{"id":91903,"date":"2025-10-15T00:22:35","date_gmt":"2025-10-15T03:22:35","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=91903"},"modified":"2025-11-07T01:30:37","modified_gmt":"2025-11-07T04:30:37","slug":"entrevista-a-banda-mineira-pelos-fala-sobre-noturnas-seu-quinto-album-um-disco-mais-arejado-boemio-e-livre","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/10\/15\/entrevista-a-banda-mineira-pelos-fala-sobre-noturnas-seu-quinto-album-um-disco-mais-arejado-boemio-e-livre\/","title":{"rendered":"Entrevista: A banda mineira Pelos fala sobre &#8220;Noturnas&#8221;, seu quinto \u00e1lbum, um disco mais arejado, bo\u00eamio e livre"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista de\u00a0<a href=\"https:\/\/twitter.com\/brunorplisboa\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Bruno Lisboa<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dois anos ap\u00f3s o impacto de \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2022\/12\/14\/entrevista-banda-brasileira-independente-preta-e-periferica-a-pelos-lanca-seu-quarto-e-melhor-trabalho-atlantico-corpo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Atl\u00e2ntico Corpo<\/a>\u201d (2022), a banda mineira <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/pelos.art\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Pelos<\/a> retorna com \u201c<a href=\"https:\/\/tratore.ffm.to\/noturnas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Noturnas<\/a>\u201d (2025), quinto \u00e1lbum de est\u00fadio da carreira. Se o disco anterior era, assumidamente, uma obra conceitual sustentada pela investiga\u00e7\u00e3o de ancestralidades, pretitude e tradi\u00e7\u00f5es musicais negras, o novo trabalho evita repetir os mesmos discursos e est\u00e9ticas, pois &#8220;a racialidade est\u00e1 mais evidente nas melodias, timbres, ritmos&#8221;, observa o vocalista e pianista Robert Frank. &#8220;A musicalidade negra da banda se percebe pelos timbres vocais, por fraseados e ambienta\u00e7\u00f5es\u201d, completa o guitarrista Herberte Almeida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com produ\u00e7\u00e3o de Henrique Matheus e Thiago Corr\u00eaa e mixagem e masteriza\u00e7\u00e3o de Leonardo Marques (os tr\u00eas da banda Transmissor), \u201cNoturnas\u201d valoriza cada acorde, timbre e respiro, permitindo que as nuances das can\u00e7\u00f5es ganhem relevo e peso. O resultado \u00e9 um registro coeso e sofisticado, mas que preserva a energia crua das grava\u00e7\u00f5es ao vivo de Robert Frank (voz e piano), Heberte Almeida (guitarra e voz), Kim Gomes (guitarra), Thiago Pereira (baixo) e Pablo Campos (bateria e voz). &#8220;O disco tem m\u00fasicas distintas e diferentes, mas que nesse contexto da noite cria uma narrativa sobre esse sentimento e sensa\u00e7\u00f5es que vivemos&#8221;, pontua Kim Gomes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na conversa abaixo, feita por e-mail, o quinteto fala sobre o processo de cria\u00e7\u00e3o e grava\u00e7\u00e3o de \u201cNoturnas\u201d e o car\u00e1ter urbano das novas composi\u00e7\u00f5es: \u201cA identidade sonora da banda carrega uma coisa densa, mas no \u2018Noturnas\u2019 tem um frescor, algo um pouco mais arejado\u201d, acredita Heberte. \u201cN\u00e3o se trata de um disco tem\u00e1tico ou conceitual sobre a noite de Belo Horizonte\u201d, esclarece Thiago Pereira. \u201cTem mais a ver com uma certa subjetividade bo\u00eamia, que em tempos de gentrifica\u00e7\u00e3o tem l\u00e1 seu car\u00e1ter de resist\u00eancia\u201d, pontua o baixista. &#8220;Espero que o disco surpreenda quem j\u00e1 conhece a banda e, claro, desperte a aten\u00e7\u00e3o de novos ouvintes&#8221;, deseja Robert Frank. Leia abaixo a conversa na integra.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Ou\u00e7a &#8220;Noturnas&#8221; abaixo<\/em><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Noturnas\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/videoseries?list=OLAK5uy_nuluX7w5y9U28_ZTqUsoTPBBze8MPm1ng\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cAtl\u00e2ntico Corpo\u201d foi muito celebrado em 2022, inclusive figurando em v\u00e1rias listas de melhores discos do ano. Como voc\u00eas lidaram com essa recep\u00e7\u00e3o e de que forma ela pesou no processo de cria\u00e7\u00e3o de Noturnas?<\/strong><br \/>\nHeberte: Entre 2022 e 2024, per\u00edodo em que lan\u00e7amos o \u201cAtl\u00e2ntico Corpo\u201c e fizemos diversas apresenta\u00e7\u00f5es do \u00e1lbum, est\u00e1vamos celebrando os 25 anos da banda. O reconhecimento que esse disco trouxe era algo que a gente precisava para coroar essa trajet\u00f3ria duradoura. A banda cresceu muito no palco e <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/08\/01\/tres-shows-mateus-fazeno-rock-pelos-jucara-marcal\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">tocamos muito<\/a> ao longo de dois anos. Antes de lan\u00e7ar o disco anterior a gente imaginava que a banda iria se posicionar junto a um perfil de p\u00fablico vinculado \u00e0s pr\u00e1ticas culturais e quest\u00f5es da negritude. Mas isto n\u00e3o aconteceu. Entendo que a repercuss\u00e3o desse trabalho como um todo, deu mais energia pra gente gravar um \u00e1lbum do jeito que a gente quisesse, com muito mais liberdade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O disco anterior tinha essa costura conceitual mais expl\u00edcita, mergulhada em pretitude, ancestralidades e g\u00eaneros negros. J\u00e1 em \u201cNoturnas\u201d voc\u00eas falam de um direcionamento para o \u201csentimento oce\u00e2nico\u201d como \u201csentimento do mundo\u201d. O que significa essa virada de chave?<\/strong><br \/>\nHeberte: Foi o primeiro disco com a forma\u00e7\u00e3o atual da banda. \u00c0 \u00e9poca viv\u00edamos a pandemia e a gente s\u00f3 se encontrava quando havia recomenda\u00e7\u00e3o e libera\u00e7\u00e3o por parte das autoridades municipais. Quando a gente se reunia era tudo intenso demais e muito do que a gente falava era atravessado por quest\u00f5es raciais. Com o \u201cAtl\u00e2ntico Corpo\u201d a banda manifestava um discurso denso e frontal que refletia viv\u00eancias diversas de negritude. Tinha um desejo de fazer parte de uma cena da cidade mais vinculada \u00e0s identidades negras, reafirmando a m\u00fasica neste lugar. Com o \u201cNoturnas\u201d, a gente decidiu mirar primeiramente em boas can\u00e7\u00f5es antes de qualquer texto intencional e endere\u00e7ado. As melodias, refr\u00f5es e arranjos est\u00e3o em primeiro plano, amparando letras mais espont\u00e2neas. No \u00e1lbum, a musicalidade negra da banda se percebe pelos timbres vocais, por fraseados e ambienta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como foi o processo de composi\u00e7\u00e3o e grava\u00e7\u00e3o de \u201cNoturnas\u201d, especialmente nas sess\u00f5es de imers\u00e3o e nos registros ao vivo em est\u00fadio? Isso trouxe mais espontaneidade e organicidade para o resultado final?<\/strong><br \/>\nHeberte: A banda estava mais confiante e despreocupada pra fazer o disco novo. Em duas sess\u00f5es imersivas, uma em novembro de 2024 e outra em mar\u00e7o de 2025, compusemos todo o material. A coisa mais diferente que aconteceu nestes encontros foi que ningu\u00e9m mostrou nenhuma ideia de m\u00fasica antes de cada imers\u00e3o criativa. Isso instaurou uma grande curiosidade e um estado de prontid\u00e3o no processo de feitura. Teve tamb\u00e9m uma atua\u00e7\u00e3o mais coletiva na elabora\u00e7\u00e3o musical das can\u00e7\u00f5es. Duas das nove m\u00fasicas do repert\u00f3rio tem a assinatura de todos os integrantes da Pelos. Dois meses ap\u00f3s a \u00faltima imers\u00e3o, n\u00f3s fomos pro est\u00fadio Frango no Bafo pra gravar o \u00e1lbum. Da outra vez a banda estava t\u00e3o ensaiada que a escolha pelo registro ao vivo era a mais pertinente. Nesta ocasi\u00e3o, optamos pelo m\u00e9todo de gravar um instrumento por vez, descobrindo novos arranjos e a personalidade de cada m\u00fasica. A identidade sonora da banda carrega uma coisa densa, mas no \u201cNoturnas\u201d tem um frescor, algo um pouco mais arejado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A ideia de \u201cnoturno\u201d e de viv\u00eancias bo\u00eamias urbanas atravessa o novo disco. Voc\u00eas entendem essas experi\u00eancias da noite como um contraponto ou como uma extens\u00e3o natural das discuss\u00f5es de ancestralidade e corpo presentes em \u201cAtl\u00e2ntico Corpo\u201d?<\/strong><br \/>\nRobert: Acho que tem mais das experi\u00eancias pessoais, mais espontaneidade, trazendo pro hoje muitos daqueles sentimentos de \u201cAtl\u00e2ntico Corpo\u201d. Enquanto o disco anterior tratava das quest\u00f5es raciais em sua raiz, em \u201cNoturnas\u201d temos isso no lugar contempor\u00e2neo, numa viv\u00eancia mais diversa desses corpos e mentes tratadas no disco anterior. A racialidade est\u00e1 mais evidente nas melodias, timbres, ritmos, mas \u00e9 inevit\u00e1vel que isso tamb\u00e9m passe pelos temas das letras, tendo em vista que os tr\u00eas letristas do \u00e1lbum s\u00e3o pessoas negras. Por\u00e9m creio que isso esteja muito mais nas entrelinhas do que no front, como foi em \u201cAtl\u00e2ntico Corpo\u201d. Dito isso creio que podemos entender \u201cNoturnas\u201d como uma extens\u00e3o ou um outro passo em rela\u00e7\u00e3o ao disco anterior.<\/p>\n<figure id=\"attachment_91906\" aria-describedby=\"caption-attachment-91906\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-91906\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/CAPA-por-Robert-Frank-e-Dayse-Serena-copiar.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/CAPA-por-Robert-Frank-e-Dayse-Serena-copiar.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/CAPA-por-Robert-Frank-e-Dayse-Serena-copiar-300x300.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/CAPA-por-Robert-Frank-e-Dayse-Serena-copiar-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-91906\" class=\"wp-caption-text\"><em>Capa de &#8220;Noturnas&#8221;, da Pelos<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A Pelos sempre se destacou por dialogar com m\u00faltiplas sonoridades \u2014 do rock ao soul, do afrobeat ao jazz. No novo trabalho, que caminhos sonoros apareceram e que voc\u00eas almejaram dialogar?<\/strong><br \/>\nRobert: Acho que \u201cNoturnas\u201d revisita cen\u00e1rios anteriores da banda, de l\u00e1 atr\u00e1s quando ainda \u00e9ramos Pelos de Cachorro, mas tamb\u00e9m segue abrindo caminhos para coisas novas. Al\u00e9m do j\u00e1 visitado afrobeat e jazz, o disco trilha caminhos experimentais da disco, funk e o universo do clube da esquina. Esse \u00faltimo foi algo bonito e m\u00e1gico porque n\u00e3o foi proposital. A medida que algumas can\u00e7\u00f5es foram ganhando corpo elas foram se mostrando assim e simplesmente abra\u00e7amos isso. Algumas can\u00e7\u00f5es tem uma certa nostalgia da m\u00fasica mineira, por\u00e9m trazidas para o hoje, para o nosso universo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como voc\u00eas equilibram a busca por versatilidade est\u00e9tica sem perder a identidade que j\u00e1 est\u00e1 marcada em duas d\u00e9cadas de carreira?<\/strong><br \/>\nRobert: N\u00e3o sei se \u00e9 algo que nos preocupamos realmente, isso de manter uma identidade. Creio que exista mais uma vontade de fazer m\u00fasicas que gostar\u00edamos de ouvir e tamb\u00e9m de explorar universos diferentes, mas como h\u00e1 um n\u00facleo da banda que est\u00e1 junto h\u00e1 pelo menos 20 anos, h\u00e1 uma sonoridade ali que se mant\u00e9m, que entende das entranhas sonoras de cada indiv\u00edduo e do coletivo. Eu particularmente sempre estou buscando explorar lugares da voz que ainda n\u00e3o visitei. Gosto da ideia de n\u00e3o ter um \u00fanico registro vocal, de explorar dos falsetes aos graves profundos. Acho que esse disco \u00e9 o mais diverso nesse sentido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O disco tem produ\u00e7\u00e3o de Henrique Matheus e Thiago Corr\u00eaa e mixagem\/masteriza\u00e7\u00e3o de Leonardo Marques, com quem voc\u00eas j\u00e1 trabalharam. O que cada um deles trouxe de singular para a sonoridade de \u201cNoturnas\u201d?<\/strong><br \/>\nKim: J\u00e1 t\u00ednhamos trabalhado com o Leo no \u201cAtl\u00e2ntico Corpo\u201d e foi uma parceria que deu muito certo. Mas com a ida dele para Los Angeles ficamos num primeiro momento sem saber com quem gravar\u00edamos. At\u00e9 ele falar que estava produzindo algumas coisas com o TC e o Henrique. Eles s\u00e3o amigos e parceiros de longa data, ent\u00e3o o trabalho fica mais fluido. Para o \u201cNoturnas\u201d demos mais liberdade criativa para que cada um participasse mais ativamente da produ\u00e7\u00e3o. O Henrique conhece muito de equipamentos, montagem e equaliza\u00e7\u00e3o, ele gravou a maioria das m\u00fasicas. O Thiago \u00e9 multi-instrumentista e tem muitas ideias boas de arranjos e ficou na fun\u00e7\u00e3o de dire\u00e7\u00e3o de grava\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de ser muito bom em montar as m\u00fasicas no software. O Leo \u00e9 especialista em timbres e sons vintage, e agora l\u00e1 em LA tem os melhores equipamentos a sua disposi\u00e7\u00e3o, e com isso o resultado foi uma mixagem e uma masteriza\u00e7\u00e3o anal\u00f3gica poderosa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Existe algum fio narrativo ou po\u00e9tico que conecta as faixas de \u201cNoturnas,\u201d ou voc\u00eas buscaram construir um repert\u00f3rio mais fragmentado, que represente diferentes estados noturnos?<\/strong><br \/>\nKim: O \u201cNoturnas\u201d \u00e9 um disco com composi\u00e7\u00f5es mais livres mas que tem um tema recorrente que \u00e9 a noite. Mais precisamente sobre a noite de Belo Horizonte, sobre nossas rela\u00e7\u00f5es com o baixo centro, que \u00e9 o nosso habitat natural. O disco tem m\u00fasicas distintas e diferentes, mas que nesse contexto da noite cria uma narrativa sobre esse sentimento e sensa\u00e7\u00f5es que vivemos. Al\u00e9m de fazer homenagens e refer\u00eancias a artistas mineiros que gostamos muito, seja no cinema ou na m\u00fasica, tais como: a produtora audiovisual Filmes de Pl\u00e1stico, a obra do Clube da Esquina, as can\u00e7\u00f5es do Pato Fu e a versatilidade do FBC.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A noite em Belo Horizonte sempre foi um espa\u00e7o f\u00e9rtil para encontros musicais e culturais. Como a cidade atravessa esse novo \u00e1lbum de voc\u00eas?<\/strong><br \/>\nThiago: A noite da cidade oferece uma esp\u00e9cie de \u2018ambi\u00eancia\u2019, capturado nas viv\u00eancias tanto coletivas &#8211; como banda &#8211; quanto singulares, acredito. N\u00e3o se trata de um disco tem\u00e1tico ou conceitual sobre a noite de Belo Horizonte, mas h\u00e1, creio, conjugando letras e m\u00fasicas, um clima mais noturno, uma coisa meio \u2018Mesa de bar, 2:45 da manh\u00e3, centro de alguma metr\u00f3pole\u2019, que n\u00e3o necessariamente seja BH. Nesse sentido, n\u00e3o vejo endere\u00e7amentos muito particulares, no sentido de cartografar a cidade, como fizemos em \u201cDa Serra ao Bonfim\u201d- tem mais a ver com uma certa subjetividade bo\u00eamia, que em tempos de gentrifica\u00e7\u00e3o tem l\u00e1 seu car\u00e1ter de resist\u00eancia, digamos assim. Talvez quem curta a banda em BH saiba localizar isso a partir de onde normalmente podem nos encontrar fora dos palcos (risos), mas, de fato, acho que n\u00e3o h\u00e1 um mapeamento muito preciso nesse sentido. \u201cNoturnas\u201d chega mais como um estado de esp\u00edrito mesmo, um sentimento que, em maiores ou menores dimens\u00f5es, pode ser associado \u00e0s faixas do disco, mas n\u00e3o de modo \u2018conceitual\u2019 ou como uma agenda.<\/p>\n<figure id=\"attachment_91905\" aria-describedby=\"caption-attachment-91905\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-91905\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/CONTRACAPA-copiar.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/CONTRACAPA-copiar.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/CONTRACAPA-copiar-300x300.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/CONTRACAPA-copiar-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-91905\" class=\"wp-caption-text\"><em>Contracapa de &#8220;Noturnas&#8221;, da Pelos<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em mais de vinte anos de estrada, voc\u00eas continuam falando em \u201crenova\u00e7\u00e3o perene\u201d ao inv\u00e9s de simplesmente tentar superar o que j\u00e1 foi feito. De onde vem essa inquieta\u00e7\u00e3o criativa?<\/strong><br \/>\nKim: Acho que \u00e9 natural essa efervesc\u00eancia criativa nossa. Al\u00e9m do tempo que estamos juntos produzindo, fa\u00e7o m\u00fasica com o Robert e o Heberte h\u00e1 mais de vinte anos e com o Pereira e o Pablo h\u00e1 mais de dez anos, a real \u00e9 que temos uma amizade e uma admira\u00e7\u00e3o m\u00fatua que reflete diretamente nas produ\u00e7\u00f5es. E ao mesmo tempo nos permitimos experimentar e criar coisas novas para al\u00e9m do rock.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00eas acreditam que a recep\u00e7\u00e3o cr\u00edtica e p\u00fablica de um \u00e1lbum ainda molda a trajet\u00f3ria de uma banda hoje, em tempos de consumo fragmentado em plataformas de streaming?<\/strong><br \/>\nThiago: Eis uma quest\u00e3o complicada e complexa, que \u00e9 atravessada por uma s\u00e9rie de outras quest\u00f5es: qual o papel da cr\u00edtica hoje, o que \u00e9 cr\u00edtica hoje, o que entendemos como cr\u00edtica hoje e qual o impacto disso em rela\u00e7\u00e3o ao p\u00fablico e a uma banda como a Pelos e tantas outras? Dentro dessas perguntas, entram muitas outras e ainda assim acredito que n\u00e3o acharemos uma resposta definitiva ou alentadora. Sendo assim, por exemplo, acho que uma entrevista como essa, num espa\u00e7o como o Scream and Yell, \u00e9 um diferenciador e tanto na trajet\u00f3ria de qualquer banda: trata-se de uma, em \u00faltima inst\u00e2ncia, refer\u00eancia curatorial hist\u00f3rica e que, naturalmente, \u00e9 acionada por p\u00fablico e cr\u00edtica como tal. Ou seja, \u00e9 um valor important\u00edssimo para bandas e artistas que n\u00e3o est\u00e3o dentro do foco principal da plataformiza\u00e7\u00e3o da m\u00fasica, um campo que envolve e \u00e9 jogado, de forma massiva, pela ind\u00fastria fonogr\u00e1fica e todas as suas redimens\u00f5es atuais. Ent\u00e3o, acredito que sim, espa\u00e7os como o SY moldam as expectativas de bandas como a Pelos, no sentido de ser uma visibilidade desejada e, quando conquistada, faz a diferen\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 percep\u00e7\u00e3o da banda. E isso sem d\u00favidas \u00e9 muito importante!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para terminar: o que voc\u00eas esperam que o p\u00fablico sinta ao ouvir Noturnas pela primeira vez \u2014 e o que esperam que permane\u00e7a ap\u00f3s muitas escutas?<\/strong><br \/>\nRobert: Sempre costumo dizer que o que me motiva na m\u00fasica \u00e9, antes de qualquer sucesso ou reconhecimento, significar. O que eu espero da primeira audi\u00e7\u00e3o \u00e9 que o disco surpreenda quem j\u00e1 conhece a banda e claro, desperte a aten\u00e7\u00e3o de novos ouvintes. E sobre o que desejo que perdure \u00e9 o disco significar, marcar um per\u00edodo mas tamb\u00e9m esse sentimento do viver a noite e seus mais diversos caminhos.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"PELOS 25 ANOS\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/wfec0OinZ9s?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><em>\u00a0<a href=\"https:\/\/twitter.com\/brunorplisboa\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Bruno Lisboa<\/a>\u00a0 escreve no Scream &amp; Yell desde 2014.\u00a0<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"&#8220;A banda estava mais confiante e despreocupada pra fazer o disco novo&#8221;, pontua Heberte. &#8220;Teve tamb\u00e9m uma atua\u00e7\u00e3o mais coletiva&#8221;, revela. \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/10\/15\/entrevista-a-banda-mineira-pelos-fala-sobre-noturnas-seu-quinto-album-um-disco-mais-arejado-boemio-e-livre\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":4,"featured_media":91907,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[1567],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/91903"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=91903"}],"version-history":[{"count":10,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/91903\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":91909,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/91903\/revisions\/91909"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/91907"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=91903"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=91903"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=91903"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}