{"id":92232,"date":"2025-10-27T00:01:59","date_gmt":"2025-10-27T03:01:59","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=92232"},"modified":"2025-11-10T10:47:14","modified_gmt":"2025-11-10T13:47:14","slug":"entrevista-hugo-mariutti-conta-sobre-seu-disco-novo-this-must-be-wrong-e-fala-de-shaman-radiohead-e-emicida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/10\/27\/entrevista-hugo-mariutti-conta-sobre-seu-disco-novo-this-must-be-wrong-e-fala-de-shaman-radiohead-e-emicida\/","title":{"rendered":"Entrevista: Hugo Mariutti conta sobre seu disco novo, \u201cThis Must Be Wrong\u201d, e fala de Shaman, Radiohead e Emicida"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/lage.guilherme66\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Guilherme Lage<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em \u201cHeaven\u201d, primeira faixa de seu novo disco solo, \u201c<a href=\"https:\/\/onerpm.link\/hm-thismustbewrong\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">This Must Be Wrong<\/a>\u201d (2025), <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/hugomariutti\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Hugo Mariutti<\/a> canta: \u201cyou don\u2019t know how long I\u2019ve waited for you\u201d (voc\u00ea n\u00e3o sabe quanto tempo eu esperei por voc\u00ea). A frase poderia ser cantada por f\u00e3s do m\u00fasico, que aguardavam ansiosos pelo sucessor de \u201cThe Last Dance\u201d, lan\u00e7ado em 2023.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hugo \u00e9 uma verdadeira entidade do metal brasileiro. Como guitarrista do Shaman, alcan\u00e7ou sucesso internacional no in\u00edcio dos anos 2000. O quase supergrupo nascido da dissolu\u00e7\u00e3o da forma\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica do Angra rendeu frutos quase impens\u00e1veis para o g\u00eanero no Brasil naquela d\u00e9cada. Tamb\u00e9m foi respons\u00e1vel pelas seis cordas na carreira solo do camarada Andre Matos, at\u00e9 seu tr\u00e1gico falecimento em 2019. Mas para muito al\u00e9m de cabelo comprido e riffs en\u00e9rgicos, Hugo \u00e9 um verdadeiro amante de m\u00fasica, em suas mais variadas vertentes e express\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O gosto foi tomado naturalmente, talvez por empunhar desde cedo uma guitarra para palhetadas viscerais no thrash metal quando era apenas um adolescente, o adquirido com o tempo, por meio de seu trabalho como compositor de trilhas sonoras. A verdade \u00e9 que essa versatilidade se mostra claramente em \u201cThis Must be Wrong\u201d, onde o m\u00fasico d\u00e1 sequ\u00eancia em uma tradi\u00e7\u00e3o que o acompanha em sua carreira solo, com sonoridades fincadas no rock brit\u00e2nico, passando por influ\u00eancias de post-punk a dream pop.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As guitarras d\u00e3o as caras, \u00f3bvio, mas o instrumento n\u00e3o \u00e9 debulhado em um dedilhar fren\u00e9tico. H\u00e1 uma constru\u00e7\u00e3o sens\u00edvel e confort\u00e1vel em torno do trabalho instrumental. O m\u00fasico lida com sentimentos \u00edntimos e expostos, inclusive tratando do \u201cpecado\u201d de descansar, n\u00e3o fazer nada. Abaixo, ele conta um pouco disso tudo!<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Hugo Mariutti - Heaven (Official Video)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/HH7JA0ROmMU?list=OLAK5uy_lUUpUZrnMHNu6k1FhyUnBAlKqVZ4rdvOg\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Antes de mais nada, eu gostei bastante do disco. O t\u00edtulo, \u201cThis Must Be Wrong\u201d, me chamou aten\u00e7\u00e3o, porque fiquei pensando que h\u00e1 coisas na vida que a gente sempre para e pensa: ser\u00e1 que isso est\u00e1 acontecendo mesmo? Para bem ou para o mal. E voc\u00ea transita por alguns sentimentos diferentes no disco. Foi essa a sua ideia? De transmitir esse pensamento de \u201cser\u00e1 que isso est\u00e1 acontecendo mesmo?\u201d<\/strong><br \/>\n\u00c9 um pouco disso, mas acho que a maior inspira\u00e7\u00e3o pra esse t\u00edtulo e para a letra da m\u00fasica \u00e9 o lance que sempre me pego pensando, que \u00e0s vezes, um dia em que voc\u00ea est\u00e1 em casa sem fazer muita coisa, que voc\u00ea para e a\u00ed voc\u00ea se cobra a fazer alguma coisa. Voc\u00ea para e pensa: \u201cPutz, eu n\u00e3o estou sendo produtivo\u201d. \u00c9 meio essa loucura que a gente vive, que a gente tem que estar toda hora fazendo algo pra sentir que est\u00e1 produzindo alguma coisa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E quando eu vi a foto que essa artista tirou, ela postou numa p\u00e1gina no Instagram, eu seguia ela. Eu vi a foto e me deu exatamente a impress\u00e3o: uma cadeira na praia com uma pessoa e os passos como se as pessoas estivessem saindo, indo embora. \u00c9 como se aquela pessoa que est\u00e1 parada ali na praia estivesse fazendo uma coisa errada, porque estava todo mundo indo embora, ent\u00e3o achei que casava bem com a letra e o assunto que eu queria falar. E\u00a0tamb\u00e9m casa com o lance do disco, porque tamb\u00e9m tem v\u00e1rios momentos diferentes de letras, de coisas mais positivas e coisas negativas. Ent\u00e3o teve essa mistura toda e eu achei que era o nome mais legal pro disco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E voc\u00ea diria que ele \u00e9 uma progress\u00e3o l\u00f3gica do \u201cThe Last Dance\u201d? Porque eles sa\u00edram com dois anos de diferen\u00e7a um do outro e ainda que as m\u00fasicas sejam bem diferentes, d\u00e1 para notar que existe uma certa continuidade no trabalho. Voc\u00ea tem essa impress\u00e3o tamb\u00e9m?<\/strong><br \/>\nIsso \u00e9 engra\u00e7ado, porque \u00e9 uma coisa que voc\u00ea s\u00f3 vai perceber depois de o disco estar todo pronto, estar tudo gravado. (Mas) Sim, acho que \u00e9 uma continua\u00e7\u00e3o, mas com coisas a mais. Acho que entre as m\u00fasicas existe uma diferen\u00e7a maior de estilos, mas acho que \u00e9 uma continua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Acho que o disco mais parecido mesmo \u00e9 o primeiro, depois se tornou uma coisa que eu tento evoluir a cada disco, mas \u00e9 uma coisa que eu n\u00e3o penso. Mas quando voc\u00ea ouve o final disso, acaba remetendo mesmo a algumas coisas. Tem coisas at\u00e9 do primeiro mesmo que nesse disco meio que acabam voltando mais do que nos outros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Na m\u00fasica \u201cHeaven\u201d, voc\u00ea fala \u201cyou don\u2019t know how long I\u2019ve waited for you\u201d, que pode ser uma pessoa, pode ser algo, algum lugar no tempo. E\u201cYounger Man\u201d tamb\u00e9m me chamou aten\u00e7\u00e3o, talvez fosse voc\u00ea conversando com uma vers\u00e3o mais jovem de voc\u00ea mesmo ou com algu\u00e9m mais jovem realmente. Como \u00e9 o processo de cria\u00e7\u00e3o das letras? \u00c9 algo introspectivo mesmo ou que voc\u00ea faz e s\u00f3 depois vai ver o significado?<\/strong><br \/>\nAs letras s\u00e3o coisas mais pensadas, tipo \u201cYounger Man\u201d, putz, eu sou um cara que sempre estudei muito esse assunto. Fiz faculdade de Geografia, mas n\u00e3o sou formado, fiz at\u00e9 o \u00faltimo ano. E eu sempre fui muito interessado no assunto do Oriente M\u00e9dio, sempre fui atr\u00e1s dessas coisas, do que a gente est\u00e1 vendo que est\u00e1 acontecendo atualmente na Palestina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 como se eu estivesse vendo uma pessoa exatamente. Tem um menino que eu sigo no Instagram, porque ele toca o ala\u00fade, na Palestina. E eu vejo a afli\u00e7\u00e3o dele, o que est\u00e1 acontecendo com ele e foi uma inspira\u00e7\u00e3o. Foi como eu olhar para um menino muito mais novo e como se eu estivesse realmente conversando com ele, ele me relatando um pouco sobre o que ele est\u00e1 passando ali.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi uma coisa que me chamou muito a aten\u00e7\u00e3o, ver ele tocando ala\u00fade em meio aos escombros. Eu comprei um ala\u00fade e usei no disco em algumas coisas. Quando o vi tocando, e tocando para caramba, percebi que por tr\u00e1s daquilo tem uma hist\u00f3ria muito triste acontecendo e eu quis expressar isso especificamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O disco, assim como os outros, tem uma levada que lembra post-punk e tamb\u00e9m uma pegada que eu n\u00e3o diria nem britpop, mas dream pop mesmo, algo do in\u00edcio dos anos 90. Como voc\u00ea se interessou por esse tipo de m\u00fasica? Porque a gente sempre te associou a um cara mais ligado ao metal. Como voc\u00ea entrou em contato com essa m\u00fasica?<\/strong><br \/>\nSempre fui um cara que ouviu muitas coisas diferentes, eu tive muitas \u00e9pocas na minha vida. Comecei muito cedo a tocar em banda, e eu tinha uma banda de thrash metal no come\u00e7o. Com 15 anos a gente j\u00e1 tocava em v\u00e1rios lugares aqui em S\u00e3o Paulo. Depois eu passei pra uma banda que mesclava rock progressivo antigo mesmo, com uma coisa mais metal, depois passei pelo Shaman, mas eu sempre fui ouvindo coisas muito diferentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E, cara, esse lance todo ingl\u00eas sempre foi o tipo de m\u00fasica que eu mais gostei. Se for parar pra pensar, as bandas do Reino Unido sempre foram as bandas que me chamaram mais aten\u00e7\u00e3o. Esse lance, n\u00e3o \u00e9 nem do britpop, porque acho que o Radiohead n\u00e3o \u00e9 nem do britpop, mas foi uma banda que gostei muito. Eu j\u00e1 conhecia a banda, e quando ouvi o \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2009\/02\/11\/ok-computer-um-disco-fundamental\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Ok, Computer<\/a>\u201d, quando saiu, foi uma coisa que me fez mudar muita coisa, ir para outras coisas, buscar outras coisas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 engra\u00e7ado que muita gente <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/07\/04\/a-volta-do-oasis-nao-e-apenas-sobre-musica\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">associava o meu som ao Oasis<\/a> por causa do meu corte de cabelo numa \u00e9poca (risos). Mas se voc\u00ea for reparar, eu tenho muito mais influ\u00eancia de outras bandas do que do Oasis, que \u00e9 uma banda que eu gosto bastante, mas se for pensar mesmo, New Order, Joy Division, The Cure, o pr\u00f3prio Radiohead, Pulp, um monte de banda, \u00e9 um estilo que mais escuto, ent\u00e3o fica natural fazer isso.<\/p>\n<figure id=\"attachment_92235\" aria-describedby=\"caption-attachment-92235\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-92235\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/hugo3.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/hugo3.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/hugo3-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-92235\" class=\"wp-caption-text\"><em>Hugo Mariutti \/ Foto de Rick Rocha<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Gosto muito de artistas que se desafiam em outras coisas. Por exemplo, gosto muito de um artista chamado Greg Puciato, que \u00e9 conhecido s\u00f3 por cantar, mas nos discos solo ele experimenta com v\u00e1rios instrumentos. E no seu caso, que voc\u00ea \u00e9 uma pessoa muito associada \u00e0 guitarra, ver voc\u00ea tocando outros instrumentos e cantando tamb\u00e9m, isso \u00e9 uma coisa que te inspira a compor? \u201cVou fazer isso sozinho, algo que as pessoas n\u00e3o esperam de mim\u201d?<\/strong><br \/>\nNa verdade vai ser um pouco natural, porque eu j\u00e1 sei o que as pessoas esperam de mim (risos). Mas eu tamb\u00e9m trabalho com trilha sonora, ent\u00e3o fui trabalhando com outros instrumentos, com a voz. E nesse disco, o meu grande desafio mesmo foi cantar as m\u00fasicas, porque muitas m\u00fasicas estavam um pouco acima do tom que eu costumo cantar, mas eu n\u00e3o quis baixar o tom, porque \u00e0s vezes quando voc\u00ea abaixa o tom de uma m\u00fasica ela n\u00e3o fica t\u00e3o natural, do jeito que ela foi criada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ent\u00e3o tive muita preocupa\u00e7\u00e3o, treinei bastante as m\u00fasicas cantando. E \u00e9 o que voc\u00ea falou, pra mim \u00e9 um desafio, porque eu queria fazer algo que n\u00e3o costumo fazer. Nesse disco toquei ala\u00fade, vi algumas aulas na internet, treinei, comecei a tocar o neg\u00f3cio. S\u00e3o detalhes, mas sempre estou querendo fazer alguma coisa que eu n\u00e3o fiz, n\u00e3o para provar algo, mas porque acho legal, a cada disco voc\u00ea fazer algo diferente. Por mais que o estilo seja parecido, voc\u00ea sempre tem algo mais em rela\u00e7\u00e3o a algo que eu j\u00e1 havia lan\u00e7ado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea pode falar um pouquinho sobre seu trabalho com trilhas? Porque eu sempre achei algo extremamente desafiador, pra gente muito talentosa. Como voc\u00ea consegue dar uma identidade a uma trilha?<\/strong><br \/>\nEngra\u00e7ado, porque comecei muito tempo atr\u00e1s fazendo trilha pra publicidade, e \u00e9 uma escola que voc\u00ea aprende muita coisa, porque a cada dia voc\u00ea est\u00e1 lidando com uma coisa completamente diferente. Assim, se eu for contar nos dedos os anos que eu fiz trilha \u00e9 muito pouco perto de outros estilos que voc\u00ea acaba criando. O lance da publicidade te d\u00e1 essa oportunidade de conviver com v\u00e1rios estilos diferentes, aprender, e voc\u00ea tem que aprender mesmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Porque n\u00e3o \u00e9 assim: ah, isso \u00e9 f\u00e1cil. N\u00e3o \u00e9, porque cada estilo musical tem uma linguagem muito caracter\u00edstica e por mais que pare\u00e7a que n\u00e3o tem, quando voc\u00ea vai a fundo no neg\u00f3cio, que voc\u00ea faz, voc\u00ea pensa: puta, cara, t\u00e1 faltando alguma coisa. Algumas vezes, cara, a gente faz a trilha no escuro. Tipo para algum filme ou s\u00e9rie, o diretor quer algo em um algum estilo e a gente faz algo e depois com o filme voc\u00ea vai desenvolvendo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outras vezes vem o pedido: olha, a gente quer uma trilha desse jeito em tal parte. Voc\u00ea vai vendo o filme e vendo o que vai funcionar no estilo. Mas \u00e9 um processo que n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, mas legal, porque \u00e9 um desafio e te d\u00e1 essa experi\u00eancia com v\u00e1rios estilos. Eu j\u00e1 fiz trilha de funk, j\u00e1 fiz trilha de piseiro, com orquestra, ent\u00e3o voc\u00ea vai pegando essa manha de fazer coisas diferentes, o que \u00e9 muito legal pro seu desenvolvimento como m\u00fasico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E como voc\u00ea disse que teve uma banda de thrash metal quando era bem jovem ainda, e teve o Shaman, obviamente, tocou na banda do Andre. Eu imagino que o metal seja uma grande paix\u00e3o ainda, voc\u00ea tem algum projeto de metal engatilhado pro futuro?<\/strong><br \/>\nO Lu\u00eds (Mariutti) fez um projeto que toca \u00e0s vezes as m\u00fasicas do Shaman, do Angra, da carreira solo do Andre. \u00c9 um estilo que eu gosto muito de tocar, mas as coisas mais novas eu conhe\u00e7o muito pouco, pra ser sincero. Gosto das coisas mais antigas, ainda ou\u00e7o bastante, principalmente essa parte de thrash metal, gosto bastante, porque foi o estilo que eu comecei a escutar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas gosto de ver bandas novas tocando, principalmente no Brasil, que a gente tem uma leva de bandas muito legais, principalmente duas bandas formadas por mulheres, que s\u00e3o muito boas, a Nervosa e a Crypta, que s\u00e3o bandas que est\u00e3o despontando l\u00e1 fora, que fazem sucesso l\u00e1 fora e aqui. Acho que o Brasil tem muita coisa legal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas n\u00e3o \u00e9 um estilo que ou\u00e7o muito, gosto de conhecer, gosto de ouvir, acho coisas legais, e gosto muito de tocar, acho que tocar eu gosto mais do que escutar. Estamos fazendo esses shows, mas n\u00e3o tenho projeto de fazer m\u00fasica nova, coisas novas no metal nesse momento. Estou bem focado no meu trabalho solo, acho que \u00e9 o que estou mais investindo em termos de divulga\u00e7\u00e3o, de fazer show, esse tipo de coisa, porque acho que \u00e9 o que mais gosto de fazer acho que o \u00e1lbum merece uma boa divulga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E voc\u00ea falou agora da quest\u00e3o dos shows, uma coisa que sempre fico me perguntando, porque a internet facilitou muita coisa, mas dificultou muita coisa, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 divulga\u00e7\u00e3o de um projeto. Como voc\u00ea enxerga isso? Nessa quest\u00e3o de divulgar e produzir, porque voc\u00ea produziu sozinho o disco. Sendo um artista solo, principalmente, qual a diferen\u00e7a de ser um artista solo divulgando o pr\u00f3prio trabalho em rela\u00e7\u00e3o a uma banda?<\/strong><br \/>\nSempre falo que o bom de ser um artista solo \u00e9 que voc\u00ea consegue gerenciar todas as coisas, e o ruim de ser um artista solo \u00e9 que voc\u00ea tem que gerenciar todas as coisas (risos). Mas, cara, eu acho que realmente a minha maior dificuldade \u00e9 essa mesmo, de conseguir divulgar da maneira correta. Porque eu vim de uma \u00e9poca que a gente n\u00e3o era assim. O Shaman tinha uma grande gravadora, que divulgava, fazia tudo, e a gente era focado em produzir e tocar. Hoje em dia mesmo voc\u00ea tendo uma banda grande, voc\u00ea tem que aprender.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eu acho que estou muito longe de fazer um bom trabalho de divulga\u00e7\u00e3o. Tendo aprender, mas realmente \u00e9 o que tenho mais dificuldade. E acho que \u00e9 normal porque o volume de informa\u00e7\u00e3o que a gente tem hoje em dia \u00e9 muito grande, voc\u00ea se destacar em algo assim \u00e9 muito dif\u00edcil. \u00c9 o que eu falo, a internet tem muitas coisas legais, que \u00e9 voc\u00ea ter esse espa\u00e7o de divulgar o seu som, mas ao mesmo tempo o volume \u00e9 t\u00e3o grande que muitos trabalhos legais acabam ficando escondidos. Ent\u00e3o a gente tenta unir for\u00e7as, com a ForMusic, que o trabalho que ajuda bastante nesse quesito, unir for\u00e7as com os contatos que eu tenho e eles t\u00eam. \u00c9 realmente o ponto mais dif\u00edcil pra mim.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-92234 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/hugo2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"753\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/hugo2.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/hugo2-300x300.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/hugo2-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea disse que viu a foto da artista que te inspirou no t\u00edtulo do disco. Queria saber se voc\u00ea poderia falar um pouquinho sobre isso, que tipo de arte te inspira fora da m\u00fasica.<\/strong><br \/>\nCara, foi muito sem querer que aconteceu tudo isso. Na hora mandei uma mensagem pra ela perguntando quanto ela cobrava pra me deixar usar a imagem. Ela ficou super feliz, porque ela \u00e9 f\u00e3 do trabalho. Foi muito legal. (Mas) Eu tento consumir o m\u00e1ximo de filmes, livros, que eu consigo. A gente trabalha tanto, mas entrando no t\u00edtulo do disco mais uma vez (risos), que sobra pouco tempo pra voc\u00ea assistir a um filme, ler um livro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ent\u00e3o toda hora que eu consigo tento ler alguma coisa, assistir alguma coisa. As coisas que mais gosto de assistir ou ler s\u00e3o sobre geopol\u00edtica. Assisto muita coisa. Meu filho tem 15 anos, ent\u00e3o assisto com ele as coisas que ele gosta de assistir, pra estar com ele tamb\u00e9m. Nem sempre de geopol\u00edtica, de v\u00e1rios assuntos. Tento consumir o m\u00e1ximo que posso, pra ter inspira\u00e7\u00e3o pra escrever \u00e9 muito importante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E, cara, muita coisa que a gente vive ajuda muito tamb\u00e9m pra escrever, todas as coisas que a gente v\u00ea. Falei da \u201cYounger Man\u201d, coisas que a gente v\u00ea pela internet acabam nos inspirando a escrever. Acho que hoje em dia, com toda essa doideira que a gente vive a\u00ed no mundo, acho que assunto n\u00e3o falta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E como a gente falou, voc\u00ea tem uma bagagem musical bem diversa, eu fiquei curioso: tem algum tipo de som, de m\u00fasica que voc\u00ea ouve e as pessoas iam ficar surpresas? \u201cCaramba, o Hugo Mariutti ouve esse tipo de m\u00fasica\u201d?<\/strong><br \/>\nCara, com esse trabalho que tenho de trilha sonora eu realmente tenho que ouvir muitas coisas. Tenho que ouvir tudo, na verdade, at\u00e9 pra voc\u00ea aprender tamb\u00e9m, n\u00e9?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas tem coisa de hip hop que eu acho legal, talvez as pessoas nunca imaginariam que eu escutasse. Mas na minha p\u00e1gina no Instagram sempre posto algumas coisas. Nem posto nada de heavy metal, porque a maioria do pessoal que me segue \u00e9 do heavy metal ent\u00e3o j\u00e1 conhece a maioria daquelas coisas. Ent\u00e3o tento pegar algumas coisas que eu ou\u00e7o que n\u00e3o t\u00eam nada a ver com o que a maioria do p\u00fablico que me segue ouve, e posto pra ver se as pessoas acabam gostando.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tem muita coisa, eu gosto muito do Emicida, que acho que tem muitas coisas muito legais. O meu filho gosta muito de algumas coisas de trap, ent\u00e3o eu acabo escutando com ele. Acho que hoje em dia as pessoas nem se assustam mais, depois dos discos que eu lancei (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Muito obrigado, Hugo! Adorei o disco e espero que voc\u00ea venha algum dia aqui em Vila Velha ou Vit\u00f3ria pra poder ver ao vivo.<\/strong><br \/>\nP\u00f4, se n\u00e3o for tocar eu vou de f\u00e9rias, porque j\u00e1 fui a\u00ed de f\u00e9rias com meu filho e ele adorou, a gente gostou pra caramba, ficou muito feliz a\u00ed. Espero que eu possa levar esse trabalho pra fora de S\u00e3o Paulo, tem muita gente que me pede e acho que com esse trabalho eu vou conseguir!<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Hugo Mariutti - This Must Be Wrong \u2013 The Recording Session (Behind the Scenes)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/b1QmXZNZuhc?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><em>\u2013 Guilherme Lage (<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/lage.guilherme66\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">fb.com\/lage.guilherme66<\/a>) \u00e9 jornalista e mora em Vila Velha, ES.\u00a0<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/author\/guilherme-lage\/\">Leia outras entrevistas dele<\/a>!<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"&#8220;\u00c9 engra\u00e7ado que muita gente associava o meu som ao Oasis por causa do meu corte de cabelo numa \u00e9poca (risos). Mas se voc\u00ea for reparar, tenho muito mais influ\u00eancia de outras bandas&#8221;&#8230;.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/10\/27\/entrevista-hugo-mariutti-conta-sobre-seu-disco-novo-this-must-be-wrong-e-fala-de-shaman-radiohead-e-emicida\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":58,"featured_media":92233,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[7962],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/92232"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/58"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=92232"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/92232\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":92238,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/92232\/revisions\/92238"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/92233"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=92232"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=92232"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=92232"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}