{"id":9297,"date":"2011-08-01T10:18:24","date_gmt":"2011-08-01T13:18:24","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=9297"},"modified":"2023-03-28T23:31:58","modified_gmt":"2023-03-29T02:31:58","slug":"entrevista-romulo-froes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/08\/01\/entrevista-romulo-froes\/","title":{"rendered":"Entrevista: Romulo Fr\u00f3es"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-9298 aligncenter\" title=\"romulo1\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/08\/romulo1.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"403\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/08\/romulo1.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/08\/romulo1-300x199.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Texto por <a href=\"http:\/\/twitter.com\/#!\/renata_arruda\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Renata Arruda<br \/>\n<\/a>Fotos por <a href=\"http:\/\/twitter.com\/#!\/licallegari\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Liliane Callegari<\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A afirma\u00e7\u00e3o de Rog\u00e9rio Skylab na Folha de S\u00e3o Paulo ficou famosa: Romulo Fr\u00f3es \u00e9 o arauto da nova MPB. Por\u00e9m, a \u00eanfase que Skylab queria demonstrar n\u00e3o era essa, mas sim que o grande diferencial de Romulo no meio a tantos novos artistas que em comum possuem apenas o r\u00f3tulo de \u201cm\u00fasicos da nova MPB\u201d \u00e9 o fato de ele dramatizar esta m\u00fasica. Isto ficou claro a partir do lan\u00e7amento do complexo e ousado CD duplo \u201cNo Ch\u00e3o Sem Ch\u00e3o\u201d, de 2009, em que para se livrar do estigma de sambista \u2013 ou de um pretenso bem sucedido m\u00fasico que atualizou o samba \u2013 que seus dois primeiros CDs o \u201ccondenaram\u201d, Romulo resolveu atirar para diversos lados na inten\u00e7\u00e3o de poder trabalhar com os v\u00e1rios caminhos poss\u00edveis da m\u00fasica brasileira. Como resultado, \u201cNo Ch\u00e3o Sem Ch\u00e3o\u201d foi o trabalho mais elogiado de sua carreira e Romulo chegou a ser apontado como um dos nove nomes da nova gera\u00e7\u00e3o que mudar\u00e3o a m\u00fasica brasileira nos pr\u00f3ximos anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mesmo assim, ele ainda n\u00e3o sentia que tinha feito um disco com a sua cara. E dessa vontade surgiu o recente \u201cUm Labirinto em Cada P\u00e9\u201d (2011) \u2013 que o compositor liberou para download gratuito <a href=\"http:\/\/umlabirintoemcadape.blogspot.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a> \u2013 onde Romulo mant\u00eam a parceria com os artistas pl\u00e1sticos Nuno Ramos e Clima, e apresenta o que ele diz ser pela primeira vez um disco mais formatado. \u201c\u00c9 a primeira vez que fa\u00e7o um disco, sem nenhuma quest\u00e3o a ser resolvida\u201d, diz o m\u00fasico, que chegou a cogitar chamar o \u00e1lbum apenas de \u201cRomulo Fr\u00f3es\u201d. Tamb\u00e9m \u00e9 a primeira vez que Romulo, antes tamb\u00e9m assistente de Nuno Ramos, se dedica inteiramente \u00e0 m\u00fasica. \u201cParei de trabalhar com o Nuno desde a \u00faltima Bienal, resolvi viver de m\u00fasica. Chegou a hora de falar de m\u00fasica\u201d, declarou o n\u00e3o-m\u00fasico, que se incomoda ao ver suas opini\u00f5es possu\u00edrem mais repercuss\u00e3o que suas can\u00e7\u00f5es: \u201cQuero que meus pensamentos estejam atrelados \u00e0 minha m\u00fasica, quero que voc\u00ea concorde ou discorde de minhas opini\u00f5es, ao ouvir minhas can\u00e7\u00f5es e n\u00e3o ao ler minhas entrevistas.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No entanto, em um universo onde existem poucas cabe\u00e7as pensantes dispostas a falar, \u00e9 sempre um deleite ler as reflex\u00f5es inteligentes e provocativas de Romulo Fr\u00f3es. N\u00e3o foi diferente nesta entrevista ao Scream &amp; Yell, no Rio de Janeiro. Leia, concorde e discorde, de prefer\u00eancia seguindo o conselho do m\u00fasico: ouvindo \u201cUm Labirinto em Cada P\u00e9\u201d. Com a palavra, Romulo:<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-9299 aligncenter\" title=\"romulo2\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/08\/romulo2.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em recente entrevista para a Folha de S\u00e3o Paulo, voc\u00ea declarou: \u201cN\u00e3o quero ser mensageiro de nada, eu quero que as pessoas ou\u00e7am minha m\u00fasica. \u00c9 meu esfor\u00e7o e sempre ser\u00e1 em fazer com que mais pessoas tenham acesso ao meu trabalho\u201d. O que remete a uma declara\u00e7\u00e3o de Hermeto Pascoal, que disse nunca ter ganhado dinheiro com a m\u00fasica e que quer mais \u00e9 ser pirateado mesmo, pois pra ele importa mais as notas musicais do que as notas de dinheiro. Voc\u00ea tamb\u00e9m se sente assim?<\/strong><br \/>\n\u00c9 diferente. O que eu vivo n\u00e3o tem nada a ver com que o Hermeto viveu. S\u00e3o momentos diferentes. Minha fala diz respeito ao momento em que minha gera\u00e7\u00e3o se constr\u00f3i e que coincide com a derrocada da ind\u00fastria e o desenvolvimento e o acesso facilitado \u00e0 tecnologia. Passamos a \u00faltima d\u00e9cada tentando entender esta nova ordem, quais os novos caminhos a seguir, quais os novos modelos de difus\u00e3o e de produ\u00e7\u00e3o, a internet, o fim do disco, a m\u00fasica de gra\u00e7a na rede, enfim, falamos de tudo, menos da m\u00fasica que estava sendo produzida. \u00c9 isso que reivindico: j\u00e1 deu tempo de entender este mundo novo, agora \u00e9 preciso voltar a falar de m\u00fasica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea \u00e9 constantemente lembrado por suas declara\u00e7\u00f5es, mais do que por sua can\u00e7\u00e3o. Eu mesma te li antes de te ouvir, e acabei gostando do que ouvi. O Caetano, em quem voc\u00ea se diz espelhar, por exemplo, hoje tamb\u00e9m \u00e9 mais, se n\u00e3o reconhecido, comentado por suas declara\u00e7\u00f5es do que por sua m\u00fasica, mesmo tendo lan\u00e7ado dois grandes CDs recentemente. De certa forma, ser uma figura cujo pensamento \u00e9 relevante n\u00e3o acaba criando uma ponte positiva para a audi\u00e7\u00e3o das can\u00e7\u00f5es?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o me ressinto de ter um pensamento sobre a can\u00e7\u00e3o brasileira e tenho mesmo apre\u00e7o pela discuss\u00e3o, mas quero que meus pensamentos estejam atrelados \u00e0 minha m\u00fasica, quero que voc\u00ea concorde ou discorde de minhas opini\u00f5es, ao ouvir minhas can\u00e7\u00f5es e n\u00e3o ao ler minhas entrevistas. Quero que ou\u00e7am minha m\u00fasica pra ajudar no entendimento do que penso. Quando ouvimos Caetano falar, estamos com sua m\u00fasica na cabe\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea tamb\u00e9m falou sobre como se aprofundar na sua \u201cignor\u00e2ncia t\u00e9cnica\u201d lhe abriu \u201cum mundo fascinante\u201d e que seu approach com a m\u00fasica \u00e9 mais intelectual. Esta caracter\u00edstica cerebral tamb\u00e9m n\u00e3o seria um dos motivos pelos quais, involuntariamente, suas entrevistas acabem tendo impacto mais imediato do que suas can\u00e7\u00f5es?<\/strong><br \/>\nComo diz o Nuno (Ramos), ignor\u00e2ncia em arte pode ser muito rica se atrelada a outros valores, mas a ignor\u00e2ncia em si mesma n\u00e3o \u00e9 nada al\u00e9m disso. Quando falo em certa ignor\u00e2ncia de minha parte, me refiro a minha forma\u00e7\u00e3o musical. N\u00e3o estudei m\u00fasica, mal sei os nomes dos acordes que toco. Isso n\u00e3o quer dizer que n\u00e3o tenha apre\u00e7o pelo conhecimento musical, por isso sempre me cerquei de grandes m\u00fasicos, porque pra colocar em pr\u00e1tica minhas ideias \u201cn\u00e3o-musicais\u201d preciso de m\u00fasicos capazes de faz\u00ea-las. Mas tenho plena consci\u00eancia da minha m\u00fasica. N\u00e3o sou intuitivo. Sei exatamente o que pretendo e pra onde encaminho minhas ideias. E n\u00e3o acho que minha m\u00fasica tenha menos impacto que minha fala. Espero que n\u00e3o. Seria muito frustrante pra mim. \u00c9 que pra se ouvir um disco requer muito mais aten\u00e7\u00e3o que ler uma entrevista e requer tempo, coisa cada vez mais dif\u00edcil nos dias de hoje.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E como foi que o cara que n\u00e3o se diz m\u00fasico tornou-se o mensageiro da nova MPB?<\/strong><br \/>\nJ\u00e1 estou no meu quarto disco em dez anos de carreira. Isso se deve ao fato de no in\u00edcio n\u00e3o haver quem comentasse nem a minha, nem a produ\u00e7\u00e3o de outros artistas. Havia um sentimento, como ainda hoje h\u00e1, embora menor, de que nada de novo estava sendo feito na m\u00fasica brasileira. Como se ela tivesse parado nos anos 1960. Eu me sentia angustiado em ver uma gera\u00e7\u00e3o de artistas extremamente talentosos relegados ao anonimato, por isso passei a escrever sobre eles. Acabei tomando gosto pela coisa e passei a desenvolver um pensamento sobre essa gera\u00e7\u00e3o. Da\u00ed o motivo de eu ser muito chamado para dar entrevistas \u2013 agora que se tenta entender e organizar essa nova m\u00fasica brasileira. Mas estou longe de ser um porta voz ou mensageiro, se h\u00e1 uma coisa a aprender sobre esta gera\u00e7\u00e3o \u00e9 que ela n\u00e3o possui nem uma s\u00f3 voz nem um s\u00f3 pensamento sobre a m\u00fasica brasileira.<\/p>\n<p align=\"center\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/fRWuafbJnlc\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/fRWuafbJnlc\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ano passado houve uma tentativa de discuss\u00e3o sobre a programa\u00e7\u00e3o e as exig\u00eancias das r\u00e1dios para tocar as m\u00fasicas de artistas conhecidos. Muitos desta nova safra da MPB tamb\u00e9m n\u00e3o tem espa\u00e7o nas r\u00e1dios populares, mas voc\u00ea disse no pr\u00f3prio Scream &amp; Yell que ainda tem o sonho de se ouvir tocando nela. Este seria um sonho tamb\u00e9m de viver o modelo antigo, com gravadora e ind\u00fastria apoiando o trabalho?<\/strong><br \/>\nTento n\u00e3o demonizar a ind\u00fastria, afinal, foi dentro dela que se produziu a grande m\u00fasica brasileira, de Carmem Miranda \u00e0 Marisa Monte. Mas \u00e9 fato que ela perdeu o rumo da hist\u00f3ria, passou por cima de todo e qualquer pensamento que n\u00e3o fosse o do lucro f\u00e1cil, r\u00e1pido e descart\u00e1vel. Este \u00e9 um dos motivos para sua crise. Neste modelo de ind\u00fastria que vivemos hoje, minha gera\u00e7\u00e3o definitivamente n\u00e3o se encaixa, mas criamos condi\u00e7\u00f5es para sobreviver sem ela. N\u00e3o podemos deixar de admitir que faz falta a estrutura que a ind\u00fastria det\u00e9m. Mas o fato \u00e9 que n\u00e3o existe mais a possibilidade de se desenvolver um trabalho com prop\u00f3sitos, digamos, art\u00edsticos dentro da ind\u00fastria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quando do embri\u00e3o de \u201cUm Labirinto em Cada P\u00e9\u201d, voc\u00ea declarou que queria fazer uma coisa mais parecida com um \u201cdisco\u201d, algo que fosse \u201cfinalmente Romulo, pin\u00e7ar esse Romulo que tem a ver com o samba, mas que n\u00e3o \u00e9 do samba\u201d. Acredita ter alcan\u00e7ado este objetivo?<\/strong><br \/>\nPlenamente. \u201cUm Labirinto Em Cada P\u00e9\u201d \u00e9 meu disco mais formatado e digo isso sem detrimento algum. \u00c9 a primeira vez que fa\u00e7o um disco sem nenhuma quest\u00e3o a ser resolvida, sobre ser ou n\u00e3o ser sambista, fazer ou n\u00e3o fazer uma can\u00e7\u00e3o que passasse pelo samba, temer ou n\u00e3o temer parecer antigo, enfim, quest\u00f5es que perpassaram meus tr\u00eas primeiros \u00e1lbuns e que acredito que foram resolvidas neles mesmos. \u201cUm Labirinto Em Cada P\u00e9\u201d nasce com todas essas quest\u00f5es j\u00e1 discutidas e com um desejo de imprimir uma voz mais clara, resultante desse processo de constru\u00e7\u00e3o da minha m\u00fasica e acredito que essa voz, mais n\u00edtida, finalmente apareceu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A figura recorrente do c\u00e3o, \u201ccomo um ser que defina o Brasil, a arte e a m\u00fasica brasileira\u201d encontra paralelo na sua gera\u00e7\u00e3o, de artistas independentes que precisam aprender a fazer tudo sozinhos?<\/strong><br \/>\nPode ser, mas n\u00e3o \u00e9 nesse sentido que ela aparece no meu trabalho, tendo mesmo nomeado um dos meus discos. A minha aproxima\u00e7\u00e3o (e dos meus parceiros mais constantes, Nuno Ramos e Clima) com a figura do C\u00e3o \u00e9 po\u00e9tica e n\u00e3o aleg\u00f3rica. Ela se d\u00e1 justamente por associa\u00e7\u00e3o a um lado da cultura brasileira, menos luminoso, mais denso e profundo, de artistas que nos identificamos e admiramos imensamente como Nelson Cavaquinho e Oswaldo Goeldi. A figura do c\u00e3o representa essa face da cultura brasileira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Essa cena da qual voc\u00ea faz parte j\u00e1 existe h\u00e1 uns 10 anos, talvez tendo o Mulheres Que Dizem Sim como \u201cponto de partida\u201d, mas s\u00f3 agora come\u00e7ou a ter espa\u00e7o e reconhecimento maior, talvez at\u00e9 pela maior facilidade que a internet oferece hoje. Ao mesmo tempo, voc\u00ea disse que \u201cos idiotas est\u00e3o na internet com opini\u00f5es muito rasas, que eles ganharam voz no mundo\u201d, o que seria uma esp\u00e9cie de efeito colateral. Como voc\u00ea v\u00ea esta nova realidade? Mesmo com a prolifera\u00e7\u00e3o dos \u201cidiotas\u201d, est\u00e1 otimista com os rumos que sua gera\u00e7\u00e3o vem tomando?<\/strong><br \/>\nTomei o Mulheres Que Dizem Sim como algum ponto de partida poss\u00edvel quando perguntado, por identificar na m\u00fasica que eles faziam semelhan\u00e7as com o que eu venho fazendo ao longo da minha carreira. Acho que outros artistas podem identificar ou n\u00e3o, em outros trabalhos, o in\u00edcio dessa gera\u00e7\u00e3o, mas sinceramente n\u00e3o vejo import\u00e2ncia em determinar o come\u00e7o dessa hist\u00f3ria e sim o momento atual porque ela passa. Como voc\u00ea disse, ela come\u00e7a a ganhar maior reconhecimento e isso se d\u00e1 mais pela quantidade enorme de bons trabalhos lan\u00e7ados a cada ano, pelo surgimento cada vez maior de novos artistas e pela confirma\u00e7\u00e3o de outros que assim como eu j\u00e1 caminham para lan\u00e7ar seus terceiros ou quartos \u00e1lbuns, que por causa da internet, pois se ao mesmo tempo, \u00e9 ela que democratiza o acesso e nos possibilita construir e divulgar nossa obra \u00e9 ela mesma que a lan\u00e7a num mar infinito de outras obras. \u00c9 preciso muito trabalho, paci\u00eancia e persist\u00eancia para se distinguir dentro desse imenso universo que \u00e9 a internet e acho que o tempo, de novo ele, \u00e9 nosso aliado nessa conquista.<\/p>\n<p align=\"center\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/6Gj1f5JG5Sg\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/6Gj1f5JG5Sg\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Se o ouvinte m\u00e9dio perdeu contato com a arte em prol do entretenimento, se ele anda mais \u201cemburrecido\u201d, ent\u00e3o imagino que seja uma tarefa \u00e1rdua competir por espa\u00e7o com as Claudias Leittes da vida. Mas voc\u00ea diz que n\u00e3o quer facilitar pro ouvinte, que espera algo dele. Como resgatar o interesse de um p\u00fablico t\u00e3o viciado?<\/strong><br \/>\n\u00c9 muita ingenuidade achar que n\u00e3o somos ouvidos por causa da Cl\u00e1udia Leite. A gente n\u00e3o tem absolutamente nada a ver com ela ou algum paralelo seu, seja no sertanejo universit\u00e1rio ou no ax\u00e9. N\u00e3o temos nada a ver nem mesmo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 dita MPB que se desenvolve dentro da ind\u00fastria. Estamos fora dela. O novo ouvinte que se interessar por uma nova m\u00fasica brasileira, que pensa e prop\u00f5e novos caminhos, que tenta levar adiante sua hist\u00f3ria, n\u00e3o vai encontrar isso dentro da ind\u00fastria e nas formas tradicionais de divulga\u00e7\u00e3o. \u00c9 preciso ir atr\u00e1s dessa nova m\u00fasica. \u00c9 preciso deixar de ser passivo, esperar pela m\u00fasica que oferecem \u00e0 ele e ir atr\u00e1s da m\u00fasica que lhe interessa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Por outro lado, foi depois do complexo \u201cNo Ch\u00e3o sem Ch\u00e3o\u201d que seu trabalho ficou mais conhecido, havendo at\u00e9 quem acredite ser este seu primeiro CD.<\/strong><br \/>\nO tempo \u00e9 nosso aliado e depois de ter lan\u00e7ado quatro discos, feito shows e mais shows, seu nome vai ficando mais conhecido Agora, esse \u201csucesso\u201d n\u00e3o tem a mesma dimens\u00e3o que antes. Vivemos um momento diferente. Outra coisa que penso que contribuiu para me tornar mais conhecido \u00e9 o pr\u00f3prio crescimento da cena independente, com mais e mais artistas novos lan\u00e7ando trabalhos consistentes. Isso de alguma maneira acaba rebatendo no meu trabalho. \u00c9 muito mais forte quando sua m\u00fasica tem com quem dialogar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como surgiu a ideia de regravar \u201cMulher sem Alma\u201d, do Nelson Cavaquinho (no CD \u201cC\u00e3o\u201d, de 2006)?<\/strong><br \/>\nNelson Cavaquinho talvez seja o artista mais importante pra m\u00fasica que eu fa\u00e7o. Ele \u00e9 meu par\u00e2metro maior. Nada mais natural que explicitar essa rela\u00e7\u00e3o e o modo como ela se d\u00e1 na minha cabe\u00e7a, que \u00e9 do jeito mais livre poss\u00edvel e que \u00e9 como encaro a m\u00fasica dele. Por isso aquela bateria algo descontrolada, descompassada, quase free, em cima de uma base r\u00edtmica s\u00f3lida produzida n\u00e3o por ela, mas pelo viol\u00e3o de 7 cordas. \u00c9 quase como se os instrumentos invertessem suas fun\u00e7\u00f5es naturais, desmontando nossa percep\u00e7\u00e3o. \u00c9 assim que encaro arte e \u00e9 assim que encaro a m\u00fasica do Nelson Cavaquinho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Um tempo atr\u00e1s voc\u00ea declarou que o neg\u00f3cio era muito centrado em S\u00e3o Paulo e que praticamente pagou pra tocar no Rio, durante sua \u00faltima turn\u00ea. Acha que de l\u00e1 pra c\u00e1, est\u00e1 havendo mais espa\u00e7o para se tocar fora de S\u00e3o Paulo?<\/strong><br \/>\nAinda \u00e9 muito dif\u00edcil, pra n\u00e3o dizer imposs\u00edvel, se pensarmos em mercado de m\u00fasica. Ano passado toquei em Bel\u00e9m e Belo Horizonte e foram shows maravilhosos, com gente cantando e pedindo m\u00fasicas do meu repert\u00f3rio, mas s\u00f3 toquei nesses lugares porque fui selecionado num edital p\u00fablico para um festival patrocinado por uma grande empresa de telefonia. A possibilidade de eu voltar a tocar nesses lugares, com as condi\u00e7\u00f5es que toquei, sem que seja atrav\u00e9s de editais, \u00e9 nenhuma. O Rio de Janeiro come\u00e7a a se recuperar nesse sentido e mais casas e teatros est\u00e3o abrindo espa\u00e7os pra essa nova gera\u00e7\u00e3o. Acabo de fazer dois shows num pequeno teatro, tamb\u00e9m patrocinado por uma empresa de telefonia, que foram um sucesso. Ingressos esgotados nos dois dias, o que prova que existe p\u00fablico pra essa nova m\u00fasica. Pode n\u00e3o ser o p\u00fablico de grandes arenas, de milhares de pessoas, mas ele existe.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quais s\u00e3o suas expectativas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 nova turn\u00ea? Voc\u00ea j\u00e1 fez shows em S\u00e3o Paulo e no Rio. Acredita que seu p\u00fablico tenha mudado?<\/strong><br \/>\nAs expectativas s\u00e3o as mesmas de sempre: tocar, tocar, tocar e cada vez mais em lugares que eu n\u00e3o tenha tocado antes. Vamos ver se o p\u00fablico mudou, aumentou, espero que sim. S\u00f3 o tempo dir\u00e1. De novo ele, o tempo.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-9300 aligncenter\" title=\"romulo3\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/08\/romulo3.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p>&#8211; Renata Arruda (<a href=\"http:\/\/twitter.com\/#!\/renata_arruda\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">@renata_arruda<\/a>) \u00e9 jornalista e colaboradora na empresa <a href=\"http:\/\/www.teialivre.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Teia Livre<\/a> e na <a href=\"http:\/\/revistasnovitas.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Revista Cultural Novitas<\/a><br \/>\n&#8211; Liliane Callegari (<a href=\"http:\/\/twitter.com\/licallegari\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">@licallegari<\/a>) \u00e9 arquiteta e fot\u00f3grafa. Veja mais fotos da apresenta\u00e7\u00e3o <a href=\"http:\/\/www.flickr.com\/photos\/lilianecallegari\/sets\/72157627088761422\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a><\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n&#8211; Show: &#8220;Um Labirinto em Cada P\u00e9&#8221; ao vivo em S\u00e3o Paulo, por Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/07\/01\/show-um-labirinto-em-cada-pe-ao-vivo\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Sobre o amor, a m\u00fasica e outras bobagens, por Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2010\/05\/09\/sobre-o-amor-a-musica-e-outras-bobagens\/\" target=\"_self\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Romulo Fr\u00f3es lan\u00e7a \u201cNo Ch\u00e3o, Sem o Ch\u00e3o\u201d com belo show, por Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2009\/05\/04\/romulo-froes-lanca-cd-em-grande-estilo\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; \u201cNo Ch\u00e3o, Sem o Ch\u00e3o\u201d, Romulo Fr\u00f3es: quarto melhor disco nacional de 2009 (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2010\/01\/26\/melhores-discos-nacionais-2009\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Entrevist\u00e3o Scream &amp; Yell, Abril de 2010: Romulo Fr\u00f3es (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2010\/04\/01\/entrevista-do-mes-romulo-froes\/\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Renata Arruda\n&#8220;J\u00e1 deu tempo de entender este mundo novo. Agora \u00e9 preciso voltar a falar de m\u00fasica&#8221;, reivindica Romulo Fr\u00f3es\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/08\/01\/entrevista-romulo-froes\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":27,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9297"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/27"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9297"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9297\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":73536,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9297\/revisions\/73536"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9297"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9297"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9297"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}