{"id":92765,"date":"2025-11-17T01:24:37","date_gmt":"2025-11-17T04:24:37","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=92765"},"modified":"2026-01-27T14:37:59","modified_gmt":"2026-01-27T17:37:59","slug":"entrevista-naimaculada-traduz-o-caos-urbano-em-a-cor-mais-proxima-do-cinza","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/11\/17\/entrevista-naimaculada-traduz-o-caos-urbano-em-a-cor-mais-proxima-do-cinza\/","title":{"rendered":"Entrevista: Naimaculada traduz o caos urbano em \u201cA Cor Mais Pr\u00f3xima do Cinza\u201d"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista de <a href=\"https:\/\/twitter.com\/ociocretino\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Alexandre Lopes<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando a <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/naimaculada\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Naimaculada<\/a> surgiu, em 2022, poderia ser apenas mais uma banda de rock saindo do underground paulistano. As primeiras grava\u00e7\u00f5es nasceram em um pequeno home studio, com est\u00e9tica \u201cindie rock bem mixuruca\u201d (como os pr\u00f3prios integrantes descrevem) e uma leveza despretensiosa. Mas com o tempo, o quinteto formado por Ricardo Paes (voz), Luiz Viegas (baixo), Pietro Benedan (bateria), Gabriel \u201cFrodo\u201d Gadelha (sax e flauta) e Samuel Xavier (guitarra) decidiu fugir da mesmice e abra\u00e7ar um projeto mais ambicioso: traduzir S\u00e3o Paulo em notas, batidas e frases que respiram ruas, metr\u00f4s e cal\u00e7adas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo o grupo, o disco ganhou essa nova dire\u00e7\u00e3o ap\u00f3s conversas com Rafael Ramos sobre a possibilidade de assinar com a DeckDisc. Assim, a Naimaculada resolveu regravar o material e deix\u00e1-lo mais profundo, como um di\u00e1rio de sobreviv\u00eancia urbana &#8211; incluindo principalmente as percep\u00e7\u00f5es da viv\u00eancia de Pietro no projeto <a href=\"https:\/\/www.solidariedadevegan.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Solidariedade Vegan<\/a> (que distribui alimentos e outros \u00edtens para a popula\u00e7\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade) e pelos pontos de vista de Ricardo e Samuel, por pegarem transporte p\u00fablico diariamente para trabalhar na metr\u00f3pole e depois retornarem a seus munic\u00edpios. Depois de regrava\u00e7\u00f5es, mudan\u00e7as de rota e sucessivos adiamentos, o grupo chegou a \u201c<a href=\"https:\/\/naimaculada.lnk.to\/ACorMaisProximadoCinza\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">A Cor Mais Pr\u00f3xima do Cinza\u201d<\/a>\u00a0(2025), o \u00e1lbum de estreia que surge ap\u00f3s dois anos de conviv\u00eancia e observa\u00e7\u00e3o atenta da cidade. Nele, S\u00e3o Paulo \u00e9 tratada como personagem e met\u00e1fora; \u201c\u00c9 um \u00e1lbum sobre S\u00e3o Paulo, mas qualquer pessoa pode se identificar com alguma coisa dentro dele\u201d, resume Pietro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Produzido pelo guitarrista e mixado por Chediak, o disco n\u00e3o representa a S\u00e3o Paulo dos cart\u00f5es-postais, mas a das vielas sujas, dos \u00f4nibus lotados de trabalhadores e das madrugadas insones dos bo\u00eamios e das pessoas em situa\u00e7\u00e3o de rua. H\u00e1 at\u00e9 mesmo algo de cinematogr\u00e1fico no \u00e1lbum, como se cada faixa pudesse ser trilha de um filme que nunca foi feito. O esp\u00edrito \u00e9 semelhante ao de \u201cO Bandido da Luz Vermelha\u201d (1968), de Rog\u00e9rio Sganzerla: um olhar marginal e po\u00e9tico em preto e branco sobre a metr\u00f3pole e seus fantasmas. E as fotos de Marcos Hermes para a capa (abaixo) e contracapa refor\u00e7am essa est\u00e9tica. Cada m\u00fasica \u00e9 uma pequena cr\u00f4nica urbana, uma reflex\u00e3o sobre caos e beleza, sobre anonimato e express\u00e3o. A obra parece dizer ao ouvinte \u201cn\u00e3o tente entender essa cidade, apenas sobreviva a isso\u201d.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-92766 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/naimaculada1.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/naimaculada1.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/naimaculada1-300x300.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/naimaculada1-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Musicalmente, \u201cA Cor Mais Pr\u00f3xima do Cinza\u201d \u00e9 dif\u00edcil de etiquetar: as faixas se recusam a escolher um s\u00f3 caminho, transitando entre o rock, o jazz e o soul. Os pr\u00f3prios membros se dividem entre chamar de progressivo ou art rock. Mas o que fica claro \u00e9 que o \u00e1lbum passeia por momentos de delicadeza da MPB, com a voz por vezes rouca, por vezes em transe de Ricardo Paes, a guitarra mutante de Samuel Xavier, o baixo funky e p\u00f3s-punk de Luiz Viegas, o sax entre o jazz e o pop de Gabriel Gadelha e a bateria de Pietro Benedan, que equilibra o peso do metal e do hardcore com as din\u00e2micas do funk e do jazz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As harmonias ecoam a vanguarda brasileira dos anos 70 e 80 &#8211; Jards Macal\u00e9, Itamar Assump\u00e7\u00e3o, Lob\u00e3o, Angela Ro Ro -, mas a Naimaculada faz isso sem nostalgia, filtrando essas refer\u00eancias por uma \u00f3tica contempor\u00e2nea. H\u00e1 faixas que soam como lamentos, outras como manifestos e os arranjos se desdobram como conversas em uma mesa de bar, onde todos t\u00eam algo a confessar. Os singles \u201cEu Sei\u201d, \u201cN\u00e3o \u00c9 Sobre Peixes\u201d e \u201cChoro de Outono\u201d d\u00e3o uma boa ideia da sonoridade do grupo, mas \u00e9 nas faixas \u201cEp\u00edtome\u201d e &#8220;Luz-S\u00e9\u201d que est\u00e1 o real potencial de fogo da Naimaculada, principalmente na \u00fatima, que chega a quase doze minutos &#8211; com direito a uma r\u00e1pida cita\u00e7\u00e3o a &#8220;Shine On You Crazy Diamond\u201d do Pink Floyd na guitarra. A banda articula uma po\u00e9tica do desencaixe e o resultado \u00e9 uma viagem que segue a pr\u00f3pria estrutura da cidade: improvisada, desigual, viva.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA Cor Mais Pr\u00f3xima do Cinza\u201d \u00e9, afinal, uma escuta do colapso urbano e uma tentativa de reconstru\u00e7\u00e3o a partir dele. Em uma S\u00e3o Paulo saturada de projetos parecidos, a Naimaculada se destaca n\u00e3o por buscar originalidade, mas por se permitir vulner\u00e1vel, espiritual e coletiva, tentando, como tantos de n\u00f3s, encontrar sentido no meio da entropia. E, talvez por isso mesmo, parece mais viva que a maioria. Agora temporariamente desfalcado de um integrante (Frodo est\u00e1 em um interc\u00e2mbio na China por um ano), o grupo se prepara para sair <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/p\/DPW1dyvEvYm\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">em uma mini-turn\u00ea pela regi\u00e3o Nordeste<\/a>, a partir de 20 de novembro. A banda passar\u00e1 por cidades como Feira de Santana, Salvador (BA), Aracaju (SE), Recife (PE), Natal (RN) e Jo\u00e3o Pessoa (PB).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesta entrevista ao Scream &amp; Yell, a Naimaculada fala sobre suas influ\u00eancias e refer\u00eancias, o luto que deu origem ao nome da banda, os bastidores da produ\u00e7\u00e3o de \u201cA Cor Mais Pr\u00f3xima do Cinza\u201d e o desafio de traduzir o caos e a espiritualidade de S\u00e3o Paulo em m\u00fasicas que, embora nascidas aqui, ressoam em qualquer lugar do mundo.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"A Cor Mais Pr\u00f3xima do Cinza\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/videoseries?list=OLAK5uy_lzYuR3Kh07BkROzENCVbPA6wp-oxtRbF0\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Por que Naimaculada? O que quer dizer o nome?<\/strong><br \/>\nRicardo: Naimaculada \u00e9 um nome em homenagem ao meu av\u00f4 que faleceu durante a pandemia. Ele era pai de santo num terreiro que ficava na rua Imaculada Concei\u00e7\u00e3o, na frente da igreja Imaculada Concei\u00e7\u00e3o, em Osasco. A pandemia foi um divisor de \u00e1guas pra mim e acho que da maioria das pessoas da nossa idade. Teve um impacto muito foda que eu n\u00e3o terminei a escola estudando presencialmente, eu fazia online, t\u00e1 ligado? E meu av\u00f4 acabou falecendo em 2021 de Covid e eu falei: &#8220;Por que n\u00e3o Naimaculada?&#8221;. E a\u00ed essa \u00e9 a pira: uma homenagem ao meu av\u00f4 Ant\u00f4nio Apolin\u00e1rio Lopes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A banda come\u00e7ou em 2022. Como voc\u00eas se encontraram e decidiram form\u00e1-la?<\/strong><br \/>\nRicardo: Eu estava l\u00e1 no come\u00e7o, mas a primeira forma\u00e7\u00e3o n\u00e3o era com o pessoal que est\u00e1 hoje. Fui apresentado ao Pietro e uns tr\u00eas ou quatro meses depois, ao Luiz. E a\u00ed se formou o primeiro trio Naimaculada, que foi o que come\u00e7ou o que a gente \u00e9 hoje. Esse trio foi convidado para participar da Arena de \u00c9feso, um evento que aconteceu em 2022 e que foi uma reuni\u00e3o da cena. L\u00e1 eu conheci o Ilegal (que fez o site Desconhecido Juvenal), a rapaziada da D&#8217;artagnan N\u00e3o Mora Mais Aqui e da Tubo de Ensaio. Nesse dia conhecemos o Frodo, ele estava com Covid e usando m\u00e1scara. Ele ficou em cima do palco o tempo todo, e a \u00fanica coisa que fez foi um solo de palmas! E a gente ficou: &#8220;Mano, o que foi isso?&#8221; E a gente ainda tava naquelas de fazer can\u00e7\u00e3ozinha indie. A\u00ed no dia 8 de dezembro de 2022, a gente se trombou na fila de um show do <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?s=Jards+Macal%C3%A9\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Jards Macal\u00e9<\/a>. O Frodo me reconheceu e falei: &#8220;Voc\u00ea \u00e9 o cara da Tubo de Ensaio que toca sax, n\u00e9? O que voc\u00ea vai fazer amanh\u00e3?&#8221; E ele: &#8220;Nada&#8221;. Eu falei: &#8220;Ent\u00e3o voc\u00ea vai tocar no nosso show&#8221;. E desde ent\u00e3o o Frod\u00e3o est\u00e1 com a gente. Em mar\u00e7o daquele ano, organizei um festivalzinho em um teatro em Osasco junto com a rapaziada da prefeitura. A\u00ed eu trouxe a banda que o Samuel fazia parte na \u00e9poca, a Luare. Esse foi meu segundo contato com ele &#8211; o primeiro tinha sido num show no Butant\u00e3, que eu me apaixonei perdidamente pelo jeito dele tocar, mas ele se jogou no ch\u00e3o. A\u00ed eu virei pro Luiz e falei: &#8220;Ele s\u00f3 n\u00e3o pode se jogar no ch\u00e3o\u201d (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Luiz: Foi um contato quase de olheiro de futebol, sabe? (risos) A gente foi ver um show e o Samuel estava l\u00e1 tocando demais, destruindo na guitarra. A gente se olhou e falou: \u201c Esse \u00e9 o cara, esse \u00e9 o guitarra\u201d. A gente estava come\u00e7ando a pensar melhor o que queria pra banda, porque o som que a gente fazia j\u00e1 n\u00e3o nos representava mais. Era um popzinho meio blas\u00e9. Se voc\u00ea ouvir os singles antigos do Naimaculada, d\u00e1 pra perceber bem isso. Foi nesse per\u00edodo, ali por meados de 2023, que a gente come\u00e7ou a moldar o que seria o nosso primeiro \u00e1lbum. E a\u00ed o Samuel come\u00e7ou a mandar uns v\u00eddeos tocando nossas m\u00fasicas que ele via nos shows. A gente ficava: \u201cCaraca, o cara \u00e9 zica, toca demais\u201d. A gente brincava que ele tocava nossas m\u00fasicas melhor do que a gente mesmo. Eventualmente, chamamos ele pra um ensaio e pronto, ele come\u00e7ou a tocar com a gente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Samuel: No meio disso tudo, tamb\u00e9m teve o advento de quando eu conheci o Ricardo e o Luiz, naquele festival de Osasco. Eu ainda estava em tr\u00eas bandas ao mesmo tempo. Com o passar de uns dois ou tr\u00eas meses, acabei saindo de todos esses projetos e passei um tempo na Argentina com minha namorada, e nesse per\u00edodo comecei a trocar muita figurinha com o Ricardo. Eu mandava umas ideias, tipo \u201c\u00f3, pensei nisso aqui\u201d e ele respondia \u201ce o que voc\u00ea faria em cima dessa m\u00fasica?\u201d. Quando eu voltei da Argentina, a gente se juntou. Nessa \u00e9poca, a forma\u00e7\u00e3o ainda tinha o Tuco no baixo e o Luiz e o Ricardo nas guitarras, o Frodo no sax e o Pietro na bateria. Com a minha entrada, a gente fez alguns shows assim, e por v\u00e1rios motivos, o Tuco decidiu sair da banda. A\u00ed o Luiz voltou pro baixo, eu fiquei sozinho na guitarra e \u00e9 meio que nesse momento que a gente entende: \u201cok, essa \u00e9 a banda\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Luiz: Eu sinto que foi nesse momento que a forma\u00e7\u00e3o atual se firmou, que a gente percebeu que o que tinha ali era realmente especial, sabe? Samuel na guitarra, eu no baixo, Frod\u00e3o no sax, Ricardo na voz e Pietro na bateria. Pra mim, foi quando as estrelas se alinharam. Tanto que uma das primeiras m\u00fasicas que saiu dessa forma\u00e7\u00e3o foi \u201cEp\u00edtome\u201d, que acabou virando a faixa de abertura do \u00e1lbum.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ricardo: Mas \u00f3, se eu posso acrescentar uns fun facts&#8230; o Samuel entrou mesmo porque ele foi infiltrado num ensaio nosso. Ele foi emprestar o pedalboard pra mim, porque eu estava querendo testar uns pedais. Eu ainda me aventurava nesse rol\u00ea de ser guitarrista. A\u00ed ele gravou o ensaio todo escondido, deixou o celularzinho l\u00e1 no canto, gravando tudo. (risos) E quando fui falar com ele depois, percebi que ele j\u00e1 conhecia as m\u00fasicas, sabia qual era a inten\u00e7\u00e3o das coisas. E pra mim, quando ele entrou com esses pitacos de guitarra, j\u00e1 foi o in\u00edcio dele como produtor, porque ele come\u00e7ou a modificar tudo. A\u00ed ele colou num show nosso e tocou \u201cQu\u00e2ntica\u201d com a gente e foi uma puta experi\u00eancia, t\u00e1 ligado? Com todo respeito a mim e ao Luiz, que somos bons criativamente, mas a gente n\u00e3o \u00e9 guitarrista. Quando voc\u00ea v\u00ea um guitarrista de verdade tocando, voc\u00ea sente. A gente at\u00e9 tem boas ideias, mas n\u00e3o sabe execut\u00e1-las com essa pegada&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Luiz: Com essa maestria do Samuel e as ideias que ele tem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Samuel: \u00c9, mas boa parte do que eu fa\u00e7o nesse primeiro \u00e1lbum n\u00e3o s\u00e3o necessariamente ideias que eu trouxe de cara pra mesa. Eu cheguei, vi a funda\u00e7\u00e3o ali e pensei: \u201cvou construir algo em cima disso, transformar um pouquinho mais\u201d. Acho que o meu papel nesse disco \u00e9 muito mais de produtor do que de compositor. Estou sempre adicionando alguma coisa, mexendo aqui e ali\u2026 mas o cerne mesmo, o n\u00facleo das ideias, veio muito mais desses tr\u00eas bonitos a\u00ed (risos). O Frodo tamb\u00e9m chegou muito com isso. Geralmente o n\u00facleo &#8211; Luiz, Pietro e Ricardo &#8211; vinha com umas ideias, e a\u00ed o Frodo falava: \u201cP\u00f4, por que a gente n\u00e3o faz assim? Faz desse jeito, eu crio uma parada em cima e a gente testa\u201d. E a gente meio que ajudava a amarrar as coisas nesse primeiro momento. S\u00f3 depois, quando a gente viu que j\u00e1 tinha escrito o \u00e1lbum todo e assinado com a Deckdisc, \u00e9 que eu e o Frodo come\u00e7amos a colocar mais a m\u00e3o mesmo, com mais afinco, ajeitando direitinho.<\/p>\n<figure id=\"attachment_92767\" aria-describedby=\"caption-attachment-92767\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-92767\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/naimaculada2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"1000\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/naimaculada2.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/naimaculada2-225x300.jpg 225w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-92767\" class=\"wp-caption-text\"><em>Naimaculada \/ Foto de Marcos Hermes<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Queria perguntar para voc\u00eas de onde surge essa mistura de refer\u00eancias. Veio naturalmente ou foi uma escolha consciente? Voc\u00eas disseram que as primeiras m\u00fasicas tinham uma linguagem mais pop, mas como \u00e9 que partiu para algo mais diferente?<\/strong><br \/>\nRicardo: Acho que foi uma brisa de come\u00e7ar a escutar outros sons e de conviver com gente da cena. O que realmente influenciou o Naimaculada a mudar de est\u00e9tica sonora foi perceber que o som que a gente estava fazendo era mais do mesmo e a\u00ed se descobrir de novo. Eu via tanta banda com uma identidade cravada em 2022, e achava isso bizarro, brother. Eu falava: \u201cCaralho, como \u00e9 que essas pessoas sabem quem s\u00e3o com 17, 18 anos?\u201d. Os caras vinham falar de Dostoi\u00e9vski, Nietzsche e o caralho. E eu sou caipir\u00e3o, osasquense, t\u00e1 ligado? Tudo pra mim era novo, era descoberta. Ent\u00e3o foi uma brisa ouvir D\u2019artagnan e Tubo de Ensaio pela primeira vez e pensar: \u201cCaralho, d\u00e1 pra fazer isso\u201d. Acho que acabou sendo uma mistura de novas refer\u00eancias e tamb\u00e9m fomos meio provocados pelas outras bandas, caindo nisso acidentalmente. Mas a parada da antropofagia j\u00e1 era algo que a gente defendia antes, eu e o Luiz j\u00e1 t\u00ednhamos isso enraizado. A gente j\u00e1 tinha essa coisa de engolir o que vem de fora, consumir, e depois devolver do nosso jeito, \u00e0 nossa maneira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Luiz: Pra mim foi uma parada meio de esponja musical, sabe? Da gente realmente ouvir bandas com sons muito fora da curva. E isso fez a gente expandir o ouvido mesmo, come\u00e7ar a consumir m\u00fasicas fora do que estava acostumado. Acho que esse foi um ponto de virada. E cada membro do Naimaculada gosta de uma coisa diferente, mas no fim sempre tem certos aspectos de cada um que acabam virando essa cola, sabe? \u00c9 o que d\u00e1 liga pra m\u00fasica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Samuel: Eu acho que dificilmente tem uma coisa que conecta todo mundo ao mesmo tempo dentro da banda. Mas sempre tem alguma coisa que conecta eu e o Luiz, alguma que conecta o Luiz e o Frodo, outra que conecta o Pietro e o Ricardo. E a gente sabe trabalhar muito bem isso, at\u00e9 sem pensar muito. A gente s\u00f3 vai fazendo. Existe meio que uma pol\u00edtica n\u00e3o falada entre a gente: se algu\u00e9m tem uma ideia, vamos testar e fazer. Porque n\u00e3o adianta se privar de criatividade em nome de uma coisa que \u00e9 s\u00f3 est\u00e9tica, de se colocar dentro de uma caixinha de g\u00eanero ou de estilo musical.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Luiz: Uma coisa que a gente manteve alinhada \u00e9 que nossas refer\u00eancias t\u00eam um prop\u00f3sito. Por exemplo, \u201cEp\u00edtome\u201d, que tem basicamente tr\u00eas partes principais: primeiro um groovezinho, depois o stoner, e depois a descida. A gente nunca fez nada s\u00f3 por fazer. Sempre tentamos pensar no contexto da m\u00fasica, no que ela pede. Tem banda que, \u00e0s vezes, joga um break de metal, depois um samba, misturam um monte de coisa e nem sempre faz sentido. A gente sempre tenta deixar essas transi\u00e7\u00f5es coladinhas. E acho que isso vem muito das nossas refer\u00eancias, de entender cada elemento e conseguir juntar tudo de forma coerente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ricardo: Respeitando as refer\u00eancias, n\u00e9? Sem querer fazer piseiro Black Sabbath. (risos)<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"NAIMACULADA - Eu Sei (Videoclipe Oficial)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Ar0VzQlh8qM?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E como costuma ser o m\u00e9todo de composi\u00e7\u00e3o? Ricardo traz uma letra, cada um chega com uma ideia? Como funciona?<\/strong><br \/>\nSamuel: Ent\u00e3o, acho que isso tem dois momentos. Antes era aquela fase de chegar com algo mais ou menos montado. O Ricardo chegava com uma ideia estruturada, e a gente trabalhava em cima disso. Depois do nosso contato com o Porta Maldita, a gente come\u00e7ou a ter mais espa\u00e7o para ensaiar com tranquilidade. O Arthur cedeu o lugar pra gente ensaiar e a\u00ed a gente podia passar as m\u00fasicas e ainda ter um tempinho livre pra criar algo novo. A\u00ed o Ricardo vinha com uma harmoniazinha, uma mini ideia, um riff, e a gente transformava aquilo numa m\u00fasica inteira. \u201cChoro de Outono\u201d saiu assim, n\u00e9? Ricardo tinha s\u00f3 a harmonia da introdu\u00e7\u00e3o, e a m\u00fasica inteira se formou praticamente sozinha ali, todas as partes se encaixando quase que automaticamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Luiz: Nesse \u00e1lbum especificamente, tem certas m\u00fasicas que a gente trabalhou muito no est\u00fadio, ent\u00e3o foi um trabalho quase conjunto. E teve outras que vieram prontas de algum dos membros e foram tocadas assim mesmo. Por exemplo, \u201cEu Sei\u201d o Ricardo trouxe a m\u00fasica pronta. Foi uma das primeiras que a gente tocou na banda. Mas tem outros casos. \u201cDeus o Diabo Na Terra do Sol\u201d \u00e9 uma m\u00fasica que eu trouxe a letra e um pouco da harmonia, e a gente foi trabalhando em cima. Ent\u00e3o d\u00e1 pra dizer que \u00e9 um meio-termo. Mas tamb\u00e9m tem m\u00fasicas que s\u00e3o 100% trabalho conjunto dos quatro. E eu sinto que, pra esse futuro segundo \u00e1lbum, vai ser quase tudo assim: a gente trabalhando junto no est\u00fadio, trazendo certas ideias de casa e lapidando ali certinho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ricardo: Os processos s\u00e3o muito coletivos. Eu sei que tem muita coisa que est\u00e1 assinada com meu nome como compositor, mas todos os processos foram coletivos. Claro, tem coisas que eu trouxe do meu quarto, que s\u00e3o mais pessoais, tipo \u201cEu Sei\u201d, \u201cN\u00e3o \u00c9 Sobre Peixes\u201d e \u201cA Cor Mais Pr\u00f3xima do Cinza\u201d, eu escrevendo na minha cama. Mas \u201cEp\u00edtome\u201d foi totalmente n\u00f3s juntos, desenvolvendo ali, pensando eu, Luiz, Pietro e Samuel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Luiz: Dos processos que mais lembro do \u00e1lbum, tem um dia espec\u00edfico que gosto de mencionar, um dos mais impactantes: quando trouxemos \u201cQuatro Quina\u201d e a ideia de \u201cLuz-S\u00e9\u201d pro ensaio. Na \u00e9poca, a gente ainda n\u00e3o ensaiava no Porta Maldita; tinha s\u00f3 um lugar que a gente conseguia usar por duas horas, no m\u00e1ximo. A\u00ed a gente chega com \u201cQuatro Quina\u201d, que foi quase toda moldada no est\u00fadio. A letra foi trazida pelo Ricardo, acho que at\u00e9 com o Pietro junto. Mas da\u00ed a gente quis elevar para um maracatuz\u00e3o louco e ainda sobrou tempo e fizemos outra. Da\u00ed eu trouxe a primeira parte de \u201cLuz-S\u00e9\u201d. E a segunda parte a gente foi trabalhando e juntando o conceito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ricardo: \u00c9 louco como, em determinado momento, o processo de composi\u00e7\u00e3o tem muito a ver com a sonoridade. Eu j\u00e1 escrevi algumas musiquinhas que algumas pessoas gostam, de vir a letra antes de m\u00fasica. Mas geralmente come\u00e7o com uma harmonia e fico trabalhando aquilo. Eu sou apreciador desse tipo de trabalho. Ficar ali, tocando, at\u00e9 que surge uma melodia que \u00e9 uma tradu\u00e7\u00e3o da sensa\u00e7\u00e3o que a harmonia quer passar. Na minha cabe\u00e7a, consigo misturar isso com o tema que quero levar pra m\u00fasica. E eu acho que todos n\u00f3s vemos meu papel como mais um instrumento. A letra \u00e9 consequ\u00eancia do instrumental, do que o Pietro, o Samuel, o Luiz e o Frodo est\u00e3o tocando. Como um desabafo do que a sonoridade est\u00e1 passando. A\u00ed eu dou um jeito de transformar tudo isso em palavras. Em m\u00fasicas mais recentes, como \u201cRecrudescer\u201d [ainda in\u00e9dita] a gente brinca de mudar partes da m\u00fasica no meio do mesmo trecho, mudar estilos, testar o fluxo. E \u00e9 sempre nesse di\u00e1logo entre instrumental e letra que o resultado acontece.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pietro: Antes n\u00e3o era assim. Mas a gente foi amadurecendo muito como grupo e virou uma coisa de todo mundo. Chegou no ponto em que a letra virou consequ\u00eancia do instrumental. E isso vem muito das refer\u00eancias que a gente come\u00e7ou a escutar durante o processo de composi\u00e7\u00e3o do \u00e1lbum. Eu e o Luiz, por exemplo, passamos a ouvir muito Black Midi depois do show deles em S\u00e3o Paulo. Comecei a explorar coisas que antes eu n\u00e3o tinha abertura. Tipo \u201cAh, deixa eu ver que porra \u00e9 essa de Radiohead\u201d, t\u00e1 ligado? \u00c9 abrir a cabe\u00e7a, perceber que, no processo de composi\u00e7\u00e3o, \u00e9 preciso se expor a novos sons pra deixar o \u00e1lbum mais rico. Acho que isso fica muito claro em duas faixas que gravamos por \u00faltimo: a abertura, \u201cEp\u00edtome\u201d, e, se n\u00e3o me engano, a oitava faixa, \u201cChoro de Outono\u201d. Essas m\u00fasicas foram as \u00faltimas a serem gravadas e representam o momento em que a gente parou e falou: \u201cT\u00e1 bom, agora todo mundo escreve, agora todo mundo comp\u00f5e junto em est\u00fadio\u201d. E foi numa dessas conversas que surgiram esses dois sons.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"NAIMACULADA - Recrudescer (Ao vivo no Centro da Terra)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/4livjRoMeQw?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Qual foi a m\u00fasica mais dif\u00edcil de gravar no \u00e1lbum?<\/strong><br \/>\nPietro: Acho que \u201cA Arte \u00c9 Culpada\u201d foi uma m\u00fasica bem complicada de fazer, porque ela \u00e9 curta, s\u00f3 1 minuto e 30. Al\u00e9m de ter sido um trabalho dif\u00edcil pra caralho do Cau\u00e3 Aguiar, o cara que d\u00e1 voz na faixa, a m\u00fasica teve milh\u00f5es de vers\u00f5es. O texto que ele fala mudou v\u00e1rias vezes. Na primeira vers\u00e3o, ele continuava falando mesmo depois da m\u00fasica j\u00e1 ter acabado. A\u00ed ele alterou o texto. Voc\u00eas n\u00e3o fazem ideia do inferno que foi gravar. Como a m\u00fasica \u00e9 curta, a gente gravou umas 15 vezes pra chegar num resultado legal. No final, usamos a vers\u00e3o 2. Foi bem complicada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Luiz: Pra mim, uma das m\u00fasicas mais dif\u00edceis de gravar foi \u201cA Cor Mais Pr\u00f3xima do Cinza\u201d, pela quantidade de instrumentos e pela introdu\u00e7\u00e3o do teclado, do \u00f3rg\u00e3o, no final. Foi um neg\u00f3cio muito dif\u00edcil de encaixar certinho, especialmente o solo no final. A gente tamb\u00e9m teve que pensar bastante em como a estrutura da m\u00fasica ia funcionar gravada. Pelo menos, do que eu lembro, foi um processo bem chatinho, mas acabou ficando mais pr\u00f3ximo do que eu recordo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ricardo: Assim\u2026 eu n\u00e3o tive trabalho nenhum, s\u00f3 cheguei l\u00e1, gravei e fiquei vendo eles gravarem. Literalmente. Pra mim foram, tipo, dois, tr\u00eas takes no m\u00e1ximo, porque esse \u00e1lbum \u00e9 muito sobre express\u00e3o. Depois disso, perde o feeling, entende? A gente at\u00e9 fala muito sobre isso: quando voc\u00ea come\u00e7a a repetir, come\u00e7a a ficar robotizado. A\u00ed rola aquele lance de \u201cah, vou fazer de novo, terceira vez\u201d, mas a\u00ed j\u00e1 vira um bagulho mec\u00e2nico, f\u00e1cil demais. Ent\u00e3o, geralmente, a gente tenta fazer em um ou dois takes s\u00f3, pra evitar esse desgaste de ir pro terceiro, que provavelmente j\u00e1 ia parecer um quarto\u2026<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Naimaculada - A cor mais pr\u00f3xima do cinza (Lixo Sessions)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/cj4Ms4jYVjM?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Pelo que o Ricardo j\u00e1 falou, j\u00e1 d\u00e1 para entender que o Ricardo deve ser a favor da coisa mais espont\u00e2nea e r\u00e1pida e o Samuel, como todo produtor, deve ser o cara que fica l\u00e1 esmiu\u00e7ando as coisas\u2026<\/strong><br \/>\nPietro: Cara, rolou muito do Ricardo falar: \u201c\u00d4, esse \u00e9 o \u00faltimo take, hein?\u201d E a gente \u201cN\u00e3o, mano, vai at\u00e9 ficar bom\u201d, t\u00e1 ligado? (risos) Eu lembro disso acontecendo direto. Tipo: \u201cRicardo, eu vou fazer s\u00f3 em um.\u201d A gente &#8220;n\u00e3o, mano, vai at\u00e9 ficar bom!&#8217;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ricardo: \u00c9, \u00e9 o lance que eu falei de n\u00e3o perder o feeling. Esse \u00e1lbum \u00e9 muito sobre isso. N\u00e3o \u00e9 um \u00e1lbum que a gente gravou com metr\u00f4nomo, sabe? \u00c9 um \u00e1lbum que depende muito da sincronicidade do Pietro, do Luiz e do Samuel, do quanto eles conheciam as m\u00fasicas. Ent\u00e3o, pra eles, o processo foi provavelmente mais \u00e1rduo. Antes das vozes, eu n\u00e3o tinha feito nada al\u00e9m de parte das letras (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Samuel: Eu acho que ningu\u00e9m aqui vai acreditar, mas pra mim uma das m\u00fasicas mais dif\u00edceis de gravar foi \u201cEu Sei\u201d. A gente mexeu nessa m\u00fasica um milh\u00e3o de vezes e n\u00e3o sabia o que fazer com as guitarras. At\u00e9 que, nos 45 do segundo tempo, eu sentei em casa e falei: \u201cOK, arranca isso, arranca aquilo, faz ambi\u00eancia, guitarra s\u00f3 no refr\u00e3o.\u201d Saiu super r\u00e1pido, mas demorou pra gente entender o que realmente era necess\u00e1rio. \u201cLuz-S\u00e9\u201d foi a \u00faltima m\u00fasica a ter algo gravado. Quase todas as bases eu regravei em casa. \u201cA Arte \u00c9 Culpada\u201d foi muito dif\u00edcil tamb\u00e9m: tr\u00eas vers\u00f5es de voz em tr\u00eas est\u00fadios diferentes. Uma dor de cabe\u00e7a enorme, porque a gente n\u00e3o conseguia encaixar a m\u00e9trica da voz no instrumental e nem como funcionaria o texto. At\u00e9 que um dia, o Pietro deu a ideia de fazer dois takes com tal entona\u00e7\u00e3o, dois com outra, mais dois com outra. Foi ma\u00e7ante gravar tudo bonitinho, escutar, dar uma separada, mas depois eu falei pro Chediak: \u201cEsses s\u00e3o os takes que est\u00e3o legais, faz seu neg\u00f3cio\u201d. Mas a maior parte das coisas tem esse lance do feeling de poucos takes. A maioria dos solos foram primeiro, segundo ou terceiro take, no m\u00e1ximo. \u00c9 tudo muito do momento: grava e o que sair, saiu. \u00c0s vezes brinco que gosto de fingir que estou gravando em fita. Pra mim, se tiver que regravar, voc\u00ea grava um refr\u00e3o inteiro, um verso inteiro, ou n\u00e3o grava nada.<\/p>\n<figure id=\"attachment_92768\" aria-describedby=\"caption-attachment-92768\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-92768 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/naimaculada3.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"1000\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/naimaculada3.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/naimaculada3-225x300.jpg 225w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-92768\" class=\"wp-caption-text\"><em>Naimaculada \/ Foto de Marcos Hermes<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tem gente que j\u00e1 comparou o som de voc\u00eas com Pink Floyd, Jethro Tull, Cazuza, Milton Nascimento e at\u00e9 Lob\u00e3o dos anos 80. Como \u00e9 que voc\u00eas recebem essas compara\u00e7\u00f5es?<\/strong><br \/>\nSamuel: Eu acho muito foda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pietro: Acho muito divertido. Gosto quando algu\u00e9m chega e fala algo que ningu\u00e9m nunca tinha pensado antes. Tipo, esses dias meu pai est\u00e1 divulgando o \u00e1lbum pros caras da velha guarda, os caras que n\u00e3o t\u00eam nem Instagram, t\u00e1 ligado? A\u00ed chegou o Paulo Zinner, grande batera da Rita Lee, do Tutti Frutti, e ele comparou o Ricardo com a Angela Ro R\u00f4. A\u00ed pensei: \u201cCaralho, ningu\u00e9m nunca tinha dito que o Ricardo parece com a Angela Ro R\u00f4.\u201d Essas coisas s\u00e3o muito legais. \u00c9 divertido quando comparam a gente com bandas ou m\u00fasicos nada a ver. Tipo, eu nunca tinha sido comparado com outro batera, ou a banda com algo que n\u00e3o tem nada a ver\u2026 \u00e9 muito divertido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Luiz: Gosto desses \u201cnada a ver\u201d. Uma compara\u00e7\u00e3o que eu achei legal foi com Morphine, uma banda s\u00f3 com batera, baixo e saxofone. Quando eu escutei, falei: \u201cCara, nunca ouvi nada assim.\u201d E \u00e9 meio Naimaculada, mano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Samuel: a t\u00edtulo de maluquice, eu lembro de um coment\u00e1rio na nossa session do Bootlegs Malditos no YouTube, teve um cara que disse que o Naimaculada lembrava Tool pra ele (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ricardo: Se for pra falar sobre refer\u00eancias, eu acho que esse \u00e1lbum puxa muito do rock dos anos 80 mesmo, de tudo um pouco. \u00c9 um \u00e1lbum com m\u00fasicas que t\u00eam temas familiares, experi\u00eancias\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Samuel: \u00c9 muito setentista tamb\u00e9m, n\u00e9?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ricardo: \u00c9, anos 70 tamb\u00e9m, sim. Mas falando da minha parte, tem muito Jards Macal\u00e9, por conta da quest\u00e3o harm\u00f4nica. Quando componho, penso muito nisso. Jards, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?s=Arrigo+Barnab%C3%A9\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Arrigo Barnab\u00e9<\/a>, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?s=Itamar+Assump%C3%A7%C3%A3o\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Itamar Assump\u00e7\u00e3o<\/a>, Luiz Melodia, pessoal da Lira Paulistana. Curto muito essas coisas. Mas talvez as refer\u00eancias mais claras minhas sejam Tim Maia e James Brown, que eu tento trazer pro mundo do rock progressivo. E tem muito do Cazuza, do Frejat, do Lob\u00e3o nos anos 80, curti muito o trabalho deles. Tem \u00c2ngela Ro R\u00f4, todas essas coisas que a gente escutou nos anos 80\u2026 Legi\u00e3o Urbana tamb\u00e9m, por que n\u00e3o? \u00c9 algo que conversa muito comigo, com a minha primeira inf\u00e2ncia. Composi\u00e7\u00f5es que pensava harmonicamente, lembro de escutar rockinho dos anos 80, ser adolescente feliz e militar pro Lula (risos).<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Naimaculada - Luz\/S\u00e9 (Lixo Sessions)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/nnUE6sB-dsk?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Se voc\u00eas tivessem que definir o que voc\u00eas fazem para algu\u00e9m que nunca ouviu a banda, voc\u00eas diriam que \u00e9 rock progressivo?<\/strong><br \/>\nPietro: Eu resumo em prog sim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Samuel: Hoje um cara colocou sobre n\u00f3s no Rate Your Music \u201cart rock\u201d no meio. Eu acho que tamb\u00e9m colocaria, principalmente que pelo lado que a gente tem ido combina bastante. A gente est\u00e1 meio \u201cfoda-se\u201d pro bagulho de g\u00eanero, do que \u00e9 exatamente que a gente est\u00e1 fazendo, \u00e9 mais sobre o que a gente quer passar com as m\u00fasicas. Mas acho que eu ficaria entre esses dois: progressivo e art rock.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O disco saiu em 22 de setembro, depois de ter sido adiado algumas vezes. O que aconteceu para ter essas mudan\u00e7as de data? Foi quest\u00e3o de grava\u00e7\u00e3o, mixagem, o que?<\/strong><br \/>\nPietro: Tem um background insano, n\u00e9? Quando a gente gravou, nem imaginava que ia assinar com uma gravadora. O \u00e1lbum tinha outra est\u00e9tica, outra ideia, a gente n\u00e3o falava sobre um assunto espec\u00edfico. N\u00e3o desrespeitando o est\u00fadio anterior, mas era um por\u00e3ozinho, um lugar muito pequeno e uma grava\u00e7\u00e3o amadora, num home studio. No come\u00e7o isso funcionava pra gente, porque n\u00e3o t\u00ednhamos grandes pretens\u00f5es. Arrisco dizer que a ideia do \u00e1lbum era fazer um indie rock bem mixuruca, saca? E a\u00ed durante as grava\u00e7\u00f5es eu puxei o Ricardo de canto e falei assim: &#8220;P\u00f4, Ricardo, eu queria falar sobre a quest\u00e3o das ruas de S\u00e3o Paulo\u201d. A\u00ed teve a ideia de mudar a est\u00e9tica, virar um bagulho mais profissional, mais s\u00e9rio, preto e branco. E o \u00e1lbum j\u00e1 estava para sair, com data de single, s\u00f3 que a\u00ed do nada surgiu a oportunidade da gente ir pro Rio de Janeiro e conversar com o Rafael Ramos [da DeckDisc]. Em nenhum momento ele expressou muito interesse, ele s\u00f3 falou: &#8220;\u00d3, cola a\u00ed no Rio de Janeiro para n\u00f3s trocar uma ideia&#8221;. Cancelamos as datas que a gente tinha pensado para lan\u00e7ar os singles porque se abriu uma oportunidade de lan\u00e7ar por uma gravadora, que era algo que a gente n\u00e3o imaginava que ia acontecer t\u00e3o cedo assim. E antes de ir pro Rio de Janeiro, a gente j\u00e1 estava com a d\u00favida sobre quem ia chamar para fazer a mix do \u00e1lbum. Expressamos essa preocupa\u00e7\u00e3o pro Rafael Ramos e ele indicou o Chediak, que teria tudo a ver. A\u00ed que de fato come\u00e7ou a produ\u00e7\u00e3o do \u00e1lbum. E nisso a gente j\u00e1 tinha gravado h\u00e1 uns meses.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Samuel: Eu meio que assumi o papel de produ\u00e7\u00e3o do \u00e1lbum, porque como o Chediak \u00e9 mais DJ e n\u00e3o tinha o h\u00e1bito de mixar bandas, eu tive que trazer esse conhecimento para ele, porque \u00e9 de onde eu venho. E a gente foi juntando for\u00e7as com o que ele sabia fazer, com as ideias e a sensibilidade que ele tinha e a minha. E eu meio que tomei esse neg\u00f3cio para mim, porque o resultado seria infinitamente diferente se isso n\u00e3o tivesse acontecido. Antes da Deck, era para sair no final do ano retrasado. E a\u00ed depois da Deck, a gente falou \u201cn\u00e3o, come\u00e7o do ano seguinte\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pietro: E a\u00ed todo o processo de assinar com a Deck tamb\u00e9m demorou bastante. Ent\u00e3o foi um bagulho que adiou bastante, mas ainda bem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Samuel: Acabou sendo a nosso favor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00eas tinham outras m\u00fasicas que chegaram a gravar e que n\u00e3o entraram no disco. Ainda pensam em lan\u00e7ar essas faixas ou esse material n\u00e3o tem mais a ver com voc\u00eas?<\/strong><br \/>\n(Risos gerais da banda)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pietro: Tem uma m\u00fasica em espec\u00edfico que ainda vai ver a luz do dia, s\u00f3 que em outro momento. Mas tem uma que acho que infelizmente nunca vai ser lan\u00e7ada. N\u00e3o nessa d\u00e9cada, eu acho! (risos)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Luiz: \u00c9, essa vai ser \u201clost media\u201d por uma cota\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ricardo: S\u00f3 por cima do meu cad\u00e1ver! (risos)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pietro: Era uma m\u00fasica que funcionava muito bem ao vivo e quando a gente levou ela pro est\u00fadio, ela soou muito estranha e a gente decidiu simplesmente engavet\u00e1-la para sempre.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Luiz: \u00c9 at\u00e9 engra\u00e7ado isso porque foi uma das primeiras m\u00fasicas que lembro de ter feito junto com a Naimaculada. Ent\u00e3o, \u00e9 uma m\u00fasica que j\u00e1 estava meio datada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pietro: Essa m\u00fasica que a gente engavetou era o t\u00edtulo do \u00e1lbum que a gente engavetou porque era uma merda, entendeu? Ent\u00e3o, \u00e9 isso. Acho que vai demorar para algu\u00e9m escutar ela em algum momento.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"NAIMACULADA - Choro de Outono (Ao vivo no Centro da Terra)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/jduYLR-lECk?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00eas falam muito sobre S\u00e3o Paulo como inspira\u00e7\u00e3o para esse disco. Como voc\u00eas acham que pessoas que n\u00e3o s\u00e3o da cidade podem se conectar com esse disco?<\/strong><br \/>\nPietro: O \u00e1lbum \u00e9 baseado em v\u00e1rias vis\u00f5es de lugares diferentes. Tem a vis\u00e3o do Ricardo, que n\u00e3o \u00e9 de S\u00e3o Paulo, mas passa as noites na cidade e conhece muitos lugares pela primeira vez. Na \u00e9poca da composi\u00e7\u00e3o, essa vis\u00e3o foi pivotal pro \u00e1lbum. Tipo, fazer um disco sobre S\u00e3o Paulo com o olhar de algu\u00e9m que est\u00e1 descobrindo a cidade\u2026 Acho que isso deixa o \u00e1lbum t\u00e3o profundo. Tem a minha vis\u00e3o, que veio do trabalho que a minha m\u00e3e faz [Solidariedade Vegan, que distribui alimentos e outros itens para a popula\u00e7\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade]. Isso se resume em moradores de rua, garis, garotas de programa, cracol\u00e2ndia, os noias da rua\u2026 A galera que muitas vezes \u00e9 ignorada pelo cidad\u00e3o m\u00e9dio paulistano. Falamos muito sobre esses \u201cfantasmas de S\u00e3o Paulo\u201d. E tem tamb\u00e9m a vis\u00e3o do Luiz e do Samuel, que complementa tudo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Samuel: Meu ponto de vista \u00e9 parecido com o que o Pietro falou sobre os \u201cfantasmas de S\u00e3o Paulo\u201d. S\u00f3 que eu gosto de dizer que em S\u00e3o Paulo todo mundo \u00e9, em algum n\u00edvel, um fantasma. Ningu\u00e9m percebe ningu\u00e9m, s\u00f3 pensa na correria do dia a dia. Eu cresci no extremo leste de S\u00e3o Paulo, numa cidade dormit\u00f3rio chamada Cidade Tiradentes, que \u00e9 super afastada, demora pra chegar em qualquer canto, e muita gente sequer sabe que esse lugar existe. Eu sempre vivi saindo daqui pra fazer qualquer coisa, na correria, no cansa\u00e7o. Aprendi desde pequeno a me locomover de bus\u00e3o, a saber onde podia entrar e onde n\u00e3o podia. Com isso, percebi que as pessoas n\u00e3o necessariamente se importam com o que voc\u00ea est\u00e1 fazendo ou pra onde est\u00e1 indo, porque todo mundo est\u00e1 t\u00e3o apressado quanto voc\u00ea.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Luiz: A minha vis\u00e3o \u00e9 mais sociol\u00f3gica e psicol\u00f3gica, ligada ao sentimento que a cidade transmite pra todo mundo. Muito al\u00e9m das letras, que falam de algu\u00e9m que n\u00e3o \u00e9 de S\u00e3o Paulo tentando se integrar, eu sinto que as melodias refletem essa correria, esse corre-corre urbano, essa tens\u00e3o constante. Desde os 17 anos eu sempre trabalhei, peguei muito metr\u00f4, vivi muita correria. Observei v\u00e1rias situa\u00e7\u00f5es, muita tens\u00e3o, e fui passando isso pra musicalidade da banda. Tanto que essa musicalidade amb\u00edgua que a gente faz, uma hora uma m\u00fasica linda sobre amor, depois quebradeira, depois um progz\u00e3o, pra mim, vem muito disso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pietro: Virou um \u00e1lbum bem interpretativo. E isso cai na outra pergunta, de como que pessoas de outros cantos podem interpretar esse \u00e1lbum. Cara, \u00e0s vezes fico at\u00e9 impressionado como a filosofia dele se encaixa em coisas bem diversas. Tem m\u00fasicas que voc\u00ea pode entender de mil maneiras, o \u00e1lbum inteiro voc\u00ea pode interpretar de mil formas. Apesar de ser sobre S\u00e3o Paulo, em qualquer lugar do mundo tem moradores de rua, gente sem grana correndo atr\u00e1s pra trabalhar, trabalhadores que acordam cedo. Ent\u00e3o, sim, \u00e9 um \u00e1lbum sobre S\u00e3o Paulo, mas qualquer pessoa consegue se identificar com alguma coisa dentro dele. E isso rolou meio sem querer. N\u00e3o vou dizer que foi genialidade nossa, foi meio sem querer mesmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Samuel: Acho que tamb\u00e9m tem a ver com o fato de que boa parte das composi\u00e7\u00f5es, principalmente as \u00faltimas que a gente fez, nasceram em momentos em que todo mundo tava estressado com a vida na cidade. \u201cChoro de Outono\u201d e \u201cEp\u00edtome\u201d vieram desses momentos. Eu, por exemplo, trabalhava 5&#215;2 e tinha que sair de casa \u00e0s 5:30 da manh\u00e3, chegar no trabalho 7 e pouco, sair \u00e0s 5:30 da tarde no hor\u00e1rio de pico, pegar transporte lotado com instrumento, correr pra ensaio, resolver outras paradas, voltar pra casa, chegar entre 11:30 e meia-noite, comer algo, dormir e acordar 5 da manh\u00e3 de novo. Todo mundo estressad\u00edssimo com essa rotina, e essas m\u00fasicas acabaram saindo exatamente desse momento, dessa press\u00e3o e correria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ricardo: Acho que eles j\u00e1 elucidaram bem os pontos, mas sobre narrativa, composi\u00e7\u00e3o l\u00edrica, tem muito a ver com observa\u00e7\u00f5es minhas sobre a cidade. Eu sou de Osasco e nunca tinha andado na Faria Lima, fui l\u00e1 pela primeira vez e escrevi uma m\u00fasica. Porque os sons me inspiraram, porque esse contato com um mundo que n\u00e3o existe na cidade que eu habito faz diferen\u00e7a. Aos 22 anos, Osasco te limita culturalmente, te restringe. A\u00ed eu saio de l\u00e1 em 2021 e come\u00e7o a trabalhar em S\u00e3o Paulo. Esse \u00e1lbum \u00e9 sobre esse processo. Desde a primeira vez que desci na linha vermelha at\u00e9 a \u00faltima vez que desci na Fradique Coutinho, escrevendo \u201cChoro de Outono\u201d. \u00c9 meio sobre isso\u2026 sobre o que eu via, sobre o que eu sentia que as pessoas sentiam dentro do trem. Eu passei dois anos nesse per\u00edodo e a\u00ed nasceu muita inspira\u00e7\u00e3o. \u201cEp\u00edtome\u201d \u00e9 uma m\u00fasica que fala muito da minha rotina e do Samuel, que tinha que conciliar milhares de coisas. A gente fugia da mesmice e tentava captar tudo isso no som.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Naimaculada ao vivo n&#039;A Porta Maldita\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/z_fihqE5rIM?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Atualmente o Frodo n\u00e3o est\u00e1 mais em S\u00e3o Paulo. Ele est\u00e1 estudando na China, fazendo interc\u00e2mbio, \u00e9 isso?<\/strong><br \/>\nRicardo: \u00c9 isso. Acho at\u00e9 que j\u00e1 poderemos come\u00e7ar a usar isso de estrat\u00e9gia de marketing\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Luiz: Acho que a gente j\u00e1 podia lan\u00e7ar que ele est\u00e1 preso l\u00e1 na China. (risos)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pietro: Assim, ele foi pra China, s\u00f3 que ele n\u00e3o responde a gente h\u00e1 dois meses. (risos)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ricardo: \u00c9, est\u00e1 meio assim (risos). Ele tem apari\u00e7\u00f5es muito pontuais. Ele consegue VPN para ver uns bagulhos, \u00e0s vezes ele consegue abrir o Instagram, a\u00ed ele abre o Insta, mas ele s\u00f3 consegue ver as coisas, n\u00e3o consegue comentar, compartilhar nem nada. Ent\u00e3o, ele foi para l\u00e1 para estudar por mais ou menos um ano e vai ficar esse per\u00edod\u00e3o l\u00e1.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E enquanto ele estiver l\u00e1 quem vai fazer os shows com voc\u00eas \u00e9 o Iago Tartaglia, da banda Gasta\u00e7\u00e3o Infinita?<\/strong><br \/>\nPietro: Isso. Mas a gente tamb\u00e9m vai usar esse per\u00edodo para tamb\u00e9m trazer outros convidados. Talvez o Lukas, da Monstro Enigma, n\u00e9?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ricardo: A gente tem ideia de trabalhar com Pedro Abujamra, de repente em algum show mais intimista, tipo ac\u00fastico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pietro: \u00c9 triste n\u00e3o ter o Frodo aqui com a gente no momento do lan\u00e7amento do disco, porque ele \u00e9 o glac\u00ea desse bolo gigante de casamento que \u00e9 o Naimaculada. S\u00f3 que isso tamb\u00e9m abriu portas para a gente fazer coisas muito loucas nesse per\u00edodo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O disco teve participa\u00e7\u00f5es de Tuco Cerutti, Ant\u00f4nio Braz e Cau\u00e3 Aguiar. O que cada um fez no disco?<\/strong><br \/>\nSamuel: Cau\u00e3 Aguiar escreveu e canta em &#8220;A Arte \u00c9 Culpada&#8221;; o Ant\u00f4nio Braz, nos sintetizadores de &#8220;A Cor Mais Pr\u00f3xima do Cinza&#8221;; e o Tuco, que era baixista da banda antes, tocando baixo ac\u00fastico em &#8220;N\u00e3o \u00c9 Sobre Peixes&#8221; e &#8220;Eu Sei&#8221;.<\/p>\n<figure id=\"attachment_92771\" aria-describedby=\"caption-attachment-92771\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-92771\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/naimaculada4.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/naimaculada4.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/naimaculada4-300x300.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/naimaculada4-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-92771\" class=\"wp-caption-text\"><em>Contracapa do \u00e1lbum \u201cA Cor Mais Pr\u00f3xima do Cinza\u201d, da Naimaculada<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00eas j\u00e1 pensam em qual vai ser o pr\u00f3ximo passo da banda em quest\u00e3o de disco depois desse lan\u00e7amento?<\/strong><br \/>\nPietro: A gente \u00e9 um bando de ansioso&#8230; Somos quatro pessoas muito ansiosas e \u00e0s vezes, a gente entra numa onda boa de escrever tr\u00eas m\u00fasicas em um m\u00eas, saca? E cada vez mais isso vem acontecendo. Ent\u00e3o, sim, a gente j\u00e1 tem algumas coisas desse pr\u00f3ximo projeto e muitas ideias futuras. Mas o tempo vai responder.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Samuel: J\u00e1 foram conversadas algumas dessas ideias, mas a gente n\u00e3o bateu martelo e falou: &#8220;\u00c9 isso&#8221;. Ent\u00e3o a gente segue compondo. Desde que a gente acabou o processo de composi\u00e7\u00e3o do \u00e1lbum, j\u00e1 sa\u00edram in\u00fameras m\u00fasicas. E a gente tem tocado essas m\u00fasicas novas nos shows para testar, para entender como elas funcionam ao vivo e como que a gente se sente tocando tamb\u00e9m. Eu j\u00e1 cheguei a brincar comentando para outras pessoas que a gente est\u00e1 lan\u00e7ando \u00e1lbum tendo metade do segundo j\u00e1 feito, tendo dois ter\u00e7os dele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Luiz: Eu ia falar isso; que estamos lan\u00e7ando o primeiro \u00e1lbum com metade do segundo j\u00e1 feito e muitas j\u00e1 na boca do povo, sabe? (risos) Tem m\u00fasicas que a gente toca desse novo \u00e1lbum desde o meio do ano passado. (risos)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Samuel: Tem uma espec\u00edfica que o pessoal t\u00e1 vindo perguntar para mim desde que a gente lan\u00e7ou o \u00e1lbum agora, que \u00e9 &#8220;Recrudescer\u201d, que \u00e9 uma m\u00fasica que tem uma vers\u00e3o ao vivo dela no Centro da Terra no nosso YouTube. Mas \u00e0s vezes tem que se brecar nesse neg\u00f3cio, n\u00e9? A gente ainda tem que divulgar o primeiro, ent\u00e3o n\u00e3o tem tanto luxo de poder pensar no segundo t\u00e3o r\u00e1pido assim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pietro: \u00c9 que na Naimaculada \u00e9 um bando de doido. Ent\u00e3o \u00e0s vezes a gente chega e fala: &#8220;\u00f3, j\u00e1 pensei na pr\u00f3xima capa\u201d. &#8220;J\u00e1 tem um t\u00edtulo a\u00ed\u201d, \u201ctem que ter tantas m\u00fasicas\u201d, t\u00e1 ligado? A gente nunca para de pensar no pr\u00f3ximo. Ainda mais que a gente t\u00e1 fazendo esse \u00e1lbum h\u00e1 tanto tempo. A gente t\u00e1 louco para lan\u00e7ar as m\u00fasicas novas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E como est\u00e3o os planos de shows e turn\u00eas?<\/strong><br \/>\nRicardo: Vai ter uma turn\u00ea Naimaculada a\u00ed, a gente vai fazer umas datas no Nordeste, rodar alguns estados. Temos muita vontade de conhecer o Nordeste atrav\u00e9s da nossa m\u00fasica, atrav\u00e9s da nossa arte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Agora uma pergunta chata, mas que \u00e9 necess\u00e1ria. Pelo fato do Pietro ser filho do Jo\u00e3o Gordo, voc\u00eas t\u00eam recebido acusa\u00e7\u00f5es de nepotismo? Do tipo &#8220;a banda foi contratada pela DeckDisc s\u00f3 porque o baterista \u00e9 filho do <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?s=Jo%C3%A3o+Gordo\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Jo\u00e3o Gordo<\/a>\u201d? Como voc\u00eas lidam com isso?<\/strong><br \/>\nPietro: Cara, j\u00e1 me chamaram muito de nepo baby. S\u00f3 que n\u00e3o \u00e9 um bagulho que eu fico ofendido, saca? E tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 um neg\u00f3cio que fico esfregando na cara das pessoas. Tem muita gente que eu conheci primeiro por meio da Naimaculada e que depois chega assim \u201cmas voc\u00ea \u00e9 filho desse cara?\u201d. A pessoa n\u00e3o sabia. E assim, o que eu posso dizer? N\u00e3o \u00e9 como se fosse ruim. E mesmo que eu quisesse, essa ponte n\u00e3o ia rolar. Eu n\u00e3o considero muito isso do nepotismo, porque a Naimaculada \u00e9 uma parada completamente diferente do que o <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?s=Ratos+de+Por%C3%A3o\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Ratos de Por\u00e3o<\/a> faz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Samuel: Fora que \u00e9 uma parada totalmente independente. Ningu\u00e9m est\u00e1 bancando a gente para fazer esse rol\u00ea. Inclusive toda a grava\u00e7\u00e3o do \u00e1lbum, mixagem e masteriza\u00e7\u00e3o foi paga com dinheiro de show da banda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ricardo: Dinheiro dos nossos trabalhos e do nosso pr\u00f3prio bolso, nossa correria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pietro: \u00c9, at\u00e9 hoje a gente n\u00e3o teve nenhum tipo de impulsionamento de nenhum lado, de nenhuma maneira, t\u00e1 ligado? E tamb\u00e9m n\u00e3o me ofende. E quando algu\u00e9m me chama de nepo baby, eu falo: &#8220;Ah, cara, eu posso fazer o qu\u00ea, mano? \u00c9 meu pai, voc\u00ea ia querer ser filho dele tamb\u00e9m&#8221;. E tipo, se for usar isso ao meu favor, s\u00f3 onde eu puder acrescentar em lugares que fazem sentido com o nosso projeto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Samuel: E para quem reclama ou gosta de vir chorar por causa desse tipo de coisa, eu viro e falo: &#8220;Fa\u00e7a melhor&#8221;. \u00c9 s\u00f3 isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pietro: \u00c9, mano\u2026 Resumindo, quer chamar de nepobaby, pode chamar. Pode falar da Naimaculada. Quanto mais falar, melhor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ricardo: A gente segue a est\u00e9tica MC Melody. Fale bem ou fale mal, mas fale de mim. Pode falar. (risos)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tem alguma coisa que voc\u00eas acham que precisa falar que n\u00e3o estava nas minhas perguntas que a gente n\u00e3o falou?<\/strong><br \/>\nPietro: Ah, agradecer, n\u00e9? Nunca \u00e9 demais agradecer a toda a turma que fez parte desse lan\u00e7amento. As pessoas que a gente trabalha junto, que \u00e9 a Sol, o Tuta, o Rafa Penna, o Tutti Moura Pictures, Rafael Pascoalini, Marcos Hermes, a Bebel. Mas agradecer tamb\u00e9m muito nossos amigos da D&#8217;Artagnan N\u00e3o Mora Mais Aqui, da Tubo de Ensaio, da Ballburya, da Desatentos, a galera que esteve muito no come\u00e7o. Agradecer todo mundo que fez parte disso da\u00ed, agradecer o Lauiz, o Chediak. O Zomer que liberou o est\u00fadio pra gente gravar, agradecer o Gabiroto, que a gente gravou coisa na casa dele. Agradecer o Black Hole e o Por\u00e3o da Cerveja que vieram antes do Porta Maldita na nossa hist\u00f3ria. E a gente s\u00f3 conseguiu conhecer essas pessoas e criar essas conex\u00f5es por causa desses lugares.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Naimaculada  @ Centro da Terra (28.1.2025)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/PwoGO2LZKrU?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Naimaculada @ Inferninho Trabalho Sujo (29.11.2024)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/sR01byvP8Y0?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><em>\u2013 Alexandre Lopes (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/ociocretino\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">@ociocretino<\/a>) \u00e9 jornalista e assina o\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ociocretino.blogspot.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">www.ociocretino.blogspot.com.br<\/a>.\u00a0<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O disco \u201cA Cor Mais Pr\u00f3xima do Cinza\u201d\u00a0n\u00e3o representa a S\u00e3o Paulo dos cart\u00f5es-postais, mas a das vielas sujas, dos \u00f4nibus lotados de trabalhadores e das pessoas em situa\u00e7\u00e3o de rua.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/11\/17\/entrevista-naimaculada-traduz-o-caos-urbano-em-a-cor-mais-proxima-do-cinza\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":101,"featured_media":92770,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[7438],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/92765"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/101"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=92765"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/92765\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":92774,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/92765\/revisions\/92774"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/92770"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=92765"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=92765"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=92765"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}