{"id":90889,"date":"2025-08-30T00:01:25","date_gmt":"2025-08-30T03:01:25","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=90889"},"modified":"2025-10-18T07:47:24","modified_gmt":"2025-10-18T10:47:24","slug":"entrevista-eu-nao-sei-fazer-musica-feliz-avisa-joao-k-test-que-esta-lancando-disco-de-seu-projeto-solo-kombi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/08\/30\/entrevista-eu-nao-sei-fazer-musica-feliz-avisa-joao-k-test-que-esta-lancando-disco-de-seu-projeto-solo-kombi\/","title":{"rendered":"Entrevista: &#8220;Eu n\u00e3o sei fazer m\u00fasica feliz&#8221;, avisa Jo\u00e3o K. (Test), que est\u00e1 lan\u00e7ando disco de seu projeto solo, Kombi"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista de\u00a0<a href=\"https:\/\/twitter.com\/brunorplisboa\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Bruno Lisboa<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jo\u00e3o K. \u00e9 guitarrista, produtor e uma das mentes inquietas por tr\u00e1s <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/01\/16\/tres-shows-no-sesc-pompeia-siso-test-deaf-kids-silvia-machete\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">da banda Test<\/a> e, tamb\u00e9m, do projeto solo Kombi, pelo qual ele lan\u00e7ou o primeiro \u00e1lbum, \u201c<a href=\"https:\/\/kombi.bandcamp.com\/album\/alimento-a-dor\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Alimento a Dor<\/a>\u201d, em julho. Trata-se de uma investiga\u00e7\u00e3o sonora extrema centrada na experimenta\u00e7\u00e3o\u00a0com drones, ru\u00eddos, guitarras processadas e sintetizadores que criam paisagens sonoras densas, hipn\u00f3ticas e imprevis\u00edveis cuja proposta \u00e9 explorar os limites da percep\u00e7\u00e3o sonora, utilizando o espa\u00e7o como extens\u00e3o da performance.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Gravado de forma lo-fi, com equipamentos limitados e sem preocupa\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas, \u201c<a href=\"https:\/\/kombi.bandcamp.com\/album\/alimento-a-dor\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Alimento a Do<\/a>r\u201d \u00e9 fruto de um per\u00edodo de isolamento e fragilidade emocional. Com guitarras saturadas, batidas disformes, texturas industriais e vozes soterradas, o disco mergulha no noise, no rock industrial e na ambi\u00eancia soturna buscando criar uma obra inquietante. Como o t\u00edtulo entrega, \u201cAlimento a Dor\u201d soa como um grito contido, feito de ru\u00eddo, camadas e satura\u00e7\u00e3o. H\u00e1 uma busca evidente por desconforto e n\u00e3o por beleza.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesta entrevista, feita por e-mail, Jo\u00e3o Kombi fala sobre sua rela\u00e7\u00e3o com o ru\u00eddo e o lo-fi, ignora quest\u00f5es filos\u00f3ficas sobre o som que trabalha (\u201c\u00c9 um estilo musical normal, assim como jazz, metal, samba\u201d \/ \u201cEu gostaria que fosse algo t\u00e3o profundo, mas n\u00e3o \u00e9. S\u00e3o apenas ideias musicais\u201d) e avisa que at\u00e9 gostaria, mas n\u00e3o sabe \u201cfazer m\u00fasica feliz\u201d: Ele ainda aproveita para dizer que \u00e9 rid\u00edculo e pat\u00e9tico ver \u201cbandas e artistas reclamando de como as coisas s\u00e3o e fazendo exatamente as mesmas coisas que todo mundo faz\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ou\u00e7a o disco <a href=\"https:\/\/kombi.bandcamp.com\/album\/alimento-a-dor\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\u201cAlimento a Dor\u201d no Bandcamp<\/a> e confira a conversa completa abaixo.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-90891 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/kombi2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"747\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/kombi2.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/kombi2-300x300.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/kombi2-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Que papel voc\u00ea enxerga para esse inc\u00f4modo est\u00e9tico na escuta hoje, num mundo anestesiado por algoritmos e f\u00f3rmulas prontas?<\/strong><br \/>\nNa verdade n\u00e3o penso muito nisso, tudo que crio e fa\u00e7o n\u00e3o \u00e9 pensando sobre alcance ou como atingir as pessoas. O que aconteceu nesse momento \u00e9 que esse estilo de m\u00fasica tem estado cada vez mais presente na minha vida<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ando lendo \u201cSemi\u00f3tica do Fim\u201d, de Alessandro Sbordoni, e ele fala sobre a arte contempor\u00e2nea como sintoma da fal\u00eancia de sentido no capitalismo tardio. O ru\u00eddo, nesse cen\u00e1rio, vira s\u00edmbolo do excesso e da fal\u00eancia da linguagem. Voc\u00ea enxerga o noise e a satura\u00e7\u00e3o que domina o disco como uma recusa consciente da comunicabilidade tradicional?<\/strong><br \/>\nEu enxergo, na verdade, como um estilo musical normal, assim como jazz, metal, samba e dentro disso tamb\u00e9m existe o tradicional. S\u00e3o muitos anos e muitos artistas dentro desse segmento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A grava\u00e7\u00e3o lo-fi, os recursos limitados, a n\u00e3o preocupa\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica \u2014 tudo isso parece reafirmar uma posi\u00e7\u00e3o de enfrentamento ao &#8220;polimento&#8221; das produ\u00e7\u00f5es musicais contempor\u00e2neas. Foi um gesto pol\u00edtico ou uma consequ\u00eancia natural do momento em que o disco foi feito?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o foi proposital, mas \u00e9 um caminho que venho seguindo desde sempre. A falta de recurso faz a gente seguir um caminho e fazer um som pasteurizado, definitivamente, n\u00e3o est\u00e1 nos meus planos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O t\u00edtulo do \u00e1lbum carrega um car\u00e1ter existencial \u2014 \u201cAlimento a Dor\u201d. Em que medida esse trabalho dialoga com sua pr\u00f3pria fragilidade emocional e subjetiva, e como isso se traduz na constru\u00e7\u00e3o das texturas e ambi\u00eancias do disco?<\/strong><br \/>\nEu n\u00e3o sei fazer m\u00fasica feliz, at\u00e9 gostaria, mas quando estou compondo \u00e9 isso que sai, a rela\u00e7\u00e3o com as palavras vem depois, nunca foi o principal pra mim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Assisti sua performance no escrit\u00f3rio da Quente em BH. A solid\u00e3o em cena, com guitarra, voz e pedais, parece amplificar esse estado lim\u00edtrofe entre o corpo e a m\u00e1quina. Como voc\u00ea enxerga essa rela\u00e7\u00e3o na sua m\u00fasica: o humano e o mec\u00e2nico se fundindo, se opondo?<\/strong><br \/>\nS\u00e3o ferramentas, mas tento n\u00e3o ser escravo delas pra realizar esse trabalho, se depender 100% de determinado equipamento \u00e9 quase imposs\u00edvel levar um projeto adiante, tem que ser bem flex\u00edvel nesse ponto pra fazer a parada rolar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>H\u00e1 uma tens\u00e3o clara entre introspec\u00e7\u00e3o e brutalidade sonora no disco. Voc\u00ea sente que h\u00e1 uma busca por tornar o \u00edntimo algo coletivo \u2014 como se o ru\u00eddo fosse uma forma de partilha da dor?<\/strong><br \/>\nEu gostaria que fosse algo t\u00e3o profundo, mas n\u00e3o \u00e9. S\u00e3o apenas ideias musicais, pra mim o que eu estou fazendo \u00e9 simplesmente m\u00fasica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A Test sempre foi um projeto de embate direto \u2014 guerrilha urbana sonora. O trabalho solo aponta para um outro tipo de enfrentamento, talvez mais subjetivo e existencial. O que esse novo percurso te revelou como artista?<\/strong><br \/>\nAcho que \u00e9 s\u00f3 uma maneira que encontrei pra fazer algo extremo e sozinho, n\u00e3o quer dizer que esse projeto vai continuar existindo com essa mesma sonoridade no futuro. Por enquanto a ideia \u00e9 fazer algo que soe extremo e mel\u00f3dico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Creio que arte, para ter algum impacto real hoje, precisa resistir ao \u201cregime do espet\u00e1culo\u201d e ao consumo r\u00e1pido. Como voc\u00ea lida com essa contradi\u00e7\u00e3o: criar uma obra ruidosa, dissonante e reflexiva num tempo em que tudo pede aten\u00e7\u00e3o instant\u00e2nea e descart\u00e1vel?<\/strong><br \/>\nIsso de seguir determinadas regras impostas pelo mercado eu nunca acreditei. \u00c9 rid\u00edculo, pat\u00e9tico ver bandas e artistas reclamando de como as coisas s\u00e3o e fazendo exatamente as mesmas coisas que todo mundo faz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A escolha pelo Bandcamp como \u00fanica plataforma para o disco carrega uma recusa \u00e0s grandes plataformas de streaming? H\u00e1 tamb\u00e9m a\u00ed uma \u00e9tica do fazer \u2014 uma cr\u00edtica ao modelo de escoamento musical vigente?<\/strong><br \/>\nNem Bandcamp \u00e9 perfeito, mas comparado com o que temos por ai, \u00e9 a menos pior. N\u00e3o sinto vontade de ver minhas coisas em plataformas como Spotify, n\u00e3o s\u00f3 porque exploram os artistas, mas porque d\u00e3o a letra de como todos tem que se comportar. \u00c9 muito comum ver artistas com discurso pol\u00edtico com m\u00fasicas nessas plataformas e fazendo de tudo pra seguir as tend\u00eancias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Por fim, sua inquieta\u00e7\u00e3o como artista sempre foi evidente \u2014 seja na Test ou agora solo. \u201cAlimento a Dor\u201d parece ecoar uma necessidade de reconstru\u00e7\u00e3o pessoal atrav\u00e9s da destrui\u00e7\u00e3o sonora. O que vem depois desse processo?<\/strong><br \/>\nA vontade \u00e9 parar com tudo.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-90892 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/kombi3.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"138\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/kombi3.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/kombi3-300x55.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p><em>\u2013\u00a0\u00a0<a href=\"https:\/\/twitter.com\/brunorplisboa\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Bruno Lisboa<\/a>\u00a0 escreve no Scream &amp; Yell desde 2014. A foto que abre o texto \u00e9 de Vict\u00f3ria Dorill\u00eao \/ Divulga\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"&#8220;Eu gostaria que fosse algo t\u00e3o profundo, mas n\u00e3o \u00e9. 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