{"id":92157,"date":"2025-10-23T21:20:37","date_gmt":"2025-10-24T00:20:37","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=92157"},"modified":"2025-11-12T10:28:57","modified_gmt":"2025-11-12T13:28:57","slug":"faixa-a-faixa-bike-retorna-barulhento-em-noise-meditations","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/10\/23\/faixa-a-faixa-bike-retorna-barulhento-em-noise-meditations\/","title":{"rendered":"Faixa a faixa: BIKE retorna barulhento em &#8220;Noise Meditations&#8221;"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>introdu\u00e7\u00e3o por\u00a0<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/lvinhas78\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Leonardo Vinhas<\/a><\/strong><br \/>\nFaixa a faixa por <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/bikeoficial\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Julio Cavalcante<\/a><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">O <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/bikeoficial\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">BIKE<\/a> voltou, e voltou barulhento. O quarteto de S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos (SP) entrou em est\u00fadio para gravar seu sexto disco, e fez tudo em um dia s\u00f3, garantindo uma sonoridade mais direta e ruidosa que muito beneficia a banda. N\u00e3o \u00e0 toa, o \u00e1lbum foi batizado de &#8220;<a href=\"https:\/\/orcd.co\/xm5vkyb\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Noise Meditations<\/a>&#8221; (2025).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os joseenses formam uma banda de trajet\u00f3ria e caracter\u00edsticas peculiares. Parece oscilar entre a vontade de pertencer ao universo neopsicod\u00e9lico brasileiro, na trilha aberta pelos Boogarins, e encontrar uma identidade pr\u00f3pria mais inspirada pelo kraut rock. Esses elementos ora se conflitam, ora v\u00e3o em caminhos separados, mas quando se encontram, rendem \u00f3timos momentos. O \u00e1lbum anterior, &#8220;<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/07\/03\/faixa-a-faixa-arte-bruta-bike\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Arte Bruta<\/a>&#8221; (2023), tinha v\u00e1rios desses momentos, e um cuidado maior com os vocais &#8211; sempre um dos pontos de defici\u00eancia do grupo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Noise Meditations&#8221; parece ter resolvido essa &#8220;crise&#8221; existencial. A banda assume vocais mais altos (quase dissonantes), aumenta o volume dos riffs &#8220;krautificados&#8221; e capricha (muit\u00edssimo!) nas tramas percussivas \u2013 o baterista Daniel Fumega ainda h\u00e1 de ser reconhecido como um dos mais inventivos em seu instrumento no cen\u00e1rio roqueiro do Brasil. Em vez de brigar com as falhas, o BIKE as assume, e tenta trabalh\u00e1-las como parte de sua identidade. Em muitos momentos, d\u00e1 certo. Em outros, soa ainda em transi\u00e7\u00e3o. Mas decididamente, temos aqui uma banda que est\u00e1 mais em paz com a m\u00fasica que faz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Diferente do que fizemos com o quarto e o quinto disco, optamos por trabalhar sem um produtor dessa vez. Fizemos uma pr\u00e9-produ\u00e7\u00e3o aqui no Est\u00fadio Wasabi (nota: de propriedade do guitarrista e vocalista <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/04\/12\/diego_xavier_trio\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Diego Xavier<\/a>) e chegamos num consenso de que quer\u00edamos um disco o mais ao vivo poss\u00edvel, no qual execut\u00e1ssemos apenas com os quatro integrantes no palco, com o m\u00ednimo de overdubs e tals. Marcamos uma di\u00e1ria no est\u00fadio El Rocha. Se fosse necess\u00e1rio, pegar\u00edamos mais uma data, mas nem precisou&#8221;, conta Fumega.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O baterista conta que a agilidade tamb\u00e9m teve a motiva\u00e7\u00e3o financeira (um dia de est\u00fadio sai bem mais em conta, afinal), al\u00e9m da necessidade de ter material para vender na tour pelo Reino Unido em setembro, que passou pelas cidades de Londres, Cardiff, Glastonbury e Liverpool. Nessa turn\u00ea e na grava\u00e7\u00e3o, j\u00e1 estavam com o baixista Gil Consolino no lugar de Jo\u00e3o Gouvea. &#8220;Tivemos poucos desentendimentos, mas tamb\u00e9m alguns momentos cr\u00edticos devido a v\u00e1rias situa\u00e7\u00f5es sobre as quais n\u00e3o t\u00ednhamos controle: coisas fora da banda e tals. Somos uma banda bem independente que produz discos e tours sem apoio de selos ou de equipe para fazer acontecer. Para a gente conseguir desenrolar tudo isso, as nossas ideias e divis\u00e3o de tarefas dentro da banda precisam estar bem alinhadas e distribu\u00eddas, e essa foi a raz\u00e3o maior de mudan\u00e7as na forma\u00e7\u00e3o da banda &#8211; sem tretas e tals&#8221;, conta Fumega.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No fim, a necessidade de se adaptar \u00e0s circunst\u00e2ncias e de organizar a casa funcionou a favor do BIKE. &#8220;<a href=\"https:\/\/orcd.co\/xm5vkyb\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Noise Meditations<\/a>&#8221; ainda n\u00e3o \u00e9 o grande disco que parte dos que acompanham da banda esperam que um dia ela entregue, mas traz uma proposta musical melhor definida e mais direta. E para ajudar a entender essa proposta, a banda preparou um faixa a faixa, convidando f\u00e3s e ne\u00f3fitos a mergulharem em seu ru\u00eddo meditativo.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Ou\u00e7a o disco na integra abaixo e leia o faixa a faixa assinado por Julio Cavalcante<\/em><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Noise Meditations\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/videoseries?list=OLAK5uy_mU1ql9LEK_xa44D3ESvNsHPDqJZ8NaPrU\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>01) &#8220;Todos os Olhos&#8221;:<\/strong> \u00c9 psicodelia apocal\u00edptica. A letra \u00e9 o ponto de vista da floresta pegando fogo, quando todos ficam de olho, mas a maioria n\u00e3o faz nada, enquanto os olhos imundos do mundo querem apenas o lucro que a floresta pode dar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>02 &#8211; &#8220;V.D.C&#8221;:<\/strong> A letra veio durante uma expedi\u00e7\u00e3o que fizemos com amigos. A partir de um certo momento a m\u00fasica que tocava me fez querer dan\u00e7ar como num ritual. Quando o disco que tocava acabou me senti muito leve e anotei as frases que vieram num papel. Na cria\u00e7\u00e3o do som a m\u00fasica surgiu em cima de um ritmo do meu pedal de guitarra, e o loop que criamos me deu a mesma sensa\u00e7\u00e3o da expedi\u00e7\u00e3o. Foi s\u00f3 juntar as coisas nesse quebra-cabe\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>03 &#8211; &#8220;NEU!A&#8221;:<\/strong> Fiz essa letra na nossa \u00faltima turn\u00ea pela Europa. \u00c9 como se fosse uma letra irm\u00e3 da &#8220;Divina M\u00e1quina Voadora&#8221; presente no nosso segundo disco. S\u00e3o imagens do que vimos e vivemos por l\u00e1. Se &#8220;Divina&#8221; homenageia Ronnie Von no t\u00edtulo, aqui quem leva a homenagem \u00e9 uma das nossas bandas alem\u00e3s preferidas, que influenciou muito esse disco e foi trilha sonora de toda essa turn\u00ea.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>04 &#8211; &#8220;Sucuri&#8221;:<\/strong> Tem forte influ\u00eancia de Pedro Santos e do disco &#8220;Krishnanda&#8221;, que \u00e9 um dos favoritos da banda. A letra veio para celebrar a Sucuri da lenda &#8220;Yube e a Sucuri&#8221;, da cultura Kaxinaw\u00e1, em que um homem se apaixona por uma mulher sucuri e, para continuar com ela, tamb\u00e9m se transforma em sucuri e passa a viver no mundo profundo das \u00e1guas, onde descobre uma bebida alucin\u00f3gena que d\u00e1 poderes de cura e acesso ao conhecimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>05 &#8211; &#8216;Bico de Ouro&#8221;:<\/strong> A m\u00fasica nasceu de uma combina\u00e7\u00e3o do slicer de uma guitarra com o drone da outra, e a partir da\u00ed foi criado o beat que jogou a m\u00fasica pra frente. A letra traz a ideia de liberdade, de n\u00e3o ficar preso a nada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>06 &#8211; &#8220;Coral&#8221;:<\/strong> Surgiu da ideia de ser uma transi\u00e7\u00e3o do Lado A para o Lado B do vinil. Ent\u00e3o depois de toda a explos\u00e3o de &#8220;Bico de Ouro&#8221; chegamos em &#8220;Coral&#8221;, que come\u00e7a com um riff simples de guitarra que vai se somando aos outros instrumentos. A letra traz a ideia de uma picada de cobra-coral, que se espalha r\u00e1pido pelo corpo e te leva a outro plano, um renascimento em outro espa\u00e7o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>07 &#8211; &#8216;Noise Meditations&#8217;:<\/strong> Essa letra tamb\u00e9m foi fruto da mesma expedi\u00e7\u00e3o que fizemos. Ela \u00e9 quase um resumo do disco e por isso acabou ganhando esse nome. Talvez a faixa mais jazz\u00edstica do \u00e1lbum, mas do nosso jeito. Acho que nunca t\u00ednhamos feito uma faixa assim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>08 &#8211; &#8220;Bhang&#8221;:<\/strong> Psicodelia apocal\u00edptica guiada por tambores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>09 &#8211; &#8220;Velada&#8221;:<\/strong> O &#8220;Noise Meditations&#8221; saiu de uma sess\u00e3o pesada de tr\u00eas dias de jams gravadas aqui no est\u00fadio. &#8220;Velada&#8221; foi uma das m\u00fasicas que nasceram no fim da sess\u00e3o com o corpo j\u00e1 cansado, mas como o groove engrenou a gente gastou um tempo nesse loop, que era pesado e r\u00edtmico. Acho que \u00e9 a faixa mais pesada do BIKE at\u00e9 ent\u00e3o. Ela tamb\u00e9m me passa uma sensa\u00e7\u00e3o muito forte de leveza ao terminar e sua letra tamb\u00e9m surgiu na expedi\u00e7\u00e3o. \u00c9 a faixa onde a afina\u00e7\u00e3o que uso na guitarra neste disco mostra mais a sua cara.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>10 &#8211; &#8216;Ess\u00eancia Real&#8221;:<\/strong> Para encerrar o disco pensamos em &#8220;Ess\u00eancia Real&#8221; porque ela traz na letra o resumo do que \u00e9 ter uma banda independente lan\u00e7ando discos e fazendo turn\u00eas. Na parte sonora tentamos trazer a sensa\u00e7\u00e3o de estar voltando, aterrando e mostrando ao ouvinte que \u00e9 o final do disco.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Os joseenses parecem oscilar entre a vontade de pertencer ao universo neopsicod\u00e9lico brasileiro, na trilha aberta pelos Boogarins, e encontrar uma identidade pr\u00f3pria inspirada pelo kraut rock.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/10\/23\/faixa-a-faixa-bike-retorna-barulhento-em-noise-meditations\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":6,"featured_media":92160,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[1771],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/92157"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=92157"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/92157\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":92167,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/92157\/revisions\/92167"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/92160"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=92157"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=92157"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=92157"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}