{"id":90719,"date":"2025-08-20T00:02:08","date_gmt":"2025-08-20T03:02:08","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=90719"},"modified":"2025-09-06T11:14:26","modified_gmt":"2025-09-06T14:14:26","slug":"entrevista-venha-ao-goiania-noise-para-entender-que-a-musica-e-muito-mais-ampla-que-os-rotulos-convidam-leonardo-razuk-e-leo-bigode","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/08\/20\/entrevista-venha-ao-goiania-noise-para-entender-que-a-musica-e-muito-mais-ampla-que-os-rotulos-convidam-leonardo-razuk-e-leo-bigode\/","title":{"rendered":"&#8220;Venha ao Goi\u00e2nia Noise para entender que a m\u00fasica \u00e9 muito mais ampla que r\u00f3tulos&#8221;, convidam Leonardo Razuk e L\u00e9o Bigode"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"padding-left: 40px; text-align: center;\"><strong>entrevista de\u00a0<a href=\"https:\/\/twitter.com\/ociocretino\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Alexandre Lopes<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tr\u00eas d\u00e9cadas depois de sua primeira edi\u00e7\u00e3o, realizada em maio de 1995 na Pra\u00e7a Universit\u00e1ria, o <a href=\"https:\/\/www.goianianoisefestival.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Goi\u00e2nia Noise Festival<\/a> segue como um dos eventos mais importantes da m\u00fasica independente brasileira. De l\u00e1 pra c\u00e1, o festival passou por lugares como cinema porn\u00f4, pubs, DCEs, clubes, at\u00e9 se firmar no Centro Cultural Martim Cerer\u00ea, que j\u00e1 recebeu doze edi\u00e7\u00f5es e tamb\u00e9m ser\u00e1 palco da festa em 2025.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre 4 e 7 de setembro, o Noise comemora seus 30 anos com quatro noites, <a href=\"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/2025\/08\/14\/goiania-noise-2025-divulga-line-up-completo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">42 shows distribu\u00eddos em dois palcos<\/a> e uma programa\u00e7\u00e3o que pretende equilibrar tradi\u00e7\u00e3o e novidade. O line-up re\u00fane nomes de peso como <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2022\/04\/20\/entrevista-ratos-de-porao-num-papo-sobre-brasil-pandemia-industria-farmaceutica-genocidio-e-necropolitica-o-novo-album\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Ratos de Por\u00e3o<\/a>, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/07\/16\/entrevista-black-pantera-fala-sobre-o-disco-perpetuo-e-a-importancia-dos-livros-e-da-cultura-preta-na-formacao-da-banda\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Black Pantera<\/a>, Garotos Podres, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/08\/13\/tres-shows-rogerio-skylab-lobao-lupe-de-lupe\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Rog\u00e9rio Skylab<\/a>, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/08\/01\/tres-shows-mateus-fazeno-rock-pelos-jucara-marcal\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Mateus Fazeno Rock<\/a>, Jovens Ateus, Black Drawing Chalks, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/04\/16\/goiania-noise-2024-ultima-noite-do-festival-teve-show-poderoso-do-blastfemme-e-festa-local-com-violins-e-boogarins\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Violins<\/a> e Layse e os Sinceros, entre outros. \u201cA gente procura ser mais amplo, ter a caracter\u00edstica de ser uma vitrine do que tem de mais legal no cen\u00e1rio e trazer isso pros palcos, misturar tudo&#8221;, diz L\u00e9o Bigode, um dos fundadores e organizadores do evento. \u201cAcho que a grande preocupa\u00e7\u00e3o nossa \u00e9 sempre n\u00e3o se tornar velho. A gente faz um esfor\u00e7o muito grande de estar de olho nas coisas novas, de ver o que est\u00e1 acontecendo. Da\u00ed por isso tem um frescor de n\u00e3o estar preso no passado ou s\u00f3 na hist\u00f3ria desses 30 anos\u201d , refor\u00e7a o tamb\u00e9m produtor Leonardo Razuk.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas o festival n\u00e3o fica apenas nos shows: o j\u00e1 tradicional projeto <a href=\"https:\/\/www.goianianoisefestival.com.br\/estudio\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Est\u00fadio Noise<\/a> abre espa\u00e7o para grava\u00e7\u00f5es ao vivo de 12 bandas selecionadas previamente, registrando uma faixa cada para um \u00e1lbum digital que ser\u00e1 lan\u00e7ado pela Monstro Discos. H\u00e1 ainda o <a href=\"https:\/\/www.goianianoisefestival.com.br\/escola\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Noise na Escola<\/a>, com oficinas e palestras gratuitas sobre produ\u00e7\u00e3o musical e gest\u00e3o cultural entre 1 e 4 de setembro, nos institutos Gustav Ritter e Basileu Fran\u00e7a. Al\u00e9m disso, uma exposi\u00e7\u00e3o de fotos, cartazes e artes de todas as edi\u00e7\u00f5es do festival ser\u00e1 exibida de 21 de agosto a 15 de setembro na Vila Cultural Cora Coralina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mais do que um festival, o Noise se consolidou como agente transformador da cultura goiana. \u201c\u00c9 dif\u00edcil falar disso sem parecer pretensioso, mas a hist\u00f3ria est\u00e1 a\u00ed. O Noise ajudou a movimentar e conectar diferentes \u00e1reas da cultura independente em Goi\u00e2nia\u201d, reflete Razuk. A exist\u00eancia do Noise tem a ver com v\u00e1rias coisas da cultura e subculturas daqui. Design gr\u00e1fico, fotografia, marketing para cultura independente, moda, gest\u00e3o de projetos, literatura independente, tudo isso. Est\u00fadios, equipamentos, produtores\u2026 N\u00e3o existia nada disso neste nosso universo antes de 1995. Existia m\u00fasica independente, existiam est\u00fadios, mas era outro foco. Para este tipo de som mais alternativo, n\u00e3o existia\u201d, aponta Bigode.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se no in\u00edcio em 1995 o p\u00fablico esperava apenas guitarras e distor\u00e7\u00f5es, hoje a plateia chega com ouvidos mais abertos. \u201cQuando as bandas vem tocar aqui, elas percebem que tem um p\u00fablico do festival, n\u00e3o necessariamente por causa do headliner. \u00c9 um pessoal que vai para ver e descobrir coisa nova e vivenciar o que est\u00e1 acontecendo\u201d, diz Razuk. \u201cTamb\u00e9m tem gente que reclama porque n\u00e3o \u00e9 mais t\u00e3o \u2018rock roqueiragem\u2019 como antes, mas pra gente \u00e9 tudo rock. A Layse por exemplo \u00e9 rock, com influ\u00eancias da m\u00fasica paraense, toca bateria do jeito dela, mas \u00e9 rock, tem uma atitude no som dela e \u00e9 foda\u201d, afirma Razuk. Bigode complementa: \u201cHoje em dia o p\u00fablico ouve de tudo. N\u00e3o tem mais aquele apego ao que era antes. E essa gera\u00e7\u00e3o est\u00e1 mais consciente musicalmente e no discurso tamb\u00e9m. Isso se reflete na m\u00fasica e no jeito de produzir.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outro aspecto democr\u00e1tico do Goi\u00e2nia Noise \u00e9 a acessibilidade dos <a href=\"https:\/\/www.bilheteriadigital.com\/goiania-noise-festival-30-anos\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">valores dos ingressos<\/a> (cada vez mais exorbitantes em grandes festivais): a entrada \u00e9 gratuita na abertura (4\/9) e no encerramento (7\/9), mediante retirada antecipada, enquanto os dias 5 e 6 contam com ingressos pagos (R$ 100 a inteira, R$ 50 a meia ou meia solid\u00e1ria com doa\u00e7\u00e3o de 1kg de alimento).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em uma conversa extensa com o Scream &amp; Yell, Razuk e Bigode revisitam os principais momentos da trajet\u00f3ria do Goi\u00e2nia Noise, lembram hist\u00f3rias de bastidores, refletem sobre as mudan\u00e7as no p\u00fablico e nas bandas e contam o que esperar dessa edi\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica. Confira o papo na \u00edntegra abaixo.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-90723 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/noise1.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"917\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/noise1.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/noise1-245x300.jpg 245w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O festival completa 30 anos em 2025. O que voc\u00eas sentem ao olhar para essa trajet\u00f3ria? Quais foram os momentos mais marcantes?<\/strong><br \/>\n<strong>Leonardo Razuk<\/strong>: S\u00f3 pra contextualizar: eu entrei na Monstro em 2001, ent\u00e3o a primeira edi\u00e7\u00e3o do Noise que eu participei como s\u00f3cio e produtor foi a s\u00e9tima. O L\u00e9o Bigode e o M\u00e1rcio Jr. [vocalista do Mechanics] criaram o Noise l\u00e1 atr\u00e1s e fizeram o Noise at\u00e9 2000. Em 2001 estabelecemos uma sociedade comigo e o Fabr\u00edcio Nobre. Mas depois de um tempo, o M\u00e1rcio e o Fabr\u00edcio sa\u00edram e eu continuei com o L\u00e9o. Quando entrei j\u00e1 tinha uma hist\u00f3ria, mas esse meu primeiro como s\u00f3cio tamb\u00e9m foi o primeiro l\u00e1 no Martim Cerer\u00ea, que teve esse formato de dois palcos e os shows se intercalavam (<em>nota do editor: o Centro Cultural Martim Cerer\u00ea \u00a0\u00e9 um complexo cultural criado em antigos reservat\u00f3rios de \u00e1gua da Empresa de Saneamento do Estado de Goi\u00e1s. Dois antigos reservat\u00f3rios, um ao lado do outro, foram transformados em teatros, e intercalam os shows do Goi\u00e2nia Noise<\/em>). As edi\u00e7\u00f5es anteriores foram feitas em lugares meio improvisados, teve at\u00e9 uma que rolou em um cinema porn\u00f4. A quinta foi num pub. Eram coisas pequenas. Nesta s\u00e9tima edi\u00e7\u00e3o que come\u00e7amos com essa ideia de fazer algo maior. \u00c9 l\u00f3gico que n\u00f3s t\u00ednhamos sonhos e esperan\u00e7as, mas nunca imaginamos que tomaria uma propor\u00e7\u00e3o dessas. Momentos marcantes tem v\u00e1rios, como shows que a gente nunca imaginou que ia conseguir trazer. De 2006 a 2010, foram edi\u00e7\u00f5es bem grandes e trouxemos nomes como Sepultura [2007 e depois em 2016], Los Hermanos [2002 e 2006], Pato Fu [2007 e 2017], Cordel do Fogo Encantado [2007]. Eram bandas que estavam no auge e o festival teve condi\u00e7\u00f5es de abrigar na programa\u00e7\u00e3o. Entre shows gringos que foram muito marcantes, teve o Mummies [2010], o Exploited [2013] e o Helmet [2008]. Tudo isso faz parte da hist\u00f3ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>L\u00e9o Bigode:<\/strong> \u00c9 emocionante, a gente se sente honrado de ter feito isso. Nossa gera\u00e7\u00e3o n\u00e3o tinha aprendido a fazer a parte t\u00e9cnica de nada ou de mercado, a gente era totalmente autodidata e foi fazendo do nosso jeito. Acho que o Noise ainda \u00e9 um dos poucos festivais que consegue manter esse conceito. Mesmo no meio independente, muitos festivais abriram muitas concess\u00f5es por causa do que estava rolando no mercado naquele determinado momento. E a gente pode se orgulhar de n\u00e3o ter aberto tantas concess\u00f5es assim, podemos nos orgulhar das bandas que tocaram l\u00e1 no come\u00e7o dividir o mesmo palco que o Sepultura, porque a gente n\u00e3o faz distin\u00e7\u00e3o entre as atra\u00e7\u00f5es. Mas sobre momentos marcantes\u2026 Ah, se fizer uma linha do tempo, todas as edi\u00e7\u00f5es tem alguma coisa assim. At\u00e9 a primeira edi\u00e7\u00e3o, que choveu, teve briga de torcida e a gente saiu quebrado sem dinheiro, foi legal, porque foi uma sementinha plantada. Mesmo quando o evento acabava e a gente podia falar &#8220;caraca, nunca mais\u201d, da\u00ed no outro dia j\u00e1 pensava na pr\u00f3xima edi\u00e7\u00e3o (risos). E na hist\u00f3ria do festival isso aconteceu pelo menos umas vinte vezes (risos). S\u00e3o coisas que definem muito e marcam a ess\u00eancia do Noise.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Leonardo Razuk: Nessa exposi\u00e7\u00e3o sobre o festival a gente est\u00e1 revendo muita foto. Ent\u00e3o tem momentos assim que a gente lembra das bandas e dos shows e traz umas lembran\u00e7as muito divertidas, \u00e9 muito prazeroso ver a hist\u00f3ria que se criou. E como o L\u00e9o falou, at\u00e9 mesmo quando deu errado, a gente tira algo que mexeu com a gente. No Instagram do Noise est\u00e1 rolando uma campanha que a gente fez que chama &#8220;<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/p\/DMDuP95uygh\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Todo Mundo Tem Uma Hist\u00f3ria no Noise<\/a>\u201d. Ent\u00e3o em um festival com 30 anos, tem muita hist\u00f3ria de quem frequentou o festival no in\u00edcio e dos filhos dessas pessoas. S\u00e3o outras gera\u00e7\u00f5es. A gente tem estimulado as pessoas a mandar suas hist\u00f3rias. E isso d\u00e1 uma for\u00e7a e motiva\u00e7\u00e3o pra gente seguir. N\u00e3o d\u00e1 pra parar. Tem hist\u00f3ria de gente que conheceu a esposa no festival, gente que n\u00e3o conhecia a cidade e mudou pra Goi\u00e2nia depois dele. Isso \u00e9 impag\u00e1vel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quais mudan\u00e7as voc\u00eas percebem no p\u00fablico e nas bandas ao longo dessas tr\u00eas d\u00e9cadas?<\/strong><br \/>\nLeonardo Razuk: O p\u00fablico mudou bastante, por conta da forma de consumir m\u00fasica tamb\u00e9m. Mas quando as bandas vem tocar aqui, elas percebem que tem um p\u00fablico do festival, n\u00e3o necessariamente por causa do headliner. \u00c9 um pessoal que vai para ver e descobrir coisa nova e vivenciar o que est\u00e1 acontecendo. Tem gente que vem pela m\u00fasica independente em geral, que n\u00e3o se prende a um g\u00eanero. Tamb\u00e9m tem gente que reclama porque n\u00e3o \u00e9 mais t\u00e3o &#8220;rock roqueiragem\u201d como antes, mas pra gente \u00e9 tudo rock. A <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/laysemusica\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Layse<\/a> por exemplo \u00e9 rock, com influ\u00eancias da m\u00fasica paraense, toca bateria do jeito dela, mas \u00e9 rock, tem uma atitude no som dela e \u00e9 foda. As bandas tamb\u00e9m mudaram, no pr\u00f3prio modo de como gerir a carreira. As bandas tem maior consci\u00eancia de que precisam estar mais \u00e0 frente de sua produ\u00e7\u00e3o, dos processos, de participar e de correr atr\u00e1s. Antes era mais dif\u00edcil gravar, divulgar. Hoje todo mundo consegue lan\u00e7ar um som, tem acesso a est\u00fadio caseiro, rede social. Isso democratizou, mas tamb\u00e9m aumentou a competi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">L\u00e9o Bigode: O modo de consumir m\u00fasica mudou e o perfil de quem consome m\u00fasica mudou tamb\u00e9m, em compara\u00e7\u00e3o a 30 anos atr\u00e1s. Hoje em dia o p\u00fablico ouve de tudo. Essa coisa de timeline, de excesso de informa\u00e7\u00e3o, fez com que os jovens consumissem um volume de coisas muito grande. N\u00e3o tem mais aquele apego ao que era antes. O pr\u00f3prio Mateus Fazeno Rock \u00e9 um exemplo disso. Ele \u00e9 um cara absurdamente talentoso e com sua pr\u00f3pria linguagem. N\u00e3o \u00e9 aquela coisa careta de \u00e9 s\u00f3 indie, \u00e9 s\u00f3 rock, \u00e9 s\u00f3 banda de metal. Isso n\u00e3o vai mais ser uma coisa importante. E mesmo que n\u00e3o exista mais apego a isso, essa gera\u00e7\u00e3o est\u00e1 mais consciente musicalmente e no discurso tamb\u00e9m. Pessoal est\u00e1 mais inteligente e isso se reflete na m\u00fasica e no jeito de produzir.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-90833 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/5noise-copiar.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/5noise-copiar.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/5noise-copiar-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como foi montar a curadoria dessa edi\u00e7\u00e3o especial? O que voc\u00eas priorizaram?<\/strong><br \/>\nL\u00e9o Bigode: A curadoria todo ano \u00e9 um ato de filtrar as coisas. \u00c9 muita gente. A gente tamb\u00e9m recebe uma press\u00e3o muito grande da cena local. Por conta da Monstro Discos, muita gente deve achar que s\u00f3 porque faz parte do cast do selo vai tocar no festival, mas n\u00e3o \u00e9 bem assim. Acaba gerando muito melindre e tal, mas tem que saber fazer esse trabalho de separar as coisas e administrar isso. A gente procura ser mais amplo, ter a caracter\u00edstica de ser uma vitrine do que tem de mais legal no cen\u00e1rio e trazer isso pros palcos, misturar tudo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Leonardo Razuk: Acho que a grande preocupa\u00e7\u00e3o nossa \u00e9 sempre n\u00e3o se tornar velho. Apesar da gente colocar o Ratos de Por\u00e3o e o Garotos Podres que s\u00e3o bandas que a gente realmente gosta e que tem uma carreira e entrega \u00f3tima nos shows, a gente faz um esfor\u00e7o muito grande de estar de olho nas coisas novas, de ver o que est\u00e1 acontecendo, de ampliar e sair desse rock de 30 anos atr\u00e1s e abrir para outras vertentes. Da\u00ed por isso tem um frescor e de n\u00e3o estar preso no passado ou s\u00f3 na hist\u00f3ria desses 30 anos. Claro que tem as coisas que nos acompanham e fazem parte da ess\u00eancia do que \u00e9 o Noise, mas ele n\u00e3o est\u00e1 preso nesse passado. Ele est\u00e1 sempre tentando se modernizar, se atualizar. \u00c9 equilibrar mem\u00f3ria e novidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00eas sempre fizeram quest\u00e3o de abrir espa\u00e7o para a cena local. Qual \u00e9 o peso disso para o festival e para a cidade?<\/strong><br \/>\nL\u00e9o Bigode: Aho que tanto a Monstro Discos quanto o Noise transformaram a cena da cidade. Aconteceu uma coisa legal que \u00e9 assim: a gente n\u00e3o inventou nada, mas quando o Noise surge ali em 95, deu uma interfer\u00eancia absurda na cidade. Teve a import\u00e2ncia da MTV nisso tamb\u00e9m, al\u00e9m de outros festivais em outras cidades complementando essa influ\u00eancia, mas isso tudo foi enriquecedor no sentido de mudar o panorama das coisas. Goi\u00e2nia tem 90 anos e o Noise tem um ter\u00e7o dessa idade. A minha gera\u00e7\u00e3o e do Razuk \u00e9 a primeira tipicamente nascida em Goi\u00e2nia. Ent\u00e3o \u00e9 uma cidade muito nova, a gente sente como se tivesse sa\u00eddo quebrando tudo para formar as coisas do nosso jeito. Isso aqui era uma terra s\u00f3 de m\u00fasica sertaneja em pleno anos 90, pensa nisso. Ent\u00e3o a gente tinha uma interfer\u00eancia da m\u00eddia completamente contr\u00e1ria ao que a gente fazia. Da\u00ed com um festival de m\u00fasica alternativa, de barulheira, isso foi absolutamente fundamental para que acontecesse essa cena. Teve Black Drawing Chalks, e hoje temos o Boogarins como expoente, e isso tudo n\u00e3o veio do nada, tudo isso aconteceu do que a gente vem construindo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Leonardo Razuk: O M\u00e1rcio Jr. tem banda at\u00e9 hoje, o Mechanics est\u00e1 na ativa. O Leo teve outras bandas. Ent\u00e3o sempre tinha essa preocupa\u00e7\u00e3o de tentar mostrar pro resto do pa\u00eds o que estava sendo feito aqui em Goi\u00e2nia, ou de criar algum tipo de liga\u00e7\u00e3o ou interc\u00e2mbio de bandas. Ent\u00e3o a gente sempre valorizou mesmo as bandas locais. E n\u00e3o sei se foi uma coisa intuitiva ou acidental, mas quando a gente viu, todos os dias tem bandas de Goi\u00e2nia fechando o festival. E essas bandas tem nome e condi\u00e7\u00f5es de fazer isso em qualquer festival no Brasil inteiro, pela hist\u00f3ria delas. Tipo o Carne Doce, o Violins, o Black Drawing Chalks, o Hellbenders. No come\u00e7o, eram bandas tentando mostrar alguma coisa do seu trabalho, mas as gera\u00e7\u00f5es foram passando e elas mostraram que realmente tem condi\u00e7\u00f5es de serem headliners. E acho que \u00e9 muito forte o que aconteceu em Goi\u00e2nia por causa do Noise. O Abril Pro Rock lan\u00e7ou um monte de banda de v\u00e1rios lugares do Brasil. E a gente tem esse orgulho de ter essa marca, de ter lan\u00e7ado ou projetado artistas pro resto do pa\u00eds.<\/p>\n<figure id=\"attachment_90726\" aria-describedby=\"caption-attachment-90726\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-90726 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/noise2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"937\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/noise2.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/noise2-240x300.jpg 240w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-90726\" class=\"wp-caption-text\"><em> Diogo Rustoff (segundo da esquerda para a direita) assina a arte do Goi\u00e2nia Noise 30 Anos<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Qual \u00e9 o papel de festivais como o Goi\u00e2nia Noise na forma\u00e7\u00e3o de p\u00fablico para novas bandas?<\/strong><br \/>\nLeonardo Razuk: Na nossa \u00e9poca tinha MTV e algumas r\u00e1dios que tocavam bandas independentes, festas como a Maldita no Rio de Janeiro. Hoje esses espa\u00e7os s\u00e3o mais reduzidos e a oferta \u00e9 muito grande. Voc\u00ea pega ali no Spotify quantas milhares de m\u00fasicas s\u00e3o lan\u00e7adas toda semana. E como se destacar no meio disso tudo? \u00c9 no palco. E o festival serve para isso: para ser um panorama do que est\u00e1 acontecendo. Por isso que temos uma responsabilidade e preocupa\u00e7\u00e3o muito grande com a curadoria, de tentar achar esses artistas que est\u00e3o fazendo trabalhos relevantes mas que \u00e0s vezes n\u00e3o est\u00e1 sendo ouvido ou est\u00e1 preso a um determinado nicho. E a gente quer tentar dar uma amplitude pra isso. E como aqui em Goi\u00e2nia a gente tem um p\u00fablico que \u00e9 interessado em conhecer e buscar essas coisas, muitos artistas saem daqui de uma forma diferente da que quando chegaram.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">L\u00e9o Bigode: Acho que o Noise sempre foi um festival que teve a caracter\u00edstica de manter o artista muito pr\u00f3ximo do seu p\u00fablico &#8211; uma coisa que grandes festivais por a\u00ed n\u00e3o tem. Ent\u00e3o o jovem que vai no Noise, a experi\u00eancia sensorial dele \u00e9 muito diferente de um grande festival, no sentido da rela\u00e7\u00e3o dele com o artista. Acho que esse \u00e9 um diferencial que festivais independentes conseguem ter e manter para construir p\u00fablico. E acho que \u00e9 muito mais f\u00e1cil a pessoa vir ao Noise e pirar com aquela pessoa pr\u00f3xima dele no palco do que ir em eventos maiores nas grandes capitais e sentir a mesma coisa. E a gente se alimenta disso, de continuar trazendo as bandas e fazendo o festival.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Leonardo Razuk: Na nossa curadoria, por mais que a gente fique de olho nas coisas novas, a gente n\u00e3o se baseia em algoritmos ou seguidores de Instagram ou Spotify. Claro, a gente observa a agenda da banda, conversa com amigos e produtores de outras cidades para entender aquele artista. E a gente se baseia muito mais nessas impress\u00f5es reais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00eas acham que a descentraliza\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o cultural no Brasil avan\u00e7ou ou ainda estamos presos aos eixos Rio-SP?<\/strong><br \/>\nLeonardo Razuk: Acho que teve um movimento muito forte no passado com a coisa toda de Recife, a m\u00fasica do Par\u00e1 e aqui no Centro-Oeste teve tamb\u00e9m. E como ainda existem festivais importantes em todas essas regi\u00f5es, acho que mostra que o consumo de cultura realmente mudou, n\u00e3o est\u00e1 restrito s\u00f3 ao Sudeste ou eixo Rio-S\u00e3o Paulo. Tanto que o festival esse ano tem artistas de quase todas as regi\u00f5es. E poderia ter muito mais; a gente s\u00f3 n\u00e3o traz mais coisas porque o fato de estarmos no centro do pa\u00eds encarece demais a log\u00edstica. Ent\u00e3o \u00e0s vezes a gente acaba tendo que deixar de lado um artista que seria super foda ter no festival por raz\u00f5es or\u00e7ament\u00e1rias. Por exemplo, infelizmente trazer uma banda do Nordeste ou do Norte \u00e9 car\u00edssimo pra gente porque n\u00e3o tem v\u00f4o direto ou uma s\u00e9rie de outras complica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">L\u00e9o Bigode: S\u00f3 pra complementar: acho que avan\u00e7ou muito a descentraliza\u00e7\u00e3o, mas ainda tem uma defici\u00eancia muito grande em v\u00e1rios pontos, como na quest\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas. Falando na Lei Rouanet e tal, acho que a participa\u00e7\u00e3o de outros estados mais perif\u00e9ricos, \u00e9 discrepante. Isso precisava ser mexido, com pol\u00edticas de n\u00edvel nacional, abrir para descentralizar isso. Acho que isso fica muito na parte de gest\u00e3o cultural dos estados e munic\u00edpios que na maioria das vezes cometem erros absurdos em editais p\u00fablicos ou como dividir esses recursos. Acho que a Pol\u00edtica Nacional Aldir Blanc e a Lei Paulo Gustavo vieram para ajudar a descentralizar isso, mas ainda falta muito a ser feito e isso precisa ser falado, cobrado mais benef\u00edcios para quem est\u00e1 fazendo cultura, n\u00e3o s\u00f3 m\u00fasica, mas em outros lugares do Brasil.<\/p>\n<figure id=\"attachment_90727\" aria-describedby=\"caption-attachment-90727\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-90727\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/noise3.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/noise3.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/noise3-300x300.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/noise3-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-90727\" class=\"wp-caption-text\"><em>Flyer da 1\u00aa edi\u00e7\u00e3o do Goi\u00e2nia Noise, realizada em 1995<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O que mais d\u00e1 trabalho na produ\u00e7\u00e3o do festival &#8211; log\u00edstica, patroc\u00ednio, curadoria, negocia\u00e7\u00e3o com bandas?<\/strong><br \/>\nLeonardo Razuk: Acho que patroc\u00ednio \u00e9 o principal. A gente n\u00e3o tem tantas dificuldades como no in\u00edcio, mas ainda tem. Hoje temos mais acesso a esses mecanismos de incentivo, mas ainda existem essas dificuldades, que variam muito de governo para governo. \u00c9 complicado voc\u00ea n\u00e3o ter uma const\u00e2ncia na abertura de editais, ent\u00e3o voc\u00ea sempre tem que estar tentando trabalhar num limite muito grande de datas e etc. Acho que essa \u00e9 uma quest\u00e3o que ainda pega muito: o patroc\u00ednio, a quest\u00e3o financeira e a log\u00edstica de trazer o artista para Goi\u00e2nia. Os altos custos de passagem a\u00e9rea e disponibilidade de voos e hor\u00e1rios atrapalham muito. Tem uma outra coisa: Goi\u00e2nia tem poucos espa\u00e7os adequados para fazer festival. Ent\u00e3o ou voc\u00ea est\u00e1 no Martim Cerer\u00ea, que \u00e9 de pequeno-m\u00e9dio porte, ou voc\u00ea tem que ir para um lugar muito grande, n\u00e3o tem um meio termo. E isso tamb\u00e9m dificulta e nos trava a curadoria. \u00c0s vezes a banda at\u00e9 tem um p\u00fablico, mas n\u00e3o para aquele lugar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como surgiu a ideia do Est\u00fadio Noise e o que voc\u00eas esperam colher desse projeto?<\/strong><br \/>\nLeonardo Razuk: A primeira edi\u00e7\u00e3o que fizemos do Est\u00fadio Noise foi em 2007, se n\u00e3o me engano. Mas ele n\u00e3o teve em todas as edi\u00e7\u00f5es de l\u00e1 para c\u00e1. Mas em 2007, a gente tinha um patroc\u00ednio de uma grande rede varejista daqui do estado, chamada Novo Mundo. E a\u00ed surgiu o conceito de &#8220;Novo Mundo, Nova M\u00fasica&#8221;, ent\u00e3o era de ter espa\u00e7os para que bandas que ainda n\u00e3o tinham m\u00fasicas gravadas ou carreira consolidada pudessem se apresentar e tamb\u00e9m servir de laborat\u00f3rio para pin\u00e7ar aquelas bandas para o selo ou para tocar em outras edi\u00e7\u00f5es do festival. Por quest\u00f5es or\u00e7ament\u00e1rias esse projeto voltava ou descontinuava e tamb\u00e9m j\u00e1 teve v\u00e1rios formatos: de gravar uma m\u00fasica, de fazer um pocket show, de fazer um v\u00eddeo. Ent\u00e3o como a gente precisa dar vaz\u00e3o a v\u00e1rias bandas locais e n\u00e3o cabe na programa\u00e7\u00e3o, ele acaba servindo como um terceiro palco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Com 30 anos de bagagem, ainda rola frio na barriga antes do evento come\u00e7ar?<\/strong><br \/>\nLeonardo Razuk: Sempre rola. A gente fica sempre atento a quest\u00f5es como seguran\u00e7a das pessoas no festival, repercuss\u00e3o nas redes\u2026 S\u00e1bado mesmo a gente teve um evento mensal que fazemos, chamado Cidade Rock. S\u00e3o sempre cinco bandas locais, mas nem sempre \u00e9 somente rock. Nesta \u00faltima edi\u00e7\u00e3o, um cara reclamou nas redes sociais porque n\u00e3o era \u201crock o suficiente\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">L\u00e9o Bigode: O problema \u00e9 que ele n\u00e3o leu a programa\u00e7\u00e3o, nem viu as bandas. A gente entende o rock de forma mais ampla. Tem artistas que, mesmo n\u00e3o soando como rock tradicional, carregam muito mais a atitude e o esp\u00edrito do g\u00eanero do que alguns \u201croqueiros\u201d por a\u00ed. Antigamente, a galera aceitava mais as coisas. Hoje, qualquer coment\u00e1rio ou decis\u00e3o pode gerar muitas cr\u00edticas na internet.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Leonardo Razuk: Mas assim, um conceito que temos trabalhado nos \u00faltimos anos \u00e9 que n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 \u201crock\u201d, \u00e9 m\u00fasica independente. No passado, diz\u00edamos \u201cGoi\u00e2nia Noise, a grande festa do rock independente\u201d. Hoje falamos \u201ca grande festa da m\u00fasica independente\u201d. E n\u00e3o \u00e9 ceder ou abrir concess\u00e3o, \u00e9 acompanhar o momento da m\u00fasica, no Brasil e no mundo. As formas de produzir e se expressar mudaram, e isso tamb\u00e9m \u00e9 rock.<\/p>\n<figure id=\"attachment_90728\" aria-describedby=\"caption-attachment-90728\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-90728 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/noise4.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/noise4.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/noise4-300x300.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/noise4-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-90728\" class=\"wp-caption-text\"><em>Exposi\u00e7\u00e3o: &#8220;Goi\u00e2nia Noise Festival \u2013 30 anos: a hist\u00f3ria em imagens&#8221; &#8211; de 21 de agosto at\u00e9 13 de setembro de 2025<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Qual \u00e9 a import\u00e2ncia da Monstro Discos para o Goi\u00e2nia Noise e para a cena local?<\/strong><br \/>\nL\u00e9o Bigode: Acho que o papel da Monstro e do Noise \u00e9 fundamental para a cena. As bandas se programam para lan\u00e7ar material pensando no Noise, porque sabem que tocar l\u00e1 \u00e9 uma vitrine importante. Ent\u00e3o gera uma expectativa de ser parte do selo e de tocar no festival. Porque as bandas sabem que existe uma possibilidade delas tocarem no Noise do que em um festival maior em S\u00e3o Paulo. Ent\u00e3o a cena meio que se movimenta j\u00e1 pensando no festival. \u00c9 uma oportunidade que todo mundo quer participar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Leonardo Razuk: Tem uma coisa que a gente gosta de falar que mesmo n\u00e3o sendo a mesma coisa, Monstro e Noise s\u00e3o feitos pelas mesmas pessoas. Mas estar no selo n\u00e3o garante vaga no festival. A banda precisa estar ativa, produzindo e circulando. Quando o momento \u00e9 bom, faz sentido coloc\u00e1-la na programa\u00e7\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 \u201csou do selo, ent\u00e3o j\u00e1 estou garantido\u201d (risos). A rela\u00e7\u00e3o existe, mas n\u00e3o \u00e9 obrigat\u00f3ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00eas acreditam que o legado do Goi\u00e2nia Noise vai al\u00e9m da m\u00fasica? Que tipo de transforma\u00e7\u00e3o cultural ele causou na cidade?<\/strong><br \/>\nL\u00e9o Bigode: A exist\u00eancia do Noise tem a ver com v\u00e1rias coisas da cultura e subculturas da cidade. Design gr\u00e1fico, fotografia, marketing para cultura independente, moda, gest\u00e3o de projetos, literatura independente, tudo isso. Est\u00fadios, equipamentos, produtores\u2026 N\u00e3o existia nada disso neste nosso universo antes de 1995. Existia m\u00fasica independente, existiam est\u00fadios, mas era outro foco. Para este tipo de som mais alternativo, n\u00e3o existia. Provavelmente s\u00f3 para sertanejo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Leonardo Razuk: Na quest\u00e3o do design mesmo, se voc\u00ea pegar os cartazes do Noise no in\u00edcio, d\u00e1 uma grande an\u00e1lise de como essas artes eram feitas antes e s\u00e3o realizadas hoje. Tem grandes designers em Goi\u00e2nia. N\u00e3o vou dizer que eles foram criados pelo Noise, mas \u00e9 l\u00f3gico que eles orbitaram ali. O festival tamb\u00e9m abre espa\u00e7o para isso, para que produtores independentes mostrem o seu trabalho ali porque tem uma feira no festival com hist\u00f3rias em quadrinhos e publica\u00e7\u00f5es independentes. \u00c9 dif\u00edcil falar disso sem parecer pretensioso, mas a hist\u00f3ria est\u00e1 a\u00ed. O Noise ajudou a movimentar e conectar diferentes \u00e1reas da cultura independente em Goi\u00e2nia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tem alguma banda ou artista que voc\u00eas ainda sonham em trazer?<\/strong><br \/>\nL\u00e9o Bigode: A gente j\u00e1 trouxe muita banda que sempre quisemos, mas ainda tem muitos nomes\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Leonardo Razuk: O nome que sempre me vem \u00e0 mente quando fazem essa pergunta \u00e9 o Melvins. A gente sempre sonhou muito com o Cramps, mas infelizmente n\u00e3o \u00e9 mais poss\u00edvel [nota do editor: a banda se desfez em 2009, com a morte do vocalista Lux Interior]. Tamb\u00e9m gostar\u00edamos muito de trazer o Peter Hook [ex-Joy Division e ex-New Order]. Volta e meia ele aparece no Brasil para tocar o repert\u00f3rio das ex-bandas. Ele at\u00e9 j\u00e1 veio aqui em Goi\u00e2nia e tocou em um pub. Tem outros nomes que sonhamos em ter e, quem sabe, um dia aconte\u00e7a. Mas j\u00e1 vieram outros que a gente nem imaginava, como o Exploited, Helmet\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Leonardo Bigode: Toy Dolls [em 2018]. V\u00e1rios artistas que eram sonhos e acabaram dando certo. Ent\u00e3o nunca se sabe!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Pra terminar: o que voc\u00eas diriam para algu\u00e9m que vai ao Noise pela primeira vez este ano?<\/strong><br \/>\nLeonardo Razuk: V\u00e1 de cabe\u00e7a aberta. Vai preparado para ver, se divertir, sair do padr\u00e3o, ver coisa diferente, coisa nova. Pra entender que a m\u00fasica \u00e9 muito mais ampla que os r\u00f3tulos que as pessoas insistem em colocar. Pra viver m\u00fasica, para curtir, conhecer gente e banda nova, ouvir som diferente. N\u00e3o fique preso no seu mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">L\u00e9o Bigode: Eu diria a mesma coisa: pra s\u00f3 ir, sem preconceito, pra experimentar a sensa\u00e7\u00e3o de ver o Jo\u00e3o Gordo a um metro de dist\u00e2ncia &#8211; um cara que tem 40 anos de hist\u00f3ria. Pra ver o Skylab <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/08\/13\/tres-shows-rogerio-skylab-lobao-lupe-de-lupe\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">pedir cigarro no palco<\/a> (risos). E pra ver uma banda nova no mesmo dia. Vai pra se entregar, tem essa quest\u00e3o sensitiva. \u00c9 essa mistura que faz o festival ser \u00fanico.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-90729 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/noise5.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"1000\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/noise5.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/noise5-225x300.jpg 225w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p><em>\u2013 Alexandre Lopes (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/ociocretino\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">@ociocretino<\/a>) \u00e9 jornalista e assina o\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ociocretino.blogspot.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">www.ociocretino.blogspot.com.br<\/a>.\u00a0<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"&#8220;Venha de cabe\u00e7a aberta. Venha preparado para ver, se divertir, sair do padr\u00e3o, ver coisa diferente, coisa nova. Pra viver m\u00fasica, conhecer gente e banda nova, ouvir som diferente&#8221;, avisa Razuk\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/08\/20\/entrevista-venha-ao-goiania-noise-para-entender-que-a-musica-e-muito-mais-ampla-que-os-rotulos-convidam-leonardo-razuk-e-leo-bigode\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":101,"featured_media":90832,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[289],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/90719"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/101"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=90719"}],"version-history":[{"count":10,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/90719\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":90834,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/90719\/revisions\/90834"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/90832"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=90719"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=90719"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=90719"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}