{"id":92196,"date":"2025-10-25T20:54:24","date_gmt":"2025-10-25T23:54:24","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=92196"},"modified":"2025-11-19T10:14:51","modified_gmt":"2025-11-19T13:14:51","slug":"combo-cordeiro-buitres-lucio-maia-e-otto-conquistam-o-paraiso-do-rock-2025","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/10\/25\/combo-cordeiro-buitres-lucio-maia-e-otto-conquistam-o-paraiso-do-rock-2025\/","title":{"rendered":"Combo Cordeiro, Buitres, L\u00facio Maia e Otto conquistam o Para\u00edso do Rock 2025"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>texto e v\u00eddeos de <a href=\"https:\/\/twitter.com\/ociocretino\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Alexandre Lopes<\/a><br \/>\nfotos por <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/arthur_roessle\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Arthur Roessle<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Existe uma estrada no interior do Paran\u00e1 onde o asfalto termina e o rock come\u00e7a. Voc\u00ea dirige por quil\u00f4metros cercado de planta\u00e7\u00f5es de soja e cana at\u00e9 que o cheiro de churrasco e chope artesanal come\u00e7a a competir com o cheiro de terra. \u00c9 ali que fica o <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/paraisodorock\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Para\u00edso do Rock<\/a> &#8211; um o\u00e1sis el\u00e9trico que desde 2008 transforma a pequena Para\u00edso do Norte, a 100 km de Maring\u00e1, em ref\u00fagio para tudo o que ainda pulsa em nome da m\u00fasica al\u00e9m das AMs e FMs.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No CTG S\u00e3o Jorge, o p\u00fablico confere shows de gra\u00e7a, bebe chope das cervejarias locais e devora os past\u00e9is e cachorros-quentes servidos pela APMI (Associa\u00e7\u00e3o de Prote\u00e7\u00e3o \u00e0 Maternidade e \u00e0 Inf\u00e2ncia), entidade beneficente que reverte toda a renda obtida em projetos culturais para as crian\u00e7as da cidade. Nada de patroc\u00ednio de grandes marcas ou stands de ativa\u00e7\u00f5es corporativas: o festival idealizado por <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/betovizzotto\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Beto Vizotto<\/a> (atual prefeito da cidade) e co-curado por <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/author\/leonardo-vinhas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Leonardo Vinhas<\/a> (jornalista e escritor que tamb\u00e9m colabora com o Scream &amp; Yell) \u00e9 uma micropol\u00edtica da m\u00fasica independente, onde o rock continua sendo um apoio comunit\u00e1rio e uma forma de resist\u00eancia cultural em uma das regi\u00f5es mais rurais e conservadoras do pa\u00eds.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m de ter espa\u00e7o para o rock paranaense e abrigar nomes de outras regi\u00f5es brasileiras, a curadoria tem a proposta de integrar bandas de variadas na\u00e7\u00f5es sul-americanas. Por exemplo: a edi\u00e7\u00e3o deste ano aconteceu nos dias 17 e 18 de outubro, contando com Otto, The M\u00f6nic, Lucho Al Attaque (Argentina), Bu\u00edtres (Uruguai), Combo Cordeiro, L\u00facio Maia, B\u00fafalos D\u2019\u00c1gua e Guglielmi Blues Band.<\/p>\n<figure id=\"attachment_92202\" aria-describedby=\"caption-attachment-92202\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-92202 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/vinhasjotabe.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/vinhasjotabe.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/vinhasjotabe-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-92202\" class=\"wp-caption-text\"><em>Leonardo Vinhas, Beto Vizotto e Jotab\u00ea Medeiros \/ Foto de Alexandre Lopes<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Antes mesmo dos dois dias oficiais, o clima de confraria j\u00e1 tomava conta: um esquenta no Tribo&#8217;s Bar, em Maring\u00e1, reuniu Bob Wayne (EUA), Farol Negro e Cigarras. Em Para\u00edso do Norte, a Casa de Cultura virou ponto de encontro entre o jornalista\u00a0 e escritor <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/jotabemedeiros\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Jotab\u00ea Medeiros<\/a> (divulgando seu livro \u201c<a href=\"https:\/\/amzn.to\/4huXePM\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">A Culpa \u00e9 do Lou Reed<\/a>\u201d e dando uma pr\u00e9via de sua aguardada biografia sobre Luiz Gonzaga), Vinhas (que falou sobre seu livro \u201c<a href=\"https:\/\/amzn.to\/49m0qLm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">O Evangelho Segundo Odair: Censura, Igreja e O Filho de Jos\u00e9 e Maria<\/a>\u201d e deu pistas de seu pr\u00f3ximo lan\u00e7amento, um livro sobre o disco \u201cPsicoac\u00fastica\u201d, do Ira!) e Vizotto, encerrando com o grupo local Combo Duarte tocando can\u00e7\u00f5es dos personagens dos livros na Cervejaria Para\u00edso.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>Sexta-feira, 17 de outubro<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Abrindo os trabalhos no CTG S\u00e3o Jorge no primeiro dia do festival, a <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/guglielmiblues\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Guglielmi Blues Band<\/a>, de Paranava\u00ed, iniciou seu set por volta das 22h. O som no palco foi bem menos previs\u00edvel do que o nome do projeto sugere: sob comando de Thiago Guglielmi, o grupo mostrou um groove pesado e balan\u00e7ante com solos de guitarra inspirados que tamb\u00e9m sabiam ceder o destaque para os vocais poderosos e a presen\u00e7a de palco da convidada N\u00fabia Rafaela. A plateia, formada originalmente por cerca de 60 pessoas e um cachorro atento, acompanhava a boa apresenta\u00e7\u00e3o, enquanto mais espectadores ainda chegavam ao festival. No intervalo, a discotecagem soltou \u201cPor Entre As M\u00e3os\u201d, do Superguidis &#8211; como se fosse uma piscadela c\u00famplice \u00e0 heran\u00e7a ga\u00facha que o CTG carrega em seu DNA.<\/p>\n<figure id=\"attachment_92203\" aria-describedby=\"caption-attachment-92203\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-92203 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Gugliemi03-copiar.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Gugliemi03-copiar.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Gugliemi03-copiar-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-92203\" class=\"wp-caption-text\"><em>Guglielmi Blues Band<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas o clima esquentou mesmo foi com a <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/combocordeiro\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Combo Cordeiro<\/a>, dupla de pai e filho (Manoel e Felipe) que trouxe diretamente do Par\u00e1 a tradi\u00e7\u00e3o da guitarrada. Em um show contagiante, o veterano Manoel Cordeiro, 69 anos, tirava \u201condinhas\u201d de sua guitarra e arrancava sorrisos e remelexos da plateia. O filho Felipe, vestido de forma extravagante (algo entre um cruzamento de Prince e Bootsy Collins) tamb\u00e9m solava mas deixava a maior parte dos holofotes para o pai, devidamente paramentado com um bon\u00e9 escrito &#8220;Bel\u00e9m\u201d. O p\u00fablico dan\u00e7ou sem cerim\u00f4nia ao som da cozinha muito bem entrosada de baixo e bateria, que n\u00e3o deixou a empolga\u00e7\u00e3o baixar. A certa altura, o quarteto emendou \u201cCome As You Are\u201d, do Nirvana, com \u201cAlagados\u201d, do Paralamas do Sucesso &#8211; ou talvez \u201c<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=CbCnQR3jM9A\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Invocado<\/a>\u201d, de Marinho para os iniciados &#8211; e o p\u00fablico nem tentou entender essa esp\u00e9cie de mash-up antropof\u00e1gico, apenas aceitou que era tudo uma coisa s\u00f3 e se p\u00f4s a dan\u00e7ar e bater palmas. Indiscutivelmente o melhor show do festival.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Combo Cordeiro no Para\u00edso do Rock 2025\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Gp_NKk_A5-E?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De Buenos Aires, veio <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/luchoalattaque\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Lucho al Ataque<\/a> &#8211; projeto solo de Luciano Scaglione, baixista e vocalista do lend\u00e1rio Attaque 77. Com carisma e peso, ele transformou o CTG em uma extens\u00e3o do punk portenho. \u201cEl Cielo Puede Esperar\u201d, \u201cPorque Te Vas\u201d, &#8220;Chicos y Perros\u201d e uma emocionada vers\u00e3o de \u201cF\u00e1brica\u201d da Legi\u00e3o Urbana fizeram o p\u00fablico cantar junto. \u201cGracias, Renato!\u201d, gritou Lucho, mas ningu\u00e9m respondeu \u201cde nada\u201d porque ainda estavam tentando processar o que presenciaram. \u201cPescado Podrido\u201d, \u201cEl Jorobadito\u201d e \u201cExodo Ska\u201d serviram para botar a plateia para dan\u00e7ar freneticamente antes de encerrar com coros em \u201cDonde las \u00c1guilas se Atreven\u201d.<\/p>\n<figure id=\"attachment_92204\" aria-describedby=\"caption-attachment-92204\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-92204\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Lucho02-copiar.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Lucho02-copiar.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Lucho02-copiar-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-92204\" class=\"wp-caption-text\"><em>Lucho al Ataque<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fechando a primeira noite, as paulistanas do <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/themonicband\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">The M\u00f6nic<\/a> se empenharam em virar o jogo e entregaram um show el\u00e9trico e com f\u00faria, come\u00e7ando com &#8220;Sabotagem\u201d. Sem a baixista original Joan Bedin (que n\u00e3o p\u00f4de vir por \u201cquest\u00f5es de CLT\u201d), substitu\u00edda por Camila Brand\u00e3o (da banda Charlotte Matou um Cara), o quarteto se apoiou em riffs cortantes, refr\u00f5es diretos e uma energia que contagiou os poucos espectadores que ficaram at\u00e9 o final, principalmente durante a pesada &#8220;Lobotomia\u201d. Em certo momento, a fronteira entre palco e p\u00fablico evaporou: Dani Buarque perguntou se alguma menina no CTG sabia tocar guitarra, mas n\u00e3o teve sucesso (dizem que uma mo\u00e7a t\u00edmida at\u00e9 se escondeu para n\u00e3o ser convocada). Sem a resposta que gostaria, Dani intimou um rapaz para o palco, ensinando os acordes e ritmo de &#8220;Nocaute\u201d e o colocou para tocar, assumindo o microfone no meio da plateia. Foi um belo momento e deixou o show mais marcante, mas realmente seria dif\u00edcil superar a apresenta\u00e7\u00e3o do Combo Cordeiro. N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que propostas mais dan\u00e7antes sempre ganham a ades\u00e3o e cora\u00e7\u00e3o do p\u00fablico &#8211; como Maciel Sal\u00fa <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/10\/03\/paraiso-do-rock-celebra-rock-latino-e-atesta-que-congadar-e-maciel-salu-merecem-circular-por-outros-festivais-no-brasil\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">na edi\u00e7\u00e3o de 2023<\/a>, Siba <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2018\/07\/24\/balanco-festival-paraiso-do-rock-2018\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">em 2018<\/a> e F\u00e9lix Robatto <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/07\/17\/balanco-buenos-muchachos-eddie-e-felix-robatto-brilham-no-12o-paraiso-do-rock\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">no festival de 2019<\/a>.<\/p>\n<figure id=\"attachment_92205\" aria-describedby=\"caption-attachment-92205\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-92205 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/The-Monic02-copiar.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/The-Monic02-copiar.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/The-Monic02-copiar-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-92205\" class=\"wp-caption-text\"><em>The M\u00f6nic<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>S\u00e1bado, 18 de outubro<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s uma chuva chatinha durante a manh\u00e3 e \u00e0 tarde, o frio do noroeste paranaense chegou a dar um pouco as caras na noite de s\u00e1bado. Mas a londrinense <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/bufalosdagua\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">B\u00fafalos D\u2019\u00c1gua<\/a> tratou de aquecer os ossos de quem foi assistir ao in\u00edcio do show deles no CTG S\u00e3o Jorge, com &#8220;Carranca&#8221;. Com quase tr\u00eas d\u00e9cadas de estrada, o grupo soou como uma m\u00e1quina bem azeitada, com saxofone, baixo, bateria e guitarra em perfeito equil\u00edbrio. O quarteto mostrou vigor e senso de humor ao apresentar sua surf music \u201cvers\u00e3o brasileira Herbert Richers\u201d (como bem colocou um dos integrantes) e o saxofonista usava o microfone do pr\u00f3prio instrumento para conversar com o p\u00fablico entre as can\u00e7\u00f5es. A cada m\u00fasica, mais copos do chope local se erguiam e o ver\u00e3o voltou temporariamente em forma de sax, groove e uma informalidade deliciosa.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"B\u00fafalos D&#039;\u00c1gua no Para\u00edso do Rock 2025\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/DOpfrF63340?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na sequ\u00eancia, <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/luciomaia1\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">L\u00facio Maia<\/a> (ex-Na\u00e7\u00e3o Zumbi) subiu ao palco acompanhado de Marcos Gerez (baixo) e Arqu\u00e9tipo Rafa (bateria). Sem ter passado o som anteriormente, a banda atrasou sua apresenta\u00e7\u00e3o por uns bons 30 minutos e isso deu uma dispersada na buena onda anterior. Mas logo o trio se encontrou, fazendo um show despojado, alternando faixas como \u201cEnrolando Salsa\u201d com improvisos e distor\u00e7\u00f5es psicod\u00e9licas meditantes. Foi quase transcendental, mostrando o instinto de quem confia no pr\u00f3prio instrumento como extens\u00e3o da alma. Armado com uma guitarra Stratocaster com captadores P90 (uma escolha pouco usual) e um baixo Steinberger (outra escolha menos usual ainda), o trio apresentou sua vers\u00e3o suingada de &#8220;Lithium\u201d (a segunda cita\u00e7\u00e3o ao Nirvana no festival) e costurou riffs em delays e wah wah em uma deliciosa releitura de \u201cJorge da Capad\u00f3cia\u201d de Jorge Ben, al\u00e9m de sua reinterpreta\u00e7\u00e3o de \u201cUm Sonho\u201d da Na\u00e7\u00e3o Zumbi. Ao final, ele sintetizou o esp\u00edrito do evento: \u201cA m\u00fasica \u00e9 um trabalho de formiguinha. Vamos seguir em frente como resist\u00eancia\u201d.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"L\u00facio Maia no Para\u00edso do Rock 2025\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/QZ7onOq5NyI?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O clima de irmandade atingiu o \u00e1pice com os uruguaios do <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/buitres.oficial\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Buitres<\/a>. O grupo \u00e9 um desdobramento da m\u00edtica banda Los Est\u00f3magos (relembrada durante o show com a pesada &#8220;Fr\u00edo Oscuro&#8221;) e j\u00e1 celebra 35 anos de estrada. Transformando o frio paranaense em calor humano, a plateia estava repleta de f\u00e3s que vieram de longe para v\u00ea-los &#8211; mesmo que uma parte deles era a pr\u00f3pria fam\u00edlia dos membros da banda. Mas arriscaria dizer que o CTG se transformou em uma pequena Montevid\u00e9u de alma punk por pouco mais de uma hora, depois que &#8220;Condenado el Coraz\u00f3n\u201d foi tocada. O vocalista Gabriel Peluffo e o guitarrista Gustavo Parodi conduziram um ritual punk latino com can\u00e7\u00f5es que falam de perda, lealdade e persist\u00eancia. H\u00e1 algo de comovente na longevidade deles; tantos anos mantendo viva uma m\u00fasica que o mercado j\u00e1 abandonou, alimentada apenas pela f\u00e9 dos que ainda acreditam que o ru\u00eddo pode unir as pessoas. Foi um show bonito de se ver.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Buitres no Para\u00edso do Rock 2025\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/lmabAN_SHxQ?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 era quase uma da manh\u00e3 quando <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/ottomatopeia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Otto<\/a> assumiu o palco com seu magnetismo peculiar. O pernambucano come\u00e7ou com &#8220;Crua\u201d e avisou que grande parte da apresenta\u00e7\u00e3o seria dedicada ao repert\u00f3rio do disco \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2009\/12\/02\/otto-lanca-um-dos-discos-do-ano\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Certa Manh\u00e3 Acordei de Sonhos Intranquilos<\/a>&#8220;, lan\u00e7ado em 2009. Emendou com &#8220;Jana\u00edna&#8221;, desencadeando coros de \u201cIemanj\u00e1\u201d do p\u00fablico. Mas tamb\u00e9m teve espa\u00e7o para faixas dos \u00e1lbuns \u201cCondom Black\u201d (\u201cDias de Janeiro\u201d, \u201cPelo Engarrafamento\u201d) e \u201cSamba Pra Burro\u201d (&#8220;Bob&#8221; e &#8220;Low&#8221;). Em dado momento, Otto reafirmou o sentimento iniciado por L\u00facio Maia: \u201cM\u00fasica \u00e9 forma de resist\u00eancia, por isso esse festival \u00e9 t\u00e3o importante\u201d. E desceu do palco para caminhar entre o p\u00fablico, convocando a pertinente &#8220;Ciranda de Maluco\u201d. No final, dedicou \u201cCuba\u201d a Chor\u00e3o, e encaixou versos de \u201cA Praieira\u201d de Chico Science &amp; Na\u00e7\u00e3o Zumbi. O show terminou \u00e0s 2h06, enquanto o p\u00fablico ainda numeroso pulsava empolgado pela percuss\u00e3o das \u00faltimas m\u00fasicas.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Otto no para\u00edso do Rock 2025\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/X1aIQqSns58?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em seus 14 anos, o Para\u00edso do Rock sobrevive como uma esp\u00e9cie de lenda no circuito alternativo brasileiro: um evento que n\u00e3o gera lucros exorbitantes, n\u00e3o atrai multid\u00f5es e a aten\u00e7\u00e3o de influenciadores. Em um tempo em que festivais se tornaram vitrines (e dependentes) de marcas, o Para\u00edso do Rock segue sendo um espet\u00e1culo que ainda acredita em curadoria, comunidade latina e diversidade art\u00edstica. Aqui, fica evidente que o foco \u00e9 a m\u00fasica e o que ela ainda pode significar quando compartilhada entre estranhos sob o mesmo teto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 imperfeito sim; os intervalos longos entre os shows em um palco \u00fanico cansam, o p\u00fablico n\u00e3o chega perto de lotar a capacidade do lugar (principalmente na sexta-feira) e o frio pode atrapalhar, mas isso n\u00e3o faz com que deixe de ser verdadeiro, humano e necess\u00e1rio. O som geralmente \u00e9 bom, o astral \u00e9 genu\u00edno e o prop\u00f3sito dele ainda existir \u00e9 claro. Num estado onde o sertanejo \u00e9 hegemonia e o rock \u00e9 quase uma anomalia, o festival cumpre o papel de mostrar que existe uma pluralidade musical, al\u00e9m de desafiar a caretice reinante. Se n\u00e3o houvesse Para\u00edso do Rock na cidade, o que restaria para quem n\u00e3o se interessa pela monocultura da mesmice rural? Beber no aconchegante Bar do Macaxeira? Pular o muro do Cemit\u00e9rio Municipal Ademar Bas\u00edlio para roubar coroas de flores e jog\u00e1-las no lago mais pr\u00f3ximo? Lembrando que qualquer semelhan\u00e7a com pessoas ou fatos reais \u00e9 mera coincid\u00eancia\u2026<\/p>\n<figure id=\"attachment_92206\" aria-describedby=\"caption-attachment-92206\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-92206\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Otto04-copiar.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"405\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Otto04-copiar.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Otto04-copiar-300x162.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-92206\" class=\"wp-caption-text\"><em>Guri Assis Brasil e Otto<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o \u00e9 que o Para\u00edso do Rock prometa uma fuga do grande sistema de entretenimento que os shows viraram, mas ele oferece algo mais raro: pertencimento. E, entre shows instigantes e copos de chopp artesanal, lembramos que resist\u00eancia tamb\u00e9m pode ser sin\u00f4nimo de celebra\u00e7\u00e3o. E talvez seja esse o real para\u00edso &#8211; n\u00e3o um lugar onde tudo \u00e9 perfeito, mas onde o imperfeito ainda \u00e9 terreno f\u00e9rtil para florescer o entusiasmo art\u00edstico e gerar cultura &#8211; sem firulas, sem distra\u00e7\u00f5es, s\u00f3 pela m\u00fasica.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-92207 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/ComboCordeiro01-copiar.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"422\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/ComboCordeiro01-copiar.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/ComboCordeiro01-copiar-300x169.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p><em>\u2013 Alexandre Lopes (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/ociocretino\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">@ociocretino<\/a>) \u00e9 jornalista e assina o\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ociocretino.blogspot.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">www.ociocretino.blogspot.com.br<\/a>.\u00a0<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Talvez seja esse o real para\u00edso &#8211; n\u00e3o um lugar onde tudo \u00e9 perfeito, mas onde o imperfeito ainda \u00e9 terreno f\u00e9rtil para florescer o entusiasmo art\u00edstico e gerar cultura &#8211; sem firulas, s\u00f3 pela m\u00fasica.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/10\/25\/combo-cordeiro-buitres-lucio-maia-e-otto-conquistam-o-paraiso-do-rock-2025\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":101,"featured_media":92201,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[7957,4069,2016,7955,7956,4023,2313,945,3123],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/92196"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/101"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=92196"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/92196\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":92200,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/92196\/revisions\/92200"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/92201"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=92196"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=92196"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=92196"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}