{"id":93192,"date":"2025-12-23T20:12:18","date_gmt":"2025-12-23T23:12:18","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=93192"},"modified":"2026-01-24T22:50:16","modified_gmt":"2026-01-25T01:50:16","slug":"tres-shows-birushanah-praed-e-os-fadas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/12\/23\/tres-shows-birushanah-praed-e-os-fadas\/","title":{"rendered":"Tr\u00eas shows: Birushanah, Praed e Os Fadas"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>texto e fotos (As Fadas) de <a href=\"https:\/\/twitter.com\/ociocretino\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Alexandre Lopes<\/a><br \/>\nfotos (Birushanah e Praed) de <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/fernandoyokota\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Fernando Yokota<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Birushanah \u2013 Sesc Avenida Paulista \u2013 09\/12<\/strong><br \/>\nParte integrante do <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/novasfrequencias\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Festival Novas Frequ\u00eancias<\/a>, o trio japon\u00eas <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/birushanah\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Birushanah<\/a> subiu ao palco do Sesc Avenida Paulista para um in\u00edcio de show que mais parecia um soundcheck levemente desorientado. Por conta de uma chuva chatinha e ventos preocupantes que assolaram a capital paulistana, o p\u00fablico presente ocupava apenas metade do espa\u00e7o do show pouco depois das 19h40. Antes mesmo de come\u00e7ar, o baterista Atsushi Sano discursava para a plat\u00e9ia com muitos \u201carigat\u00f4 everyone\u201d, enquanto o amplificador de baixo decidia se participaria ou n\u00e3o do espet\u00e1culo. A cena contou com quase dez minutos de t\u00e9cnicos ajeitando cabos, mas rendeu \u00e0 noite uma esp\u00e9cie de pr\u00f3logo involunt\u00e1rio, que deve ter deixado a banda um pouco nervosa. Quando o som finalmente se alinhou, veio um sludge\/doom metal com letras em japon\u00eas que parecia oscilar entre a concentra\u00e7\u00e3o e a inseguran\u00e7a: bateria, baixo e guitarra soavam como tr\u00eas entidades que ainda negociavam o bpm e entrosamento entre si. A tens\u00e3o s\u00f3 se dissipou l\u00e1 pela terceira faixa, quando o trio, finalmente aquecido, entrou na mesma \u00f3rbita e a coisa passou a se mover com mais prop\u00f3sito. Sano, ali\u00e1s, tocava um kit que merecia exposi\u00e7\u00e3o museol\u00f3gica: tr\u00eas frigideiras no lugar dos tons, uma \u201ccaixa\u201d de metal que lembrava uma pe\u00e7a de carro, e um ride de ataque permanente, imprimindo um timbre de sucata ritual\u00edstica que s\u00f3 funcionaria nas m\u00e3os de um baterista japon\u00eas que agradecia constantemente como um mantra entre as m\u00fasicas. Em dado momento, o baixista Ao Asako puxou um didgeridoo que parecia uma concha espiral. O p\u00fablico, em sil\u00eancio quase c\u00faltico, acompanhou o instrumento vibrar enquanto Sano marcava o ch\u00e3o com percuss\u00f5es suaves. Em seguida, foi a vez de Seiji Iso largar sua guitarra e assumir uma flauta, mergulhando todos em um intervalo quase meditativo antes da retomada do peso, com \u201cMabutairo No Tabibito\u201d devolvendo o trio \u00e0s guitarras amplificadas. No cl\u00edmax, da apresenta\u00e7\u00e3o, Iso tentou algo pr\u00f3ximo de um vocal mais agudo, lembrando um Glenn Hughes no fim do mundo, fechou um set de 57 minutos. Ainda houve um bis curto, puxado pela insist\u00eancia da plateia e coroado com mais \u201carigat\u00f4\u201d do incans\u00e1vel Sano, que parecia sinceramente muito empolgado com a experi\u00eancia. Um show estranho e por isso mesmo, fascinante.<\/p>\n<figure id=\"attachment_93211\" aria-describedby=\"caption-attachment-93211\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-93211 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/2025-12-09-Birushana333h-3000px-590.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/2025-12-09-Birushana333h-3000px-590.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/2025-12-09-Birushana333h-3000px-590-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-93211\" class=\"wp-caption-text\"><em>Birushanah<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Praed no Sesc Avenida Paulista \u2013 10\/12<\/strong><br \/>\nSe o Birushanah buscava a transcend\u00eancia pelo metal, o <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/praedband\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Praed<\/a> veio no dia seguinte do Festival Novas Frequ\u00eancias para invocar outro tipo de transe: aquele em que a pista de dan\u00e7a se encontra com o free jazz, o shaabi e um laptop. Novamente pouco depois das 19h40, Raed Yassin j\u00e1 chegava pedindo palmas ao p\u00fablico e fazendo um agachamento de aquecimento que preparava todos para o que seria um ritual \u00e1rabe-eletr\u00f4nico de possess\u00e3o dan\u00e7ante. Ap\u00f3s o primeiro n\u00famero, \u201cEmbassy of Embarrassment\u201d, Yassin soltou um animado \u201cGood evening, S\u00e3o Paulo!\u201d, dedicando o show \u00e0 embaixada brasileira que havia dificultado a entrada do duo no pa\u00eds. \u201cDepois desta vez, n\u00e3o sabemos quando vamos voltar, ent\u00e3o \u00e9 melhor voc\u00eas dan\u00e7arem\u201d, avisou. A ordem foi devidamente obedecida durante \u201cDoomsday Survival Kit\u201d, que contou com a ilustre participa\u00e7\u00e3o de uma cabe\u00e7a de boneca usada como sintetizador ativado por sensores de luz. Enquanto isso, Paed Conca seguia firme em suas fun\u00e7\u00f5es no clarinete, lendo partituras com a postura de quem toca num recital, ainda que seus joelhos flexionassem num micro-rebolado t\u00edmido. Esse contraste entre os dois era um show \u00e0 parte: Yassin assumia o palco como um frontman de cabar\u00e9, puxando um len\u00e7o do bolso para imitar uma odalisca dan\u00e7ando, incentivando palmas e provocando a plateia, enquanto Conca era a ant\u00edtese perfeita: contido, meticuloso em seu instrumento e s\u00f3 abrindo espa\u00e7o para pequenas coreografias involunt\u00e1rias quando o trance eletr\u00f4nico exigia. O terceiro n\u00famero, encerrado \u00e0s 20h28, j\u00e1 tinha colocado abaixo o Sesc, que estava mais cheio do que na noite anterior. O fechamento foi intenso, com Yassin esticando notas nos vocais e Conca soltando solos cada vez mais inspirados em seu instrumento. A m\u00fasica desabou aos poucos, at\u00e9 que Yassin assumiu um vocal mel\u00f3dico que funcionou como um pouso suave depois de um voo turbulento. Aplausos, gritos por \u201cmais um\u201d, e o duo voltou para um bis com \u201cEl Hawi\u201d, finalizada \u00e0s 20h55. Yassin agradeceu S\u00e3o Paulo, o curador Chico Dub e o Novas Frequ\u00eancias antes de encerrar com um conselho amb\u00edguo e perfeito: \u201cI think it\u2019s time we dream or drink.\u201d Dif\u00edcil discordar depois de um showz\u00e3o desses.<\/p>\n<figure id=\"attachment_93212\" aria-describedby=\"caption-attachment-93212\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-93212\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/2025-12-10-Praed-3000px-609.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"481\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/2025-12-10-Praed-3000px-609.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/2025-12-10-Praed-3000px-609-300x192.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-93212\" class=\"wp-caption-text\"><em>Praed<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Os Fadas no A Porta Maldita &#8211; 17\/12<\/strong><br \/>\nEncerrando a primeira noite do festival de fim de ano do A Porta Maldita &#8211; depois do coldwave do trio Pink Opake e do transe experimental da dupla Qmar -, <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/osfadas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Os Fadas<\/a> entraram em cena com seu autoproclamado \u201croque regressivo com onda\u201d: guitarras ruidosas e estridentes, percuss\u00e3o torta e vocais gritados assumidos como uma linguagem tensa. A refer\u00eancia \u00f3bvia aos Pixies aparece at\u00e9 no nome da banda, mas funciona menos como mera nostalgia e mais como um ponto de partida para um processo de deforma\u00e7\u00e3o e constru\u00e7\u00e3o de suas can\u00e7\u00f5es autorais ca\u00f3ticas. O quarteto paulistano, formado por Gabriel Magazza (guitarra, voz), Anna Bogaciovas (guitarra, voz), Lucia Esteves (baixo, voz) e Augusto Coaracy (bateria, voz), opera no limite entre can\u00e7\u00f5es melodiosas e ru\u00eddos, com os berros de Gabriel ecoando os momentos mais raivosos de Black Francis, enquanto os momentos mais agudos dos vocais de Anna puxam o eixo para um territ\u00f3rio pr\u00f3ximo do riot grrrl, com algo de Bikini Kill. Anna tamb\u00e9m assume o principal vetor de estranhamento do show com sua guitarra: sua abordagem do instrumento inclui t\u00e9cnicas pouco ortodoxas, como o uso de alicates de metal nas cordas, criando texturas abrasivas que ao mesmo tempo sabotam as can\u00e7\u00f5es e tamb\u00e9m as elevam para caminhos improv\u00e1veis e noises interessantes. No repert\u00f3rio do show, faixas do EP &#8220;Sono Ruim\u201d (2023) como \u201cSei L\u00e1 Vie\u201d e \u201cRevolto\u201d dividiram espa\u00e7o com m\u00fasicas mais recentes, como o single porradeiro \u201cMamata\u201d, que aponta para um novo lan\u00e7amento previsto para o primeiro semestre de 2026. No final, houve tempo at\u00e9 para uma r\u00e1pida troca de posi\u00e7\u00f5es entre Anna e Lucia para covers da punk rock \u201cIsla de Encanta\u201d e da bonita &#8220;La La Love You&#8221; do j\u00e1 referido quarteto de Boston. Foi um encerramento meio \u2018confort music\u2019 depois de uma apresenta\u00e7\u00e3o barulhenta para o pouco p\u00fablico que ficou at\u00e9 o final. Foi como se Os Fadas dissessem: \u201co show acabou e vamos deixar um presentinho para reverberar nos seus ouvidos pelo resto da noite\u201d.<\/p>\n<figure id=\"attachment_93195\" aria-describedby=\"caption-attachment-93195\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-93195 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/fadas.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/fadas.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/fadas-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-93195\" class=\"wp-caption-text\"><em>As Fadas<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p><em>\u2013 Alexandre Lopes (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/ociocretino\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">@ociocretino<\/a>) \u00e9 jornalista e assina o\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ociocretino.blogspot.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">www.ociocretino.blogspot.com.br<\/a>.\u00a0<\/em><br \/>\n<em>\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/fernandoyokotafotografia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Fernando Yokota<\/a>\u00a0\u00e9 fot\u00f3grafo de shows e de rua. Conhe\u00e7a seu trabalho:\u00a0<a href=\"http:\/\/fernandoyokota.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">http:\/\/fernandoyokota.com.br<\/a><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Birushanah foi estranho e fascinante; Praed promove um ritual \u00e1rabe-eletr\u00f4nico de possess\u00e3o dan\u00e7ante; Os Fadas operam no limite entre can\u00e7\u00f5es melodiosas e ru\u00eddos\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/12\/23\/tres-shows-birushanah-praed-e-os-fadas\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":101,"featured_media":93214,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[7549,3],"tags":[8042,8044,8043],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/93192"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/101"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=93192"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/93192\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":93215,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/93192\/revisions\/93215"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/93214"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=93192"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=93192"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=93192"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}