{"id":91106,"date":"2025-09-10T08:44:40","date_gmt":"2025-09-10T11:44:40","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=91106"},"modified":"2025-09-30T00:04:05","modified_gmt":"2025-09-30T03:04:05","slug":"entrevista-john-reis-fala-sobre-novo-disco-solo-o-legado-do-drive-like-jehu-e-os-30-anos-de-classico-do-rocket-from-the-crypt","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/09\/10\/entrevista-john-reis-fala-sobre-novo-disco-solo-o-legado-do-drive-like-jehu-e-os-30-anos-de-classico-do-rocket-from-the-crypt\/","title":{"rendered":"Entrevista: John Reis fala sobre novo disco solo, o legado do Drive Like Jehu e os 30 anos de cl\u00e1ssico do Rocket from the Crypt"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/LuizMazetto1986\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Luiz Mazetto<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma das principais refer\u00eancias da cena musical de San Diego, na Calif\u00f3rnia, <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/swami_john_reis\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">John Reis<\/a> \u00e9 mais conhecido por ter fundado e tocado no Rocket from the Crypt, Drive Like Jehu, Pitchfork e Hot Snakes, quatro das bandas mais interessantes a surgirem no underground dos EUA nas \u00faltimas d\u00e9cadas. Mas seu curr\u00edculo tamb\u00e9m inclui parcerias e colabora\u00e7\u00f5es com nomes como <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/03\/09\/tres-perguntas-metz\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Metz<\/a> e <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2021\/09\/10\/entrevista-sonny-vincent-de-volta-ao-rock-apos-ser-jogado-as-cobras\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Sonny Vincent<\/a> e projetos menos conhecidos, mas igualmente interessantes e barulhentos como Sultans e Night Marchers.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos \u00faltimos anos, o guitarrista e vocalista vem focando seu tempo e riffs em uma carreira solo que acaba de ganhar um novo cap\u00edtulo com o explosivo \u201cTime to Let You Down\u201d (2025), um dos meus discos favoritos do ano desde a primeira audi\u00e7\u00e3o e mais um entre os muitos lan\u00e7amentos <a href=\"https:\/\/swami-records.myshopify.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">do seu selo Swami<\/a> \u2013 uma refer\u00eancia a um dos seus diferentes pseud\u00f4nimos. Os outros nomes pelos quais John \u00e9 conhecido variam de acordo com as bandas em que toca, sendo <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=TF0ninwZqts\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Speedo<\/a> o mais conhecido, por ser adotado no Rocket from the Crypt.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na entrevista abaixo, feito por v\u00eddeo em uma agrad\u00e1vel tarde de julho diretamente do seu est\u00fadio em San Diego, um gente fin\u00edssima John Reis falou sobre os seus \u00faltimos discos solo, lan\u00e7ados com um intervalo de poucos meses, comentou sobre os 30 anos do cl\u00e1ssico \u201cScream, Dracula, Scream!\u201d, do Rocket from the Crypt, relembrou a turn\u00ea de volta do Drive Like Jehu h\u00e1 cerca de uma d\u00e9cada, e contou como um disco \u201cinesperado\u201d dos Ramones mudou a sua vida. Confira!<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Ou\u00e7a o disco \u201cTime to Let You Down\u201d na integhra abaixo<\/em><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Time To Let You Down\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/uOIpCbqDL-w?list=OLAK5uy_mOY0A4odBuIiDDluqSJ72qkOxgr007q-I\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>H\u00e1 alguns meses, voc\u00ea lan\u00e7ou \u201cTime to Let You Down\u201d (2025), que saiu cerca de oito meses depois do seu disco solo anterior, \u201cAll This Awaits You\u201d (2024). Ent\u00e3o, queria saber: como surgiu esse novo \u00e1lbum em t\u00e3o pouco tempo? Voc\u00ea j\u00e1 tinha um \u201cestoque\u201d de riffs esperando para serem trabalhados ou foi mais algo no sentido de voc\u00ea ter ficado t\u00e3o satisfeito com \u201cAll This Awaits You\u201d que quis logo fazer um novo disco?<\/strong><br \/>\nAcho que a inspira\u00e7\u00e3o veio porque com o \u201cAll This Awaits You\u201d a gente saiu em turn\u00ea. A gente n\u00e3o faz muitas turn\u00eas, ent\u00e3o sempre que sa\u00edmos, tentamos ter algo novo ou algo para compartilhar com o p\u00fablico. Fomos para a Inglaterra fazer essa turn\u00ea e vimos que, basicamente, ningu\u00e9m tinha o nosso disco por l\u00e1. E eu entendo que hoje em dia n\u00e3o \u00e9 como antigamente &#8211; quase n\u00e3o existem mais lojas de discos, e muitas vezes essas lojas s\u00f3 vendem os t\u00edtulos maiores, os que realmente vendem. Mas foi frustrante ver que ningu\u00e9m tinha acesso ao nosso disco. Quando voltei da turn\u00ea, estava bem irritado e pensei: \u201cPorra, se ningu\u00e9m consegue ouvir aquele disco, ent\u00e3o vou fazer por conta pr\u00f3pria\u201d. Porque aquele disco foi com outra gravadora. E a\u00ed foi tipo: vou voltar a fazer as coisas do meu jeito, como eu sempre fiz. Basicamente, fui l\u00e1 com um sentimento que nem sei o que era, se era raiva, vingan\u00e7a, ressentimento. Mas o sentimento n\u00e3o era exatamente de alegria (risos). Ent\u00e3o comecei a compor umas m\u00fasicas e pensei: vou fazer meu pr\u00f3prio disco agora que tenho essa banda, uma banda que eu realmente gosto, gosto do que estamos fazendo, \u00e9 algo que posso lan\u00e7ar e ter um certo controle, pelo menos tentar direcionar um pouco melhor as coisas. Estou acostumado a ter muito controle, e muitas vezes, quando algo n\u00e3o \u00e9 feito ou n\u00e3o acontece, n\u00e3o \u00e9 porque sou pregui\u00e7oso, \u00e9 s\u00f3 porque aquilo n\u00e3o me interessa. Com \u201cTime to Let You Down\u201d, todas as m\u00fasicas surgiram logo depois que voltei daquela turn\u00ea. Acho que cheguei em casa em novembro e gravamos em dezembro &#8211; tipo, gravamos imediatamente, e ent\u00e3o come\u00e7amos a trabalhar no lan\u00e7amento j\u00e1 no come\u00e7o do ano seguinte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sim, era algo que eu ia comentar, porque \u201cTime to Let You Down\u201d soa um pouco mais duro, um pouco mais agressivo, enquanto \u201cAll This Awaits You\u201d traz uma pegada mais para cima &#8211; eu consigo ouvir muito Ramones, o in\u00edcio dos Misfits e The Saints.<\/strong><br \/>\n\u00c9, n\u00e3o sei. Eu sempre sinto que tenho algo a provar, mas n\u00e3o para os outros, e sim para mim mesmo. \u00c0s vezes crio umas barreiras imagin\u00e1rias ao meu redor s\u00f3 para poder derrub\u00e1-las depois. Talvez seja como um jogo art\u00edstico que jogo sozinho, comigo mesmo. Entendo que n\u00e3o sinto que as pessoas me devem alguma coisa, n\u00e3o acho que as pessoas tenham que prestar aten\u00e7\u00e3o em mim. Ent\u00e3o, o descaso n\u00e3o \u00e9 algo que me motiva. J\u00e1 estou acostumado com isso. \u00c9 mais sobre criar esses obst\u00e1culos ao meu redor. Pode parecer infantil, mas estou apenas tentando ser honesto. Tipo, \u00e0s vezes me pego pensando: \u201cVoc\u00ea tem 55 anos, talvez seja hora de se desafiar\u201d. E com esse material, j\u00e1 que eu tinha inspira\u00e7\u00e3o e energia, pensei: \u201cTalvez voc\u00ea devesse tentar focar tudo isso em um disco bem espec\u00edfico, super direto, sabe?\u201d E sim, todas essas influ\u00eancias ainda est\u00e3o l\u00e1, com certeza. Obviamente os Ramones, os Saints s\u00e3o uma das minhas bandas favoritas de todos os tempos, acho que isso \u00e9 bem evidente. O in\u00edcio dos Misfits tamb\u00e9m. E bandas mais \u201cnovas\u201d, n\u00e3o t\u00e3o novas assim, que est\u00e3o a\u00ed h\u00e1 uns 30 anos, como The Spits, Marked Men, essas bandas meio que da minha gera\u00e7\u00e3o, fazendo punk. E os Dickies tamb\u00e9m foram uma grande influ\u00eancia nesse disco. Acho que tem divers\u00e3o ali, e acho que ainda tem bastante positividade na mensagem. Musicalmente tamb\u00e9m, acho que tende mais para m\u00fasicas em tom maior, que&#8230; que t\u00eam mais chance de as pessoas cantarem junto. Isso nunca foi a inten\u00e7\u00e3o, mas era o tipo de som que eu estava ouvindo muito, e senti que tinha encontrado algo. Como se voc\u00ea estivesse garimpando ouro, voc\u00ea acha um fiozinho e vai seguindo, cavando, vendo at\u00e9 onde ele leva. \u00c0s vezes leva ao ouro de verdade, \u00e0s vezes leva \u00e0 uma ilus\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Li que no disco anterior (\u201cAll This Awaits You\u201d), voc\u00ea quis mudar o nome da banda para Bed of Nails porque achou que poderia confundir as pessoas, j\u00e1 que voc\u00ea estava discotecando como Swami John Reis. Foi isso mesmo?<\/strong><br \/>\n\u00c9 sempre confuso. Tipo, parece que o meu principal talento &#8211; e eu tenho consci\u00eancia disso &#8211; \u00e9 a minha capacidade de confundir as pessoas. Eu estava tentando simplificar, porque fa\u00e7o muitas apresenta\u00e7\u00f5es como DJ aqui em San Diego, tocando vinis de 7 polegadas. N\u00e3o viajo muito, e essas apresenta\u00e7\u00f5es sempre s\u00e3o como Swami John Reis &#8211; ou Swami Sound System. Eu tamb\u00e9m fazia um programa de r\u00e1dio chamado Swami Sound System, ent\u00e3o as pessoas achavam que, quando eu estava em turn\u00ea como Swami John Reis, eu iria discotecar. Ou pelo menos achavam que eu estaria envolvido com isso de alguma forma. N\u00e3o sei, foram s\u00f3 algumas pessoas que escreveram, mas quando s\u00f3 algumas pessoas escrevem e todas dizem a mesma coisa, voc\u00ea come\u00e7a a pensar: &#8220;Ser\u00e1 que todo mundo acha isso?&#8221; N\u00e3o sei, eu realmente n\u00e3o sei o que as pessoas pensam. Eu chamei (a banda) no disco de Bed of Nails porque achei que era um bom nome. Mas quando ele saiu em formato digital, n\u00e3o foi listado como parte do mesmo projeto (John Reis) e a\u00ed eu pensei: &#8220;Que droga.&#8221; Porque, pra mim, isso \u00e9 ainda mais confuso. Agora as pessoas t\u00eam que saber que precisam procurar em outro lugar. Ent\u00e3o decidi voltar a usar s\u00f3 Swami John Reis, porque pensei: quero que tudo exista no mesmo lugar, pra que quem j\u00e1 gosta do que fa\u00e7o, ou tem interesse e quer conhecer, consiga encontrar com mais facilidade. Acho que \u00e9 isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O lance do streaming \u00e9 bem frustrante, porque se voc\u00ea n\u00e3o existe l\u00e1, pra muita gente \u00e9 como se voc\u00ea simplesmente n\u00e3o existisse &#8211; como se a sua m\u00fasica n\u00e3o existisse. Ent\u00e3o sim, uma parte de mim se importa com isso, porque eu quero que as pessoas ou\u00e7am a m\u00fasica. Mas, mesmo assim, eu sei como \u00e9 dif\u00edcil acompanhar tudo hoje em dia. Ent\u00e3o, mesmo que voc\u00ea tente cobrir todas as bases, ainda assim \u00e9 f\u00e1cil das pessoas perderem, mesmo se estiverem interessadas nesse tipo de som.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Swami And The Bed of Nails - Full Performance (Live on KEXP)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/oCD1q64Qb90?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mas agora est\u00e1 tudo sob o nome de Swami John Reis, certo? Vi que agora est\u00e1 tudo junto no Spotify.<\/strong><br \/>\nSim. E o Spotify \u00e9 tipo&#8230; d\u00e1 pra imaginar como \u00e9 dif\u00edcil conseguir fazer qualquer coisa l\u00e1, porque tudo \u00e9 automatizado. S\u00f3 conseguir falar com uma pessoa j\u00e1 \u00e9 algo praticamente imposs\u00edvel. Porque aquele desgra\u00e7ado est\u00e1 investindo todo o dinheiro em coisas como gasto militar, essas porcarias, investindo em empresas que est\u00e3o tentando fazer bombas e coisas do tipo. Quer dizer, n\u00e3o sei ao certo, mas s\u00e3o coisas de contrato militar. Ent\u00e3o acho que estamos chegando num ponto em que acho que preciso come\u00e7ar a considerar outras op\u00e7\u00f5es, porque realmente n\u00e3o quero continuar participando disso. Se surgir algo melhor, com certeza vou migrar. Mas ao mesmo tempo, sou mais velho. N\u00e3o que eu seja super velho, mas j\u00e1 vi muita coisa mudar na minha carreira musical, ent\u00e3o sei que as coisas vao mudar de novo com certeza. S\u00f3 que toda mudan\u00e7a at\u00e9 agora foi pra pior (risos). Ent\u00e3o, quem sabe a pr\u00f3xima seja ainda pior, n\u00e9?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E agora tem essas bandas geradas por IA no Spotify. Tipo, eu li outro dia sobre uma chamada The Velvet Sundown, que \u00e9 como uma mistura de Velvet Underground com The Doors e um monte de outras coisas&#8230; e eles t\u00eam tipo 500 mil ouvintes mensais.<\/strong><br \/>\nO que s\u00e3o essas bandas? S\u00e3o outros rob\u00f4s ouvindo m\u00fasica feita por rob\u00f4s?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Pois \u00e9, essa \u00e9 a pergunta &#8211; eu n\u00e3o sei (risos)<\/strong><br \/>\nMas, tipo, se soa bem, soa bem, n\u00e9? Mas eu tenho dificuldade de acreditar nisso. Eu sei, eu sei que j\u00e1 tem muita gente perdendo emprego, isso j\u00e1 est\u00e1 acontecendo. E vai ficar muito, muito pior. N\u00e3o precisa ser um g\u00eanio pra entender pra onde isso est\u00e1 indo. Ent\u00e3o, sabe, pensar na possibilidade de eu perder meu trabalho como m\u00fasico&#8230; Tipo, se a gente vive num mundo onde todos os artistas perdem seus empregos para computadores, ent\u00e3o, sim &#8211; basicamente \u00e9 o fim do mundo. E n\u00e3o estou dizendo que a arte dita tudo, necessariamente. Mas se a gente perde a nossa capacidade, como esp\u00e9cie, de se interessar pelas nossas pr\u00f3prias vozes, ent\u00e3o a gente merece mesmo ser simplesmente espirrado pra fora do planeta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Seus dois \u00faltimos discos solo sa\u00edram ap\u00f3s a morte do Rick Froberg. Voc\u00eas tiveram uma parceria e amizade que durou quase quatro d\u00e9cadas, desde o come\u00e7o com o Pitchfork, passando pelo Drive Like Jehu e depois pelo Hot Snakes. Voc\u00eas passaram por diferentes bandas e fases da vida. E, mesmo quando ele estava no Hot Snakes, morando em Nova York, voc\u00eas continuaram se comunicando de outras formas. O que voc\u00ea acha que havia entre voc\u00eas dois que criou essa conex\u00e3o t\u00e3o forte? Voc\u00ea percebeu isso desde o come\u00e7o, quando come\u00e7aram a tocar juntos, que existia um la\u00e7o especial que ia al\u00e9m daquela primeira banda?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o, eu n\u00e3o sabia logo no come\u00e7o. Acho que voc\u00ea n\u00e3o sabe, a gente tinha 18 anos. Ent\u00e3o, tipo&#8230; eu realmente n\u00e3o sabia. Era minha primeira banda de verdade (Pitchfork). E a gente come\u00e7ou, e o Rick era o cara que estava com o Pitchfork. Foi o Rick quem reuniu a banda. Mas ele n\u00e3o estava na banda. Ele s\u00f3 j\u00e1 conhecia todo mundo antes. E a\u00ed, quando ele come\u00e7ou a cantar, foi basicamente a primeira vez que toquei com um vocalista de verdade, algu\u00e9m com quem ensai\u00e1vamos bastante e tudo mais. S\u00f3 fui perceber mesmo quando comecei a tocar com outras pessoas ou a ver outras bandas, depois de alguns anos. E tamb\u00e9m ao acompanhar a cena aqui em San Diego. Havia tanta gente talentosa, tantas bandas incr\u00edveis, pessoas fazendo coisas muito legais. Foi uma \u00e9poca maravilhosa para se estar vivo, com certeza, e para estar em uma banda em San Diego no final dos anos 1980, quando tudo estava come\u00e7ando a virar os anos 1990. Mas n\u00e3o existia exatamente um \u201csom\u201d. Todo mundo meio que vinha do punk rock, mas ao mesmo tempo queria se afastar da viol\u00eancia que havia no punk. E a\u00ed, tocando com o Rick, sempre senti que, eu at\u00e9 falei isso pra ele, e foi meio esquisito porque, anos atr\u00e1s, acho que a gente estava dando uma entrevista juntos e algu\u00e9m fez uma pergunta parecida. E eu disse: \u201cSabe, eu me sinto muito sortudo. Muito sortudo mesmo por ter feito amizade com esse cara\u201d. E o mais incr\u00edvel \u00e9 que eu nunca precisei me perguntar ou imaginar como seria minha vida sem ele. Eu n\u00e3o preciso imaginar, porque eu tive &#8211; tenho &#8211; uma vida linda com ele sendo uma parte essencial da m\u00fasica que eu criei, que n\u00f3s criamos. Criamos juntos. E n\u00f3s dois mudamos muito como pessoas ao longo dos anos. E se tem uma coisa, \u00e9 que o Rick se tornou ainda mais motivado musicalmente com o tempo. Porque, quando o conheci, ele era mais voltado para as artes visuais. E ele fazia de tudo. Era pintor, obviamente um ilustrador incr\u00edvel. Trabalhou com cer\u00e2mica, se aventurou na arte do vidro soprado, fazia gravuras em madeira &#8211; basicamente, tudo que envolvia moldar algo, criar algo a partir do nada. Ele mandava muito bem em artes visuais, era muito talentoso e tinha uma vis\u00e3o art\u00edstica incr\u00edvel. E quando se tratava de m\u00fasica, a gente sempre concordava em tudo. Sinceramente, n\u00e3o me lembro de termos tido opini\u00f5es diferentes em nenhum momento. E quando voc\u00ea tem essa conex\u00e3o, em que voc\u00ea n\u00e3o precisa explicar o que est\u00e1 fazendo, n\u00e3o precisa dar contexto, voc\u00ea simplesmente cria algo, entrega para a outra pessoa, e ela eleva aquilo para um n\u00edvel que voc\u00ea jamais conseguiria alcan\u00e7ar sozinho&#8230; \u00e9 isso. Toda vez que fiz uma m\u00fasica com o Rick, foi assim. Sempre. Ele sempre ultrapassava o que eu achava que era o potencial daquilo. Ele levava a m\u00fasica para um lugar onde eu nunca conseguiria levar. Nem conseguiria imaginar esse lugar. Minha mente nem ia por esse caminho, sabe?<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Drive Like Jehu (Primavera Sound Porto, 11 Junho 2016)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/pEonT0g0kig?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tive a sorte de ver voc\u00eas dois juntos em Portugal, quando voltaram com o Drive Like Jehu, no Primavera Festival, no Porto, em 2016, e foi um dos shows mais intensos que j\u00e1 vi. Voc\u00eas pareciam realmente felizes tocando juntos, toda a banda. Voc\u00eas j\u00e1 tinham tocado juntos em outros contextos, mas considerando tudo que aconteceu, poder ter essa nova chance de mostrar a m\u00fasica do Drive Like Jehu para novos p\u00fablicos foi um momento especial pra voc\u00ea?<\/strong><br \/>\nFoi definitivamente um momento especial. A banda merecia aquele momento, aquele reencontro, a banda realmente merecia viver bons tempos como aqueles. E n\u00e3o apenas porque as pessoas queriam ouvir a m\u00fasica ou porque gostavam da banda. Claro, isso \u00e9 legal, mas n\u00e3o \u00e9 bem sobre isso que estou falando. Como pessoas e como banda, a gente p\u00f4de se divertir muito mais. A forma\u00e7\u00e3o original do Drive Like Jehu era bem intensa, sabe? Embora houvesse muita alegria no processo de compor a m\u00fasica, recriar aquilo depois j\u00e1 era outra coisa. A banda n\u00e3o era exatamente feita para sair em turn\u00ea pelo mundo 300 dias por ano. Ent\u00e3o acho que, como pessoas e como amigos, a gente merecia aquele tempo. Foi \u00f3timo ter aquele momento, aquele ano em que pudemos tocar v\u00e1rios shows e nos divertir pra valer. Foi t\u00e3o bom quanto a forma\u00e7\u00e3o original da banda? Bom, \u00e9ramos bem mais velhos&#8230; ent\u00e3o provavelmente n\u00e3o. N\u00e3o vou mentir e dizer que est\u00e1vamos t\u00e3o bons quanto antes. Mas, na minha opini\u00e3o, foi muito melhor. Justamente por causa dessa alegria, dessa leveza, tudo estava mais solto. E acho que havia um foco muito maior simplesmente em curtir fazer os shows. N\u00e3o era como se estiv\u00e9ssemos entrando numa van e sentindo que est\u00e1vamos gritando para uma parede. Parecia que a gente estava gritando junto com outras pessoas que tamb\u00e9m estavam gritando com a gente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ah, e a prop\u00f3sito, o seu sobrenome, Reis, \u00e9 portugu\u00eas? Voc\u00ea tem alguma descend\u00eancia portuguesa?<\/strong><br \/>\nSim, minha fam\u00edlia \u00e9 da Ilha da Madeira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ah, que legal. E claro que voc\u00ea j\u00e1 foi a Portugal para tocar, mas conseguiu conhecer o pa\u00eds?<\/strong><br \/>\nSim, j\u00e1 estive em Portugal umas quatro vezes. E s\u00f3 uma foi pra tocar\u2026 ou talvez duas. Acho que fui cinco vezes, e duas foram para tocar. Sim, porque acho que o Hot Snakes tocou. Sim, o Hot Snakes tamb\u00e9m tocou no Primavera Porto, o Hot Snakes foi antes. Eu adoro Portugal. \u00c9 engra\u00e7ado, s\u00f3 estive na Madeira uma vez, para ver o lugar de onde minha fam\u00edlia veio, que \u00e9 surreal. \u00c9 tipo a menor vila poss\u00edvel, com um penhasco e o oceano. E s\u00f3 isso, sabe? \u00c9 incr\u00edvel pensar no que minha fam\u00edlia teve que passar para, eventualmente, vir para os Estados Unidos e construir uma nova vida aqui, com uma fam\u00edlia maior. Mas \u00e9 um pa\u00eds lindo, s\u00f3 queria poder ir mais vezes. Porque, quando estou l\u00e1, sempre fico procurando discos e tentando encontrar um clube de rock, punk ou qualquer coisa mais ligada ao rock, e em Portugal parece que isso n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o comum quanto na Fran\u00e7a ou, obviamente, na Espanha, lugares onde j\u00e1 encontrei muito mais cultura de rock&#8217;n&#8217;roll. Se isso existe l\u00e1, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/tag\/portugal\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">algu\u00e9m precisa me contar onde fica<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E voc\u00ea fala um pouco de portugu\u00eas?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o, n\u00e3o. Quando eu era crian\u00e7a, era comum que n\u00e3o ensinassem para os filhos, porque queriam que a gente fosse americano, sabe? Ent\u00e3o \u00e9 uma pena, mas \u00e9 isso. Eu estava em Lisboa quando o Brasil ganhou a Copa do Mundo. Quando foi isso?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A \u00faltima vez foi em 2002.<\/strong><br \/>\nAntes disso, antes disso\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em 1994, quando a Copa foi nos Estados Unidos.<\/strong><br \/>\nEu estava em Lisboa em 1994, no dia em que o Brasil ganhou. Ent\u00e3o a gente comemorou em todos os lugares brasileiros em Lisboa naquela noite. Eu estava em turn\u00ea com o (Drive Like) Jehu. N\u00e3o em Portugal, mas a gente tinha uns cinco dias de folga na turn\u00ea, ent\u00e3o o Mike (baixista da banda) e eu fomos para Portugal e ficamos curtindo em Lisboa. E foi justamente na \u00e9poca da Copa. Foi divertido pra caramba.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Scream Dracula Scream\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/videoseries?list=OLAK5uy_nZMn1QT4Kbt4a6P0BzbLNUBnIDYbU4Nmg\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>2025 marca o 30\u00ba anivers\u00e1rio do disco mais conhecido do Rocket from the Crypt, \u201cScream, Dracula, Scream\u201d (1995). Quando voc\u00eas estavam gravando, tinham a sensa\u00e7\u00e3o de que esse seria um disco grande, que ia marcar as pessoas e continuar sendo falado por muitos anos depois?<\/strong><br \/>\nEu n\u00e3o sei. Eu realmente n\u00e3o pensava muito no que as pessoas iriam achar. Eu s\u00f3 estava tentando&#8230; era uma \u00e9poca em que eu estava muito produtivo. Estava em duas bandas, e com as duas a gente estava compondo e gravando bastante. Com o Rocket, t\u00ednhamos provavelmente material para uns tr\u00eas ou quatro \u00e1lbuns em desenvolvimento. E eu lembro que, quando lan\u00e7\u00e1vamos esses discos diferentes, sempre tinha uma m\u00fasica forte que parecia ser o n\u00facleo daquele \u00e1lbum \u2014 e eu constru\u00eda o resto em torno dela. Mas com o \u201cScream, Dracula, Scream\u201d, eu estava, obviamente, pensando: \u201cEsse \u00e9 o disco\u201d. Eu queria guardar as melhores ideias e dedicar o m\u00e1ximo de tempo, trabalho e reflex\u00e3o nesse \u00e1lbum \u2014 de longe, mais do que nos outros. Porque era o nosso primeiro disco realmente grande. Ia ter boa distribui\u00e7\u00e3o por uma gravadora grande e&#8230; o or\u00e7amento era, pra gente, incr\u00edvel. Tipo, a gente nem sabia como ia gastar todo aquele dinheiro. Fic\u00e1vamos tipo: \u201cTalvez a gente possa alugar&#8230; sei l\u00e1, uma orquestra?\u201d E foi o que fizemos \u2014 alugamos uma orquestra. E meio que fomos testando tudo. Foi, de certo modo, um rito de passagem, um disco de passagem. Acho que muitas bandas estavam na mesma situa\u00e7\u00e3o que a gente: tinham a chance de fazer um \u00e1lbum com or\u00e7amento maior e melhor distribui\u00e7\u00e3o, na esperan\u00e7a de conectar sua m\u00fasica com um p\u00fablico mais mainstream. Com o Rocket, t\u00ednhamos sa\u00eddo de um primeiro disco muito garageiro, meio pop, mas ainda assim bem punk. E o segundo disco era mais no estilo do The Saints, tipo \u201cKnow Your Product\u201d (faixa do cl\u00e1ssico \u201cEternally Yours\u201d, de 1978), mas ainda assim acess\u00edvel, com melodias, um som mais cativante. A\u00ed, com o \u201cScream\u201d, decidimos fazer um disco que n\u00e3o tivesse as mesmas melodias dos anteriores. Era um som com uma energia mais bruta. E a ideia era fazer um disco de garage rock, mas trat\u00e1-lo como se fosse uma daquelas bandas dos anos 1970, sabe? Aquelas em que os caras exageravam na coca\u00edna no est\u00fadio e repensavam tudo demais. A gente n\u00e3o fez isso (risos), mas foi meio isso \u2014 juntar dois pontos de vista opostos, duas abordagens art\u00edsticas bem diferentes, e fazer elas colidirem. E foi isso que fizemos. O Rocket sempre foi sobre ter um som grande. Sempre tivemos metais, e muitas vezes empilh\u00e1vamos camadas de metais com guitarras, e depois os vocais \u2014 com seis pessoas na banda, \u00e0s vezes todo mundo gritava ao mesmo tempo. Nosso lema sempre foi \u201cmais \u00e9 mais\u201d. Nunca foi \u201cmenos \u00e9 mais\u201d. E n\u00e3o era sobre din\u00e2mica, era sobre impacto. Tipo um caminh\u00e3o de lixo descendo o beco, essa era a vibe. Quando est\u00e1vamos gravando esse disco, eu estava super focado nisso. A gente teve a oportunidade de fazer um disco dos sonhos \u2014 e foi o que fizemos. Testamos tudo que sempre quisemos testar. E \u00e9 por isso que digo que foi um rito de passagem. Muitas bandas naquela \u00e9poca passaram por isso. E apenas alguns anos depois a gente j\u00e1 estava de volta ao nosso est\u00fadio de ensaio, fazendo os discos por conta pr\u00f3pria de novo \u2014 e sab\u00edamos que era pra l\u00e1 que \u00edamos voltar de qualquer jeito. Ent\u00e3o, aproveitamos aquele momento ao m\u00e1ximo. E, mais importante ainda, nos divertimos com isso. Porque a banda sempre foi tamb\u00e9m sobre se divertir.<\/p>\n<figure id=\"attachment_91121\" aria-describedby=\"caption-attachment-91121\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-91121 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/rocketfromthecrypt.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"546\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/rocketfromthecrypt.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/rocketfromthecrypt-300x218.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-91121\" class=\"wp-caption-text\"><em>Rocket from the Crypt<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea se surpreendeu com o qu\u00e3o popular voc\u00eas ficaram, em especial no Reino Unido, onde voc\u00eas tocaram no Top of the Pops, na TV, e em grandes festivais como Reading e Glastonbury?<\/strong><br \/>\nEu fiquei. Na verdade, nunca pareceu que ficou t\u00e3o grande assim, pra ser honesto com voc\u00ea. Quer dizer, teve algumas vezes em que foi tipo: \u201cUau, isso est\u00e1 al\u00e9m das minhas expectativas, com certeza\u201d, porque eu nunca tive expectativas de popularidade. Era mais pela m\u00fasica, sabe? Expectativas de\u2026 tipo, qu\u00e3o boa a banda poderia ser? Qu\u00e3o entrosada a banda poderia ser? A gente era muito focado na nossa performance ao vivo. Ent\u00e3o sempre era tipo: como podemos ser uma banda melhor? A gente realmente era muito competitivo quando se tratava de tocar ao vivo. A gente queria ser realmente os melhores, sabe? E simplesmente tocar com mais energia, mais r\u00e1pido, e dar \u00e0s pessoas algo bem diferente do que estava rolando naquela \u00e9poca, que era muito grunge e tal. E depois veio aquela fase mais garage, depois que a gente j\u00e1 estava fazendo aquilo. Ent\u00e3o acho que a gente meio que se encaixava num lugar esquisito, onde a gente n\u00e3o pertencia de verdade. E isso \u00e9 uma sensa\u00e7\u00e3o boa, de n\u00e3o pertencer. Porque n\u00e3o \u00e9 meio que isso que ser punk sempre quis dizer? Esse sentimento de aliena\u00e7\u00e3o, de ter que encontrar a sua tribo, ter que descobrir onde voc\u00ea pertence e achar pessoas com quem se conectar. Ent\u00e3o, pra mim, isso sempre pareceu meio que parte da minha vida inteira \u2014 sempre foi meio assim. Isso nunca foi algo ruim ou at\u00e9 mesmo t\u00e3o diferente assim.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Rocket From The Crypt live London 1996\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/DZ7YXCsWpcE?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Um bom amigo meu foi ao Reading em 1996, quando voc\u00eas tocaram e disse que o show de voc\u00eas foi realmente bom. Ele tamb\u00e9m me contou que a energia do palco caiu algumas vezes durante a apresenta\u00e7\u00e3o e que voc\u00ea bebeu uma cerveja do seu pr\u00f3prio sapato. E que voc\u00ea talvez tenha passado um pouco mal depois disso. Isso \u00e9 verdade?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o. Eu n\u00e3o passei mal. Eu fiquei bem, meus p\u00e9s s\u00e3o limpos (risos). Sim, foi uma situa\u00e7\u00e3o infeliz, foi tipo um conjunto de circunst\u00e2ncias meio azaradas. Aparentemente isso acontecia direto no Reading naquela \u00e9poca. Parece que sempre acabava a energia do gerador mais ou menos no mesmo hor\u00e1rio no palco em que a gente tocou. Eu n\u00e3o sabia disso, mas a gente tinha tipo&#8230; efeitos especiais, explos\u00f5es de luz &#8211; coisas que nunca t\u00ednhamos usado antes &#8211; e pensamos: \u201cOk, vamos transformar isso num espet\u00e1culo. Vamos ver at\u00e9 onde conseguimos levar essa loucura\u201d. E a\u00ed a energia acabou. Quando voc\u00ea est\u00e1 no palco no escuro &#8211; eu n\u00e3o sei por quanto tempo foi, talvez tenha sido s\u00f3 uns quatro minutos, mas parecia uma eternidade. Ent\u00e3o acho que muito do que eu estava fazendo naquele momento era basicamente tentar manter as pessoas conectadas conosco, mesmo sem nenhuma eletricidade &#8211; est\u00e1vamos no escuro, sem PA, sem nada. E n\u00e3o foi uma boa situa\u00e7\u00e3o, sabe? Quero dizer, foi uma das piores coisas que j\u00e1 aconteceram durante um show nosso. E foi nesse mesmo momento que eu estava jogando cervejas para o p\u00fablico. Tinha uma luz, tipo uma luz de emerg\u00eancia, bem atr\u00e1s de mim. E com ela eu conseguia ver as pessoas na frente. Mas eu n\u00e3o sabia que elas n\u00e3o conseguiam me ver por causa do \u00e2ngulo da luz. Ent\u00e3o eu estava jogando cervejas para a galera, e joguei uma que, aparentemente, acertou uma garota na cabe\u00e7a, e ela se machucou. E ningu\u00e9m me contou na hora. Depois do Reading, a gente saiu em turn\u00ea pela Europa e s\u00f3 quando voltamos para o Reino Unido \u00e9 que me contaram. N\u00e3o sei por que n\u00e3o me contaram antes, mas s\u00f3 me falaram quando voltamos. E disseram: \u201c\u00c9, voc\u00ea vai ter que ir \u00e0 delegacia&#8230; e ser preso.\u201d E eu fiquei tipo: \u201cPor que? Por que eu vou ser preso?\u201d E eles: \u201cPorque voc\u00ea fez isso.\u201d E eu: \u201cO qu\u00ea? Como assim?\u201d Ent\u00e3o eu fui at\u00e9 a delegacia e eu me senti t\u00e3o mal, sabe? Tipo, eu n\u00e3o queria&#8230; Quer dizer, como eu disse, eu s\u00f3 estava tentando transformar lim\u00f5es em limonada, dar cerveja para a galera e tentar manter as pessoas animadas. N\u00e3o foi intencional, obviamente. E eu nem tinha ideia do que tinha acontecido de verdade, mas consegui pedir desculpas e tudo, e no fim das contas n\u00e3o deu em nada. Mas at\u00e9 hoje&#8230; sabe, eu aprendi muito com esse epis\u00f3dio. N\u00e3o s\u00f3 que eu nunca mais vou fazer isso de novo, mas tamb\u00e9m que\u2026 sabe, eu quero que as pessoas gostem da banda \u2014 n\u00e3o me entenda mal. Eu n\u00e3o estou disposto a mudar nada do que fa\u00e7o artisticamente s\u00f3 para agradar. Mas quando termino algo que me empolga, eu quero compartilhar com as pessoas, e minha esperan\u00e7a \u00e9 que elas gostem. Se n\u00e3o gostarem, tudo bem, elas est\u00e3o erradas (risos). Mas tudo bem. S\u00f3 que a \u00faltima coisa que eu quero \u00e9 ferir ou causar qualquer tipo de dano a algu\u00e9m. Desconforto? Isso, tudo bem (risos). Mas machucar algu\u00e9m, nunca. Especialmente algu\u00e9m que veio ver um show. Ent\u00e3o, mesmo depois de 30 anos, isso ainda \u00e9 um daqueles arrependimentos que carrego. Me sinto p\u00e9ssimo por isso. E sei que ela j\u00e1 superou completamente, est\u00e1 bem e provavelmente nem pensa mais nisso. Mas penso nisso o tempo todo, at\u00e9 hoje. E ainda me sinto p\u00e9ssimo.<\/p>\n<figure id=\"attachment_91122\" aria-describedby=\"caption-attachment-91122\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-91122\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Swami-And-The-Bed-Of-Nails-aka-the-last-rock-n-roll-band.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"563\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Swami-And-The-Bed-Of-Nails-aka-the-last-rock-n-roll-band.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Swami-And-The-Bed-Of-Nails-aka-the-last-rock-n-roll-band-300x225.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-91122\" class=\"wp-caption-text\"><em>Swami And The Bed Of Nails (aka the last rock n roll band)<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Vi alguns v\u00eddeos de voc\u00eas tocando recentemente com a sua banda solo e todos estavam usando camisas combinando, meio no estilo havaiano, em preto e branco. E claro, voc\u00eas sempre tiveram isso com o Rocket, de ter roupas combinando, voc\u00eas t\u00eam esse esp\u00edrito de unidade, tipo os Ramones. Eu li que os primeiros shows que voc\u00ea assistiu foram Jackson 5 e Kiss, que obviamente s\u00e3o duas bandas completamente opostas, mas que t\u00eam, cada uma do seu jeito, esse apelo visual e de espet\u00e1culo muito forte. Voc\u00ea acha que, por esses dois shows terem sido os primeiros que voc\u00ea viu, isso de alguma forma ficou l\u00e1 no fundo da sua mente quando voc\u00ea come\u00e7ou a tocar e pensava sobre o que queria apresentar para o p\u00fablico?<\/strong><br \/>\nCom certeza. E mesmo uma banda como o The Damned. Bom, ok, eles n\u00e3o t\u00eam um uniforme. Mas quando voc\u00ea olha pra eles, parece que eles t\u00eam, sabe? Ou tipo os Ramones. Eu sei que eles se vestiam assim o tempo todo, mas quando voc\u00ea v\u00ea eles. Ver os Ramones pela primeira vez quando crian\u00e7a foi ainda mais impactante do que ver o Kiss quando eu era mais novo. Porque com o Kiss, voc\u00ea est\u00e1 olhando pra, tipo, personagens de gibi, algo maior que a vida. Mas com os Ramones, voc\u00ea est\u00e1 olhando pra caras da rua. E n\u00e3o parecia um ato, uma encena\u00e7\u00e3o. E ver os Ramones, Nova York, tamb\u00e9m parecia tipo um choque cultural quando voc\u00ea est\u00e1 crescendo em San Diego, perto da praia, pescando o tempo todo, esse tipo de coisa. Mesmo sendo no mesmo pa\u00eds, poderia muito bem ser em outro planeta, de t\u00e3o diferente que era. Ent\u00e3o sim, essas coisas definitivamente causaram uma grande impress\u00e3o. E muitas bandas punk tinham isso. O Dead Kennedys, com o &#8220;S&#8221; que eles usavam com a gravata parecendo um cifr\u00e3o de d\u00f3lar. E o Devo&#8230;vendo o Devo muitas bandas pareciam ter uma est\u00e9tica que complementava o som. Ent\u00e3o eu acho que com o Rocket, a gente s\u00f3 n\u00e3o queria parecer s\u00f3 um monte de caras em cima do palco, a gente queria parecer como uma coisa s\u00f3. Ent\u00e3o era isso. E come\u00e7amos a fazer isso desde a primeira turn\u00ea e meio que nunca mais paramos. Acho que antes dessa primeira turn\u00ea, a gente n\u00e3o usava, a gente s\u00f3 usava o que tivesse por a\u00ed. Qualquer coisa. Acho que no primeiro disco, estou usando um maldito chap\u00e9u de cowboy. Deve ter sido a \u00fanica vez que usei um chap\u00e9u de cowboy na vida. E eu decidi usar bem no disco. Tipo, quem faz isso? Eu nunca usei um chap\u00e9u de cowboy e a\u00ed resolvo usar um pra tirar a foto do disco.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Swami John Reis at the Ivy Room 4.7.25\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/81234a2dAhI?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ah, est\u00e1vamos falando sobre voc\u00ea tocar em Portugal e em outros pa\u00edses, mas voc\u00ea j\u00e1 foi convidado para tocar no Brasil com alguma das suas bandas?<\/strong><br \/>\nSim, sim. O Rocket foi chamado algumas vezes. Eu n\u00e3o lembro direito, sei que uma das vezes era para tocar com o Aerosmith e foi tipo \u201cS\u00e9rio? Uau. Tipo, ah, isso vai ser divertido. Tocar em uns shows de rock gigantes\u201d. Mas acho que a gente tinha acabado de fazer uma tour com o Soundgarden ou algo assim. E foi tipo: \u201cSabe de uma coisa? Chega de shows de rock enormes, porra\u201d. E o Aerosmith faz um show a cada quatro dias, ent\u00e3o \u00e9 uma turn\u00ea cara de participar, porque voc\u00ea acaba tendo muito tempo livre. Nunca tivemos uma oferta realmente boa no sentido de cobrir todas as despesas e coisas assim. A gente quer muito ir, e eu acho que agora com o Rocket \u00e9 muito dif\u00edcil para a gente sair em turn\u00ea, com todo mundo tendo trabalho, fam\u00edlia. Um dos integrantes da banda \u00e9 m\u00e9dico, outro \u00e9 professor, e tipo&#8230; eu sou o fracassado da turma (risos). Mas \u00e9 isso, se surgir o momento perfeito, a gente faria. E com certeza, \u201ccome to Brazil\u201d virou tipo um meme, n\u00e9?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sim, o Offspring at\u00e9 lan\u00e7ou uma m\u00fasica chamada \u201cCome to Brazil\u201d \u2013 ali\u00e1s, eles fizeram uma turn\u00ea por aqui h\u00e1 alguns meses, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/03\/12\/ao-vivo-offspring-brilha-com-seu-cirquinho-punk-enquanto-sublime-tortura-fas-saiba-como-foi-o-punk-is-coming-festival\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">com o The Damned e outras bandas<\/a>.<\/strong><br \/>\nSim. Eu definitivamente recebo mensagens, pessoas entrando em contato, especialmente agora&#8230; eu n\u00e3o uso muito o Facebook, mas uso o Instagram e sempre tem gente dizendo \u201cvem pra c\u00e1\u201d, \u201cvem pra c\u00e1\u201d. Eu adoraria, de verdade. O Rick falava muito do Brasil porque ele foi tocar a\u00ed. Pelo menos uma vez, talvez duas, mas com certeza uma vez ele fez aquela turn\u00ea com o Metz, o Mudhoney e o Obits (banda em que Rick tocava). E ele falava como foi foda pra caralho e como foi um dos lugares favoritos dele, que ele tinha curtido muito tocar a\u00ed (Nota: os shows em quest\u00e3o <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/05\/18\/sub-pop-festival-sao-paulo-2014\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aconteceram em 2014 no Sub Pop Festival<\/a>).<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-91124 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/fonzie1.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"250\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/fonzie1.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/fonzie1-300x100.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>As duas \u00faltimas perguntas: me diga, por favor, tr\u00eas discos que mudaram sua vida e porque eles fizeram isso. Sei que \u00e9 dif\u00edcil escolher apenas tr\u00eas, mas seriam tr\u00eas dos discos que tiveram esse impacto em voc\u00ea.<\/strong><br \/>\n\u00c9 muito dif\u00edcil, porque s\u00e3o tantos, e a lista vai mudar. J\u00e1 come\u00e7o dizendo: o que eu falar agora, amanh\u00e3 pode ser diferente. Mas vamos l\u00e1. Tr\u00eas discos&#8230; Cara&#8230; Eu diria que um disco dos Ramones que mudou minha vida foi \u201cEnd of the Century\u201d (1980), que n\u00e3o seria uma escolha muito popular olhando de fora. Mas esse disco saiu quando eu tinha uns 12 anos. Era o disco novo dos Ramones na \u00e9poca, e eu era s\u00f3 um moleque. Ent\u00e3o esse disco definitivamente mudou a minha vida. Depois, claro, eu voltei para ouvir e descobrir todos os discos anteriores e achar tanta inspira\u00e7\u00e3o neles. Mas se voc\u00ea pensar em como o rock estava naquele momento, com os instrumentos de metal e tudo mais, d\u00e1 pra ver que esse disco teve mais impacto em mim do que eu percebi na \u00e9poca. Foi realmente importante para mim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 guitarra, eu tenho que dizer que o \u201cRictus\u201d (1989), do Honor Role. Esse \u00e1lbum mexeu comigo, de verdade. Eu tinha visto a banda tocar \u2014 eles eram de Richmond, Virg\u00ednia \u2014 eles tocaram em Long Beach, na Calif\u00f3rnia, que fica a umas duas horas de carro de San Diego. Eu dirigi at\u00e9 l\u00e1 para v\u00ea-los num show incr\u00edvel com eles, Corrosion of Conformity e, se n\u00e3o me engano, o Bl\u2019ast. Foi um show cru, intenso, bem no come\u00e7o da cena hardcore. Eles eram t\u00e3o diferentes de todas as outras bandas. Eu j\u00e1 tinha o primeiro disco deles, que eu curtia, mas dava pra sentir que estavam fazendo algo realmente novo, separado de tudo que rolava na \u00e9poca. Ent\u00e3o eu esperava muito pelo lan\u00e7amento do \u201cRictus\u201d. Parecia que demorava uma eternidade para aquele disco sair. Mas quando finalmente saiu, j\u00e1 era meu disco favorito antes mesmo de eu ouvir, porque eu sabia que ia gostar. E ele superou as expectativas. O Pen (Rollings) \u00e9 um dos meus guitarristas preferidos, e esse disco \u00e9 talvez o mais pr\u00f3ximo de se ter uma conex\u00e3o realmente visceral e cheia de alma entre uma pessoa e sua guitarra naquele per\u00edodo. Aquela \u00e9poca carecia disso, e esse \u00e1lbum trouxe isso. Era uma banda muito especial, muito mesmo. Rick e eu nos conectamos muito por causa desse disco, que acabou influenciando bastante o Pitchfork e mais tarde o Drive Like Jehu. As duas bandas foram muito influenciadas pelo Honor Role. Ent\u00e3o esse seria o segundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E o terceiro&#8230; Eu nem lembro o nome do disco, preciso procurar. Era meio que um disco de explora\u00e7\u00e3o comercial, tinha s\u00f3 m\u00fasicas dos anos 1950 e 1960, com uma foto enorme do Fonzie na capa (Nota: o disco \u00e9 provavelmente chamado de \u201cFonzie Favorites\u201d e saiu em 1976). Eu tinha uns 7 anos quando comprei, na \u00e9poca em que Happy Days era o maior sucesso da TV &#8211; eu era fissurado em Happy Days. Basicamente era um disco cheio de cl\u00e1ssicos dos anos 1950 e 1960 \u2014 Coasters, Bobby Darin com \u201cSplish Splash\u201d, v\u00e1rias daquelas m\u00fasicas que eram hits daquela \u00e9poca. Mas o mais curioso \u00e9 que em cada lado do vinil, a \u00faltima faixa era um esquete com dubladores. Tinha um cara imitando o Fonzie (n\u00e3o era o de verdade, dava pra notar), fazendo essas encena\u00e7\u00f5es de \u201cficar de boa com os amigos\u201d. E tamb\u00e9m tinha o tema de Happy Days, a m\u00fasica da abertura do seriado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando era crian\u00e7a, eu adorava esse disco. S\u00f3 mais tarde percebi que, na real, ele foi o que me exp\u00f4s pela primeira vez \u00e0 m\u00fasica dos anos 1950 e come\u00e7o dos 1960. Foi o meu portal para aquele tipo de som. Acho que isso acabou criando e enraizando em mim um amor por aquela era musical. At\u00e9 hoje, minhas m\u00fasicas favoritas continuam sendo das d\u00e9cadas de 1950 e in\u00edcio dos 1960. S\u00e3o as que eu coleciono at\u00e9 hoje, com certeza.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Essa \u00e9 a \u00faltima pergunta. Voc\u00ea tocou em v\u00e1rias bandas, influenciou muita gente, criou ou ajudou a recriar alguns g\u00eaneros e viajou o mundo com suas bandas. Existe alguma coisa da qual voc\u00ea se sente mais orgulhoso, de alguma forma, na sua carreira? <\/strong><br \/>\nExistem certas coisas. Fico muito feliz sempre que fa\u00e7o um disco. N\u00e3o considero isso como algo certo, algo garantido. Esse sentimento que tenho \u00e9 porque leva muito tempo, e especialmente nessa fase da vida, quando as pessoas n\u00e3o t\u00eam tanto tempo para se dedicar a uma ideia. Ent\u00e3o, eu sempre\u2026 \u00c9, \u201corgulho\u201d \u00e9 uma palavra estranha, n\u00e3o sei se \u00e9 bem isso. Talvez seja uma forma de orgulho ou talvez apenas a sensa\u00e7\u00e3o de realizar algo. \u00c9 mais um sentido de prop\u00f3sito, porque no fim das contas estamos tentando encontrar nosso lugar aqui, na vida e no mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas penso em algumas coisas. Por exemplo, quando o Drive Like Jehu voltou e n\u00f3s tocamos com o \u00f3rg\u00e3o de tubos. Era uma ideia t\u00e3o absurda, mas foi uma sensa\u00e7\u00e3o incr\u00edvel estar cercado de tantos amigos e familiares em San Diego. Eu amo muito minha cidade e cresci assistindo aos concertos de \u00f3rg\u00e3o nesse Pavilh\u00e3o do \u00d3rg\u00e3o. Ent\u00e3o poder fazer uma esp\u00e9cie de desconstru\u00e7\u00e3o atonal de uma banda de rock naquele cen\u00e1rio lindo, naquele parque com aquele \u00f3rg\u00e3o gigantesco\u2026 havia algo de t\u00e3o rid\u00edculo nisso, mas ao mesmo tempo me deu uma sensa\u00e7\u00e3o muito forte de conex\u00e3o com outras pessoas, com meus amigos, minha fam\u00edlia e minha cidade. Foi um sentimento muito bom. E poder tocar com o Jehu de novo, mesmo que fosse uma vers\u00e3o meio \u201cbastarda\u201d da banda, ainda assim foi o que deu in\u00edcio \u00e0 reuni\u00e3o. Ent\u00e3o isso foi realmente especial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outra coisa: tocar no Top of the Pops algumas vezes com o Rocket. N\u00e3o foi tanto um sentimento de realiza\u00e7\u00e3o, mas de algo surreal. Est\u00e1vamos nos olhando como que dizendo: \u201cQue merda estamos fazendo aqui?\u201d. Eu gostei disso. E ainda tinha a legenda na tela escrito \u201cRocket from the Crypt\u201d, e n\u00f3s l\u00e1, completamente deslocados, sabe? Acho que at\u00e9 cancelamos algumas datas de turn\u00ea para voltar e fazer isso. E o engra\u00e7ado \u00e9 que uma das outras bandas que estavam no programa era, tipo, Os Smurfs. N\u00e3o era nem uma banda de verdade. Ent\u00e3o voc\u00ea ficava: \u201cCaramba, \u00e9 uma honra estar aqui. Quem mais est\u00e1 tocando? Os Smurfs? Nossa, que honra!\u201d. A tradi\u00e7\u00e3o de tanto talento e, no meio disso, Os Smurfs (risos). Foi \u00f3timo.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Rocket From The Crypt - On A Rope - TOTP - 6 September 1996\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/4tfDumudWdg?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Drive Like Jehu (MultiCam) [full set] - San Diego 8.31.14\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/nQeP02-1OWY?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Hot Snakes - What&#039;s In My Bag?\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/hS1nvjW-7DM?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u2013\u00a0\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/LuizMazetto1986\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Luiz Mazetto<\/a>\u00a0\u00e9 autor dos livros \u201c<a href=\"https:\/\/www.amazon.com.br\/Somos-Tempestade-Conversas-Sobre-Alternativo\/dp\/8562885339\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">N\u00f3s Somos a Tempestade \u2013 Conversas Sobre o Metal Alternativo dos EUA<\/a>\u201d e \u201c<a href=\"https:\/\/www.amazon.com.br\/Somos-Tempestade-Conversas-Sobre-Alternativo\/dp\/8562885649\/ref=pd_lpo_14_t_0\/145-6204651-9007215?_encoding=UTF8&amp;pd_rd_i=8562885649&amp;pd_rd_r=0e02080e-01a3-422c-9e95-933a79ef9d17&amp;pd_rd_w=qJ5vJ&amp;pd_rd_wg=0obt1&amp;pf_rd_p=6102dabe-0e19-4db6-8e11-875a53ad30be&amp;pf_rd_r=K14PYCR8ZPPETTCCKYMH&amp;psc=1&amp;refRID=K14PYCR8ZPPETTCCKYMH\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">N\u00f3s Somos a Tempestade, Vol 2 \u2013 Conversas Sobre o Metal Alternativo pelo Mundo<\/a>\u201d, ambos pela Edi\u00e7\u00f5es Ideal. Tamb\u00e9m colabora coma a\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vice.com\/pt_br\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Vice Brasil<\/a>, o\u00a0<a href=\"https:\/\/cvltnation.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">CVLT Nation<\/a>\u00a0e a\u00a0<a href=\"http:\/\/www.loudmagazine.net\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Loud!<\/a>\u00a0<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Lenda de San Diego tamb\u00e9m conta sobre ter visto o tetra da sele\u00e7\u00e3o brasileira em Lisboa e por que recusou convite para tocar no Brasil com o Aerosmith nos anos 1990.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/09\/10\/entrevista-john-reis-fala-sobre-novo-disco-solo-o-legado-do-drive-like-jehu-e-os-30-anos-de-classico-do-rocket-from-the-crypt\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":88,"featured_media":91109,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[7547,3],"tags":[7864,7866,7865,7863],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/91106"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/88"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=91106"}],"version-history":[{"count":15,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/91106\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":91125,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/91106\/revisions\/91125"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/91109"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=91106"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=91106"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=91106"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}