{"id":91473,"date":"2025-09-21T22:15:03","date_gmt":"2025-09-22T01:15:03","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=91473"},"modified":"2025-10-14T01:41:14","modified_gmt":"2025-10-14T04:41:14","slug":"faixa-a-faixa-gabriel-araujo-apresenta-seu-ep-lugar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/09\/21\/faixa-a-faixa-gabriel-araujo-apresenta-seu-ep-lugar\/","title":{"rendered":"Faixa a faixa: Gabriel Ara\u00fajo apresenta seu EP &#8220;LUGAR&#8221;"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>introdu\u00e7\u00e3o por\u00a0<a href=\"https:\/\/www.hominiscanidae.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Diego Albuquerque<\/a><\/strong><br \/>\nFaixa a faixa por\u00a0<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/bielzebuh\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Gabriel Ara\u00fajo<\/a><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Gabriel Ara\u00fajo \u00e9 natural de Campos dos Goytacazes, interior do estado do Rio de Janeiro. Ap\u00f3s anos atuando de forma amadora na cena musical local, em 2006 foi convidado a fazer a trilha de um espet\u00e1culo de teatro, e come\u00e7ou a explorar linguagens visuais para m\u00fasica. De l\u00e1 pra c\u00e1, s\u00e3o tr\u00eas \u00e1lbuns solo explorando sonoridades e linguagens diferentes atreladas ao ato de experimentar o som. Em meados de 2010, Gabriel foi morar em Jo\u00e3o Pessoa, na Para\u00edba, onde aprimorou o of\u00edcio de m\u00fasico, realizando shows e participando de bandas como a Glue Trip, com quem fez shows pelo Brasil e outros pa\u00edses.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Agora, de volta a Campos, sua cidade natal, apresenta seu novo trabalho, \u201c<a href=\"https:\/\/hominiscanidaerec.bandcamp.com\/album\/lugar\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">LUGAR<\/a>\u201d (2025), um EP visual que conta com um curta metragem em f\u00e1bula roteirizada e dirigida por Vita Evangelista, cineasta tamb\u00e9m de Campos. Vita \u00e9 um artista multidisciplinar e pesquisador transmasculino, cujo trabalho atravessa v\u00eddeo, instala\u00e7\u00f5es, m\u00eddias digitais, escrita e ativismo LGBTQIAPN+ e antirracista. Em sua produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica, Vita constr\u00f3i &#8220;narrativas auto tecnopo\u00e9ticas&#8221; \u2014 fus\u00e3o de corpo, tecnologia e palavra \u2014 a partir de uma perspectiva transfeminista e contra-colonial. Seus trabalhos confrontam as estruturas do capitalismo racializado, os dispositivos de controle migrat\u00f3rio e as tecnologias de vigil\u00e2ncia, utilizando linguagens que sabotam c\u00f3digos hegem\u00f4nicos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c<a href=\"https:\/\/hominiscanidaerec.bandcamp.com\/album\/lugar\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">LUGAR<\/a>\u201d mergulha em escombros materiais e espirituais para reconfigurar os limites entre lixo e sagrado, falha e futuro. Filmado entre ru\u00ednas coloniais, usinas abandonadas, centros de reciclagem e zonas costeiras em eros\u00e3o na zona norte fluminense, o EP investiga os rastros do capitalismo tardio, do racismo ambiental e da exaust\u00e3o ecol\u00f3gica, tensionando o colapso como mat\u00e9ria viva. \u201cNa hora de falar do filme, a prioridade era colocar uma mensagem que trouxesse reflex\u00e3o. Ent\u00e3o escolhemos algumas loca\u00e7\u00f5es aqui na regi\u00e3o de Campos, que t\u00eam algumas ru\u00ednas. Na nossa ideia, estamos contando a hist\u00f3ria de um futuro &#8211; que n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o distante \u2013 dist\u00f3pico\u201d, comenta Gabriel. A obra dissolve a linearidade do tempo atrav\u00e9s de imagens sobrepostas, m\u00faltiplos quadros em simult\u00e2neo e efeitos de glitch que desestabilizam a percep\u00e7\u00e3o visual. As falhas digitais, distor\u00e7\u00f5es crom\u00e1ticas e ru\u00eddos visuais operam como parte da pr\u00f3pria narrativa especulativa. \u201cOs erros do sistema tornam-se linguagem est\u00e9tica criando camadas de distor\u00e7\u00e3o e instabilidade que espelham os atravessamentos do colapso\u201d, explica Vita.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao longo das seis faixas, um corpo negro dissidente, interpretado pelo ator e bailarino Jota Z, atravessa esse territ\u00f3rio como sensor de mundos, incorporando for\u00e7as ancestrais ligadas \u00e0s cosmologias afro-brasileiras. Gabriel Ara\u00fajo enfatiza que a proposta do EP visual \u00e9, ainda, refletir sobre como o ser humano faz uso do espa\u00e7o que habita. \u201cO \u2018lixo\u2019 que se produz, o dano que se estabelece e n\u00e3o fazemos um reaproveitamento nestes espa\u00e7os mais. Estamos vivendo num momento em que observamos muitas cat\u00e1strofes acontecendo, n\u00e3o s\u00f3 por mudan\u00e7as clim\u00e1ticas de temperatura, mas tamb\u00e9m de como tratamos esse ambiente\u201d, comenta. \u201cAs refer\u00eancias \u00e0s cosmologias afro brasileiras atravessam a obra como campos de for\u00e7a que transformam o lixo e os res\u00edduos em mat\u00e9ria de recomposi\u00e7\u00e3o e reintegra\u00e7\u00e3o. Assim como entidades transmutadoras transitam entre mundos e limpam zonas t\u00f3xicas. LUGAR ensaia imagens onde ru\u00ednas n\u00e3o significam fim, mas h\u00famus para outras possibilidades de exist\u00eancia\u201d, complementa o diretor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As composi\u00e7\u00f5es sonoras de Gabriel Ara\u00fajo acompanham esse processo como for\u00e7as vibrat\u00f3rias e atmosf\u00e9ricas. Ao todo, s\u00e3o cinco composi\u00e7\u00f5es in\u00e9ditas, que fazem parte de diversos momentos da vida do compositor, retirada de trechos de trilhas, ideias engavetadas ou novas ondas incitadas pelo processo e pela vida. Na \u00faltima faixa do EP visual h\u00e1 uma \u2018surpresa\u2019 com o resgate do material de um cantador, natural de S\u00e3o Luiz do Maranh\u00e3o, Humberto Mendes, cuja lembran\u00e7a p\u00f3stuma traz a \u00e9poca em que cantava no grupo Boi Bumb\u00e1 de Maracan\u00e3. Abaixo, Gabriel comenta o EP faixa a faixa (<a href=\"https:\/\/hominiscanidaerec.bandcamp.com\/album\/lugar\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">ou\u00e7a e baixe no Bandcamp<\/a>).<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Assista ao EP visual na integra abaixo<\/em><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Gabriel Ara\u00fajo &amp; Vita Evangelista - Lugar: Um EP visual (2025)...\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/RPr9auzErSc?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>01) &#8220;YBY&#8221; &#8211;<\/strong> &#8220;Yby&#8221;&#8216; foi um tema que surgiu de uma sess\u00e3o de improvisos. Ela foi constru\u00edda a partir do viol\u00e3o. Na sess\u00e3o r\u00edtmica eu usei um tambor de alfaia, garrafas de vidro, vagem de flamboyant (delonix regia) e um motor de ventilador de teto velho. Gravei tamb\u00e9m um contrabaixo el\u00e9trico, guitarra, metalofone (timbre de um piano el\u00e9trico) e sax. Ela abre o \u00e1lbum muito com uma carga mais primitiva e ritual\u00edstica. Penso nela como um an\u00fancio de chegada de uma entidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>02) &#8220;ET\u00c9&#8221; &#8211;<\/strong> Esse tema surgiu em 2018. Eu ainda morava em Jo\u00e3o Pessoa. Na \u00e9poca eu tinha essa ideia de explorar mais ritmos africanos. Esse tema surgiu muito desse pensamento, harmonicamente e melodicamente ela progride muito como algumas composi\u00e7\u00f5es minhas. Sem retornos e repeti\u00e7\u00e3o. Mas a coisa do ritmo 6\/8 meio ponto de umbanda meio valsa que sustenta a ideia toda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>03) &#8220;EK\u00d3&#8221; &#8211;<\/strong> Esse tema surgiu em 2023 aqui em Campos mesmo. Penso nela muito como um bolero. Claro que tem um beat eletr\u00f4nico e tal. Mas acho que a carga emocional dela \u00e9 muito na onda do bolero. Escuto brega faz um tempo e recentemente resolvi pegar esse material como estudo. Da\u00ed essa faixa tem umas duas ideias que surgiram separadas mas acabaram funcionando bem quando juntei. A primeira parte dela \u00e9 mesmo a onda do bolero, bossa. A segunda \u00e9 um tema que eu gosto e surgiu quando eu estava compondo a trilha de um curta metragem chamado \u201cO Tempo\u201d, dirigido por Ellen Correia, mas acabou sobrando. A\u00ed coube um pouco de reciclagem no EP.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>04) &#8220;CELESTIAL \u00c9 A COMUNICA\u00c7\u00c3O&#8221; &#8211;<\/strong> Essa faixa \u00e9 a mais freejazz. Tem um pouco de Sun R\u00e1 e um pouco de Alan Silva and the Celestial Communication Orchestra. Nessa usei um processo de colagem que usei muito no \u201cPresente\u201d (EP de 2015). O tema que entra na marimba eu compus pensando no meu filho que estava pra nascer ainda. Surgiu enquanto eu estudava umas coisas do Roy Ayers. Ele meio que segue na pr\u00f3xima faixa tamb\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>05) &#8220;ESPIRITUAL \u00c9 O MOVIMENTO&#8221; &#8211;<\/strong> Essa tem uma onda mais disco music. Tamb\u00e9m tenho escutado bastante desde que voltei a morar em Campos. Cresci ouvindo muito pop dos anos 70 e disco music por causa da minha m\u00e3e. Acho que d\u00e1 pra considerar uma homenagem a ela.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>06) &#8220;PELO BEM DE TODOS&#8221; &#8211;<\/strong> Essa m\u00fasica \u00e9 uma vers\u00e3o. O compositor dela se chama Humberto Mendes. Ele foi um cantador que liderava um grupo de bumba meu boi em S\u00e3o Lu\u00eds no Maranh\u00e3o. Tive contato com essa composi\u00e7\u00e3o quando era aluno na UFPB. Era uma aula de cultura popular ministrada na \u00e9poca pela professora Daniella Gramani, cantora, que \u00e9 filha do Jos\u00e9 Eduardo Gramani, violinista, rabequista, compositor, professor e pesquisador musical brasileiro. As aulas dela eram sempre muito ricas, cheias de descobertas. O repert\u00f3rio que ela trazia para sala de aula me fazia sair com a sensa\u00e7\u00e3o de conhecer mais do Brasil profundo. Quando essa m\u00fasica surgiu numa das aulas, mexeu muito comigo. Nunca mais esqueci que ela existe. Pra mim ela soa como um mantra muito poderoso. A ideia de gravar ela no EP acabou surgindo durante a produ\u00e7\u00e3o do EP visual. Sentia que faltava algo para amarrar tudo e fechar o conceito do \u00e1lbum. Quando gravei tive certeza.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-91474 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/lugar.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/lugar.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/lugar-300x300.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/lugar-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u2013 Diego Albuquerque \u00e9 o criador do blog\u00a0<a href=\"https:\/\/www.hominiscanidae.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Hominis Canidae<\/a>, um dos maiores reposit\u00f3rios de discos brasileiros da \u00faltima d\u00e9cada. O blog foi criado em 2009, no Recife, e divulga novos artistas e nomes indies da m\u00fasica brasileira, de norte a sul do pa\u00eds.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Filmado entre ru\u00ednas coloniais, usinas abandonadas e centros de reciclagem, \u201cLUGAR\u201d mergulha em escombros materiais e espirituais para reconfigurar limites entre lixo e sagrado, falha e futuro. \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/09\/21\/faixa-a-faixa-gabriel-araujo-apresenta-seu-ep-lugar\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":103,"featured_media":91475,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[7904],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/91473"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/103"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=91473"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/91473\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":91605,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/91473\/revisions\/91605"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/91475"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=91473"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=91473"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=91473"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}