{"id":93259,"date":"2026-01-05T00:01:50","date_gmt":"2026-01-05T03:01:50","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=93259"},"modified":"2026-02-04T12:15:53","modified_gmt":"2026-02-04T15:15:53","slug":"entrevista-sou-um-representante-da-mcb-a-musica-contemporanea-brasileira-avisa-lenine","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/01\/05\/entrevista-sou-um-representante-da-mcb-a-musica-contemporanea-brasileira-avisa-lenine\/","title":{"rendered":"Lenine: &#8220;Sou um representante da MCB, a m\u00fasica contempor\u00e2nea brasileira&#8221;"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/lvinhas78\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Leonardo Vinhas<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cEita\u201d. Uma interjei\u00e7\u00e3o que quase sempre \u00e9 sucinta e expl\u00edcita para expressar surpresa, assombro, desassossego. E que, em algumas situa\u00e7\u00f5es, parece ser a \u00fanica coisa poss\u00edvel a dizer. Essa foi a palavra escolhida por Lenine para sintetizar o conceito de seu novo \u00e1lbum \u2013 o primeiro de est\u00fadio em 10 anos \u2013, uma proposta musical t\u00e3o imersiva que levou o pernambucano a fazer um filme, dirigido pelo pr\u00f3prio em parceria com Kab\u00e9 Pinheiro e La\u00eds Branco, para tentar se assegurar que o ouvinte realmente mergulharia pelo universo criado pelo autor, sem fragmentar a audi\u00e7\u00e3o conforme a conveni\u00eancia e a (des)aten\u00e7\u00e3o do momento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c<a href=\"https:\/\/lenine.lnk.to\/Eita\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">EITA<\/a>\u201d (2025), em caixa alta, batiza disco e filme. O \u00faltimo teve uma \u00fanica exibi\u00e7\u00e3o at\u00e9 o momento, em S\u00e3o Paulo, pode vir a rodar em mais capitais, mas j\u00e1 est\u00e1 dispon\u00edvel no Youtube (assista abaixo), assim como o \u00e1lbum est\u00e1 nas plataformas. CD e vinil, por\u00e9m, s\u00f3 ver\u00e3o a luz do dia em 2026, assim como a turn\u00ea feita a reboque do \u00e1lbum.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesta entrevista concedida por videoconfer\u00eancia ao Scream &amp; Yell, Lenine explicou esse cronograma peculiar de lan\u00e7amentos. Mais importante, por\u00e9m, \u00e9 que a franca conversa foi muito al\u00e9m de quest\u00f5es pr\u00e1ticas, abordando trauma pand\u00eamico, fadiga social, cria\u00e7\u00e3o art\u00edstica, tempos fragmentados, posicionamento pol\u00edtico, esperan\u00e7a para o futuro e m\u00fasica contempor\u00e2nea brasileira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Antes de adentrarmos na conversa, por\u00e9m, vale o aviso: \u201c<a href=\"https:\/\/lenine.lnk.to\/Eita\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">EITA<\/a>\u201d \u00e9 um dos \u00e1lbuns mais brilhantes e equilibrados de Lenine. Em suas 11 faixas, o disco certamente \u201cpassa seu recado\u201d de cr\u00edtica, reencontro e esperan\u00e7a, mas o faz com uma est\u00e9tica poderosa, em que as refer\u00eancias de m\u00fasica nordestina que sempre estiveram presentes na m\u00fasica de Lenine dialogam com o presente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lenine nunca se prop\u00f4s a ser o acad\u00eamico que resgata tradi\u00e7\u00f5es, muito menos o pregui\u00e7oso que p\u00f5e uma roupagem moderninha em cima de estruturas consagradas. O que acontece em \u201c<a href=\"https:\/\/lenine.lnk.to\/Eita\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">EITA<\/a>\u201d \u2013 e j\u00e1 acontecera no excelente \u201cCarbono\u201d (2015) \u2014 \u00e9 o refinamento daquilo que o m\u00fasico vem construindo desde seus primeiros trabalhos: a ideia de uma m\u00fasica brasileira contempor\u00e2nea, que olha para os lados em vez de s\u00f3 olhar para tr\u00e1s. Tal como seu conterr\u00e2neo Siba (que tamb\u00e9m participa desse disco) e como foi com o tamb\u00e9m pernambucano Chico Science, a ideia sempre \u00e9 usar o regional para falar de maneira global, criando o que o jornalista Carlos Eduardo Lima j\u00e1 chamou de \u201cm\u00fasica brasileira mundial\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa receita estava em todos os \u00e1lbuns de Lenine, mas nos dois \u00faltimos parece ter atingido sua melhor destila\u00e7\u00e3o. S\u00e3o \u00e1lbuns fortes, com uma energia sentida mesmo nos momentos mais introspectivos, com a eleg\u00e2ncia de quem sabe que, independente do traje que escolha, precisa manter os p\u00e9s sujos de terra para lembrar que a caminhada \u00e9 de verdade. Ou\u00e7a o disco abaixo e leia a conversa.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Lenine - EITA (Filme Completo)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/vzS7f3VOxyE?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tem muitas perguntas que quero fazer sobre o disco novo, mas acho que \u00e9 necess\u00e1rio come\u00e7ar pela mais \u00f3bvia. S\u00e3o 10 anos desde o \u00faltimo disco de in\u00e9ditas. O que motivou essa pausa t\u00e3o grande, e o que foi necess\u00e1rio para te tirar dela?<\/strong><br \/>\nEnt\u00e3o vamos por partes. Sim, s\u00e3o quase 10 anos de um disco de est\u00fadio, mas em 2018 eu fiz um disco ao vivo tamb\u00e9m com in\u00e9ditas, que foi o \u201cEm Tr\u00e2nsito\u201d, ent\u00e3o n\u00e3o foi um hiato t\u00e3o grande. Mas teve a pandemia, cara! Teve o fascismo no Brasil, teve o nascimento prematuro do meu quinto neto \u2013 filho do Bruno, produtor do \u201cEITA\u201d \u2013 que foi algo que mobilizou a fam\u00edlia, foram tr\u00eas meses de interna\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o, teve alguns fatores que me levaram a dar esse tempo que parece ser um hiato, mas n\u00e3o foi hiato, n\u00e3o. Eu estava distante, sim, porque fiquei depressivo, mas mais da metade do Brasil ficou (risos). Todos n\u00f3s sofremos, principalmente quem trabalha com o sentimento, com a emo\u00e7\u00e3o, com com o coletivo, sofreu bastante. Eu sofri junto. S\u00f3 que isso me levou a questionar o que eu fazia. Portanto, achei que n\u00e3o queria mais fazer, n\u00e3o queria mais viajar, n\u00e3o queria mais fazer disco. E levei um tempo para fazer as pazes comigo mesmo. Acho que o \u201cEITA\u201d tem muito essa caracter\u00edstica. \u00c9 um disco que surge porque\u2026 veja bem, eu tinha come\u00e7ado a fazer um disco novo em 2019, um pouquinho antes da pandemia. J\u00e1 estava fazendo um esbo\u00e7o, como eu fa\u00e7o sempre: tem o t\u00edtulo, eu imagino umas coisas em volta desse t\u00edtulo, e fa\u00e7o um esqueleto para ir atr\u00e1s das can\u00e7\u00f5es, mas penso sempre num relevo de um romance, como se cada m\u00fasica fosse um cap\u00edtulo desse romance. Eu j\u00e1 tinha esse esbo\u00e7o, e tinha me esquecido. Ent\u00e3o, depois de todo esse evento que passou e eu n\u00e3o queria mais fazer show, inclusive n\u00e3o queria mais dividir palco com praticamente ningu\u00e9m&#8230; Mas continuei sempre fazendo participa\u00e7\u00f5es, porque sempre fiz na minha vida. Gosto muito de fazer isso: quando algu\u00e9m me chama para dividir uma can\u00e7\u00e3o, para fazer alguma coisa junto. Bruno [Giorgi, m\u00fasico e produtor do \u00e1lbum], por sua vez, (estava) trabalhando com tudo que \u00e9 banda indie, ele produz, mixa, masteriza. Ele tem um espectro muito amplo dos universos que rodeiam o fazer m\u00fasica, sabe? E ele estava sempre trabalhando com muita gente e as pessoas quando sabiam que ele era meu filho, me convidavam. Participei com Anavit\u00f3ria, com Angra, com Tuyo, com Far from Alaska\u2026 Ent\u00e3o assim, eu estava sempre participando. E diante dessa procura, Bruno me disse: &#8220;P\u00f4, vamos nos encontrar toda quarta-feira para fazer essas demandas todas, e a gente retorna a se encontrar no est\u00fadio, o est\u00fadio \u00e9 nosso\u201d. E na primeira quarta-feira que houve, al\u00e9m de gravar uma coisa, ele me mostrou o \u201cproto-EITA\u201d, que eram ali cinco can\u00e7\u00f5es mais ou menos, que eu j\u00e1 tinha meio que esbo\u00e7ado. Quando ele me mostrou, eu disse \u201ceita!\u201d (risos) Uma redund\u00e2ncia, n\u00e9? Mas eu falei: &#8220;Eita, aqui tem um caminho&#8221;. E eu e ele idealizamos um um show que eu poderia fazer sozinho, j\u00e1 que eu n\u00e3o queria dividir palco com ningu\u00e9m. A gente fez um espet\u00e1culo chamado Rizoma, que me trouxe at\u00e9 aqui (nota: turn\u00ea que repassava parte do repert\u00f3rio de Lenine apenas com o m\u00fasico e Bruno Giorgi no palco). Eu fui s\u00f3 interagindo e botando mais gente al\u00e9m de eu e ele, fui ampliando aos pouquinhos. Primeiro chamei o Pantico [Rocha], que \u00e9 um cara que toca bateria comigo h\u00e1 muitos anos. A\u00ed depois entrou o Gabriel [Ventura], outro guitarrista, parceiro do Bruno em algumas bandas. E foi assim que eu fui saindo desse isolamento art\u00edstico que eu mesmo me impus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E que nunca foi a sua t\u00f4nica, n\u00e9? Voc\u00ea sempre foi um cara extremamente colaborativo e greg\u00e1rio.<\/strong><br \/>\nSim, sim. Sempre atuando no coletivo. E tinha essa coisa de que o tempo entre os discos era assim de uns 2 anos e meio, 3 anos. Dava tempo para voc\u00ea percorrer tudo que queria e a\u00ed estava pronto para fazer um projeto novo. Ent\u00e3o o \u201cEITA\u201d tem tem muitas peculiaridades e por causa de muitas coisas, n\u00e9? Quando a gente retomou a coisa, a\u00ed j\u00e1 foi numa velocidade\u2026 Porque a\u00ed eu tinha redescoberto a miopia de minha parte (risos) de achar que eu poderia viver sem m\u00fasica (risos). Essa foi a primeira vez que achei que eu poderia viver sem o palco, e eu acho que o mais importante de tudo \u00e9 o palco! Eu fa\u00e7o m\u00fasica para fazer disco, para a\u00ed fazer um show para ir nos palcos do mundo. Ent\u00e3o assim, ter readquirido essa concretude no meu fazer, tudo foi muito r\u00e1pido e eu segui insistindo na ideia da imers\u00e3o, e n\u00e3o fazer um amontoado de can\u00e7\u00f5es e um single com um feat no qual se aposta tudo, e se em 15 segundos voc\u00ea n\u00e3o pegar o ouvido do outro (risos), o cara j\u00e1 mudou de m\u00fasica\u2026 \u00c9 uma urg\u00eancia que a gente vive hoje em dia, uma velocidade estonteante, e eu aposto nesse anacronismo de continuar fazendo \u00e1lbuns e querer promover. Da\u00ed eu fiz o filme, por querer promover essa imers\u00e3o durante ali 30 minutos de m\u00fasica in\u00e9dita. Foi isso que me levou a fazer o filme, inclusive.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Essa velocidade de hoje em dia nem mesmo \u00e9 uma velocidade nossa: \u00e9 das m\u00e1quinas. E a gente est\u00e1 justamente fazendo o oposto: se antes a ideia era usar a m\u00e1quina para adequar as tarefas ao nosso tempo, atualmente a gente est\u00e1 tentando se adequar ao tempo delas.<\/strong><br \/>\nE n\u00e3o existe! O dia s\u00f3 tem 24 horas (risos). Ent\u00e3o assim, esse tempo de voc\u00ea estar aberto a uma novidade, a uma coisa que voc\u00ea est\u00e1 vendo pela primeira vez, para mim faz parte de um ritual de ouvir m\u00fasica. Para mim, \u00e9 a coisa mais natural do mundo, mas sinto que hoje em dia essa coisa praticamente n\u00e3o acontece. Praticamente n\u00e3o acontece. E eu continuei, continuei insistindo nessa possibilidade de promover uma imers\u00e3o num disco, pensando o que seria, ou melhor, pensando o que ele \u00e9: um romance sonoro, e que \u00e9 importante que voc\u00ea ou\u00e7a naquele desencadear de can\u00e7\u00f5es que est\u00e3o narrando uma hist\u00f3ria. Eu queria dividir isso com todo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Diante disso, \u00e9 muito interessante que voc\u00ea fecha esse romance com um recado n\u00e3o necessariamente antissocial, mas com uma m\u00fasica meio p\u00e9 na porta, \u201cMotivo\u201d.<\/strong><br \/>\n(risos) Sim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Isso \u00e9 bem um reflexo n\u00e3o s\u00f3 da hist\u00f3ria que voc\u00ea queria contar, mas tamb\u00e9m acho que de todo esse per\u00edodo que voc\u00ea viveu, n\u00e9, de uma dificuldade de socializa\u00e7\u00e3o, de sobreviver ao fascismo brasileiro e tudo que a gente viveu nesses \u00faltimos tempos.<\/strong><br \/>\nUm fascismo planet\u00e1rio! N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 no Brasil, ficou mais evidente pra gente porque a gente est\u00e1 vivendo aqui, mas toda essa desconstru\u00e7\u00e3o da realidade est\u00e1 acontecendo de uma forma planet\u00e1ria, velho.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Lenine - Motivo (Clipe Oficial)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/GF8hYppWpg0?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Desculpe perguntar, mas voc\u00ea tem quantos anos mesmo?<\/strong><br \/>\n66.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Esses dias, estava conversando com um outro m\u00fasico, mais ou menos da sua idade, e perguntei para ele se ele se lembrava de ter vivido algum per\u00edodo mais assustador do que o atual. Ele me disse que n\u00e3o. Considerando tudo a\u00ed que voc\u00ea colocou, voc\u00ea diria tamb\u00e9m que nesses 66 anos nunca viveu um per\u00edodo t\u00e3o assustador quanto o atual?<\/strong><br \/>\nSim, mas em compensa\u00e7\u00e3o, a gente est\u00e1 num processo de readquirir esperan\u00e7a, n\u00e9? E foi fundamental a gente ter ido t\u00e3o fundo no po\u00e7o. Eu tenho claramente na minha cabe\u00e7a que ainda vai demorar muito pra gente voltar a algum tipo de normalidade social em benef\u00edcio do coletivo. Mas eu continuo esperan\u00e7oso e acreditando no ser humano, porque era mais f\u00e1cil eu brigar com o mundo. E por um momento eu realmente\u2026 Por sorte, eu tamb\u00e9m tenho tamb\u00e9m outras paix\u00f5es, como a bot\u00e2nica (o rosto de Lenine se ilumina), que me supre tanta coisa at\u00e9 hoje. Eu achei que poderia viver distante disso, porque questionei tudo isso e esse questionamento estava sempre em fun\u00e7\u00e3o do coletivo, cara. Eu sempre acreditei nisso. Bom, meu nome n\u00e3o \u00e9 art\u00edstico, n\u00e9? (risos) \u201cLenine\u201d n\u00e3o \u00e9 art\u00edstico (nota: o nome de batismo \u00e9 Oswaldo Lenine Macedo Pimentel)! Eu tive essa forma\u00e7\u00e3o socialista. Ent\u00e3o isso fazia todo o sentido pra mim. E quando perdeu o sentido como humanidade, isso me abalou profundamente. Agora, eu acho, diferentemente do cara com quem voc\u00ea falou, que a gente est\u00e1 come\u00e7ando a respirar. Eu acho que pro mais fundo do po\u00e7o a gente j\u00e1 deve ter ido, ou pelo menos eu espero, apesar de ver o que o Congresso fez essa noite (nota: a entrevista aconteceu no dia seguinte ao Congresso Nacional ter se aproveitado de uma confus\u00e3o com um protesto do deputado Glauber Braga para, durante a madrugada, aprovar a chamada PL da Dosimetria, reduzindo as penas dos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023, e tamb\u00e9m o Marco Temporal, que alterava significativamente a demarca\u00e7\u00e3o de terras ind\u00edgenas), tomando conhecimento que na confus\u00e3o do Congresso, o Senado votou a hist\u00f3ria do Marco Temporal, tudo acontecendo \u00e0s claras\u2026 \u00c9 uma realidade muito esquisita que a gente continua vivendo!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quando a gente come\u00e7ou a ter algum ensaio de volta \u00e0 normalidade p\u00f3s-pandemia, o primeiro show que eu fui assistir foi do Siba, que est\u00e1 com voc\u00ea no \u201cEITA\u201d, e eu lembro de uma sensa\u00e7\u00e3o de trauma coletivo no show, p\u00fablico e artistas com essa sensa\u00e7\u00e3o de terem vivido algo muito intenso e traum\u00e1tico. E at\u00e9 por isso, foi um show muito cat\u00e1rtico. Lembro do Siba falando : &#8220;Olha, \u00e9 dif\u00edcil voltar aqui depois de tudo que a gente viveu, mas \u00e9 necess\u00e1rio&#8221;. E arrisco dizer que muita gente ainda n\u00e3o entendeu o tamanho do estrago que foi a pandemia, tanto no individual quanto no coletivo.<\/strong><br \/>\nSim, n\u00e3o tenho d\u00favida nenhuma. Mexeu profundo, cara. Rachou as fam\u00edlias, esse momento foi fundo na hist\u00f3ria da desconstru\u00e7\u00e3o da realidade. As pessoas cuspindo imbecilidade e dissimula\u00e7\u00e3o na sua cara. Eu fui ensinado, e a vida tamb\u00e9m corroborou, que voc\u00ea tem que confiar no outro at\u00e9 que se prove o contr\u00e1rio. A premissa n\u00e3o pode ser \u201cse eu n\u00e3o te conhe\u00e7o, eu n\u00e3o confio em voc\u00ea\u201d. N\u00e3o! Minha m\u00e3e me educou diferente: &#8220;Se eu n\u00e3o te conhe\u00e7o, a\u00ed eu confio em voc\u00ea, porque n\u00e3o tem nada que deponha contra voc\u00ea&#8221;. Ent\u00e3o essa quest\u00e3o mais humanista, digamos assim, de um bem coletivo e da empatia de voc\u00ea se p\u00f4r no lugar do outro, isso a gente est\u00e1 procurando voltar a ter. N\u00e3o por acaso, a primeira m\u00fasica do disco se chama \u201cConfia em Mim\u201d, porque a confian\u00e7a foi o que mais abalou, cara. As pessoas perderam a confian\u00e7a no outro e se cultivou o ego\u00edsmo como o p\u00e3o de cada dia, \u201ceu t\u00f4 pensando em mim e foda-se o resto\u201d. Ent\u00e3o isso me abalou profundamente, porque eu tive essa forma\u00e7\u00e3o socialista e penso nos outros. E quando voc\u00ea v\u00ea que nada corrobora, nada da realidade corrobora no que voc\u00ea pensa, no que voc\u00ea age, vai muito profundo, n\u00e9? Esse tamb\u00e9m foi um dos motivos pelos quais eu fiquei recluso e querendo dist\u00e2ncia de tudo isso, at\u00e9 o momento de reafirmar que n\u00e3o. Atrav\u00e9s das minhas ferramentas, eu preciso batalhar pela volta do pensamento coletivo, pela volta da humanidade, pela volta da empatia pelo outro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>No \u201cEITA\u201d, me chamou aten\u00e7\u00e3o o quanto as letras s\u00e3o diretas. Voc\u00ea tem muitos formatos l\u00edricos que usa ao longo da sua carreira, mas eu tenho a impress\u00e3o que esse \u00e9 o seu \u00e1lbum onde as letras s\u00e3o mais diretas \u2013 no sentido de ser uma prosa muito clara, com bem pouca margem para equ\u00edvoco naquilo que voc\u00ea quer dizer. Quer dizer, tem a hist\u00f3ria que voc\u00ea quer contar, mas eu entendo que tamb\u00e9m tem um fincar o p\u00e9, n\u00e9, um ato de marcar sua posi\u00e7\u00e3o.<\/strong><br \/>\nTem toda essa pessoalidade e esse ato de me impor como express\u00e3o. Isso est\u00e1 realmente muito presente na quest\u00e3o toda, mas eu preciso voltar um pouquinho para falar de uma coisa que toda essa distopia que a gente viveu me levou, porque eu acho que o \u201cEITA\u201d \u00e9 muito fruto desse voltar a respirar, sabe? O \u201cEITA\u201d tem essa fun\u00e7\u00e3o de dizer para mim mesmo: &#8220;Meu Deus, em que em que realidade eu me encontro?\u201d Isso tudo teve uma certa\u2026 \u201cUma certa\u201d, n\u00e3o \u2013 foi a totalidade da pessoalidade disso. E n\u00e3o por acaso, nesse disco estou muito mais presente nas letras. Mesmo nas parcerias que fiz com o Gabriel, com todos, estou muito presente nas letras, na \u201cparte vernacular\u201d, digamos assim. Isso tamb\u00e9m corrobora essa quest\u00e3o de ser assim, de n\u00e3o ter muito tempo a perder. Eu sou muito objetivo e direto no que eu fa\u00e7o. Eu continuo procurando a s\u00edntese, isso est\u00e1 sempre presente, mas um grande foco do projeto todinho foi a minha intimidade. Todas as pessoas que participaram, todas as pessoas que tocaram, s\u00e3o todas pessoas com quem eu tenho a intimidade como ferramenta de aproxima\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o assim: eu chamei a (Maria) Beth\u00e2nia porque eu tenho intimidade com ela, n\u00f3s temos rela\u00e7\u00e3o suficiente para eu dizer: &#8220;Cara, canta isso pra mim?&#8221;. Com cada um, com cada n\u00facleo \u2013 porque cada m\u00fasica do \u201cEITA\u201d foi com n\u00facleos diferentes de m\u00fasicos \u2013 eu tinha a intimidade como escudo e espada. Por tudo isso, o \u201cEITA\u201d tem essa pessoalidade, essa s\u00edntese, e o afeto como mola propulsora, o afeto como trampolim. A \u201cConfia em Mim\u201d eu dedico a um futuro de afeto. Ent\u00e3o, est\u00e1 tudo muito alinhavado com essa no\u00e7\u00e3o que voc\u00ea sacou de objetivo, direto e sem muita firula.<\/p>\n<figure id=\"attachment_93263\" aria-describedby=\"caption-attachment-93263\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-93263\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/LENINE_Eita_Capa_3000x3000_VF_WEB.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/LENINE_Eita_Capa_3000x3000_VF_WEB.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/LENINE_Eita_Capa_3000x3000_VF_WEB-300x300.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/LENINE_Eita_Capa_3000x3000_VF_WEB-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-93263\" class=\"wp-caption-text\"><em>Arte da capa do disco &#8220;EITA&#8221;, de Lenine<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sobre essa pessoalidade, tem uma coisa que me chamou aten\u00e7\u00e3o no material de imprensa: ele destaca o car\u00e1ter \u201cpan-nordestino\u201d do disco, vamos dizer assim. Mas isso \u00e9 muito presente na sua obra h\u00e1 um bom tempo, e no \u201cCarbono\u201d (2015) em especial, tanto que voc\u00ea mesmo chegou a defini-lo como o seu disco mais nordestino at\u00e9 aquele momento. Ali\u00e1s, em uma resenha desse disco que o Carlos Eduardo Lima <a href=\"https:\/\/monkeybuzz.com.br\/resenhas\/albuns\/lenine-carbono\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">fez para o site MonkeyBuzz<\/a>, ele definiu o disco como \u201cm\u00fasica brasileira mundial\u201d, e eu achei esse uma maneira muito interessante de apresentar o seu som para algu\u00e9m que nunca o ouviu antes. \u00c9 aquela coisa de usar o regional para falar com o global, que voc\u00ea faz desde sempre, mas que no \u201cEITA\u201d e no \u201cCarbono\u201d vem com muita contemporaneidade.<\/strong><br \/>\n(Emocionado) Que massa voc\u00ea falar isso, Leonardo! Corrobora tanta coisa, cara. Porque sim, eu sempre usei subterf\u00fagios para tirar o que eu fazia de algum tipo de limite, e a MPB, essa sigla era muito limitadora para mim. Ent\u00e3o eu usava MPB como \u201cm\u00fasica planet\u00e1ria brasileira\u201d, outras vezes eu usei como \u201cm\u00fasica plural brasileira\u201d, mas na verdade voc\u00ea me deu a janela para eu falar do que eu acredito hoje em dia, que \u00e9 a MCB, \u201cm\u00fasica contempor\u00e2nea brasileira\u201d, cara! E voc\u00ea tirou todas as palavras que eu estava aguardando para lhe dizer (risos) e voc\u00ea disse a mim isso. E vou mais: eu acho que esse essa movimenta\u00e7\u00e3o da m\u00fasica contempor\u00e2nea feita no Brasil come\u00e7a com Milton Nascimento. Milton Nascimento botou a m\u00fasica brasileira noutra conjuga\u00e7\u00e3o. N\u00e3o era mais raiz e antena, ele estava chegando no planet\u00e1rio e no divino. Voc\u00ea n\u00e3o precisava provar mais nada para ningu\u00e9m. Assim, tudo ficou de uma contemporaneidade gigantesca e muito mais abrangente, porque a\u00ed quando ou\u00e7o um Matu\u00ea ou um Jota.P\u00ea (risos), tudo pra mim \u00e9 m\u00fasica contempor\u00e2nea brasileira. \u00c9 uma sigla que \u00e9 muito mais atraente para mim, muito mais aberta e fala da realidade, do que est\u00e1 sendo feito hoje, agora. \u00c9 contempor\u00e2neo por causa disso mesmo. Ent\u00e3o, que massa voc\u00ea falar isso, corrobora tudo que eu acho mesmo. Eu sou um representante da MCB, m\u00fasica contempor\u00e2nea brasileira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Acredito que a m\u00fasica brasileira que perdura, que atravessa a hist\u00f3ria, ela sempre teve essa contemporaneidade. Eu tenho 47 anos, ent\u00e3o quando na minha adolesc\u00eancia aparecem Chico Science, mundo livre s\/a, Banda Eddie, minha cabe\u00e7a virou no avesso. Porque at\u00e9 ent\u00e3o eu achava que eu n\u00e3o gostava de m\u00fasica brasileira! (risos) Mas a\u00ed, ouvindo aquelas coisas todas, meu pai vem e fala, \u201colha, bem bacana esse pessoal novo que est\u00e1 surgindo, mas acho que voc\u00ea vai gostar desse cara aqui, que j\u00e1 fazia umas coisas assim h\u00e1 muito tempo\u201d. E a\u00ed ele me d\u00e1 uma fita K7 do Alceu Valen\u00e7a! (risos) Porque Milton, Alceu, Chico Science que traziam o passado na bagagem, mas na hora de criar olhavam para os lados e para a frente, n\u00e3o para tr\u00e1s. S\u00e3o m\u00fasicas afinadas com o tempo presente, como tamb\u00e9m s\u00e3o as suas. E me parece que esses \u00faltimos discos s\u00e3o ainda mais afinados com o tempo presente do que os outros. N\u00e3o que os anteriores n\u00e3o fossem, mas me parece que o \u201cCarbono\u201d e o \u201cEITA\u201d trazem para o ouvinte tudo o que ele sabe sobre o Nordeste, mas tamb\u00e9m um monte de coisas que ele n\u00e3o sabe (risos), e tudo apresentado numa linguagem que n\u00e3o \u00e9 nem acad\u00eamica, nem antropol\u00f3gica, muito menos aquele folclore engessado. O que eu ia te perguntar sobre isso tudo (risos) \u00e9 algo que voc\u00ea meio que j\u00e1 respondeu: tudo isso vem de uma maneira consciente, n\u00e9?<\/strong><br \/>\nAh, completamente consciente, amigo. E voc\u00ea n\u00e3o sabe a felicidade que voc\u00ea est\u00e1 me dando percebendo dessa maneira, porque isso tem uma import\u00e2ncia muito grande para mim, essa autoralidade com a qual me impus e que persigo, no jeit\u00e3o de como eu fa\u00e7o as melodias, no jeit\u00e3o como eu toco, o jeit\u00e3o como eu canto. Isso tudo \u00e9 uma hibridagem, mas que s\u00f3 \u00e9 verdadeira hoje e agora para mim. Esse ac\u00famulo de experi\u00eancias ao longo do tempo n\u00e3o me distanciou dessa alma do criador, de estar sempre procurando chegar um pouquinho mais al\u00e9m, mas est\u00e1 tudo ali, tudo sempre esteve ali. Eu s\u00f3 vou aprimorando com o tempo essa hibridagem, digamos assim, que come\u00e7ou l\u00e1 com \u201cOlho de Peixe\u201d (1993). Na verdade, come\u00e7ou l\u00e1 com \u201cBaque Solto\u201d (1983), com Lula Queiroga, j\u00e1 estava ali o alicerce do tipo de hibridagem que eu queria visualizar.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Os 5 No Palco - Chico C\u00e9sar, Lenine, Marcos Suzano, Paulinho Moska e Zeca Baleiro\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/_pLQ9kd5gyA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A primeira vez que eu te vi ao vivo n\u00e3o era um show s\u00f3 eu, mas foi o projeto \u201cOs 5 no Palco\u201d (nota: turn\u00ea por diversas unidades do SESC-SP que uniu Lenine, Marcos Suzano, Chico C\u00e9sar, Zeca Baleiro e Moska). J\u00e1 ali, mesmo com um formato majoritariamente ac\u00fastico, voc\u00ea trazia essa contemporaneidade, especialmente nos momentos em que s\u00f3 ficavam voc\u00ea e o Suzano em cena. Mas o que chamou minha aten\u00e7\u00e3o ali era que, de todos os cinco, voc\u00ea tinha uma atitude mais roqueira (Lenine ri), voc\u00ea chegou a encaixar \u201cRoots Bloody Roots\u201d, do Sepultura, como uma m\u00fasica incidental.<\/strong><br \/>\n(ri novamente), \u00c9 verdade!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ent\u00e3o, v\u00eam a\u00ed duas perguntas dentro de uma: a primeira \u00e9 o que voc\u00ea tem ouvido, o que tem chamado sua aten\u00e7\u00e3o nesse lado mais roqueiro, e a segunda \u00e9 o quanto essa ideia do rock, mais em conceito do que em sonoridade, faz parte dessa sua m\u00fasica contempor\u00e2nea brasileira.<\/strong><br \/>\nP\u00f4, faz muita parte. Hoje em dia eu me lembro do impacto que foi ver e ouvir o Matu\u00ea, e acho que o trap t\u00e1 fazendo o que o rock j\u00e1 fez, est\u00e1 ali atuando da maneira contestadora que o rock j\u00e1 atuou. E a\u00ed, nesse sentido, eu reconhe\u00e7o isso quando ou\u00e7o o Matu\u00ea, entendeu? \u00c9 muito importante a gente ter a clareza de que a m\u00fasica \u00e9 uma coisa que est\u00e1 acontecendo, est\u00e1 rolando, ela vai se transformando, cara. Eu tento fazer isso com os discos que fa\u00e7o, com as m\u00fasicas que eu fa\u00e7o, isso de estar antenado com a minha cabe\u00e7a hoje. Eu sou um ser humano, cara, e hoje estou achando um neg\u00f3cio, amanh\u00e3 eu posso estar achando outro, mas o que liga todos esses achismos que eu posso ter foi a base da minha forma\u00e7\u00e3o. E como voc\u00ea bem me lembrou, \u00e9 roqueira, cara. \u00c9 o [Led] Zeppelin na veia, \u00e9 o Police na veia, sabe? Acho que isso est\u00e1 muito presente quando voc\u00ea ouve um \u201cDeita e Dorme\u201d, um \u201cRumo do Fogo\u201d (nota: ambas faixas de \u201cEITA\u201d), nelas est\u00e3o o rock que sempre esteve presente na minha vida. Est\u00e1 ali o trap de hoje em dia tamb\u00e9m. Sim, eu sou roqueiro, cara. (risos)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Outra coisa que voc\u00ea \u00e9 j\u00e1 h\u00e1 um bom tempo \u00e9 dono da sua m\u00fasica: voc\u00ea mesmo \u00e9 o respons\u00e1vel pela produ\u00e7\u00e3o fonogr\u00e1fica e executiva, edita suas m\u00fasicas, voc\u00ea tem o seu selo (Casa 9). Se isso j\u00e1 n\u00e3o era simples quando ainda existiam os formatos f\u00edsicos, hoje \u00e9 mais ainda, n\u00e9? Ent\u00e3o eu queria saber desse ponto de vista mesmo da sobreviv\u00eancia do artista, como que est\u00e1 esse mundo p\u00f3s-pandemia para voc\u00ea? Voc\u00ea ainda lan\u00e7a os discos em CD e vinil, o que \u00e9 uma despesa muito grande, e precisa fazer show, remunerar dignamente todo mundo envolvido, manter uma cadeia funcionando. Como isso est\u00e1 funcionando para voc\u00ea?<\/strong><br \/>\nEstou aqui, \u00f3 (faz m\u00edmica de malabarismo), de equilibrista. Agora, eu tenho que ser honesto: eu fui descobrindo uma maneira de me p\u00f4r nessa ind\u00fastria, e pra maioria dos brasileiros m\u00e9dicos que conhecem um pouco do que eu fa\u00e7o, eles me v\u00eaem como uma pessoa da ind\u00fastria, do universo da ind\u00fastria musical. Acho que s\u00e3o poucos como voc\u00ea que entendem que eu tive um processo todo independente que permeou a minha vida. Produzi os discos porque n\u00e3o tinha ningu\u00e9m para produzir, e eu n\u00e3o tinha como estudar isso, ent\u00e3o aprendi fazendo. Mas isso determinou uma artesania, um artesanato no fazer que tamb\u00e9m me trouxe at\u00e9 aqui, e isso me bota num lugar diferente de todo mundo. Vejo muito claramente que o fato de eu ser o dono da minha obra me bota nessa quest\u00e3o, me tira do universo s\u00f3 do entretenimento e me bota no lugar da educa\u00e7\u00e3o, me bota no lugar da cr\u00f4nica, no lugar do jornalismo. Ent\u00e3o isso para mim \u00e9 muito importante. O mais importante de tudo \u00e9 que n\u00e3o gosto de ser confundido. Eu constru\u00ed minha trajet\u00f3ria, cara! Fui eu mesmo, n\u00e3o foi ningu\u00e9m, n\u00e3o. Fui eu. Bom, eu tamb\u00e9m tive a sorte de encontrar um Suzano e um Denilson Campos (nota: produtor de \u201cOlho de Peixe\u201d) no momento certo e dizer: \u201cvamos fazer?\u201d, e eles responderem \u201cbora fazer\u201d. Eu tive a sorte de encontrar um Chico Neves, que disse: &#8220;Vamos fazer \u2018O Dia em que Faremos Contato\u2019 (1997)&#8221;. (enf\u00e1tico) Eu tive a sorte de descobrir muito cedo Tom Capone (produtor de \u201cNa Press\u00e3o\u201d, de 1999, e co-produtor de \u201cFalange Canibal\u201d, de 2002, j\u00e1 falecido). Eu tive grandes parceiros e tive a sorte de ter esses parceiros me ajudando a fazer o trabalho que eu fa\u00e7o. Isso agora continua com quem? Com meu filho, Bruno, que desde o \u201cCh\u00e3o\u201d (2011) vem produzindo meus discos. Ent\u00e3o, eu tive essa sorte tamb\u00e9m, sabe, de continuar progredindo na minha procura, de entender como se faz e como se propaga a m\u00fasica, mas a sorte tamb\u00e9m de ao longo desse processo ir formando parceiros e aprendendo com eles. Isso criou a minha trajet\u00f3ria, eu fui construindo cada pedra do caminho, cada degrau dessa escada, eu sei como eu fiz e sei porque fiz.<\/p>\n<figure id=\"attachment_93264\" aria-describedby=\"caption-attachment-93264\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-93264\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/LENINE_EITA_CREDITO-MALU-FREIRE_8280.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/LENINE_EITA_CREDITO-MALU-FREIRE_8280.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/LENINE_EITA_CREDITO-MALU-FREIRE_8280-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-93264\" class=\"wp-caption-text\"><em>Lenine \/ Foto de Malu Freire<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Nessa sua trajet\u00f3ria, que j\u00e1 s\u00e3o de mais de 40 anos, voc\u00ea deve ter visto muita gente boa que n\u00e3o conseguiu sobreviver dentro dessa ind\u00fastria, gente de talento, que poderiam ser bons nomes dessa m\u00fasica contempor\u00e2nea brasileira, mas n\u00e3o sobreviveram ao mercado ou a si mesmos.<\/strong><br \/>\nMuitos, cara. Muitos, muitos! E n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 agora. Isso sempre foi assim. Talento n\u00e3o significa isso tudo que a gente pode achar que signifique n\u00e3o, cara (risos). N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 o talento. (s\u00e9rio) O talento tem uma fun\u00e7\u00e3o incr\u00edvel na perman\u00eancia. Permanecer requer talento para isso, porque as mudan\u00e7as est\u00e3o acontecendo, as coisas sempre mudando, e voc\u00ea permanecer coerente e num caminho diante de tanta mudan\u00e7a \u00e9 o mais dif\u00edcil. Voc\u00ea h\u00e1 de ter talento, e mostrar esse talento, para poder permanecer. Acho que eu n\u00e3o sou refer\u00eancia, penso ser mais uma exce\u00e7\u00e3o por ter constru\u00eddo a minha carreira dessa maneira. Meu processo foi todo artesanal, e como eu te disse, tive a sorte da vida me botar na frente diversos parceiros que me ajudaram muito a formatar o que eu fa\u00e7o, me ajudaram demais a chegar aqui.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tem algu\u00e9m que voc\u00ea lembre especificamente, assim de bate-pronto, como exemplo de gente que tentou e acabou sucumbindo?<\/strong><br \/>\nA lista \u00e9 gigante, gigante, gigante\u2026 Eu podia falar por regi\u00e3o ou por estado, cara (risos). Porque tamb\u00e9m como a m\u00fasica \u00e9 muito generosa comigo, ela me leva para todo canto. E a minha m\u00fasica ter esse sentido mais libert\u00e1rio traz at\u00e9 mim pessoas que, como eu, sonham em fazer um trabalho diferente e ser reconhecido por ele. Mas muito talento j\u00e1 passou e n\u00e3o significou sucesso, n\u00e3o significou perman\u00eancia, porque tem mais coisas em jogo quando isso acontece \u2013 agora cada vez mais, porque a ind\u00fastria toda mudou de tal maneira que eu e toda a minha equipe, todo mundo que est\u00e1 trabalhando comigo, a gente teve que reaprender como \u00e9 que se faz, como se lan\u00e7ar no mercado. Tanto \u00e9 assim que eu s\u00f3 vou lan\u00e7ar o \u201cEITA\u201d materialmente no ano que vem, quando tiver estreando o show hom\u00f4nimo, vai ter tamb\u00e9m o CD e o vinil disso. Quer dizer, eu acabei de lan\u00e7ar um disco que existe na nuvem! (risos) \u00c9 uma coisa muito louca e muito nova para mim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>J\u00e1 que voc\u00ea falou do show: o \u201cEITA\u201d nasceu originalmente para ser uma coisa que voc\u00ea n\u00e3o tivesse que dividir palco com ningu\u00e9m.<\/strong><br \/>\nSim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mas ai voc\u00ea fez o \u201cRizoma\u201d s\u00f3 com voc\u00ea e o Bruno, e agora imagino que essa nova turn\u00ea vai ser menos solit\u00e1ria..<\/strong><br \/>\n\u00c9, eu repensei, mas n\u00e3o abri m\u00e3o de s\u00f3 dividir o palco com quem eu admiro, com quem eu tenho intimidade. Com quem eu admiro n\u00e3o somente o m\u00fasico, (enf\u00e1tico) eu tenho que admirar tamb\u00e9m o ser humano. Eu me impus isso como uma norma: s\u00f3 fa\u00e7o com quem eu gosto, cara. Eu tinha que melhorar o n\u00edvel dessa coisa para continuar permanecendo por aqui, ent\u00e3o isso de estar com quem eu admiro \u00e9 uma quest\u00e3o fundamental. A banda com quem eu vou fazer o lan\u00e7amento do \u201cEITA\u201d por enquanto tem o quarteto que me trouxe at\u00e9 aqui: o Bruno [Giorgi], que \u00e9 produtor e m\u00fasico, o Gabriel Ventura e o Pantico. Vai entrar mais gente, sim, mas eu nem posso lhe dizer isso agora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E ainda do ponto de vista mercadol\u00f3gico, \u00e9 meio maluco lan\u00e7ar um disco s\u00f3 na nuvem no fim do ano, n\u00e9? Ningu\u00e9m vai poder dar o \u201cEITA\u201d de presente de Natal (risos).<\/strong><br \/>\nMas a\u00ed eu tenho que ser honesto contigo. Na verdade, como eu quis fazer um filme quando eu terminei o disco, todos em volta disseram que eu ia ter que lan\u00e7ar em 2026, porque eu n\u00e3o ia ter tempo h\u00e1bil para produzir o filme esse ano ainda. Mas o disco j\u00e1 estava feito, mixado, masterizado, e isso aos poucos foi me batendo muito errado. Eu n\u00e3o aguentava mais! P\u00f4, j\u00e1 fiz o disco, j\u00e1 mixei, j\u00e1 masterizei, por que eu vou esperar at\u00e9 o pr\u00f3ximo ano? E a\u00ed todos me diziam: &#8220;N\u00e3o, porque voc\u00ea precisa de um tempo para poder produzir o filme&#8221;. Eu n\u00e3o aguentei essa press\u00e3o e disse: &#8220;N\u00e3o, ent\u00e3o eu abro m\u00e3o do filme, mas o disco que eu quero lan\u00e7ar esse ano, eu n\u00e3o aguento mais ficar esperando.&#8221; Mais uma vez, foi Bruno quem viu a minha frustra\u00e7\u00e3o diante do meu desejo de lan\u00e7ar o disco esse ano a ponto de abrir m\u00e3o de fazer o filme, e me perguntou assim: &#8220;Mas, rapaz, tu n\u00e3o queria tanto fazer o filme, cara? A tua vida toda tu queria fazer cinema? N\u00e3o foi, n\u00e3o \u00e9?&#8221; E eu disse: &#8220;Foi, \u00e9 verdade&#8221;. Ele disse: &#8220;Ent\u00e3o eu tamb\u00e9m nunca fiz, mas estou contigo, vamos fazer&#8221;. A gente se imp\u00f4s at\u00e9 o final do ano (2025) para concluir o filme \u2013 e isso foi h\u00e1 dois meses, cara! (nota: essa entrevista foi realizada na segunda semana de dezembro, uma semana ap\u00f3s o filme ter sido disponibilizado no YouTube) Foi muito corajoso da parte dele, mas muito solid\u00e1rio tamb\u00e9m. A\u00ed isso vazou para todo mundo: Bernardo, o meu mais novo, disse: &#8220;Ah, estou aqui, eu fa\u00e7o assist\u00eancia, estou com voc\u00ea&#8221;. Ent\u00e3o, foi assim que aconteceu de a gente fazer o filme e se impor lan\u00e7ar simultaneamente com o disco, que era esse o meu desejo. Isso porque, com o filme, de alguma maneira eu impunha a imers\u00e3o, a possibilidade de imers\u00e3o. Voc\u00ea n\u00e3o vai ouvir uma m\u00fasica, um single. N\u00e3o! Voc\u00ea vai ouvir o disco inteiro. Tanto \u00e9 que o filme n\u00e3o foi picotado [em clipes], \u00e9 para voc\u00ea ver na \u00edntegra. O filme \u00e9 o \u00e1lbum filmado, e eu divido com esse p\u00fablico a minha intimidade. \u00c9 isso a\u00ed. Se fosse s\u00f3 o disco, eu ia ter dificuldade para responder para voc\u00ea como \u00e9 que \u00e9 lan\u00e7ar um disco s\u00f3 na nuvem. Mas diante dessa novidade que foi fazer um filme do disco, fazer um filme para se ouvir diante de um disco que foi feito para se ver, isso me botou num outro lugar e tem outro tipo de materialidade, porque eu pude ver e apresentar pros meus o filme numa condi\u00e7\u00e3o muito interessante, numa master Atmos, que \u00e9 um sistema de uma espacialidade gigante \u2013 s\u00f3 alguns cinemas t\u00eam o n\u00famero de caixas suficiente pra gente conseguir aquela tridimensionalidade que o Atmos consegue. E a gente fez isso. Foi uma novidade muito grande e muito feliz. Eu adorei, cara. Estou querendo fazer filme de novo. (risos)<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Livros que inspiraram EITA\" width=\"563\" height=\"1000\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/yw3Zj3562n8?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Bom, pouca gente sabe que voc\u00ea fez \u00e9 que voc\u00ea experi\u00eancia no audiovisual com TV e cinema. Voc\u00ea fez m\u00fasicas para dois filmes dos Trapalh\u00f5es (\u201cOs Trapalh\u00f5es no Reino da Fantasia\u201d, de 1985, e \u201cOs Trapalh\u00f5es no Rabo do Cometa\u201d, de 1986), foi roteirista de esquetes do programa de TV deles\u2026<\/strong><br \/>\nMais do que isso, tamb\u00e9m fiz um longa-metragem com Rodrigo Pinto, \u201cContinua\u00e7\u00e3o\u201d (2009). Quer dizer, eu j\u00e1 tinha tido essa experi\u00eancia outras vezes com televis\u00e3o, com cinema. Eu sempre procurei sobreviver de m\u00fasica, e ela, a m\u00fasica, pode conjugar v\u00e1rios verbos diferentes, pode dividir com v\u00e1rias express\u00f5es diferentes, seja no cinema, seja na televis\u00e3o, (empolgado) seja nas trilhas do [grupo de dan\u00e7a] Corpo. Eu fiz duas trilhas pro Grupo Corpo e isso foi muito inovador para mim, muito estimulante. Por causa da experi\u00eancia com eles, eu mudei muita coisa na minha forma de compor. Cada experi\u00eancia nova que eu tinha ia incrementando esse meu vocabul\u00e1rio e aumentando o meu repert\u00f3rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O filme vai ser exibido em outras salas?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o, n\u00e3o. A gente est\u00e1 querendo escolher cidades que tenham as condi\u00e7\u00f5es similares \u00e0s que a gente teve em S\u00e3o Paulo, para produzir essa imers\u00e3o e fazer sess\u00f5es com essa possibilidade de explorar a espacialidade, a masteriza\u00e7\u00e3o que o Carlinhos Freitas fez para o sistema Atmos. Cara, \u00e9 um banho, \u00e9 uma del\u00edcia! As coisas acontecem porque n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 surround, \u00e9 como se fosse uma esfera. Ent\u00e3o voc\u00ea ouve em cima, mas ouve tamb\u00e9m em cima atr\u00e1s, em cima na frente, o som ganha uma dimens\u00e3o completamente diferente. \u00c9 uma experi\u00eancia que todo mundo deve ter, \u00e9 muito bacana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Pra gente fechar esse papo: voc\u00ea falou que est\u00e1 sendo um momento de retomar a esperan\u00e7a, tanto a individual quanto a coletiva. E como a gente est\u00e1 pegando a\u00ed uma virada de ano, eu acho que \u00e9 bastante justo, bastante oportuno perguntar qual \u00e9 a sua esperan\u00e7a\u2026<\/strong><br \/>\n(interrompendo) Rapaz!&#8230; (risos)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Qual \u00e9 a sua esperan\u00e7a para 2026?<\/strong><br \/>\nA esperan\u00e7a para 2026 \u00e9 a gente mudar esse congresso escroto e canalha que a gente est\u00e1 vendo a\u00ed. (enf\u00e1tico) A gente tem que mudar o Senado. Mudar o Senado! A gente tem que aprender a votar e tirar desse meio pol\u00edtico esse fascismo que se estabeleceu no mundo inteiro, e no Brasil ainda mais. P\u00f4, o que aconteceu no Congresso ontem foi inacredit\u00e1vel, cara. Foi inacredit\u00e1vel! A gente continua vivendo um momento muito delicado, mesmo com todos esses \u00edndices favor\u00e1veis que o Lula est\u00e1 nos dando, que o Brasil est\u00e1 mostrando. Parece que isso n\u00e3o conta. Voc\u00ea entende? A gente n\u00e3o saiu dessa da realidade dissimulada que foi imposta pra gente no Brasil. Ainda vai levar tempo, Leonardo. Isso ainda vai demorar muito, mas a gente pode come\u00e7ar isso para o ano j\u00e1 votando nas pessoas certas. E a\u00ed, cabe a n\u00f3s tamb\u00e9m reverberar essa necessidade de mudar o cen\u00e1rio pol\u00edtico brasileiro. N\u00e3o d\u00e1 para ser t\u00e3o descarado, t\u00e3o dissimulado, t\u00e3o cretino, t\u00e3o canalha. E \u00e9 uma maioria. L\u00f3gico que eu n\u00e3o estou generalizando, n\u00e3o estou dizendo que s\u00e3o todos, mas a maioria do Congresso \u00e9 canalha, est\u00e1 defendendo s\u00f3 os seus interesses e os interesses de quem banca eles. Est\u00e1 tudo comprado ou est\u00e1 quase tudo comprado.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Lenine - Confia Em Mim (Clipe Oficial)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/enYqPoq4xB8?list=OLAK5uy_mCY2taQaNDwLZAwD6MkgwGY1Dgiwh5mdM\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Faixa a faixa EITA - Parte 1\" width=\"563\" height=\"1000\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/eWTQEhrrG1I?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Lenine - Caribenha Na\u00e7\u00e3o\/Tuaregu\u00ea Nag\u00f4 (Lenine In Cit\u00e9)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/sn7NjPY792w?list=PLqUptxnao-Fy8n8Zvat23FvaRpam3oPcv\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u2013 Leonardo Vinhas (<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/leovinhas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">@leovinhas<\/a>) \u00e9 produtor e<\/em><em>\u00a0autor do livro \u201c<a href=\"https:\/\/editorabarbante.com.br\/produtos\/o-evangelho-segundo-odair-censura-igreja-e-o-filho-de-jose-e-maria\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">O Evangelho Segundo Odair: Censura, Igreja e O Filho de Jos\u00e9 e Maria<\/a>\u201c.\u00a0\u00a0<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\u201cEITA\u201d \u00e9 um dos \u00e1lbuns mais brilhantes e equilibrados de Lenine. Em suas 11 faixas, o disco certamente \u201cpassa seu recado\u201d de cr\u00edtica, reencontro e esperan\u00e7a\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/01\/05\/entrevista-sou-um-representante-da-mcb-a-musica-contemporanea-brasileira-avisa-lenine\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":6,"featured_media":93262,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[3419],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/93259"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=93259"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/93259\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":93267,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/93259\/revisions\/93267"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/93262"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=93259"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=93259"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=93259"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}