{"id":91445,"date":"2025-09-19T00:01:52","date_gmt":"2025-09-19T03:01:52","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=91445"},"modified":"2025-10-09T10:48:35","modified_gmt":"2025-10-09T13:48:35","slug":"entrevista-vocalista-da-banda-zimbra-bola-apresenta-seu-lado-mais-pessoal-e-intimo-em-rafael-novo-disco-solo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/09\/19\/entrevista-vocalista-da-banda-zimbra-bola-apresenta-seu-lado-mais-pessoal-e-intimo-em-rafael-novo-disco-solo\/","title":{"rendered":"Entrevista: Vocalista da banda Zimbra, Bola apresenta seu lado mais pessoal e \u00edntimo em \u201cRafael\u201d, novo disco solo"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\">entrevista de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/danilosouza.jornalismo\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Danilo Souza<\/a><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Provavelmente voc\u00ea j\u00e1 conhece a voz e o rosto de <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/bolazimbra\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Bola<\/a>, vocalista da banda Zimbra, mas voc\u00ea sabe quem \u00e9 \u201c<a href=\"https:\/\/www.submithub.com\/link\/bola\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Rafael<\/a>\u201d? \u00c9 com essa proposta mais pessoal e intimista que o m\u00fasico apresenta o seu novo disco solo, publicado em julho deste ano. O trabalho conta com doze faixas e discorre sobre as rela\u00e7\u00f5es, principalmente de fam\u00edlia, mas tamb\u00e9m de amizade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar do disco ter sido lan\u00e7ado agora, em 2025, as composi\u00e7\u00f5es s\u00e3o dos dif\u00edceis anos de pandemia, o que influenciou tamb\u00e9m na sonoridade do projeto. O viol\u00e3o, parceiro de quarto de Bola, \u00e9 o \u201cpersonagem principal\u201d do \u00e1lbum. \u201cAcho que isso, primeiro, veio em decorr\u00eancia dessa est\u00e9tica do trabalho solo, de n\u00e3o ser um trabalho propriamente dito de rock, de n\u00e3o ter muita guitarra presente ali, e veio tamb\u00e9m de encontro com esse lance de que a grande maioria delas foram feitas na pandemia e tudo mais, e eu s\u00f3 tinha o viol\u00e3o para tocar. Ent\u00e3o fiz tudo no viol\u00e3o\u201d, relembra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">D\u00e1 pra separar Bola e Zimbra? O vocalista admite que \u00e9 dif\u00edcil\u2026 \u201csou compositor das m\u00fasicas da Zimbra, canto na Zimbra, ent\u00e3o as pessoas v\u00e3o ouvir as minhas m\u00fasicas solo e v\u00e3o ouvir a minha voz. \u00c9 imposs\u00edvel que eu espere que elas fa\u00e7am essa desconex\u00e3o das coisas, n\u00e3o vai acontecer. Elas v\u00e3o, de certa forma, achar v\u00e1rios pontos parecidos\u201d, mas tamb\u00e9m admite que o trabalho solo \u00e9 um espa\u00e7o para ter liberdade e experimentar sem medo. \u201cA diferencia\u00e7\u00e3o que tento fazer com o p\u00fablico com meu trabalho solo \u00e9 que isso aqui \u00e9 a minha vis\u00e3o sobre as m\u00fasicas que estou escrevendo, apenas a minha vis\u00e3o. Quando vai pra Zimbra, tem esse lance da contribui\u00e7\u00e3o dos outros tr\u00eas e a\u00ed se torna uma coisa nossa, n\u00e3o uma coisa minha\u2026\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c<a href=\"https:\/\/www.submithub.com\/link\/bola\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Rafael<\/a>\u201d \u00e9 um disco solo, mas que \u00e9 um \u201cprocesso coletivo-passivo\u201d, como Bola define. A capa do \u00e1lbum \u00e9 um desenho da sua m\u00e3e, feito por seu primo em uma atividade escolar e pintado por sua irm\u00e3. Na tracklist, as influ\u00eancias familiares se expandem com a faixa \u201cSozinho\u201d, composta em homenagem \u00e0 falecida av\u00f3 do m\u00fasico. \u201c\u00c9 um processo coletivo passivo, n\u00e9? Porque essas pessoas n\u00e3o sabiam, at\u00e9 ent\u00e3o, que iam estar envolvidas em um disco. Tipo, eu fui pescando as coisas sozinho sem deixar expl\u00edcito o tempo todo que estava fazendo isso. Ent\u00e3o foi algo bem especial. At\u00e9 fazendo um paralelo muito engra\u00e7ado, o nome da m\u00fasica que eu fiz para minha av\u00f3 \u00e9 \u2018Sozinho\u2019, e sozinho foi algo que eu n\u00e3o me senti fazendo esse disco, porque tinha tanta gente envolvida por tr\u00e1s disso, de forma bem passiva, mas presente, que n\u00e3o senti que era um disco solo.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Ou\u00e7a o \u00e1lbum &#8220;Rafael&#8221; abaixo e leia a entrevista completa na sequencia.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Outros Tempos, Outras Ruas\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/XNKmIrzmarM?list=OLAK5uy_m2Hj6ax1-VILZKjthg6VQ1x6lB-h7QyFo\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Esse \u00e9 o seu trabalho mais pessoal at\u00e9 aqui. O que significa, para voc\u00ea, trazer um pouco do Rafael neste disco e n\u00e3o apenas o Bola?<\/strong><br \/>\nPois \u00e9, cara\u2026 o nome veio por \u00faltimo e, na verdade, n\u00e3o teria nem como n\u00e3o ser o meu nome, pensando nas coisas que foram acontecendo. Eu tinha a ideia de gravar o disco e me lembro que h\u00e1 uns oito anos eu tinha guardado a capa do disco, que \u00e9 um desenho da minha m\u00e3e, pintado pelo meu primo, que na \u00e9poca tinha uns oito anos de idade, num trabalho de escola, era uma telinha de aquarela, tinta e tal. Eu gostei muito do jeito que ele desenhou minha m\u00e3e todo distorcido, na vis\u00e3o dele, e a\u00ed tirei uma foto daquilo e falei \u201cmano, vou usar isso daqui algum dia pra alguma coisa, porque ficou muito legal\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 2024 come\u00e7ou a ideia de gravar esse segundo disco solo e reparei que nesse garimpo da sele\u00e7\u00e3o das m\u00fasicas eu comecei a pegar muita coisa que eu tinha escrito, principalmente na \u00e9poca em que a gente estava bem recluso [a pandemia] e nesse lance mais aflorado de sentimento, de emo\u00e7\u00e3o, principalmente por conta da nossa pr\u00f3pria fam\u00edlia. A gente tinha muito medo de algu\u00e9m morrer. Ent\u00e3o fui escrevendo muita coisa durante esse per\u00edodo e na hora de escolher o repert\u00f3rio do disco, fui reparando que tinha muita coisa ali que falava muito sobre fam\u00edlia, n\u00e3o s\u00f3 sobre s\u00f3 a minha especificamente, e n\u00e3o s\u00f3 sobre fam\u00edlia de sangue, mas falando sobre amigos, sobre rela\u00e7\u00f5es pessoais que n\u00e3o eram rela\u00e7\u00f5es rom\u00e2nticas, enfim, n\u00e3o necessariamente um romance\u2026 quando eu fui amarrando tudo isso, veio a ideia de usar aquele desenho na capa desse disco. Qual o jeito mais simb\u00f3lico de amarrar tudo isso? \u00c9 colocando meu nome no disco. Acho que pouca gente sabia meu nome at\u00e9 ent\u00e3o, eu sempre fui conhecido como Bola. Estava tudo amarrado para esse lado de ser mais pessoal e mais familiar e n\u00e3o tinha como n\u00e3o colocar isso [o nome \u201cRafael\u201d no disco] por \u00faltimo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O disco tem uma forte presen\u00e7a da sua fam\u00edlia \u2014 desde as inspira\u00e7\u00f5es at\u00e9 a pr\u00f3pria arte da capa. Como foi envolver pessoas t\u00e3o pr\u00f3ximas nesse processo criativo?<\/strong><br \/>\n\u00c9 um processo coletivo passivo, n\u00e9? Porque essas pessoas n\u00e3o sabiam, at\u00e9 ent\u00e3o, que iam estar envolvidas em um disco. Tipo, eu fui pescando as coisas sozinho sem deixar expl\u00edcito o tempo todo que estava fazendo isso. N\u00e3o falei para o meu primo \u201cFabio, vou usar o seu desenho na capa do meu disco, porque ele fala sobre a nossa fam\u00edlia e tem uma m\u00fasica sobre a nossa av\u00f3 que j\u00e1 morreu e n\u00e3o sei o qu\u00ea\u201d, foi algo que fiquei pensando sozinho. Mas foi um trabalho coletivo, obviamente, mesmo que de forma passiva, e foi diferente de fazer porque sempre tive banda e esse lance de sempre contar com a opini\u00e3o de mais de uma pessoa, de fazer as coisas ativamente com mais de uma pessoa, sempre discutindo, tentando ceder um pouco e fazendo vota\u00e7\u00e3o para resolver qualquer tipo de coisa. No trabalho solo tem isso de voc\u00ea bancar as suas escolhas sozinho, dando certo ou dando errado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00f3 que ao mesmo tempo eu tinha esse suporte passivo por tr\u00e1s, a minha fam\u00edlia no geral, todas as pessoas envolvidas no disco, meu primo que fez a capa, minha m\u00e3e, que \u00e9 o desenho, a minha irm\u00e3 que pintou, a minha av\u00f3 que j\u00e1 \u00e9 falecida\u2026 de alguma forma elas participaram comigo disso, mesmo que n\u00e3o foi de uma forma completamente ativa. Ent\u00e3o foi algo bem especial. At\u00e9 fazendo um paralelo muito engra\u00e7ado, o nome da m\u00fasica que eu fiz para minha av\u00f3 \u00e9 \u201cSozinho\u201d, e sozinho foi algo que eu n\u00e3o me senti fazendo esse disco, porque tinha tanta gente envolvida por tr\u00e1s disso, de forma bem passiva, mas presente, que n\u00e3o senti que era um disco solo. Isso de \u201cdisco solo\u201d parece que fiz sozinho. Fora a galera do est\u00fadio que ajudou na grava\u00e7\u00e3o, nos arranjos, na parte do processo pr\u00e1tico de fazer o disco.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Sozinho @Ateli\u00ea Sessions (Rafael, 2025)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/tUtwUTzJZeA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea contou que muitas m\u00fasicas nasceram durante a pandemia. Ao revisitar hoje essas can\u00e7\u00f5es, voc\u00ea sente que elas ganharam novos sentidos?<\/strong><br \/>\nSim, com certeza! Acho que n\u00e3o s\u00f3 as m\u00fasicas, mas a vida ganha outro sentido p\u00f3s pandemia, \u00e9 inevit\u00e1vel. Quem se manteve a mesma pessoa durante tr\u00eas anos tem que marcar uma terapia a\u00ed (risos) porque ningu\u00e9m saiu ileso. E, ao mesmo tempo que elas d\u00e3o outro sentido, elas tamb\u00e9m t\u00eam esse trabalho de registrar aquele momento. Eu sempre falo que um disco, uma m\u00fasica, qualquer coisa que \u00e9 uma grava\u00e7\u00e3o de algo, \u00e9 um registro daquele tempo, daquela \u00e9poca, daquele contexto todo, seja uma foto, um v\u00eddeo, um clipe, um disco\u2026 para mim, o disco, apesar de ter sido gravado no p\u00f3s pandemia, n\u00e3o deixa de ser um registro muito importante do per\u00edodo que eu estava nessa reclus\u00e3o, vivendo isso tudo com esse medo e lidando com essas coisas todas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando eu ou\u00e7o, consigo lembrar de muita coisa que eu estava vivendo naquela \u00e9poca, do meu pai ter sido internado, da gente n\u00e3o saber o dia de amanh\u00e3, se a coisa ia demorar para terminar, se a vacina ia chegar logo, se ia funcionar, se n\u00e3o ia\u2026 quando eu canto as m\u00fasicas, \u00e9 imposs\u00edvel, de alguma forma, n\u00e3o me teletransportar para aquele per\u00edodo ali onde eu escrevi esse disco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O viol\u00e3o \u00e9 o \u201cator principal\u201d de \u201cRafael\u201d. Por que essa decis\u00e3o de deixar a guitarra de fora, mesmo sendo uma marca t\u00e3o forte no seu hist\u00f3rico musical?<\/strong><br \/>\nAcho que estou ficando velho, mano, estou ficando cansado de tocar guitarra e apertar um monte de pedal (risos). Agora falando s\u00e9rio, nesse disco, apesar de ter uma banda tocando junto, optei por n\u00e3o ter guitarra. Acho que isso, primeiro, veio em decorr\u00eancia dessa est\u00e9tica do trabalho solo, de n\u00e3o ser um trabalho propriamente dito de rock, de n\u00e3o ter muita guitarra presente ali, e veio tamb\u00e9m de encontro com esse lance de que a grande maioria delas foram feitas na pandemia e tudo mais, e eu s\u00f3 tinha o viol\u00e3o para tocar. Ent\u00e3o fiz tudo no viol\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tudo bem que componho tudo no viol\u00e3o, s\u00f3 que \u00e9 diferente quando eu vou compor para a banda, por exemplo, porque sei que no dia seguinte eu vou estar no est\u00fadio usando uma guitarra e pedais, ent\u00e3o j\u00e1 fa\u00e7o as composi\u00e7\u00f5es das m\u00fasicas da Zimbra pensando no espa\u00e7o da guitarra, da bateria, do baixo, dos metais e tal. Na pandemia, simplesmente compus as m\u00fasicas no viol\u00e3o como se elas fossem existir apenas daquela maneira ali, sabe? Porque eu n\u00e3o tinha como pensar em mais recursos a curto prazo, porque a gente estava naquele per\u00edodo de reclus\u00e3o e n\u00e3o sabia como eu ia pro est\u00fadio ou quando ensaiar. O viol\u00e3o, al\u00e9m desse lance est\u00e9tico, ele tem essa parte de que eu tentei manter a fidelidade de como as m\u00fasicas foram feitas enquanto eu estava l\u00e1 no quartinho da casa da minha m\u00e3e, fazendo as m\u00fasicas, tocando s\u00f3 no viol\u00e3o, sem pensar em como seria se elas tivessem guitarra, baixo, bateria. Isso veio depois e foi constru\u00eddo em volta do viol\u00e3o.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Outros Tempos, Outras Ruas - Bola part. Ivyson (Ao vivo Bona Casa de Musica) #bola #ivyson\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/LEB9cVcD2jc?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea reuniu nomes como Teago Oliveira, Ivyson e Marcos Almeida, por exemplo, neste disco. Como se deu a escolha dos convidados e o que cada um trouxe de especial para as faixas?<\/strong><br \/>\nFoi muito legal trabalhar com participa\u00e7\u00f5es, porque eu nunca tinha feito isso no meu trampo solo e a Zimbra, mesmo com dezoito anos de banda, a gente s\u00f3 teve, sei l\u00e1, umas duas participa\u00e7\u00f5es em toda nossa discografia. N\u00f3s temos cinco discos e v\u00e1rios singles, deve dar umas oitenta m\u00fasicas, e pensar que s\u00f3 tivemos duas participa\u00e7\u00f5es nessa discografia toda \u00e9 muito pouco. Nunca tive esse h\u00e1bito. Resolvi fazer isso no disco porque acho que ele pedia esse lance, j\u00e1 que eu estava falando sobre fam\u00edlia, como falei no come\u00e7o, n\u00e3o apenas de sangue, mas esses la\u00e7os que a gente cria ao longo da vida, de admira\u00e7\u00e3o por amigos ou por pessoas do nosso nicho de trabalho. Falando em termos t\u00e9cnicos e pr\u00e1ticos, foi uma experi\u00eancia muito enriquecedora, \u00e9 muito legal ver a sua m\u00fasica tocada e cantada pelos olhos de outras pessoas, uma experi\u00eancia que eu tive pouqu\u00edssimas vezes na vida. E isso, ao mesmo tempo, tamb\u00e9m d\u00e1 um novo sentido, [pois] sinto que a m\u00fasica n\u00e3o \u00e9 mais minha, a m\u00fasica \u00e9 minha e de tal pessoa, teve outra pessoa que entrou ali, contribuiu com a parte dela, cantou e deu a interpreta\u00e7\u00e3o dela.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c0s vezes, inclusive, interpreta\u00e7\u00f5es que eu imaginava de um jeito e ela foi l\u00e1 e fez de outro, o que foi o caso do Marcos Almeida. Quando ele foi gravar foi muito louco, porque na minha cabe\u00e7a a gente ia fazer uma coisa, s\u00f3 que ele veio com v\u00e1rias outras ideias l\u00e1 no final da m\u00fasica e harmonias que eu n\u00e3o consegui nem cogitar a possibilidade de falar assim \u201cmano, vamos ouvir de novo para ver se ficou legal\u201d, porque, na hora que ele fez, fui pego de surpresa positivamente e foi aquele lance de [pensar] \u201cmano, nem vou mexer, vai ficar do jeito que ele fez a\u00ed\u201d, porque, \u00e0s vezes, a primeira ideia \u00e9 a melhor ideia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isso tamb\u00e9m rolou muito com a Let\u00edcia [Filizzola], que \u00e9 a \u00fanica participa\u00e7\u00e3o de guitarra no disco e que \u00e9 uma guitarrista bizarra de boa. Quando mandei a m\u00fasica, ela me voltou com algo que eu nem imaginava, na minha cabe\u00e7a ela ia fazer umas frases ali, um solo com um efeito maneiro e tal, e ela me voltou com um solo de pedal, com pouqu\u00edssimas notas, mas com muita textura, muito pedal\u2026 um lado que nem imaginava que daria para ir. Foi bem legal ouvir a minha m\u00fasica pelo ouvido de outras pessoas, foi o que aconteceu no fim das contas. Foi uma experi\u00eancia bem legal!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea disse que n\u00e3o busca entregar mensagens grandiosas, mas sim presen\u00e7a e verdade. Em que momento percebeu que esse era o caminho para \u201cRafael\u201d?<\/strong><br \/>\nFoi no momento que percebi que deveria simplesmente s\u00f3 fazer o que eu era naquele momento, sabe? Eu peguei e assumi o papel da minha limita\u00e7\u00e3o, n\u00e3o querendo diminuir\u2026 na minha cabe\u00e7a, limita\u00e7\u00e3o n\u00e3o significa a diminui\u00e7\u00e3o de algo ou o que \u00e9 ruim ou bom, feio ou bonito, significa que \u00e9 ali que voc\u00ea consegue parar, aquele \u00e9 o seu caminho. Tem gente que consegue limites diferentes para coisas diferentes. E eu entendi que o meu limite era aquilo de fazer uma m\u00fasica mais simples, de passar uma mensagem que, apesar de voc\u00ea conseguir ter muitas interpreta\u00e7\u00f5es, ela \u00e9 falada e cantada de um jeito simples. N\u00e3o fico usando muitas palavras bonitas, n\u00e3o fico deixando muita coisa no ar, aquele lance meio m\u00edstico de [pensar] \u201cnossa, o que ser\u00e1 que ele quis dizer com essa frase?\u201d [eu quis dizer] literalmente o que est\u00e1 escrito ali, e dali voc\u00ea pode pegar e fazer a sua interpreta\u00e7\u00e3o, n\u00e3o tem problema nenhum. Tentei ser o mais honesto comigo, gosto de pensar nas coisas de uma forma n\u00e3o literal, mas de uma forma simples.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Minha Culpa, Seu Engano (Ao vivo, Santos, 2025) \" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/RhTQxGMjcyk?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O que os f\u00e3s da Zimbra podem encontrar de diferente \u2014 ou talvez complementar \u2014 em \u201cRafael\u201d?<\/strong><br \/>\nNossa, cara, \u00e9 uma \u00f3tima pergunta, porque \u00e9 muito dif\u00edcil. Eu j\u00e1 tentei me desvencilhar muito da banda, digo no modo art\u00edstico, e fazer algo que seja bem diferente. Resolvi assumir o que eu sou e n\u00e3o ficar tentando for\u00e7ar um caminho para ser diferente ou pra ser outra coisa, quando na verdade nem tem como, n\u00e9? Ouvi uma entrevista do Samuel Rosa em que ele fala sobre a grava\u00e7\u00e3o do disco dele, porque a galera achou muita coisa parecida com Skank, e ele falou \u201ccara, eu n\u00e3o tenho como fugir de mim mesmo\u201d, e \u00e9 exatamente como me sinto. Sou compositor das m\u00fasicas da Zimbra, canto na Zimbra, ent\u00e3o as pessoas v\u00e3o ouvir as minhas m\u00fasicas solo e v\u00e3o ouvir a minha voz. \u00c9 imposs\u00edvel que eu espere que elas fa\u00e7am essa desconex\u00e3o das coisas, n\u00e3o vai acontecer. Elas v\u00e3o, de certa forma, achar v\u00e1rios pontos parecidos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que tento fazer no meu trabalho solo \u00e9, primeiramente falando do lado art\u00edstico, talvez deixar com uma cara de um som mais folk, enquanto a Zimbra \u00e9 uma banda de rock alternativo, indie, ent\u00e3o tento deixar [o trabalho solo] nessa linha de som que a gente n\u00e3o faz na Zimbra. E tento ser um pouco mais um contador de hist\u00f3rias, porque a Zimbra, apesar de estar l\u00e1 cantando e passando a minha mensagem, s\u00e3o quatro contadores de hist\u00f3ria em cima do palco, cada um dando a sua express\u00e3o de um jeito pra m\u00fasica. Quando fa\u00e7o sozinho, tento deixar as coisas sob a minha \u00f3tica e do jeito que eu exatamente pensei em passar. Ent\u00e3o, ao mesmo tempo que se torna muito mais pessoal por conta disso e se diferencia um pouco, \u00e9 tamb\u00e9m aquele lance que falei de ter que bancar isso sozinho, \u00e9 uma escolha minha de para onde as coisas v\u00e3o. Esse \u00e9 o lance pra mim de ter um trabalho solo e me arriscar em coisas que eu quero sozinho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A banda conta com mais de uma pessoa e \u00e9 uma unidade de combina\u00e7\u00f5es de opini\u00f5es, de refer\u00eancias, de jeitos de tocar\u2026 acaba n\u00e3o sendo exatamente como eu quero, exatamente como o guitarrista quer, como o baterista quer, como o baixista quer, acaba sendo a fus\u00e3o da opini\u00e3o dos quatro. A diferencia\u00e7\u00e3o que tento fazer com o p\u00fablico com meu trabalho solo \u00e9 que isso aqui \u00e9 a minha vis\u00e3o sobre as m\u00fasicas que estou escrevendo, apenas a minha vis\u00e3o. Quando vai pra Zimbra, tem esse lance da contribui\u00e7\u00e3o dos outros tr\u00eas e a\u00ed se torna uma coisa nossa, n\u00e3o uma coisa minha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para voc\u00ea, qual \u00e9 o futuro dessa obra? Ela \u00e9 um ponto de chegada ou um ponto de partida?<\/strong><br \/>\nCara, n\u00e3o penso muito nisso no trampo solo, apesar de querer levar isso para frente com muita seriedade. Quero tocar no m\u00e1ximo de lugares que eu conseguir ir, gravei o disco e lancei por conta disso, sen\u00e3o ficava ouvindo em casa e n\u00e3o lan\u00e7ava para as pessoas ouvirem. S\u00f3 que tento n\u00e3o pensar muito na resposta disso, porque esse trampo, esse projeto todo que come\u00e7ou em 2017, \u00e9 para ser uma esp\u00e9cie de laborat\u00f3rio, tipo uma v\u00e1lvula de escape ali da banda e para fazer coisas que eu n\u00e3o fa\u00e7o dentro da banda, porque ela j\u00e1 tem a sua pr\u00f3pria identidade e j\u00e1 anda com as suas pr\u00f3prias pernas. Tipo, a gente sabe o que \u00e9 a banda, n\u00f3s n\u00e3o vamos gravar um disco de pagode no ano que vem com a banda Zimbra, mas eu posso pegar e simplesmente fazer sozinho. Se fizer \u00e9 uma decis\u00e3o que vai ser s\u00f3 minha e eu n\u00e3o vou precisar me preocupar com a resposta comercial disso. O trabalho nasceu para ser esse laborat\u00f3rio, ser essa experimenta\u00e7\u00e3o\u2026 eu disse que [esse disco] n\u00e3o tem guitarra, pode ser que o pr\u00f3ximo disco seja s\u00f3 de guitarra e n\u00e3o tenha nenhum viol\u00e3o. \u00c9 essa liberdade que busco no meu trabalho solo, de experimentar coisas, de poder errar, acertar, mas n\u00e3o precisar ficar me preocupando muito com isso.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Jo\u00e3o - Bola (Rafael, 2025)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/yCA1-YKnauk?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u2013 Danilo Souza \u00e9 estudante de jornalismo da UESB (Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia). Acompanhe seu trabalho em\u00a0<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/danilosouza.jornalismo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">instagram.com\/danilosouza.jornalismo<\/a>. A foto que abre o texto \u00e9 de <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/andrecalvao\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Andr\u00e9 Calv\u00e3o<\/a> \/ Divulga\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Apesar do disco ter sido lan\u00e7ado em 2025, as composi\u00e7\u00f5es s\u00e3o dos anos de pandemia, o que influenciou tamb\u00e9m na sonoridade do projeto.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/09\/19\/entrevista-vocalista-da-banda-zimbra-bola-apresenta-seu-lado-mais-pessoal-e-intimo-em-rafael-novo-disco-solo\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":153,"featured_media":91446,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[7899,7900],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/91445"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/153"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=91445"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/91445\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":91448,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/91445\/revisions\/91448"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/91446"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=91445"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=91445"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=91445"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}