{"id":91656,"date":"2025-10-02T00:13:02","date_gmt":"2025-10-02T03:13:02","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=91656"},"modified":"2025-11-08T00:26:08","modified_gmt":"2025-11-08T03:26:08","slug":"entrevista-firefriend-lanca-dois-discos-ao-mesmo-tempo-e-declara-amor-ao-rock-aos-vinis-e-a-jorge-benjor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/10\/02\/entrevista-firefriend-lanca-dois-discos-ao-mesmo-tempo-e-declara-amor-ao-rock-aos-vinis-e-a-jorge-benjor\/","title":{"rendered":"Entrevista: Firefriend lan\u00e7a dois discos ao mesmo tempo e declara amor ao rock, aos vinis e a Jorge Benjor"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista de\u00a0<a href=\"https:\/\/bsky.app\/profile\/villon.bsky.social\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Elsa Villon<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com mais de 20 anos de estrada, a <a href=\"https:\/\/www.firefriend.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Firefriend<\/a> passou o m\u00eas de setembro fazendo shows no Reino Unido enquanto dois discos saiam do forno ao mesmo tempo: &#8220;<a href=\"https:\/\/firefriend.bandcamp.com\/music\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Blue Radiation<\/a>&#8221; e &#8220;<a href=\"https:\/\/firefriend.bandcamp.com\/music\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Fuzz<\/a>&#8220;. Al\u00e9m dos \u00e1lbuns e da turn\u00ea, a Firefriend est\u00e1 com uma nova forma\u00e7\u00e3o, contando agora com Ricardo Cifas (bateria) e Pinhead (synth e teclados), ao lado dos fundadores Julia Grassetti (baixo e vocais) e Yury Hermuche (guitarra e vocais).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se os dois discos foram lan\u00e7ados ao mesmo tempo, quem veio primeiro: &#8220;Blue Radiation&#8221; ou&#8221; Fuzz&#8221;? Tal como g\u00eameos, um \u00e9 mais velho e a resposta \u00e9 dada pelas texturas e experimentalismos de &#8220;Blue Radiation&#8221;, fruto de jams e improvisos no por\u00e3o durante a pandemia em uma realidade dist\u00f3pica permeada pela incerteza e o isolamento social. \u201cTocamos como se fosse a \u00faltima vez, sem saber se ir\u00edamos estar vivos&#8221;, contam Julia e Yury. As 10 faixas s\u00e3o um mergulho melanc\u00f3lico de tempos dif\u00edceis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Fuzz&#8221;, o irm\u00e3o mais jovem, foi gravado no final de 2024, em outro cen\u00e1rio dist\u00f3pico: uma iminente Terceira Guerra Mundial. Mas h\u00e1 uma gota de otimismo, segundo os m\u00fasicos: \u201cO mundo est\u00e1 derretendo, mas precisamos seguir em frente, n\u00e3o d\u00e1 para ficar na melancolia&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O otimismo ganha forma f\u00edsica, com as edi\u00e7\u00f5es em vinil no Reino Unido, pelo selo Cardinal Fuzz, e nos Estados Unidos, pelo Little Cloud. \u00c9 o d\u00e9cimo segundo \u00e1lbum lan\u00e7ado em \u00e1guas internacionais. Cuca Ferreira (sax) e Daniel Verano (trompete) trazem as camadas dos metais para as faixas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Alerta de spoiler: se voc\u00ea \u00e9 da turma do vinil e quiser garantir uma c\u00f3pia, vai descobrir como no final da entrevista, al\u00e9m de novidades exclusivas contadas por Julia e Yury:<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Spearhead (rehearsal - Aug 17, 2025)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/RScCUM7JLDM?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00eas acabaram de lan\u00e7ar dois \u00e1lbuns, como foi esse processo criativo, de pensar nas composi\u00e7\u00f5es? J\u00e1 tinham essa ideia de dois trabalhados separados ou foi algo que aconteceu durante a cria\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nFirefriend: Os dois discos nasceram em momentos diferentes, cada um com um processo bem particular. A ideia de lan\u00e7\u00e1-los juntos veio mais recentemente, com um alinhamento de oportunidades. Entendemos que era muito legal lan\u00e7ar dois discos t\u00e3o diferentes ao mesmo tempo. Eles s\u00e3o meio irm\u00e3os, mas cada um tem um processo diferente. O &#8220;Blue Radiation&#8221; veio de jams, sess\u00f5es de improviso J\u00e1 o &#8220;Fuzz&#8221; s\u00e3o can\u00e7\u00f5es produzidas, compostas, gravadas num est\u00fadio profissional. Os processos t\u00eam um caminho semelhante, porque costumamos fazer isso, esse processo de jams e improvisos, ent\u00e3o muitas das m\u00fasicas do &#8220;Fuzz&#8221; surgiram em improvisos como os do &#8220;Blue Radiation&#8221;. Em algum momento, eles passam pelo mesmo processo, mas h\u00e1 uma bifurca\u00e7\u00e3o ali, cada um vai para um lado. E tem uma coisa tamb\u00e9m que \u00e9 quando amarramos os discos, quando os fechamos. Cada novo trabalho \u00e9 uma proposta de 40 minutos a uma hora para as pessoas flutuarem por a\u00ed, irem para outros lugares.Quando amarramos esses dois discos, a impress\u00e3o \u00e9 de que eles levam para lugares diferentes, cada um com seu pr\u00f3prio tipo de viol\u00eancia, mas cada um vai para um lugar diferente. E \u00e9 bacana porque a banda tamb\u00e9m tem muitos \u00e2ngulos, muitas formas. E agora somos em quatro m\u00fasicos diferentes, cada um com as suas pr\u00f3prias influ\u00eancias, ent\u00e3o \u00e0s vezes queremos explorar novas coisas. Essa coisa dos improvisos \u00e9 muito parte da gente tamb\u00e9m. O Firefriend faz muito isso, mas se voc\u00ea s\u00f3 conhece o Firefriend pelo Spotify ou por um ou dois shows, n\u00e3o entende que a banda tamb\u00e9m tem esse lado de tocar livremente, de fazer explorar, experimentar sem medo. Sem amarras, simplesmente deixar vir os, a m\u00fasica vir, o som acontecer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Eu senti uma liga\u00e7\u00e3o com o jazz. J\u00e1 era algo pensado? Isso surgiu no meio do caminho? Como \u00e9 que foi esse processo?<\/strong><br \/>\nFirefriend: N\u00e3o \u00e9 a primeira vez que fazemos isso nos nossos discos, j\u00e1 fizemos algumas vezes no passado. Sempre achamos legal incluir novas texturas, novas camadas de som, porque elas tamb\u00e9m s\u00e3o novas vozes no som e \u00e9 interessante arranjar as m\u00fasicas de uma forma que tenha sons e ideias diferentes. Dessa vez, chamamos o Cuca Ferreira (sax) e o Daniel Verano (trompete) e foi muito bom. Eles foram para est\u00fadio, n\u00f3s trocamos ideias sobre como podiam ser os arranjos, eles vieram com as ideias deles, a J\u00falia trouxe muitas ideias tamb\u00e9m dos arranjos e eles toparam, entraram na onda e foi sensacional. Isso \u00e9 demais, porque enriquece, o som de trompete, de sax de verdade, nada contra o synth, sempre usamos muito synth tamb\u00e9m, adoramos. Mas poder trazer para um disco seu um sax e um trompete bem gravado, bem executado, bem composto, isso traz um volume, uma gordura para o som, \u00e9 gostoso. Voc\u00ea coloca no fone e s\u00e3o mais camadas de instrumentos, fica muito bonito. \u00c9 muito legal poder fazer isso, poder contar com m\u00fasicos t\u00e3o fodas assim para ajudar a gente a fazer isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Houve a contribui\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios outros m\u00fasicos tamb\u00e9m, como Paulo Beto, um mestre do synth aqui de S\u00e3o Paulo, e v\u00e1rios outros m\u00fasicos maravilhosos que adicionaram texturas e sons diferentes do que o que n\u00f3s mesmos produzimos. Isso abre um leque de novas frequ\u00eancias, texturas e camadas, e para onde voc\u00ea pode ir. Cada um traz tamb\u00e9m a sua identidade, as suas influ\u00eancias, que \u00e0s vezes nem sabemos quais s\u00e3o, mas n\u00e3o interessa, porque interessa \u00e9 o que est\u00e1 ali no final, mas vai adicionando sabores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Teve um trecho do release que me chamou a aten\u00e7\u00e3o: \u201cEnquanto &#8216;Fuzz&#8217; explora can\u00e7\u00f5es cobertas por texturas, &#8216;Blue Radiation&#8217; aposta no foco nas atmosferas sensoriais\u201d. Como voc\u00eas definiriam as texturas exploradas em &#8220;Fuzz&#8221; e quais atmosferas sensoriais voc\u00eas imaginaram em &#8220;Blue Radiation&#8221;?<\/strong><br \/>\nFirefriend: Essa quest\u00e3o \u00e9 um pouco do que j\u00e1 falamos com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s texturas, de explorar. Tem um leque bem variado de sons, de synths, de metais, de piano. Ao passo que o &#8220;Blue Radiation&#8221;, ele \u00e9 um disco que n\u00e3o teve uma produ\u00e7\u00e3o, a gente n\u00e3o fez overdubs nele. \u00c9 o som tirado por n\u00f3s tr\u00eas naquele momento, um registro de um momento no tempo e no espa\u00e7o que s\u00f3 foi feito uma vez com os instrumentos que a gente estava tocando na hora, sem overdubs. Acho que isso leva para o lado mais sensorial, porque voc\u00ea acaba tentando imaginar da onde aquele som est\u00e1 vindo. S\u00e3o tr\u00eas pessoas tocando ali, da onde est\u00e1 vindo, o que que \u00e9 isso? Da onde vem? Te convida a explorar caminhos atrav\u00e9s de menos instrumentos, menos frequ\u00eancias e texturas, mas buscamos explorar muito como us\u00e1-las e as usamos de diversas formas. Criamos o baixo como se fosse outro som que n\u00e3o o do baixo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tem uma coisa tamb\u00e9m que \u00e9 interessante no &#8220;Blue Radiation&#8221;: ele foi gravado bem no pico da pandemia aqui em S\u00e3o Paulo, quando parecia que o mundo estava acabando e a cidade estava mais vazia do que jamais foi. Uma situa\u00e7\u00e3o muito estranha em que as pessoas estavam morrendo. Fic\u00e1vamos na cidade ouvindo as ambul\u00e2ncias passando. E nesse clima, naquele momento, de isolamento total, a m\u00fasica foi o que fez com que consegu\u00edssemos ficar mais ou menos s\u00e3os. Foi nesse clima que gravamos a maior parte do material do &#8220;Blue Radiation&#8221;. Ent\u00e3o, ele \u00e9 feito de improvisos, mas s\u00e3o improvisos muito marcados por essa sensa\u00e7\u00e3o de que o mundo estava se derretendo, se desmanchando, sabe? Isso \u00e9 bem diferente tamb\u00e9m do &#8220;Fuzz&#8221;, criado e gravado bem no meio da Terceira Guerra Mundial. O mundo est\u00e1 realmente acabando. S\u00e3o momentos diferentes assim e sons diferentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Ou\u00e7a os \u00e1lbuns &#8220;Blue Radiation&#8221; e &#8220;Fuzz&#8221; na integra abaixo<\/em><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Behavioral Futures Market\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Zgu2SwPOvak?list=OLAK5uy_n5sbzC0VTnudnUjL5ha6UMz3UiTnLa2W4\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Fuzz\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/videoseries?list=OLAK5uy_mj0Kj0U9aSKirv6P8HU2sYqFWHO4vD9C8\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0Voc\u00eas acham que tem um vi\u00e9s melanc\u00f3lico no &#8220;Blue Radiation&#8221;?<\/strong><br \/>\nFirefriend: Com certeza, ele parece um lamento, \u00e9 melanc\u00f3lico. Est\u00e1vamos trancados em casa, t\u00ednhamos um por\u00e3o onde ensaiamos e est\u00e1vamos ali, naquele momento, tocando sem saber se um dia ir\u00edamos voltar a fazer show, se ir\u00edamos sair de casa, se n\u00e3o ir\u00edamos morrer, conseguir tocar e gravar de novo, se um de n\u00f3s iria morrer, se o mundo inteiro ia morrer. Tinha ali uma urg\u00eancia tamb\u00e9m, uma coisa de n\u00e3o temos tempo a perder. Cada momento vivido poderia ser o \u00faltimo, sempre temos isso em mente, voc\u00ea pode atravessar a rua e morrer, mas numa pandemia, voc\u00ea liga o jornal e morrem 1000 pessoas, depois mais 1000 e assim por diante&#8230; era muito apocal\u00edptico. N\u00f3s realmente n\u00e3o sab\u00edamos se haveria amanh\u00e3. Cada momento daquele nosso ali tocando podia ser o \u00faltimo, ainda mais no governo Bolsonaro. Est\u00e1vamos vivendo aquele mundo horr\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Se o &#8220;Blue Radiation&#8221; tem esse vi\u00e9s melanc\u00f3lico, podemos dizer que o &#8220;Fuzz&#8221; tem um vi\u00e9s ca\u00f3tico?<\/strong><br \/>\nFirefriend: Pois \u00e9, essa \u00e9 a grande quest\u00e3o. Como voc\u00ea encara um mundo em que ao mesmo tempo tem bandas lan\u00e7ando discos enquanto est\u00e1 rolando um genoc\u00eddio e a Terceira Guerra Mundial? Essa situa\u00e7\u00e3o em que temos que lidar com o cotidiano e a vida real com essas amea\u00e7as nada abstratas de fim do mundo. Como a humanidade est\u00e1 lidando com isso, \u00e9 muito surreal. Ainda vamos ao shopping, as pessoas ainda saem, seguem planejando tours, f\u00e9rias, mas o momento \u00e9 muito perigoso. Acho que o Fuzz \u00e9 um pouco assim, o que que a gente faz no meio disso tudo. Mas ele tamb\u00e9m tem um otimismo comparado a todos os nossos discos. Tem um pouco mais de luz no fim do t\u00fanel. Ele \u00e9 ca\u00f3tico, mas estamos agora em um governo melhor, o Bolsonaro est\u00e1 sendo preso, o mundo est\u00e1 acabando, mas n\u00e3o podemos nos entregar. \u02dcAi, o mundo acabou, vamos agora s\u00f3 ficar na melancolia&#8221;. N\u00e3o. Temos que olhar pra frente e tentar tocar o barco, viver nossa vida. E o &#8220;Fuzz&#8221; traz um pouco dessa eletricidade, do tipo: &#8220;Gente, acorda, vamos, porque n\u00e3o d\u00e1 para ficar aqui nessa melancolia, no por\u00e3o&#8221;. Viver nossa vida ou mudar o mundo, s\u00e3o os \u00fanicos jeitos de seguir em frente. H\u00e1 uma eletricidade nele, um chacoalh\u00e3o do tipo, vamos em frente, vamos embora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SQuais as inspira\u00e7\u00f5es dentro e fora da m\u00fasica que voc\u00eas gostariam de destacar?<\/strong><br \/>\nJulia: Eu vim ali do Black Sabbath, do Led Zeppelin, tenho mais essa veia, mas curto Jorge Ben, adoro m\u00fasica brasileira tamb\u00e9m dos anos 60, gosto de guitarristas virtuosos. Eu venho de um outro caminho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Yury: Isso \u00e9 interessante porque o som, todos esses sons, todos t\u00eam basicamente tr\u00eas ou quatro dimens\u00f5es: o que a J\u00falia traz, o que o Kak\u00e1 trouxe, o que em geral os outros m\u00fasicos trazem, s\u00e3o muitos ganchos que voc\u00ea pode perceber e puxar ali. O Sonic Youth com certeza \u00e9 uma das refer\u00eancias, mas existem muitas outras. A J\u00falia, por exemplo, \u00e9 uma grande metaleira e agora tem um aliado, o nosso baterista tamb\u00e9m gosta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Julia: No cinema, eu gosto muito do David Lynch, estou revendo &#8220;Twin Peaks&#8221;, a terceira temporada, e \u00e9 uma obra-prima, todo mundo tinha que que assistir porque \u00e9 uma refer\u00eancia visual, musical, sonora, de viagem, de transgress\u00e3o, de arte. Tem muita refer\u00eancia ali.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-91657 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/firefriendfbbb.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"473\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/firefriendfbbb.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/firefriendfbbb-300x189.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>No &#8220;Blue Radiation&#8221;, senti uma trilha sonora de filme, quase uma viagem de carro atravessando estados. Cada faixa tem uma nuance que me remete muito a diferentes paisagens quando viajamos por um longo trajeto. Como foi a escolha da ordem das faixas, considerando essa quebra de estilo entre uma faixa e outra? Eu sei que veio muito do da sess\u00e3o assim da de improviso e tal, mas como voc\u00eas descreveriam isso?<\/strong><br \/>\nFirefriend: Exatamente desse jeito. Foi uma \u00f3tima descri\u00e7\u00e3o. N\u00f3s realmente pensamos que os discos s\u00e3o novos lugares que as pessoas podem passear por ali por algum tempo. Quando voc\u00ea pensa mais ou menos a ordem de um disco, voc\u00ea est\u00e1, mais ou menos, organizando um passeio por um novo universo, novo ambiente. E esse \u00e9 um dos grandes baratos de fazer disco, na minha opini\u00e3o. Esse ponto da trilha sonora tem tudo a ver. \u00c0s vezes, escutamos e falamos: &#8220;Nossa, parece uma trilha sonora&#8221;. Voc\u00ea come\u00e7a a imaginar e essa coisa do carro tamb\u00e9m traz outra percep\u00e7\u00e3o. Outra coisa que tem a ver com isso \u00e9: uma banda de rock pode fazer muitos tipos de m\u00fasica, te levar para lugares onde a viol\u00eancia e a harmonia convivem de alguma forma, com a sua assinatura, mas por um outro \u00e2ngulo. O &#8220;Blue Radiation&#8221; \u00e9 uma uma forma de express\u00e3o da mesma banda de rock que fez o &#8220;Fuzz&#8221;. E \u00e9 interessante, ir para novos lugares com a banda, sabe? \u00c9 viajar sem sair do lugar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O &#8220;Fuzz&#8221; vai ganhar edi\u00e7\u00f5es em vinil nos Estados Unidos e no Reino Unido. Eu queria saber como colecionadora de vinis: existe possibilidade disso acontecer aqui no Brasil?<\/strong><br \/>\nFirefriend: Essa \u00e9 uma \u00f3tima pergunta porque tem uma grande diferen\u00e7a entre as condi\u00e7\u00f5es materiais de cada pa\u00eds. Obviamente, tamb\u00e9m tem uma quest\u00e3o de tradi\u00e7\u00e3o dessa abordagem do rock em cada lugar. A primeira ou segunda vez que tocamos nos Estados Unidos, vimos fam\u00edlias inteiras jantando, comendo em lugares com bandas ensandecidas, tocando alto para caramba e tudo bem. Ent\u00e3o, existe uma coisa de tradi\u00e7\u00e3o e assimila\u00e7\u00e3o do rock l\u00e1, que \u00e9 muito diferente do rock daqui. Tem a ver com o p\u00fablico que o rock tem em cada lugar e das condi\u00e7\u00f5es materiais do pa\u00eds. Nossos discos rolaram l\u00e1 porque os os loucos que quiseram lan\u00e7ar os discos, eles entenderam que eles podiam vender os discos porque haveria gente que os compraria de uma banda estranha como a nossa. Aqui no Brasil, isso \u00e9 mais dif\u00edcil, dadas as condi\u00e7\u00f5es materiais e o p\u00fablico. Rolou l\u00e1 antes, talvez role aqui algum dia. Isso foi muito muito bom pra n\u00f3s, pois nos deu uma sensa\u00e7\u00e3o de que n\u00e3o est\u00e1vamos loucos sozinhos. Tem pelo menos mais duas pessoas loucas como n\u00f3s, uma nos Estados Unidos e outra na Inglaterra. E \u00e9 por isso que os discos sa\u00edram l\u00e1.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00eas v\u00e3o seguir em turn\u00ea no Reino Unido: qual a expectativa e h\u00e1 planos p\u00f3s-turn\u00ea?<\/strong><br \/>\nFirefriend: Uma coisa muito interessante \u00e9 que agora temos uma nova banda, com um novo baterista e um novo tecladista. Fizemos quatro shows aqui em S\u00e3o Paulo com essa forma\u00e7\u00e3o, foram bem legais. A grande expectativa \u00e9 chegar l\u00e1 e mostrar pros ingleses o como essa banda \u00e9 quente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>H\u00e1 diferen\u00e7a de p\u00fablico, por exemplo, entre ingleses e americanos, que voc\u00eas destacariam?<\/strong><br \/>\nFirefriend: Muda, porque a Inglaterra \u00e9 uma ilha, todos eles se conhecem, \u00e9 bem pequeno l\u00e1. Nossos discos s\u00e3o lan\u00e7ados l\u00e1 desde 2018, ent\u00e3o esse p\u00fablico \u00e9 muito diferente do p\u00fablico nos Estados Unidos e do Brasil, porque todos eles ouviram todos os discos muitas e muitas vezes. \u00c9 uma rela\u00e7\u00e3o bem diferente com o p\u00fablico, porque no Brasil n\u00e3o se tem muitos LPs do Firefriend, muito menos nos Estados Unidos, mas na Inglaterra \u00e9 bem denso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Da \u00faltima vez que fomos, eles foram bem calorosos. Teve gente que levou capa de disco pra gente autografar, camiseta, que viajou para ir ver a gente, quis conversar, quis tirar foto. Eles saem distribuindo Guinness, saem dando cerveja. Eles queriam que a gente se sentisse bem l\u00e1. Para eles, deve ser interessante pois est\u00e3o acostumados a ver muitas bandas, mas ver uma banda fazendo o tipo de som que n\u00f3s fazemos, de um lugar h\u00e1 10.000 km de dist\u00e2ncia, deve ser bem curioso para eles. Acabamos levando um tempero diferente que eles n\u00e3o t\u00eam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tem um um tempero que \u00e9 da nossa m\u00fasica, que \u00e9 da gente. N\u00f3s somos brasileiros. N\u00f3s nascemos aqui, crescemos aqui, ouvimos a m\u00fasica brasileira a vida inteira, est\u00e1 dentro de n\u00f3s tamb\u00e9m, das nossas influ\u00eancias. Eles querem conversar. Teve um que pirou na bateria, perguntou: \u02dcComo \u00e9 que voc\u00ea faz isso?&#8221;, perguntando e querendo saber de onde vem esse som que \u00e9 o som deles, mas n\u00e3o \u00e9. Isso \u00e9 muito legal, acaba sendo uma troca, que acontece desde os anos 1960, essa troca do rock com a m\u00fasica brasileira acontece h\u00e1 d\u00e9cadas.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-91658 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/firefriendfuzz.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"473\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/firefriendfuzz.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/firefriendfuzz-300x189.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E os planos p\u00f3s-turn\u00ea?<\/strong><br \/>\nFirefriend: Muitos planos. Vamos fazer um filme porque S\u00e3o Paulo \u00e9 uma das maiores cidades do mundo e h\u00e1 uma curiosidade do mundo de saber o que que acontece nessa cidade horr\u00edvel, insana, suja, corrupta, pervertida. Queremos mostrar um pouco da m\u00fasica de S\u00e3o Paulo e mostrar um pouco desse lugar louco que \u00e9 a cidade. E tamb\u00e9m \u00e9 urgente gravar um material com a nova forma\u00e7\u00e3o da banda. Ficamos tr\u00eas anos como um trio: baixo, guitarra, bateria, cada um de n\u00f3s com alguns elementos de synth, loops para acrescentar. Agora temos um tecladista fazendo isso e \u00e9 muito interessante porque traz novas frequ\u00eancias, preenche o som e, querendo ou n\u00e3o, acabamos ficando mais soltos, sem ter que fazer duas, tr\u00eas coisas, voc\u00ea faz s\u00f3 o seu instrumento. Isso d\u00e1 uma liberdade tamb\u00e9m. Estamos super animados e contentes com essa nova banda. Ent\u00e3o queremos gravar, urgente, um material com essa forma\u00e7\u00e3o e lan\u00e7ar um novo pensamento em breve com essa nova forma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s inspira\u00e7\u00f5es nacionais, h\u00e1 nomes do rock psicod\u00e9lico brasileiro que foram inspira\u00e7\u00f5es para voc\u00eas?<\/strong><br \/>\nJulia: Cara, Mutantes. Eu gosto muito. O Jorge Ben, eu amo o Caetano dos anos 1960, Elomar Figueira Mello, que \u00e9 um compositor baiano maravilhoso, violeiro, lindo. S\u00e3o muitos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Yury: Eu n\u00e3o mergulhei muito na m\u00fasica brasileira, venho de outro lugar assim de escuta. Mas acho que \u00e9 muito bom que n\u00f3s tenhamos refer\u00eancias muito diferentes uns dos outros, porque isso d\u00e1 originalidade para a banda. O choque de refer\u00eancias, n\u00e3o ficarmos presos a s\u00f3 a uma cabe\u00e7a, s\u00f3 uma identidade. Est\u00e1 sendo extraordin\u00e1rio agora, com quatro pessoas na banda, porque s\u00e3o mais inputs, mais sensibilidades e isso deixa o som mais denso, mais rico assim, eu sinto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Julia: Para mim o Jorge Ben est\u00e1 entre os meus m\u00fasicos preferidos da vida. Acho que ele toca rock. Se voc\u00ea pegar &#8220;T\u00e1bua de Esmeralda&#8221; e pegar um viol\u00e3o para tocar junto, cara, \u00e9 rock. Ele est\u00e1 tocando rock foda. Muito foda. Muito groove. E aquela melodia de voz dele, ele est\u00e1 entre os melhores para mim, assim, \u00e9 um g\u00eanio. Ele est\u00e1 do lado dos meus \u00eddolos tamb\u00e9m, ao lado do David Bowie, do Neil Young, se for pegar os \u00eddolos, Jorge Ben \u00e9 um dos primeiros. A Rita \u00e9 maravilhosa. N\u00e3o tem como n\u00e3o falar da Rita. \u00c9 muito dif\u00edcil ser mulher no rock, na m\u00fasica em geral. Quando comecei a tocar, tinham pouqu\u00edssimas mulheres nos shows. \u00cdamos tocar em festivais e n\u00e3o tinha mulher. Agora tem cada vez mais e as mulheres s\u00e3o incr\u00edveis. A Rita Lee \u00e9 maravilhosa, ela carregou a bandeira e \u00e9 a grande voz do rock. Uma grande inspira\u00e7\u00e3o para mim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Yury: Tem muitas outras mulheres na m\u00fasica brasileira, todas maravilhosas, mas a Rita \u00e9 um exemplo a ser seguido e uma grande inspira\u00e7\u00e3o. Lembrei de um cara tamb\u00e9m chamado Claudio Bull (nota: <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?s=claudio+bull\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">votante ass\u00edduo do Melhores do Ano Scream &amp; Yell<\/a>), de Bras\u00edlia, que tinha uma banda chamada Divine nos anos 1990. Sempre achei assim ele um grande letrista, uma cabe\u00e7a muito interessante. Ele me mostrou o poder de uma boa letra no rock. Acho que vale a pena as pessoas procurarem depois. \u00c9 muito interessante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Julia: O Brasil tem uma m\u00fasica maravilhosa. Tem o Nan\u00e1 Vasconcelos, que \u00e9 pura psicodelia. Chorinho (nota: <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/09\/20\/entrevista-trey-spruance-declara-amor-ao-chorinho-e-ao-brasil-e-fala-sobre-o-mr-bungle-e-o-secret-chiefs-3\/\">estilo reverenciado por Trey Spruanc<\/a>e, do Mr. Bungle), o Adoniran Barbosa, o Cartola, a Elis Regina. \u00c9 tudo coisa que eu acho foda. Eu cresci ouvindo Black Sabbath, Led Zeppelin, cresci numa fam\u00edlia que ouvia jazz e rock. A m\u00fasica brasileira eu tive que seguir pelos meus pr\u00f3prios caminhos. Normalmente \u00e9 o contr\u00e1rio, n\u00e9? O meu pai gostava de jazz e minha m\u00e3e gostava de rock e eu que enfiei o Jorge Ben na hist\u00f3ria e \u00e9 muito foda, muito foda. E os caras l\u00e1 fora escutam, eles bebem muito na nossa fonte, muito. Sempre beberam e ainda bebem. Eles s\u00e3o espertos, conhecem m\u00fasica boa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>H\u00e1 algo que gostariam de adicionar?<\/strong><br \/>\nFirefriend: Dia 18 de outubro vamos fazer um show aqui em S\u00e3o Paulo, o primeiro ap\u00f3s a turn\u00ea. Vai ser \u00e0s 20h no Porta (Rua Hor\u00e1cio Lane, 95),<a href=\"https:\/\/www.firefriend.com\/shows\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> \u00e9 s\u00f3 entrar no nosso site e comprar o ingresso<\/a>. E a gente vai trazer alguns discos de l\u00e1 tamb\u00e9m.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Firefriend - Kill Switch\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/1iTjCg5Zsa8?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Firefriend - Pacific Trash Vortex\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/JOmWJyID16M?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Firefriend (74 Club 06\/07\/2024)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/h9JSZ1u0NOs?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/bsky.app\/profile\/villon.bsky.social\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Elsa Villon<\/a> \u00e9 jornalista de dados, especialista em M\u00eddia, Informa\u00e7\u00e3o e Cultura e colecionadora de vinis que est\u00e1 sempre no garimpo nas horas vagas.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Com mais de 20 anos de estrada, a Firefriend passou o m\u00eas de setembro fazendo shows no Reino Unido enquanto dois discos saiam do forno ao mesmo tempo\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/10\/02\/entrevista-firefriend-lanca-dois-discos-ao-mesmo-tempo-e-declara-amor-ao-rock-aos-vinis-e-a-jorge-benjor\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":156,"featured_media":91659,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[7923],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/91656"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/156"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=91656"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/91656\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":91661,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/91656\/revisions\/91661"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/91659"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=91656"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=91656"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=91656"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}