{"id":92782,"date":"2025-11-17T23:42:51","date_gmt":"2025-11-18T02:42:51","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=92782"},"modified":"2025-12-10T00:27:20","modified_gmt":"2025-12-10T03:27:20","slug":"entre-o-agro-e-o-pogo-festival-farinha-podre-reinventa-uberaba-por-dois-dias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/11\/17\/entre-o-agro-e-o-pogo-festival-farinha-podre-reinventa-uberaba-por-dois-dias\/","title":{"rendered":"Entre o agro e o pogo: Festival Farinha Podre reinventa Uberaba por dois dias"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\">texto por <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/ociocretino\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Alexandre Lopes<\/a><br \/>\nfotos por <a href=\"https:\/\/bruno-fuzzo.wfolio.pro\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Bruno Fuzzo<\/a><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uberaba (MG) \u00e9 uma cidade com cerca de 356 mil habitantes, moldada h\u00e1 d\u00e9cadas pela l\u00f3gica do agroneg\u00f3cio e por um card\u00e1pio musical em que o sertanejo, o pagode e o pop ocupam o centro das aten\u00e7\u00f5es. Ainda assim, por baixo desse verniz de normalidade radiof\u00f4nica, pulsa uma outra hist\u00f3ria: a de uma cena rock\/punk\/metal independente que insiste em existir cercada de conservadorismo, falta de apoio institucional e olhares desconfiados. E \u00e9 nesse contexto que o <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/farinhapodrefest\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Festival Farinha Podre<\/a> acontece.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Organizado pelo coletivo <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/opera.cultural\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\u00d3pera Cultural<\/a> desde 2022, o evento \u00e9 menos um \u201cfestival de rock\u201d no sentido cl\u00e1ssico e quase um experimento social: um espa\u00e7o em que guitarras distorcidas, punks, metaleiros, hippies, curiosos e pontos de Exu podem dividir o mesmo ar rarefeito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 2025, o Farinha Podre chegou \u00e0 sua oitava edi\u00e7\u00e3o nos dias 8 e 9 de novembro no estacionamento do Pra\u00e7a Uberaba Shopping, com entrada franca. Aprovado no Edital da PNAB (Pol\u00edtica Nacional Aldir Blanc), o evento trouxe headliners como Ratos de Por\u00e3o e Ventania em di\u00e1logo com bandas locais e de cidades vizinhas, refletindo uma Uberaba rural e conservadora, mas que, por algumas horas, escutou o que costuma ficar \u00e0 margem, com interven\u00e7\u00f5es art\u00edsticas, discursos antifascistas e rodas de pogo, com a chance de reescrever o presente e apontar para o futuro.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>Dia 1 \u2013 S\u00e1bado, 8<\/strong><\/h2>\n<figure id=\"attachment_92784\" aria-describedby=\"caption-attachment-92784\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-92784\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Morango-do-Horror-1-1.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Morango-do-Horror-1-1.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Morango-do-Horror-1-1-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-92784\" class=\"wp-caption-text\"><em>Morango do Horror<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">No s\u00e1bado, 8 de novembro, o estacionamento do Pra\u00e7a Uberaba Shopping virou ponto de encontro de roqueiros e fam\u00edlias com crian\u00e7as correndo entre o asfalto, o espa\u00e7o kids e a pra\u00e7a de alimenta\u00e7\u00e3o. No som, o DJ Wagner Jr. costurava os intervalos com discotecagem em vinil e a sensibilidade de quem sabe que um festival tamb\u00e9m se faz nas pausas entre bandas; no microfone, o radialista Ulices Gama funcionava como mestre de cerim\u00f4nias, apresentando as atra\u00e7\u00f5es com a familiaridade de quem fala para seus vizinhos e amigos.<\/p>\n<figure id=\"attachment_92785\" aria-describedby=\"caption-attachment-92785\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-92785\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Morango-do-Horror-2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Morango-do-Horror-2.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Morango-do-Horror-2-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-92785\" class=\"wp-caption-text\"><em>Morango do Horror<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c0s 17h em ponto, quem inaugurou o palco foi a <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/morangodohorror666\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Morango do Horror<\/a>, banda vencedora da seletiva na categoria Cover. O jovem grupo apresentou um pequeno invent\u00e1rio do punk e do hardcore nacional. \u201cOi, Tudo Bem?\u201d, do Garotos Podres, foi um aceno a essa tradi\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m soando como provoca\u00e7\u00e3o para a pr\u00f3pria cidade. Em seguida, \u201cBoy do Subterr\u00e2neo\u201d, do Replicantes, \u201cMedo\u201d, do C\u00f3lera, e \u201cA Marca dos 3 Noves Invertidos\u201d, do Zumbis do Espa\u00e7o, desenharam um mapa afetivo de parte do underground brasileiro. Entre uma m\u00fasica e outra, a vocalista Isabela afirmou que \u201co punk n\u00e3o morreu\u201d e a baixista J\u00e9ssica tomou o microfone para dedicar \u201cIsto \u00e9 Olho Seco\u201d a um amigo falecido. A sat\u00edrica \u201cMaradona\u201d, do Merda, e \u201cSurfin\u2019 Bird\u201d, na vers\u00e3o eternizada pelos Ramones, completaram um set que flertou com hardcore mel\u00f3dico no fim.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-92787 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/sons-de-guerrilha-2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/sons-de-guerrilha-2.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/sons-de-guerrilha-2-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois do impacto inicial, o festival fez uma curva est\u00e9tica com o grupo de dan\u00e7a <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/fadasnamastchicas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Fadas Namastchica<\/a>s. A atra\u00e7\u00e3o trocou o peso das guitarras por coreografias ao som de m\u00fasica espanhola de pegada cigana, seguidas de uma performance solo de uma dan\u00e7arina com faca e v\u00e9u ao som de \u201cTuareg\u201d, de Gal Costa. Em meio a um festival de rock em uma cidade do interior, a apresenta\u00e7\u00e3o deixou no ar um gesto de ancestralidade feminina que funcionou como respiro e manifesto de que a arte n\u00e3o depende apenas de instrumentos e amplificadores.<\/p>\n<figure id=\"attachment_92786\" aria-describedby=\"caption-attachment-92786\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-92786\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/sons-de-guerrilha.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"774\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/sons-de-guerrilha.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/sons-de-guerrilha-291x300.jpg 291w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-92786\" class=\"wp-caption-text\"><em>Sons of Guerrilha<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c0s 18h30, o peso voltou com a <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/sonsofguerrilha\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Sons of Guerrilha<\/a>, anunciada como cover de Rage Against the Machine e vencedora da seletiva na categoria Regional. Hits como \u201cBulls on Parade\u201d e \u201cGuerrilla Radio\u201d foram os destaques, com o vocalista Bruno Ferreira assumindo o papel de frontman inflamado. Em um dos momentos centrais do s\u00e1bado, ele interrompeu o exerc\u00edcio de imita\u00e7\u00e3o de Zack de la Rocha para contar a hist\u00f3ria da filha \u00cdsis, que tem uma condi\u00e7\u00e3o rara e conscientiza o p\u00fablico sobre a S\u00edndrome de Pierre Robin. Depois desse momento de entrega, \u201cBullet in the Head\u201d soou menos como um cover e mais como expurgo. Houve espa\u00e7o para que o grupo enfiasse uma sequ\u00eancia de m\u00fasicas do Limp Bizkit, com direito a uma crian\u00e7a na plateia dan\u00e7ando empolgada com sua boneca sereia na m\u00e3o. Na parte final, a banda ainda encaixou uma escolha duvidosa que estranhamente funcionou: \u201cLose Yourself\u201d, de Eminem.<\/p>\n<figure id=\"attachment_92788\" aria-describedby=\"caption-attachment-92788\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-92788\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Legius.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Legius.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Legius-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-92788\" class=\"wp-caption-text\"><em>Legius<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c0s 19h30, o palco passou para a <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/legius.band\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Legius<\/a>, vencedora da seletiva na categoria autoral. O quarteto de Uberl\u00e2ndia mostrou um som que navega entre rock alternativo, post-grunge e um flerte com o metal progressivo moderno, incluindo vocais rasgados e mel\u00f3dicos. Com uma terceira guitarra, o grupo montou um pared\u00e3o de riffs enquanto apresentou faixas em ingl\u00eas, antecipando o material do primeiro \u00e1lbum, \u201cGlass to Sand\u201d, lan\u00e7ado dias depois. Ap\u00f3s as m\u00fasicas pr\u00f3prias, vieram covers de Drowning Pool (&#8220;Bodies\u201d), Linkin Park (\u201cOne Step Closer\u201d) e uma sequ\u00eancia de faixas do Slipknot, incluindo \u201cDuality\u201d. Quando a garoa come\u00e7ou a cair \u00e0s 20h23, primeiro t\u00edmida, depois mais firme, a banda se despediu do p\u00fablico, que enfrentou a chuva em vez de recuar.<\/p>\n<figure id=\"attachment_92789\" aria-describedby=\"caption-attachment-92789\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-92789\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Ventani.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Ventani.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Ventani-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-92789\" class=\"wp-caption-text\"><em>Ventania<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c0s 21h, a atmosfera mudou novamente, agora em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 psicodelia de <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/ventaniaoficiall\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Ventania<\/a> e sua banda hippie. A abertura com \u201cCogumelo Azul\u201d funcionou como portal de entrada para um universo onde o estacionamento do shopping se transformou em acampamento imagin\u00e1rio de estrada. Ventania, figura de culto em festivais alternativos pelo Brasil, encarna um bardo andarilho, simultaneamente caricatura e xam\u00e3. O repert\u00f3rio passeou por \u201cEu Quero Ch\u00e1 de Cogumelo\u201d, \u201cMaconha\u201d, \u201cMarasmo\u201d, \u201cA Malucada Pirou\u201d e \u201cS\u00f3 Para Loucos\u201d, hinos de uma contracultura inspirada em Raul Seixas. N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que o p\u00fablico pediu \u201cToca Raul\u201d e foi atendido com \u201cMaluco Beleza\u201d e, mais adiante, \u201cMetamorfose Ambulante\u201d, desta vez com o baixista Net\u00e3o assumindo o viol\u00e3o enquanto Bet\u00e3o segurava a cozinha na bateria. A chuva, que poderia ter sido inimiga, virou elemento cenogr\u00e1fico, com pessoas dan\u00e7ando sem se importar. O show se estendeu por quase uma hora e meia, encerrando o s\u00e1bado em coro coletivo da multid\u00e3o, risadas, muita fuma\u00e7a, chuva e promessas de reencontro no dia seguinte. Se ainda restava alguma d\u00favida sobre a fome de Uberaba por um festival de esp\u00edrito independente, o primeiro dia respondeu com generosidade.<\/p>\n<figure id=\"attachment_92790\" aria-describedby=\"caption-attachment-92790\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-92790\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Ventania.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Ventania.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Ventania-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-92790\" class=\"wp-caption-text\"><em>Ventania<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<h2 style=\"text-align: center;\">Dia 2 &#8211; Domingo, 9<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">No domingo, o Farinha Podre voltou a ocupar o estacionamento com uma cara ainda mais politizada e pesada. Mulheres no front, um crossover que n\u00e3o pediu desculpas ao trazer Exu para o centro do palco, um dos nomes hist\u00f3ricos do punk brasileiro funcionando como comentarista feroz da conjuntura nacional e uma banda negra de metal fechando a noite sob amea\u00e7a de sil\u00eancio for\u00e7ado. \u00c9 como se o festival passasse de afirma\u00e7\u00e3o de exist\u00eancia \u00e0 explicita\u00e7\u00e3o de um conflito.<\/p>\n<figure id=\"attachment_92792\" aria-describedby=\"caption-attachment-92792\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-92792\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Projeto-Arya.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Projeto-Arya.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Projeto-Arya-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-92792\" class=\"wp-caption-text\"><em>Projeto Arya<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s uma breve apresenta\u00e7\u00e3o com mantras e instrumental viajante do <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/projeto_arya\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Projeto Arya<\/a>, a <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/_celulites\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Celulites<\/a> come\u00e7ou seu show \u00e0s 17h23. Vencedora da seletiva na categoria Feminina, a banda formada por Isabela Melo (vocais), J\u00e9ssica Valeriano (guitarra e vocais), Kak\u00e1 Ciriani (baixo e vocais) e Isabella Capuzzo (bateria e vocais) entrou sem pedir licen\u00e7a, ocupando o palco com presen\u00e7a forte. M\u00fasicas como \u201cN\u00e3o D\u00f3i\u201d, \u201cCansei\u201d e \u201cAm\u00e9lia\u201d funcionaram como micro-cr\u00f4nicas sobre o papel feminino na sociedade em formato de porrada, desmontando o machismo cotidiano e a figura da mulher submissa com acidez e raiva.<\/p>\n<figure id=\"attachment_92794\" aria-describedby=\"caption-attachment-92794\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-92794\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Celulites.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"778\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Celulites.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Celulites-289x300.jpg 289w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-92794\" class=\"wp-caption-text\"><em>Celulites<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cCoreto\u201d comentou sobre idiotas colando lambes nazistas pela cidade e emendou a linha certeira: \u201cQuando foram ver, s\u00f3 tinha ideia torta, amea\u00e7a fascista, vamos ter que resolver na bota\u201d. \u201cPedrada\u201d, de Chico C\u00e9sar (na releitura pesada do Mukeka di Rato), ampliou o leque de refer\u00eancias. Mas o grande momento veio quando Chaene Gama, do Black Pantera, dividiu os vocais em \u201cMe Perco\u201d, das Mercen\u00e1rias: o encontro de duas gera\u00e7\u00f5es e recortes de luta (feminista e antirracista). \u201cRebel Girl\u201d, do Bikini Kill, apareceu em vers\u00e3o um pouco mais lenta e, na reta final, a faixa autoral \u201cHolocausto\u201d fechou o set com mais peso e uma letra cr\u00edtica ao Pa\u00eds, enquanto tr\u00eas punks na plateia engatavam uma briga de travesseiros como se fosse para contrastar com a seriedade do tema.<\/p>\n<figure id=\"attachment_92795\" aria-describedby=\"caption-attachment-92795\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-92795\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Celulites-2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Celulites-2.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Celulites-2-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-92795\" class=\"wp-caption-text\"><em>Celulites e Chaene Gama<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c0s 18h25, o <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/ugangaofficial\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Uganga<\/a> assumiu o palco com a naturalidade de quem carrega mais de tr\u00eas d\u00e9cadas de estrada e se recusa a virar pe\u00e7a de museu. Nascida em 1993, a banda mant\u00e9m de sua forma\u00e7\u00e3o original apenas o vocalista Manu Joker &#8211; tamb\u00e9m ex-baterista do seminal Sarc\u00f3fago. O som do Uganga destoa do crossover oitentista cl\u00e1ssico de D.R.I., Excel ou Cryptic Slaughter, embora dialogue com todos eles. O que se escuta \u00e9 uma mistura de hardcore, thrash, algo de rap e batuques e refer\u00eancias \u00e0 m\u00fasica mineira; um \u201ccrossover livre, com cheiro de coturno, incenso e ganja\u201d, na defini\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio Manu. No Farinha Podre, a banda entrou costurando faixas, sem muita pausa para respirar.<\/p>\n<figure id=\"attachment_92796\" aria-describedby=\"caption-attachment-92796\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-92796\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Uganga.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Uganga.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Uganga-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-92796\" class=\"wp-caption-text\"><em>Uganga<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em meio ao show, a van do Ratos de Por\u00e3o cruzou parte do p\u00fablico, que foi direcionado \u00e0 dire\u00e7\u00e3o oposta pelos bombeiros e funcion\u00e1rios do festival. Enquanto isso, \u201cA Profecia\u201d, &#8220;Tem Fogo!\u201d e \u201cNas Entranhas do Sol\u201d surgiram como pedradas capazes de reorganizar corpos no espa\u00e7o; as rodas se abriram no asfalto e os espectadores responderam no grito. Em dado momento, Manu lan\u00e7ou a pergunta: \u201cSe pode falar de diabo, por que eu n\u00e3o posso falar de Exu?\u201d, atacando com \u201cExu N\u00e3o Passa Pano\u201d, e depois colocando um ponto de umbanda para tocar no PA. Um gesto simples, mas carregado: trazer Exu, figura constantemente demonizada em regi\u00f5es conservadoras, para o centro de um festival de rock, n\u00e3o foi somente convocar uma presen\u00e7a espiritual, mas expor as camadas de preconceito religioso de parte do p\u00fablico ali presente. Perto do fim, o guitarrista dedicou o show ao pai e \u00e0 av\u00f3, mostrando que tamb\u00e9m h\u00e1 la\u00e7os familiares em meio ao peso.<\/p>\n<figure id=\"attachment_92797\" aria-describedby=\"caption-attachment-92797\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-92797\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Uganga-2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Uganga-2.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Uganga-2-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-92797\" class=\"wp-caption-text\"><em>Uganga<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s pouco mais de uma hora de preparativos no palco &#8211; foi a vez do <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/ratosdeporao\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Ratos de Por\u00e3o<\/a> finalmente iniciar seu set, \u00e0s 20h21. Sob o grito alongado de Jo\u00e3o Gordo &#8211; \u201cUbeeeeraaabaaa!\u201d- o efeito foi imediato: o p\u00fablico entrou em parafuso com rodas de pogo e os que n\u00e3o se arriscaram a participar, observavam curiosos a execu\u00e7\u00e3o fren\u00e9tica de J\u00e3o na guitarra, Juninho no baixo e Boka na bateria, que mais lembrava uma m\u00e1quina de moer pessoas. O set entregou exatamente o que se esperava de um RDP em 2025: um relato furioso sobre o pa\u00eds calcado em cl\u00e1ssicos do hardcore e thrash alternados com deboche, com Jo\u00e3o arriscando coment\u00e1rios pol\u00edticos. \u201cAntes de tudo, muito obrigado\u201d, come\u00e7ou Jo\u00e3o. \u201cSegundo: estamos aguardando ansiosamente a pris\u00e3o real de Bolsonaro\u201d, jogando luz sobre um desejo que provavelmente ecoava em boa parte da plateia (ainda que o ex-presidente condenado tenha vendido o segundo turno de 2022 na cidade). Houve tamb\u00e9m a dedicat\u00f3ria a \u201cmais de 120 pessoas que morreram no Rio de Janeiro, um monte de gente inocente, em nome do progresso\u201d, em chacina disfar\u00e7ada de opera\u00e7\u00e3o policial nos complexos do Alem\u00e3o e da Penha.<\/p>\n<figure id=\"attachment_92798\" aria-describedby=\"caption-attachment-92798\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-92798\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/rdp1.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/rdp1.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/rdp1-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-92798\" class=\"wp-caption-text\"><em>Ratos de Por\u00e3o<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em seguida, veio \u201cAmaz\u00f4nia Nunca Mais&#8221;, \u201cAlerta Antifascista\u201d, &#8220;Morrer&#8221;, &#8220;Caos&#8221;, &#8220;Dif\u00edcil de Entender&#8221;, &#8220;Crocodila\u201d e da reflex\u00e3o \u201cPela invers\u00e3o de valores, RDP agora \u00e9 o sistema\u201d, antes de \u201cCrucificados Pelo Sistema\u201d explodir nos ouvidos e pelas gargantas de v\u00e1rias gera\u00e7\u00f5es presentes ali. Jo\u00e3o perguntou quem estava vendo o Ratos pela primeira vez e este rep\u00f3rter se recorda de ver jovens, crian\u00e7as e at\u00e9 senhoras com cachorros no colo presentes nesse momento. Gordo comentou a beleza de um festival gratuito &#8211; \u201cde gra\u00e7a, at\u00e9 inje\u00e7\u00e3o na testa\u201d &#8211; e n\u00e3o poupou cr\u00edticas \u00e0 repress\u00e3o policial, citando o uso de g\u00e1s lacrimog\u00eaneo pelo governo de Minas Gerais. Entre as m\u00fasicas, tamb\u00e9m surgiram escrachos com &#8220;N\u00f3s Somos A Turma\u201d com a linha de baixo de \u201cAnother One Bites the Dust\u201d do Queen, tudo filtrado por um humor que sabe ser inc\u00f4modo e vocalizado por meio de guturais. O show terminou \u00e0s 21h19, deixando no ar a sensa\u00e7\u00e3o de ter assistido a algo que n\u00e3o foi s\u00f3 um concerto, mas um editorial brutal em tempo real sobre o Brasil que ficar\u00e1 na mem\u00f3ria (e ouvidos) de Uberaba.<\/p>\n<figure id=\"attachment_92799\" aria-describedby=\"caption-attachment-92799\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-92799\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/rdp2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"773\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/rdp2.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/rdp2-291x300.jpg 291w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-92799\" class=\"wp-caption-text\"><em>Ratos de Por\u00e3o<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Coube ao <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/blackpanteraoficial\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Black Pantera<\/a> fechar o domingo e a edi\u00e7\u00e3o 2025 do festival em estado de coito interrompido. A banda, formada nesta mesma Uberaba, subiu ao palco \u00e0s 21h54 e bastou a abertura com \u201cCandeia\u201d para que a temperatura emocional do espa\u00e7o subisse. Se o Ratos de Por\u00e3o funciona como cr\u00f4nica de uma gera\u00e7\u00e3o que sobreviveu \u00e0 ditadura e ao neoliberalismo dos anos 80 e 90, o Black Pantera encarna um presente que se recusa a aceitar a normaliza\u00e7\u00e3o do \u00f3dio. Os riffs de guitarra e baixo funcionam como marretas, a bateria acerta o peito, e o p\u00fablico responde aos gritos de Charles e Chaene Gama de &#8220;Fogo Nos Racistas\u201d como se estivesse participando de uma assembleia, reafirmando a posi\u00e7\u00e3o clara contra racismo, fascismo e toda forma de opress\u00e3o.<\/p>\n<figure id=\"attachment_92800\" aria-describedby=\"caption-attachment-92800\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-92800\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Black-Pantera.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"902\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Black-Pantera.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Black-Pantera-249x300.jpg 249w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-92800\" class=\"wp-caption-text\"><em>Black Pantera<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em muitos festivais, discursos como esses podem parecer vazios, mas aqui cercados por uma regi\u00e3o que ainda sente o peso do conservadorismo, soam necess\u00e1rios. N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que, \u00e0s 22h22, ap\u00f3s \u201cTradu\u00e7\u00e3o&#8221;, a realidade voltou a se impor: a organiza\u00e7\u00e3o anunciou que o show precisava acabar por reclama\u00e7\u00f5es de vizinhos por \u201cperturba\u00e7\u00e3o do sossego\u201d. O choque entre a intensidade da apresenta\u00e7\u00e3o e a burocracia da queixa resume uma parte importante da hist\u00f3ria do rock e do metal em cidades do interior brasileiro. A resposta da plateia foi imediata e em coro: \u201ceu n\u00e3o vou mais embora\u201d, na melodia de \u201cSeven Nation Army\u201d, do White Stripes. O canto virou press\u00e3o e o Black Pantera &#8211; com Dona Guiomar, m\u00e3e dos irm\u00e3os Charles e Chaene, presente no palco &#8211; esticou mais um pouco o show, empurrando o limite entre o permitido e o desejado. O final chegou \u00e0s 22h31, com banda e p\u00fablico se despedindo na borda da frustra\u00e7\u00e3o e com a sensa\u00e7\u00e3o de que aquele la\u00e7o n\u00e3o se encerrou ali.<\/p>\n<figure id=\"attachment_92801\" aria-describedby=\"caption-attachment-92801\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-92801\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Dona-Guiomar.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Dona-Guiomar.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Dona-Guiomar-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-92801\" class=\"wp-caption-text\"><em>\u00a0Dona Guiomar (m\u00e3e de Charles e Chaene da Gama) e Ulices Gama, acompanhando o show do Black Pantera<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">No fim das contas, a oitava edi\u00e7\u00e3o do Farinha Podre mostrou que Uberaba est\u00e1 pronta para abra\u00e7ar um festival de esp\u00edrito alternativo, transformando o estacionamento de um shopping center em uma arena onde mulheres lideraram o ataque com um punk feminista afiado, veteranos do hardcore reafirmaram que experi\u00eancia n\u00e3o precisa virar acomoda\u00e7\u00e3o e uma banda preta personificando o presente em ebuli\u00e7\u00e3o, politizado e barulhento. Tudo isso em um evento gratuito, organizado por um coletivo que insiste em apostar em cultura pesada em um territ\u00f3rio em que o \u201csossego\u201d ainda \u00e9 usado como argumento para calar vozes dissonantes.<\/p>\n<figure id=\"attachment_92802\" aria-describedby=\"caption-attachment-92802\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-92802\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Black-Pantera-2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Black-Pantera-2.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Black-Pantera-2-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-92802\" class=\"wp-caption-text\"><em>Black Pantera<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">E n\u00e3o foi s\u00f3 sensa\u00e7\u00e3o: os n\u00fameros ajudam a dimensionar a demanda pelo festival. A organiza\u00e7\u00e3o estima que no s\u00e1bado, durante o show de Ventania, circularam entre 1.200 e 1.500 pessoas. No domingo, o cen\u00e1rio foi maior: no show do Ratos de Por\u00e3o, acima de 2 mil pessoas, n\u00famero tamb\u00e9m corroborado pelas impress\u00f5es dos fiscais do Departamento de Posturas que entregaram as queixas sobre o som. Somando-se a isso uma margem de ao menos 20% de pessoas que circularam pelo festival em outros hor\u00e1rios, a estimativa \u00e9 de um p\u00fablico total superior a 4.500 pessoas nos dois dias &#8211; um crescimento de cerca de 200% em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 edi\u00e7\u00e3o de novembro de 2023, a maior at\u00e9 ent\u00e3o.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-92803 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Farinha-Podre.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Farinha-Podre.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Farinha-Podre-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas o que se viu ali n\u00e3o foi apenas a soma de seus shows e espectadores; foi um lembrete de que o interior n\u00e3o \u00e9 receptor passivo do que chega das grandes capitais, mas produtor de linguagem, est\u00e9tica e discurso. Uberaba experimentou por dois dias uma outra forma de se narrar &#8211; mesmo que ainda com v\u00e1rias quest\u00f5es e atrasos a serem resolvidos. Mas como um dos organizadores <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/11\/04\/farinha-podre-fest-2025-reune-ratos-de-porao-black-pantera-ventania-e-uganga-celebrando-a-cultura-independente-em-uberaba\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">pontuou em entrevista pr\u00e9via ao Scream &amp; Yell<\/a>: \u201ca cultura \u00e9 viva e s\u00f3 precisa de espa\u00e7o para se manifestar\u201d. Pode ser um gesto pequeno em escala nacional, mas para quem esteve ali, foi a consolida\u00e7\u00e3o de uma cena independente que n\u00e3o quer se calar.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-92804 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Farinha-Podre-2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Farinha-Podre-2.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Farinha-Podre-2-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p><em>\u2013 Alexandre Lopes (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/ociocretino\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">@ociocretino<\/a>) \u00e9 jornalista e assina o\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ociocretino.blogspot.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">www.ociocretino.blogspot.com.br<\/a>.\u00a0<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"8\u00aa edi\u00e7\u00e3o do Farinha Podre mostrou que Uberaba est\u00e1 pronta para abra\u00e7ar um festival de esp\u00edrito alternativo, transformando o estacionamento de um shopping em uma arena de m\u00fasica e ideias\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/11\/17\/entre-o-agro-e-o-pogo-festival-farinha-podre-reinventa-uberaba-por-dois-dias\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":101,"featured_media":92805,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[5078,8016,8011,8017,8013,8012,8015,1865,8010,3685,8014],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/92782"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/101"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=92782"}],"version-history":[{"count":8,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/92782\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":92826,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/92782\/revisions\/92826"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/92805"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=92782"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=92782"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=92782"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}