{"id":91617,"date":"2025-09-30T00:02:55","date_gmt":"2025-09-30T03:02:55","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=91617"},"modified":"2025-10-29T10:11:41","modified_gmt":"2025-10-29T13:11:41","slug":"entrevista-nossos-inimigos-sao-reais-avisa-o-violator-que-retorna-com-o-rapido-e-violento-unholy-retribution","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/09\/30\/entrevista-nossos-inimigos-sao-reais-avisa-o-violator-que-retorna-com-o-rapido-e-violento-unholy-retribution\/","title":{"rendered":"Entrevista: &#8220;Nossos inimigos s\u00e3o reais&#8221;, avisa o Violator, que retorna com o r\u00e1pido e violento \u201cUnholy Retribution\u201d"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista de\u00a0<a href=\"https:\/\/twitter.com\/brunorplisboa\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Bruno Lisboa<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 2004, quando lan\u00e7aram seu primeiro EP, &#8220;Violent Mosh&#8221;, o <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/violatorthrash\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Violator<\/a> foi apontado <a href=\"https:\/\/www.metal-archives.com\/reviews\/Violator\/Violent_Mosh\/45363\/znthrasher\/12237\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">em review<\/a> na respeitada Encyclopaedia Metallum como \u201cuma das melhores bandas do revival thrash metal old-school\u201d. Agora, quando apresentam \u201c<a href=\"https:\/\/violatorthrash.bandcamp.com\/album\/unholy-retribution\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Unholy Retribution<\/a>\u201d (2025), seu terceiro \u00e1lbum, a Metallum mant\u00e9m os elogios \u00e0 banda (\u201c\u00c9 um lan\u00e7amento muito s\u00f3lido e um dos melhores \u00e1lbuns de thrash metal dos \u00faltimos anos\u201d, observa o texto), <a href=\"https:\/\/www.metal-archives.com\/reviews\/Violator\/Unholy_Retribution\/1355166\/Gemesion89\/2072161\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">mas pontua<\/a>: &#8220;O Violator nunca recebeu o reconhecimento que realmente merece (&#8230;) e lan\u00e7ar \u00e1lbuns com intervalos de 7 e 12 anos tamb\u00e9m n\u00e3o ajuda&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Formado em Bras\u00edlia em 2002, o Violator soma tr\u00eas \u00e1lbuns (o anterior, \u201cScenarios of Brutality\u201d, saiu em 2013), tr\u00eas EPs e alguns splits al\u00e9m de turn\u00eas que passaram por Fran\u00e7a, Paraguai, Argentina, Chile, Uruguai, Venezuela, Jap\u00e3o, B\u00e9lgica e It\u00e1lia. Se o ataque sonoro angariou f\u00e3s ao redor do mundo em 23 anos de hist\u00f3ria (o portal russo Ultimate Guitar chegou a apontar o Violator como a 30\u00aa melhor banda de rock do Brasil em 2019), o texto afiado tamb\u00e9m merece aten\u00e7\u00e3o abordando do colapso de um mundo em ru\u00ednas \u00e0 urg\u00eancia de resistir \u00e0s ideologias de extrema-direita.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cAcredito que esse novo disco, cujos temas giram em torno da vingan\u00e7a, s\u00f3 pode ser plenamente compreendido a partir desse trauma coletivo que foi a ascens\u00e3o da extrema-direita fundamentalista no Brasil e do mortic\u00ednio que a acompanhou\u201d, avalia Poney Ret &#8220;Crucifier&#8221; (baixo e vocais), que tem como companheiros de banda Cambito &#8220;Chains Killer&#8221; (guitarra), Batera &#8220;Bone Crusher&#8221; (bateria) e Capa\u00e7a &#8220;Bloody Nightmare&#8221; (guitarra), que estava vivendo na Europa quando \u201cUnholy Retribution\u201d foi composto \u201cem parcos ensaios em algum vilarejo antes de um festival gringo\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c<a href=\"https:\/\/violatorthrash.bandcamp.com\/album\/unholy-retribution\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Unholy Retribution<\/a>\u201d foi produzido pelo belga Yarne Heylen (que tem um curr\u00edculo extenso de trabalhos com bandas de death metal) e ganhou lan\u00e7amento pelo selo Kill Again Records, tradicional na cena underground nacional. Na conversa que voc\u00ea l\u00ea abaixo, feita por e-mail, Poney fala do novo disco, confessa otimismo com o underground (\u201cPor um momento parecia que n\u00f3s e os dentistas de Harley Davidson \u00edamos ser os \u00faltimos roqueiros &#8211; risos. Mas t\u00eam uma molecadinha chegando\u201d) e diz que ainda se emociona \u201cao sair da minha cidade com minha banda, meus irm\u00e3os, minha gangue. \u00c9 o Heavy Metal\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ou\u00e7a o disco na integra abaixo e leia a entrevista!<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Violator   Unholy Retribution (2025) [Full Album]\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/P5w_iarT_P8?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cUnholy Retribution\u201d marca o retorno da banda com um novo \u00e1lbum cheio ap\u00f3s um longo per\u00edodo. Como foi o processo interno \u2013 emocional e pol\u00edtico \u2013 de constru\u00e7\u00e3o desse trabalho em um momento t\u00e3o turbulento para o Brasil e o mundo?<\/strong><br \/>\nAcredito que esse novo disco, cujos temas giram em torno da vingan\u00e7a, s\u00f3 pode ser plenamente compreendido a partir desse trauma coletivo que foi a ascens\u00e3o da extrema-direita fundamentalista no Brasil e do mortic\u00ednio que a acompanhou. Ao mesmo tempo que esse per\u00edodo sinistro nos for\u00e7ou a continuar com novas configura\u00e7\u00f5es (Capa\u00e7a estava fora do pa\u00eds e boa parte das m\u00fasicas foram feitas com um oceano de dist\u00e2ncia em parcos ensaios em algum vilarejo antes de um festival gringo), toda essa desgra\u00e7a tamb\u00e9m foi combust\u00edvel de f\u00faria, que esperamos seja sentida no disco. \u00c9 curioso voc\u00ea abrir com essa pergunta, porque da maneira que vejo, a hist\u00f3ria recente do pa\u00eds est\u00e1 completamente imbrincada com o disco. Tamb\u00e9m celebramos a derrota deles e o fim da pandemia, o ano de 2023 foi de muita viagem pela Sudam\u00e9rica, o que pavimentou todo o caminho pra volta do Capa\u00e7a e a grava\u00e7\u00e3o do novo disco em 2024. De toda forma, parece que chegamos em 2025 com esse sentimento da amea\u00e7a neofascista ainda viva e de um acerto de contas que n\u00e3o ocorreu plenamente, ent\u00e3o acredito que o disco faz mais sentido do que nunca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A escolha de trabalhar novamente com o Andrei Bouzikov na arte do disco d\u00e1 uma sensa\u00e7\u00e3o de continuidade est\u00e9tica. Como foi o di\u00e1logo com ele nesse processo? Que mensagem voc\u00eas queriam passar visualmente?<\/strong><br \/>\nInteressante voc\u00ea comentar isso, porque a princ\u00edpio n\u00e3o busc\u00e1vamos essa continuidade e o Andrei n\u00e3o foi nossa primeira op\u00e7\u00e3o. De uma forma totalmente acidental, esbarramos em uma arte dele de uma igreja que passava exatamente o clima \u201cclassic metal\u201d que busc\u00e1vamos e percebemos que repetir a parceria era a op\u00e7\u00e3o mais acertada para a nova capa. Ent\u00e3o, al\u00e9m dessa aura cl\u00e1ssica, que pudesse remeter a discos do Slayer e Bathory, a gente buscava uma alegoria dessa \u201cvingan\u00e7a do inferno\u201d em uma cena que n\u00e3o tivesse o menor recato em agredir visualmente com clich\u00eas do heavy metal. Dem\u00f4nios, cruz de cabe\u00e7a pra baixo, o que incomodar. Aquela capa pra voc\u00ea ficar ressabiado de mostrar pros colegas de trabalho ou na reuni\u00e3o de fam\u00edlia (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A produ\u00e7\u00e3o ficou a cargo do Yarne Heylen. O que motivou essa escolha e como essa parceria influenciou o resultado final do disco?<\/strong><br \/>\nA escolha (acertada) do Yarne veio das audi\u00e7\u00f5es que Capa\u00e7a fazia das bandas de death metal europeias, especialmente porque ele morava l\u00e1 e estava vivendo e tocando nessa cena. Foi uma grata surpresa descobrir que Yarne era consideravelmente mais jovem que a gente, acredito que foi uma das for\u00e7as dessa parceria que podem ser sentidas no disco: novas perspectivas de novas gera\u00e7\u00f5es e nossa abertura a isso. A presen\u00e7a (f\u00edsica) dele no est\u00fadio foi um diferencial absoluto em toda a sonoridade. Em tempos de virtualidade total, foi uma alegria comprovar que o nosso of\u00edcio depende de pessoas de verdade, ouvindo, sentindo, fazendo. A gente sonhava muito em repetir a m\u00edtica do \u201cBeneath the Remains\u201d, de trazer um produtor gringo pra trabalhar com a gente no Brasil. Yarne morou duas semanas l\u00e1 em casa e essa conviv\u00eancia intensa resultou nesse trabalho intenso. Agradecemos demais a Kill Again Records por bancar essa loucura nossa, mas acho que o resultado valeu a pena.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00eas sempre se posicionaram \u00e0 esquerda, de maneira clara e sem rodeios. Em um pa\u00eds marcado por retrocessos sociais e crescimento da extrema-direita, como voc\u00eas veem o papel do metal \u2014 e da arte de maneira geral \u2014 na resist\u00eancia pol\u00edtica?<\/strong><br \/>\nEu costumo dizer que nosso posicionamento foi uma \u2018n\u00e3o-op\u00e7\u00e3o\u2019, uma quest\u00e3o de dignidade. Crescer e envelhecer na periferia do capitalismo e n\u00e3o se dar conta da necessidade de tomar uma posi\u00e7\u00e3o e se engajar em alguma a\u00e7\u00e3o coletiva me parece de uma aliena\u00e7\u00e3o vergonhosa. Por outro lado, seria tamb\u00e9m ingenuidade acreditar num poder de transforma\u00e7\u00e3o social de uma contracultura como heavy metal. Somos um gueto e gostamos de estar nele. De toda forma, ainda vale a m\u00e1xima parafraseada do Paulo Freire: \u201cm\u00fasica n\u00e3o muda o mundo, mas muda pessoas e pessoas mudam o mundo\u201d. Fico feliz em usar o Violator como um instrumento que ajuda a amplificar nossas vozes sobre o que consideramos justo e a criar la\u00e7os de comunidade. Isso j\u00e1 vale.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Muita gente ainda enxerga o metal como um espa\u00e7o \u201cneutro\u201d ou at\u00e9 conservador, quando n\u00e3o abertamente reacion\u00e1rio. Como \u00e9 militar artisticamente dentro de uma cena que muitas vezes se contradiz ideologicamente?<\/strong><br \/>\nAcho que existe muito conservadorismo porque muitos coroas (da minha idade inclusive!) viraram tioz\u00f5es conservadores. \u00c9 mais uma quest\u00e3o geracional do que estil\u00edstica, acredito. De toda forma, j\u00e1 estamos na peleja com esses bostas h\u00e1 muito tempo (a treta do \u201cFoda-se Jair\u201d foi em 2016, dois anos antes da elei\u00e7\u00e3o) e a verdade \u00e9 que depois desse acirramento tudo ao redor da banda nesse per\u00edodo s\u00f3 melhorou. Os shows ficaram mais animados, meninas se sentiram mais a vontade pra colar e agitar, uma juventude diversa abra\u00e7ou o Violator e uma verdadeira comunidade se formou ao redor da banda. Os cuz\u00f5es ou aqueles meio suspeitos ideologicamente (nazi no arm\u00e1rio, risos) pularam fora. E ainda tiramos onda com a cara deles. Ent\u00e3o, valeu demais se posicionar.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Violator - Chapel of the Sick (Official Music Video)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/hI0aItyDd-U?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Brasil vive um momento peculiar no campo cultural: h\u00e1 incentivos e ao mesmo tempo censuras, h\u00e1 espa\u00e7os para resist\u00eancia, mas tamb\u00e9m silenciamentos. Como tem sido dialogar com esse Brasil atual a partir do underground?<\/strong><br \/>\nTalvez eu seja um otimista irrecuper\u00e1vel, mas eu vejo com \u00f3timos olhos o atual momento da produ\u00e7\u00e3o underground que vivemos. Por um motivo em particular: h\u00e1 renova\u00e7\u00e3o. Por um momento parecia que n\u00f3s e os dentistas de Harley Davidson \u00edamos ser os \u00faltimos roqueiros (risos). Mas n\u00e3o, da pandemia pra c\u00e1 estamos vendo uma molecadinha chegando, formando banda e tomando de conta. \u00c9 isso que nossa (contra)cultura precisa. Empolga\u00e7\u00e3o da juventude e realismo dos velhos (mais risos). Digo realismo no sentido de ter tranquilidade de entender (e explicar aos mais jovens) que o heavy metal e punk sempre ser\u00e3o marginais no Brasil, ningu\u00e9m vai fazer grandes fundos ou fama com isso e tudo bem, porque fazemos o que fazemos por amor. E tudo isso se realiza na \u00e9tica do fa\u00e7a-voc\u00ea-mesmo, sem muita pretens\u00e3o ou expectativa. Um outro aspecto da sua pergunta seria sobre apoios estatais, leis de incentivo e outras pol\u00edticas culturais. N\u00f3s nunca fomos f\u00e3s de misturar o heavy metal com essas coisas e estamos de boa em continuar assim. Que esse incentivo seja muito bem gasto, merecidamente, com a Cultura Popular, o nosso barulho nossa comunidade d\u00e1 conta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00eas j\u00e1 tocaram pelo mundo todo, mas Bras\u00edlia segue sendo a base da banda. O quanto a cidade \u2014 com toda a sua carga simb\u00f3lica e contradit\u00f3ria \u2014 ainda influencia na m\u00fasica e nas letras do Violator?<\/strong><br \/>\nExcelente. Uma influ\u00eancia maior at\u00e9 do que eu poderia descrever, eu diria. Acredito que essa cidade, com todas as contradi\u00e7\u00f5es evidentes, tem uma centralidade absoluta pra se entender o Violator. Pelas raz\u00f5es mais \u00f3bvias, de que aqui \u00e9 o centro do poder e todo o teatro podre da pol\u00edtica pode ser visto mais de perto por aqui. Nesses epis\u00f3dios recentes da trag\u00e9dia da democracia brasileira fomos testemunhas oculares muitas vezes em corpo presente na Esplanada dos Minist\u00e9rios. Mas para al\u00e9m disso, h\u00e1 tamb\u00e9m essa paix\u00e3o por Bras\u00edlia, um lugar de comunh\u00e3o das pessoas de todos os lugares do pa\u00eds (em que o preconceito contra o Nordeste do pr\u00f3prio pa\u00eds parece mais dilu\u00eddo), um lugar que preserva ainda uma radicalidade de uma inven\u00e7\u00e3o disruptiva, mas totalmente brasileira, antropof\u00e1gica. Eu gostaria que o Violas (Violator) representasse isso tamb\u00e9m em seus melhores momentos. E por fim, tamb\u00e9m porque acho que somos radicalmente brasilienses (mesmo os nascidos no Chile e no Cear\u00e1): maconheiros que n\u00e3o querem muita confus\u00e3o (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A cena metal brasileira atual tem mostrado sinais de renova\u00e7\u00e3o, com bandas novas surgindo e outras veteranas retomando atividades. Como voc\u00eas veem esse momento? H\u00e1 uma nova gera\u00e7\u00e3o disposta a somar for\u00e7as ou ainda falta coes\u00e3o?<\/strong><br \/>\nAcho que pelas minhas respostas anteriores d\u00e1 pra perceber como eu acredito totalmente nessa renova\u00e7\u00e3o. Em Bras\u00edlia, h\u00e1 muitas bandas novas maneiras como AXION, MORBID DEVOURMENT, MURDERESS, ALCOHOLIC VORTEX, KCC&#8230; que boa parte dos integrantes \u00e9 mais nova que o Violator.<\/p>\n<figure id=\"attachment_91618\" aria-describedby=\"caption-attachment-91618\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-91618\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/violator1.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/violator1.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/violator1-300x300.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/violator1-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-91618\" class=\"wp-caption-text\"><em>Capa de \u201cUnholy Retribution\u201d<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voltando ao novo disco, o t\u00edtulo \u201cUnholy Retribution\u201d carrega um tom de vingan\u00e7a, julgamento, algo que parece flertar com o apocal\u00edptico \u2014 mas tamb\u00e9m com a justi\u00e7a. O que motivou esse nome e como ele se conecta com as faixas do \u00e1lbum?<\/strong><br \/>\nEsse t\u00edtulo \u00e9 mesmo a s\u00edntese do \u00e1lbum. Legal que ele foi dado pelo Rold\u00e3o da Kill Again Records e n\u00e3o por algu\u00e9m da banda. Foi uma grande leitura e tradu\u00e7\u00e3o de um conceito, que \u00e0s vezes a gente precisa que venha de uma perspectiva de fora mesmo. Como comentado no come\u00e7o da nossa conversa, \u00e9 um \u00e1lbum sobre vingan\u00e7a. Se \u201cHidden Face\u201d era um disco sobre o temor dessa ascens\u00e3o fascista, de um ex\u00e9rcito que exalta a morte, \u201cUnholy Retribution\u201d \u00e9 a perspectiva daqueles que viveram esse avan\u00e7o, sobreviveram e querem dar o troco. Dentro desse arco s\u00e3o trabalhados temas espec\u00edficos, do sionismo, aos experimentos nazistas de m\u00e9dicos na pandemia. O disco busca corporificar a revanche do inferno que esses crentes fundamentalistas mais temem (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Muito se fala sobre a \u201cvolta do thrash\u201d, mas o Violator nunca deixou de fazer m\u00fasica extrema, engajada e atual. Como voc\u00eas enxergam essa rotula\u00e7\u00e3o e qual \u00e9 o desafio de manter a relev\u00e2ncia sem abrir m\u00e3o da identidade?<\/strong><br \/>\nA gente abra\u00e7a totalmente o r\u00f3tulo (ou identidade, ou como queira chamar) thrash metal. O compromisso com a energia, a radicalidade, a intensidade desse subg\u00eanero est\u00e1 na g\u00eanese dessa banda e abrir m\u00e3o disso seria abrir m\u00e3o do pr\u00f3prio sentido do conjunto. N\u00e3o inventamos nada e n\u00e3o queremos liderar nenhuma inova\u00e7\u00e3o. Inclusive a politiza\u00e7\u00e3o, algo de muito antes da gente. \u00c9 thrash metal, \u00e9 old school. \u00c9 um som bronco de gente bronca? Tudo bem, aceitamos todas as limita\u00e7\u00f5es dessas escolhas. De toda forma, h\u00e1 um desafio muito interessante a partir desse ponto de partida que \u00e9 como fazer um riff interessante, uma m\u00fasica relevante, em um estilo em que toda a gram\u00e1tica j\u00e1 est\u00e1 escrita e voc\u00ea n\u00e3o quer desrespeitar as regras. A diferen\u00e7a entre uma nova can\u00e7\u00e3o thrash boa de verdade e algo gen\u00e9rico. \u00c9 quase intang\u00edvel, dif\u00edcil de explicar, mas f\u00e1cil de sentir. Se a gente consegue ou n\u00e3o, cabe a quem ouve dizer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00eas sempre buscaram levantar quest\u00f5es maiores \u2014 sobre desigualdade, viol\u00eancia estatal, destrui\u00e7\u00e3o ambiental. Como equilibrar o discurso pol\u00edtico com a pot\u00eancia sonora?<\/strong><br \/>\nDa maneira como enxergo, se feito com verdade, uma coisa alimenta a outra. A f\u00faria do thrash vem de uma \u201cuni\u00e3o dos fracos contra os fortes\u201d, tem a ver com a energia dos rejeitados, dos explorados, dos esquecidos. Quando mensagem e m\u00fasica entram em simbiose pra criar viol\u00eancia contra os opressores \u00e9 quando o thrash mais brilha. Mesmo com toda a fantasia do heavy metal, nosso estilo tem os p\u00e9s fincados na realidade. N\u00e3o teria o mesmo efeito com nossos inimigos sendo drag\u00f5es ou outras europezices medievais (risos). Nossos inimigos s\u00e3o reais, n\u00f3s vivemos esses conflitos como brasileiros viventes nesse tempo e as letras expressam sentimentos reais. Ent\u00e3o n\u00e3o h\u00e1 diverg\u00eancia entre m\u00fasica e mensagem, antes o contr\u00e1rio. As grandes bandas do hardcore-punk sempre tiveram essa for\u00e7a, carregar a mensagem com verdade, mesmo que algo juvenil. E a viol\u00eancia (e magia) da m\u00fasica acontecem nessa comunh\u00e3o entre som e palavra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Num tempo em que a m\u00fasica foi plataformizada, comodificada e muitas vezes reduzida a m\u00e9tricas de streaming, como \u00e9 para o Violator compor can\u00e7\u00f5es que desafiam essa l\u00f3gica e preservam intensidade, urg\u00eancia e sentido pol\u00edtico?<\/strong><br \/>\nObrigado pelos elogios. Os tempos s\u00e3o ruins (os piores em todo nosso tempo de vida) e na minha cabe\u00e7a isso deveria ser um combust\u00edvel danado para a nossa produ\u00e7\u00e3o subterr\u00e2nea. Infelizmente, o que parece mais comum \u00e9 uma apatia generalizada frente a uma superprodu\u00e7\u00e3o e superexposi\u00e7\u00e3o na internet em tudo (um disco? Uma morte? Uma revolu\u00e7\u00e3o?) perde seu valor dragado nesse mar de novidades in\u00fateis e instant\u00e2neas. Acredito que se emancipar dessas redes e plataformas (controladas por 5 bilion\u00e1rios gringos) \u00e9 o maior desafio do underground nos pr\u00f3ximos anos. Eu n\u00e3o saberia apontar qual o melhor caminho pra isso, acho que esse \u00e9 um desafio coletivo de toda uma nova gera\u00e7\u00e3o e a resposta vai surgir dessa coletividade. Da minha parte, fico muito feliz e aliviado do Violas j\u00e1 ser uma banda de uma gera\u00e7\u00e3o mais velha que n\u00e3o precisa gravar selfie de v\u00eddeo nem tentar ser influenciador, e tor\u00e7o pra esse momento passar logo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para al\u00e9m do disco, h\u00e1 planos para turn\u00ea nacional ou internacional? Como est\u00e1 a expectativa de colocar \u201cUnholy Retribution\u201d no palco?<\/strong><br \/>\nDevemos fazer os primeiros shows de lan\u00e7amento em Bras\u00edlia e S\u00e3o Paulo em dezembro de 2025. Estamos muito animados, acho que vamos conseguir fazer algo realmente especial nas duas cidades pra que esse momento seja celebrado \u00e0 altura. Ainda estamos desenhando a \u201cUnholy Tour\u201d, que deve rodar a Sudam\u00e9rica em 2026. Come\u00e7ar tocando pelo nosso querido continente e naquele ritmo dos 40 anos, ent\u00e3o n\u00e3o deve ser muito, vamos com calma (risos). Eu gostaria muito de levar esse disco (e a banda) a continentes que nunca passamos, como Am\u00e9rica Central, \u00c1frica e Sudeste Asi\u00e1tico. Mas isso ainda s\u00e3o sonhos que eu declaro aqui mais lan\u00e7ando uma flecha ao futuro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Por fim, o que ainda motiva o Violator em 2025? O que ainda arde dentro de voc\u00eas e faz com que sigam na ativa?<\/strong><br \/>\nS\u00e3o 23 anos depois e eu ainda me pego com sangue fervendo quando escuto um riff do Capa\u00e7a e a entrada do Batera. Eu ainda me emociono ao sair da minha cidade com minha banda, meus irm\u00e3os, minha gangue. Pra gente encontrar outros como n\u00f3s, pra gente tacar fogo no mundo por a\u00ed. E ainda sinto uma satisfa\u00e7\u00e3o gigante quando vejo os ataques hist\u00e9ricos dos bolsonaristas (ou mais recente de gringos sionistas) e essa diferen\u00e7a grita: n\u00f3s n\u00e3o somos como voc\u00eas. \u00c9 uma paix\u00e3o irracional, que talvez n\u00e3o valha tentar explicar com palavras (mais do que usei at\u00e9 aqui). \u00c9 o Heavy Metal.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"VIOLATOR - You Never Know The Charm Of Thrash (OFFICIAL LIVE VIDEO) @ 2019 Thrash China Festival HD\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/DP7dYOVvdLk?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><em>\u00a0\u00a0<a href=\"https:\/\/twitter.com\/brunorplisboa\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Bruno Lisboa<\/a>\u00a0 escreve no Scream &amp; Yell desde 2014.\u00a0<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\u201cUnholy Retribution\u201d foi produzido pelo belga Yarne Heylen (que tem um curr\u00edculo extenso de trabalhos com bandas de death metal) e ganhou lan\u00e7amento pelo selo Kill Again Records\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/09\/30\/entrevista-nossos-inimigos-sao-reais-avisa-o-violator-que-retorna-com-o-rapido-e-violento-unholy-retribution\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":4,"featured_media":91619,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[7911],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/91617"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=91617"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/91617\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":91741,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/91617\/revisions\/91741"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/91619"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=91617"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=91617"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=91617"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}