{"id":9251,"date":"2011-07-27T22:37:21","date_gmt":"2011-07-28T01:37:21","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=9251"},"modified":"2016-10-13T10:22:23","modified_gmt":"2016-10-13T13:22:23","slug":"menino-de-lugar-nenhum-david-mitchell","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/07\/27\/menino-de-lugar-nenhum-david-mitchell\/","title":{"rendered":"Livro: Menino de Lugar Nenhum"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-9252\" title=\"menino\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/07\/menino.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>por <a href=\"http:\/\/twitter.com\/eduardomarciano.\" target=\"_blank\">Gabriel Innocentin?i<\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jason Taylor tem um conhecimento especial do mundo: ele \u00e9 gago. Ser gago em qualquer idade \u00e9 dif\u00edcil, mas aos 13 anos \u00e9 especialmente dram\u00e1tico. Para resolver este problema, ele l\u00ea o dicion\u00e1rio, aprendendo o m\u00e1ximo de palavras, assim pode substituir aquelas em que tem dificuldade (as palavras \u2018trav\u00e1veis\u2019, como ele diz), quando sabe que vai gaguejar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como n\u00e3o bastasse, sua irm\u00e3 Julia tem 18 anos, \u00e9 descolada e tem as respostas certas para tudo (Julia \u00e9 uma prima distante de July, a irm\u00e3 de Doug Funny). Os pais de Jason vivem brigando na mesa de jantar e, para completar, ele ainda enfrenta problemas de popularidade na escola. Estamos em 1982, na cidadezinha de Black Swan Green, t\u00edtulo original de \u201cMenino de Lugar Nenhum\u201d (&#8220;Black Swan Green&#8221;), de David Mitchell.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O enredo faz pensar num seriado televisivo. A organiza\u00e7\u00e3o das cenas est\u00e1 bem pr\u00f3xima de um roteiro cinematogr\u00e1fico. Na oficina \u201cPlaying With Structure\u201d, ministrada no site da BBC, Mitchell usou filmes como exemplo para explicar de que forma uma hist\u00f3ria pode ser estruturada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cada cap\u00edtulo de \u201cMenino de Lugar Nenhum\u201d \u00e9 dividido em blocos, que representam uma cena: geralmente ocorrem num mesmo espa\u00e7o, embora possam conter algum flashback. O autor joga com as expectativas do leitor, anunciando o problema e desenvolvendo-o at\u00e9 alcan\u00e7ar o cl\u00edmax no fim de cada cap\u00edtulo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outras tramas surgem antes mesmo que as iniciais estejam terminadas. Como Mitchell tem n\u00e3o apenas grande dom\u00ednio t\u00e9cnico, mas conhece o of\u00edcio do storytelling, o leitor pode ficar tranq\u00fcilo e esperar que todas as pe\u00e7as se encaixem no fim<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A prosa do narrador \u00e9 transparente, embora encharcada de s\u00edmiles e met\u00e1foras (Jason \u00e9 poeta, escondendo-se sob o pseud\u00f4nimo de Eliot Bolivar). Sem poder explorar em profundidade a an\u00e1lise psicol\u00f3gica, Mitchell adota o princ\u00edpio do \u201cshow don\u2019t tell\u201d, contando de modo eficiente as aventuras em que Jason se mete.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, acompanhamos os dilemas enfrentados por um garoto gago numa leitura em voz alta para a sala, os perigos de ser um dedo-duro que sofre persegui\u00e7\u00f5es dos colegas, o jogo de gato-e-rato com as garotas, a dificuldade em encontrar um lugar adequado no recreio. O jeito encontrado por Jason para lidar com tudo isso \u00e9 tentar ser invis\u00edvel: n\u00e3o incomodar os colegas nem os pais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mitchell desvenda o per\u00edodo pavoroso da adolesc\u00eancia, com seus jogos de poder e de reputa\u00e7\u00e3o. N\u00e3o \u00e0 toa, uma das imagens mais exatas e significativas \u00e9 a que compara a hierarquia dos garotos com a hierarquia do ex\u00e9rcito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O cap\u00edtulo \u201cSol\u00e1rio\u201d, em que Jason encontra uma velha que lhe ensina li\u00e7\u00f5es sobre poesia, \u00e9 talvez o \u00fanico pecado do livro. Mitchell peca pelo didatismo excessivo, explicando o personagem para o pr\u00f3prio personagem. Isto \u00e9 compensado pela figura fant\u00e1stica da velha, uma grande personagem, apesar de tudo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que em David Mitchell \u00e9 indireto (a Guerra das Malvinas, mediada pela TV e pelos recortes de jornais que Jason coleciona), em Jonathan Safran Foer \u00e9 direto (a Segunda Guerra Mundial em \u201cTudo se Ilumina\u201d, o 11\/9 em \u201cExtremamente Alto &amp; Incrivelmente Perto\u201d, que afetam de modo traum\u00e1tico os personagens, alterando seus destinos). O que os une \u00e9 certo enciclopedismo: crian\u00e7as excepcionais, wikipedias ambulantes. O exemplar mais recente dessa galeria \u00e9 o pequeno Bunny Jr., do romance \u201cA Morte de Bunny Munro\u201d, de Nick Cave. Bunny Jr. l\u00ea enciclop\u00e9dias enquanto o pai vai para o trabalho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">David Mitchell (nascido em 1969) era gago na inf\u00e2ncia e viveu a \u00e9poca descrita no livro. Mais impressionante do que o uso das g\u00edrias, muito bem transpostas para o portugu\u00eas pelo tradutor Daniel Pellizzari, s\u00e3o as compara\u00e7\u00f5es e met\u00e1foras empregadas pelo narrador.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Elas n\u00e3o apenas criam uma voz particular, como se referem ao mundo espec\u00edfico de Jason: uma cidadezinha da Inglaterra no come\u00e7o dos anos 1980. Est\u00e3o l\u00e1 os programas de TV, os filmes, os brinquedos, as can\u00e7\u00f5es (a trilha sonora \u00e9 melhor do que a de muito filme; basta dizer que uma das can\u00e7\u00f5es preferidas de Jason \u00e9 \u201cOliver\u2019s Army\u201d, de Elvis Costello) \u2013 enfim, \u00e9 toda a inf\u00e2ncia que est\u00e1 representada num tempo e espa\u00e7o particular\u00edssimos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A aproxima\u00e7\u00e3o a ser feita \u00e9 com o cl\u00e1ssico de Salinger, \u201cO Apanhador no Campo de Centeio\u201d. Como Holden Caulfield, Jason Taylor ter\u00e1 de descobrir o mundo sozinho e lidar com o fato de que ter raz\u00e3o nem sempre \u00e9 a solu\u00e7\u00e3o. \u00c9 nessa impot\u00eancia gloriosa diante das coisas (um simples rel\u00f3gio, por exemplo), das pessoas e do mundo que \u201cMenino de Lugar Nenhum\u201d abriga sua beleza.]<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-9253 aligncenter\" title=\"black\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/07\/black.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"276\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/07\/black.jpg 600w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/07\/black-300x138.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">*******<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Gabriel Innocentini (<a href=\"http:\/\/twitter.com\/eduardomarciano\" target=\"_blank\">@eduardomarciano<\/a>) \u00e9 jornalista e assina o blog  <a href=\"http:\/\/blogeurogol.blogspot.com\/\">Eurogol<\/a><\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n&#8211; Os dois primeiros livros de Jonathan Safran Foer, por Jonas Lopes (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2010\/02\/03\/os-dois-livros-de-jonathan-safran-foer\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; &#8220;O Apanhador no Campo de Centeio&#8221;, de J.D. Salinger, por Marco Antonio Bart (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2010\/01\/28\/jd-salinger-1919-2010\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Discografia comentada de Elvis Costello, por Marco Antonio Bart (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2010\/09\/20\/discografia-comentada-elvis-costello\/\">aqui<\/a>)<\/p>\n<p><strong>Leia um trecho de &#8220;Menino de lugar nenhum&#8221;, de David Mitchell: &#8220;Homem de janeiro&#8221; <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Nunca <\/em>pise <em>no meu escrit\u00f3rio. <\/em>\u00c9 a regra                do meu pai. Mas o telefone j\u00e1 tocou vinte e cinco vezes.                Gente normal desiste depois de dez ou onze vezes, a menos que seja                um caso de vida ou morte. Desiste, n\u00e9? Meu pai tem uma secret\u00e1ria                eletr\u00f4nica com rolos enormes, que nem James Garner em <em>Arquivo                Confidencial<\/em>. Mas de uns tempos pra c\u00e1 ele parou de deixar                a secret\u00e1ria ligada. Agora o telefone j\u00e1 tocou trinta                vezes. Julia n\u00e3o escuta nada l\u00e1 no s\u00f3t\u00e3o                transformado em quarto, porque &#8220;Don\u2019t you want me?&#8221;, do                Human League, est\u00e1 tocando num volume ensurdecedor. <em>Quarenta<\/em> vezes. Minha m\u00e3e n\u00e3o escuta nada porque a m\u00e1quina                de lavar roupa entrou em seu ciclo fren\u00e9tico e ela est\u00e1                passando o aspirador na sala. <em>Cinq\u00fcenta <\/em>vezes. Isso                n\u00e3o \u00e9 normal. E se o meu pai foi estra\u00e7alhado                por um caminh\u00e3o na rodovia M5 e a pol\u00edcia s\u00f3                conseguiu esse telefone do escrit\u00f3rio porque todos os outros                documentos dele queimaram? Desse jeito a gente pode perder a \u00faltima                oportunidade de ver nosso pai carbonizado no hospital.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A\u00ed eu entrei no escrit\u00f3rio, pensando na noiva entrando                no quarto do Barba Azul mesmo tendo recebido ordens de n\u00e3o                fazer isso. (Mas era isso mesmo que o Barba Azul esperava, claro.)                O escrit\u00f3rio do meu pai tem cheiro de notas de libra: um                pouco de papel, um pouco de metal. Como as cortinas estavam fechadas,                parecia ser noite, e n\u00e3o dez da manh\u00e3. Tem um rel\u00f3gio                muito s\u00e9rio na parede, exatamente igual aos rel\u00f3gios                muito s\u00e9rios nas paredes da escola. Tem uma foto do meu pai                apertando a m\u00e3o de Craig Salt quando meu pai virou diretor                regional de vendas da rede de supermercados Greenland (nunca entendi                o que a Groenl\u00e2ndia tem a ver com supermercados). Em cima                da mesa de a\u00e7o fica o computador ibm do meu pai. Esses ibms                custam <em>milhares <\/em>de libras. O telefone do escrit\u00f3rio                \u00e9 vermelho que nem os aparelhos das linhas especiais pra                emerg\u00eancias nucleares, e tem bot\u00f5es que voc\u00ea                aperta em vez de usar um disco como nos telefones normais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A\u00ed eu respirei fundo, peguei o telefone e falei nosso n\u00famero.                Pelo menos isso eu consigo dizer sem travar. Quase sempre.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas a pessoa no outro lado da linha n\u00e3o disse nada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2014 Al\u00f4? \u2014 eu falei. \u2014 Al\u00f4?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A pessoa sugou o ar, como se tivesse se cortado com uma folha                de papel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2014 Est\u00e1 me ouvindo? Eu n\u00e3o estou ouvindo voc\u00ea.                <em>Bem <\/em>ao fundo, reconheci a m\u00fasica de <em>Vila S\u00e9samo<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2014 Se voc\u00ea est\u00e1 me ouvindo \u2014 lembrei de um document\u00e1rio                da Children\u2019s Film Foundation onde isso acontece \u2014, d\u00e1 uma                pancadinha no telefone, uma s\u00f3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o ouvi pancadinha nenhuma, s\u00f3 a m\u00fasica de                <em>Vila S\u00e9samo<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2014 Acho que voc\u00ea ligou pro n\u00famero errado \u2014 falei, meio                em d\u00favida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um nen\u00ea come\u00e7ou a chorar e a\u00ed bateram o telefone.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando as pessoas ficam escutando, fazem um barulho de escutar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se <em>eu <\/em>escutei esse barulho, ent\u00e3o elas <em>me <\/em>escutaram.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">* * *<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Quem est\u00e1 na chuva \u00e9 para se ensopar&#8221;,                como a srta. Throckmorton ensinou pra gente h\u00e1 <em>s\u00e9culos<\/em>.                Como eu meio que tinha um motivo pra ter entrado no quarto proibido,                dei uma olhada pelas frestas da veneziana fininha do meu pai. Enxerguei                as terras da igreja, a \u00e1rvore antiga e os pastos que se estendiam                at\u00e9 as colinas Malvern. Fazia uma manh\u00e3 muito clara,                com c\u00e9u gelado e crostas brancas nas colinas, mas pro meu                azar nenhum sinal de neve espessa. A cadeira girat\u00f3ria do                meu pai lembra muito a cadeira na torre de laser da Millenium Falcon<em>. <\/em>Fiquei mandando bala no c\u00e9u lotado de MiGs russos que                sobrevoavam as colinas Malvern. Em pouco tempo dezenas de milhares                de pessoas entre aqui e Cardiff deviam a vida a mim. As terras da                igreja estavam tomadas de fuselagens retorcidas e asas cobertas                de negro. Eu atirava nos pilotos sovi\u00e9ticos com dardos tranq\u00fcilizantes                assim que eles se ejetavam das aeronaves. Nossos fuzileiros limpariam                a sujeira com vassouras. Eu recusaria todas as medalhas. &#8220;Obrigado,                mas n\u00e3o aceito, obrigado&#8221;, eu diria pra Margaret Thatcher                e Ronald Reagan quando viessem aqui em casa, convidados por minha                m\u00e3e, &#8220;eu s\u00f3 estava fazendo o meu trabalho.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Meu pai tem um apontador sensacional preso na escrivaninha. Os                l\u00e1pis ficam t\u00e3o pontudos que serviriam at\u00e9                pra perfurar um colete \u00e0 prova de balas. Os l\u00e1pis                H s\u00e3o os preferidos do meu pai, porque ficam mais pontudos.                Eu prefiro os 2B.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tocaram a campainha. Coloquei a veneziana do jeito que estava antes,                conferi se n\u00e3o tinha deixado nenhum rastro da minha passagem,                escapuli e desci a escada correndo pra ver quem era. Arrisquei a                vida pulando os \u00faltimos seis degraus num \u00fanico salto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Era o Mongol, sorridente e espinhento como sempre. Mas o bigodinho                dele tem ficado mais grosso. \u2014 Voc\u00ea nem imagina!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2014 O qu\u00ea?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2014 Sabe o lago da floresta?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2014 O que tem ele?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2014\u00c9 que \u2014Mongol conferiu se algu\u00e9m estava ouvindo                \u2014 ele <em>congelou <\/em>todinho! Metade dos garotos da cidade foi                pra l\u00e1. \u00c9 ou n\u00e3o \u00e9 <em>matador?<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2014 Jason! \u2014 minha m\u00e3e surgiu da cozinha. \u2014 Voc\u00ea est\u00e1                deixando o frio entrar! Convide o Dean para dentro<em>&#8230; ol\u00e1,                Dean<\/em>&#8230; ou feche essa porta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2014 H\u00e3&#8230; vou dar uma sa\u00edda, m\u00e3e.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2014<em> H\u00e3&#8230; <\/em>para onde?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2014 Vou tomar um pouco de ar fresco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi um erro estrat\u00e9gico. \u2014 O que voc\u00ea est\u00e1                tramando?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eu queria dizer &#8220;nada&#8221;, mas o Carrasco resolveu me impedir.                \u2014 E por que eu ia tramar alguma coisa? \u2014 tentei n\u00e3o encarar                os olhos dela enquanto vestia meu casaco de l\u00e3 azul-marinho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2014 Posso saber o que sua parca preta novinha fez para magoar voc\u00ea?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Continuei sem conseguir dizer &#8220;nada&#8221;. (A verdade \u00e9                que usar preto significa que voc\u00ea se acha casca-grossa. N\u00e3o                d\u00e1 pra esperar que adultos entendam isso.)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2014 \u00c9 que o meu casaco \u00e9 um pouco mais quente, s\u00f3                isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2014 O almo\u00e7o sai \u00e0 uma <em>em ponto<\/em>. \u2014 Minha m\u00e3e                voltou a trocar o saco do aspirador de p\u00f3. \u2014 Seu pai vem comer em casa. Ponha um gorro de l\u00e3, sen\u00e3o sua cabe\u00e7a vai congelar. Gorro de l\u00e3 \u00e9 coisa de bicha, mas posso enfiar no bolso depois que sair de casa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2014 At\u00e9 mais, senhora Taylor \u2014 disse o Mongol.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2014 At\u00e9, Dean \u2014 respondeu minha m\u00e3e. Ela nunca gostou do Mongol.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Gabriel Innocentin?i\n Jason Taylor tem um conhecimento especial do mundo: ele \u00e9 gago. Ser gago aos 13 anos \u00e9 especialmente dram\u00e1tico&#8230;\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/07\/27\/menino-de-lugar-nenhum-david-mitchell\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":32,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[9],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9251"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/32"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9251"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9251\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":40655,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9251\/revisions\/40655"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9251"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9251"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9251"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}