{"id":9237,"date":"2011-07-26T19:11:55","date_gmt":"2011-07-26T22:11:55","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=9237"},"modified":"2024-03-05T09:26:44","modified_gmt":"2024-03-05T12:26:44","slug":"cd-the-king-is-dead-decemberists","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/07\/26\/cd-the-king-is-dead-decemberists\/","title":{"rendered":"Cr\u00edtica: &#8220;The King is Dead&#8221;, Decemberists"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-9239\" title=\"decemberists\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/07\/decemberists.jpg\" alt=\"\"><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>por Marcelo Costa<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Decemberists come\u00e7ou 2011 surpreendendo. \u201cThe King is Dead\u201d, seu sexto \u00e1lbum, caiu na internet em dezembro do ano passado e mesmo assim, quando foi lan\u00e7ado em janeiro, vendeu impressionantes 94 mil c\u00f3pias em uma semana colocando o grupo de Portland, Oregon, no topo da parada da Billboard (o disco ganhou s\u00f3 agora, em julho, edi\u00e7\u00e3o nacional limitada via Livraria Cultura), feito que nomes incensados no cen\u00e1rio independente como Vampire Weekend e Arcade Fire tamb\u00e9m conseguiram alcan\u00e7ar recentemente, com uma diferen\u00e7a: seus \u00e1lbuns (\u201cContra\u201d e \u201cThe Suburbs\u201d, respectivamente) eram sequencias naturais na carreira dos dois grupos enquanto \u201cThe King is Dead\u201d \u00e9 um rompimento com \u201cThe Hazards of Love\u201d, o dif\u00edcil e bonito \u00e1lbum imediatamente anterior, uma \u00f3pera rock &#8211; dividida em v\u00e1rias partes &#8211; que mais confundiu do que seduziu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cTodo mundo saiu da toca para falar como \u2018The Hazards of Love\u2019 soava exagerado\u201d, analisou Colin Meloy em uma entrevista ao site Pitchfork p\u00f3s-lan\u00e7amento de \u201cThe King is Dead\u201d. E fez uma bel\u00edssima analogia: \u201c\u2019The Hazards of Love\u2019 parece uma namorada que voc\u00ea apresenta para a fam\u00edlia, e todo mundo diz que gosta dela, mas quando voc\u00eas terminam, eles comentam: &#8216;Eu a odiava&#8217; ou &#8216;Voc\u00ea \u00e9 muito melhor sem ela&#8217;\u201d. Bastou o disco transformar-se em patinho feio na discografia da banda para que Colin Meloy o colocasse na estante como preferido, um m\u00e9todo cl\u00e1ssico de defesa art\u00edstica paternal que serve para que alguns ainda desbravem o territ\u00f3rio desafiador do disco anterior.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"The Decemberists - The King Is Dead (Available Everywhere January 18, 2011)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Hh50rpjU1iY?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se seu quinto filho \u00e9 visto como rebelde, Colin Meloy n\u00e3o precisa se preocupar nem um pouco com o sexto. \u201cThe King is Dead\u201d (homenagem atravessada ao melhor disco dos Smiths, \u201cThe Queen is Dead\u201d, de 1986 \u2013 Colin Meloy n\u00e3o confirma, e n\u00e3o desmente) foi gravado em um celeiro de uma fazenda nas redondezas de Portland, e soa lindamente simples. Colin agarra-se \u00e0s ra\u00edzes da m\u00fasica tradicional buscando soar atemporal. \u00c9 como se o compositor olhasse para toda a hist\u00f3ria da m\u00fasica norte-americana e dissesse: vou fazer a minha vers\u00e3o. O p\u00fablico aprovou de imediato o \u00e1lbum, as vendas se aqueceram e dezenas de shows ficaram sold-out na turn\u00ea que se seguiu ao lan\u00e7amento do disco \u2013 com shows que mantinham o padr\u00e3o Decemberists de esquisitice: em Columbus, Ohio, por exemplo, a banda abriu a noite com a rara su\u00edte \u201cThe Tain\u201d, uma can\u00e7\u00e3o de 18 minutos (lan\u00e7ada como EP pelo selo Kill Rock Stars).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda que \u201cThe King is Dead\u201d seja um objeto de rara beleza, n\u00e3o deixa de ser estranho encontr\u00e1-lo no topo das paradas de sucessos. \u00c9 verdade que o p\u00fablico norte-americano ama o folk e o country, mas o que o folk e o country de Colin Meloy t\u00eam a dizer \u00e0s massas? O que fez quase 100 mil pessoas abrir a carteira e pagar por um disco como \u201cThe King is Dead\u201d? Uma aposta: as influ\u00eancias. Quando era adolescente, Colin Meloy ganhou de seu tio, que estava na faculdade, uma fita cassete com can\u00e7\u00f5es de uma banda local. Como sobrou um espa\u00e7o no lado b da fita, o tio gravou cinco can\u00e7\u00f5es de bandas indies em sequ\u00eancia e essas can\u00e7\u00f5es mudaram a vida de Colin Meloy apresentando-lhe um mundo repleto de possibilidades: \u201cSuperman\u201d, do R.E.M., \u201cI Will Dare\u201d, do Replacements, \u201cHardly Getting Over It\u201d, do Husker D\u00fc, uma do Guadalcanal Diary (banda de Athens, terra do R.E.M.) e \u201cThe Queen Is Dead\u201d, dos Smiths. Boa parte dessas cinco can\u00e7\u00f5es ecoam de alguma forma em \u201cThe King is Dead\u201d \u2013 sendo o R.E.M. a influencia mais evidente.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"The King Is Dead - Video Preview #2 (Available Everywhere January 18)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/UvydOQACMzM?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cNo come\u00e7o das grava\u00e7\u00f5es percebemos que havia duas m\u00fasicas que pareciam muito R.E.M. e sentimos que dev\u00edamos apenas admitir que est\u00e1vamos usando ideias deles convidando Peter Buck para tocar\u201d, explicou a multi-instrumentista Jenny Conlee em entrevista ao site The Line of Best Fit. Poucas vezes na hist\u00f3ria da m\u00fasica voc\u00ea ver\u00e1 uma banda assumindo deliberadamente uma influ\u00eancia, dizendo que se sentiu copiando algo de outra banda, e a maneira como Decemberists lida com a situa\u00e7\u00e3o apenas traduz algo que est\u00e1 no \u00e2mago de qualquer compositor, mas que muitos relutam profundamente em admitir: as bandas e\/ou artistas que ele ama exercem uma influencia natural sobre o que ele comp\u00f5e. \u00c9 algo t\u00e3o enraizado na alma quanto o modo dos pais criarem os filhos e os traumas de inf\u00e2ncia que definem personalidades. Ele (eu e voc\u00ea) \u00e9 fruto de tudo que ele viveu, aprendeu e sentiu dos primeiros anos de vida at\u00e9 a adolesc\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Peter Buck toca em tr\u00eas das dez can\u00e7\u00f5es de \u201cThe King is Dead\u201d. A primeira delas, \u201cDon&#8217;t Carry It All\u201d abre o disco com Colin Meloy entregando a nova fase logo na primeira frase da can\u00e7\u00e3o: \u201cAqui chegamos a uma mudan\u00e7a de esta\u00e7\u00e3o\u201d \u2013 a voz \u00e9 precedida por uma nota grave de harm\u00f4nica que transporta o Decemberists que pagava tributo ao folk europeu nos \u00faltimos discos de volta aos Estados Unidos do in\u00edcio do s\u00e9culo 20, com imigrantes irlandeses transformando a Am\u00e9rica em sua nova casa. O arranjo de \u201cDon&#8217;t Carry It All\u201d ainda traz (al\u00e9m de guitarra, baixo e bateria) acordeom, violino, bouzouki (uma viola greco irlandesa), os backing fortes de Gillian Welch e Dave Rawlings al\u00e9m, claro, do bandolim de Peter Buck, que surge em um break emocionante no meio da can\u00e7\u00e3o remetendo diretamente ao trecho final de \u201cLosing My Religion\u201d (e as duas can\u00e7\u00f5es n\u00e3o poderiam ser mais diferentes \u2013 em clima e tem\u00e1tica).<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"The King is Dead - Video Preview #3 (Available Everywhere January 18)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Fo1lokHr6A0?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cCalamity Song\u201d, a segunda m\u00fasica de \u201cThe King is Dead\u201d, \u00e9 a prov\u00e1vel melhor can\u00e7\u00e3o que o R.E.M. n\u00e3o fez em seus tr\u00eas primeiros \u00e1lbuns. Ap\u00f3s Colin Meloy dar o start da m\u00fasica no viol\u00e3o e come\u00e7ar a cantar o sonho que teve sobre o final dos tempos, ali pelos 40 segundos, Peter Buck dispara um riff t\u00e3o cristalino na guitarra que imediatamente remete a resenha do \u00e1lbum \u201cReckoning\u201d, na NME, em 1983: &#8220;No c\u00e9u, anjos n\u00e3o est\u00e3o mais tocando harpas, mas rickenbakers. E est\u00e3o tocando can\u00e7\u00f5es do R.E.M.&#8221;. Inspirado pelo livro \u201cInfinite Jest\u201d, de David Foster Wallace, Colin Meloy narra a hist\u00f3ria de um casal em um cen\u00e1rio de cat\u00e1strofe em que a Calif\u00f3rnia \u00e9 partida pela famosa Falha de Santo Andr\u00e9, a Andaluzia se mistura com o Nebraska, um menino panamenho \u00e9 encontrado ao lado de uma imperatriz vi\u00fava e o personagem avisa: \u201cNa estrada, \u00e9 aconselh\u00e1vel que voc\u00ea siga o seu pr\u00f3prio caminho\u201d. De prefer\u00eancia mastigando Ambien (um forte sedativo que tem caracter\u00edsticas hipn\u00f3ticas e \u00e9 usado no combate \u00e0 ins\u00f4nia).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A for\u00e7a do vocal de Colin Meloy surge rasgando a poeira em \u201cRise To Me\u201d, quase um libelo musical-nacionalista em que o l\u00edder do Decemberists canta com toda for\u00e7a que tem nos pulm\u00f5es que ir\u00e1 defender sua terra. A guitarra steel conduzida por Chris Funk transporta o ouvinte para o meio dos anos 70, e a imagem de Gram Parsons sendo carregado pelos amigos para ser enterrado no deserto se cristaliza. A veia folk aberta pela can\u00e7\u00e3o anterior tem sequencia com \u201cRox In The Box\u201d \u2013 em que o acordeom de Jenny Conlee pede passagem no refr\u00e3o enquanto Chris Funk cria a melodia da can\u00e7\u00e3o no bouzouki \u2013 e com a delicadeza (econ\u00f4mica no arranjo, l\u00edrica at\u00e9 n\u00e3o poder mais) de \u201cJanuary Hymn\u201d, em que o personagem da letra tenta lembrar \u201cquais foram as palavras que eu quis dizer antes dela partir?\u201d para citar Beatles (\u201cTalvez eu deva \u2018Let It Be\u2019 e talvez tudo volte para mim\u201d) na can\u00e7\u00e3o que, metaforicamente, fecha o lado A do vinil \u201cThe King is Dead\u201d.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Visual Companion Piece to The King Is Dead Deluxe Box Edition\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/1CpZm-nr5Dc?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para abrir o lado B, a primeira can\u00e7\u00e3o do \u00e1lbum a ser liberada para download gratuito ainda em novembro de 2010: \u201cDown By The Water\u201d, a terceira do disco com participa\u00e7\u00e3o de Peter Buck, uma m\u00fasica forte e densa em que o (bel\u00edssimo) backing de Gillian Welch refor\u00e7a a tens\u00e3o na voz de Colin Meloy (amparada pela melancolia da harm\u00f4nica, que chora na introdu\u00e7\u00e3o de cada estrofe, e remete a algo de Neil Young &#8211; talvez &#8220;Heart of Gold&#8221;, outra grande influ\u00eancia do \u00e1lbum). Ap\u00f3s a tempestade de \u201cDown By The Water\u201d, o clima de \u201cThe King is Dead\u201d retorna para um saloon do velho oeste com \u201cAll Arise!\u201d, que traz Chris Funk no banjo e Annalisa Tornfelt no fiddle (o tradicional violino com sotaque irland\u00eas) sob uma letra que avisa logo no come\u00e7o: \u201cBaby quer uma nova rodada, baby quer um cora\u00e7\u00e3o partido\u201d para terminar implorando repetidamente: \u201cBasta ser minha esta noite\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cJune Hymn\u201d \u00e9 uma irm\u00e3 ainda mais bonita de \u201cJanuary Hymn\u201d. Jenny Conlee divide-se entre o acordeom, o piano e o wurlitzer enquanto Colin Meloy sola na gaita e dedilha seu viol\u00e3o para cantar (acompanhado de Gillian Welch \u2013 a nova deusa do country norte-americano participa de sete can\u00e7\u00f5es de \u201cThe King is Dead\u201d) uma can\u00e7\u00e3o que declara seu amor \u00e0 chegada do ver\u00e3o em Springville Hill, que provavelmente fica em Beaverton (perto de Portland), mas poderia ser em Cleveland (que tamb\u00e9m tem uma Springville Hill. Cleveland foi fundada em 1796 perto da foz do Rio Cuyahoga \u2013 n\u00e3o \u00e0 toa, em uma das primeiras apresenta\u00e7\u00f5es ao vivo neste ano, na r\u00e1dio KCRW, o Decemberists fez uma cover de \u201cCuyahoga\u201d, a can\u00e7\u00e3o do R.E.M.), pois pode ser estendida \u00e0 chegada do ver\u00e3o em qualquer cidade. Um exemplo: \u201cOuvir essa m\u00fasica me coloca em um humor t\u00e3o bom. Eu sei que os Decemberists s\u00e3o yankees de algum lugar do norte, l\u00e1 em cima, onde n\u00e3o antes de junho os brotos nascem e o inverno se vai de uma forma t\u00edmida. Aqui no sul, no entanto, \u00e9 em mar\u00e7o e abril que tudo acontece\u201d, escreveu a escritora Cathy Wood, colunista de jornais no Alabama, Mississippi e Tennessee.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"June Hymn - Live at MFNW (Portland, OR - September, 2010)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/1vcyunW0g5c?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cThe King is Dead\u201d est\u00e1 chegando ao fim e \u201cThis Is Why We Fight\u201d, segundo single do \u00e1lbum, mant\u00e9m a caracter\u00edstica densa de \u201cDown By The Water\u201d (interessante a op\u00e7\u00e3o da banda em liberar como single as duas can\u00e7\u00f5es mais &#8220;dif\u00edceis&#8221; do \u00e1lbum). Colin Meloy convoca a guerra, a avareza, o inferno e o fedor dos ossos para justificar: \u201c\u00c9 por isso que n\u00f3s lutamos. \u00c9 por isso que ficamos acordados\u201d. Mas n\u00e3o sozinho. No decorrer da letra, o personagem encontra sua noiva, e termina \u201cThis Is Why We Fight\u201d pedindo para que ela o enlace \u201cem dire\u00e7\u00e3o ao inferno\u201d. Para a \u00faltima can\u00e7\u00e3o, uma balada triste em que o personagem da letra observa \u201cDear Avery\u201d sozinho, acenando, morto na videira e termina clamando para que ele volte para casa. E \u00e9 isso. &#8220;The King is Dead\u201d re\u00fane 10 can\u00e7\u00f5es em 40 minutos de m\u00fasica e ganhou edi\u00e7\u00f5es especiais (\u00e0 venda no site oficial), a mais luxuosa contendo CD, vinil branco de 180 gramas, DVD com um document\u00e1rio de 30 minutos sobre as grava\u00e7\u00f5es, um livro de 72 p\u00e1ginas com ilustra\u00e7\u00f5es de Carson Ellis (muher de Colin Meloy) e fotografias de Autumn de Wilde.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para fugir do folk brit\u00e2nico que havia assombrado seus \u00faltimos discos, Colin Meloy decidiu fazer um disco de alt-country extremamente tradicionalista, mas n\u00e3o cedeu um mil\u00edmetro que fosse \u00e0 tend\u00eancia country norte-americana de usar o desleixo como artif\u00edcio para validar uma poss\u00edvel situa\u00e7\u00e3o de naturalidade. A produ\u00e7\u00e3o de \u201cThe King is Dead\u201d \u00e9 delicada, mas n\u00e3o abre espa\u00e7o para o descuido. Tudo est\u00e1 onde deveria estar &#8211; com perfei\u00e7\u00e3o. Em \u201cThe King is Dead\u201d, o Decemberists paga tributo a Neil Young, Byrds, Bruce Springsteen, Wilco e, principalmente, R.E.M. com um disco reverente, e ao mesmo tempo pessoal. Colin Meloy consegue caminhar com seguran\u00e7a na linha que separa a homenagem da c\u00f3pia. Em um mundo onde o novo praticamente n\u00e3o existe (e, segundo o grande jornalista Simon Reynolds, no qual vivemos um per\u00edodo de retromania, em que o passado amea\u00e7a a criatividade do futuro), o Decemberists pega tudo aquilo que o influenciou desejando transformar esse conhecimento em algo atual (com tudo que a tecnologia permite). O resultado \u00e9 um daqueles grandes discos atemporais que poderiam ter sido gravados em qualquer \u00e9poca, mas que para sorte de alguns ganhou \u00e0s lojas em janeiro de 2011 (e os computadores em dezembro de 2010). Ou seja, se voc\u00ea ainda n\u00e3o ouviu, ainda d\u00e1 tempo. Mesmo porque o Decemberists, no auge de seu sucesso, anunciou f\u00e9rias. Sabe-se l\u00e1 o que vir\u00e1 pela frente&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-9238 aligncenter\" title=\"king\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/07\/king.jpg\" alt=\"\"><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">&#8211; Marcelo Costa (<a href=\"http:\/\/twitter.com\/screamyell\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">@screamyell<\/a>) \u00e9 editor do Scream &amp; Yell e assina a <a href=\"..\/2011\/07\/blog\/\">Calmantes com Champagne<\/a><\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n&#8211; The Decemberists ao vivo em Columbus, Ohio, 2011, por Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2011\/04\/24\/the-decemberists-ao-vivo-em-ohio\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; &#8220;Always The Bridesmaid, Single Series&#8221;, The Decemberists, por Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2008\/11\/25\/always-the-bridesmaid-a-singles-series-the-decemberists\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; &#8220;The Crane Wife&#8221;, The Decemberistis, por Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2006\/10\/16\/disco-da-semana-10\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Entrevista com Jenny Conlee para o The Line of Best Fit, por Erik Thompson (<a href=\"http:\/\/www.thelineofbestfit.com\/2011\/01\/tlobf-interview-the-decemberists\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Entrevista com Colin Meloy para o AV Club, por Amanda Petrusich (<a href=\"http:\/\/www.avclub.com\/articles\/colin-meloy-of-the-decemberists,50141\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Entrevista com Colin Meloy para o Pitchfork, por Larry Fitzmaurice (<a href=\"http:\/\/pitchfork.com\/features\/interviews\/7930-the-decemberists-colin-meloy\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; How Decemberists\u2019 Lovely Song Makes Me Think of Alabama in April, por Cathy Wood (<a href=\"http:\/\/cathylwood.wordpress.com\/2011\/04\/02\/summer-comes-to-springville-hill-or-how-the-decemberists-lovely-song-makes-me-think-of-alabama-in-april\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Marcelo Costa\nColin Meloy paga tributo a suas influ\u00eancias em um grande disco atemporal que poderia ter sido gravado em qualquer \u00e9poca. \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/07\/26\/cd-the-king-is-dead-decemberists\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9237"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9237"}],"version-history":[{"count":24,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9237\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":80288,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9237\/revisions\/80288"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9237"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9237"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9237"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}