{"id":93052,"date":"2025-12-04T00:01:34","date_gmt":"2025-12-04T03:01:34","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=93052"},"modified":"2026-01-19T01:15:06","modified_gmt":"2026-01-19T04:15:06","slug":"entrevista-temos-um-publico-muito-inteligente-diz-jasmine-rodgers-do-boa-apos-show-festejado-em-sp","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/12\/04\/entrevista-temos-um-publico-muito-inteligente-diz-jasmine-rodgers-do-boa-apos-show-festejado-em-sp\/","title":{"rendered":"Entrevista: &#8220;Temos um p\u00fablico muito inteligente&#8221;, diz Jasmine Rodgers, do B\u00f4a, antes de show festejado em SP"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista de <a href=\"https:\/\/twitter.com\/ociocretino\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Alexandre Lopes<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">No fim dos anos 1990, antes de qualquer algoritmo em streaming recomendar m\u00fasicas, uma banda inglesa de rock alternativo encontrou um caminho improv\u00e1vel at\u00e9 os quartos de adolescentes do mundo todo. A porta de entrada n\u00e3o foi a MTV nem r\u00e1dios: foi um anime sombrio e existencialista sobre tecnologia, solid\u00e3o e identidades borradas chamado \u201cSerial Experiments Lain\u201d. Na abertura da s\u00e9rie, em meio a ru\u00eddos eletr\u00f4nicos e imagens fragmentadas, surgia \u201cDuvet\u201d, uma balada melanc\u00f3lica e bonita demais para ser apenas trilha de fundo, assinada por uma banda n\u00e3o japonesa, o <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/boa_uk_official\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">B\u00f4a<\/a>, formado em Londres em 1993.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A combina\u00e7\u00e3o era visualmente marcante: uma trama que antecipava ansiedades sobre como a internet nos conecta (para o bem e para o mal) e uma can\u00e7\u00e3o de delicadeza cortante, que soava ao mesmo tempo \u00edntima e deslocada naquele cen\u00e1rio. A partir dali, o B\u00f4a passou a habitar um espa\u00e7o estranho: para muita gente, era \u201ca banda de Lain\u201d; para outros, um segredo bem guardado encontrado em CDs importados, em f\u00f3runs de anime, em MP3s baixadas com nome errado. Entre o \u00e1lbum de estreia \u201cThe Race of a Thousand Camels\u201d (reeditado em 2001 como \u201cTwilight\u201d), o posterior \u201cGet There\u201d (2005) e EPs como \u201cDuvet\u201d (1998) e \u201cTall Snake\u201d (1999), a banda misturava uma heran\u00e7a funk\/jazz com guitarras alternando momentos suaves e pesados e um senso de fragilidade que j\u00e1 apontava para temas de identidade e vulnerabilidade que mais tarde ganhariam novos contornos na sociedade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois da metade dos anos 2000, no entanto, o B\u00f4a praticamente desapareceu. Houve descobertas p\u00f3stumas &#8211; como o ainda oficialmente in\u00e9dito \u201cThe Farm\u201d, \u00e1lbum encontrado no site do ex-tecladista Paul Turrell ap\u00f3s sua morte, em 2017 &#8211; e uma circula\u00e7\u00e3o cont\u00ednua em nichos: f\u00e3s trocavam links, recortavam trechos de &#8220;Lain&#8221;, faziam fan-arts, montavam remixes. A banda estava em hiato, mas a m\u00fasica seguia viva em camadas subterr\u00e2neas de fandoms da internet.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E foi justamente esse subsolo digital que acabou puxando o grupo de volta \u00e0 superf\u00edcie. Em 2021, \u201cDuvet\u201d entrava na l\u00f3gica da cultura de recortes do TikTok, reaparecendo em edits que retomavam a vibe depressiva\/tecnol\u00f3gica da s\u00e9rie. E assim a faixa teve uma ressurg\u00eancia massiva, alcan\u00e7ou o Independent Singles Breakers Chart no Reino Unido, ganhou clipe novo e, de repente, catapultou o B\u00f4a de banda adormecida a entidade intergeracional. Gente que tinha descoberto o grupo por CD nos anos 2000 se viu dividindo timelines com adolescentes que seguiram aquele refr\u00e3o arrastado, recortado em v\u00eddeos de desabafo, montagens e colagens sobre sa\u00fade mental.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Bo\u0302a - Duvet 2023 [Official Video]\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/s0NME1GfbIc?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pouco depois, veio o convite da Nettwerk Music Group para que a banda lan\u00e7asse material antigo ainda in\u00e9dito ou um \u00e1lbum novo. E foi assim que Jasmine Rodgers (vocais), Alex Caird (baixo) e Lee Sullivan (bateria, teclados) se reuniram novamente para gravar &#8220;Whiplash\u201d, o registro da volta do B\u00f4a, lan\u00e7ado em 2024 (com uma edi\u00e7\u00e3o deluxe recheada de faixas bonus <a href=\"https:\/\/boa-uk.bandcamp.com\/album\/whiplash-deluxe\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">agendada para janeiro de 2026<\/a>).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o deixa de ser curioso lembrar que Jasmine e o irm\u00e3o Steve (um dos fundadores do B\u00f4a) s\u00e3o filhos de Paul Rodgers, ex-vocalista de bandas como Free e do Bad Company &#8211; uma linhagem rock que poderia facilmente empurr\u00e1-la para o clich\u00ea da heran\u00e7a cl\u00e1ssica, mas que a conduziu para um outro lugar: o de algu\u00e9m que usa suas can\u00e7\u00e3o para falar de identidades fraturadas e de pessoas tentando se entender em meio ao ru\u00eddo da sobreviv\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A trajet\u00f3ria da banda sempre esteve atravessada por temas de identidade e fragilidade, e \u201cWhiplash\u201d assume isso de forma frontal. O pr\u00f3prio tema do disco serve de confiss\u00e3o: &#8220;T\u00e9rminos de relacionamento, crises, div\u00f3rcios e toda a falta de sa\u00fade mental que existe entre eles&#8221;, de acordo com o grupo em entrevistas anteriores. Estar em contato com a pr\u00f3pria fragilidade e defeitos sempre foram os temas gerais das letras do B\u00f4a ao longo dos anos. \u201cTivemos 27 anos de pessoas escrevendo pra n\u00f3s, mandando e-mails, mensagens, DMs sobre o que sentem em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 nossa m\u00fasica e como a gente se conecta com elas&#8221;, explica Jasmine. \u201cEnt\u00e3o eu n\u00e3o estava escrevendo s\u00f3 sobre mim, eu estava escrevendo sobre todos n\u00f3s. Algumas das minhas letras s\u00e3o respostas a pessoas que escreveram pra gente sobre suas dificuldades com a pr\u00f3pria identidade e como a nossa m\u00fasica deu algo a elas. Essas letras eram uma mensagem para essas pessoas; para que elas tamb\u00e9m continuem seguindo em frente: eu estou aqui, n\u00f3s estamos aqui\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mesmo ap\u00f3s uma bonita passagem pelo Brasil <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/11\/29\/com-humor-timidez-e-docura-boa-comanda-grande-noite-em-sao-paulo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">com um show lotado no Cine Joia<\/a>, em S\u00e2o Paulo, em que recebeu, ainda, o \u201cPlay de Safira\u201d da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira da M\u00fasica Independente, certificado entregue pelos 32 milh\u00f5es de streams do single \u201cDuvet\u201d no Brasil, a cantora \u00e9 cautelosa. A banda j\u00e1 tem datas marcadas para o ano que vem, mas ela evita prometer demais. \u201cSinceramente, ainda n\u00e3o tenho certeza\u201d, admite. \u201cEu perdi a minha m\u00e3e h\u00e1 dois meses, ent\u00e3o depois da turn\u00ea eu s\u00f3 quero voltar pra casa e descansar. Mas tenho certeza de que provavelmente vai surgir alguma coisa criativa. Sendo bem honesta, \u00e9 neste ponto que eu estou agora. E acho que a coisa maravilhosa sobre o que temos \u00e9 justamente poder fazer tudo no nosso tempo\u201d, comenta, controlando as expectativas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas ela tamb\u00e9m fala que os tempos recentes foram \u201cmuito inspiradores\u201d e deixa escapar que as coisas j\u00e1 come\u00e7aram a borbulhar. \u00c9 o tipo de frase que dita por qualquer outra banda soaria vaga demais, mas no caso do B\u00f4a, carrega um peso particular. Para um grupo que j\u00e1 experimentou sumir do mapa, atravessar luto, div\u00f3rcios e, ainda assim, reencontrar o caminho de volta para reescrever a si mesmo, talvez essa hist\u00f3ria ainda esteja longe de terminar. Confira a entrevista completa de Jasmine com o Scream Yell abaixo.<\/p>\n<figure id=\"attachment_93054\" aria-describedby=\"caption-attachment-93054\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-93054\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/jasmine1.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/jasmine1.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/jasmine1-300x300.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/jasmine1-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-93054\" class=\"wp-caption-text\"><em>Jasmine recebe de Nando Machado, da ForMusic, o certificado Play de Safira \/ Foto de Marcela Lorenzetti<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Eu sei que voc\u00eas provavelmente devem receber sempre essa pergunta, mas depois de ficarem tanto tempo afastados como banda, como foi a sensa\u00e7\u00e3o da primeira vez em que voc\u00eas voltaram a ficar na mesma sala fazendo m\u00fasica juntos?<\/strong><br \/>\nBem, a gente decidiu que, para o 21\u00ba anivers\u00e1rio de \u201cLain\u201d, far\u00edamos uma coisinha especial. Ent\u00e3o eu, o Alex e o Lee nos juntamos na minha casa e nos gravamos tocando. Acho que isso foi em 2018, algo assim. E come\u00e7amos a fazer um jam em cima de \u201cDuvet\u201d, ent\u00e3o percebemos que ainda t\u00ednhamos uma certa qu\u00edmica tocando juntos. A\u00ed, quando a Nettwerk Music Group [gravadora atual do B\u00f4a] nos convidou para trabalhar com eles, nos perguntaram: \u201cVoc\u00eas gostariam de lan\u00e7ar um \u00e1lbum novo ou material antigo?\u201d e imediatamente n\u00f3s dissemos: \u201cVamos fazer um \u00e1lbum novo\u201d, porque j\u00e1 sab\u00edamos que ainda tinha algo ali entre n\u00f3s. Ent\u00e3o foi uma sensa\u00e7\u00e3o fant\u00e1stica ter essa oportunidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Nesse per\u00edodo em que a banda esteve em hiato, voc\u00ea seguiu uma carreira solo e gravou algumas coisas. Quando voc\u00ea voltou a escrever para esta banda, o que sentiu de diferente imediatamente em rela\u00e7\u00e3o a escrever para a sua carreira solo?<\/strong><br \/>\n\u00c9 mais que um g\u00eanero diferente, eu acho. Minha m\u00fasica solo sempre foi bem folk, leve e suave. Com o B\u00f4a eu posso ser mais pesada, ent\u00e3o \u00e9 mais divertido desse jeito. Mas tamb\u00e9m tem o fato de voc\u00ea estar trabalhando com outras pessoas. O Alex chegou com muitas ideias j\u00e1 prontas e eu tamb\u00e9m levei algumas ideias. Ent\u00e3o a gente j\u00e1 come\u00e7ou fundindo coisas, em vez de ser s\u00f3 eu, sabe o que quero dizer? Quando voc\u00ea colabora mais, voc\u00ea acaba se organizando mais para conseguir acomodar melhor uns aos outros. Ent\u00e3o talvez tenha sido algo mais impulsionado justamente porque \u00e9ramos mais pessoas, sabe? Se sou s\u00f3 eu, sentada no meu quarto, pode levar muito tempo para escrever uma m\u00fasica.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Let Me Go\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/hTV1MQXZuT0?list=PLxA687tYuMWiaClR-JjesdPy5B-kNaLUr\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E em compara\u00e7\u00e3o aos primeiros discos, como foi o processo de composi\u00e7\u00e3o no \u00faltimo \u00e1lbum, \u201cWhiplash\u201d? Voc\u00ea acha que foi muito diferente de antes ou foi quase a mesma coisa, mesmo voc\u00eas n\u00e3o sendo exatamente a mesma banda?<\/strong><br \/>\nBom, no primeiro \u00e1lbum todos n\u00f3s ainda est\u00e1vamos nos encontrando. A gente come\u00e7ou fazendo jazz-funk, ent\u00e3o meio que est\u00e1vamos nos \u201crebelando\u201d contra n\u00f3s mesmos ao fazer rock. E isso veio simplesmente de fazer jams e pensamos: \u201cIsso \u00e9 divertido, vamos fazer isso\u201d. E ent\u00e3o, pouco a pouco, come\u00e7amos a compor de fato. Ent\u00e3o, em algumas m\u00fasicas, voc\u00ea consegue ouvir essa mistura de v\u00e1rios tipos de g\u00eaneros. Era algo meio livre, o que era bem divertido, e tinha muitas ideias que surgiam de jams. Depois, quando chegamos ao \u201cGet There\u201d, j\u00e1 havia muito mais ideias de m\u00fasicas sendo levadas prontas, ou arranjos sendo apresentados. E nesse sentido foi meio parecido com o que aconteceu no \u00e1lbum novo. Ao final do primeiro disco, j\u00e1 t\u00ednhamos chegado a um ponto em que conhecemos muito bem uns aos outros, porque j\u00e1 est\u00e1vamos na banda h\u00e1 bastante tempo desde quando o primeiro \u00e1lbum saiu. Ent\u00e3o j\u00e1 t\u00ednhamos uma ideia de como trabalh\u00e1vamos juntos. Isso acabou se tornando algo bem autom\u00e1tico no terceiro disco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Li que o disco mais recente nasceu de t\u00e9rminos, colapsos, div\u00f3rcios e coisas relacionadas \u00e0 sa\u00fade mental. Em que momento voc\u00ea percebeu que o \u00e1lbum seria baseado nesse tipo de tema? Foi uma m\u00fasica espec\u00edfica que desbloqueou essa ideia ou voc\u00ea simplesmente percebeu no final que as letras estavam conectadas por isso?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o tenho certeza, porque \u201cStrange Few\u201d foi provavelmente a primeira que a gente escreveu quando est\u00e1vamos meio que\u2026 [hesita]. Eu criei o riff justamente quando os caras da banda estavam chegando na sala de ensaio, e eles se sentaram e imediatamente come\u00e7aram a tocar. Foi muito lindo, porque foi tipo: \u201cAh, sim, estamos de volta\u201d. Inicialmente, as letras (de &#8220;Whiplash&#8221;) eram um pouco mais pol\u00edticas e filos\u00f3ficas; n\u00e3o eram rom\u00e2nticas nem nada assim, e talvez tenham seguido mais a linha do meu trabalho solo, pelo menos liricamente. Mas a\u00ed eu terminei um relacionamento, ent\u00e3o isso meio que inevitavelmente mudou tudo. Liricamente eu estou sempre olhando para identidade e eu pare\u00e7o estar sempre usando isso como tema principal. Ent\u00e3o isso sempre esteve ali. O que foi diferente \u00e9 que tivemos 27 anos de pessoas escrevendo pra n\u00f3s, mandando e-mails, mensagens, DMs sobre o que sentiam em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 nossa m\u00fasica e como a gente se conecta com elas. Ent\u00e3o, dessa vez, eu n\u00e3o estava escrevendo s\u00f3 sobre mim ou sobre a banda, eu estava escrevendo sobre todos n\u00f3s. Algumas das minhas letras s\u00e3o respostas a pessoas que escreveram pra gente sobre suas dificuldades com a pr\u00f3pria identidade e como a nossa m\u00fasica deu algo a elas. Ent\u00e3o, \u00e0s vezes, essas letras eram uma mensagem para essas pessoas: mostrar que, em todos os momentos em que eu realmente sofri quando era mais jovem, no primeiro e segundo discos, eu me mantive seguindo em frente. E talvez para que elas tamb\u00e9m continuem seguindo em frente: eu estou aqui, n\u00f3s estamos aqui. N\u00f3s meio que tentamos fazer dessa forma.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Strange Few (Londinium Version) - Live at O2 Forum Kentish Town\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/rcZPCwE2Bs4?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E voc\u00ea acha que esse tipo de fragilidade, sentimentos e letras vulner\u00e1veis ressoam com o p\u00fablico mais jovem de um jeito especial nesses tempos ca\u00f3ticos em que estamos vivendo agora?<\/strong><br \/>\nEu acho que todo mundo est\u00e1 sempre em busca de identidade e sempre avaliando quem \u00e9, onde est\u00e1, ent\u00e3o talvez isso se conecte, especialmente quando voc\u00ea \u00e9 mais jovem, quando est\u00e1 justamente descobrindo sua identidade. Mas isso n\u00e3o quer dizer que n\u00e3o possa te atingir em qualquer momento. Tenho certeza de que voc\u00ea entende: todos n\u00f3s passamos por fases em que pensamos: \u201cMeu Deus, quem sou eu? O que eu sou e por que estou aqui? \u00c9 aqui que eu quero estar? Consigo mudar isso ou devo ficar onde estou?\u201d Sabe como \u00e9\u2026 (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Nessa turn\u00ea atual, voc\u00eas j\u00e1 tocaram no M\u00e9xico, Peru, Chile e recentemente em Buenos Aires, na Argentina. Como tem sido essa experi\u00eancia? \u00c9 a primeira vez que voc\u00eas v\u00eam para c\u00e1? Eu sei que voc\u00eas n\u00e3o tocaram aqui antes, mas algum de voc\u00eas j\u00e1 tinha vindo a esse lado da Am\u00e9rica?<\/strong><br \/>\nAcho que alguns dos caras [da banda] j\u00e1 tinham vindo. Meu parceiro de muito tempo atr\u00e1s \u00e9 da Col\u00f4mbia, ent\u00e3o eu estive l\u00e1 v\u00e1rias vezes, mas nunca tinha ido a nenhum outro lugar daqui. E foi maravilhoso. E n\u00e3o s\u00f3 foi maravilhoso, como o Corona Capital [Festival, no M\u00e9xico] foi incr\u00edvel. A gente conseguiu ver Queens of the Stone Age, Foo Fighters, Lucy Dacus e Garbage, e tamb\u00e9m visitar algumas das pir\u00e2mides locais. Depois fomos para o Peru, para Lima, vimos mais algumas pir\u00e2mides e museus. Foi bem legal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mas falando sobre o p\u00fablico, como voc\u00ea acha que ele \u00e9 diferente aqui?<\/strong><br \/>\nDesculpa, voc\u00ea n\u00e3o estava falando de eu ser turista! (risos)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>N\u00e3o, sem problema! Saber tanto sua percep\u00e7\u00e3o de turista como de musicista \u00e9 muito bom! (risos)<\/strong><br \/>\nAh, o p\u00fablico \u00e9 incr\u00edvel! Todos sempre t\u00eam muita energia. \u00c9 absolutamente incr\u00edvel!<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Serial Experiments Lain Opening (HD\/60fps\/Creditless)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/MM8RufZr5lw?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A banda meio que j\u00e1 viveu em duas realidades bem diferentes: os f\u00e3s que descobriram voc\u00eas na d\u00e9cada de 90 pelos CDs e pela abertura do anime \u201cSerial Experiments Lain\u201d, e os que conheceram voc\u00eas pelo TikTok. O que voc\u00ea sente que melhorou com essa nova cultura de fandom e do que voc\u00ea sente falta daqueles tempos antigos?<\/strong><br \/>\nBem, todo mundo \u00e9 muito gentil e muito atencioso. Temos um p\u00fablico muito inteligente, que est\u00e1 em sua pr\u00f3pria jornada e a gente acaba estando junto com eles nela, o que \u00e9 lindo. Voc\u00ea n\u00e3o \u00e9 tratado como um deus, eles simplesmente se conectam com a m\u00fasica e isso \u00e9 bonito. \u00c9 tudo muito p\u00e9 no ch\u00e3o, o que \u00e9 legal. Algumas pessoas nos conheceram pelo anime, outras pela pr\u00f3pria m\u00fasica, outras pelo TikTok, seja l\u00e1 como for. Mas n\u00e3o sei se conseguiria dizer o que \u00e9 diferente. N\u00e3o tenho certeza, porque naquela \u00e9poca eu os encontrava quando era mais jovem, ent\u00e3o n\u00e3o sei, n\u00e3o consigo responder isso de uma forma muito \u00fatil, receio que n\u00e3o d\u00e1 (risos). Tudo o que posso dizer \u00e9 que somos muito honrados por ter todo mundo, qualquer pessoa, ouvindo nossa m\u00fasica. \u00c9 legal. Eles s\u00e3o o tipo de gente que n\u00f3s gostamos, sabe? S\u00e3o muito inclusivos, parecem o tipo de pessoa com quem voc\u00ea pode sentar para tomar um caf\u00e9 tranquilamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Eu sei que voc\u00eas j\u00e1 t\u00eam alguns shows marcados para o ano que vem, mas depois dessa turn\u00ea, quais s\u00e3o os planos? Voc\u00eas pretendem escrever m\u00fasicas novas, gravar juntos\u2026 O que vem por a\u00ed?<\/strong><br \/>\nSinceramente, ainda n\u00e3o tenho certeza. Eu perdi a minha m\u00e3e h\u00e1 dois meses, ent\u00e3o depois da turn\u00ea eu s\u00f3 quero voltar pra casa e descansar. Mas tenho certeza de que provavelmente vai surgir alguma coisa criativa. Sendo bem honesta, \u00e9 neste ponto que eu estou agora. E acho que a coisa maravilhosa sobre o que temos \u00e9 justamente poder fazer tudo no nosso tempo. Mas sabe, \u00e9 inevit\u00e1vel. Tem sido um ano e meio, dois anos, muito inspiradores. Tem sido incr\u00edvel, e as coisas j\u00e1 come\u00e7aram a borbulhar. Ent\u00e3o vamos ver.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"B\u00f4a - Twilight (Performance Video)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Y2NZU4Fw5vg?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"b\u00f4a - Full Session | Paste\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/O29KSZZVNfA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"B\u00f4a - Frozen LIVE at Cine Joia, S\u00e3o Paulo (25\/11\/2025)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/2R6PG7snXrk?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><em>\u2013 Alexandre Lopes (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/ociocretino\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">@ociocretino<\/a>) \u00e9 jornalista e assina o\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ociocretino.blogspot.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">www.ociocretino.blogspot.com.br<\/a>.\u00a0<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Em passagem por SP, B\u00f4a recebeu o &#8220;Play de Safira&#8221; da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira da M\u00fasica Independente, certificado entregue \u00e0 Jasmine pelos 32 milh\u00f5es de streams do single &#8220;Duvet&#8221; no Brasil.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/12\/04\/entrevista-temos-um-publico-muito-inteligente-diz-jasmine-rodgers-do-boa-apos-show-festejado-em-sp\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":101,"featured_media":93055,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[8027],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/93052"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/101"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=93052"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/93052\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":93061,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/93052\/revisions\/93061"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/93055"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=93052"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=93052"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=93052"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}