{"id":93137,"date":"2025-12-11T00:40:24","date_gmt":"2025-12-11T03:40:24","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=93137"},"modified":"2026-01-28T09:07:29","modified_gmt":"2026-01-28T12:07:29","slug":"som-no-sebo-a-chegada-do-tiny-desk-no-brasil-nos-corrobora-como-modelo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/12\/11\/som-no-sebo-a-chegada-do-tiny-desk-no-brasil-nos-corrobora-como-modelo\/","title":{"rendered":"Som no Sebo: &#8220;A chegada do Tiny Desk no Brasil nos corrobora como modelo&#8221;"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/amusicadofabio\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Fabio Machado<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">A ideia de ter artistas tocando suas m\u00fasicas enquanto s\u00e3o filmados est\u00e1 longe de ser nova. Ao longo do s\u00e9culo passado, esse formato se consolidou nos programas de TV, indo dos talk shows de Ed Sullivan e David Letterman at\u00e9 formatos de nicho, como Top of the Pops, Midnight Special e Soul Train. No s\u00e9culo XXI, esse modelo foi repensado com a din\u00e2mica de novas redes sociais e novas formas de consumir conte\u00fado: \u00e0s vezes mais minimalista, outras vezes num ambiente mais inusitado, mas mantendo o foco na performance e conex\u00e3o com o artista. Diante desse hist\u00f3rico, como trazer algo de novo dentro desse universo audiovisual?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para os respons\u00e1veis pelo projeto <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/somnosebo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Som no Sebo<\/a>, o caminho para a inova\u00e7\u00e3o veio por meio da literatura &#8211; mais precisamente, pelas depend\u00eancias do Mercadinho Simples, um casar\u00e3o abarrotado de livros e charme localizado no cora\u00e7\u00e3o da Bela Vista, em S\u00e3o Paulo. Ali, surgiu o estalo de unir m\u00fasica e literatura, com artistas de diferentes vertentes mostrando seu trabalho de forma \u00fanica: a ideia \u00e9 tamb\u00e9m fazer algo diferente do habitual para ser <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/@SomnoSebo\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">registrado no canal<\/a>. Assim, vemos o trapper Duuz (dono do v\u00eddeo mais assistido no canal, com mais de 360 mil visualiza\u00e7\u00f5es &#8211; <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=gwSfEh9Wi9c\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">e contando<\/a>) se apresentar pela primeira vez com uma banda. Ou ent\u00e3o, uma banda naturalmente el\u00e9trica como Far From Alaska em vers\u00e3o mais despojada com viol\u00f5es, em meio aos (muitos) livros que comp\u00f5em o cen\u00e1rio (assista abaixo).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse \u00e9 o diferencial do canal surgido em outubro de 2024 no YouTube e que j\u00e1 ultrapassou 20 mil assinantes &#8211; meta que acreditariam ultrapassar apenas no fim do ano, segundo Ivan Staicov, um dos s\u00f3cios respons\u00e1veis pelo Som no Sebo. Em entrevista ao Scream &amp; Yell realizada por chamada de v\u00eddeo com ele e o restante da equipe que atua no programa, eles falam mais sobre as conex\u00f5es entre m\u00fasica e literatura, os desafios e os diferenciais em rela\u00e7\u00e3o a outros modelos de live session mais conhecidos, a exemplo do Tiny Desk criado dentro da norte-americana NPR em 2008, mas que ganhou sua vers\u00e3o brasileira em 2025 por meio da Anonymous Content Brasil e do pr\u00f3prio escrit\u00f3rio brasileiro do YouTube. O burburinho em torno no \u201cprimo\u201d mais famoso acabou rendendo mais visibilidade ao pr\u00f3prio Som no Sebo, que \u00e9 lembrado com recorr\u00eancia em coment\u00e1rios de internautas que buscam alternativas fora do mainstream. \u00c9 por isso que, para Ivan, \u201ca chegada do Tiny Desk Brasil n\u00e3o nos assusta, s\u00f3 corrobora nosso formato\u201d. Confira a \u00edntegra da entrevista a seguir.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"SOM NO SEBO | Far From Alaska\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/v7cFeK3KZaU?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Primeiro de tudo, acho que seria interessante falar sobre o in\u00edcio: como surgiu a ideia? Sei que voc\u00eas t\u00eam agora 24,5 mil assinantes no YouTube e 15,5 mil no Instagram. (Mas) Nem todo mundo que est\u00e1 chegando agora sabe como foi esse primeiro espa\u00e7o, ent\u00e3o seria legal saber de voc\u00eas. E tamb\u00e9m falar um pouco, n\u00e3o s\u00f3 como compara\u00e7\u00e3o, mas saber a opini\u00e3o de voc\u00eas sobre outro projeto mais recente nessa \u00e1rea, no caso o Tiny Desk Brasil.<\/strong><br \/>\nDaniela Kawanaka: (Pra come\u00e7ar, me deixa) apresentar o Diego (Oct\u00e1vio), nosso diretor art\u00edstico &#8211; toda a parte de curadoria \u00e9 feita por ele. O Fabi (Fabiano Battaglin) \u00e9 nosso diretor de fotografia, ent\u00e3o aquele enquadramento maravilhoso, a magia, \u00e9 ele junto com o Fernando (Dumitriu), que \u00e9 s\u00f3cio-fundador do Som no Sebo. E a\u00ed temos a Cris (Cristiane Kawanaka), que cuida da parte de produ\u00e7\u00e3o e administra\u00e7\u00e3o, e o Ivan (Staicov), que faz a parte de RP da gente&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diego Oct\u00e1vio: E nossa editora Dani! Nossa montadora (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Daniela: Fa\u00e7o a parte da edi\u00e7\u00e3o dos v\u00eddeos e estou cuidando das redes sociais, meio quebra galho, porque \u00e9 uma coisa que n\u00f3s tamb\u00e9m queremos come\u00e7ar (a movimentar). Acho que temos esse v\u00e1cuo nas redes sociais, de ter uma pessoa que seja mais desse meio&#8230; \u00c9 que tudo aconteceu muito r\u00e1pido, Fabio. O projeto est\u00e1 fazendo um ano. Foi 6 de outubro de 2024, se n\u00e3o me engano, o primeiro lan\u00e7amento. E \u00e9 inevit\u00e1vel a gente falar que a nossa inspira\u00e7\u00e3o \u00e9 o Tiny Desk, porque n\u00f3s todos somos consumidores (do programa da NPR).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aqui temos dois s\u00f3cios m\u00fasicos, mas para al\u00e9m disso, somos todos amantes de m\u00fasica. Ent\u00e3o, era um produto que a gente j\u00e1 consumia, mas t\u00ednhamos algumas quest\u00f5es. Por exemplo: Fabi, Fernando, Di, todos s\u00e3o do audiovisual. Ent\u00e3o a quest\u00e3o est\u00e9tica pegava um pouquinho, de fazer uma coisa mais elaborada, uma fotografia mais bonita &#8211; o que n\u00e3o \u00e9 o foco do Tiny Desk, que a gente super entende, mas pensamos: \u201cE se a gente fizer?\u201d Alguma coisa de m\u00fasica, mas que trouxesse tamb\u00e9m algo mais ligado \u00e0 cultura, por isso a ideia do sebo. E a\u00ed fizemos um piloto, foi na brincadeira, porque o Som no Sebo n\u00e3o \u00e9 a atividade principal de todo mundo, na verdade \u00e9 o projeto de cora\u00e7\u00e3o de todo mundo. Mas falamos: \u201cVamos fazer!\u201d, fizemos e ficou lindo. Mod\u00e9stia \u00e0 parte, ficamos apaixonados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">[O piloto] n\u00e3o foi para o ar, porque o artista acabou indo para os Estados Unidos e fechou com uma gravadora, mas aquilo ficou na nossa cabe\u00e7a. Correria, todo mundo l\u00e1 com as suas fun\u00e7\u00f5es. Um dia a Cris, que \u00e9 uma das s\u00f3cias, falou: \u201cGente, vamos tirar esse projeto da gaveta?\u201d Enfim, voltamos a fazer com essa equipe, com esses seis s\u00f3cios. O fundador, na verdade, foi o Fernando, que n\u00e3o p\u00f4de estar aqui hoje. E come\u00e7amos a fazer como um projeto, mesmo. S\u00f3 que a coisa foi ganhando uma propor\u00e7\u00e3o de envolvimento&#8230; E hoje em dia as nossas fun\u00e7\u00f5es s\u00e3o divididas. Todo mundo divide seu tempo 50\/50.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Tiny Desk\u2026 olha o ato falho (risos). O Som no Sebo hoje n\u00e3o \u00e9 mais s\u00f3 um projeto. Ele faz parte das nossas atividades di\u00e1rias. Ent\u00e3o, dividimos muito bem a nossa rotina e ele virou um trabalho. De forma independente, n\u00e3o remunerada. Os s\u00f3cios ainda t\u00eam que investir nessa parte, mas a gente acredita que pouco a pouco&#8230; [pausa para o Ivan tamb\u00e9m entrar na conversa on-line]. Mas \u00e9 o que eu te falei: tudo aconteceu muito r\u00e1pido. Se pararmos para pensar em prazo, em um ano, ningu\u00e9m sonhava de ter estourado. E a\u00ed, aproveitando o gancho, acho que j\u00e1 contextualizando esse in\u00edcio, quando voc\u00ea pergunta sobre o Tiny Desk, as percep\u00e7\u00f5es foram muito diferentes, mas sempre teve aquela coisa: \u201cAh, \u00e9 mais um canal que s\u00f3 vem a somar\u201d, sabe? Eu acho que \u00e9 \u00f3bvio. A gente est\u00e1 come\u00e7ando, eles j\u00e1 v\u00eam com essa bagagem, n\u00e9? Vindo l\u00e1 de fora, mas fazendo a vers\u00e3o brasileira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas assim, para a gente, todo projeto que comece ou que j\u00e1 venha com nome, envolvido com cultura, de uma certa forma, tamb\u00e9m vai ser importante. Porque, como eu te falei, \u00e9 da nossa inspira\u00e7\u00e3o. Hoje, ao olhar o Tiny Desk Brasil, a gente fala: \u201cAh, que legal!\u201d Eu acho que todo mundo sai ganhando. Mas foi uma surpresa o quanto de coisa boa ele trouxe. Ent\u00e3o, as pessoas come\u00e7aram a ter isso, de um canal desse peso, e come\u00e7aram a buscar. Come\u00e7amos a ter muitos coment\u00e1rios em mat\u00e9rias do Tiny Desk, citando o Som no Sebo. Ent\u00e3o, eu, pelo menos, vejo como positivo. Acho que todo mundo aqui acompanha, assiste, consome, assim como o Tiny Desk l\u00e1 de fora, a gente tamb\u00e9m acompanha o daqui&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diego Oct\u00e1vio: De certa maneira, n\u00f3s somos frequentadores ou moradores do bairro da Bela Vista. Ent\u00e3o, j\u00e1 conhec\u00edamos esse espa\u00e7o, tanto a <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/livraria_simples\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Livraria Simples<\/a>, quanto o Mercadinho (Simples). Ent\u00e3o, lembro quando o Fernando me levou l\u00e1 a primeira vez e falou: \u201cCara, olha essa loca\u00e7\u00e3o, isso aqui \u00e9 incr\u00edvel para a gente gravar qualquer projeto\u201d. E a\u00ed, ele me contou um pouco do que ele tinha imaginado: \u201cCara, imagino aqui uma banda tocando, as c\u00e2meras e tal. E eu falei: \u201cCara, isso \u00e9 genial\u201d. Ent\u00e3o, o local tamb\u00e9m contribuiu muito para ter esse insight criativo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Daniela: Virou uma marca registrada, na verdade. O nome, tudo foi concebido em cima do espa\u00e7o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ivan: Vou complementar percep\u00e7\u00f5es: dos s\u00f3cios, eu sou o s\u00f3cio que atuou no music business nos \u00faltimos anos. Ent\u00e3o, eu tive banda, mas tamb\u00e9m sou produtor e tudo mais, e fiquei no meu \u00faltimo set\u00eanio, basicamente, mergulhado no mundo da m\u00fasica. E a\u00ed, eu falo isso com o conforto que eu tenho da percep\u00e7\u00e3o visual e audiovisual dos meus outros s\u00f3cios, dos outros cinco (n\u00f3s somos em seis), que foi um pouco do que o Diego falou agora: esse olhar que eles t\u00eam que \u00e9 poderoso sobre a loca\u00e7\u00e3o, poderoso sobre a est\u00e9tica, poderoso sobre a luz. A gente tem uma soma muito legal em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 estrutura societ\u00e1ria de quem est\u00e1 dentro do projeto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas em rela\u00e7\u00e3o ao mercado, foi muito legal porque quando cheguei, eu cheguei como artista, ent\u00e3o eu cheguei para gravar com a minha banda &#8211; que foi uma das primeiras &#8211; a primeira leva de pilotos. Eu sou investidor por defini\u00e7\u00e3o, por gostar de projeto, de risco, de empreitadas e tal, e eu sa\u00ed falando: \u201cCara, isso aqui \u00e9 muito m\u00e1gico e especial, quem que est\u00e1 fazendo, quem s\u00e3o os donos de quem est\u00e1 fazendo, foi muito m\u00e1gico!\u201d E a\u00ed ouvi de um monte de gente no set: \u201cCara, \u00e9 um piloto, a gente n\u00e3o sabe exatamente quem \u00e9 dono, foi muito foda, a ideia \u00e9 dele e dela, foi meio isso, ou ent\u00e3o o Fernando e a Dani\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E o barato disso \u00e9 que, com certeza, a inspira\u00e7\u00e3o era &#8211; e pegando o gancho do que j\u00e1 foi dito aqui sobre o Tiny Desk &#8211; [o modelo original do Tiny Desk], mas a gente n\u00e3o pode esquecer que ele \u00e9 como um mote do nosso tempo, n\u00e9? Eu acho que ele representa uma estrutura, um modelo de pocket show e session do nosso tempo. S\u00f3 que estamos falando de uma estrutura, de um modelo que se faz desde que a TV \u00e9 TV. Ou seja, eu lembro de ter as minhas primeiras refer\u00eancias desse tipo de session de quando eu era moleque e eu assistia alguma coisa da d\u00e9cada de 50 que minha m\u00e3e gostava muito, do Peter, Paul &amp; Mary em talk shows assim, ou depois, sei l\u00e1, o David Letterman e outras, e at\u00e9 o J\u00f4 (Soares) mesmo, fez isso bastante, que era no final do programa, tinha eventualmente a session l\u00e1 com a banda, que era a banda convidada. A gente n\u00e3o tem a entrevista antes, a gente n\u00e3o \u00e9 o talk show, a gente \u00e9 s\u00f3 a session show. Ent\u00e3o, eu falo isso no sentido de eu acho que [o formato] \u00e9 um modelo consagrado, um modelo muito bem definido j\u00e1, h\u00e1 pelo menos 70 anos, do ponto de vista audiovisual. Mas tamb\u00e9m acho que alguns canais ou algumas m\u00eddias validaram ele e falaram assim: \u201c\u00d3, \u00e9 isso aqui agora, na era da internet, \u00e9 isso aqui que a gente vai propor\u201d Depois a gente tem uma lista de refer\u00eancias, de benchmark, tudo mais. O <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/@COLORSxSTUDIOS\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Colors<\/a> \u00e9 um benchmark, o <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/channel\/UC4eYXhJI4-7wSWc8UNRwD4A\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Tiny Desk<\/a> \u00e9 um benchmark, o Session in Event \u00e9 um benchmark tamb\u00e9m, e por a\u00ed vai.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ent\u00e3o, aqui, acho que a grande parada \u00e9 como conseguimos fazer isso com a nossa est\u00e9tica corroborada, ou seja, n\u00e3o fomos l\u00e1 e inventamos um cen\u00e1rio, pegamos um cen\u00e1rio e falamos assim: \u201cCara, isso aqui tem uma parada, n\u00e9?\u201d. Com a nossa est\u00e9tica sonora, que \u00e9 a gente descobrindo tamb\u00e9m a potencialidade de fazer daquilo a est\u00e9tica sonora da onde quer\u00edamos levar. E isso tudo em cima da nossa curadoria. Acho que a grande m\u00e1gica do que eu posso dizer hoje do Som no Sebo \u00e9 a nossa curadoria, que \u00e9 onde olhamos e falamos assim: \u201cPera\u00ed, se a gente for pelo \u00f3bvio, que \u00e9 botar o mainstream\u2026\u201d E temos muito cuidado pra falar do mainstream, porque a gente tamb\u00e9m gosta e tamb\u00e9m consome. Mas se a gente for s\u00f3 por ele, a gente vai pelo \u00f3bvio, o que j\u00e1 estaria tocando no Faust\u00e3o, sendo que n\u00e3o tem mais Faust\u00e3o, sabe. Mas \u00e9 o cuidado da curadoria, de saber qual \u00e9 o diamante que est\u00e1 perdido por a\u00ed. Ou se n\u00e3o est\u00e1 perdido e n\u00e3o est\u00e1 no mainstream, mas sabemos que \u00e9 um diamante. Como vamos lapidar e trazer aqui para dentro.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"SOM NO SEBO | Francisco El Hombre\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Z9vpGZPp1Mg?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea at\u00e9 antecipou uma pergunta minha, que era justamente querer saber um pouco mais sobre a curadoria, no sentido de como funciona e quais os crit\u00e9rios a\u00ed que voc\u00eas devem ter para conseguir fazer essa sele\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nDaniela: Para n\u00f3s, \u00e9 muito importante o n\u00famero de pessoas tamb\u00e9m que nos procuram pelas redes sociais. \u00c9 uma coisa muito importante para o projeto, e quando voc\u00ea come\u00e7a a crescer, n\u00e3o \u00e9 nem quest\u00e3o de aten\u00e7\u00e3o ou n\u00e3o, \u00e0s vezes \u00e9 muita gente pra responder, muita coisa pra lidar, mas temos esse cuidado de n\u00e3o deixar as pessoas sem resposta. Ent\u00e3o, acho que o primeiro canal \u00e9 sempre ouvir as bandas que nos procuram pela internet, e um feedback muito importante que recebemos \u00e9 que o tratamento que temos aqui \u00e9 bem dif\u00edcil de achar. S\u00f3 que, por outro lado, a gente tem uma p\u00e9rola, que \u00e9 o Diego, que transita por a\u00ed, ca\u00e7ando talentos, e a\u00ed ele pode falar um pouquinho mais dessa parte dele tamb\u00e9m, que \u00e9 muito importante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diego: Acho que tem um pouco dos dois caminhos. A gente recebe, de fato, muitos materiais diariamente, de todos os caminhos. E eu amo sair, pesquisar artistas novos, coisas novas. Ent\u00e3o, l\u00e1 no come\u00e7o, estabelecemos alguns crit\u00e9rios de sele\u00e7\u00e3o para ser o filtro inicial e depois isso \u00e9 dividido com todos os s\u00f3cios, essas decis\u00f5es de: \u201cPutz, esse artista faz sentido nesse momento?\u201d ou: \u201cIsso aqui segura pra outro momento\u201d. A gente toma [as decis\u00f5es] coletivamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas uma preocupa\u00e7\u00e3o, entre algumas das preocupa\u00e7\u00f5es que temos, \u00e9 a diversidade musical, (ter) estilos diferentes. \u00c9 muito f\u00e1cil cair numa determinada bolha e permanecer ali, porque um artista acaba puxando o outro, enfim, ent\u00e3o tem esse cuidado de tentar a cada session trazer um ritmo diferente, garantir que estamos tocando em todos os ritmos e estilos. E a\u00ed, a diversidade \u00e9tnica, social e at\u00e9 geogr\u00e1fica &#8211; dessas todas, a geogr\u00e1fica ainda \u00e9 a mais dif\u00edcil. Para muitos artistas, vir pra S\u00e3o Paulo gravar \u00e9 uma quest\u00e3o, ent\u00e3o tem todo um exerc\u00edcio de cruzar agendas, que \u00e9 o meu trabalho di\u00e1rio de: \u201c\u00d3, voc\u00ea tem um show aqui em S\u00e3o Paulo, ent\u00e3o vamos tentar casar com o dia de grava\u00e7\u00e3o, voc\u00ea aproveita a sua vinda pra c\u00e1 e tal\u201d. Tem dado certo com artistas do Norte, do Sul, enfim, tem rolado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outro crit\u00e9rio que a gente avalia tamb\u00e9m \u00e9 o da performance art\u00edstica, visual. \u00c0s vezes, musicalmente, os EPs, os \u00e1lbuns do artista ou banda s\u00e3o incr\u00edveis, mas ele n\u00e3o tem uma performance legal ao vivo, n\u00e3o tem um cuidado est\u00e9tico com dire\u00e7\u00e3o de arte, n\u00e3o tem um show pensado. Ent\u00e3o, s\u00e3o esses fatores b\u00e1sicos que a gente conversa bastante e usa de filtro de sele\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"SOM NO SEBO I Felipe Cordeiro\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/hrxqvHW9lrk?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E falando sobre essa diversidade geogr\u00e1fica, voc\u00eas tem alguma no\u00e7\u00e3o de como est\u00e1 essa divis\u00e3o por regi\u00e3o at\u00e9 o momento? Se est\u00e1 ali ainda mais concentrado no Sudeste&#8230;<\/strong><br \/>\nIvan: Cara, legal, falar disso. Foi bem interessante, porque teve uma leva de artistas do Norte que n\u00f3s gravamos. Isso foi bem salutar, inclusive ouvindo muito deles &#8211; acho que h\u00e1 exemplos do Ala\u00edde Neg\u00e3o (AM), Felipe Cordeiro (PA) &#8211; falando assim: \u201cNossa, que legal, um projeto de S\u00e3o Paulo gravando bandas e artistas do Norte\u201d. Ouvimos isso com uma \u00eanfase bem interessante, (mas) a gente, inevitavelmente, at\u00e9 pelo come\u00e7o do projeto, de estarmos investindo, foi no eixo cl\u00e1ssico Rio-S\u00e3o Paulo &#8211; a gente n\u00e3o tem estrutura para trazer (artistas especialmente pra gravar). Todavia, tem muitos artistas de fora desse eixo que j\u00e1 moram em S\u00e3o Paulo, porque tem como um centro de capta\u00e7\u00e3o e de estrutura mesmo, de fus\u00e3o art\u00edstica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ent\u00e3o foi legal, porque mesmo no come\u00e7o tamb\u00e9m conseguimos artistas com bastante diversidade regional para conseguir trazer. Tem uma representa\u00e7\u00e3o legal de Minas, uma representa\u00e7\u00e3o muito legal hoje do Norte do pa\u00eds, Nordeste, Rio Grande do Sul tamb\u00e9m tem uma cena bastante salutar, principalmente a cena de rock progressivo, rock 70 e tudo mais. H\u00e1 exemplos, n\u00e9, Picanha de Chernobil, Hurricanes&#8230; O Eixo Rio-S\u00e3o Paulo com muita coisa, mas a\u00ed com muita diversidade \u00e9tnica e muita diversidade musical, isso foi bem legal. Vai do samba ao trap, de pesquisa musical at\u00e9 m\u00fasica xam\u00e2nica. E a\u00ed acho que um artista que traz uma representa\u00e7\u00e3o bem interessante tamb\u00e9m disso que estamos falando, que \u00e9 o Adriano Grineberg, um baita pianista da escola de piano blues, mas que no Som No Sebo foi apresentar um trabalho de world music e m\u00fasica xam\u00e2nica. Ent\u00e3o ele trouxe est\u00e9tica de regionalidade em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 pesquisa musical dele, est\u00e9tica visual completamente diferente, essa \u00e9 uma session bastante diferente que a gente fez at\u00e9 do ponto de vista da dire\u00e7\u00e3o fotogr\u00e1fica, e muita, muita, muita pesquisa, efetivamente. Acabou sendo um highlight de um tanto de tudo. Eu estou chamando de temporada, mas a gente ainda n\u00e3o chama o Som No Sebo de temporada. A gente \u00e9 uma grande temporada, na verdade.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"SOM NO SEBO | Adriano Grineberg\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/hPnd9lgch28?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Eu ia perguntar justamente isso. O Tiny Desk Brasil fez esse modelo de temporada, mas o Som no Sebo me parece um fluxo constante. E, nesse per\u00edodo, o que voc\u00eas consideram que foram os principais desafios para estabelecer o formato? N\u00e3o s\u00f3 do ponto de vista t\u00e9cnico, porque tem toda uma quest\u00e3o de capta\u00e7\u00e3o de som, e a\u00ed eu vejo que tem bandas que voc\u00ea precisa pensar como vai captar a percuss\u00e3o ou bandas com uma forma\u00e7\u00e3o totalmente diferente, mas tamb\u00e9m outros desafios que, de repente, o p\u00fablico n\u00e3o v\u00ea na hora que est\u00e1 assistindo, mas que nos bastidores \u00e9 mais latente.<\/strong><br \/>\nDaniela: Para mim, o desafio foi colocar uma N\u00f4made Orquestra num espa\u00e7o super pequeno, e conseguimos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diego: Vou elencar alguns dos desafios aqui, e voc\u00eas me complementam. Vou trazer um pouco, primeiro, para o meu lado t\u00e9cnico, acho que tem essa dificuldade mesmo do tipo entender uma N\u00f4made Orquestra, a quantidade de vias e microfones e tudo mais para isso soar legal. Tem uma quest\u00e3o pr\u00e1tica de equipe mesmo. Ent\u00e3o, a gente precisa de um pouco mais de uma dezena de pessoas no set, s\u00e3o muitos equipamentos, c\u00e2meras, lentes, \u00e9 uma quantidade de luz bem grande. Reunir isso \u00e9 um desafio, e tamb\u00e9m parar nossas agendas pessoais, no sentido de que todo mundo bloqueia a agenda no dia de grava\u00e7\u00e3o, deixa de pegar trabalhos do nosso dia a dia para tocar isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E eu acho que outro desafio tamb\u00e9m, da parte art\u00edstica, \u00e9 traduzir o show de determinado artista para o Som no Sebo, porque ele n\u00e3o pode simplesmente pegar o showzinho formatado que ele tem e executar igual no Som no Sebo. \u00c9 importante que o artista entenda a proposta e traga uma releitura mesmo das m\u00fasicas, da interpreta\u00e7\u00e3o. Acaba sendo um laborat\u00f3rio de experimenta\u00e7\u00e3o para os artistas tamb\u00e9m, falar: \u201cNossa, nunca usei piano ac\u00fastico nas minhas grava\u00e7\u00f5es, mas vamos usar um\u201d, ou ent\u00e3o: \u201cNunca usei tal coisa, nunca fiz dessa maneira\u201d. Termina sendo um desafio, mas ao mesmo tempo super interessante nesse aspecto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fabiano Battaglin: S\u00f3 complementando, pegando essa parte das releituras, voc\u00ea tem como exemplo o Duuz, que \u00e9 o v\u00eddeo com o maior n\u00famero de views do nosso canal, \u00e9 um trapper que nunca tinha feito nada com banda. Ent\u00e3o, eles montaram uma banda, ensaiaram especificamente para o Som no Sebo, e n\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa &#8211; \u00f3bvio que n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico fator do sucesso, mas voc\u00ea v\u00ea o sucesso que \u00e9 porque \u00e9 uma coisa diferente, \u00e9 inesperada, que os f\u00e3s gostam de ver uma vers\u00e3o diferente num lugar diferente. Acho que isso tamb\u00e9m, como o Di falou, \u00e9 um desafio para as bandas embarcarem tamb\u00e9m, porque \u00e0s vezes \u00e9 muito mais f\u00e1cil voc\u00ea chegar com um projeto j\u00e1 pronto, j\u00e1 ensaiado, s\u00f3 montar e tocar. Mas a gente percebe que \u00e9 muito mais interessante quando traz essa proposta nova para o Som no Sebo, a gente tenta cada vez mais fazer com que os artistas embarquem com a gente nessa ideia para ter essa movimentada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Daniela: O legal \u00e9 como um acaba topando, porque talvez para uma banda seja um problema: \u201cP\u00f4, j\u00e1 tem o show, eu queria apresentar assim\u201d. Mas eu acho que eles come\u00e7am, toda vez que algu\u00e9m \u00e9 convidado, eles v\u00e3o l\u00e1 e vasculham o material para al\u00e9m do dance, teve o Far From Alaska, que tem m\u00fasicas que s\u00e3o mais eletr\u00f4nicas, e eles fizeram um ac\u00fastico, e a repercuss\u00e3o dessa mudan\u00e7a \u00e9 muito positiva. A gente v\u00ea o pessoal: \u201cPoxa, grava um CD assim, ou ent\u00e3o faz um show ac\u00fastico\u201d&#8230; Acho que as bandas tamb\u00e9m curtem muito esse processo, porque afinal de contas \u00e9 artista, tudo que \u00e9 criativo eu acho que \u00e9 interessante, e eles embarcam super bem nisso, nunca tivemos nenhuma obje\u00e7\u00e3o de ter que adaptar alguma coisa assim.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"SOM NO SEBO | Duzz\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/gwSfEh9Wi9c?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Eu queria falar tamb\u00e9m de outro diferencial, que \u00e9 essa conex\u00e3o com a literatura. N\u00e3o s\u00f3 por estar dentro do Mercadinho Simples, mas vejo que em alguns v\u00eddeos, \u00e0s vezes, um artista vai e l\u00ea um trecho de algum livro ali, antes de come\u00e7ar o show. Queria que voc\u00eas falassem sobre a import\u00e2ncia de ter essa conex\u00e3o entre essas artes.<\/strong><br \/>\nDaniela: \u00c9 o que eu te falei, a grande maioria aqui \u00e9 apaixonado por m\u00fasica. Eu gosto, mas\u00a0 sou muito da literatura, sou uma apaixonada por livros. Essa loca\u00e7\u00e3o \u00e9 de um grande amigo nosso, que eu j\u00e1 era frequentadora e eu fiz um document\u00e1rio sobre a livraria deles, ent\u00e3o assim, a primeira ideia, o Fernando teve essa vis\u00e3o: \u201cGente, vai ser incr\u00edvel gravar ali, vamos l\u00e1\u201d. E para mim \u00e9 a palavra: para al\u00e9m da palavra, das m\u00fasicas que realmente t\u00eam uma letra, as instrumentais, elas te despertam alguma coisa que, na minha opini\u00e3o, um livro desperta. A cultura &#8211; seja um livro, uma m\u00fasica, uma pe\u00e7a de teatro, um filme &#8211; tudo desperta emo\u00e7\u00e3o, tudo est\u00e1 no mesmo caldeir\u00e3o, e a gente come\u00e7ou a pirar nisso: \u201cPoxa, a gente tem uma loca\u00e7\u00e3o que \u00e9 num sebo\u201d. Para mim vinha muito forte essa coisa da letra, poesia, ent\u00e3o come\u00e7amos a trabalhar em cima disso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E quando a gente estabeleceu: beleza, vamos de Som no Sebo. Pensamos o nome, marca, tudo, quando come\u00e7amos a levar isso para os artistas, a\u00ed vinha: \u201cN\u00e3o, mas essa m\u00fasica eu fiz inspirada em tal livro\u201d, \u201cEssa m\u00fasica \u00e9 at\u00e9 linkada com tal poesia\u201d. L\u00f3gico, tem alguns que transitam mais por esse meio, outros n\u00e3o, mas quando eles se sentem \u00e0 vontade, \u00e9 uma coisa muito rica de se trazer. Ent\u00e3o, com o Samba de Dandara, praticamente todo intervalo de m\u00fasica, ela lia um trecho. Valmir Lins, ele escreve muito para al\u00e9m de ser m\u00fasico, ent\u00e3o ele tamb\u00e9m traz alguma coisa disso. E a\u00ed a gente vai mesclando, como as pessoas &#8211; tanto que o nosso slogan \u00e9 &#8220;M\u00fasica \u00e9 Literatura&#8221; -, e a\u00ed as pessoas que se sentem \u00e0 vontade podem trazer isso. Francisco &amp; El Hombre, por exemplo, eles n\u00e3o trouxeram nada, mas eles s\u00e3o grandes consumidores de livros, ent\u00e3o eles foram gravar, fizeram compras l\u00e1, e falaram do que eles compraram, da import\u00e2ncia disso tudo. No fundo, para mim \u00e9 um grande caldeir\u00e3o, eu acho que cultura \u00e9 uma coisa ligada na outra, e se a gente puder amarrar mais coisas, fica super interessante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diego: E a gente tenta fazer isso da maneira mais org\u00e2nica, sem combinar com o artista: \u201cFa\u00e7a isso, fale aquilo\u201d. Deixamos eles se inspirarem. Por exemplo, Samba de Dandara foi uma surpresa, porque ela conseguiu amarrar basicamente a linha narrativa do show todo, com trechos de livro, e foi muito legal, muito legal. Tem uma session que \u00e9 da Coral, que no meio da m\u00fasica ela l\u00ea uma poesia, e encaixou perfeitamente na m\u00fasica. Enfim, ent\u00e3o eu acho que ser org\u00e2nico tamb\u00e9m torna isso muito especial.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"SOM NO SEBO I SAMBA DE DANDARA\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/BZd47zM9aD4?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Esse lance do org\u00e2nico eu achei interessante, porque quando estava assistindo aos v\u00eddeos, estava achando que era algo mais roteirizado. Agora, voc\u00eas me deram outra vis\u00e3o. Voc\u00eas n\u00e3o sabem muito bem o que vai acontecer at\u00e9 a hora que termina a grava\u00e7\u00e3o, \u00e9 isso?<\/strong><br \/>\nFabiano: A gente sugere, n\u00e9? Se tiver alguma coisa que tenha a ver com o universo da literatura, porque, p\u00f4, n\u00e3o \u00e9 nada melhor do que voc\u00ea estar dentro de um sebo, ali, rodeado de livro, se a pessoa tiver afinidade com o tema. \u00d3bvio que a gente n\u00e3o vai chegar e falar assim: \u201c\u00d4, indica um livro\u201d, ou para ler alguma coisa que a pessoa n\u00e3o curte. Ent\u00e3o, acho que tem coisas que n\u00f3s n\u00e3o sabemos exatamente o que a pessoa vai trazer. Por exemplo, P\u00e9 de Manac\u00e1 leu uma poesia antes de tocar, j\u00e1 Samba de Dandara, a cada intervalo pegava um (trecho liter\u00e1rio), a Coral tamb\u00e9m no meio (da sess\u00e3o), pega o papel e faz meio que uma performance com o papel. \u00c9 super livre e bem-vindo, mas \u00e9 uma coisa que acontece de acordo com a vontade, com a inspira\u00e7\u00e3o dos artistas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Daniela: \u00c9 que essa quest\u00e3o org\u00e2nica, Fabio, voc\u00ea vai sentir isso quando voc\u00ea nos visitar. A primeira recep\u00e7\u00e3o que a gente faz, acho que com todo artista, \u00e9: \u201cSejam voc\u00eas, voc\u00eas est\u00e3o em um show\u201d. Porque o pessoal j\u00e1 fica: \u201cO que eu fa\u00e7o?\u201d De dar as coordenadas, de c\u00e2mera, mas \u00e9 uma coisa \u00e0 parte. Eu acho que o org\u00e2nico \u00e9 como flui tudo l\u00e1, sabe? A banda tem liberdade de brincar, de falar o que quiser. Ent\u00e3o, eu acho que o org\u00e2nico \u00e9 mais assim. N\u00e3o \u00e9 impositivo voc\u00ea trazer, mas, \u00e0s vezes, a pessoa est\u00e1 l\u00e1 no show e come\u00e7a a comentar dos livros, do nada, porque eu acho que \u00e9 um ambiente que inspira e acaba fluindo muito bem. Ent\u00e3o, \u00e9 muito natural mesmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diego: Essa quest\u00e3o org\u00e2nica, acho que tamb\u00e9m permeia a apresenta\u00e7\u00e3o como um todo, no sentido de que, primeiro, eu tento dar o m\u00ednimo de direcionamento poss\u00edvel. Ent\u00e3o, eu explico s\u00f3 como vai ser a din\u00e2mica e dou o \u201cvalendo\u201d e deixo eles \u00e0 vontade. E, segundo, porque a gente prioriza para que seja one take. \u00c0s vezes, acaba a session, o artista fala: \u201cNossa, eu errei o solo tal, vamos refazer\u2019. E a\u00ed, \u00e9 um trabalho nosso de falar: \u201cOlha, se voc\u00ea quiser refazer, \u00f3bvio, seu trabalho art\u00edstico, a gente refaz. Mas, para a gente, tem muito valor essa coisa org\u00e2nica, essa vulnerabilidade\u201d. Porque eu acho que, talvez, seja por isso que as pessoas gostam tanto de consumir esse tipo de conte\u00fado, porque mostra o artista mais pr\u00f3ximo, mas tamb\u00e9m mais vulner\u00e1vel. Est\u00e1 ali, sem autotune, sem nada, sem grandes edi\u00e7\u00f5es, sem VS. Ent\u00e3o, tamb\u00e9m tentamos priorizar essa quest\u00e3o org\u00e2nica na session em si.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"SOM NO SEBO | Pe\u0301 De Manaca\u0301\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/28L6Mu8rQDg?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para finalizar: neste momento de Som no Sebo, que acabou tendo essa visibilidade maior por conta do Tiny Desk, com as pessoas mencionando e trazendo a\u00ed uma visibilidade org\u00e2nica, quais s\u00e3o os planos para o futuro? O que voc\u00eas veem pela frente? E tamb\u00e9m queria saber se voc\u00eas t\u00eam algum artista do cora\u00e7\u00e3o que voc\u00eas gostariam que estivesse a\u00ed na curadoria muito em breve?<\/strong><br \/>\nDaniela: (Risos) Est\u00e1 todo mundo rindo, porque j\u00e1 sabem qual que eu vou falar. Meu sonho \u00e9 trazer o &#8220;Boogie Naipe&#8221; com o Mano Brown. Acho que super combina. E, assim, Mano Brown mora no meu cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ivan: \u00c9 muito legal, muito convidativo a gente pensar para onde a gente est\u00e1 levando o projeto. Por isso que eu falei, nesta temporada, estou colocando, a \u201ctemporada atual\u201d de Som no Sebo, entre aspas, porque, sim, o Som No Sebo deve ser um projeto onde a gente n\u00e3o deve dividir, pelo menos n\u00e3o no horizonte curto prazo, em temporadas. Mas no planejamento, na estrat\u00e9gia, pensamos em temporadas em rela\u00e7\u00e3o a como fazemos, como gravamos, quais s\u00e3o os blocos de trabalho e onde queremos chegar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que consigo te dizer \u00e9 que a gente tem metas muito audaciosas e foi muito legal, porque batemos uma meta antecipada do final desse ano: A gente queria bater 20 mil inscritos at\u00e9 o final do ano, e a gente bateu em outubro. E, cara, isso \u00e9 uma meta em n\u00fameros. A gente sabe que a internet \u00e9 esse territ\u00f3rio, n\u00famero \u00e9 n\u00famero, assim, e est\u00e1 tudo certo. Bater ali, bater aqui, investir mais, investir menos, voc\u00ea chega em alguns lugares e tudo mais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas tamb\u00e9m sabemos o que estamos fazendo, que \u00e9 tudo na unha, cara. Como somos nossos pr\u00f3prios investidores, alguns n\u00fameros s\u00e3o bem salutares, bem importantes. Mas o mais importante para a gente agora, em rela\u00e7\u00e3o ao que vem sendo pensado em 2026, \u00e9 como continuaremos fazendo e mantendo a qualidade da nossa capta\u00e7\u00e3o, tanto de \u00e1udio quanto de v\u00eddeo, quanto da nossa capta\u00e7\u00e3o art\u00edstica, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s possibilidades que a gente tem de investimento indireto e direto. Ent\u00e3o, tanto buscando apoiadores, marcas, patroc\u00ednios, quanto entendendo que agora estamos transitando num mundo que tem uma chancela muito legal, tem artistas bastante salutares, temos uma marca em evid\u00eancia e sabemos que somos refer\u00eancia de muito canal hoje, de muito artista hoje tamb\u00e9m. Artista grande que chega falando assim: \u201cE a\u00ed, como \u00e9 que faz pro programa a\u00ed?\u201d Ent\u00e3o, acho que em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 estrat\u00e9gia, planejamento, estamos nesse lugar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(Sobre os artistas desejados no programa) Tem mais nomes, \u00f3bvio que d\u00e1 pra gente citar. Daniela Mercury, sem d\u00favida, \u00e9 um namoro antigo, j\u00e1 nosso e tudo mais. O Brown que a Dani falou. A galera do Braza, que tamb\u00e9m \u00e9 For Fun, eles tamb\u00e9m j\u00e1 tinham dado esse in\u00edcio de namoro com a gente. Tem s\u00f3 um coment\u00e1rio a mais: a presen\u00e7a de outros canais como o nosso, inclusive a chegada do Tiny Desk no Brasil, n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o nos assusta, como nos corrobora como modelo. Tem uma vantagem muito maravilhosa da internet ser um campo vasto, porque \u00e9 um campo que voc\u00ea pode explorar de maneira inesgot\u00e1vel.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"SOM NO SEBO | Valmir Lins\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/hgGwvVJiwTM?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"SOM NO SEBO | Kac\u00e1 Novais\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Zse1kXz8PCc?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"SOM NO SEBO | Coral\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/T3NBeBFwXxo?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><em>\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/amusicadofabio\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Fabio Machado<\/a>\u00a0\u00e9 m\u00fasico e jornalista (n\u00e3o necessariamente nessa ordem). 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