{"id":91048,"date":"2025-09-08T12:10:32","date_gmt":"2025-09-08T15:10:32","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=91048"},"modified":"2025-09-30T00:06:05","modified_gmt":"2025-09-30T03:06:05","slug":"critica-a-vida-de-chuck-se-perde-na-superficialidade-da-auto-ajuda-banal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/09\/08\/critica-a-vida-de-chuck-se-perde-na-superficialidade-da-auto-ajuda-banal\/","title":{"rendered":"Cr\u00edtica: Com um primeiro ato promissor, &#8220;A Vida de Chuck&#8221; se perde na superficialidade da auto-ajuda banal"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>texto de <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/PeliculaVirtual\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Jo\u00e3o Paulo Barreto<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nDiretor de diversos projetos focados no g\u00eanero do terror e suspense, o cineasta Mike Flanagan ganhou notoriedade entre os f\u00e3s desse tipo de cinema a partir dos anos 2000, principalmente por conta de filmes como &#8220;Hush &#8211; A Morte Ouve&#8221; (2016) e de duas adapta\u00e7\u00f5es de livros de Stephen King, no caso os trabalhos &#8220;Jogo Perigoso&#8221; (2017) e &#8220;Doutor Sono&#8221; (2019), esta \u00faltima uma continua\u00e7\u00e3o de &#8220;O Iluminado&#8221;, obra liter\u00e1ria escrita pelo pr\u00f3prio autor residente do Maine e eternizada por Stanley Kubrick como um dos pilares do cinema.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desta vez, Flanagan retorna \u00e0 mente de King para abordar n\u00e3o um tema relacionado \u00e0 marca horripilante recorrente do autor de &#8220;Carrie&#8221;, mas em uma proposta mais filos\u00f3fica. Funcionando como um mergulho em quest\u00f5es existencialistas que utiliza paralelos entre aspectos p\u00f3s-apocal\u00edpticos de propor\u00e7\u00f5es macro para a humanidade, bem como tendo o individuo micro em sua realidade questionadora da vida como objeto de an\u00e1lise dram\u00e1tica, &#8220;A Vida de Chuck&#8221; (&#8220;The Life of Chuck&#8221;), 2025, ao menos em seu primeiro cap\u00edtulo, entrega bem essa miss\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dividido em atos, a adapta\u00e7\u00e3o do conto de Stephen King tem em seu momento inicial uma impactante reflex\u00e3o acerca do fim do mundo a partir de desastres naturais gradativos. Os primeiros acontecem na Calif\u00f3rnia, quando tremores de terra provenientes da falha de San Andreas deixam as pessoas inicialmente sem internet. O que parece ser algo que levar\u00e1 apenas um tempo para se resolver, torna-se uma constante e o mundo sem internet come\u00e7a a ser uma nova realidade ap\u00f3s desastres naturais semelhantes come\u00e7arem a acontecer em outras partes do planeta.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-91052 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/life4.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/life4.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/life4-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 a partir dessa premissa, bem como de uma constante apari\u00e7\u00e3o publicit\u00e1ria anunciando a enigm\u00e1tica despedida da misteriosa figura de Chuck, que o filme, em sua promissora primeira parte, busca levar o seu espectador por uma an\u00e1lise da vida a partir dessa readapta\u00e7\u00e3o do ser humano a uma nova realidade anal\u00f3gica. Neste foco, o filme engrena \u00f3timas possibilidades narrativas, como quando o personagem do professor vivido por Chiwetel Ejiofor come\u00e7a a perceber tais mudan\u00e7as de vida na rotina sem internet e, gradativamente, sem r\u00e1dio ou TV, e, em \u00faltima inst\u00e2ncia, sem telefone. Na busca de respostas, reata um di\u00e1logo com sua ex-esposa (Karen Gillan), profissional de sa\u00fade que vem notando um constante aumento no n\u00famero de suic\u00eddios nos casos que atende.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma valoriza\u00e7\u00e3o desses momentos mais intimistas, distantes do abismo virtual e emocional de smartphones e redes sociais, juntamente a um modo de escapar da ang\u00fastia de um mundo que caminha para o seu fim, d\u00e3o, inicialmente, ao filme uma reflex\u00e3o profunda que poderia ser o foco central de sua trama. Em seu desfecho, inclusive, esse primeiro ato se encerra de maneira brilhante como um s\u00edmbolo dessa finitude humana em um retorno \u00e0s coisas simples, como um singelo toque de m\u00e3os.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Corta, ent\u00e3o, para sua continua\u00e7\u00e3o, quando passamos a conhecer mais a fundo quem \u00e9 o Chuck do t\u00edtulo, um homem cuja inf\u00e2ncia passada junto aos av\u00f3s (um deles vivido por Mark Hamill) ap\u00f3s se tornar \u00f3rf\u00e3o de maneira traum\u00e1tica construiu os alicerces de uma personalidade curiosa, questionadora e que ter\u00e1 nas aulas de dan\u00e7a um catalisador para superar sua timidez.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Distante aqui de qualquer an\u00e1lise calcada no cinismo e na ironia rasteira, \u00e9 v\u00e1lido frisar que as boas inten\u00e7\u00f5es do texto de Mike Flanagan e do pr\u00f3prio Stephen King s\u00e3o percept\u00edveis, principalmente no que tange a aspectos relacionados ao otimismo e a quest\u00f5es existencialistas que passam pela nossa mente de vez em quando. E a an\u00e1lise metaf\u00f3rica da morte como um desfecho inevit\u00e1vel para todos n\u00f3s, mas cujo pensamento, como uma fuga da ansiedade, preferimos deixar escondido em um c\u00f4modo mental isolado e fechado (algo que o filme demonstra bem em uma eficiente alegoria com um quarto), surge na trama como um eficaz reflex\u00e3o. E sendo um diretor not\u00f3rio por sua compet\u00eancia na cria\u00e7\u00e3o de imagens visualmente impactantes, o momento em que tal c\u00f4modo revela o que a porta fechada esconde \u00e9 de uma surpresa que torna essa reflex\u00e3o sobre finitude da vida ainda mais eficaz.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"A VIDA DE CHUCK | Trailer Oficial Legendado\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/rMD1FqKoJcA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Da mesma maneira, \u00e9 louv\u00e1vel como &#8220;A Vida de Chuck&#8221; aborda a rela\u00e7\u00e3o de seu personagem t\u00edtulo com essa busca pelo simples, pelo local de conforto mental que todos n\u00f3s encontramos e l\u00e1 buscamos ficar cada vez com mais frequ\u00eancia quando a realidade nos sufoca. Pode soar cafona, mas \u00e9 a mais pura verdade. E que melhor rem\u00e9dio que a nostalgia? E o filme desenha esse momento com gra\u00e7a e delicadeza, quando vemos Chuck (vivido com carisma por Tom Hiddleston) dan\u00e7ar em uma via p\u00fablica ao som da bateria de uma artista de rua e uma refer\u00eancia pessoal de suas lembran\u00e7as tenras com a av\u00f3 que o criou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ent\u00e3o, seria essa uma an\u00e1lise desnecessariamente \u00e1cida, c\u00ednica e demasiada sarc\u00e1stica (e essas tr\u00eas caracter\u00edsticas nem sempre rimam com intelig\u00eancia, importante frisar) se n\u00e3o fosse reconhecido esse esfor\u00e7o do filme em se abordar um afeto e carisma contidos em seu protagonista e no modo como o mesmo busca um significado em sua vida. Essa mesma vida que, logo descobrimos, ser\u00e1 ceifada de forma precoce por um c\u00e2ncer. Mas n\u00e3o se preocupe, isso n\u00e3o \u00e9 um spoiler. A despedida do personagem \u00e9 anunciada logo em seus momentos iniciais de filme.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por\u00e9m, \u00e9 inevit\u00e1vel nesse texto precisar apontar uma artificialidade da dire\u00e7\u00e3o de Flanagan ao abordar tais temas relacionados a quest\u00f5es filos\u00f3ficas e existenciais sem perceber uma constante tentativa de manipula\u00e7\u00e3o emocional de sua audi\u00eancia. Ela acontece pelo uso constante de uma narra\u00e7\u00e3o (na eficiente entona\u00e7\u00e3o de Nick Offerman) a guiar o espectador como uma muleta e, claro, a partir de sua m\u00fasica incidental como principal ferramenta de cria\u00e7\u00e3o dessa tentativa de dar profundidade a temas que, em sua maior parte, s\u00e3o banais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Talvez se o foco do roteirista e diretor pudesse ter sido um aprofundamento dos aspectos emocionais s\u00f3lidos de seu primeiro ato, o filme n\u00e3o parecesse t\u00e3o fr\u00e1gil e esquec\u00edvel em sua proposta dram\u00e1tica nos dois atos finais.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-91049 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/life1.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"1108\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/life1.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/life1-203x300.jpg 203w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/profile.php?id=100009655066720\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Jo\u00e3o Paulo Barreto\u00a0<\/a>\u00e9 jornalista, cr\u00edtico de cinema e curador do\u00a0<a href=\"http:\/\/coisadecinema.com.br\/xiii-panorama\/apresentacao\/panorama-2017\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Festival Panorama Internacional Coisa de Cinema<\/a>. Membro da Abraccine, colabora para o Jornal A Tarde, de Salvador, e \u00e9 autor de \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/11\/11\/entrevista-mitico-guitarrista-baiano-alvaro-assmar-ganha-biografia-joao-paulo-barreto-fala-sobre-uma-vida-blues\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Uma Vida Blues<\/a>\u201d, biografia de \u00c1lvaro Assmar.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Com um primeiro ato promissor em sua abordagem apocal\u00edptica, A Vida de Chuck at\u00e9 faz valer o nome de Stephen King\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/09\/08\/critica-a-vida-de-chuck-se-perde-na-superficialidade-da-auto-ajuda-banal\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":21,"featured_media":91053,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[4],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/91048"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/21"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=91048"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/91048\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":91056,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/91048\/revisions\/91056"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/91053"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=91048"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=91048"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=91048"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}