{"id":93039,"date":"2025-12-02T00:01:59","date_gmt":"2025-12-02T03:01:59","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=93039"},"modified":"2026-01-08T00:34:22","modified_gmt":"2026-01-08T03:34:22","slug":"entrevista-the-damnnation-fala-sobre-eyes-of-despair","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/12\/02\/entrevista-the-damnnation-fala-sobre-eyes-of-despair\/","title":{"rendered":"Entrevista: The Damnnation fala sobre \u201cEyes of Despair\u201d"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista de\u00a0<a href=\"https:\/\/twitter.com\/brunorplisboa\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Bruno Lisboa<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Seis anos ap\u00f3s debutar com o single \u201cWorld\u2019s Curse\u201d (2019), o power trio paulistano <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/thedamnnation.official\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">The Damnnation<\/a> chega ao seu segundo disco, \u201cEyes of Despair\u201d (2025), com uma nova forma\u00e7\u00e3o \u2013 al\u00e9m da guitarrista, vocalista e fundadora Renata Petrelli, agora integram a banda Camila Almeida na bateria e Fernanda Lessa no baixo \u2013, mas a mesma paix\u00e3o pelo metal extremo que vem atraindo cada vez mais ouvidos para o som do trio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lan\u00e7ado pelo selo brasileiro Shinigami Records, \u201cEyes of Despair\u201d foca em temas como depress\u00e3o, pol\u00edtica e injusti\u00e7a social. Ao contr\u00e1rio de Helado Negro, que, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/11\/22\/entrevista-se-a-musica-pudesse-gerar-a-paz-ja-teriamos-chegado-la-diz-helado-negro\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">em entrevista ao Scream &amp; Yell<\/a>, menosprezou o poder \u201csalvador\u201d e \u201crevolucion\u00e1rio\u201d da m\u00fasica (\u201cA m\u00fasica n\u00e3o \u00e9 capaz de salvar vidas\u201d, disse), Renata acredita na for\u00e7a do discurso: \u201cSe posicionar \u00e9 sempre necess\u00e1rio. Se a gente n\u00e3o usar a m\u00fasica para falar sobre tudo que est\u00e1 errado, para mim n\u00e3o faz sentido\u201d, acredita Petrelli.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na entrevista abaixo, respondida por e-mail de maneira concisa, Renata fala sobre como \u00e9 atuar em um cen\u00e1rio dominado por figuras masculinas, conta o que as novas parceiras Camila e Fernanda est\u00e3o acrescentando ao som do trio, e diz que a participa\u00e7\u00e3o de Mayara Puertas (Torture Squad), Opus Mortis (Paradise In Flames) e Daniela Serafim (Invisible Control) no disco \u00e9 uma forma de demonstrar uni\u00e3o: \u201cPara mostrar a for\u00e7a da mulher no cen\u00e1rio, s\u00f3 com uni\u00e3o de verdade. Uma ajudando a outra, n\u00e3o s\u00f3 no discurso\u201d. Leia mais abaixo.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"THE DAMNNATION - Hatred Genocide (Official Video)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/HWB3xndhATo?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Desde o \u201cParasite\u201d at\u00e9 o novo \u201cEyes of Despair\u201d, \u00e9 n\u00edtido que h\u00e1 uma evolu\u00e7\u00e3o na sonoridade da banda, tanto em peso quanto em complexidade. O quanto essa mudan\u00e7a \u00e9 pensada e o quanto vem de forma org\u00e2nica conforme voc\u00eas amadurecem como artistas?<\/strong><br \/>\nAcredito que a parte \u2018pensada\u2019 \u00e9 em sempre tentar se desafiar em cada novo lan\u00e7amento, como uma forma de progredir, mas ao mesmo tempo, o fato de n\u00e3o se prender a r\u00f3tulos faz com que as m\u00fasicas saiam de maneira natural.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O The Damnnation surgiu em meio a um cen\u00e1rio metal dominado por figuras masculinas e padr\u00f5es consolidados. Como foi \u2014 e ainda \u00e9 \u2014 se afirmar como um power trio feminino dentro desse contexto? H\u00e1 ainda muitas barreiras estruturais?<\/strong><br \/>\nH\u00e1, sim. Muitas vezes veladas, sabe? A quest\u00e3o da cena em si, o discurso de uni\u00e3o muitas vezes fica s\u00f3 no discurso mesmo. Muitas vezes precisamos lidar com outras pessoas relacionadas a cena que acham que podem diminuir qualquer coisa por sermos mulheres e j\u00e1 passamos por muita saia justa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A tem\u00e1tica l\u00edrica da banda passeia por quest\u00f5es como depress\u00e3o, injusti\u00e7a e pol\u00edtica. Em um pa\u00eds como o Brasil, onde essas quest\u00f5es s\u00e3o latentes, como voc\u00eas equilibram o peso do som com o peso das palavras? Existe uma inten\u00e7\u00e3o de provocar reflex\u00e3o al\u00e9m do palco?<\/strong><br \/>\nCom certeza! Acho que al\u00e9m do instrumental a letra precisa ser uma conex\u00e3o com quem ouve. Para mim como tamb\u00e9m letrista, \u00e9 importante essa conex\u00e3o e que o ouvinte se identifique de alguma forma e possa refletir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00eas t\u00eam um DNA bastante global, com influ\u00eancias que v\u00e3o de Testament a Arch Enemy e passagens por selos europeus como a Soulseller Records. Como voc\u00eas veem o metal brasileiro nesse circuito internacional? A receptividade l\u00e1 fora \u00e9 diferente da daqui?<\/strong><br \/>\nVejo aquecido e bem respeitado fora. Nos lugares em que estivemos a receptividade tem sido muito boa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O metal extremo, muitas vezes, pode parecer intransigente, fechado em f\u00f3rmulas prontas. Como o The Damnnation consegue romper com isso, sendo pesado sem ser previs\u00edvel, t\u00e9cnico sem ser frio, e engajado sem soar panflet\u00e1rio?<\/strong><br \/>\nAcho que a melhor resposta \u00e9 sendo n\u00f3s mesmas, musicalmente e liricamente. Falarmos o que queremos falar, tocar o que nos d\u00e1 vontade<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O EP \u201cParasite\u201d foi um marco para voc\u00eas, entrando no top 10 do Metal Injection, e o \u201cWay of Perdition\u201d consolidou a identidade da banda. Com \u201cEyes of Despair\u201d, voc\u00eas buscam uma sonoridade, digamos, mais r\u00e1pida e pesada. Foi um desejo de romper ainda mais os limites ou uma resposta ao que voc\u00eas vivem hoje, social e pessoalmente?<\/strong><br \/>\nFoi uma vontade nossa, de nos desafiar nesse sentido e claro sem perder obviamente a melodia e o aspecto denso das m\u00fasicas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A forma\u00e7\u00e3o da banda passou por mudan\u00e7as importantes. Como essas trocas impactam o som e o esp\u00edrito do The Damnnation? A entrada da Fernanda e da Camila trouxe novos elementos ou fortaleceu a ess\u00eancia original?<\/strong><br \/>\nNa verdade na quest\u00e3o das composi\u00e7\u00f5es e ideias preliminares das m\u00fasicas n\u00e3o muito j\u00e1 que eu que trago \u00e0 mesa. Agora com a Fernanda que vem do death metal e a Camila do punk, elas v\u00e3o adicionar suas influ\u00eancias nessas ideias, o que provavelmente trar\u00e1 ainda mais dinamismo \u00e0s novas composi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"The Damnnation - For Whom the Bell Tolls (cover)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/7VSzdhezcPU?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A presen\u00e7a de mulheres do metal como Mayara Puertas (Torture Squad), Opus Mortis (Paradise In Flames) e Daniela Serafim (Invisible Control) no novo disco refor\u00e7a uma rede de apoio e colabora\u00e7\u00e3o entre artistas da cena. Como \u00e9, na pr\u00e1tica, essa troca entre mulheres que fazem metal pesado no Brasil? H\u00e1 uma cena consolidada ou ainda estamos em processo de constru\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nEstamos em mais evid\u00eancia mas ainda h\u00e1 muito em construir, principalmente a uni\u00e3o t\u00e3o falada. J\u00e1 somos minoria (ainda) para fazer valer e mostrar a for\u00e7a da mulher no cen\u00e1rio, s\u00f3 com uni\u00e3o de verdade. Uma ajudando a outra, n\u00e3o s\u00f3 no discurso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00eas fizeram uma turn\u00ea pelos EUA, tocaram em festivais importantes no Brasil e seguem ganhando espa\u00e7o. Qual \u00e9 o maior desafio hoje para uma banda independente hoje?<\/strong><br \/>\nOs custos e a valoriza\u00e7\u00e3o real. Muitas vezes o que ganhamos nem sempre cobrem os custos de uma turn\u00ea.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O metal sempre teve uma veia contestadora, mas nem todas as bandas abra\u00e7am esse aspecto. O The Damnnation n\u00e3o foge do embate. Em tempos de polariza\u00e7\u00e3o e discurso de \u00f3dio, qual \u00e9 o papel pol\u00edtico \u2014 ou social \u2014 de uma banda extrema?<\/strong><br \/>\nAcredito que se posicionar \u00e9 sempre necess\u00e1rio. E ledo engano de quem acha que n\u00e3o faz parte. Fazemos e vivemos no olho do furac\u00e3o. Al\u00e9m de direito \u00e9 tamb\u00e9m obriga\u00e7\u00e3o nossa como comunic\u00f3logo na sua ess\u00eancia, debater sobre todos os temas latentes do cotidiano brasileiro, da mulher, do mundo e etc. Se a gente n\u00e3o usar a m\u00fasica para falar sobre tudo que est\u00e1 errado, para mim n\u00e3o faz sentido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Olhando para tr\u00e1s, o que voc\u00eas diriam para aquela vers\u00e3o inicial do The Damnnation? O que mudou e o que permanece intoc\u00e1vel na ess\u00eancia da banda?<\/strong><br \/>\nFalando por mim, acho que tinha uma vers\u00e3o um pouco mais rom\u00e2ntica de in\u00edcio (risos). Agora estamos mais focadas em fazer acontecer de fato. O que permanece intoc\u00e1vel \u00e9 a abordagem que queremos passar: sempre sendo honestas ao nosso som e aos sentimentos que passamos nas letras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Por fim, com disco novo na pra\u00e7a, quais s\u00e3o os planos futuros?<\/strong><br \/>\nTemos mais alguns shows at\u00e9 novembro, depois durante dezembro, devemos experimentar novas composi\u00e7\u00f5es que j\u00e1 temos na manga para algo novo em 2026. Tem mais um clipe vindo ai tamb\u00e9m, gravado no La Iglesia no show de lan\u00e7amento do \u00e1lbum. 2026 tamb\u00e9m queremos tocar mais e em lugares que nunca fomos, estamos planejando algumas coisas, mas quando chegar o momento, divulgaremos.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Eyes of Despair\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/videoseries?list=OLAK5uy_l3LRQQezf2zQe6dYJurxP3EYkjHIgD0XM\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>\u2013\u00a0<em>\u00a0<a href=\"https:\/\/twitter.com\/brunorplisboa\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Bruno Lisboa<\/a>\u00a0 escreve no Scream &amp; Yell desde 2014.\u00a0<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\u201cSe posicionar \u00e9 sempre necess\u00e1rio. 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