio, enquanto a participa\u00e7\u00e3o de Dado Villa-Lobos (com quem Frateschi dividiu o palco nos \u00faltimos anos cantando as can\u00e7\u00f5es da Legi\u00e3o Urbana) em \u201cKill Billy\u201d amplia o di\u00e1logo entre gera\u00e7\u00f5es sem deslocar o foco do projeto. O \u00e1lbum se sustenta menos nas participa\u00e7\u00f5es e mais na coer\u00eancia interna do repert\u00f3rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesta conversa com o Scream &amp; Yell, os integrantes contam como a banda surgiu, o processo de composi\u00e7\u00e3o e a decis\u00e3o de formar um grupo de rock neste momento, encarando o in\u00edcio n\u00e3o como retorno ou ruptura, mas como continuidade de diversas trajet\u00f3rias que agora se encontram em um mesmo projeto.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Undo\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/videoseries?list=OLAK5uy_mLKJfgXLTCRqLCMir1-ksXsJeZZuO2zcc\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ouvindo o disco, percebi que tem uma grande presen\u00e7a de sintetizadores. Como voc\u00eas pretendem transpor esses sons para o palco? S\u00e3o bases pr\u00e9-gravadas?<\/strong><br \/>\nAndr\u00e9: \u00c9, a gente j\u00e1 gravou esses synths que a gente achou que tinham que fazer parte do disco e us\u00e1-las ao vivo. A gente gravou e a\u00ed o Garga solta para n\u00f3s\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dudinha: Na verdade, essas s\u00e3o as mesmas bases das coisas que a gente gravou no disco. A gente gravou os sintetizadores, que foi meio a parte final, porque s\u00e3o instrumentos que a gente n\u00e3o tem um outro integrante fixo tocando. S\u00f3 que o Mimi \u00e9 tecladista, eu toco tamb\u00e9m, o Andr\u00e9 tem umas ideias, a gente junta tudo, faz uma base com esse \u201crejunte\u201d e toca ao vivo com a mesma caracter\u00edstica do fonograma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A faixa de abertura, \u201cNingu\u00e9m\u201d, me parece ter bastante efeitos eletr\u00f4nicos. Voc\u00eas tiveram que rearranjar ou segue mais fiel ao disco mesmo?<\/strong><br \/>\nDudinha: A origem de \u201cNingu\u00e9m\u201d \u00e9 muito da demo dela. A demo foi feita com bateria eletr\u00f4nica e a gente estava gostando da onda assim. Ent\u00e3o a gente \u201cenvenenou\u201d a base eletr\u00f4nica. Voc\u00ea ouve que tem uma bateria eletr\u00f4nica com delay, com alguns efeitos. Mas acho que o que d\u00e1 essa caracter\u00edstica \u00e9 isso e aqueles synths que entram no refr\u00e3o, que tamb\u00e9m fizemos no est\u00fadio e colocamos na base pra tocar ao vivo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Johnny: A ideia ao vivo \u00e9 somar: a gente tem os timbres de caixa, bumbo e os synths do disco, e no ao vivo soma o instrumento ac\u00fastico, a bateria. Ent\u00e3o o que a gente ouve no show \u00e9 a soma dos dois. Mas a ideia \u00e9 esse eletr\u00f4nico ser bem presente pra realmente remeter ao disco, at\u00e9 porque \u201cNingu\u00e9m\u201d n\u00e3o tem bateria \u201cde verdade\u201d ali, \u00e9 s\u00f3 eletr\u00f4nica. A\u00ed no show soa at\u00e9 um pouco diferente, com mais corpo, porque tem a bateria ac\u00fastica somando.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Pelo pouco que vi do final do ensaio de voc\u00eas, mesmo as m\u00fasicas mais calmas ficam mais \u201ccorpulentas\u201d ao vivo. Isso \u00e9 intencional?<\/strong><br \/>\nDudinha: \u00c9 bom, \u00e9 o ideal. Tem uma press\u00e3ozinha extra ao vivo. Mas a gente ainda est\u00e1 acertando o som, \u00e9 diferente de onde a gente for tocar. Sempre que a gente vai ensaiar, a sensa\u00e7\u00e3o \u00e9 diferente do que quando voc\u00ea est\u00e1 num palco. \u00c9 outro som. Ent\u00e3o a gente est\u00e1 sacando como as m\u00fasicas soam ao vivo\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mimi: Mas, de fato, ao vivo, pra gente tocando junto, inevitavelmente tem mais energia. S\u00e3o cinco pessoas botando tudo de uma vez, bem diferente de criar no est\u00fadio, que voc\u00ea vai fazendo uma coisinha ali, somando aqui.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Andr\u00e9: Eu acho que \u00e9 uma caracter\u00edstica da banda: a gente tem as refer\u00eancias eletr\u00f4nicas, mas todo mundo \u00e9 muito de palco, a gente \u00e9 filho do rock mesmo. A gente tem essa coisa de estar no palco e ter uma energia. Ent\u00e3o, por mais que a gente tente ser \u201ccool\u201d, a gente n\u00e3o consegue (risos), porque tem um sangue que vem na veia e acaba resultando nessa mistura, que eu acho que \u00e9 a cara da banda: um pouco dessa coisa do eletr\u00f4nico, das refer\u00eancias oitentistas e p\u00f3s-punk e, ao mesmo tempo, essa caracter\u00edstica sangu\u00ednea no palco, do ao vivo.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Volta Aquela Cena - Undo (clipe oficial)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/UdKsnOGLVqA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Eu preciso perguntar: o nome da banda \u00e9 \u201cundo\u201d com a pron\u00fancia em ingl\u00eas de \u2018desfazer\u2019 ou em portugu\u00eas?<\/strong><br \/>\nAndr\u00e9: A gente j\u00e1 passou por algumas situa\u00e7\u00f5es por causa disso (risos). A gente decidiu que \u00e9 Undo [em portugu\u00eas] agora. E \u00e9 bom pensar que \u00e9 o \u201cmundo\u201d que j\u00e1 perdeu o \u201cm\u201d e estamos nesse passo de desmantelamento mundial. Ao mesmo tempo, a coisa do \u2018undo\u2019 [desfazer em ingl\u00eas] \u00e9 muito presente na filosofia da banda. \u00c9 um pouco esse \u201cdesfazer\u201d desses tempos que a gente est\u00e1 vivendo, t\u00e3o atropelados de informa\u00e7\u00e3o, de tantas coisas caindo sobre nossas cabe\u00e7as o tempo inteiro. \u00c9 no sentido de desfazer, de retomar uma outra experi\u00eancia. \u00c9 duro falar isso sem parecer velho (risos), mas acho que isso \u00e9, de alguma maneira, vanguarda: desfrutar da parada, do prazer est\u00e9tico, desfazer esse automatismo de tanta coisa que vem caindo sobre as nossas cabe\u00e7as. Ent\u00e3o \u00e9 uma jun\u00e7\u00e3o dessas duas coisas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E como surgiu a banda? De quem partiu a ideia de juntar o time todo?<\/strong><br \/>\nJohnny: Eu acho que Mimi e o Andr\u00e9 come\u00e7aram a esbo\u00e7ar a ideia da banda, eles tinham alguns rascunhos, umas demos deles.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mimi: Foi meio isso, sim. Eu j\u00e1 fazia bastante show com o Andr\u00e9 em outro projeto e estava a fim de voltar a compor, fazer coisas novas. E ele foi a primeira pessoa que eu pensei em chamar. Falei com ele, ele topou na hora. A gente come\u00e7ou a rabiscar e logo na sequ\u00eancia j\u00e1 veio o Johnny, depois o Dudinha e depois o Garga. A\u00ed formamos a banda e come\u00e7amos a trabalhar no disco mesmo. Foi tudo muito r\u00e1pido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E como surgiram as composi\u00e7\u00f5es? O Andr\u00e9 j\u00e1 tinha letra, voc\u00ea tinha bases? Como foi?<\/strong><br \/>\nJohnny: A gente fez no apartamento do Mimi, que tem uma vista muito privilegiada de S\u00e3o Paulo. A gente fez algumas tardes de encontros l\u00e1, muito inspiradas, muito m\u00e1gicas. Faz tempo que eu n\u00e3o sentia uma coisa assim, de fazer na hora mesmo. O Mimi propunha uma base, eu propunha um acorde, \u201cah, trouxe uma coisa aqui\u201d, e o Andr\u00e9, com o caderninho dele, em sil\u00eancio, deixando rolar, sem muito roteiro. Foi bem bacana, \u201cfree\u201d&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Andr\u00e9: Foi ao mesmo tempo com uma fragilidade interessante, uma entrega ao momento que eu j\u00e1 tinha perdido na vida. \u00c9 algo que eu vivo de outra forma quando fa\u00e7o meus trabalhos como ator, mas ali tinha uma entrega nossa, dos tr\u00eas, muito renovadora. A\u00ed a gente meio que estabeleceu esse nosso esquema de composi\u00e7\u00e3o que queremos manter: esse n\u00facleo que sou eu, o Mimi e o Johnny. E a gente deixa o Dudinha, que \u00e9 nosso grande produtor, para ouvir depois. Depois que a gente tem alguma coisa esbo\u00e7ada, alguma ideia mais adiantada, ele entra. O Garga n\u00e3o participou muito da composi\u00e7\u00e3o dessas primeiras m\u00fasicas, mas j\u00e1 come\u00e7ou a participar da nova leva que vai sair.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dudinha: Quando eles me mandaram, achei que j\u00e1 tinha uma onda muito forte. Eu ouvi e falei: \u201cP\u00f4, j\u00e1 tem um conceito, tem um caminho, um timbre, uma onda aqui\u201d. A\u00ed o trabalho foi ir pro est\u00fadio junto. Como eu estava com o ouvido mais fresco, fui sugerindo: \u201cE se a gente mudar esse acorde? Se a gente repetir essa parte? Se repetir esse refr\u00e3o? E se fizer uma introdu\u00e7\u00e3o? Se a gente botar um timbre assim, ou assado?\u201d. A gente foi trocando essas ideias e, contando com a qu\u00edmica e gostos que cada um tem, chegou num resultado r\u00e1pido, pela afinidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mimi: Uma coisa engra\u00e7ada que lembrei agora \u00e9 que, nos primeiros dias, o Andr\u00e9 falou sobre a vergonha que a gente tinha de mostrar as coisas um pro outro. Tipo: \u201cP\u00f4, t\u00e1 meio tosco, n\u00e3o sei se t\u00e1 legal\u2026\u201d. \u00c9 mostrar uma vulnerabilidade, n\u00e9? \u00c9 tipo aquela primeira vez que voc\u00ea t\u00e1 conhecendo uma pessoa e fica com vergonha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Andr\u00e9: Como se fosse a primeira vez de cueca na frente da pessoa, um pouco essa sensa\u00e7\u00e3o assim (risos).<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"M\u00fasculo Novo do Medo | UNDO (clipe oficial)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/eJclD6qcEoM?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Pela forma que voc\u00eas falaram, parece at\u00e9 quando a gente tem 15 anos e est\u00e1 com receio de mostrar os primeiros rascunhos de can\u00e7\u00f5es\u2026<\/strong><br \/>\nMimi: Mas esse \u00e9 o sentimento que permeia mesmo! S\u00f3 que com 15 anos voc\u00ea ainda n\u00e3o tem tanta vergonha, porque ainda t\u00e1 se formando\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dudinha: Agora, quando voc\u00ea j\u00e1 \u00e9 uma pessoa com hist\u00f3rico, uma caminhada, e tem que abrir uma coisa \u00edntima que voc\u00ea n\u00e3o sabe como vai ser recebida\u2026 Ao mesmo tempo, eu sentia convic\u00e7\u00e3o nas ideias. Por isso que eu gostei. Eles talvez estivessem inseguros, mas eu sentia que havia convic\u00e7\u00e3o, uma certeza. Acredito muito nisso: se o cara tem uma ideia musical e faz com convic\u00e7\u00e3o, seja um riff de uma nota, um refr\u00e3o simples, ele convence. Mas o cara precisa acreditar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Andr\u00e9: E acho que a beleza de fazer uma banda nessa altura da vida \u00e9 justamente essa. Ningu\u00e9m \u201cprecisava\u201d montar uma banda de rock agora, a gente podia estar cada um na sua. Mas, pra n\u00f3s, a beleza de estar vivo e ser m\u00fasico \u00e9 isso. Ent\u00e3o a gente se enfiou nessa roubada e est\u00e1 adorando! (risos)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00eas j\u00e1 tocaram em v\u00e1rios projetos, t\u00eam trabalhos solo\u2026 O que voc\u00eas est\u00e3o tirando de diferente dessa experi\u00eancia com a banda?<\/strong><br \/>\nDudinha: Eu acho que tem uma coisa legal de banda que \u00e9 o exerc\u00edcio da democracia na hora de criar. Na hora de fazer a parada, vamos ouvir as ideias de todo mundo. \u201cT\u00f4 com uma ideia aqui.\u201d \u201cT\u00f4 com outra ideia ali.\u201d Qual \u00e9 melhor? Qual funciona mais? A gente tem a maturidade de distinguir isso e essa \u00e9 a parte boa de n\u00e3o ter 15 anos (risos). A gente chega num consenso em algum momento. \u00c0s vezes tem que abrir m\u00e3o: \u201cQuero regravar um neg\u00f3cio.\u201d \u201cMas t\u00e1 bom.\u201d \u201cN\u00e3o, mas eu quero regravar.\u201d \u201cEnt\u00e3o vamos regravar.\u201d Esse exerc\u00edcio de estar aberto \u00e0 intera\u00e7\u00e3o entre a gente eu acho muito bacana.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Aprender a Perder - Undo (Clipe Oficial)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/wIH0YhOtMu8?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ouvindo o disco, tem muita coisa oitentista, uma vibe retr\u00f4, mas na produ\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m eu consigo enxergar umas refer\u00eancias a bandas mais atuais que procuram essa est\u00e9tica. Eu pensei em algo meio Arctic Monkeys, por exemplo. Isso foi pensado ou o som pediu?<\/strong><br \/>\nDudinha: Cara, acho que foi uma parada meio natural. A gente j\u00e1 ouviu muito som junto, por se conhecer, ent\u00e3o mais ou menos entende o universo um do outro. N\u00e3o teve aquele momento \u201cvamos fazer uma parada meio X ou Y\u201d. Vieram as m\u00fasicas e, com elas, a gente pensou: \u201cQue tipo de verniz vamos passar? Que tinta vamos usar aqui? Que timbres vamos escolher? Como timbrar isso?\u201d. Foi um trabalho de achar as texturas certas. E automaticamente, como a gente tem essa biblioteca de influ\u00eancias, aparecem esses timbres: coisa com chorus que \u00e9 bem anos 80, bateria eletr\u00f4nica que \u00e9 anos 80, baixo com fuzz que \u00e9 legal, spring reverb que lembra Arctic Monkeys pra caramba\u2026 Fica esse universo vasto, mas com uma onda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Andr\u00e9: \u00c9 consequ\u00eancia do que a gente ouve tamb\u00e9m, n\u00e9? A gente cresceu ouvindo coisas velhas, mas tem um monte de banda nova que a gente ouve. O Johnny \u00e9 um pesquisador de bandas novas, tinha programa de r\u00e1dio, ent\u00e3o ele compartilha essas refer\u00eancias com a gente. \u00c9 esse exerc\u00edcio de estar sempre procurando coisas novas. A\u00ed voc\u00ea conhece uma banda nova, vai ver entrevista dos caras e eles t\u00eam as mesmas refer\u00eancias que a gente: Depeche Mode, The Cure, etc. Acho que tem essa onda de um monte de banda de rock resgatando timbres oitentistas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dudinha: A pr\u00f3pria Dua Lipa faz um som totalmente oitentista e, ao mesmo tempo, moderno pra caramba.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Andr\u00e9: Eu tenho uma sensa\u00e7\u00e3o, talvez porque a gente esteja atento a isso, de que o mundo est\u00e1 chamando os roqueiros de volta pra cena. O mundo anda muito fascista, n\u00e9? Tem uma onda fascista no mundo inteiro. E eu acho que o rock \u00e9 a linguagem mais adequada pra ser uma voz contr\u00e1ria a isso. Por isso a gente tem visto tanta banda nova interessante surgindo, bandas consagradas lan\u00e7ando discos relevantes de novo depois de muito tempo, e grandes artistas pop bebendo muito na linguagem do rock. Acho que ainda \u00e9 o come\u00e7o, mas sinto uma mudan\u00e7a de placa tect\u00f4nica: talvez venha por a\u00ed uma onda mais forte do rock pelo mundo, n\u00e3o s\u00f3 no Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ent\u00e3o, qual \u00e9 o plano agora da Undo? Voc\u00eas lan\u00e7aram o disco, pretendem fazer turn\u00ea?<\/strong><br \/>\nAndr\u00e9: A gente est\u00e1 atr\u00e1s. Nossa batalha di\u00e1ria \u00e9 essa: conseguir marcar o maior n\u00famero de shows poss\u00edvel. A gente j\u00e1 fez algumas aberturas de show, que \u00e9 um caminho interessante, e estamos tentando entrar em festivais. Mas \u00e9 essa batalha louca que parece que a gente tem 15 anos de novo: come\u00e7ar tudo de novo, ir atr\u00e1s, ficar ligando, tomando \u201cn\u00e3o\u201d e v\u00e1cuo todo dia! (risos)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Garga: \u201cGente, contrata a gente, chama a gente pra tocar, a gente vai!\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Andr\u00e9: Eu garanto que a experi\u00eancia vai ser maneira! (risos)<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Cora\u00e7\u00e3o Selvagem - Undo (lyric video)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/zRaJjegaKKA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><em>\u2013 Alexandre Lopes (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/ociocretino\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">@ociocretino<\/a>) \u00e9 jornalista e assina o\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ociocretino.blogspot.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">www.ociocretino.blogspot.com.br<\/a>.\u00a0<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Nesta conversa com o Scream &#038; Yell, os integrantes contam como a banda surgiu, o processo de composi\u00e7\u00e3o e a decis\u00e3o de formar um grupo de rock neste momento\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/01\/07\/undo-o-mundo-esta-chamando-os-roqueiros-de-volta-pra-cena\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":101,"featured_media":93277,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[6799,8054],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/93275"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/101"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=93275"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/93275\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":93279,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/93275\/revisions\/93279"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/93277"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=93275"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=93275"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=93275"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}