{"id":92220,"date":"2025-10-26T22:55:28","date_gmt":"2025-10-27T01:55:28","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=92220"},"modified":"2026-01-27T00:54:51","modified_gmt":"2026-01-27T03:54:51","slug":"tres-filmes-e-um-curta-o-riso-e-a-faca-copacabana-4-de-maio-ruas-da-gloria-o-faz-tudo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/10\/26\/tres-filmes-e-um-curta-o-riso-e-a-faca-copacabana-4-de-maio-ruas-da-gloria-o-faz-tudo\/","title":{"rendered":"Tr\u00eas filmes e um curta: \u201cO Riso e a Faca\u201d, \u201cCopacabana, 4 de Maio\u201d, \u201cRuas da Gl\u00f3ria\u201d, \u201cO Faz-Tudo\u201d"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>textos de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/leandro_luz\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Leandro Luz<\/a><\/strong><\/h2>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-92222 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/oriso.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"331\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/oriso.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/oriso-300x132.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cO Riso e a Faca\u201d, de Pedro Pinho (2025)<\/strong><br \/>\nTanto &#8220;O Riso e a Faca&#8221;, do diretor portugu\u00eas Pedro Pinho, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/10\/12\/tres-filmes-festival-do-rio-alpha-a-vida-secreta-de-kika-a-cerca\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">quanto &#8220;A Cerca&#8221;, da francesa Claire Denis<\/a>, outro filme exibido durante o 27\u00ba Festival do Rio, se passam em pa\u00edses da \u00c1frica Ocidental e apresentam personagens estrangeiros em contato com as respectivas comunidades locais. Os filmes s\u00e3o absolutamente diferentes &#8211; este possui uma dire\u00e7\u00e3o bastante solta e adota frequentemente uma abordagem documental, com o improviso como parte estruturante de sua narrativa; o outro possui um rigor enorme na encena\u00e7\u00e3o. O que os conecta, entretanto, \u00e9 esse mal-estar de um passado (e presente) colonialista que nunca descansa. A m\u00fasica hom\u00f4nima de autoria do cantor e compositor Tom Z\u00e9 serve como modelo para a invoca\u00e7\u00e3o de contrastes &#8211; e at\u00e9 chega a ser usada na diegese, com as personagens passeando de carro e cantarolando a can\u00e7\u00e3o (ok, esta parte \u00e9 um pouco inveross\u00edmil). &#8220;Eu s\u00f3 descanso na tempestade \/ S\u00f3 adorme\u00e7o no furac\u00e3o&#8221;. As frases, quase uivos, saem lamentosas da boca do cantor, acompanhando uma melodia intervalada, repleta de pausas e surpresas. Pinho opta por filmar em pel\u00edcula, e convida o brasileiro Ivo Lopes Ara\u00fajo para o desafio da dire\u00e7\u00e3o de fotografia. S\u00e3o in\u00fameros os planos bem compostos do filme. A maioria deles explora com habilidade as grandes paisagens des\u00e9rticas pelas quais o protagonista passa at\u00e9 chegar \u00e0 cidade que ir\u00e1 se instalar. O final revela uma narrativa c\u00edclica, com S\u00e9rgio, interpretado por S\u00e9rgio Coragem, colocando-se novamente em movimento, pegando a estrada e o rio para inequivocadamente realizar o trabalho pelo qual fora chamado. \u201cO Riso e a Faca\u201d \u00e9 uma coprodu\u00e7\u00e3o entre Portugal, Brasil, Rom\u00eania e Fran\u00e7a. A atriz Cleo Di\u00e1ra, que interpreta uma mulher misteriosa que desperta fasc\u00ednio no protagonista, venceu o pr\u00eamio de melhor atriz em Cannes na mostra \u201cUn Certain Regard\u201d, competi\u00e7\u00e3o paralela \u00e0 Palma de Ouro. As suas tr\u00eas horas e meia de dura\u00e7\u00e3o n\u00e3o passam voando, entretanto, tamb\u00e9m n\u00e3o geram momentos tediosos. As caracter\u00edsticas mais fortes de sua narrativa aproximam o filme de uma l\u00f3gica de romance liter\u00e1rio de mem\u00f3rias, um movimento ousado do roteirista e diretor que \u00e9 recompensado por grandes momentos, como todas as cenas mais coletivas, com o estrangeiro perdido entre as festas e as bebedeiras que encontra pelo caminho, mas que tamb\u00e9m encontra dificuldades, sobretudo quando precisa colocar S\u00e9rgio, melanc\u00f3lico e pat\u00e9tico, em contato com a sua pr\u00f3pria solid\u00e3o.<\/p>\n<hr \/>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-92225 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/copa.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"331\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/copa.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/copa-300x132.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cCopacabana, 4 de Maio\u201d, de Allan Ribeiro (2025)<\/strong><br \/>\nO que separa um bom de um mau documentarista? N\u00e3o que cinema document\u00e1rio, no stricto sensu da coisa, seja a melhor defini\u00e7\u00e3o para enquadrar os filmes de Allan Ribeiro, mas a quest\u00e3o se aplica \u00e0 sua filmografia como um todo. Com muita frequ\u00eancia, o diretor elege elementos ficcionais que, com muita intensidade, servem para esticar a corda de suas narrativas. Em &#8220;Copacabana, 4 de Maio&#8221;, no entanto, esse arsenal ficcional \u00e9 deixado de lado e vemos um filme mais concentrado nas a\u00e7\u00f5es do presente, capturado entre a expectativa e o gozo diante de um dos maiores espet\u00e1culos que o Brasil j\u00e1 viu: Madonna em Copacabana. Madonna em Copacabana, palavras que v\u00e3o bem juntas. Um bom documentarista entende a urg\u00eancia de um plano e, em \u00faltima inst\u00e2ncia, a urg\u00eancia de um filme. Sabe o momento certo de ligar a c\u00e2mera e, principalmente, quando \u00e9 melhor deix\u00e1-la desligada. Entende que nem todas as conversas com uma personagem precisam ser objetivamente a respeito do tema central do filme &#8211; se \u00e9 que h\u00e1 a necessidade de eleger um grande tema (resposta: n\u00e3o h\u00e1). A escolha por personagens t\u00e3o distintas faz muito bem \u00e0 narrativa, porque d\u00e1 a ver essa diversidade que o Ribeiro busca representar. Tirando uma ou outra entrevista que soa excessiva, todo o filme flui de uma maneira bastante viva. Ao apresentar a sess\u00e3o, o cineasta contou que se inspirou muito em &#8220;Babil\u00f4nia 2000&#8221;, de Eduardo Coutinho, document\u00e1rio feito sobre e durante a virada do mil\u00eanio em uma favela do Rio de Janeiro. A presen\u00e7a de Madonna Louise Veronica Ciccone nas areias de Copacabana talvez tenha sido mesmo esse evento m\u00edtico, marcante e misterioso, mesmo que n\u00e3o tenha sido previsto por Nostradamus. E que bom, para n\u00f3s e para o cinema brasileiro, que t\u00ednhamos algu\u00e9m sens\u00edvel por l\u00e1, com as ferramentas necess\u00e1rias \u00e0 m\u00e3o, pronto para encapsular o intang\u00edvel.<\/p>\n<hr \/>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-92226 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/ruas1.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"331\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/ruas1.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/ruas1-300x132.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cRuas da Gl\u00f3ria\u201d, de Felipe Sholl (2025)<\/strong><br \/>\nCorpos de pl\u00e1stico, personagens de porcelana. \u00c9 tudo muito bonito e tal, ilumina\u00e7\u00e3o impec\u00e1vel ajudando a registrar pele sobre pele, mas do vazio o filme n\u00e3o escapa. E nem \u00e9 o tipo de obra que pretende defender esse vazio do ponto de vista filos\u00f3fico. Pelo contr\u00e1rio, as personagens exprimem os seus conflitos e os seus desejos, mas sempre por meio da exposi\u00e7\u00e3o. As longas cenas de sexo tentam a todo custo preencher o que falta, mas n\u00e3o conseguem justamente porque s\u00e3o executadas de forma acidentalmente mec\u00e2nica &#8211; s\u00e3o intensas, n\u00e3o frias, mas h\u00e1 de se evitar a confus\u00e3o entre intensidade e densidade. O protagonista de \u201cRuas da Gl\u00f3ria\u201d (2025), dirigido por Felipe Sholl, \u00e9 um professor de cursinho pernambucano que se descobre livre no Rio de Janeiro. Recife, o pai castrador, os anos de arm\u00e1rio ficam para tr\u00e1s &#8211; s\u00f3 a av\u00f3 permanece no cotidiano dele, mas pouco sabemos dela ou da import\u00e2ncia que teve para o neto. Na cena mais arriscada do filme, a do programa dentro do carro, j\u00e1 perto do final, Felipe Sholl n\u00e3o consegue criar a complexidade exigida. Nas ruas da Gl\u00f3ria ou da Cinel\u00e2ndia, impera o artificial, e mesmo que tudo tenha partido de uma hist\u00f3ria real, das experi\u00eancias do pr\u00f3prio diretor, o n\u00edvel fica muito aqu\u00e9m do que precisaria para expressar qualquer coisa de aut\u00eantica. Na sess\u00e3o deste filme no 27\u00ba Festival do Rio foi exibido anteriormente o curta-metragem \u201cO Faz-Tudo\u201d, de F\u00e1bio Leal, que escolheu palavras \u00f3timas para definir o seu filme durante a apresenta\u00e7\u00e3o no Cine Odeon: &#8220;uma pequena pornochanchada&#8221;. O tom jocoso \u00e9 o que faz desta uma obra fora do comum em meio \u00e0 seriedade vigente do nosso cinema. A rebeldia de se fazer um curta de 5 minutos de dura\u00e7\u00e3o (quando a maioria tem dificuldade para ficar abaixo de 20) \u00e9 admir\u00e1vel, assim como a voca\u00e7\u00e3o para o libert\u00e1rio. Escancaram-se as regras: por meio da linguagem do videoclipe, o diretor convida um homem que \u00e9 baterista, marceneiro, eletricista, entre outros of\u00edcios, para protagonizar, nu, o seu filme. O homem aceita, mas com uma condi\u00e7\u00e3o: tocar a sua m\u00fasica preferida. Uma can\u00e7\u00e3o pop inesperada, que serve para abrigar o humor e o desejo. Enfim, esta foi a maneira que Leal encontrou para reivindicar a pornochanchada como um aut\u00eantico g\u00eanero brasileiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #ff0000;\"><a style=\"color: #ff0000;\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/tag\/festival-do-rio\/\"><em>Leia mais sobre o Festival do Rio<\/em><\/a><\/span><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-92229\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/faztudo.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"331\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/faztudo.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/faztudo-300x132.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u2013 Leandro Luz (<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/leandro_luz\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" data-saferedirecturl=\"https:\/\/www.google.com\/url?q=https:\/\/www.instagram.com\/leandro_luz\/&amp;source=gmail&amp;ust=1743510468220000&amp;usg=AOvVaw2y1ecqCW_KBoFqtTKVBQEK\">@leandro_luz<\/a>) pesquisa e escreve sobre cinema. Coordena a \u00e1rea de audiovisual do Sesc RJ, atuando na curadoria, programa\u00e7\u00e3o e gest\u00e3o de projetos em todo o estado do Rio de Janeiro. Exerce atividades de cr\u00edtica no\u00a0<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" data-saferedirecturl=\"https:\/\/www.google.com\/url?q=https:\/\/screamyell.com.br\/site\/&amp;source=gmail&amp;ust=1743510468220000&amp;usg=AOvVaw263alYeTRQy1GYVR0TXsQG\">Scream &amp; Yell<\/a>\u00a0e nos podcasts\u00a0<a href=\"https:\/\/creators.spotify.com\/pod\/show\/tudoebrasil\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" data-saferedirecturl=\"https:\/\/www.google.com\/url?q=https:\/\/creators.spotify.com\/pod\/show\/tudoebrasil&amp;source=gmail&amp;ust=1743510468220000&amp;usg=AOvVaw1BTqnliQ9DvtqDHkpafqt5\">Tudo \u00c9 Brasil<\/a>,\u00a0<a href=\"https:\/\/creators.spotify.com\/pod\/show\/plano-sequencia\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" data-saferedirecturl=\"https:\/\/www.google.com\/url?q=https:\/\/creators.spotify.com\/pod\/show\/plano-sequencia&amp;source=gmail&amp;ust=1743510468220000&amp;usg=AOvVaw3TjpLW5o8SaVAAdNU3jD2Z\">Plano-Sequ\u00eancia<\/a>\u00a0e\u00a0<a href=\"https:\/\/creators.spotify.com\/pod\/show\/1disco1filme-podcast\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" data-saferedirecturl=\"https:\/\/www.google.com\/url?q=https:\/\/creators.spotify.com\/pod\/show\/1disco1filme-podcast&amp;source=gmail&amp;ust=1743510468220000&amp;usg=AOvVaw3DtKMpqv1bp5QVCI6MvWbM\">1 disco, 1 filme<\/a>.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\u201cO Riso e a Faca\u201d adota frequentemente uma abordagem documental; \u201cCopacabana, 4 de Maio\u201d flui de uma maneira bastante viva; \u201cRuas da Gl\u00f3ria\u201d n\u00e3o escapa do vazio.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/10\/26\/tres-filmes-e-um-curta-o-riso-e-a-faca-copacabana-4-de-maio-ruas-da-gloria-o-faz-tudo\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":137,"featured_media":92227,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[4],"tags":[7022,7961,7377,7960],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/92220"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/137"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=92220"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/92220\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":92223,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/92220\/revisions\/92223"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/92227"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=92220"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=92220"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=92220"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}