{"id":91844,"date":"2025-10-14T01:27:06","date_gmt":"2025-10-14T04:27:06","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=91844"},"modified":"2025-11-18T00:21:28","modified_gmt":"2025-11-18T03:21:28","slug":"outlaw-festival-2025-ou-um-dia-com-bob-dylan-willie-nelson-sheryl-crow-e-waxahatchee-em-noblesville","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/10\/14\/outlaw-festival-2025-ou-um-dia-com-bob-dylan-willie-nelson-sheryl-crow-e-waxahatchee-em-noblesville\/","title":{"rendered":"Outlaw Festival 2025 ou um dia com Bob Dylan (sendo vaiado), Willie Nelson, Sheryl Crow e Waxahatchee em Noblesville"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\">texto de <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/diegoqueijo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Diego Queijo<\/a><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste m\u00eas de outubro, Bob Dylan retoma sua turn\u00ea \u201cRough and Rowdy Ways\u201d com um show na Finl\u00e2ndia. At\u00e9 o fim de novembro, ele deve cruzar parte da Europa com um show mais longo do que o que gerou pol\u00eamica nas datas do Outlaw Festival ao longo do ver\u00e3o nos Estados Unidos. Ainda que este texto pare\u00e7a um pouco fora de timing, o Scream &amp; Yell acompanhou uma das \u00faltimas datas do Outlaw em solo norte-americano, que reuniu &#8211; al\u00e9m de Dylan &#8211; Willie Nelson, Sheryl Crow, Waxahatchee e Madeline Edwards no famoso Ruoff Music Center (antigo Deer Creek) em Noblesville, dia 18 de setembro.<\/p>\n<figure id=\"attachment_91854\" aria-describedby=\"caption-attachment-91854\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-91854\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/rudolf2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/rudolf2.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/rudolf2-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-91854\" class=\"wp-caption-text\"><em>Ruoff Music Center \/ Foto de Diego Queijo<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">O show foi o pen\u00faltimo da turn\u00ea, dois dias antes da apresenta\u00e7\u00e3o no Farm Aid que teve transmiss\u00e3o ao vivo. Noblesville \u00e9 uma cidade pequena nos arredores de Indian\u00e1polis, e \u00e9 famosa por abrigar o anfiteatro criado em 1989 que \u00e9 considerado um dos melhores do pa\u00eds e que hoje \u00e9 gerenciado pelo monop\u00f3lio da Live Nation. Com a temperatura passando f\u00e1cil dos 30 graus, a maior parte do p\u00fablico de meia-idade e aposentados est\u00e1 ali pelo nonagen\u00e1rio Willie Nelson, e aguarda o sol ir embora sorvendo doses cavalares de Bourbon e Budweisers. Esse contexto pode explicar em parte a receptividade um tanto hostil e\/ou indiferente aos artistas que se apresentaram antes, inclusive ao Bob Dylan, que &#8211; spoiler &#8211; foi vaiado.<\/p>\n<figure id=\"attachment_91855\" aria-describedby=\"caption-attachment-91855\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-91855\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/madelene.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/madelene.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/madelene-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-91855\" class=\"wp-caption-text\"><em>Madeline Edwards \/ Foto de <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/p\/DOzQtDVD8FY\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Chris Shaw<\/a><\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Madeline Edwards \u00e9 uma cantora e compositora que vem se destacando na nova cena country por sua capacidade de fundir estilos como jazz, soul, R&amp;B e pop contempor\u00e2neo. O show come\u00e7ou cedo, com o p\u00fablico ainda entrando. Nascida no Texas e radicada em Nashville, ela ganhou proje\u00e7\u00e3o nacional ap\u00f3s sua performance no CMA Awards em 2022 e com o lan\u00e7amento de seu \u00fanico \u00e1lbum at\u00e9 o momento, &#8220;Crashlanded&#8221; (tamb\u00e9m de 2022). Can\u00e7\u00f5es como \u201cMama, Dolly, Jesus\u201d e \u201cThe Wolves\u201d representam essa nova gera\u00e7\u00e3o de artistas calcados no country mas com um p\u00e9 nas realidades culturais do s\u00e9culo XXI. Aproveitando a vitrine do festival, ela voltaria ao lado de Sheryl Crow e Waxahatchee para cantar no fim do show de Willie Nelson.<\/p>\n<figure id=\"attachment_91856\" aria-describedby=\"caption-attachment-91856\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-91856\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/waxaaa.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"460\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/waxaaa.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/waxaaa-300x184.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-91856\" class=\"wp-caption-text\"><em>Waxahatchee \/ Foto de <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/p\/DOzQtDVD8FY\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Chris Shaw<\/a><\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?s=Waxahatchee\">Waxahatchee<\/a>, por sua vez, projeto de Katie Crutchfield, j\u00e1 tem estrada o suficiente para apresentar um show coeso e muito bom. Desde o disco de estreia \u201cAmerican Weekend\u201d (2012), ela desenvolvido uma for\u00e7a po\u00e9tica s\u00e9ria, com arranjos cada vez mais limpos. No \u00f3timo \u201cTigers Blood\u201d (2024), seu \u00faltimo \u00e1lbum at\u00e9 agora, Waxahatchee reafirma essa for\u00e7a com profundidade e contemporaneidade, sem deixar de lado as tradi\u00e7\u00f5es que os caipiras do sul dos Estados Unidos vangloriam, aqui, com a b\u00ean\u00e7\u00e3o de Willie Nelson.<\/p>\n<figure id=\"attachment_91857\" aria-describedby=\"caption-attachment-91857\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-91857\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/crow.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"460\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/crow.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/crow-300x184.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-91857\" class=\"wp-caption-text\"><em>Sheryl Crow \/ Foto de <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/p\/DOzQtDVD8FY\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Chris Shaw<\/a><\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com o p\u00fablico j\u00e1 bastante embriagado e falando alto, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?s=Sheryl+Crow\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Sheryl Crow<\/a> fez um show perfeito. N\u00e3o faltam hits e simpatia para a mo\u00e7a &#8211; que falou bastante com o p\u00fablico. Surgida no rastro do rock adulto alternativo dos anos 1990, ela se tornou uma esp\u00e9cie de s\u00edntese entre a est\u00e9tica californiana dos anos 1970 e o pop radiof\u00f4nico da MTV, dominando o espa\u00e7o entre a autenticidade e a conveni\u00eancia comercial. Crow construiu uma carreira s\u00f3lida e aut\u00f4noma, mas tamb\u00e9m marcada por uma tentativa constante de equilibrar a persona da artista de estrada \u2014 folk, blues, americana \u2014 com a imagem polida e midi\u00e1tica que o sucesso lhe imp\u00f4s. Mas, aos 63 anos, ela parece ser bastante coerente e respeitada por aqui, ainda que apenas pela parte do p\u00fablico realmente interessada na m\u00fasica.Esco rada em uma banda extremamente competente, Sheryl enfatizou a import\u00e2ncia de dividir bastidores com pessoas do calibre de Dylan e Nelson. Um dos destaques do show foi \u201cRedemption Day\u201d, composi\u00e7\u00e3o do \u00e1lbum de 1996 que foi regravada por Johnny Cash e lan\u00e7ada em uma vers\u00e3o b\u00edblica no disco p\u00f3stumo \u201cAmerican IV: Ain\u2019t no grave\u201d, da s\u00e9rie de grava\u00e7\u00f5es idealizada pelo onipresente Rick Rubin.<\/p>\n<figure id=\"attachment_91858\" aria-describedby=\"caption-attachment-91858\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-91858\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/bobdylan2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"460\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/bobdylan2.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/bobdylan2-300x184.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-91858\" class=\"wp-caption-text\"><em>Vis\u00e3o do palco de Bob Dylan&#8230; ele est\u00e1 l\u00e1 atr\u00e1s das lumin\u00e1rias \/ foto de Diego Queijo<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas vamos ao que realmente foi o motivo de toda essa viagem: Bob Dylan. O palco vai sendo montado enquanto o p\u00fablico levanta para buscar aquele gor\u00f3. Ao retornar e olhar para o palco, a disposi\u00e7\u00e3o dos instrumentos parece estranha. N\u00e3o pelo piano de madeira no meio e todos os outros equipamentos pr\u00f3ximos e ao redor dele, mas pela altura e pela posi\u00e7\u00e3o. H\u00e1 um abismo entre as teclas e o p\u00fablico. O instrumento por si s\u00f3, do jeito em que est\u00e1, impediria que qualquer ser humano que sentasse ali naquela noite fosse visto. E mais. A vis\u00e3o \u00e9 blindada ainda com v\u00e1rias l\u00e2mpadas e candelabros.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Bob Dylan Masters Of War September 18 2025 Noblesville In Nunupics\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/-pdi-4D6Eik?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com tudo pronto, sem mais nem menos, o fiel escudeiro de Dylan, Tony Garnier (baixo) adentra ao lado de Anton Fig (bateria), Bob Britt (viol\u00e3o e guitarra), Doug Lancio (tamb\u00e9m viol\u00e3o e guitarra) e a novidade da noite e da turn\u00ea, Matt Katz-Bohen (ex-Blondie) nos teclados. Os cinco cavaleiros do apocalipse surgem das sombras e se posicionam ao redor do piano. Em breve todos ir\u00e3o mostrar a que vieram. De repente, o riff de \u201cMasters of War\u201d surge como um trov\u00e3o. O som d\u00e1 uma leve falhada, o piano \u00e9 martelado e o arranjo \u00e9 apocal\u00edptico. A voz cavernosa e esgani\u00e7ada brada e chama pelos mestres da guerra para desejar suas mortes. Ok, \u00e9 imposs\u00edvel n\u00e3o assistir a um show de Dylan sem pensar no mito que est\u00e1 (em partes) diante dos nossos olhos e no contexto de Trump, o Nero moderno a queimar a Roma do nosso tempo (ser\u00e1?).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 interessante observar que, em muitos desses shows de festival, Dylan n\u00e3o est\u00e1 usando seu repert\u00f3rio mais \u201ccl\u00e1ssico absoluto\u201d. Ele parece optar por misturas de suas fases mais recentes com algumas can\u00e7\u00f5es mais antigas, o que oferece um panorama de sua trajet\u00f3ria e evolu\u00e7\u00e3o musical &#8211; <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/04\/22\/bob-dylan-ao-vivo-em-sao-paulo-2012\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">s\u00f3 para relembrar<\/a>, em S\u00e3o Paulo, 2012, \u00a0foram oito can\u00e7\u00f5es dos anos 60 contra uma dos 70, uma dos 80, tr\u00eas dos anos 90 e quatro do novo s\u00e9culo. Sabemos que o homem costuma reconfigurar suas m\u00fasicas, alterar arranjos, mudar ritmos, modificar letras, ou seja, cada show \u201c\u00e9 Dylan revisitando Dylan\u201d. Mas o p\u00fablico, j\u00e1 em alta octanagem, n\u00e3o aceita esse tipo de arte, e fica rude e grosseiro.<\/p>\n<figure id=\"attachment_91859\" aria-describedby=\"caption-attachment-91859\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-91859\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/bobdylan3.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"460\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/bobdylan3.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/bobdylan3-300x184.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-91859\" class=\"wp-caption-text\"><em>Bob Dylan \/ Foto de Jada Aidun<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cMasters of War\u201d \u00e9 uma das m\u00fasicas mais politicamente carregadas de Dylan &#8211; do \u00e1lbum \u201c<a href=\"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/2018\/02\/21\/dylan-com-cafe-dia-2-the-freewheelin\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">The Freewheelin\u2019 Bob Dylan<\/a>\u2019 (1963). Inserir essa can\u00e7\u00e3o num festival com Willie Nelson, artista ligado a ideais \u201coutlaw\u201d e liberdade, \u00e9 um ato de continuidade: Dylan reafirma que ainda \u00e9 poss\u00edvel resgatar sua voz cr\u00edtica. Ainda h\u00e1 \u201cinimigos invis\u00edveis\u201d que precisam ser interrogados, mesmo (ou ainda mais) na \u00e9poca do Tiktok. Essa escolha de abertura e essa disposi\u00e7\u00e3o de palco sugerem que, mesmo em um ambiente de celebra\u00e7\u00e3o, Dylan n\u00e3o abandona seu lado provocador. \u201cI can see through your masks\u201d, diz o velho profeta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ele emenda com o cover de \u201cI Can Tell\u201d, lan\u00e7ada por Bo Diddley em 1962. Depois, vem \u201cForgetful Heart\u201d, do \u00e1lbum \u201c<a href=\"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/2018\/05\/05\/bob-dylan-com-cafe-dia-53-together\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Together Through Life<\/a>\u201d (2009), e a banda come\u00e7a a parecer mais entrosada. O som melhora. A concentra\u00e7\u00e3o de todos come\u00e7a a se tornar absoluta. Vemos o p\u00e9 de Dylan marcando o ritmo e seu capuz. Sim. Al\u00e9m de todos os artif\u00edcios do mobili\u00e1rio do palco, ele est\u00e1 de moletom e capuz em meio \u00e0 noite calorenta de Indiana (ele repetiu a vestimenta na noite seguinte da turn\u00ea, em Wisconsin, encerramento da turn\u00ea) .<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Bob Dylan To Ramona September 18 2025 Noblesville In Nunupics\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/iNSDn15D39U?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vem mais um cover, \u201cAxe and the Wind\u201d, de George &#8220;Wild Child&#8221; Butler, que nos shows de 2025 entrou pela primeira vez no repert\u00f3rio de Dylan. Ent\u00e3o surge \u201cTo Ramona\u201d ao piano, mais valsa do que folk. \u00c9 interessante notar que nos shows de Dylan o p\u00fablico n\u00e3o canta, pois \u00e9 imposs\u00edvel. Assim, as pessoas sussurram as letras baixinho, quase como uma multid\u00e3o se confessando. \u201cEverything passes, everything changes \/ Just do what you think you should do\u201d. Sessenta anos de estrada depois, imposs\u00edvel esse conselho juvenil n\u00e3o soar como epit\u00e1fio e manifesto. Dylan n\u00e3o canta para Ramona, ele tamb\u00e9m canta para si mesmo, como todos n\u00f3s. \u00c9 nela tamb\u00e9m que surge pela primeira vez no show o som da gaita de boca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De \u201cTempest\u201d, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/09\/18\/anticlimax-tempest-e-bob-dylan\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\u00e1lbum de 2012<\/a>, \u201cEarly Roman Kings\u201d faz a banda executar um blues \u00e1spero. \u201cAll the early Roman kings \/ In their sharkskin suits\u201d. Dylan ironiza o poder, a corrup\u00e7\u00e3o e a repeti\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria. Os reis continuam iguais, apenas trocam as roupas. Mas seria na pr\u00f3xima can\u00e7\u00e3o que os m\u00fasicos criariam uma atmosfera m\u00e1gica, rara e inesperada durante a execu\u00e7\u00e3o de um tema <a href=\"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/2018\/03\/29\/dylan-com-cafe-dia-33-red-sky\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">da fase m\u00e9dia ou subestimada<\/a> de Dylan: \u201cUnder The Red Sky\u201d (1990).<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Bob Dylan - Under the Red Sky - September 18th 2025, Indiana\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/AdpV0OinfvI?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A letra parece uma can\u00e7\u00e3o religiosa disfar\u00e7ada de can\u00e7\u00e3o infantil. Na grava\u00e7\u00e3o original, o dono do slide \u00e9 ningu\u00e9m menos que George Harrison. Aqui, a banda parece completamente \u00e0 vontade. Dylan est\u00e1 cantando bem e tocando muito bem o piano, com direito a solos. A vers\u00e3o vai crescendo com as guitarras cobrindo todos os detalhes mas deixando espa\u00e7o para o respiro em sil\u00eancios certeiros. Tudo culmina em um solo de gaita no final. Se algu\u00e9m aqui se importa com a m\u00fasica, o que est\u00e1 acontecendo \u00e9 quase inacredit\u00e1vel. Dylan sopra a gaita com o p\u00e9 marcando o ritmo enquanto as notas mudam e ele improvisa. Ele est\u00e1 sorrindo. A impress\u00e3o \u00e9 que ele fosse levitar junto com o anfiteatro, mas a m\u00fasica termina\u2026 e algumas pessoas parecem voltar a si e a se incomodarem com tudo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A temperatura esfria no palco e esquenta no p\u00fablico. Vem mais um cover, \u201cI&#8217;ll Make It All Up To You\u201d, e ent\u00e3o \u201cAll Along The Watchtower\u201d, talvez para muitos uma das mais esperadas da noite. Alguns tentam cantar, mas n\u00e3o conseguem e come\u00e7am algumas vaias. Sim. Bob Dylan est\u00e1 sendo vaiado. Uma senhora ao lado, extremamente frustrada, chegou a chamar a situa\u00e7\u00e3o de \u2018bullshit\u2019 (\u201cpalha\u00e7ada\u201d, em tradu\u00e7\u00e3o livre e generosa). E na verdade chega a ser engra\u00e7ado mesmo. \u201cThere must be some way out of here\u201d.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Bob Dylan Desolation Row September 18 2025 Ruoff Music Center Noblesville In Nunupics\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/pKxMsAeHN_Q?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O \u00e1pice l\u00edrico da noite foi mesmo \u201cDesolation Row\u201d. A galeria surrealista foi executada em plena semana dos 60 anos do \u00e1lbum \u201cHighway 61\u201d, e sussurr\u00e1-la pareceu um gesto de celebra\u00e7\u00e3o ao lado liter\u00e1rio da sua obra. A vers\u00e3o de \u201cLove Sick\u201d, do excelente \u201c<a href=\"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/2018\/04\/06\/dylan-com-cafe-dia-39-time-out-of-mind\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Time Out of Mind<\/a>\u201d (1997) foi nada menos que sublime. Assim como \u201cBlind Willie McTell\u201d, <a href=\"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/2018\/03\/30\/dylan-com-cafe-dia-33-bootleg-series-1\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">um dos grandes in\u00e9ditos redescobertos<\/a> da carreira de Dylan.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O show termina com as poderosas \u201cHighway 61 Revisited\u201d, em uma vers\u00e3o tensa e maravilhosa, e \u201cDon&#8217;t Think Twice, It&#8217;s All Right\u201d, lenta e chorosa, com Dylan falando e cantando sobre passagens de piano envolventes e as linhas principais dos guitarristas. F\u00e3s casuais se animaram com a \u00faltima, e alguns certamente a reconheceram <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/02\/27\/tres-filmes-hallelujah-leonard-cohen-a-journey-a-song-becoming-led-zeppelin-e-um-completo-desconhecido\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">do filme &#8220;A Complete Unknown&#8221;<\/a>.<\/p>\n<figure id=\"attachment_91860\" aria-describedby=\"caption-attachment-91860\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-91860 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/bobdylan4.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"460\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/bobdylan4.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/bobdylan4-300x184.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-91860\" class=\"wp-caption-text\">Bob Dyan<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que Dylan oferece hoje em dia \u00e9 mais uma explora\u00e7\u00e3o do jazz americano do que um show de rock &#8216;n&#8217; roll. Ele est\u00e1 l\u00e1 para se divertir e tocar. Sim, as pessoas v\u00e3o reclamar. V\u00e3o comer frango empanado, derramar ketchup nos dedos, virar cervejas, conversar alto com os amigos, mexer no celular e tentar tirar selfies com Dylan ao fundo. Mas ele est\u00e1 defendendo sua arte no meio do furac\u00e3o. E ele n\u00e3o comemora o anivers\u00e1rio de \u201c<a href=\"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/2018\/02\/25\/dylan-com-cafe-dia-6-back\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Highway 61<\/a>\u201d com bolo nem velas. Celebra-o como sempre fez, desconstruindo, desviando, deixando o p\u00fablico no fio da navalha. Ao final, levanta-se. Aparece. Se mostra. Faz um gesto de agradecimento como algu\u00e9m que termina um trabalho com a sensa\u00e7\u00e3o de dever cumprido. Apesar do que poderia ser, o show de Noblesville n\u00e3o foi uma retrospectiva nost\u00e1lgica, e sim um ensaio vivo sobre<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2008\/03\/07\/bob-dylan-e-o-retrato-borrado-da-era-de-ouro-do-rock-n-roll\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> tempo, mem\u00f3ria e resist\u00eancia<\/a>. Um artista lend\u00e1rio sendo um artista. E isso pode ser tudo o que realmente importa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com a chegada do senhor Willie Nelson, bradando patriotismo, o anfiteatro vem abaixo. Ele \u00e9 uma lenda un\u00e2nime com pouca concorr\u00eancia nos dias de hoje. Ele cancelou v\u00e1rios shows no ver\u00e3o passado por motivos de sa\u00fade. E o verdadeiro motivo do festival \u00e9 celebr\u00e1-lo. Dylan tamb\u00e9m est\u00e1 aqui para honr\u00e1-lo. O show \u00e9 \u00f3timo. A banda reduzida faz com que o velho Willie se concentre em sua voz e viol\u00e3o. Entre os m\u00fasicos est\u00e1 Waylon Payne, que duplica muitos dos vocais e assume a lideran\u00e7a em algumas can\u00e7\u00f5es, incluindo &#8220;Me and Bobby McGee&#8221;, &#8220;Help Me Make It Through the Night&#8221; e &#8220;Workin Man Blues&#8221;. Isso d\u00e1 a Nelson a chance de recuperar o f\u00f4lego e se preparar para a pr\u00f3xima m\u00fasica.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Willie Nelson Roll Me Up &amp; Smoke Me September 18 2025 Noblesville In Nunupics\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/QGcvaQwjFHA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Standards como &#8220;Angel Flying Too Close to the Ground&#8221; e &#8220;On the Road Again&#8221; soaram absolutamente majestosos e nos lembram de que este homem escreveu uma boa parte do Great American Songbook. Ao fim da apresenta\u00e7\u00e3o, Willie ainda joga algumas bandanas vermelhas com o nome dele para o p\u00fablico. Algo como as famigeradas rosas do Roberto Carlos, mas para cowboys de 90 anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um dia, Dylan e Willie viajar\u00e3o em pessoa pela estrada do destino para longe de n\u00f3s. Mas, por enquanto, ainda est\u00e3o aqui mostrando suas artes e compartilhando seu tempo conosco. Ainda que por um dia. Nos arredores de Indian\u00e1polis. Longe de qualquer mapa tur\u00edstico. Tocando a todos os que sentem o poder, por vezes solit\u00e1rio, mesmo entre multid\u00f5es, da comunh\u00e3o pela m\u00fasica.<\/p>\n<figure id=\"attachment_91853\" aria-describedby=\"caption-attachment-91853\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-91853 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/willie-nelson-1.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/willie-nelson-1.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/willie-nelson-1-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-91853\" class=\"wp-caption-text\"><em>Willie Nelson com Madeline Edwards, Sheryl Crow e Waxahatchee \/ Foto de Diego Queijo<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p><em>\u2013 Diego Queijo \u00e9 jornalista! Acompanhe:\u00a0<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/diegoqueijo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">instagram.com\/diegoqueijo<\/a>.\u00a0<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O que Dylan oferece hoje em dia \u00e9 mais uma explora\u00e7\u00e3o do jazz americano do que um show de rock &#8216;n&#8217; roll. Ele est\u00e1 l\u00e1 para se divertir e tocar. 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