{"id":9113,"date":"2011-07-11T22:08:54","date_gmt":"2011-07-12T01:08:54","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=9113"},"modified":"2011-08-03T15:10:28","modified_gmt":"2011-08-03T18:10:28","slug":"television-ao-vivo-em-sao-paulo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/07\/11\/television-ao-vivo-em-sao-paulo\/","title":{"rendered":"Television ao vivo em S\u00e3o Paulo"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"http:\/\/www.flickr.com\/photos\/lilianecallegari\/sets\/72157627145384924\/\" target=\"_blank\"><img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-9114\" title=\"television1\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/07\/television1.jpg\" alt=\"\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>por <a href=\"http:\/\/twitter.com\/screamyell\" target=\"_blank\">Marcelo Costa<\/a><br \/>\nfotos por <a href=\"http:\/\/twitter.com\/licallegari\" target=\"_blank\">Liliane Callegari<\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que uma banda como o Television tem a dizer ao p\u00fablico do s\u00e9culo 21? Seu primeiro disco, \u201cMarquee Moon\u201d, foi lan\u00e7ado no distante 1977, em meio ao furac\u00e3o punk, e vendeu quase nada nos Estados Unidos, mas bateu no 27\u00ba lugar da parada brit\u00e2nica, o que n\u00e3o \u00e9 nenhum feito para se emoldurar e colocar na parede, mas desde ent\u00e3o, entra ano, sai ano, a bolachinha de oito m\u00fasicas freq\u00fcenta listas de melhores discos de todos os tempos (assim como algumas can\u00e7\u00f5es do \u00e1lbum) tornando-se um objeto muito mais de refer\u00eancia do que aprecia\u00e7\u00e3o (as pessoas falam mais do disco do que o ouvem).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A refer\u00eancia, inclusive, \u00e9 uma das culpadas por certa expectativa criada em torno do Television hoje em dia. No come\u00e7o dos anos 00, quando \u201cIs This It\u201d saiu, muita gente apressada chegou a escrever que os Strokes tinham muito das bandas que passeavam pela Nova York dos anos 70 incluindo o Television no pacote de influ\u00eancias da turma de Julian Casablancas. E quem acreditou nessa refer\u00eancia (com jeito de pegadinha) e foi a um show do Television esperando algo que remetesse ao som do \u201cnovo (j\u00e1 velho) rock\u201c proposto pelos Strokes nos anos 00 deve ter tido uma grande decep\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No Beco 203, na Rua Augusta, em uma quinta-feira fria (para padr\u00f5es paulistanos), tr\u00eas quartos da forma\u00e7\u00e3o que gravou \u201cMarquee Moon\u201d em 1977 (e depois \u201cAdventure\u201d, em 1978, e um terceiro \u00e1lbum simplesmente batizado de \u201cTelevision\u201d, em 1992) subiu ao palco para mostrar como o rock and roll pode, \u00e0s vezes, soar l\u00edrico e contemplativo. Liderados por Tom Verlaine, um dos \u00edcones desse instrumento de seis cordas chamado de guitarra (e tamb\u00e9m voz), o Television fez um daqueles shows em que o ouvinte n\u00e3o tira o p\u00e9 do ch\u00e3o durante a m\u00fasica, mas os ouvidos (e a alma) agradecem pela regalia concedida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao vivo em 2011, o Television soa quase o mesmo do decantado \u201cThe Blow-Up\u201d, bootleg que registra uma apresenta\u00e7\u00e3o do quarteto em 1978 (lan\u00e7ado no Brasil em CD duplo pela Trama em 1999). 33 anos separam cada show e, claro, o tempo passa \u2013 e pesa. O cerne do som do grupo, no entanto, continua intocado: a bateria b\u00e1sica de Billy Ficca (que l\u00e1 em 1978 soava mais barulhenta, mas o cen\u00e1rio em si era mais barulhento) acompanhada do baixo sutil de Fred Smith fazendo a cama para os solos \u00e1speros de Tom Verlaine e as participa\u00e7\u00f5es mel\u00f3dicas do guitarrista Richard Lloyd (que passou o cargo em 2007 para o fiel escudeiro da carreira solo de Verlaine, Jimmy Ripp, que honrou a posi\u00e7\u00e3o no Brasil).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/www.flickr.com\/photos\/lilianecallegari\/sets\/72157627145384924\/\" target=\"_blank\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-9115 aligncenter\" title=\"television2\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/07\/television2.jpg\" alt=\"\" \/><\/a><br \/>\nA f\u00f3rmula do Television parece simples (como sempre parecem as grandes can\u00e7\u00f5es), e pode soar deslocada de um mundo (moderno) movido pela velocidade. Se antigamente, no auge do punk, a banda precisava tocar alto para se fazer ouvir, hoje cadencia as can\u00e7\u00f5es com uma simplicidade que chega a emocionar (sendo, por isso, mais indicada para um teatro do que para um bar\/balada): a bateria surge suave e vai crescendo lentamente, sem pressa. Tom Verlaine sussura as letras (e ri vitorioso quando o p\u00fablico encobre sua voz \u2013 como em \u201cProve It\u201d, a primeira can\u00e7\u00e3o da noite em S\u00e3o Paulo) e o ritmo das can\u00e7\u00f5es aumenta levemente sem nunca soar agressivo, mas sim&#8230; estiloso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se em 2005, em sua primeira passagem pelo Brasil, a banda fez um show de 1h30 no Sesc Pomp\u00e9ia tocando apenas oito can\u00e7\u00f5es (dentre elas, \u201cKnockin&#8217; On Heaven&#8217;s Door\u201d, de Bob Dylan, presente nos shows do grupo desde sempre \u2013 inclusive em \u201cThe Blow-Up\u201d), nesta segunda passagem, Tom Verlaine estendeu o set list para 11 n\u00fameros, mas continou evitando ceder ao apelo f\u00e1cil de tocar apenas os cl\u00e1ssicos de \u201cMarquee Moon\u201d (que, inevitalmente, era o que todo o p\u00fablico queria ouvir) optando por resgatar obscuridades e covers como \u201cJericho\u201d, \u201cPersia\u201d e \u201cThe Sea\u201d (a \u00faltima cantada em portugu\u00eas de gringo).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com apenas tr\u00eas \u00e1lbuns em quase 35 anos de carreira (e o \u00faltimo sendo de quase 20 anos atr\u00e1s), algumas cartas marcadas inevitavelmente bateram ponto na noite, caso de \u201cLittle Johnny Jewel\u201d (das sess\u00f5es de \u201cMarquee Moon\u201d, mas lan\u00e7ada oficialmente apenas na reedi\u00e7\u00e3o do \u00e1lbum em 2008), \u201cGlory\u201d e \u201cThe Fire\u201d (dobradinha do segundo bom disco do grupo), mas os olhos de boa parte da audi\u00eancia brilharam mesmo na quilom\u00e9trica \u201cMarquee Moon\u201d (14 minutos inspirados de guitarras estridentes) e em \u201cVenus\u201d (outra do disco cl\u00e1ssico), j\u00e1 no bis. \u201cSatisfaction\u201d, aquela dos Stones, encarregada de fechar dezenas de shows do grupo desde 1975, colocou ponto final (meio amargo) na noite. Uma cover? E \u201cSee no Evil\u201d? E \u201cFriction\u201d?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pode ser teimosia em n\u00e3o ceder ao \u00f3bvio amplificando uma dualidade que sempre divide f\u00e3s: amar um artista exatamente por ele ser artisticamente teimoso, mas o querer domesticado quando frente a frente num show. Desta forma, n\u00e3o deixa de ser gratificante perceber que Tom Verlaine, do alto de seus 61 anos (Billy Ficca tamb\u00e9m tem 61 contra 63 de Fred Smith), ainda se importa em fazer o que gosta. Ele se surpreende com o p\u00fablico quando toca algum hino de seu disco mais famoso, mas ainda v\u00ea desafio no ato de subir em um palco e tocar (ou mesmo cantar uma can\u00e7\u00e3o em portugu\u00eas). E s\u00f3 isso vale o ingresso, mas de \u201cb\u00f4nus\u201d o Television oferece o charme de duas guitarras estridentes lutando numa noite de frio contra a velocidade do tempo, dos hypes, das refer\u00eancias equivocadas em um belo show feito para quem ainda aprecia ouvir&#8230; m\u00fasica, embora o p\u00fablico do s\u00e9culo 21 pare\u00e7a interessado em outra coisa&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"http:\/\/www.flickr.com\/photos\/lilianecallegari\/sets\/72157627145384924\/\" target=\"_blank\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-9116 aligncenter\" title=\"television3\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/07\/television3.jpg\" alt=\"\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Marcelo Costa (<a href=\"http:\/\/twitter.com\/screamyell\" target=\"_blank\">@screamyell<\/a>) \u00e9 editor do Scream &amp; Yell e assina a <a href=\"..\/..\/blog\/\">Calmantes com Champagne<\/a><br \/>\n&#8211; Liliane Callegari (<a href=\"http:\/\/twitter.com\/licallegari\" target=\"_blank\">@licallegari<\/a>) \u00e9 arquiteta e fot\u00f3grafa. Veja mais fotos da apresenta\u00e7\u00e3o <a href=\"http:\/\/www.flickr.com\/photos\/lilianecallegari\/sets\/72157627145384924\/\" target=\"_blank\">aqui<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Marcelo Costa\nO que uma banda como o Television tem a oferecer ao p\u00fablico do s\u00e9culo 21? Duas guitarras lutando numa noite de frio, mas&#8230;\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/07\/11\/television-ao-vivo-em-sao-paulo\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9113"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9113"}],"version-history":[{"count":28,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9113\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9128,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9113\/revisions\/9128"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9113"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9113"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9113"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}