{"id":91717,"date":"2025-10-06T00:01:50","date_gmt":"2025-10-06T03:01:50","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=91717"},"modified":"2025-10-20T02:12:02","modified_gmt":"2025-10-20T05:12:02","slug":"entrevista-gilmar-dantas-fala-sobre-o-festival-suica-bahiana-que-comemora-15-anos-de-historia-no-interior-do-nordeste","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/10\/06\/entrevista-gilmar-dantas-fala-sobre-o-festival-suica-bahiana-que-comemora-15-anos-de-historia-no-interior-do-nordeste\/","title":{"rendered":"Entrevista: Gilmar Dantas fala sobre o Festival Su\u00ed\u00e7a Bahiana, que comemora 15 anos de hist\u00f3ria no interior do Nordeste"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\">entrevista de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/danilosouza.jornalismo\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Danilo Souza<\/a><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">O <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/festivalsuicabahiana\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Festival Su\u00ed\u00e7a Bahiana<\/a> (FSB), um dos grandes do interior da Bahia e de todo o Nordeste, completa 15 anos em 2025. Fortalecendo a cena alternativa e independente, o FSB mescla m\u00fasica regional com grandes nomes da m\u00fasica brasileira. Na edi\u00e7\u00e3o programada para acontecer em 18 e 19 de outubro na cidade de Vit\u00f3ria da Conquista, por exemplo, o line-up destaca Nenhum de N\u00f3s, Vivendo do \u00d3cio, Black Pantera, Tiquequ\u00ea e at\u00e9 um nome internacional, o nigeriano ChingyKlean, ao lado de nomes como <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=90358\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Pipa<\/a>, Cayar\u00ed, Lai\u00f4 e Oderi\u00ea Y as Flechas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para Gilmar Dantas, organizador do FSB, o Su\u00ed\u00e7a Bahiana cumpre uma miss\u00e3o importante ao lado do Feira Noise, de Feira de Santana, por ser um palco que amplia a visibilidade dos artistas locais. \u201cVoc\u00ea v\u00ea um estado com 411 munic\u00edpios e s\u00f3 tem dois festivais no interior inteiro com essa pegada\u2026 \u00e9 muito dif\u00edcil achar um festival de Salvador que tenha essa mesma pegada, essa representatividade e esse p\u00fablico que o Sul e Sudoeste baiano tem, ent\u00e3o ouso dizer que s\u00e3o os dois festivais autorais mais importantes para a cena independente da Bahia\u201d, ele opina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No seu anivers\u00e1rio de 15 anos, o festival recebe um presente mais que especial: uma apresenta\u00e7\u00e3o de Elomar, nascido em Vit\u00f3ria da Conquista: \u201cElomar \u00e9 uma lenda! E ele nunca se apresentou em um festival independente, seja o <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/05\/07\/balanco-abril-pro-rock-2016\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Abril Pro Rock<\/a>, em Recife, seja o <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?s=Festival+Dosol\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Festival Dosol<\/a>, em Natal, enfim, tem milhares de festivais no Brasil e nenhum deles teve Elomar. E a\u00ed, pensamos: \u2018p\u00f4, o Elomar mora aqui em Vit\u00f3ria da Conquista, ent\u00e3o\u2026 se n\u00e3o for a gente, n\u00e3o vai ser ningu\u00e9m que vai conseguir\u201d\u2019, conta Dantas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na conversa abaixo, Gilmar Dantas fala mais sobre a hist\u00f3ria do festival e o que esperar da edi\u00e7\u00e3o deste ano.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-91718 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/fsb1.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"938\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/fsb1.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/fsb1-240x300.jpg 240w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Nesta edi\u00e7\u00e3o, o Festival Su\u00ed\u00e7a Bahiana vai comemorar 15 anos de hist\u00f3ria. Qual era o sonho inicial deste projeto quando ele nasceu? O que voc\u00ea pretendia trazer de diferencial para a cena da cidade?<\/strong><br \/>\nTodo festival come\u00e7a com uma cena e a cena do [Festival] Su\u00ed\u00e7a Bahiana nasceu quando come\u00e7amos a fazer o Noites Fora do Eixo. A gente imaginava que tinha muitas bandas indo tocar em Salvador nas sextas-feiras e nos s\u00e1bados e pensamos que pod\u00edamos aproveitar essas bandas para se apresentar aqui em Vit\u00f3ria da Conquista nas quintas-feiras. Eram shows que recebiam sempre uma banda de fora e uma banda local e a gente fazia toda quinta, fa\u00e7a chuva ou fa\u00e7a sol. Tinha dia que iam 50 pessoas, tinha dia que iam 100\u2026 ent\u00e3o, no final de 2010, pensamos: \u201ce se a gente conseguisse reunir esse p\u00fablico juntando v\u00e1rias dessas bandas que mais se destacaram ao longo do ano e outras que ainda n\u00e3o vieram na cidade em um festival?\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Festival Su\u00ed\u00e7a Bahiana foi como uma \u201cgrande festa da firma\u201d do Noites Fora do Eixo, digamos assim, e deu muito certo! T\u00e3o certo que, no ano seguinte, a prefeitura nos chamou para dialogar e patrocinar o festival porque queria que ele crescesse. A gente continuou a fazer essas Noites Fora do Eixo toda quinta feira, mas, em 2011, com o apoio da prefeitura, o festival cresceu muito, e j\u00e1 veio uma mega edi\u00e7\u00e3o logo de cara com Emicida, Ratos de Por\u00e3o, Marcelo Jeneci, BNeg\u00e3o, Autoramas, Marechal, Rashid\u2026 um elenco de estrelas, al\u00e9m de todas as bandas baianas que estavam se destacando na \u00e9poca, como a Maglore.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Hoje, j\u00e1 \u00e9 certo afirmar que o festival se consolidou como um dos principais do interior da Bahia. O que ele representa para a cena cultural alternativa de Vit\u00f3ria da Conquista?<\/strong><br \/>\nNo interior da Bahia, o Festival Feira Noise [de Feira de Santana] e o Festival Su\u00ed\u00e7a Bahiana s\u00e3o dois gigantes, n\u00e3o d\u00e1 para dizer nem qual \u00e9 o mais importante, eles s\u00e3o do mesmo tamanho e da mesma import\u00e2ncia porque \u00e9 uma grande chance de uma banda baiana se apresentar em um festival autoral no interior da Bahia. Voc\u00ea v\u00ea um estado com 411 munic\u00edpios e s\u00f3 tem dois festivais no interior inteiro com essa pegada\u2026 \u00e9 muito dif\u00edcil achar um festival de Salvador que tenha essa mesma pegada, essa representatividade e esse p\u00fablico que o Sul e Sudoeste baiano tem, ent\u00e3o ouso dizer que s\u00e3o os dois festivais autorais mais importantes para a cena independente da Bahia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Organizar um festival no interior do Nordeste, fora do eixo Rio-S\u00e3o Paulo, traz desafios espec\u00edficos. Quais foram os maiores obst\u00e1culos nesses 15 anos?<\/strong><br \/>\n\u00c9 o mesmo desafio que qualquer grande festival independente brasileiro e eu incluo at\u00e9 os das capitais, como Salvador e Recife: continuidade. Manter uma regularidade de financiamento e de capta\u00e7\u00e3o de recursos todo ano \u00e9 um trabalho muito cansativo, repetitivo e dif\u00edcil. Muitas vezes o festival n\u00e3o consegue captar. Olha o Abril Pro Rock, por exemplo, com trinta anos de hist\u00f3ria e que n\u00e3o aconteceu esse ano porque n\u00e3o conseguiu captar recursos \u2013 e estamos falando de Recife, uma capital gigantesca do Nordeste, important\u00edssima e com hist\u00f3rico. Esse \u00e9 o grande desafio e acho que isso est\u00e1 muito ligado a falta de pol\u00edticas p\u00fablicas para festivais e para cultura em geral, porque a \u00fanica pol\u00edtica p\u00fablica que acaba chegando s\u00e3o editais e isso \u00e9 muito injusto, porque ningu\u00e9m vai conseguir ganhar edital todo ano. Voc\u00ea pode ganhar um aqui ou outro ali, mas isso n\u00e3o vai garantir sua sobreviv\u00eancia, porque o edital vai dar conta de apenas uma edi\u00e7\u00e3o e na pr\u00f3xima voc\u00ea volta para a luta.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-91719 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/fsb2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"491\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/fsb2.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/fsb2-300x196.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O festival sempre buscou ser plural, e isso fica bem claro no line-up deste ano, que vai desde o rock pesado, com a Black Pantera, passando pela m\u00fasica regional, com Elomar, e chegando a uma atra\u00e7\u00e3o infantil, com a banda Tiquequ\u00ea. Qual mensagem voc\u00eas quiseram passar ao reunir artistas t\u00e3o diferentes no mesmo palco?<\/strong><br \/>\nA gente preza a inclus\u00e3o em todos os eixos. N\u00f3s est\u00e1vamos tendo muita dificuldade em ter artistas negros participando da produ\u00e7\u00e3o da programa\u00e7\u00e3o, por exemplo, e neste ano vamos ter sete. Tamb\u00e9m teremos tr\u00eas artistas ind\u00edgenas participando, al\u00e9m de um edital para bandas que tenham mulheres participando. \u00c9 um festival que come\u00e7a cedo [\u00e0s 14h], porque aqui na cidade h\u00e1 uma dificuldade de eventos para o p\u00fablico infantil e a \u00fanica coisa que tem para os pais levarem os filhos \u00e9 o shopping. Ent\u00e3o, para a gente, \u00e9 muito importante incluir esse p\u00fablico e tamb\u00e9m o p\u00fablico idoso, que n\u00e3o tem muita op\u00e7\u00e3o na cidade\u2026 os eventos come\u00e7am \u00e0s 22h ou 23h, quando o idoso j\u00e1 est\u00e1 indo dormir. Um festival \u00e0 tarde e gratuito \u00e9 justamente para facilitar o acesso desse p\u00fablico, porque sabemos que tem muita gente que quer ir, mas n\u00e3o tem dinheiro\u2026 e acontece em um lugar centralizado, que \u00e9 o Centro de Cultura [Camillo de Jesus Lima], para facilitar o deslocamento das pessoas. A curadoria passa muito por essa quest\u00e3o da inclus\u00e3o. J\u00e1 na m\u00fasica, a curadoria do festival \u00e9 baseada no autoral e nas variedades de ritmos que refletem a riqueza da m\u00fasica brasileira, que \u00e9 muito plural. Essa inclus\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 regional, j\u00e1 que tem artistas da regi\u00e3o Norte, Nordeste, Sul, Sudoeste e Centro Oeste. Tudo isso \u00e9 proposital, n\u00e3o \u00e9 coincid\u00eancia. N\u00f3s colocamos isso no papel para entregar o festival mais inclusivo poss\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Agora aprofundando sobre essas atra\u00e7\u00f5es, o Elomar \u00e9 um dos maiores s\u00edmbolos culturais de Vit\u00f3ria da Conquista. Como \u00e9 para o festival receber um artista t\u00e3o emblem\u00e1tico justamente nessa edi\u00e7\u00e3o de 15 anos?<\/strong><br \/>\nElomar \u00e9 uma lenda! E ele nunca se apresentou em um festival independente, seja o Abril Pro Rock, em Recife, seja o Festival Dosol, em Natal, enfim, tem milhares de festivais no Brasil e nenhum deles teve Elomar. E a\u00ed, pensamos: \u201cp\u00f4, o Elomar mora aqui em Vit\u00f3ria da Conquista, ent\u00e3o\u2026 se n\u00e3o for a gente, n\u00e3o vai ser ningu\u00e9m que vai conseguir. Por que n\u00e3o tentar?\u201d. Sab\u00edamos que era muito dif\u00edcil e quase imposs\u00edvel, mas era uma obriga\u00e7\u00e3o nossa tentar. Fomos pra cima! Tivemos v\u00e1rias reuni\u00f5es com a produ\u00e7\u00e3o, explicamos o festival, os artistas que v\u00e3o tocar, o hor\u00e1rio, as condi\u00e7\u00f5es\u2026 depois de muito tempo e muita negocia\u00e7\u00e3o, n\u00f3s conseguimos a aprova\u00e7\u00e3o e ficamos muito felizes. \u00c9 hist\u00f3rico! Podemos dizer que, aos 87 anos, Elomar se apresentar\u00e1 pela primeira vez em um festival independente. Isso abre um espa\u00e7o, assim como foi a Armandinho no ano passado, e j\u00e1 cria um conceito. Em toda edi\u00e7\u00e3o do festival n\u00f3s queremos ter uma grande atra\u00e7\u00e3o brasileira abrindo acompanhado da Orquestra [Conquista Sinf\u00f4nica]. J\u00e1 estou at\u00e9 pensando aqui qual \u00e9 o pr\u00f3ximo grande nome da m\u00fasica brasileira que eu vou chamar (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O rock ficou bem representado para a edi\u00e7\u00e3o deste ano, n\u00e9? Tem a Vivendo do \u00d3cio, que representa uma nova gera\u00e7\u00e3o do rock da Bahia, ao mesmo tempo que tem Nenhum de N\u00f3s, um grupo cl\u00e1ssico e super conhecido. Como voc\u00ea enxerga esse di\u00e1logo entre passado e presente?<\/strong><br \/>\nEstamos vendo uma renova\u00e7\u00e3o nacional do rock depois de muito tempo. A gente ouvia muito que \u201co rock est\u00e1 morto\u201d e n\u00e3o sei o qu\u00ea, mas hoje claramente h\u00e1 uma nova gera\u00e7\u00e3o chegando e lotando eventos novamente com um discurso novo, n\u00e3o s\u00e3o bandas que est\u00e3o copiando as bandas dos anos oitenta. Estamos trazendo a Nenhum de N\u00f3s justamente para mostrar como \u00e9 diferente o rock dos anos oitenta com o rock atual. Gostamos de mostrar nesta edi\u00e7\u00e3o a diversidade que o novo rock brasileiro est\u00e1 fazendo e sem deixar de reverenciar os grandes \u00edcones, que nesse caso \u00e9 o Nenhum de N\u00f3s, uma banda in\u00e9dita na cidade, temos que ressaltar isso, n\u00e9? S\u00e3o 37 anos de banda e agora ser\u00e1 a primeira vez em Vit\u00f3ria da Conquista, ent\u00e3o, ficamos muito felizes em realizar esse feito. O Su\u00ed\u00e7a Bahiana preza sempre o ineditismo. Para n\u00f3s, n\u00e3o faz sentido ter um Paralamas do Sucesso no festival porque \u00e9 uma banda que costuma vir por outras vias, como o Festival de Inverno Bahia (FIB). A gente sabe qual \u00e9 o nicho que devemos atacar, at\u00e9 onde devemos ir sem invadir os espa\u00e7os do coleguinha. N\u00f3s aproveitamos essa brecha para apresentar a banda aqui pela primeira vez na cidade, mas isso n\u00e3o quer dizer que estamos migrando para um festival mainstream nem nada do tipo, n\u00e3o.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-91720 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/fsb3.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"491\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/fsb3.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/fsb3-300x196.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Al\u00e9m deles dois, ainda tem a Black Pantera, que \u00e9 bastante engajada neste discurso da diversidade e da resist\u00eancia, caracter\u00edsticas que moldam o prop\u00f3sito do Festival. Qual a import\u00e2ncia de trazer esse tipo de mensagem para um evento que recebe um p\u00fablico de todas as idades?<\/strong><br \/>\nN\u00f3s temos que mostrar para o p\u00fablico mais jovem que o rock tem essa conex\u00e3o com a pol\u00edtica, com a for\u00e7a e a expressividade. \u00c9 preciso que os shows tenham um contexto, ent\u00e3o, trazer o Black Pantera significa colocar o festival dentro do contexto atual e de um discurso. N\u00e3o \u00e9 que a gente quer que o p\u00fablico concorde ou n\u00e3o com o discurso do Black Pantera, mas, querendo ou n\u00e3o, \u00e9 importante mostrar um posicionamento e \u00e9 isso que estamos trazendo agora, uma banda conectada com seu tempo, com o que est\u00e1 acontecendo, com pautas delicadas e que precisam ser discutidas. Se um festival n\u00e3o tem um prop\u00f3sito pol\u00edtico, se torna apenas uma festa de entretenimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Nesta edi\u00e7\u00e3o voc\u00eas conseguiram uma atra\u00e7\u00e3o internacional, que \u00e9 o nigeriano ChingyKlean. Como foi feita essa conex\u00e3o entre voc\u00eas?<\/strong><br \/>\nUma das metas nessa edi\u00e7\u00e3o de 2025 era um headliner internacional. S\u00f3 que era uma meta muito dif\u00edcil, ent\u00e3o t\u00ednhamos umas outras metas, como um headliner pro p\u00fablico infantil, o que a gente conseguiu com a Tiquequ\u00ea. N\u00e3o conseguimos todas, mas nos aproximamos delas. Trazer uma atra\u00e7\u00e3o internacional, mesmo que n\u00e3o seja como um headliner, comp\u00f4s bem a programa\u00e7\u00e3o. O ChingyKlean foi um artista que assistimos na Semana Internacional da M\u00fasica, em S\u00e3o Paulo, e foi uma coisa natural, porque achamos que \u00e9 muito importante essa conex\u00e3o da Bahia com os pa\u00edses africanos. A m\u00fasica africana \u00e9 uma m\u00fasica muito rica e v\u00e1rios estilos baianos t\u00eam se apropriado e adaptado dela.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E o que o p\u00fablico pode esperar desta edi\u00e7\u00e3o comemorativa? Algum diferencial em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s anteriores?<\/strong><br \/>\n\u00c9 muito dif\u00edcil apresentar coisas novas relacionadas \u00e0 estrutura porque \u00e9 um festival que ainda tem um or\u00e7amento bem pequeno. N\u00e3o d\u00e1 para prometer grandes inova\u00e7\u00f5es em termos estruturais, at\u00e9 porque a edi\u00e7\u00e3o do ano passado foi a primeira neste formato com dois palcos e shows intercalados no Centro de Cultura, utilizando a \u00e1rea externa do espa\u00e7o e ela j\u00e1 deu um funcionamento inicial muito bom, \u00e9 um formato muito novo para j\u00e1 mudar de cara. Eu acho interessante, inclusive, manter esse mesmo formato para consolid\u00e1-lo e testar ainda mais as suas potencialidades e a\u00ed, nos pr\u00f3ximos anos, pensar em mais e mais inven\u00e7\u00f5es e mais novidades para apresentar para o p\u00fablico.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-91721 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/fsb4.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"491\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/fsb4.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/fsb4-300x196.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Chegar aos 15 anos j\u00e1 \u00e9 uma conquista rara no cen\u00e1rio musical independente. Quais s\u00e3o os pr\u00f3ximos sonhos para o festival?<\/strong><br \/>\nA gente n\u00e3o pensa em uma expansividade muito grande em termos de p\u00fablico, porque tr\u00eas mil pessoas por dia em um festival de m\u00fasica autoral j\u00e1 \u00e9 um p\u00fablico muito grande. Mas talvez ir para o [Espa\u00e7o Cultural] Glauber Rocha nas pr\u00f3ximas edi\u00e7\u00f5es seja um caminho muito interessante para que a gente possa desenvolver essas a\u00e7\u00f5es para al\u00e9m da m\u00fasica, porque o Centro de Cultura \u00e9 muito apertadinho e n\u00e3o tem nem como colocar muitas a\u00e7\u00f5es, tudo que a gente coloca ali pode diminuir a capacidade de p\u00fablico no espa\u00e7o. Se eu coloco um estande, j\u00e1 s\u00e3o cem pessoas a menos que eu vou poder colocar na capacidade. E como eu falei, uma das grandes pretens\u00f5es para as pr\u00f3ximas edi\u00e7\u00f5es \u00e9 um headliner internacional. Acho que Vit\u00f3ria da Conquista tem um potencial para receber essas atra\u00e7\u00f5es internacionais, nem que seja uma por edi\u00e7\u00e3o, e n\u00f3s temos tudo para conseguir fazer isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E quais nomes est\u00e3o no radar para ser esse headliner internacional?<\/strong><br \/>\nTem v\u00e1rios, e inclusive j\u00e1 estamos em contato para ver a possibilidade. Julian Marley [filho de Bob Marley] seria incr\u00edvel para a gente. Tem a Mayra Andrade, que \u00e9 uma artista de Cabo Verde que tamb\u00e9m est\u00e1 muito conectada com a nossa proposta e que j\u00e1 fez outros shows em Salvador, h\u00e1 alguns contatos com esses artistas. E tamb\u00e9m artistas do metal, n\u00f3s j\u00e1 tivemos experi\u00eancias bem sucedidas nessa linguagem, mas com um headliner ainda n\u00e3o. N\u00f3s temos di\u00e1logos com Nightwish e a com Sonata Arctica, que s\u00e3o bandas que tem um p\u00fablico gigantesco no metal e \u00e9 um estilo que vem se renovando tamb\u00e9m. S\u00e3o algumas das possibilidades\u2026<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-91722 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/fsb5.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"491\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/fsb5.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/fsb5-300x196.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u2013 Danilo Souza \u00e9 estudante de jornalismo da UESB (Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia). Acompanhe seu trabalho em\u00a0<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/danilosouza.jornalismo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">instagram.com\/danilosouza.jornalismo<\/a>.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"No seu anivers\u00e1rio de 15 anos, o festival recebe um presente mais que especial: uma apresenta\u00e7\u00e3o de Elomar, nascido em Vit\u00f3ria da Conquista:\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/10\/06\/entrevista-gilmar-dantas-fala-sobre-o-festival-suica-bahiana-que-comemora-15-anos-de-historia-no-interior-do-nordeste\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":153,"featured_media":91727,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/91717"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/153"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=91717"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/91717\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":91729,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/91717\/revisions\/91729"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/91727"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=91717"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=91717"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=91717"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}