{"id":91441,"date":"2025-09-19T00:02:40","date_gmt":"2025-09-19T03:02:40","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=91441"},"modified":"2025-10-15T00:39:49","modified_gmt":"2025-10-15T03:39:49","slug":"musica-private-music-e-o-retorno-triunfal-que-todos-desejavam-do-deftones","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/09\/19\/musica-private-music-e-o-retorno-triunfal-que-todos-desejavam-do-deftones\/","title":{"rendered":"M\u00fasica: \u201cprivate music\u201d \u00e9 o retorno triunfal que todos desejavam do Deftones"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>texto de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/caro.davii\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Davi Caro<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">A recep\u00e7\u00e3o avassaladora que o novo disco do Deftones, \u201cprivate music\u201d (2025), encontrou logo de seu lan\u00e7amento, no \u00faltimo 22 de agosto, poderia certamente ser interpretada como mais um caso de exalta\u00e7\u00e3o excessiva, derivada, por sua vez, de um longo per\u00edodo de sumi\u00e7o. Isso porque a banda, originalmente formada em Sacramento, Calif\u00f3rnia, na virada para os anos 90, parece n\u00e3o ter tido pressa em dar sequ\u00eancia a uma discografia que j\u00e1 acumula inveja: o quinteto encerra um hiato de cinco anos, que se seguiu ap\u00f3s o bom \u201cOhms\u201d (2020), n\u00e3o apenas apaziguando os \u00e2nimos de uma fanbase que surpreende em seu alcance, mas tamb\u00e9m tendo que superar mudan\u00e7as significativas em sua forma\u00e7\u00e3o. Entrando mais uma vez em campo para um jogo de expectativas j\u00e1 muito favorecido, resta ent\u00e3o a indaga\u00e7\u00e3o primordial \u2013 seria \u201cprivate music\u201d, realmente, t\u00e3o bom assim?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A aliviada resposta \u00e9 sim. Chino Moreno (vocais, guitarra), Stephen Carpenter (guitarra), Frank Delgado (teclados e eletr\u00f4nicos) e Abe Cunningham (bateria) n\u00e3o apenas conseguiram arrefecer a apreens\u00e3o que se seguiu \u00e0 sa\u00edda do baixista Sergio Vega, em 2022, como tamb\u00e9m apresentam agora aquele que, em seu devido tempo, deve figurar em meio aos discos mais memor\u00e1veis lan\u00e7ados pelos campe\u00f5es do metal alternativo. H\u00e1 muito libertos do estigma que os atrelava \u00e0 agressividade t\u00edpica de seus contempor\u00e2neos n\u00fc-metaleiros, o quarteto, agora acrescido do estreante Fred Sablan nas quatro cordas, consegue o improv\u00e1vel ao estabelecer, para que ningu\u00e9m tenha d\u00favidas, seu legado junto \u00e0 m\u00fasica pesada moderna. Deixar compara\u00e7\u00f5es com pepitas como \u201cWhite Pony\u201d (2000) ou \u201cDiamond Eyes\u201d (2010) realmente faz a diferen\u00e7a para que se possa apreciar \u201cprivate music\u201d como o que realmente \u00e9: um disco bonito, bem feito e recheado com o que podem vir a ser novos cl\u00e1ssicos na discografia do Deftones.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-91442 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/deftones1.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/deftones1.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/deftones1-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A escolha das duas primeiras faixas de trabalho j\u00e1 aponta alguns dos motivos pelos quais o novo \u00e1lbum \u00e9 mais do que merecedor da aten\u00e7\u00e3o que v\u00eam recebendo. \u201cMy Mind is a Mountain\u201d e \u201cMilk of the Madonna\u201d s\u00e3o apenas uma prova da qualidade do material que os cinco conseguiram registrar. Gravado em cinco est\u00fadios em Portland, Hollywood e Nashville com o produtor Nick Raskulinecz \u2013 cujos cr\u00e9ditos incluem trabalhos de Coheed and Cambria, Foo Fighters, Alice in Chains e Ghost, al\u00e9m, claro, de \u201cDiamond Eyes\u201d e \u201cKoi No Yokan\u201d (2012) \u2013 \u00e9 inevit\u00e1vel perceber que o quinteto h\u00e1 muito n\u00e3o soava t\u00e3o bem. O direcionamento da sonoridade, conduzido por tr\u00e1s da mesa de som por Raskulinecz junto da banda, deixa no chinelo a ma\u00e7aroca sensorial de \u201cOhms\u201d, trabalhado por Terry Date. Ao inv\u00e9s disso, a mistura idiossincr\u00e1tica dos ritmos cheios de groove, dos samples (que j\u00e1 s\u00e3o marca registrada), e das paredes de guitarras drone pareadas com os vocais ora et\u00e9reos, ora desesperan\u00e7osos de Chino, encontra sua mais perfeita encapsula\u00e7\u00e3o aqui.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"deftones - milk of the madonna [visualizer]\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/D1zErtM1r2c?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m ajuda muito o fato de que \u201cprivate music\u201d n\u00e3o deixa espa\u00e7o para retic\u00eancias: o disco \u00e9 uma explora\u00e7\u00e3o da sonoridade s\u00f3lida que o grupo alcan\u00e7ou desde seu debut, \u201cAdrenaline\u201d (1995). Mas vai al\u00e9m disso: a complexa din\u00e2mica criativa que une dois p\u00f3los completamente opostos \u2013 de um lado, o frontman Moreno, respons\u00e1vel pelos momentos mais experimentais e on\u00edricos da sonoridade do grupo; e do outro o guitarrista Carpenter, que toma para si a tarefa de lembrar todos os ouvintes das ra\u00edzes \u201cmetal\u201d do Deftones \u2013 \u00e9 o que faz faixas como \u201clocked club\u201d e \u201c~metal dream\u201d coexistirem dentro de um mesmo \u00e1lbum ao mesmo tempo em que, apesar de t\u00e3o distintas entre si, serem capazes de se complementarem, com o peso indiscriminado das guitarras da primeira sendo o completo fotonegativo dos versos reflexivos dos vocais. \u201cecdysis\u201d pode ser a mais memor\u00e1vel faixa aqui, justamente por unir estes dois impulsos aparentemente divergentes \u00e0 perfei\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de justificarem a presen\u00e7a de Abe Cunningham em qualquer lista digna de melhores e mais vers\u00e1teis bateristas do \u00faltimo s\u00e9culo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Alguns pontos acabam levando mais tempo para cativar o ouvinte \u2013 mas \u00e9 a\u00ed que mora o segredo da sonoridade do grupo, e deste disco: \u201csouvenir\u201d demora para engatar, e ent\u00e3o acaba se transformando em uma cornuc\u00f3pia de riffs, camadas de teclados (em uma das grandes interven\u00e7\u00f5es de Frank Delgado) e refr\u00e3os irresist\u00edveis. \u201cinfinite source\u201d \u00e9 um hit \u00f3bvio, servindo como um cart\u00e3o de visitas do trabalho magn\u00edfico de equaliza\u00e7\u00e3o e masteriza\u00e7\u00e3o do disco. \u00c9 um contraste interessante, ali\u00e1s, com \u201ci think about you all the time\u201d, a can\u00e7\u00e3o mais abertamente rom\u00e2ntica do novo \u00e1lbum, al\u00e9m de ceder mais espa\u00e7o para que Fred Sablan possa se sobressair em sua estr\u00e9ia fonogr\u00e1fica com a banda. O m\u00fasico demonstra estar mais do que habilitado para dar conta do espa\u00e7o originalmente ocupado por Sergio Vega e, mais crucialmente, pelo falecido Chi Cheng.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os (breves) 42 minutos de dura\u00e7\u00e3o do disco \u2013 encerrado com a delirante e bela \u201cdeparting the body\u201d \u2013 v\u00e3o al\u00e9m de servirem como um testemunho da qualidade sonora mantida pelo Deftones, ou de simplesmente justificarem o prest\u00edgio conquistado pelo quinteto ap\u00f3s tr\u00eas d\u00e9cadas desde seu debut discogr\u00e1fico (a julgar, inclusive, pelo recente an\u00fancio do grupo como um dos headliners do vindouro <a href=\"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/2025\/08\/28\/lollapalooza-2026-na-america-do-sul\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Lollapalooza Brasil 2026<\/a>): ao final de \u201cprivate music\u201d tanto ouvintes de primeira viagem quanto f\u00e3s de primeira hora s\u00e3o capazes de tomar consci\u00eancia da dimens\u00e3o que a influ\u00eancia desta banda tomou ao longo dos anos. Se \u00e9 poss\u00edvel identificar o DNA ambicioso e iconoclasta do Deftones em projetos t\u00e3o distintos quanto o <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2022\/03\/25\/ao-vivo-turnstile-faz-show-selvagem-e-antologico-no-cine-joia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Turnstile<\/a>, o IDLES ou o <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/04\/14\/critica-lonely-people-with-power-novo-disco-do-deafheaven-e-avassalador-em-todos-os-bons-sentidos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Deafheaven<\/a>, o peso deste mesmo legado passou longe de atingir a banda da mesma forma que vitimou muitos de seus contempor\u00e2neos, que se retroalimentam do vigor hormonal de seus primeiros discos para se arrastarem por palcos do mundo inteiro, buscando reviver o tipo mais datado, e question\u00e1vel, de gl\u00f3rias. Influentes, atentos, e sempre dispostos a surpreender, os cinco m\u00fasicos do Deftones reafirmam, sem que seja preciso muito esfor\u00e7o, sua import\u00e2ncia junto aos grandes nomes do rock no s\u00e9culo XXI, entregando aquele que j\u00e1 \u00e9 um dos \u00e1lbuns do ano, al\u00e9m de um dos melhores trabalhos de um cat\u00e1logo que impressiona n\u00e3o por sua extens\u00e3o, e sim por sua identidade \u00edmpar.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"private music\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/videoseries?list=OLAK5uy_nPFHTIXHILspAeO0420XRCMK2UrEFyc58\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><em><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=4cfQaQO-YD4\">\u2013\u00a0Davi Caro\u00a0\u00e9 professor,<\/a>\u00a0tradutor, m\u00fasico, escritor e estudante de Jornalismo. Leia mais textos dele\u00a0<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/author\/davi-caro\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Os cinco m\u00fasicos do Deftones reafirmam, sem que seja preciso muito esfor\u00e7o, sua import\u00e2ncia junto aos grandes nomes do rock no s\u00e9culo XXI\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/09\/19\/musica-private-music-e-o-retorno-triunfal-que-todos-desejavam-do-deftones\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":134,"featured_media":91443,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[7898],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/91441"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/134"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=91441"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/91441\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":91444,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/91441\/revisions\/91444"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/91443"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=91441"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=91441"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=91441"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}