{"id":92363,"date":"2025-11-02T23:51:10","date_gmt":"2025-11-03T02:51:10","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=92363"},"modified":"2025-11-19T10:18:15","modified_gmt":"2025-11-19T13:18:15","slug":"critica-imagine-dragons-ao-vivo-em-sp-ou-uma-verdade-inconveniente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/11\/02\/critica-imagine-dragons-ao-vivo-em-sp-ou-uma-verdade-inconveniente\/","title":{"rendered":"Cr\u00edtica: Imagine Dragons ao vivo em SP \u2013 ou \u201cUma Verdade Inconveniente\u201d"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>texto de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/caro.davii\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Davi Caro<\/a><br \/>\nfotos de <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/irisalvesc\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Iris Alves<\/a> \/ Live Nation<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Qualquer um pode se surpreender ao perceber que j\u00e1 se v\u00e3o mais de 10 anos desde a primeira passagem do Imagine Dragons pelo Brasil, na edi\u00e7\u00e3o de 2014 do Lollapalooza Brasil. E muito mudou desde ent\u00e3o \u2013 ou n\u00e3o: por um lado, a banda originada em Las Vegas era, ent\u00e3o, um quarteto, escalado em uma noite onde os headliners eram Nine Inch Nails e Muse, divulgando seu primeiro disco, \u201cNight Visions\u201d (2012). A sonoridade apresentada no palco, por sua vez, era vista pela m\u00eddia especializada com interesse, ainda que com certa dose de ceticismo. Dan Reynolds (vocais), Wayne Sermon (guitarra), Ben McKee (baixo) e Daniel Platzman (bateria) mostraram empenho, dedica\u00e7\u00e3o e entrega, e come\u00e7aram, ali, a solidificar um la\u00e7o de afeto com o Brasil que s\u00f3 faria se estreitar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Corta para 2025. Sete visitas depois, o grupo, que desembarcou no Brasil para uma s\u00e9rie de shows em est\u00e1dios em divulga\u00e7\u00e3o de seu sexto \u00e1lbum, \u201cLoom\u201d (2024) \u2013 tendo passagens por Belo Horizonte, Bras\u00edlia e S\u00e3o Paulo, ap\u00f3s ter marcado presen\u00e7a no Rock In Rio do ano passado \u2013 e aterrissou no est\u00e1dio do Morumbi na noite de Halloween, dia 31\/10 (com outro show marcado para o mesmo local no dia seguinte), parecia determinado a mostrar mudan\u00e7as, amadurecimento. De fato, a aus\u00eancia de Platzman (que deixou a banda ainda antes das grava\u00e7\u00f5es do disco mais recente) certamente deve ter sido sentida pelos admiradores mais ardorosos. E, realmente, a propor\u00e7\u00e3o atingida pelo agora trio indica um crescimento vertiginoso em dire\u00e7\u00e3o ao topo do mainstream: basta ligar o r\u00e1dio hoje em dia, ou frequentar uma academia, para testemunhar o qu\u00e3o inescap\u00e1veis as can\u00e7\u00f5es da banda se tornaram, para o bem ou para o mal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s uma curta, por\u00e9m correta e apaixonada apresenta\u00e7\u00e3o da Lagum (que soltaram seu \u00faltimo disco, \u201cAs Cores, as Curvas e as Dores do Mundo\u201d, neste mesmo 2025), a apresenta\u00e7\u00e3o dos headliners come\u00e7ou, pontualmente, \u00e0s 21hs. Efeitos de luz, tel\u00f5es gigantes e anima\u00e7\u00f5es extravagantes anteciparam a entrada dos membros \u2013 com o percussionista Andrew Tolman \u2013 frente a um est\u00e1dio completamente lotado. Foi impressionante a devo\u00e7\u00e3o e a paix\u00e3o dos f\u00e3s em rela\u00e7\u00e3o aos m\u00fasicos, e, em especial, ao frontman. Dan Reynolds, ali\u00e1s, parece saber exatamente o que seus admiradores esperam, e n\u00e3o perde tempo em entregar: j\u00e1 na faixa de abertura, \u201cFire In These Hills\u201d, o cantor percorre a passarela que o leva ao meio do p\u00fablico (lugar onde, ali\u00e1s, ele passa a maior parte da apresenta\u00e7\u00e3o) de shorts e sem camisa, exibindo o corpo musculoso que o transformou em sex symbol. E a participa\u00e7\u00e3o do p\u00fablico \u00e9 not\u00e1vel: j\u00e1 em \u201cThunder\u201d, a segunda faixa, o coro da audi\u00eancia p\u00f4de ser ouvido quase t\u00e3o alto quanto os pr\u00f3prios instrumentos, sen\u00e3o mais.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-92366 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/imagine2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/imagine2.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/imagine2-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Voltando ao qu\u00e3o inescap\u00e1veis as m\u00fasicas do Imagine Dragons s\u00e3o: talvez ningu\u00e9m seja t\u00e3o bom em preparar can\u00e7\u00f5es ao mesmo tempo t\u00e3o grudentas, e t\u00e3o pouco memor\u00e1veis. Olhar o setlist de uma apresenta\u00e7\u00e3o da banda pode n\u00e3o chamar a aten\u00e7\u00e3o simplesmente pelo nome das faixas. \u201cWhatever It Takes\u201d, por outro lado, \u00e9 uma das primeiras vezes (de muitas) onde \u00e9 evocada esta familiaridade que, por acaso ou de prop\u00f3sito, parece um pouco for\u00e7ada. Igualmente for\u00e7ada, ali\u00e1s, \u00e9 a perpetua\u00e7\u00e3o de determinados clich\u00eas que j\u00e1 se tornaram lugar comum: o curto set ac\u00fastico que os quatro realizam no meio da apresenta\u00e7\u00e3o, do centro da arena (na ponta da passarela que Reynolds tem como seu habitat natural) \u00e9 pensado claramente com a inten\u00e7\u00e3o de gerar a sensa\u00e7\u00e3o de proximidade do p\u00fablico. E mesmo assim, eles sentem a necessidade de ir al\u00e9m. Descendo do palco e caminhando em meio ao p\u00fablico mais de uma vez, o frontman parece precisar reafirmar constantemente sua humildade, seja agradecendo a Deus, ou repetindo exaustivamente seu amor pelos f\u00e3s. Neste \u00faltimo quesito, diga-se de passagem, a repeti\u00e7\u00e3o de \u201cI love you, Brazil\u201d ou \u201cI love you, S\u00e3o Paulo\u201d \u00e9 exaustiva a ponto de levar \u00e0 d\u00favida. Mas os f\u00e3s, cativados pelo carisma do cantor e pela musicalidade competente, embora nada marcante, dos membros da banda, parecem pouco, ou nada, se importar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O retorno ao set regular segue t\u00e3o protocolar quanto a primeira parte: Ben McKee se limita a poucos backing vocals enquanto se at\u00e9m a uma performance correta no baixo. Wayne Sermon se sobressai um pouco mais, alternando entre guitarras, teclados e viol\u00f5es ao mesmo tempo em que esbanja qu\u00edmica com o vocalista (quando este \u00faltimo comete um erro durante a execu\u00e7\u00e3o de \u201cIt\u2019s Time\u201d, durante o j\u00e1 citado set ac\u00fastico). Embora n\u00e3o seja um membro oficial, Andrew Tolman sabe cumprir seu papel com \u00eaxito, principalmente em faixas mais \u201cbomb\u00e1sticas\u201d. \u201cBad Liar\u201d e \u201cWake Up\u201d d\u00e3o sequ\u00eancia ao set, enquanto \u201cRadioactive\u201d, al\u00e9m de trazer de volta o sentimento de familiaridade for\u00e7ada pela super-exposi\u00e7\u00e3o radiof\u00f4nica, tamb\u00e9m surpreende por incluir um duelo de baterias entre Tolman e Dan Reynolds, como se o ouvinte subitamente devesse se sentir transportado para um show do Genesis. Entret\u00e9m, por\u00e9m n\u00e3o deixa de ser estranho.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-92367 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/imagine4.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/imagine4.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/imagine4-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O trecho final do set de 23 can\u00e7\u00f5es alterna entre baladas confund\u00edveis e singles radiof\u00f4nicos compostos com a precis\u00e3o de um m\u00edssil anti-a\u00e9reo. Reynolds retorna ao p\u00fablico com \u201cSharks\u201d, e tenta evocar certo n\u00edvel de intimidade em \u201cEyes Closed\u201d. \u00c9 claro que \u00e9 um pouco complicado querer transmitir qualquer intimismo em um est\u00e1dio completamente cheio, com telas gigantescas que exibem efeitos 3D e anima\u00e7\u00f5es que devem envelhecer t\u00e3o bem quanto vinho barato, mas nada disso importa para os admiradores do grupo. O que interessa, no fim das contas, \u00e9 cantar a plenos pulm\u00f5es junto com \u201cEnemy\u201d e \u201cBirds\u201d, at\u00e9 o esperado encerramento com \u201cBeliever\u201d \u2013 uma can\u00e7\u00e3o feita sob medida para aqueles que querem praticar esteira, ou para coaches motivacionais que produzem conte\u00fado para redes sociais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Longe de questionar o empenho do grupo em criar um espet\u00e1culo que entret\u00e9m, diverte e emociona (algo alcan\u00e7ado com honras, a julgar pelos sorrisos vistos em meio \u00e0 multid\u00e3o que deixava o Morumbi na noite de sexta), a real indaga\u00e7\u00e3o \u00e9 outra: qual o impacto da m\u00fasica, esta forma de arte ao mesmo tempo t\u00e3o necess\u00e1ria e t\u00e3o maltratada, nesta conjuntura? E \u00e9 a\u00ed que mora a grande verdade inconveniente que o Imagine Dragons transpira, talvez sem querer, ao longo das cerca de suas duas horas de show: n\u00e3o \u00e9 sobre a m\u00fasica, e sim sobre uma experi\u00eancia que pouco, ou nada, tem a ver com esta. \u00c9 sobre grandes esferas infl\u00e1veis jogadas sobre o p\u00fablico, sobre fogos de artif\u00edcio que arrancam aplausos, sobre holofotes que apontam para o c\u00e9u, e visuais de fazer inveja a grandes produ\u00e7\u00f5es de Hollywood. \u00c9 sobre poder se entregar a uma esp\u00e9cie de cinema ao ar livre, com a m\u00fasica como coadjuvante, por pouco mais de 120 minutos, apenas para poder se esquecer da experi\u00eancia algumas horas depois. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel, e nem cab\u00edvel, culpar o Imagine Dragons, em uma apresenta\u00e7\u00e3o feita para agradar a todos (e, neste sentido, bastante apol\u00edtica), sem ponderar a contrapartida desta proposta. Em uma super-produ\u00e7\u00e3o onde o principal \u2013 a m\u00fasica \u2013 toma o papel de coadjuvante, despir esta de toda sua pompa e extravag\u00e2ncia traz, inevitavelmente, o confronto com o vazio que a turba que lotou o Morumbi ao longo de dois dias quis, em sua maioria, esquecer. A ilus\u00e3o, quase sempre, \u00e9 uma ben\u00e7\u00e3o. E a ignor\u00e2ncia tamb\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-92365 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/imagine3.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/imagine3.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/imagine3-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u2013<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=4cfQaQO-YD4\">\u00a0Davi Caro<\/a>\u00a0\u00e9 professor<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=4cfQaQO-YD4\">,<\/a>\u00a0tradutor, m\u00fasico, escritor e estudante de Jornalismo. Leia mais textos dele\u00a0<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/author\/davi-caro\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\u00c9 sobre poder se entregar a uma esp\u00e9cie de cinema ao ar livre, com a m\u00fasica como coadjuvante, por pouco mais de 120 minutos, apenas para poder se esquecer da experi\u00eancia algumas horas depois.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/11\/02\/critica-imagine-dragons-ao-vivo-em-sp-ou-uma-verdade-inconveniente\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":134,"featured_media":92364,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[7972],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/92363"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/134"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=92363"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/92363\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":92368,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/92363\/revisions\/92368"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/92364"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=92363"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=92363"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=92363"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}