{"id":93160,"date":"2025-12-14T23:42:49","date_gmt":"2025-12-15T02:42:49","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=93160"},"modified":"2026-01-22T02:07:11","modified_gmt":"2026-01-22T05:07:11","slug":"o-iluminado-classico-de-stanley-kubrick-completa-45-anos-e-volta-aos-cinemas-provocando-calafrios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/12\/14\/o-iluminado-classico-de-stanley-kubrick-completa-45-anos-e-volta-aos-cinemas-provocando-calafrios\/","title":{"rendered":"&#8220;O Iluminado&#8221;, cl\u00e1ssico de Stanley Kubrick, completa 45 anos e volta aos cinemas provocando calafrios"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>texto de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/PeliculaVirtual\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Jo\u00e3o Paulo Barreto<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Autor de sucessos j\u00e1 com dois bestsellers no curr\u00edculo, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?s=stephen+king\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Stephen King<\/a> tinha apenas 29 anos de idade quando lan\u00e7ou um dos seus mais populares livros, &#8220;O Iluminado&#8221; (&#8220;The Shining&#8221;, 1977). De narrativa longa e descritiva, a escrita de King destacava a hist\u00f3ria de Jack Torrance, um escritor fracassado e desempregado que v\u00ea no trabalho de zelador durante tr\u00eas meses de isolamento em um hotel fechado para um longo inverno, a chance de concentra\u00e7\u00e3o para voltar \u00e0 sua estagnada labuta diante da m\u00e1quina de escrever.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na sua hist\u00f3ria, o ent\u00e3o consagrado autor de &#8220;Carrie&#8221; (1974) e &#8220;A Hora do Vampiro&#8221; (1975) inseriu os elementos de terror que viriam a se tornar marcas reconhec\u00edveis e sempre surpreendentes de uma escrita constante que se expandiria pelo pr\u00f3ximo meio s\u00e9culo em dezenas de livros. L\u00e1 estava o drama familiar; o trauma oriundo da viol\u00eancia; a quebra de confian\u00e7a perante tais traumas; a figura infantil a encontrar de forma for\u00e7ada sua maturidade e, claro, o elemento sobrenatural que se firmaria com algo presente em diversos trabalhos do residente do Maine, Estados Unidos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diante de um reconhecimento t\u00e3o precoce em uma \u00e9poca na qual a saga para a publica\u00e7\u00e3o de um livro s\u00f3 se equiparava a das v\u00e1rias tentativas de se escrever um sucesso que ca\u00edsse no gosto do p\u00fablico, Stephen King foi um mestre n\u00e3o somente por seu texto instigante, mas por conseguir unir um gosto liter\u00e1rio apurado a um forte apelo popular. Tal ponto, inclusive, gera at\u00e9 hoje certo preconceito entre intelectuais que n\u00e3o se arriscam a dar o bra\u00e7o a torcer em reconhecimento ao talento do homem.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-93162 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/iluminado1.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"586\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/iluminado1.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/iluminado1-300x234.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Junto com tal sucesso, claro, dinheiro e drogas acompanharam o jovem escritor que, durante a d\u00e9cada seguinte, precisou de muita for\u00e7a para superar o alcoolismo e o v\u00edcio em coca\u00edna. O autor de &#8220;C\u00e3o Raivoso&#8221; (1981) j\u00e1 afirmou em depoimentos que aquela sua fase, h\u00e1 45 anos, era t\u00e3o problem\u00e1tica em rela\u00e7\u00e3o aos excessos que ele n\u00e3o se recorda do processo de escrita desse livro sobre uma m\u00e3e e filho presos em um carro sob o julgo de um cachorro vitimado pela raiva. Cabe pontuar ter sido esse mais um de seus bestsellers escrito sob o julgo de um v\u00edcio err\u00e1tico. E em tais v\u00edcios atrelados ao reconhecimento art\u00edstico oriundo de uma genialidade latente, reside, claro, muito ego. E foi com esse ego inflado por tamanho prest\u00edgio e reconhecimento midi\u00e1tico que o jovem King viu o j\u00e1 veterano <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?s=Stanley+Kubrick\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Stanley Kubrick<\/a> adaptar de modo muito mais conciso e aterrorizante suas p\u00e1ginas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Stephen King j\u00e1 afirmou em diversas entrevistas que n\u00e3o viu com bons olhos o modo como o roteiro de Kubrick supostamente n\u00e3o abordou a luta de seu personagem central, vivido com uma assombrosa entrega por Jack Nicholson, contra alcoolismo, algo que o autor baseou em sua pr\u00f3pria luta. Al\u00e9m disso, para o escritor, a personagem feminina vivida por Shelley Duvall foi reduzida de uma mulher forte e decidida a apenas uma hist\u00e9rica chorona. Em uma das defini\u00e7\u00f5es mais marcantes do autor acerca do trabalho de Kubrick, a adapta\u00e7\u00e3o do diretor de &#8220;Spartacus&#8221; (1960) lhe pareceu &#8220;fria e intelectualizada&#8221;. Lembra que o termo &#8220;ego&#8221; foi citado anteriormente? N\u00e3o por acaso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diante de um trabalho de escrita conciso emocionalmente e que espelha a maneira matem\u00e1tica e pragm\u00e1tica como a dire\u00e7\u00e3o de Kubrick \u00e9 colocada em tela, apenas o ego da juventude perante uma releitura perfeita (e, convenhamos, at\u00e9 mais eficiente) de sua pr\u00f3pria obra justifica o modo como Stephen King despreza a adapta\u00e7\u00e3o de seu texto para o cinema, mesmo j\u00e1 tendo reconhecido a beleza visual do seu resultado final.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-93165 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/iluminado5.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/iluminado5.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/iluminado5-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E que beleza! O que os espectadores podem testemunhar nas salas de cinema atualmente traz j\u00e1 nos seus segundos iniciais um modo de constru\u00e7\u00e3o do horror que poucos filmes conseguem. Advindo da apropria\u00e7\u00e3o de uma melodia musical que data dos funerais da idade m\u00e9dia, o tema de abertura de &#8220;O Iluminado&#8221; \u00e9 assinado por Wendy Carlos e Rachel Elkind, que utilizam o c\u00e2ntico &#8220;Dies irae&#8221; (do latin, &#8220;dias da ira&#8221;) como um modo de constru\u00e7\u00e3o cont\u00ednua da loucura que seus personagens centrais v\u00e3o se ver diante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As vozes fantasmag\u00f3ricas que s\u00e3o apresentadas desde o come\u00e7o, com a ic\u00f4nica vista a\u00e9rea da rodovia que leva o fusca de Jack Torrance ao local de sua entrevista de emprego, terminam por rimar com os sons (ou com a voz) do pr\u00f3prio Hotel Overlook. Isso ocorre no momento de seu \u00e1pice de cacofonia e de turbilh\u00e3o imag\u00e9tico a representar o caos mental de seus personagens diante do choque de viol\u00eancia em seu desfecho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E se a dire\u00e7\u00e3o de Kubrick foi definida aqui como matem\u00e1tica e pragm\u00e1tica, isso se justifica a partir de um mergulho mais aprofundado e de olhar atento em seu opus advindo do horror. A partir do labirinto de corredores do pr\u00f3prio hotel, com tomadas, inclusive, notoriamente filmadas por Garret Brown, respons\u00e1vel pela cria\u00e7\u00e3o da Steadicam, revolucion\u00e1rio equipamento de capta\u00e7\u00e3o capaz de manter a imagem em um equil\u00edbrio mesmo com um constante movimento, vemos o garotinho iluminado Danny Torrance pedalando seu velotrol em esquinas que se aprofundam em paralelo aos crescentes tormentos da mente de seu pai, um ex-alco\u00f3latra em constante tenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-93166 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/iluminado6.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/iluminado6.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/iluminado6-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na met\u00e1fora de seus caminhos labir\u00ednticos da loucura de Jack Torrance, &#8220;O Iluminado&#8221; encontra um espelho, tamb\u00e9m, no pr\u00f3prio labirinto existente no hotel, local onde o louco de machado em punho adentra e encontra seu final tr\u00e1gico. Nada mais apropriado visualmente, uma vez que sua loucura aprofundada pelos corredores do Overlook simbolizou a constru\u00e7\u00e3o desse momento fatal e derradeiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aqui, Stanley Kubrick cria um caminho da loucura se apropriando de aspectos da dualidade que sua obra traz. A come\u00e7ar pela pr\u00f3pria dualidade de bem e mal representada na pureza de Danny vs. a maldade opulenta encontrada no hotel. Junto a isso, a mesma inoc\u00eancia do garotinho colapsando com o crescente terror advindo de seu pr\u00f3prio pai. E no personagem de Jack Torrance, a mesma dualidade \u00e9 vista na luta entre o seu pr\u00f3prio bem e mal internos &#8211; uma luta que j\u00e1 vinha sendo travada h\u00e1 muito tempo, bem antes de seu desfecho tr\u00e1gico. Tragicidade cuja evolu\u00e7\u00e3o de seu decl\u00ednio, Kubrick desenha com sua lente ao utilizar o not\u00f3rio \u00e2ngulo holand\u00eas (dutch angle), um tipo de artif\u00edcio de c\u00e2mera a denotar justamente a instabilidade mental dos personagens. No caso de Jack Torrance, o modo como ele sucumbe ao Hotel Overlook e sua malignidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda sobre o tema da dualidade de seus personagens sendo refletida em artif\u00edcios narrativos, Kubrick entende e estende essa quest\u00e3o, a levando para os aspectos visuais de seu filme e a evidenciando em um ponto de maior escala ao usar v\u00e1rios instrumentos narrativos para tanto. Cita-se, por exemplo, a simetria de espelhos do hotel a refletir em diversos momentos seus protagonistas e elementos imag\u00e9ticos marcantes, sendo um dos mais chocantes, claro, a da palavra &#8220;Murder&#8221; (assassinato) escrita e proferida ao contr\u00e1rio ap\u00f3s refletida por um espelho. Al\u00e9m deste, a presen\u00e7a, ainda em aspectos de dualidade, dos fantasmas das crian\u00e7as g\u00eameas que foram mortas no local, cuja apari\u00e7\u00e3o em cena ecoa como um dos momentos mais aterrorizantes j\u00e1 vistos no cinema.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"O Iluminado - Trailer Original\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/dSQ3yN5yJ0g?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesta an\u00e1lise da dualidade em &#8220;O Iluminado&#8221;, importante citar, tamb\u00e9m, a figura psicol\u00f3gica de Tony, o amigo imagin\u00e1rio de Danny a representar o garoto na mesma dualidade e que assume sua voz ao ser invocado e, claro, as duas diferentes mulheres do quarto 237 apresentadas inicialmente de forma sedutora e sensual para, depois, cadav\u00e9rica e putrefata.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Stanley Kubrick j\u00e1 vinha de uma carreira consolidada ao se propor a dirigir um filme de terror (&#8220;<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?s=O+Exorcista\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">O Exorcista<\/a>&#8220;, filme de 1973, chegou a lhe ser oferecido pela Warner Bros., inclusive). Diretor de obras como &#8220;Dr. Fant\u00e1stico&#8221; (1964), uma brilhante e tragic\u00f4mica cr\u00edtica \u00e0 cultura belicosa no s\u00e9culo XX; &#8220;2001 &#8211; Uma Odisseia no Espa\u00e7o&#8221; (1968), o mais sagaz e enigm\u00e1tico filme a buscar por respostas acerca de quem somos como seres humanos; &#8220;<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/10\/01\/cinema-laranja-mecanica-e-filosofia-pura\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Laranja Mec\u00e2nica<\/a>&#8221; (1971), uma violenta e mordaz cr\u00edtica ao Estado e \u00e0 Igreja em suas formas de escravizar sociedades, e &#8220;Barry Lyndon&#8221; (1975), um gigantesco \u00e9pico de guerra filmado a luz de velas, para citar apenas alguns poucos medalh\u00f5es, o brit\u00e2nico enxadrista e fot\u00f3grafo s\u00f3 viria a trabalhar novamente em mais dois projetos: &#8220;Nascido para Matar&#8221; (1987) e &#8220;<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/10\/19\/37-mostra-de-saopaulo-2013\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">De Olhos Bem Fechados<\/a>&#8221; (1999).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O perfeccionista cineasta viria a falecer durante seu sono pouco antes do lan\u00e7amento do filme com Tom Cruise e Nicole Kidman naquele mesmo ano de 1999. Seu projeto seguinte seria &#8220;<a href=\"https:\/\/www.screamyell.com.br\/cinema\/artificial.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">A.I. &#8211; Intelig\u00eancia Artificial<\/a>&#8220;, cujo direitos do livro havia sido adquiridos por Kubrick ainda na d\u00e9cada de 1970. O admirador Steven Spielberg foi o respons\u00e1vel por filmar o legado que Kubrick esperou anos para concretizar (mas cuja tecnologia ainda n\u00e3o existia) e conseguiu honrar o amigo com seu filme lan\u00e7ado em 2001. E curiosamente, o tema de tal filme \u00e9 uma das discuss\u00f5es mais acaloradas em rela\u00e7\u00e3o ao que seria o futuro da humanidade nessa nossa quase dist\u00f3pica atualidade. Kubrick. Precursor como sempre.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-93164 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/iluminado4.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"1083\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/iluminado4.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/iluminado4-208x300.jpg 208w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/profile.php?id=100009655066720\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Jo\u00e3o Paulo Barreto\u00a0<\/a>\u00e9 jornalista, cr\u00edtico de cinema e curador do\u00a0<a href=\"http:\/\/coisadecinema.com.br\/xiii-panorama\/apresentacao\/panorama-2017\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Festival Panorama Internacional Coisa de Cinema<\/a>. Membro da Abraccine, colabora para o Jornal A Tarde, de Salvador, e \u00e9 autor de \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/11\/11\/entrevista-mitico-guitarrista-baiano-alvaro-assmar-ganha-biografia-joao-paulo-barreto-fala-sobre-uma-vida-blues\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Uma Vida Blues<\/a>\u201d, biografia de \u00c1lvaro Assmar.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Kubrick cria um caminho de loucura se apropriando de aspectos de dualidade.  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