{"id":92648,"date":"2025-11-11T13:48:16","date_gmt":"2025-11-11T16:48:16","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=92648"},"modified":"2025-12-03T18:28:40","modified_gmt":"2025-12-03T21:28:40","slug":"em-noites-contrastantes-afropunk-balancou-salvador-com-encontros-frutiferos-baianasystem-brilha-com-sister-nancy","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/11\/11\/em-noites-contrastantes-afropunk-balancou-salvador-com-encontros-frutiferos-baianasystem-brilha-com-sister-nancy\/","title":{"rendered":"Em noites contrastantes, Afropunk balan\u00e7ou Salvador com encontros frut\u00edferos"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>texto por\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/onelsonoliveira\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Nelson Oliveira<\/a><br \/>\nfotos de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/oafropunkbrasil\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Afropunk Brasil<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">No fim de semana dos dias 8 e 9 de novembro, Salvador voltou a pulsar com o som do <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?s=afropunk\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Afropunk<\/a>. Em sua quinta edi\u00e7\u00e3o no Brasil, o maior festival de cultura negra do mundo mais uma vez ocupou o Parque de Exposi\u00e7\u00f5es com dois dias de m\u00fasica, mem\u00f3ria e reinven\u00e7\u00e3o, como um ponto de converg\u00eancia onde o pa\u00eds negro se reconhece, se celebra e se reflete.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-92652 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/afro3.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/afro3.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/afro3-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 2025, o evento reuniu mais de 50 mil pessoas e pareceu consolidar esse papel, mesmo em um formato mais enxuto \u2013 sete shows por dia, contra os nove e oito de 2024, embora com convidados em apresenta\u00e7\u00f5es que equilibraram o corte. O s\u00e1bado foi de energia oscilante, mais voltado ao p\u00fablico fiel dos artistas; o domingo, por sua vez, mostrou o festival em estado pleno, diverso e contundente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No fim das contas, o que mais chamaria aten\u00e7\u00e3o seriam os encontros planejados especialmente para esta edi\u00e7\u00e3o, que figuraram entre os momentos mais altos do fim de semana. O Scream &amp; Yell, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?s=afropunk\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">presente desde a primeira edi\u00e7\u00e3o brasileira<\/a>, acompanhou de perto tudo o que de melhor (e mais revelador) aconteceu nessas duas noites.<\/p>\n<figure id=\"attachment_92651\" aria-describedby=\"caption-attachment-92651\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-92651\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/afro2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/afro2.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/afro2-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-92651\" class=\"wp-caption-text\"><em>DJ Boneka<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>S\u00e1bado, 8 de novembro<\/strong><br \/>\n<em>Line-up: Coco Jones (EUA), BK&#8217; (RJ), P\u00e9ricles (SP) Budah (ES) &amp; Wyclef Jean (Haiti), \u00c0TT\u00d8\u00d8XX\u00c1 (BA), N\u00fabia (MA) convida Muzenza (BA) e DJ Boneka (PE)<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O sol se punha sobre o Parque de Exposi\u00e7\u00f5es quando a pernambucana DJ Boneka assumiu o palco principal. A abertura, calcada em batidas afro-eletr\u00f4nicas e no bregafunk do Recife era o pren\u00fancio de uma noite que flutuaria entre o ancestral e o pop, ou o tambor e os beats.<\/p>\n<figure id=\"attachment_92653\" aria-describedby=\"caption-attachment-92653\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-92653\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/afro4.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/afro4.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/afro4-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-92653\" class=\"wp-caption-text\"><em>N\u00fabia e C\u00e9lia Sampaio<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">A primeira grande performance veio com N\u00fabia, representante do reggae maranhense que atravessou o Nordeste para dividir o palco com o bloco afro Muzenza, \u00edcone do samba reggae de Salvador, num encontro entre artistas que carregam consigo refer\u00eancias de dois dos maiores polos da cultura negra do pa\u00eds. O show ainda teve a participa\u00e7\u00e3o surpresa de C\u00e9lia Sampaio, a dama da Jamaica Brasileira, que entrou no palco envolta numa bandeira do Maranh\u00e3o e reviveu com N\u00fabia a parceria de \u201cCartas a uma Negra\u201d, numa comunh\u00e3o de gera\u00e7\u00f5es e vozes femininas que versam sobre dor, ex\u00edlio e renascimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A apresenta\u00e7\u00e3o de N\u00fabia, baseada no \u00e1lbum \u201cSabores\u201d e no EP \u201cPeso da Ilha\u201d, teve como destaques \u201cVoo de Ren\u00fancia\u201d (com arranjo bastante potente), \u201cSabores\u201d e \u201cAndamento\u201d, que deixaram o p\u00fablico ligado \u2013 a \u00f3tima \u201cBomber Man\u201d, por\u00e9m, ficou de fora do repert\u00f3rio. S\u00f3 por volta dos 50 minutos de show o Muzenza entrou em cena, chegando juntamente ao cantor e compositor Dja Luz e levando sua percuss\u00e3o caracter\u00edstica para o Parque de Exposi\u00e7\u00f5es. Claro, n\u00e3o poderia faltar um medley de \u201cSwing da Cor\u201d e \u201cBrilho de Beleza\u201d para encerrar o encontro.<\/p>\n<figure id=\"attachment_92654\" aria-describedby=\"caption-attachment-92654\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-92654\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/afro6.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/afro6.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/afro6-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-92654\" class=\"wp-caption-text\"><em>Budah &amp; Wyclef Jean<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">A sequ\u00eancia, com Budah, mostrou outro tipo de for\u00e7a. A rapper subiu ao palco em clima de ritual \u00edntimo, num espet\u00e1culo centrado na turn\u00ea \u201cP\u00farpura\u201d, hom\u00f4nima a seu primeiro \u00e1lbum de est\u00fadio, lan\u00e7ado no fim de 2024. Por si s\u00f3, j\u00e1 foi uma escolha instigante a decis\u00e3o de, em um festival que volta e meia revela uma curadoria de vi\u00e9s mais comercial, abrir a programa\u00e7\u00e3o com uma maranhense e uma capixaba \u2013 artistas vindas de estados historicamente sub-representados nos grandes circuitos musicais do pa\u00eds.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em faixas que versam sobre amor e desejo, como \u201cP\u00farpura\u201d e \u201cCansei de Ser S\u00f3 Minha\u201d, Budah criou uma atmosfera quase hipn\u00f3tica, refor\u00e7ada por um p\u00fablico devoto, que entoava cada verso \u2013 mais para o fim do show, tamb\u00e9m ganhou destaque o arranjo com guitarra e bateria marcantes em \u201cLingerie\u201d, can\u00e7\u00e3o que a projetou em 2020.<\/p>\n<figure id=\"attachment_92655\" aria-describedby=\"caption-attachment-92655\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-92655\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/afro7.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/afro7.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/afro7-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-92655\" class=\"wp-caption-text\"><em>Budah &amp; Wyclef Jean<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">O momento mais esperado, por\u00e9m, veio com a entrada de Wyclef Jean, lenda haitiana e membro fundador dos Fugees. Ele chegou em festa, emendando \u201cHips Don\u2019t Lie\u201d, \u201cFu-Gee-La\u201d e \u201c911\u201d, chegando at\u00e9 a partir para uma performance mais agressiva e tocar guitarra com sua l\u00edngua. A qu\u00edmica com Budah foi imediata e ele n\u00e3o poupou elogios \u00e0 capixaba, comparando-a a estrelas como Lauryn Hill, Beyonc\u00e9, Mary J.Blige, Whitney Houston e Shakira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Juntos, tocaram ao vivo pela primeira vez o feat \u201cMontanha Russa (Would You Be Mine?)\u201d, lan\u00e7ado na semana anterior, e depois emocionaram com uma vers\u00e3o de \u201cNo Woman, No Cry\u201d. Ap\u00f3s a catarse, a rapper capixaba ainda chamou MC Luanna, uma das atra\u00e7\u00f5es do Afropunk no domingo, para a incendi\u00e1ria \u201cN\u00e3o Adianta Me Ligar\u201d.<\/p>\n<figure id=\"attachment_92656\" aria-describedby=\"caption-attachment-92656\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-92656\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/afro8.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/afro8.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/afro8-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-92656\" class=\"wp-caption-text\"><em>Coco Jones<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas o clima esfriou um pouco com a apresenta\u00e7\u00e3o seguinte. A americana Coco Jones, uma das novas vozes do R&amp;B, fez sua estreia na Am\u00e9rica Latina com um show mais perform\u00e1tico do que musical. Sem banda ou DJ, acompanhada apenas de bases pr\u00e9-gravadas e um corpo de baile impec\u00e1vel, Coco investiu em um espet\u00e1culo visual, pautado pela coreografia e pela sensualidade. Vestida de dourado e irradiando brilho, acabou sendo associada \u00e0 Oxum, num paralelo inevit\u00e1vel com o tema do palco, inspirado nas orix\u00e1s femininas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O p\u00fablico fiel da norte-americana n\u00e3o deixou de cantar junto em nenhum momento, mas o restante dos presentes oscilou entre a contempla\u00e7\u00e3o e a distra\u00e7\u00e3o. Momentos como \u201cTaste\u201d \u2013 faixa que inclui o refr\u00e3o do hit \u201cToxic\u201d, de Britney Spears \u2013 e \u201cOn Sight\u201d, se destacaram, recuperando a aten\u00e7\u00e3o de quem estava a\u00e9reo. O ponto alto, curiosamente, veio num interl\u00fadio: enquanto Coco Jones recuperava o f\u00f4lego no backstage, suas dan\u00e7arinas surpreenderam com uma improv\u00e1vel coreografia ao som do sucesso \u201cO Baiano Tem o Molho\u201d, d\u2019O Kannalha. Certamente ningu\u00e9m ali estava aguardando uns minutinhos de pagod\u00e3o naquele show.<\/p>\n<figure id=\"attachment_92658\" aria-describedby=\"caption-attachment-92658\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-92658\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/afro10.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/afro10.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/afro10-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-92658\" class=\"wp-caption-text\"><em>P\u00e9ricles<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em seguida, o veterano P\u00e9ricles trouxe o p\u00fablico de volta ao calor. Em sua estreia no Afropunk, o \u201cRei do Pagode\u201d mostrou por que \u00e9 uma institui\u00e7\u00e3o da m\u00fasica popular brasileira. Carism\u00e1tico e impec\u00e1vel na voz, comandou um repert\u00f3rio que soou como trilha coletiva da vida amorosa de muitos dos presentes. \u201cAt\u00e9 Que Durou\u201d e \u201cMelhor Eu Ir\u201d ecoaram nos celulares e nas gargantas dos apaixonados \u2013 que cantavam olhando para suas telas em stories gravados ao vivo ou eram captados pelas c\u00e2meras da transmiss\u00e3o oficial com olhos marejados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por sua vez, \u201cQuando a Gira Girou\u201d e \u201cSe Eu Largar o Freio\u201d fizeram o festival virar uma grande roda de samba. Homenagens a Martinho da Vila (\u201cCanta, Canta, Minha Gente\u201d) e Arlindo Cruz e o Fundo de Quintal (\u201cO Show Tem Que Continuar\u201d) trouxeram as ra\u00edzes do g\u00eanero para o Parque de Exposi\u00e7\u00f5es e mostraram a versatilidade de Peric\u00e3o quando o assunto \u00e9 pagode.<\/p>\n<figure id=\"attachment_92660\" aria-describedby=\"caption-attachment-92660\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-92660\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/afro11.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/afro11.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/afro11-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-92660\" class=\"wp-caption-text\"><em>BK\u2019<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois dele, o rapper BK\u2019 assumiu as r\u00e9deas do Afropunk. Vindo do elogiado \u201cDiamantes, L\u00e1grimas e Rostos para Esquecer\u201d, lan\u00e7ado no in\u00edcio de 2025, o carioca apresentou um repert\u00f3rio constru\u00eddo sobre este \u00e1lbum, mas tamb\u00e9m com algumas faixas de \u201cIcarus\u201d (2022). Ao vivo, por\u00e9m, ficou evidente um pequeno dilema: o aplauso \u00e0 m\u00fasica brasileira em sua pluralidade, t\u00e3o central no \u00faltimo trabalho, acaba soando mais alto do que os pr\u00f3prios versos do rapper. O brilho das participa\u00e7\u00f5es e dos samples frequentemente se sobrep\u00f5e ao do anfitri\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cN\u00e3o Adianta Chorar\u201d, que resgata o Trio Mocot\u00f3, e \u201cS\u00f3 Eu Sei\u201d, moldada sobre \u201cEsquinas\u201d, de Djavan, s\u00e3o grandes momentos do show, mas \u00e9 dif\u00edcil n\u00e3o sentir que o encanto vem, sobretudo, das refer\u00eancias, dos samples e das participa\u00e7\u00f5es. O mesmo vale para as delicadas \u201cCacos de Vidro\u201d e \u201cS\u00f3 Quero Ver\u201d, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/11\/04\/redescoberta-evinha-tem-noite-de-justa-coroacao-no-sesc-jazz-em-noite-com-marcos-valle\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">ambas com Evinha<\/a> \u2013 que deixaram no ar que a curadoria do festival paraense Psica mandou bem ao optar por levar o encontro entre os dois para sua pr\u00f3xima edi\u00e7\u00e3o, em dezembro. Essa impress\u00e3o j\u00e1 se insinuava em Icarus, como em \u201cSe Eu N\u00e3o Lembrar\u201d, parceria inspirada com Marina Sena.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No rap, isso \u00e9 conhecido como \u201croubar a faixa\u201d. Em suma, algo que ocorre quando um convidado se imp\u00f5e com seus versos sobre o artista principal \u2013 e, no caso de BK\u2019, talvez isso aconte\u00e7a por pura generosidade nas faixas citadas. Abebe Bikila, afinal, continua capaz de chamar o jogo para si e manter o p\u00fablico em transe, como em \u201cPlanos\u201d, \u201cS\u00f3 Me Ligar\u201d e \u201cContinua\u00e7\u00e3o de um Sonho\u201d, em que sua voz retoma o centro e reafirma a for\u00e7a que o projetou entre os nomes maiores do g\u00eanero.<\/p>\n<figure id=\"attachment_92662\" aria-describedby=\"caption-attachment-92662\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-92662 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/afro12.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/afro12.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/afro12-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-92662\" class=\"wp-caption-text\"><em>\u00c0TT\u00d8\u00d8XX\u00c1<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">A primeira noite de shows terminou com o \u00c0TT\u00d8\u00d8XX\u00c1, que retornou ao festival ap\u00f3s tr\u00eas anos com uma forma\u00e7\u00e3o encorpada por mais percuss\u00e3o e um corpo de baile. Depois de certa falta de coes\u00e3o e consist\u00eancia em shows recentes, a banda voltou em grande forma \u2013 embalada pelo peso da percuss\u00e3o, pela guitarra sempre insinuante de Chibatinha e flertes do pagod\u00e3o e das bases eletr\u00f4nicas que marcam o trabalho do grupo com g\u00eaneros como o reggaeton e o amapiano, que v\u00eam sendo trabalhados por RDD em sua carreira paralela.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cTranca Rua\u201d, \u201cCaixa Postal\u201d e \u201cBlvck Bvng\u201d reacenderam o p\u00fablico, que transformou o parque em pista de dan\u00e7a. O repert\u00f3rio foi direto, potente, com poucos intervalos e muita entrega. O pared\u00e3o final selou o s\u00e1bado com uma energia que resgatou o esp\u00edrito do Afropunk: o da mistura entre corpo, som, cultura popular e ancestralidade.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-92663 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/afro12-1.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/afro12-1.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/afro12-1-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Domingo<\/strong><br \/>\n<em>Line-up: Tems (Nig\u00e9ria), BaianaSystem (BA) convida Sister Nancy (Jamaica), Liniker (SP), Tatau (BA) convida M\u00e1rcia Short (BA) &amp; Lazzo Matumbi (BA), Os Garotin (RJ), MC Luanna (SP) e DJ Umiranda (DF)<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O segundo dia come\u00e7ou com o DJ Umiranda, de Bras\u00edlia, abrindo a pista com uma sele\u00e7\u00e3o de batidas quebradas e remixes de cl\u00e1ssicos da black music brasileira, aquecendo o p\u00fablico sem pressa. Quando MC Luanna surgiu, o festival explodiu. A paulista entregou um show que reafirma o protagonismo feminino no funk e no rap. Entre versos autorreferenciais e beats pesados, Luanna desafiou conven\u00e7\u00f5es, fez rir e dan\u00e7ar, e ainda encontrou espa\u00e7o para se emocionar em meio ao caos.<\/p>\n<figure id=\"attachment_92664\" aria-describedby=\"caption-attachment-92664\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-92664\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/afro12-2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/afro12-2.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/afro12-2-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-92664\" class=\"wp-caption-text\"><em>MC Luanna<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cRotina 2\u201d foi o primeiro estouro, com dezenas de celulares filmando a apresenta\u00e7\u00e3o, enquanto \u201c99 Problemas\u201d, parceria com a baiana Duquesa, levou o p\u00fablico ao del\u00edrio \u2013 embora a paulistana tenha optado por apresentar a vers\u00e3o original da faixa e n\u00e3o o seu remix em pagod\u00e3o, o que, na vis\u00e3o deste escriba, faria mais sentido para o momento. A reta final, com o peso de \u201cBotano (\u00datero Baixo)\u201d em sua grava\u00e7\u00e3o de funk mandel\u00e3o, numa parceria com os DJs Thiago Martins, Caio Prince e Mu540, fez o ch\u00e3o tremer em uma performance que uniu erotismo, ironia e contesta\u00e7\u00e3o de conven\u00e7\u00f5es sociais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Logo depois, Os Garotin suavizaram o clima. O trio de S\u00e3o Gon\u00e7alo, vencedor do Grammy Latino de 2024, trouxe seu R&amp;B nost\u00e1lgico, misturando carisma, charme carioca e leveza quase adolescente. \u201cZero a Cem\u201d e \u201cQueda Livre\u201d fizeram o p\u00fablico sorrir; \u201cNossa Resenha\u201d, parceria com Caetano Veloso, coroou um show doce e despretensioso. Se ap\u00f3s Luanna eles pareciam meninos no jardim de inf\u00e2ncia, a ingenuidade virou trunfo. O Afropunk ganha tamb\u00e9m com esses respiros.<\/p>\n<div class=\"mceTemp\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-92665\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/afro13.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/afro13.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/afro13-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><em>Os Garotin<\/em><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em crescendo, a noite continuou com Tems, em sua primeira e \u00fanica apresenta\u00e7\u00e3o no Brasil. Assim como Coco Jones, a nigeriana surgiu vestida de amarelo, evocando Oxum, a deusa das \u00e1guas doces e da beleza. \u201cCrazy Tings\u201d, \u201cWickedest\u201d e \u201cBurning\u201d abriram a apresenta\u00e7\u00e3o com uma eleg\u00e2ncia rara: o R&amp;B da cantora de Lagos \u00e9 sofisticado, mas n\u00e3o distante; pop, mas sem diluir suas ra\u00edzes africanas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cFound\u201d marcou o ponto alto de seu carisma. A artista desceu do palco para interagir com o p\u00fablico e convidou alguns homens da plateia para duetos sensuais, em clima intenso de flerte \u2013 dois deles se declararam para ela, que pediu que cantassem olhando nos seus olhos. Assim, entre espiadas constrangidas e risadas, provocou um dos momentos mais hil\u00e1rios do festival, com caras totalmente derretidos e envergonhados, balbuciando de forma desafinada as letras das can\u00e7\u00f5es para tentar impression\u00e1-la. A reta final, com \u201cLove Me JeJe\u201d e \u201cMe &amp; U\u201d, encerrou uma estreia empolgante: espirituosa e conectada com os presentes.<\/p>\n<figure id=\"attachment_92666\" aria-describedby=\"caption-attachment-92666\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-92666\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/afro14.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/afro14.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/afro14-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-92666\" class=\"wp-caption-text\"><em>Tems<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Liniker entrou em seguida e mudou a temperatura. <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2022\/12\/05\/ao-vivo-mesclando-mainstream-a-apostas-afropunk-bahia-2022-acerta-o-tom-com-belos-shows-de-maga-nic-dias-nelson-rufino-attooxxa-e-karol-conka\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Em sua apresenta\u00e7\u00e3o de 2022<\/a> ela ainda parecia tatear o pr\u00f3prio espa\u00e7o, e, na participa\u00e7\u00e3o especial na \u00faltima edi\u00e7\u00e3o, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/11\/16\/festival-afropunk-2024-acerta-nas-atracoes-mas-problemas-tecnicos-foram-entraves-para-noites-historicas-em-salvador\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">a convite de Lianne La Havas<\/a>, pouco tempo teve para se expressar \u2013 cantou apenas uma m\u00fasica. Agora, com o repert\u00f3rio de \u201cCaju\u201d (2024), est\u00e1 em pleno dom\u00ednio da voz e do corpo. Com mais controle de palco e mais seguran\u00e7a de si pr\u00f3pria, protagonizou um show potente, capaz de chamar a aten\u00e7\u00e3o at\u00e9 daqueles que consideram que <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/11\/22\/em-maceio-festival-carambola-consagra-liniker-celebra-hermeto-e-se-encanta-por-juliana-linhares\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">a colcha de retalhos do seu \u00e1lbum<\/a> mais recente n\u00e3o \u00e9 assim t\u00e3o bem costurada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A banda impec\u00e1vel, com oito backing vocals, os arranjos polidos \u2013 principalmente os do naipe de sopro, com seis integrantes \u2013 e uma presen\u00e7a magn\u00e9tica sustentaram um dos shows mais emocionantes do fim de semana. \u201cNegona dos Olhos Terr\u00edveis\u201d, \u201cPote de Ouro\u201d e \u201cFebre\u201d condensaram a for\u00e7a e a vulnerabilidade que fazem de Liniker uma das mais reconhecidas int\u00e9rpretes brasileiras do momento. \u201cVeludo Marrom\u201d e \u201cBaby 95\u201d mostraram a transi\u00e7\u00e3o entre fases \u2013 da introspec\u00e7\u00e3o de \u201c\u00cdndigo Borboleta Anil\u201d (2021) \u00e0 expans\u00e3o solar de \u201cCaju\u201d. O show foi um mergulho afetivo e espiritual, que ainda trouxe vers\u00f5es de Djavan e Edson Gomes, e emocionou os milhares de f\u00e3s que foram ao Afropunk apenas para v\u00ea-la.<\/p>\n<figure id=\"attachment_92667\" aria-describedby=\"caption-attachment-92667\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-92667\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/afro15.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/afro15.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/afro15-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-92667\" class=\"wp-caption-text\"><em>Liniker<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na sequ\u00eancia, foi a vez do encontro de parentes pr\u00f3ximos entre Bahia e Jamaica. Retornando ao Afropunk, onde se apresentou em 2023, o BaianaSystem subiu ao palco num formato de show diferente, no qual receberia Sister Nancy, pioneira do dancehall, em um espet\u00e1culo que sintetizou o esp\u00edrito do festival. De cara, uma surpresa: o Ministereo P\u00fablico, grupo no qual Russo Passapusso emergiu como MC, abriu o caminho com cl\u00e1ssicos do reggae brasileiro, como \u201cCamel\u00f4\u201d e \u201cMe Abra\u00e7a e Me Beija\u201d. O Baiana ent\u00e3o deu sequ\u00eancia \u00e0 festa com \u201cSulamericano\u201d, na primeira descarga de adrenalina da apresenta\u00e7\u00e3o, que teria o clima habitual de transe coletivo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para introduzir Sister Nancy, puxaram \u201cMalandrinha\u201d, e m\u00fasico, compositor e ativista baiano Arygil, conhecido por sua forte identifica\u00e7\u00e3o com a cultura negra local, comandou os vocais neste momento. Quando a lenda jamaicana apareceu acompanhada de um MC, j\u00e1 foi logo brincando: \u201cs\u00f3 faremos tr\u00eas m\u00fasicas, ent\u00e3o vamos aproveitar\u201d. O hino \u201cBam Bam\u201d, com toda sua levada inovadora no flow, fechou a participa\u00e7\u00e3o da artista de 63 anos em alta. Mais tarde, outra can\u00e7\u00e3o fundamental do reggae ganharia espa\u00e7o na voz de Larissa Luz: \u201cYou Don\u2019t Love Me (No, No, No)\u201d, de Dawn Penn, embalou os passinhos na plateia e houve at\u00e9 quem dan\u00e7asse agarradinho, ao modo maranhense de curtir o ritmo.<\/p>\n<figure id=\"attachment_92668\" aria-describedby=\"caption-attachment-92668\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-92668\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/sisternancy.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/sisternancy.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/sisternancy-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-92668\" class=\"wp-caption-text\"><em>Sister Nancy<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em seu show, o BaianaSystem ainda trouxe um pedacinho de \u201cOxe, como era doce\u201d, que n\u00e3o vinha fazendo parte do seu repert\u00f3rio, e encaixou seus hits, \u201cLucro (Descomprimindo)\u201d, \u201cSaci\u201d, \u201cBalacobaco\u201d, \u201cReza Forte\u201d e \u201cForasteiro\u201d, com as j\u00e1 tradicionais megarrodas se abrindo no p\u00fablico \u2013 dessa vez, com sinalizadores acesos por alguns dos f\u00e3s que costumam \u201corientar o carnaval\u201d completando o cen\u00e1rio apote\u00f3tico. Para variar, um showza\u00e7o cheio de energia, digno de lavar a alma com (muito) suor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para fechar o domingo, era hora de recuperar a hist\u00f3ria da m\u00fasica afrobaiana. O espet\u00e1culo \u201c40 anos da Afro-Ax\u00e9 Music\u201d, liderado por Tatau, ex-Ara Ketu, com M\u00e1rcia Short e Lazzo Matumbi, foi mais que um show \u2013 foi uma aula. A tr\u00edade simbolizou as origens, a for\u00e7a e a continuidade do ax\u00e9 como express\u00e3o de negritude e resist\u00eancia.<\/p>\n<figure id=\"attachment_92670\" aria-describedby=\"caption-attachment-92670\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-92670 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/afro16.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/afro16.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/afro16-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-92670\" class=\"wp-caption-text\"><em>M\u00e1rcia Short, Lazzo Matumbi e Tatau<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tatau abriu os trabalhos com a potente \u201cProtesto Olodum\u201d, de sua autoria, que ficou famosa em diversas interpreta\u00e7\u00f5es \u2013 como a do pr\u00f3prio bloco afro, a da Bamdamel e a da Banda Reflexu&#8217;s. Dando sequ\u00eancia \u00e0 celebra\u00e7\u00e3o, o repert\u00f3rio passou por sucessos do Ara Ketu (\u201cMal Acostumado\u201d, \u201cAmantes\u201d, \u201cPipoca\u201d e \u201cAra Ketu Bom Demais\u201d), que levaram o p\u00fablico a um coro coletivo \u2013 assim como \u201cGuerrilheiros da Jamaica\u201d, que homenageia o Muzenza. A primeira convidada a participar foi M\u00e1rcia Short, que brilhou com \u201cMeu Samba Reggae\u201d, \u201cCren\u00e7a e F\u00e9\u201d e \u201cFara\u00f3 (Divindade do Egito)\u201d, reafirmando a centralidade das mulheres na g\u00eanese do g\u00eanero. Lazzo Matumbi, por sua vez, emocionou com \u201c14 de Maio\u201d, \u201cAlegria da Cidade\u201d e \u201cMe Abra\u00e7a e Me Beija\u201d, lembrando por que \u00e9 um dos grandes monumentos da m\u00fasica afro-brasileira e \u201ca voz da Bahia\u201d. O p\u00fablico pediu mais, mas o tempo havia se esgotado e a alta madrugada de segunda terminaria em pared\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cinco anos depois de desembarcar no Brasil, o Afropunk se consolidou como uma institui\u00e7\u00e3o cultural que vai al\u00e9m do entretenimento. Ainda que mais compacto, o evento de 2025 reafirmou sua voca\u00e7\u00e3o para a mistura \u2013 entre g\u00eaneros, gera\u00e7\u00f5es e geografias. Do reggae maranhense de N\u00fabia ao funk mandel\u00e3o de MC Luanna, dos di\u00e1logos de sofistica\u00e7\u00e3o e m\u00fasica popular de Liniker ao samba-reggae ancestral de Tatau e do Muzenza, o festival mostrou que o som negro brasileiro \u00e9 m\u00faltiplo e inclassific\u00e1vel.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-92671 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/afro18.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"422\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/afro18.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/afro18-300x169.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mais do que um desfile de artistas, o Afropunk segue sendo um espa\u00e7o de disputa simb\u00f3lica \u2014 um lugar onde se negocia o que \u00e9 ser negro no sul global hoje. H\u00e1 ali tanto a espiritualidade de Oxum quanto o suor das pistas; tanto o rap cerebral de BK\u2019 quanto a festividade pol\u00edtica do BaianaSystem; o pioneirismo de Sister Nancy e o R&amp;B global de Tems. \u00c9 essa conviv\u00eancia, tensa e f\u00e9rtil, que mant\u00e9m os tambores e os cora\u00e7\u00f5es pulsando. Salvador e o Brasil ainda festejam \u2013 e, enquanto celebrarem, resistir\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Top 5 Afropunk Bahia 2025, por Nelson Oliveira<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">1 \u2013 BaianaSystem convida Sister Nancy<br \/>\n2 \u2013 N\u00fabia convida Muzenza<br \/>\n3 \u2013 Tatau convida M\u00e1rcia Short e Lazzo Matumbi<br \/>\n4 \u2013 Liniker<br \/>\n5 \u2013 Budah &amp; Wyclef Jean<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-92672 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/afro17.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"1125\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/afro17.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/afro17-200x300.jpg 200w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/twitter.com\/nelsonoliveira_\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Nelson Oliveira<\/a>\u00a0\u00e9 jornalista e fot\u00f3grafo residente em Salvador. \u00c9 diretor da\u00a0<a href=\"https:\/\/calciopedia.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Calciop\u00e9dia<\/a>, foi correspondente de esportes do Terra na Bahia e colaborou com UOL, VICE e Trivela.\u00a0<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Cinco anos depois de desembarcar no Brasil, o Afropunk se consolidou como uma institui\u00e7\u00e3o cultural que vai al\u00e9m do entretenimento.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/11\/11\/em-noites-contrastantes-afropunk-balancou-salvador-com-encontros-frutiferos-baianasystem-brilha-com-sister-nancy\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":79,"featured_media":92669,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[5383,4236,1127,3444,8001,7998,7999,7997,8003,7873,8002,2932,8005,8004,8000],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/92648"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/79"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=92648"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/92648\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":92676,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/92648\/revisions\/92676"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/92669"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=92648"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=92648"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=92648"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}