{"id":92301,"date":"2025-10-29T13:21:33","date_gmt":"2025-10-29T16:21:33","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=92301"},"modified":"2025-11-11T09:35:18","modified_gmt":"2025-11-11T12:35:18","slug":"entrevista-fernando-catatau-relembra-historias-da-carreira-e-adianta-detalhes-e-feats-do-proximo-disco-solo-que-sai-em-2026","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/10\/29\/entrevista-fernando-catatau-relembra-historias-da-carreira-e-adianta-detalhes-e-feats-do-proximo-disco-solo-que-sai-em-2026\/","title":{"rendered":"Entrevista: Fernando Catatau conta hist\u00f3rias da carreira e adianta detalhes e feats do pr\u00f3ximo disco, que sai em 2026"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista de <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/danilosouza.jornalismo\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Danilo Souza<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/fernandocatatau\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Fernando Catatau<\/a> \u00e9 um nome emblem\u00e1tico da m\u00fasica brasileira do s\u00e9culo 21. \u00c0 frente do Cidad\u00e3o Instigado, Catatau aproximou o rock e a psicodelia da m\u00fasica nordestina e do rom\u00e2ntico brega sem desmerecer nenhum dos estilos. Como sideman, participou de discos (e turn\u00eas) importantes de Karina Buhr, Arnaldo Antunes, Otto (dif\u00edcil imaginar o hoje cl\u00e1ssico \u201cCerta Noite Acordei de Sonhos Intranquilos\u201d sem sua presen\u00e7a) e Ju\u00e7ara Mar\u00e7al, entre tantos, at\u00e9 encerrar o cap\u00edtulo Cidad\u00e3o Instigado com o \u00e1lbum \u201cFortaleza\u201d (2015) e se lan\u00e7ar solo com \u201cFernando Catatau\u201d, de 2022.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre 1998, quando lan\u00e7ou o EP de estreia do Cidad\u00e3o Instigado, e esse 2025 em que o m\u00fasico finaliza as can\u00e7\u00f5es de seu vindouro segundo disco solo, muita coisa aconteceu. E pensar que a proximidade de Catatau com a m\u00fasica se deu devido a \u201claudo de morte\u201d errado: \u201cMinha m\u00e3e me levou para um m\u00e9dico que me deu s\u00f3 mais tr\u00eas meses de vida\u201d, relembra o artista cearense. Catatau, que j\u00e1 tinha tentado tocar, e desistido, e tinha virado bodyboarder, colocou a prancha de lado e se aproximou do viol\u00e3o. Para al\u00edvio geral, o laudo m\u00e9dico havia sido trocado, e cansado de Fortaleza, Fernando Catatau mudou-se para S\u00e3o Paulo iniciando a hist\u00f3ria do Cidad\u00e3o Instigado em 1996.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Catatau voltou a passar uma temporada em Fortaleza como um cidad\u00e3o comum e fez as pazes com a cidade. Ele elogia o vigor da cena local, com a qual se sente amplamente conectado, enquanto abre o cora\u00e7\u00e3o para paix\u00f5es musicais variadas que podem ir da rainha do forr\u00f3 Eliane e da rainha do sertanejo Mar\u00edlia Mendon\u00e7a at\u00e9 Kali Uchis, Rihanna e Slipmami. Fixado novamente na capital paulista, ele revela que fez as pazes com a guitarra, que est\u00e1 pensando muito em dan\u00e7a e que seu novo disco est\u00e1 bem encaminhado: \u201cPosso adiantar que \u00e9 um disco que tem muitas parcerias. Tem Jadsa, Ju\u00e7ara Mar\u00e7al, Mateus Fazeno Rock, Edson Van Gogh, uma galera\u2026\u201d. Leia a entrevista completa a seguir.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Outra Dimens\u00e3o - Fernando Catatau e Isadora Stevani\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/cPE3UQQCjKA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Fernando, voc\u00ea tem uma carreira de quase tr\u00eas d\u00e9cadas na m\u00fasica, isso pegando s\u00f3 a partir da sua banda, a Cidad\u00e3o Instigado, que nasceu em 1996. Em que momento voc\u00ea se percebeu um artista e como decidiu dedicar sua vida \u00e0 arte?<\/strong><br \/>\nQuando teve o primeiro Rock in Rio (em 1985), que passou no Brasil inteiro e foi televisionado com v\u00e1rias e v\u00e1rias bandas, foi a primeira vez que eu tive contato com o rock e isso mexeu muito comigo, porque naquela \u00e9poca o rock era voc\u00ea ser rebelde. [No primeiro Rock In Rio] veio Ozzy Osbourne, Iron [Maiden], Queen\u2026 teve muita coisa de bandas que s\u00e3o at\u00e9 hoje os cl\u00e1ssicos do rock, e quando eu vi aquilo, disse: \u201ceu quero fazer isso!\u201d. Foi um caminho que comecei a perseguir na minha vida quando eu era bem novinho. Minha m\u00e3e me deu uma guitarra e eu comecei a tentar tocar, cheguei a ter uma bandinha quando era bem novo mesmo, com uns 14 anos, que se chamava \u201cUltraleve\u201d, mas, na realidade, n\u00e3o consegui aprender a tocar e eu era muito ruim. E desisti, parei de tocar e fui andar de skate. Depois virei bodyboarder e passei um ano surfando, eu at\u00e9 competia, passava o dia no mar. Teve uma \u00e9poca que comecei a tossir muito e minha m\u00e3e me levou para um m\u00e9dico e nessa ida recebi um exame que me deu s\u00f3 mais tr\u00eas meses de vida. Ela resolveu levar para outro m\u00e9dico, que percebeu que era um exame errado e de outra pessoa, eu era atleta e n\u00e3o fazia sentido morrer em tr\u00eas meses\u2026 mas a\u00ed parei de surfar e comecei a andar com a galera que era mais da m\u00fasica, peguei o viol\u00e3o e voltei a tocar enquanto estava de cama. Na minha cabe\u00e7a, esse foi o come\u00e7o da minha religa\u00e7\u00e3o com a m\u00fasica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea vem de Fortaleza, uma cidade marcada por uma diversidade sonora. Tem reggae, forr\u00f3, rock\u2026 como essa mistura de estilos, n\u00e3o s\u00f3 de Fortal, mas da regi\u00e3o Nordeste como um todo, influenciou na sua forma de fazer m\u00fasica?<\/strong><br \/>\nCara, tudo que a gente vive influencia de alguma maneira. Eu era do forr\u00f3, amo at\u00e9 hoje a Eliane, a rainha do forr\u00f3, ela \u00e9 uma das cantoras que mais amo na vida, sabe? Isso est\u00e1 na minha vida e na minha m\u00fasica at\u00e9 hoje. Tem rock pela minha escolha como roqueiro, mas pode botar reggae, m\u00fasica eletr\u00f4nica, pode botar (qualquer) estilo a\u00ed, gosto de muita coisa, mas a minha raiz \u00e9 de cancioneiro rom\u00e2ntico, tipo Roberto Carlos, Bart\u00f4 Galeno, essa \u00e9 a minha parada. Acho que faz muito parte do meu passado. O pr\u00f3prio forr\u00f3 p\u00e9 de serra, a galera do Par\u00e1 tamb\u00e9m\u2026 era uma mistura muito louca. Nos anos 70, em Fortaleza, voc\u00ea escutava tudo que vinha do Par\u00e1, a guitarrada j\u00e1 fazia parte da nossa cultura. Passei muito tempo querendo ser roqueiro, essa \u00e9 a realidade, e acho que encerrei isso no [disco] \u201cFortaleza\u201d (do Cidad\u00e3o Instigado), sabe? Hoje curto muito mais pop, escuto at\u00e9 grime e piro nesses rol\u00eas, e ao mesmo tempo gosto, sei l\u00e1, da [rapper] Slipmami, gosto de <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/10\/17\/tres-shows-this-is-marilia-mendonca-nando-reis-egberto-gismonti\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Mar\u00edlia Mendon\u00e7a<\/a>\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Cidad\u00e3o Instigado, inclusive, \u00e9 um bom exemplo dessa fus\u00e3o de diversos estilos. Voc\u00eas trazem a psicodelia, o rock e elementos da cultura nordestina, como a m\u00fasica rom\u00e2ntica \u2013 ou \u201cbrega\u201d \u2013 na sonoridade da banda. Como foi essa ideia de se unir com outros m\u00fasicos e desenvolver o projeto?<\/strong><br \/>\nTeve essa mudan\u00e7a na minha vida que foi muito importante e que me levou para a m\u00fasica. Sempre acho que foi um golpe do destino. Mesmo. Chegou esse \u201claudo de morte\u201d para mim e, enfim, comecei a me dedicar \u00e0 banda. Tive uma primeira banda, que era a Companhia Blue, que era formada por mim, Junior Boca, R\u00e9gis Damasceno e Hamilton, baterista da \u00e9poca, e a gente ficou junto quatro anos nessa banda. Em 1994 entrei numas que queria ir embora para S\u00e3o Paulo. Fui de \u00f4nibus para morar no interior, em Tatu\u00ed, passei um m\u00eas, n\u00e3o aguentei e voltei (pra Fortaleza). Foi tipo uma derrota, sabe? Voltei supermal. Depois consegui convencer o Boca de n\u00f3s dois irmos para S\u00e3o Paulo. Chegamos l\u00e1 e n\u00e3o sab\u00edamos nem onde \u00e9 que \u00edamos morar! Chegamos na rodovi\u00e1ria, abrimos um cat\u00e1logo telef\u00f4nico, escolhemos um lugar, uma pousada e nossa trajet\u00f3ria come\u00e7ou assim. Dois meses depois, o Boca voltou para Fortaleza e eu fiquei em S\u00e3o Paulo e foi a\u00ed que come\u00e7ou o Cidad\u00e3o Instigado, j\u00e1 que quando ele foi embora, a nossa banda, que era o Companhia Blue, acabou e eu comecei a compor as m\u00fasicas do Cidad\u00e3o Instigado. O Cidad\u00e3o nasce da minha sa\u00edda de Fortal e com essas hist\u00f3rias de um cearense em S\u00e3o Paulo. E a partir da\u00ed come\u00e7o a compor e fico em S\u00e3o Paulo, em 1994, no Rio, em 1995, e 1996 volto pra Fortaleza e monto a banda.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Fernando Catatau - Completamente apaixonado (part. Yma)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/25aUPViJRac?list=PL0UW4Lo6AFrLdbnRgrPjgNIJOgpvIZ6VK\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2022\/06\/13\/entrevista-fernando-catatau-fala-de-seu-primeiro-disco-solo-fortaleza-samba-guitarra-e-cidadao-instigado\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Em uma entrevista aqui para o Scream &amp; Yell<\/a>, no ano de lan\u00e7amento do seu disco solo, voc\u00ea comentou que foi importante se reconectar \u00e0 Fortaleza tanto para sua vida pessoal quanto para clarear as ideias desse \u00e1lbum, trazendo at\u00e9 uma influ\u00eancia do samba e do reggae ap\u00f3s voltar para Fortal. E como anda sua rela\u00e7\u00e3o com a cidade hoje em dia?<\/strong><br \/>\nSe voc\u00ea me perguntasse h\u00e1 uns 15 anos se eu voltaria para Fortaleza para viver l\u00e1, diria \u201cDeus me livre, n\u00e3o quero mais voltar para l\u00e1 nunca mais\u201d. Essa era a minha resposta de sempre, porque n\u00e3o me conectava com as pessoas da cena musical. Sa\u00ed de l\u00e1 por causa de muitos embates que tive e com meus sonhos, porque queria tamb\u00e9m alcan\u00e7ar v\u00e1rios outros lugares. Essa minha volta para Fortaleza foi se tornando quase uma necessidade para mim e ela rolou muito depois, no per\u00edodo do [disco] \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2010\/02\/24\/lafayette-lulina-e-cidadao-instigado\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Uhuuu!<\/a>\u201d [lan\u00e7ado em 2009], e que pra mim foi um disco muito marcante porque era um momento que muitas coisas estavam loucas na minha vida. Comecei a me reconectar, a conhecer novas pessoas em Fortaleza, ir pra l\u00e1 para passar f\u00e9rias\u2026 comecei a curtir mais estar l\u00e1, mas sempre com um p\u00e9 atr\u00e1s. De repente comecei a ver uma cena foda, os artistas com uma conex\u00e3o muito maior do que eu acreditava e era uma galera mais nova. Pensei: \u201ccaramba, cara, quero estar perto dessa galera!\u201d, porque j\u00e1 estava muito cansado em S\u00e3o Paulo, quase entrei num tilt morando l\u00e1, n\u00e3o estava feliz e fui me reconectando com Fortaleza. A\u00ed a gente gravou o \u201cFortaleza\u201d e lan\u00e7amos em 2015.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois do disco, a gente fez um show de comemora\u00e7\u00e3o de 20 anos da banda e convidei o Felipe Hirsch, que \u00e9 um diretor de teatro, para dirigir o show. Ele ouviu todos os nossos discos e chegou para nossa primeira reuni\u00e3o falando sobre o que ele tinha pensado: \u201ccara, a hist\u00f3ria j\u00e1 est\u00e1 contada do primeiro at\u00e9 o \u00faltimo \u00e1lbum\u201d. A\u00ed foi a primeira vez que eu consegui visualizar o que tinha feito do come\u00e7o at\u00e9 chegar ao \u201cFortaleza\u201d, sabe? Encerrei o meu rol\u00ea e o que eu tinha para falar como Cidad\u00e3o Instigado. Come\u00e7ou com o [disco] \u201cCiclo Da D\u00ea.Cad\u00eancia\u201d, quando eu sa\u00ed de Fortaleza e eu passei todas essas coisas, tipo, 20 anos, contando hist\u00f3rias muito pessoais minhas com os meus amigos e com toda a minha galera, e quando chegou no \u201cFortaleza\u201d percebi que n\u00e3o tenho mais nada para falar sobre essas coisas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como voc\u00ea enxerga a recep\u00e7\u00e3o do p\u00fablico e da cr\u00edtica em rela\u00e7\u00e3o ao seu trabalho solo? Voc\u00ea sente que as pessoas conseguiram \u201cseparar\u201d o Catatau do Cidad\u00e3o Instigado?<\/strong><br \/>\nAcho que as minhas expectativas eram grandes com o meu disco solo, que n\u00e3o chegou em tantos cantos por todo o cen\u00e1rio\u2026 lancei ele logo depois da pandemia e as coisas ainda estavam se construindo de novo e se reconectando ali. Foi um pouco frustrante, mas ao mesmo tempo foi muito bom, fez parte mesmo do destino do disco, sei l\u00e1. Talvez foi da minha parte tamb\u00e9m que n\u00e3o divulguei tanto. A pandemia, para mim, foi muito pesada e fiquei pirado da cabe\u00e7a com medo de tudo, acho que tive medo at\u00e9 de me colocar como artista novamente, no caso um artista solo. Fiquei sem saber se eu ia usar Fernando Catatau ou Catatau, se ia usar meu nome\u2026 entrei numa crise existencial mesmo e por isso que voltei para Fortal. Esse disco \u00e9 uma retomada da minha ess\u00eancia e da minha exist\u00eancia mesmo. Quando cheguei em Fortal, todo mundo ficou \u201ccaralho, Catatau vai morar aqui!\u201d, a\u00ed de repente se passou um ano e eu fui de um \u201ccidad\u00e3o instigado\u201d pro \u201ccidad\u00e3o comum\u201d e isso foi muito importante para me colocar como uma pessoa que faz outras coisas, que n\u00e3o sou s\u00f3 eu, Fernando Catatau, do Cidad\u00e3o Instigado, guitarrista, enfim. Ent\u00e3o foi muito importante zerar o jogo e recome\u00e7ar porque eu j\u00e1 n\u00e3o estava mais satisfeito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E o que voc\u00ea destaca de diferente no processo de compor para uma banda e compor sozinho? Na banda tem aquele lance de \u201cprecisar de aprova\u00e7\u00e3o\u201d dos outros membros, n\u00e9? Se sentiu mais livre no projeto solo?<\/strong><br \/>\nCara, \u00e9 bem diferente. A gente tem uma afinidade muito grande, a maioria se conhece desde adolescente, ent\u00e3o estamos juntos h\u00e1 muitos anos, tivemos outras bandas, tocamos juntos com v\u00e1rios artistas, n\u00e3o s\u00f3 no Cidad\u00e3o Instigado, sempre estivemos muito conectados e teve um momento que precisei me desconectar disso. Fiquei inclusive tentando achar estilos e fiquei t\u00e3o em crise que toda hora inventava uma coisa diferente. \u201cAh, vou fazer um disco estilo Cear\u00e1 anos 70\u201d e depois j\u00e1 mudava \u201cvou fazer n\u00e3o sei o qu\u00ea\u201d, a\u00ed acabou que saiu v\u00e1rios fragmentos dessa minha indecis\u00e3o no disco inteiro. Ele caminha por v\u00e1rios cantos. Tem m\u00fasicas que eu fiz pensando como pensaria um Rodger Rog\u00e9rio, outras fiz j\u00e1 pensando no pop, porque escutava muito Kali [Uchis] e Rihanna, a\u00ed sa\u00ed costurando todas as coisas que eu ia escutando. O reggae tamb\u00e9m, porque Fortaleza tem uma cultura reggae muito forte e \u00e9 uma cultura da periferia, ent\u00e3o tem uns passinhos e toda essa parada, que \u00e9 uma coisa que me chegou novamente, esse lance da dan\u00e7a. Para mim, hoje em dia a dan\u00e7a \u00e9 uma das coisas mais importantes da minha vida, por mais que eu n\u00e3o saiba dan\u00e7ar direito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea comentou comigo antes que j\u00e1 est\u00e1 com o segundo disco pronto pra lan\u00e7ar no ano que vem. O que voc\u00ea pode adiantar pra gente?<\/strong><br \/>\nAcabei de gravar um disco novo, ele est\u00e1 pronto e vou lan\u00e7ar at\u00e9 ano que vem (2026). Comecei a mexer em m\u00e1quinas, baterias eletr\u00f4nicas, sampler\u2026 e pirei! Ao mesmo tempo, voltei a gostar de guitarra, ent\u00e3o estou conseguindo juntar tudo, entendeu? Esse meu afastamento da guitarra, do Cidad\u00e3o e de todas essas coisas do rock me trouxe outras coisas que somaram para o que eu j\u00e1 tinha e ainda chegou a guitarra de volta. Tenho estudado canto h\u00e1 um temp\u00e3o, ent\u00e3o tenho me sentido muito melhor cantando. Antigamente era um sofrimento e hoje consigo cantar confort\u00e1vel. E para esse segundo disco, acho que cheguei em outros cantos que eu j\u00e1 queria alcan\u00e7ar. Posso adiantar que \u00e9 um disco que tem muitas parcerias. Tem <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/07\/07\/entrevista-as-muitas-vozes-de-jadsa-em-big-buraco\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Jadsa<\/a>, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/08\/01\/tres-shows-mateus-fazeno-rock-pelos-jucara-marcal\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Ju\u00e7ara Mar\u00e7al<\/a>, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/08\/01\/tres-shows-mateus-fazeno-rock-pelos-jucara-marcal\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Mateus Fazeno Rock<\/a>, Edson Van Gogh, uma galera a\u00ed\u2026 \u00e9 um disco que fiz meio pensando em dan\u00e7a, mas nas minhas dan\u00e7as, n\u00e3o na dan\u00e7a dos outros. Porque eu n\u00e3o sei fazer passinho, n\u00e3o sei fazer nada dessas coisas, mas acho meu jeito. Eu fiz beats tamb\u00e9m, v\u00e1rias coisas nesses rol\u00eas mais eletr\u00f4nicos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A cena mudou muito desde o final dos anos 90 e in\u00edcio dos anos 2000, quando o Cidad\u00e3o Instigado estava dando os primeiros passos. Qual a sua opini\u00e3o sobre esse cen\u00e1rio na m\u00fasica independente hoje? Mudou para melhor?<\/strong><br \/>\nFortaleza tem uma cena absurda! Tem o Mateus Fazeno Rock, o Get\u00falio Abelha, que j\u00e1 \u00e9 conhecido, tem muita gente\u2026 S\u00e3o muitos estilos e muitos caminhos e sou suspeito de falar, porque sou realmente f\u00e3, voltei para Fortal por causa dessa galera. Agora consigo me conectar mentalmente, musicalmente e artisticamente, me sinto feliz de fazer parte disso, porque sei que eu sou um cara mais velho mas que n\u00e3o estou do lado de fora, entendeu? Me comunico com a galera, a gente troca ideia, comp\u00f5e junto, faz as paradas\u2026 Acho que Fortaleza t\u00e1 num momento incr\u00edvel!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como voc\u00ea gostaria de ser lembrado dentro da m\u00fasica brasileira?<\/strong><br \/>\nO diferencial que eu tenho \u00e9 o meu jeito de fazer. Durante muitos anos me incomodei comigo mesmo e com meu jeito de cantar, sempre achava que era um sacrif\u00edcio muito grande. Lembro do primeiro show que eu fiz com o Cidad\u00e3o e, quando terminei, a primeira pessoa que veio falar disse \u201cesse teu sonho \u00e9 muito doido, mas tu devia arrumar um cantor\u201d e olhei pra ele e respondi \u201ceu n\u00e3o vou arrumar, n\u00e3o, vou cantar eu mesmo, porque tu n\u00e3o manda em mim\u201d (risos). E foi assim que eu segui. E dentro disso acho que consegui chegar numa personalidade minha, porque cantava desafinado, com a voz comprimida, me esfor\u00e7ando, me esgoelando, mas ia! \u00c9 voc\u00ea n\u00e3o ser t\u00e3o perfeito e conseguir passar o que voc\u00ea quer de verdade. \u00c9 muito foda algu\u00e9m chegar e me escrever \u201ccara, essa tua m\u00fasica aqui me tirou de v\u00e1rios momentos de depress\u00e3o\u201d, isso \u00e9 a coisa mais importante. O lance de eu fazer um disco para Fortaleza tamb\u00e9m, hoje vejo um monte de gente amando a cidade, sabe? Isso a\u00ed \u00e9 um rol\u00ea que eu penso porque eu gosto, ent\u00e3o vou fazendo.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"&quot;Lembranc\u0327as que Guardei&quot; - Ju\u00e7ara Mar\u00e7al part. Fernando Catatau\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/P8rqFFdGDG4?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Fernando Catatau + Ju\u00e7ara Mar\u00e7al + Mateus Fazeno Rock @ Centro da Terra (17.10.2022)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/kEc2b1SvfCk?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Mateus Fazeno Rock e Fernando Catatau - Do Harlem a Cajazeiras @ Casa Natura Musical, SP - 19\/7\/2024\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/bmMaX49D5mc?list=PL6gBQKY5zwa1Vdd633tPGZrzS1sviu6BL\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Cidad\u00e3o Instigado e J\u00fapiter Ma\u00e7\u00e3 - Rock In Rio\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/W_7XpcCe5bc?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"O Som do Vinil  - Cidad\u00e3o Instigado\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/sCHu78UTGHQ?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u2013 Danilo Souza \u00e9 estudante de jornalismo da UESB (Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia). Acompanhe seu trabalho em\u00a0<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/danilosouza.jornalismo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">instagram.com\/danilosouza.jornalismo<\/a>\/. A foto que abre o texto \u00e9 de <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/isastevani\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Isa Stevani<\/a><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"&#8220;Acabei de gravar um disco novo, ele est\u00e1 pronto e vou lan\u00e7ar at\u00e9 ano que vem (2026). 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