{"id":90738,"date":"2025-08-21T00:02:20","date_gmt":"2025-08-21T03:02:20","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=90738"},"modified":"2025-10-02T00:18:39","modified_gmt":"2025-10-02T03:18:39","slug":"entrevista-por-tras-de-uma-musiquinha-divertida-de-bar-pode-ter-uma-baita-historia-avisa-braulio-lorentz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/08\/21\/entrevista-por-tras-de-uma-musiquinha-divertida-de-bar-pode-ter-uma-baita-historia-avisa-braulio-lorentz\/","title":{"rendered":"Entrevista: &#8220;Por tr\u00e1s de uma musiquinha divertida de bar, pode ter uma baita hist\u00f3ria&#8221;, avisa Braulio Lorentz"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/lvinhas78\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Leonardo Vinhas<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que existe por tr\u00e1s da hist\u00f3ria de um sucesso? Calma, a pergunta parece discurso de coach, mas n\u00e3o \u00e9 o caso. Na verdade, os bastidores de algo que \u201cdeu certo\u201d em termos mercadol\u00f3gicos (grande exposi\u00e7\u00e3o, bastante dinheiro, elogios p\u00fablicos, etc) podem trazer uma mistura complexa de trabalho duro, rancores, acaso, esfor\u00e7o mercadol\u00f3gico consciente, explora\u00e7\u00e3o do trabalho, brigas de ego, realiza\u00e7\u00e3o pessoal \u2013 \u00e0s vezes, tudo junto. Especialmente se o objeto de tal sucesso \u00e9 uma can\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ciente disso, o jornalista Braulio Lorentz, editor de cultura do G1, se dedicou a um projeto apaixonado de investigar as hist\u00f3rias por tr\u00e1s de hits das d\u00e9cadas de 1980, 1990 e 2000. Orientando-se n\u00e3o s\u00f3 pela popularidade das can\u00e7\u00f5es, mas tamb\u00e9m pelo interesse pessoal, Lorentz conversou com gente t\u00e3o diferente quanto Kelly Key, Semisonic, Right Said Fred, Dr. Silvana &amp; Cia., Counting Crows, KT Tunstall e v\u00e1rios outros. O resultado \u00e9 o livro \u201cBaseado em Hits Reais\u201d (2025), lan\u00e7ado pela editora M\u00e1quina de Livros em agosto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Projeto de f\u00e3, sim, mas de um f\u00e3 t\u00e3o apaixonado pela m\u00fasica quanto pelo jornalismo. As entrevistas de Lorentz trazem mais do que meras curiosidades: elas satisfazem a vontade de quem gosta das pitorescas hist\u00f3rias do tipo \u201cbehind the music\u201d, mas trazem tamb\u00e9m uma vis\u00e3o bastante interessante sobre o processo criativo dos artistas, a ind\u00fastria da m\u00fasica, a conviv\u00eancia com um legado que quase sempre eclipsa a obra completa, a perda do sucesso massivo e afins. \u00c9 um prato cheio para quem entende a m\u00fasica pop como uma met\u00e1fora para a vida real. Para quem gosta de boas hist\u00f3rias, tamb\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Infelizmente, a falta de tempo obrigou este rep\u00f3rter a realizar a entrevista com o autor por e-mail, perdendo assim a oportunidade de travar uma conversa tal como as que fazem parte de \u201cBaseado em Hits Reais\u201d. Mas Lorentez mostrou-se um entrevistado com tanto a contar como os personagens de seu livro. Eis, portanto, um breve \u201cbehind the book\u201d sobre o livro em quest\u00e3o.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-90739 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/baseado1.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"852\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/baseado1.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/baseado1-264x300.jpg 264w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Apesar de haver um cap\u00edtulo pr\u00f3prio para os &#8220;one hit wonders&#8221;, \u00e9 o caso de pensar que muitos dos outros nomes ali poderiam ser colocados nessa categoria, principalmente se pensarmos no mercado brasileiro &#8211; Counting Crows, por exemplo, n\u00e3o teve nada \u00e0 altura de &#8220;Mr. Jones&#8221; em termos de popularidade por aqui. Essa explos\u00e3o, gra\u00e7as a uma, no m\u00e1ximo duas can\u00e7\u00f5es, \u00e9 algo emblem\u00e1tico do per\u00edodo que voc\u00ea abrange no livro?<\/strong><br \/>\nDiscordo do Counting Crows, mas s\u00f3 de estarmos debatendo a quantidade de hits da banda j\u00e1 sinto que o livro est\u00e1 cumprindo seu papel. Eles foram indicados ao Oscar com \u201cAccidentally in Love\u201d, trilha do grande \u201cShrek 2\u201d (o melhor da franquia), mas perderam pro Jorge Drexler. Para o povo mais novinho, o \u00fanico sucesso do Counting Crows seria essa. E, pra mim, a grande can\u00e7\u00e3o deles, que foi bem nos charts americanos, \u00e9 \u201cLong December\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas concordo com voc\u00ea, no geral: antes, era mais dif\u00edcil ter um hit, porque os artistas lan\u00e7avam menos m\u00fasicas e trabalhavam por muito tempo a mesma can\u00e7\u00e3o. Isso explica a quantidade de recordes batidos na Billboard nos \u00faltimos tempos: a \u00f3tica do streaming permite mais rotatividade nas paradas e mais possibilidade de um artista ter mais de um hit ao mesmo tempo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea deixa claro na apresenta\u00e7\u00e3o do livro que ele nasceu de um interesse pessoal e de uma rela\u00e7\u00e3o de admira\u00e7\u00e3o com essas can\u00e7\u00f5es. Como voc\u00ea fez para n\u00e3o deixar a afetividade se interpor ao escrut\u00ednio jornal\u00edstico?<\/strong><br \/>\nO principal \u00e9 assumir para si mesmo que a gente \u00e9 humano e n\u00e3o tem nada mais humano do que gostar e n\u00e3o gostar de coisas. Ou de se interessar ou n\u00e3o por coisas. Adoro hist\u00f3rias de artistas que sumiram. E adoro mais ainda os bastidores da m\u00fasica pop. Dos mais de 40 artistas entrevistados, claro que sou mais f\u00e3 de alguns do que de outros. O livro me fez redescobrir o talento da Vanessa Carlton e da KT Tunstall. Mas me fez lembrar o quanto as baladas do Daniel Powter e os hits dan\u00e7antes do Right Said Fred podem ser irritantes e esquem\u00e1ticos. Independentemente disso, acho que todos que est\u00e3o no livro t\u00eam boas hist\u00f3rias para contar.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Counting Crows - Mr. Jones (Official Music Video)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/-oqAU5VxFWs?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Na abertura voc\u00ea tamb\u00e9m cita a postura de f\u00e3 para conseguir entrevistas &#8211; como no caso dos Spin Doctors (e que acabou n\u00e3o rolando, at\u00e9 onde sei). Pensando de forma ampla, adular o ego ainda \u00e9 o caminho mais f\u00e1cil para ter acesso a um artista?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o rolou com o Spin Doctors. Uma pena. Mostrar interesse \u00e9, definitivamente, o melhor caminho para conseguir uma entrevista. Mas n\u00e3o estou falando de ficar adjetivando, ficar puxando saco. Na minha opini\u00e3o, a maioria gosta de falar sobre m\u00fasica e sobre a vida no geral quando nota que do outro lado tem algu\u00e9m que ouviu os discos, leu entrevistas anteriores. Enfim, fez o dever de casa direitinho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Muitos dos artistas entrevistados foram alvos de preconceito da cr\u00edtica e at\u00e9 de parte do p\u00fablico, apesar do sucesso estrondoso que fizeram. Voc\u00ea percebeu se a maioria deixou esse preconceito para tr\u00e1s, ou se ainda se ressente da falta de reconhecimento?<\/strong><br \/>\nRessentimento, em graus variados, faz parte da vida de quem fez muito sucesso e hoje n\u00e3o faz mais. S\u00e3o raros os casos em que senti um desprendimento: talvez o Vinny seja o mais bem resolvido neste ponto. N\u00e3o por acaso, quando fez uma pausa na carreira foi estudar Psicologia e Filosofia. Mas com certeza quase todo mundo no livro tem alguma quest\u00e3o: quer mostrar que vai al\u00e9m do maior sucesso e quer deixar claro que n\u00e3o \u00e9 mais a mesma pessoa. Estranho seria se fosse, n\u00e9?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ainda nesse mesmo quesito: muitos artistas entrevistados sempre v\u00e3o ser lembrados por aquele hit ou, quando muito, por um \u00e1lbum espec\u00edfico. Imagino que alguns abracem isso com leveza, enquanto outros veem como uma maldi\u00e7\u00e3o. Como foi a rela\u00e7\u00e3o deles com a obra que lhes deu sucesso e dinheiro?<\/strong><br \/>\nPor coincid\u00eancia, apenas um artista do livro deixou de tocar seu maior sucesso durante um tempo. \u00c9 o Counting Crows. Falando com o vocalista, voc\u00ea nota que ele n\u00e3o gosta mesmo de \u201cMr. Jones\u201d. Mas, hoje, como os outros artistas, ele toca a m\u00fasica fazendo uma concess\u00e3o aos f\u00e3s. Al\u00e9m deles, acho que Daniel Powter (\u201cBad day\u201d) e Hoobastank (\u201cThe reason\u201d) s\u00e3o os mais incomodados com seus maiores hits.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Chumbawamba - Tubthumping\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/2H5uWRjFsGc?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea diria que a maioria lida bem com ter ficado fora dos holofotes por tanto tempo?<\/strong><br \/>\nSim, a maioria lidou bem. No geral, eles entendem que voltaram ao patamar anterior ao per\u00edodo de sucesso. Para alguns, essa decad\u00eancia fez mal, mas com o tempo eles redimensionaram suas expectativas. Foi comum ouvir o discurso de que \u00e9 melhor ter menos f\u00e3s que curtem de verdade do que um mega f\u00e3-clube que pode larg\u00e1-los de uma hora pra outra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A mem\u00f3ria afetiva sempre vai pesar na aprecia\u00e7\u00e3o de obras do passado. Para algu\u00e9m que n\u00e3o viveu a \u00e9poca, os hits listados v\u00e3o soar de uma maneira; para quem viveu, sempre vai ter essa liga\u00e7\u00e3o emocional. \u00c9 poss\u00edvel falar em &#8220;aprecia\u00e7\u00e3o isenta&#8221; dessas can\u00e7\u00f5es \u00e0 luz do tempo? Ou isso \u00e9 algo que nem faz sentido?<\/strong><br \/>\nEu acho que uma can\u00e7\u00e3o, uma s\u00e9rie, uma refei\u00e7\u00e3o\u2026 tudo muda quando voc\u00ea descobre como ela foi feita, quem \u00e9 a pessoa por tr\u00e1s daquilo, quais as hist\u00f3rias sobre aquele produto que voc\u00ea est\u00e1 consumindo. Se algu\u00e9m ouvir Chumbawamba depois de ler o livro e n\u00e3o der um sorrisinho, sinto que n\u00e3o cumpri meu papel. Os caras tinham uma banda anarquista que doava os lucros com an\u00fancios para ONGs que fiscalizavam as empresas desses mesmos an\u00fancios. Por tr\u00e1s de uma musiquinha divertida de bar, pode ter uma baita hist\u00f3ria.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-90740 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/baseado2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"525\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/baseado2.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/baseado2-300x210.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/baseado2-120x85.jpg 120w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u2013 Leonardo Vinhas (<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/leovinhas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">@leovinhas<\/a>) \u00e9 produtor e autor do livro \u201c<a href=\"https:\/\/editorabarbante.com.br\/produtos\/o-evangelho-segundo-odair-censura-igreja-e-o-filho-de-jose-e-maria\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">O Evangelho Segundo Odair: Censura, Igreja e O Filho de Jos\u00e9 e Maria<\/a>\u201c.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Braulio est\u00e1 lan\u00e7ando \u201cBaseado em Hits Reais\u201d, livro que traz entrevistas com diversos artistas que fizeram sucesso nos anos 1980, 1990 e 2000\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/08\/21\/entrevista-por-tras-de-uma-musiquinha-divertida-de-bar-pode-ter-uma-baita-historia-avisa-braulio-lorentz\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":6,"featured_media":90741,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[9,3],"tags":[7824,6953],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/90738"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=90738"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/90738\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":90742,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/90738\/revisions\/90742"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/90741"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=90738"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=90738"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=90738"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}