{"id":91763,"date":"2025-10-09T00:02:04","date_gmt":"2025-10-09T03:02:04","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=91763"},"modified":"2025-11-17T00:31:13","modified_gmt":"2025-11-17T03:31:13","slug":"entrevista-figueira-lanca-ep-nesse-lugar-com-sonoridade-crua-e-ruidosa-do-indie-anos-90","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/10\/09\/entrevista-figueira-lanca-ep-nesse-lugar-com-sonoridade-crua-e-ruidosa-do-indie-anos-90\/","title":{"rendered":"Entrevista: Figueira lan\u00e7a EP \u201c&#8230; nesse lugar\u2026\u201d com sonoridade crua e ruidosa do indie anos 90"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/lvinhas78\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Leonardo Vinhas<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/figueiramusica\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Fabio Figueira<\/a> \u201cmilitou no underground\u201d, por assim dizer, e sumiu desse universo. Treze anos depois, o m\u00fasico volta, agora com um projeto solo que leva seu sobrenome, apresentando quatro can\u00e7\u00f5es no EP \u201c<a href=\"https:\/\/linktr.ee\/figueiramusica\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">&#8230; nesse lugar\u2026<\/a>\u201d (2025). Ele pode n\u00e3o estar mais \u201cmilitando\u201d, mas decididamente n\u00e3o abandonou o underground, garantindo a sonoridade suja e ruidosa apoiada em melodias pop \u2013 voc\u00ea sabe, aquilo que, algumas d\u00e9cadas atr\u00e1s, era chamado de \u201cindie\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Figueira era guitarrista da The Vain, uma das bandas mais ativas da cena indie paulista na primeira d\u00e9cada deste s\u00e9culo. Com base em Taubat\u00e9, o quinteto \/ sexteto \/ quarteto (a forma\u00e7\u00e3o variou muito) entregava can\u00e7\u00f5es cantadas em ingl\u00eas, equilibrando melodia, punch e certo senso pop, e sua pequena fama vinha dos shows adrenal\u00ednicos, nos quais os integrantes se acabavam, quase literalmente, tamanha a entrega das execu\u00e7\u00f5es, permeadas de uma aer\u00f3bica demente que desafiava a resist\u00eancia e a sa\u00fade deles pr\u00f3prios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas isso tudo foi at\u00e9 2012. A banda \u201cparou para descansar\u201d e nunca mais retomou as atividades. A maioria dos integrantes nunca mais se animou a montar uma banda, mas o baixista Julito Cavalcante se juntou a alguns amigos e formou o BIKE, com base na tamb\u00e9m valeparaibana S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos. Dois dos integrantes do BIKE \u2013 o guitarrista e vocalista Diego Xavier e o baterista Daniel \u201cFumega\u201d Dandas \u2013 colaboraram em \u201c&#8230; nesse lugar\u2026\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Xavier produziu o \u00e1lbum em parceria com o pr\u00f3prio Figueira, e a sonoridade entrega a paix\u00e3o de ambos por Dinosaur Jr., especialmente na maravilhosamente veloz e furiosa faixa-t\u00edtulo. \u201cMais um Dia\u201d vai em linha semelhante, mas um tanto mais desacelerada e um vocal quase spoken word nos versos. J\u00e1 \u201cAmanh\u00e3\u201d faz pensar que algu\u00e9m usou a divis\u00e3o m\u00e9trica e a melodia vocal das letras do Bar\u00e3o Vermelho da era Frejat e meteu num instrumental \u00e0 Superchunk. \u201cContumaz\u201d come\u00e7a dedilhada, vai ganhando ru\u00eddo e termina em microfonia pura e simples. Uma quinta faixa faria parte do disco mas foi limada e\u2026 bem, talvez devesse ter entrado no lugar dessa \u00faltima. Mas ei, se um projeto solo de \u201cindie das antigas\u201d n\u00e3o pode lan\u00e7ar um EP de estreia fazendo o que der na telha, quem mais vai poder?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sentado em um caf\u00e9 ap\u00f3s uma madrugada de labuta, Figueira contou um pouco da g\u00eanese desse disco e como ele recupera uma sonoridade que seu compositor jamais abandonou. E que, a julgar pelo papo aqui, n\u00e3o vai ficar s\u00f3 nesse EP (que voc\u00ea pode ouvir na integra abaixo s\u00f3 dando &#8216;play&#8217;).<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"... Nesse Lugar ...\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/videoseries?list=OLAK5uy_mP1a1yn7r_V_w7E--qTgC9Uk2CDs_iJbw\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mais de 10 anos fora da m\u00fasica, voc\u00ea volta \u2013 e volta solo. O que aconteceu nesses 13 anos entre o fim do The Vain e a grava\u00e7\u00e3o desse EP?<\/strong><br \/>\nAh, v\u00e1rias coisas. Com o The Vain, come\u00e7amos muito jovens, e ficamos 10 anos rodando, chegou uma hora em que est\u00e1vamos todos cansados. Era ensaio, show, grava\u00e7\u00e3o de disco, ensaio de novo\u2026 A gente ensaiava demais, eram duas, tr\u00eas vezes por semana, ensaiava s\u00e1bado, domingo. A gente queria aproveitar um pouco mais os fins de semana, e quando a gente deu a pausa \u2013 era para ser s\u00f3 uma pausa mesmo \u2013 ela acabou sendo definitiva.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E voc\u00ea n\u00e3o se envolveu em nada musical nesse meio tempo?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o, era s\u00f3 a vida sendo vida mesmo. N\u00e3o foi nada programado. Fiquei um tempo tocando para valer depois disso, tinha os meus meus instrumentos, viol\u00e3o, guitarra, eu fazia um barulhinho e tal, mas nada s\u00e9rio. A\u00ed, depois de muito tempo, resolvi voltar a me dedicar mais. Isso foi h\u00e1 uns quatro anos, comecei a tocar devagarzinho, devagarzinho, e a\u00ed a vida foi levando, tive um processo na vida que me levou a ficar um tempo sozinho, isolado, e foi nesse per\u00edodo que voltei a tocar todo dia direto. Come\u00e7ou a sair uma melodia aqui, uma melodia ali, da\u00ed eu falei: &#8220;Ah, vou fazer umas coisinha aqui de brincadeira, t\u00e1&#8221;. E acabei gostando do resultado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E voc\u00ea voltou t\u00e3o solo quanto poss\u00edvel, s\u00f3 n\u00e3o gravou as baterias, e veio assinando com o seu sobrenome. Isso me faz crer que esse \u00e9 um trabalho bastante pessoal para voc\u00ea.<\/strong><br \/>\nTotalmente, totalmente. Eu s\u00f3 n\u00e3o levei bateria porque n\u00e3o sei tocar (risos). Mas nas demos eu fazia bateria eletr\u00f4nica, eu mesmo usei um padzinho e fiz as bases. Quando as m\u00fasicas estavam mais ou menos prontas, eu as passava pro [Daniel] Dandas, baterista do BIKE. Depois a gente combinava de ir um dia no Wasabi (nota: est\u00fadio em S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos de Diego Xavier, tamb\u00e9m do BIKE e do Diego Xavier Trio) e gravava para mim. A\u00ed foi saindo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea fez esse disco com dois caras que se movimentam muito ainda na cena do Vale do Para\u00edba, e tamb\u00e9m fora dela, que s\u00e3o os dois integrantes do BIKE. O The Vain provavelmente foi a banda que mais agitou a cena do Vale do Para\u00edba nas \u00faltimas d\u00e9cadas: voc\u00eas organizaram muita coisa, discutiram, se movimentaram, fizeram at\u00e9 a cl\u00e1ssica turn\u00ea-roubada no exterior. Eu imagino que esse \u00edmpeto todo j\u00e1 nem cabe mais nesse momento, certo?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o cabe mesmo, certeza. Com o The Vain, a gente organizou bastante festival, bastante, botava a banda para tocar em Taubat\u00e9, em S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos, teve at\u00e9 um festival que fizemos em Santo Ant\u00f4nio do Pinhal em que foram os Blank Tapes (nota: Festival da Montanha, em 2010). Agora \u00e9 isso, um projeto solo. Quero tocar ao vivo em breve , a minha ideia \u00e9 lan\u00e7ar um pr\u00f3ximo EP e a\u00ed come\u00e7ar a fazer shows e tal, mas nada como naquela \u00e9poca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Essas can\u00e7\u00f5es do pr\u00f3ximo EP elas j\u00e1 existem? Est\u00e3o gravadas?<\/strong><br \/>\nTem umas duas ou tr\u00eas que j\u00e1 est\u00e3o gravadas, mas ainda estou fazendo ajustes em letras. E estou montando uma banda, inclusive j\u00e1 falei com umas pessoas, e acho que a gente deve come\u00e7ar a ensaiar entre outubro e novembro, e a\u00ed talvez o pr\u00f3ximo EP j\u00e1 n\u00e3o seja totalmente solo, mas com mais pessoas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O EP tem uma sonoridade que n\u00e3o \u00e9 muito comum hoje em dia, uma coisa crua, ruidosa, mesmo que exista melodia nas composi\u00e7\u00f5es. O indie p\u00f3s-Los Hermanos \u00e9 uma coisa totalmente diferente do indie dos anos 1990. Essa sonoridade, mais noise, mais garageira, inspirada pelo o que a gente chamava de \u201calternativo\u201d nos anos 90 \u00e9 cada vez mais rara, e com pouca renova\u00e7\u00e3o de artistas e p\u00fablico. Foi intencional esse resgate est\u00e9tico, mesmo que consciente que ele \u00e9 \u201cfora de moda\u201d?<\/strong><br \/>\nTodo dia eu ou\u00e7o alternativo 90, \u00e9 algo de que eu gosto e sinto falta. Nesse indie brasileiro que voc\u00ea falou, acho que falta guitarra, falta distor\u00e7\u00e3o, falta barulho. \u00c9 muita guitarra limpa, e como voc\u00ea falou, depois do Los Hermanos tudo foi para essa est\u00e9tica. Eu quis desgarrar disso, ir para o que eu acredito que seja um alternativo de verdade. Quis gravar desse jeito. Quando comecei o EP , eu estava ouvindo Pavement todo dia, e ali, al\u00e9m das guitarras, tem a voz. Eu n\u00e3o sou um cantor, n\u00e3o sou nada nem perto, mas \u00e9 aquilo, \u00e9 encaixar a voz que eu tenho dentro do som. \u00c9 um processo novo para mim tamb\u00e9m, porque nunca cantei. Sempre fazia as bases, fazia as m\u00fasicas, a letra, mas gravar a voz foi novidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tem uma melancolia em todas essas m\u00fasicas. Voc\u00ea falou que elas vieram depois de um per\u00edodo de recolhimento, e vejo essa melancolia e at\u00e9 uma certa m\u00e1goa nessas quatro can\u00e7\u00f5es. \u00c9 isso?<\/strong><br \/>\nSim, tem mesmo. Senti uma urg\u00eancia de falar disso. Gosto muito de me expressar com as guitarras, e o barulho todo, aquele caos, eles complementam aquilo que eu quero dizer. Acho que falo mais no instrumental do que na letra, mas \u00e9 isso: no dia a dia de um processo de recolhimento, voc\u00ea vive muita coisa sozinho, e tudo hoje \u00e9 muito polido. Falta raiva. E eu estava com urg\u00eancia de falar, n\u00e3o quis soar bonitinho, quis soltar tudo que estava preso dentro de mim, falar algumas coisas e fazer barulho.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-91765 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Fabio-Figueira-22-copiar.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"825\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Fabio-Figueira-22-copiar.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Fabio-Figueira-22-copiar-273x300.jpg 273w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u2013 Leonardo Vinhas (<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/leovinhas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">@leovinhas<\/a>) \u00e9 produtor e<\/em><em> autor do livro \u201c<a href=\"https:\/\/editorabarbante.com.br\/produtos\/o-evangelho-segundo-odair-censura-igreja-e-o-filho-de-jose-e-maria\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">O Evangelho Segundo Odair: Censura, Igreja e O Filho de Jos\u00e9 e Maria<\/a>\u201c.\u00a0<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Sentado em um caf\u00e9 ap\u00f3s uma madrugada de labuta, Figueira contou um pouco da g\u00eanese desse disco e como ele recupera uma sonoridade que seu compositor jamais abandonou\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/10\/09\/entrevista-figueira-lanca-ep-nesse-lugar-com-sonoridade-crua-e-ruidosa-do-indie-anos-90\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":6,"featured_media":91764,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[7928],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/91763"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=91763"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/91763\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":91766,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/91763\/revisions\/91766"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/91764"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=91763"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=91763"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=91763"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}