{"id":90530,"date":"2025-08-08T14:00:50","date_gmt":"2025-08-08T17:00:50","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=90530"},"modified":"2025-09-22T21:18:19","modified_gmt":"2025-09-23T00:18:19","slug":"uma-dose-para-o-santo-livro-da-editora-barbante-mergulha-em-disco-classico-de-mark-lanegan-e-voce-pode-ler-um-trecho-gratis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/08\/08\/uma-dose-para-o-santo-livro-da-editora-barbante-mergulha-em-disco-classico-de-mark-lanegan-e-voce-pode-ler-um-trecho-gratis\/","title":{"rendered":"\u201cUma Dose para o Santo\u201d: livro da Editora Barbante mergulha em disco cl\u00e1ssico de Mark Lanegan \u2013 leia um trecho gr\u00e1tis!"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista de\u00a0<a href=\"https:\/\/twitter.com\/ociocretino\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Alexandre Lopes<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lan\u00e7ado em 1994, \u201cWhiskey for the Holy Ghost\u201d \u00e9 um daqueles discos que assombram quem se permite atravessar sua n\u00e9voa espessa de espiritualidade torta, letras enigm\u00e1ticas e instrumenta\u00e7\u00e3o melanc\u00f3lica. Segundo trabalho solo de Mark Lanegan, o \u00e1lbum quase n\u00e3o viu a luz do dia, sabotado por reca\u00eddas, bloqueios criativos, sess\u00f5es interrompidas por falta de verba e o perfeccionismo exaustivo de seu autor. Mas \u00e9 justamente essa turbul\u00eancia que lhe confere uma for\u00e7a crua, confessional e imposs\u00edvel de ignorar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Concebido como um desdobramento das ideias minimalistas de seu trabalho de estreia solo (\u201cThe Winding Sheet&#8221;, de 1990), \u201cWhiskey\u201d elevou as ambi\u00e7\u00f5es sonoras e po\u00e9ticas do vocalista do Screaming Trees. Cercado por amigos como J Mascis (Dinosaur Jr.), Dan Peters (Mudhoney), Tad Doyle (TAD) e Mark Pickerel (ex-Screaming Trees), o cantor apostou em arranjos sutis, teclados e instrumentos ac\u00fasticos, mergulhando ainda mais fundo no blues, folk e em imagens religiosas distorcidas &#8211; com influ\u00eancias assumidas de Van Morrison e da literatura de Cormac McCarthy. Mas o que deveria ser uma grava\u00e7\u00e3o r\u00e1pida se estendeu por quatro anos, entre mudan\u00e7as de est\u00fadio, obsess\u00f5es pelos takes perfeitos e per\u00edodos de instabilidade emocional. Em um dos momentos mais extremos, um Lanegan frustrado com os registros tentou jogar as fitas master do disco em um rio &#8211; e s\u00f3 foi contido gra\u00e7as \u00e0 interven\u00e7\u00e3o do produtor Jack Endino.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 esse universo que o jornalista <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/leonardo.tissot\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Leonardo Tissot<\/a> (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/author\/leonardo-tissot\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">tamb\u00e9m colaborador do Scream &amp; Yell<\/a>) se prop\u00f5e a explorar em \u201cUma Dose para o Santo &#8211; Deus e o diabo nas grava\u00e7\u00f5es de Whiskey For The Holy Ghost\u201d (<a href=\"https:\/\/editorabarbante.com.br\/produtos\/uma-dose-para-o-santo-deus-e-o-diabo-nas-gravacoes-de-whiskey-for-the-holy-ghost\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">dispon\u00edvel aqui<\/a>). Mais do que um relato de bastidores, o livro \u00e9 tamb\u00e9m uma reflex\u00e3o sobre o legado art\u00edstico de Lanegan: um m\u00fasico cuja obra transcende o r\u00f3tulo imposto de \u201cgrunge\u201d e continua a ecoar d\u00e9cadas depois. Com ilustra\u00e7\u00f5es do quadrinista Diego Gerlach (que tamb\u00e9m j\u00e1 colaborou com o Scream &amp; Yell), o t\u00edtulo sai pela Editora Barbante e <a href=\"https:\/\/editorabarbante.com.br\/produtos\/uma-dose-para-o-santo-deus-e-o-diabo-nas-gravacoes-de-whiskey-for-the-holy-ghost\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">est\u00e1 em pr\u00e9-venda no site da editora<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A obra integra a cole\u00e7\u00e3o Sound + Vision, dedicada a mergulhos narrativos e visuais em \u00e1lbuns essenciais da m\u00fasica moderna, e \u00e9 o primeiro livro a se concentrar exclusivamente no conturbado \u201cWhiskey for the Holy Ghost\u201d, revelando novos detalhes sobre sua g\u00eanese. Tissot costura entrevistas exclusivas com personagens centrais da trajet\u00f3ria de Lanegan, como o multi-instrumentista e produtor Mike Johnson, al\u00e9m dos engenheiros de som Jack Endino e John Agnello e Gary Lee Conner, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/02\/05\/entrevista-gary-lee-conner\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">ex-guitarrista do Screaming Trees<\/a>. Nas entrelinhas, investiga as camadas de f\u00e9, culpa, dor e reden\u00e7\u00e3o que atravessam as can\u00e7\u00f5es do disco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesta entrevista ao Scream &amp; Yell, Leonardo Tissot fala sobre o processo de pesquisa, os bastidores do livro, a import\u00e2ncia (ainda subestimada) de Mike Johnson na fase inicial da carreira solo de Mark Lanegan e o desafio de revisitar uma das obras mais densas e inquietantes da m\u00fasica alternativa dos anos 1990. Confira a entrevista abaixo!<\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #ff0000;\"><a style=\"color: #ff0000;\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/UMA-DOSE-PARA-O-SANTO-CAPITULO-1.pdf\"><strong>LEIA UM TRECHO DO LIVRO EM PDF!<\/strong><\/a><\/span><\/h2>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-90534 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/lanegan4.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"1128\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/lanegan4.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/lanegan4-199x300.jpg 199w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Antes de tudo, como nasceu sua liga\u00e7\u00e3o com o Mark Lanegan e, mais especificamente, com o \u201cWhiskey for the Holy Ghost\u201d?<\/strong><br \/>\nLeonardo Tissot: Acho que, como quase todo mundo nos anos 90, conheci primeiro o trabalho dele com os Screaming Trees. Os clipes do \u201cSweet Oblivion\u201d rodavam bastante na MTV, mas era dif\u00edcil achar o disco na minha cidade. Acabei conseguindo comprar o CD (uma c\u00f3pia importada) ali por 1997 ou 1998. Nem sei se esse disco saiu em edi\u00e7\u00e3o nacional. Deve ter sa\u00eddo, mas em quantidade bem limitada. S\u00f3 fui saber sobre a carreira solo dele um pouco depois, pesquisando na internet. Lembro que o t\u00edtulo \u201cWhiskey for the Holy Ghost\u201d me atraiu imediatamente, mas de forma meio inexplic\u00e1vel. Alguma coisa me dizia que um disco com esse t\u00edtulo s\u00f3 poderia ser muito bom. Consegui baixar na internet, provavelmente no Napster ou algum outro software da \u00e9poca (foi mal, Mark!). Achei o \u00e1lbum incr\u00edvel e comecei a ir atr\u00e1s dos outros trabalhos solo dele. Mas eu j\u00e1 comprei o disco oficial, viu? N\u00e3o me processem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O livro \u00e9 o primeiro a focar diretamente em um disco espec\u00edfico do Lanegan, mesmo depois de duas autobiografias <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/06\/17\/livro-sing-backwards-and-weep-a-dolorosa-biografia-de-mark-lanegan\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">escritas por ele pr\u00f3prio<\/a>. Considerando que o processo de grava\u00e7\u00e3o dele foi bem tortuoso, err\u00e1tico e deixou poucos registros literais dispon\u00edveis, quais foram os maiores desafios de investigar um disco assim? Houve alguma apura\u00e7\u00e3o mais complicada ou descoberta inesperada ao longo do caminho?<\/strong><br \/>\nMeus pontos de partida foram justamente os livros escritos pelo pr\u00f3prio Lanegan, especialmente o \u201cI Am the Wolf\u201d e o \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/06\/17\/livro-sing-backwards-and-weep-a-dolorosa-biografia-de-mark-lanegan\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Sing Backwards and Weep<\/a>\u201d, nos quais ele fala um pouco sobre as grava\u00e7\u00f5es do \u201cWhiskey\u201d. Mas s\u00e3o livros, especialmente o segundo, que falam muito da vida pessoal dele, da viv\u00eancia com as drogas e tal. E eu queria fugir um pouco disso. Queria fazer um livro mais focado no trabalho dele, na cria\u00e7\u00e3o musical. Tamb\u00e9m li outros livros escritos sobre ele que ainda s\u00e3o in\u00e9ditos no Brasil e revirei a internet atr\u00e1s de material sobre o disco, como cr\u00edticas e reportagens da \u00e9poca, em arquivos de revistas como Rolling Stone e Spin. A partir do momento em que esgotei essas fontes, fui atr\u00e1s de pessoas que trabalharam com ele na produ\u00e7\u00e3o do \u00e1lbum. <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/02\/22\/entrevista-mike-johnson-relembra-carreira-solo-seus-anos-de-dinosaur-jr-e-sua-prolifica-colaboracao-com-mark-lanegan\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Eu j\u00e1 havia entrevistado o Mike Johnson<\/a>, que assina a produ\u00e7\u00e3o do disco com o Lanegan, em 2023, e ele contribuiu bastante com informa\u00e7\u00f5es sobre essa \u00e9poca em novos contatos que fiz com ele. Tamb\u00e9m consegui conversar com os engenheiros de som Jack Endino e John Agnello, que trabalharam bastante no disco. Eu queria muito ter conseguido conversar com os outros dois engenheiros de som que trabalharam no \u00e1lbum, o Terry Date e o Ed Brooks, mas infelizmente eles n\u00e3o deram retorno \u00e0s minhas tentativas de contato. Mas acho que o material que consegui foi suficiente para n\u00e3o desistir de fazer o livro. Se um dia eles toparem falar, a gente lan\u00e7a uma edi\u00e7\u00e3o ampliada (risos). Em rela\u00e7\u00e3o a descobertas, duas coisas me intrigavam muito: a obsess\u00e3o do Lanegan com imagens religiosas &#8211; que aparecem muito ao longo do disco, desde a capa at\u00e9 as letras &#8211; e alguns t\u00edtulos de m\u00fasica em espanhol, como \u201cBorracho\u201d e \u201cEl Sol\u201d. N\u00e3o posso afirmar com 100% de certeza que desvendei esses mist\u00e9rios &#8211; at\u00e9 porque s\u00f3 o Lanegan poderia confirmar e, com o falecimento dele, essa possibilidade n\u00e3o existe mais. Mas acho que cheguei muito perto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ao longo da pesquisa, teve algum depoimento ou detalhe que te fez enxergar o Lanegan de outra forma? Alguma ideia ou entrevista interessante que n\u00e3o coube no contexto e teve que ficar de fora do livro?<\/strong><br \/>\nLanegan sempre foi muito admirado pela voz, mas acho que passei a valorizar ainda mais o trabalho dele como compositor. As letras desse disco s\u00e3o um tanto herm\u00e9ticas, em compara\u00e7\u00e3o com o restante da discografia dele. \u00c9 muito dif\u00edcil afirmar que ele est\u00e1 falando de alguma coisa espec\u00edfica, a n\u00e3o ser em can\u00e7\u00f5es como \u201cHouse a Home\u201d, que s\u00e3o um pouco mais \u00f3bvias. Mas, ainda que o sentido literal das composi\u00e7\u00f5es seja incompreens\u00edvel ou que as letras sejam abertas a interpreta\u00e7\u00f5es variadas, as imagens que ele pinta por meio das palavras s\u00e3o muito bonitas. Ele era um leitor voraz, o que explica o gosto por livros complexos como \u201cMeridiano de Sangue\u201d, do Cormac McCarthy, uma das fontes de inspira\u00e7\u00e3o admitidas por ele nas composi\u00e7\u00f5es de \u201cWhiskey\u201d. N\u00e3o chega a ser surpresa que ele tenha se tornado um compositor de m\u00e3o cheia, usando refer\u00eancias desse n\u00edvel. Sobre o material que ficou de fora, acho que usei as informa\u00e7\u00f5es mais relevantes apuradas com as fontes. Mas algumas coisas escaparam. Por exemplo: eu consegui contato com uma das cantoras que fazem vocais de apoio no disco, a Krisha Augerot. Num primeiro momento ela topou falar comigo, mas depois parou de responder aos meus contatos. N\u00e3o entendi a raz\u00e3o. Tamb\u00e9m tentei levantar a quantidade de c\u00f3pias vendidas do \u00e1lbum com a gravadora Sub Pop, mas n\u00e3o tive retorno.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-90532 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/lanegan2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"567\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/lanegan2.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/lanegan2-300x227.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O livro tamb\u00e9m valoriza o papel do Mike Johnson na constru\u00e7\u00e3o do som dessa fase inicial da carreira solo do Lanegan. Voc\u00ea concorda que as contribui\u00e7\u00f5es dele ainda s\u00e3o subestimadas pelo grande p\u00fablico na discografia do cantor?<\/strong><br \/>\nSem d\u00favida. Acho que podemos afirmar com tranquilidade que a carreira solo do Lanegan n\u00e3o teria seguido o mesmo caminho sem o Mike Johnson. Cheguei a falar pra ele que o mais justo seria que esses discos tivessem sido lan\u00e7ados com o nome da dupla na capa, porque o Lanegan n\u00e3o teria conseguido gravar seus cinco primeiros \u00e1lbuns sem esse apoio. Ou teria gravado algo bem diferente. Quando ouvimos os discos solo do Mike, fica muito evidente que a sonoridade dos discos do Lanegan vinha muito dele. Acredito que o ouvinte mais casual n\u00e3o se liga muito nisso, mas o m\u00e9rito do Mike Johnson \u00e9 ineg\u00e1vel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como surgiu a parceria com a <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/01\/15\/entrevista-alessandro-andreola-e-os-livros-da-editora-barbante-sobre-o-garoto-enxaqueca-skank-e-odair-jose\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Editora Barbante<\/a> e a cole\u00e7\u00e3o Sound + Vision? Como foi o processo de colabora\u00e7\u00e3o com o Diego Gerlach nas ilustra\u00e7\u00f5es?<\/strong><br \/>\nEu j\u00e1 conhecia o trabalho da editora por ter lido o primeiro livro da cole\u00e7\u00e3o, escrito pelo editor e s\u00f3cio da Barbante, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/01\/15\/entrevista-alessandro-andreola-e-os-livros-da-editora-barbante-sobre-o-garoto-enxaqueca-skank-e-odair-jose\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Alessandro Andreola<\/a>, sobre o disco \u201c<a href=\"https:\/\/editorabarbante.com.br\/produtos\/the-war-on-drugs-lost-in-the-dream\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Lost in the Dream<\/a>\u201d, do The War on Drugs. Acho que o Alessandro tamb\u00e9m conhecia meu trabalho como jornalista. Acabamos nos conhecendo pessoalmente em 2023, porque eu ia entrevistar o Adam Granduciel, l\u00edder do The War on Drugs, que veio tocar no Brasil. O Alessandro pediu para eu entregar uma c\u00f3pia do livro pro Adam, o que fiz com o maior prazer. Acabamos assistindo ao show juntos. Tamb\u00e9m trocamos algumas ideias para o livro de entrevistas do Scream &amp; Yell <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/p\/C-VCSJsOkIX\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">que vai sair em breve pela Barbante<\/a>, e que tem um texto meu. H\u00e1 cerca de um ano, ele me mandou uma mensagem do nada, perguntando se eu teria interesse em escrever um livro da cole\u00e7\u00e3o. Na hora confesso que fiquei assustado. Achei que n\u00e3o teria capacidade de assumir um projeto desse porte, mas acabei topando. Depois que decidimos o disco que seria abordado no livro, pensamos em diversos ilustradores, mas concordamos que o Gerlach seria o nome ideal. <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/01\/03\/tres-hqs-musicais-nacionais-alvorada-dos-coracoes-macabros-um-lugar-do-caralho-samba\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Eu j\u00e1 acompanho o trabalho dele<\/a> como quadrinista h\u00e1 algum tempo e achava que o tra\u00e7o dele combinaria perfeitamente com a hist\u00f3ria que quer\u00edamos contar. Gostei muito de \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/01\/03\/tres-hqs-musicais-nacionais-alvorada-dos-coracoes-macabros-um-lugar-do-caralho-samba\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Alvorada dos Cora\u00e7\u00f5es Macabros<\/a>\u201d e ali eu entendi que ele tamb\u00e9m conhecia o universo em que a hist\u00f3ria do Lanegan estava inserida. Fiquei muito feliz e honrado por ele ter topado o convite e mais ainda com o resultado do trabalho, que ficou incr\u00edvel. Tentamos interferir o m\u00ednimo poss\u00edvel nas ilustra\u00e7\u00f5es. Trocamos algumas ideias, mas \u00e9 tudo cria\u00e7\u00e3o dele. At\u00e9 porque n\u00e3o faria sentido chamar um cara com o talento do Gerlach para o trabalho e ficar se intrometendo no processo dele.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-90533 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/lanegan3.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"567\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/lanegan3.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/lanegan3-300x227.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea sente que, com o tempo, o Lanegan passou a ser mais reconhecido fora do universo grunge? Ou ainda existe um desconhecimento sobre a amplitude da obra dele? Como voc\u00ea enxerga esse momento atual de revisitar os legados musicais dos anos 1990 e 2000?<\/strong><br \/>\nO Lanegan sempre foi muito prol\u00edfico, ent\u00e3o eu diria que sim. Deve ter muita gente que nem sabe que ele surgiu na \u00e9poca do grunge, at\u00e9 porque a banda mais popular da qual ele fez parte nem foi o Screaming Trees, e sim o Queens of the Stone Age. A parceria dele com a Isobel Campbell, do Belle &amp; Sebastian, tamb\u00e9m ampliou o p\u00fablico dele. E, por ter uma voz incr\u00edvel, muita gente de diferentes estilos convidou ele pra cantar, desde o Moby at\u00e9 o Slash <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2018\/05\/14\/tres-discos-iguana-garcia-paus-e-dead-combo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">e a banda portuguesa Dead Combo.<\/a> Aqui no Brasil ele criou um p\u00fablico cativo, tendo vindo ao pa\u00eds seis vezes. Algumas pessoas dizem (e eu concordo) que o cen\u00e1rio musical hoje \u00e9 muito diferente de 30 anos atr\u00e1s. Hoje o mercado \u00e9 menos massificado e existem muito mais nichos, o que torna artistas e estilos atemporais, ainda que para grupos menores de pessoas. A minha filha de 14 anos tem amigas da mesma idade que ouvem rock dos anos 90. Ent\u00e3o, eu vejo com muita naturalidade essa coisa de revisitar legados musicais passados. At\u00e9 porque m\u00fasica boa fica pra sempre.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Este \u00e9 o seu primeiro livro. Houve alguma obra brasileira ou internacional que te serviu como refer\u00eancia em termos de estilo, estrutura ou abordagem para escrever? Existe outro projeto em vista, tipo um artista, disco ou per\u00edodo que voc\u00ea gostaria de explorar futuramente?<\/strong><br \/>\nAcho que as principais refer\u00eancias foram <a href=\"https:\/\/editorabarbante.com.br\/musica\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">os pr\u00f3prios livros da Sound+Vision<\/a>, j\u00e1 que a cole\u00e7\u00e3o tem uma estrutura bem espec\u00edfica que os autores devem seguir &#8211; a quantidade de cap\u00edtulos equivale \u00e0 quantidade de faixas do disco em quest\u00e3o, todos os livros s\u00e3o ilustrados etc. Desses, diria que \u201c<a href=\"https:\/\/editorabarbante.com.br\/produtos\/o-evangelho-segundo-odair-censura-igreja-e-o-filho-de-jose-e-maria\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">O Evangelho Segundo Odair<\/a>\u201d, do meu xar\u00e1 <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/author\/leonardo-vinhas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Leonardo Vinhas<\/a>, foi minha principal refer\u00eancia. Mas imagino que o texto transpare\u00e7a outras influ\u00eancias jornal\u00edsticas. Minhas escolas foram a revista Bizz e o pr\u00f3prio Scream &amp; Yell. Tamb\u00e9m sempre gostei de ler biografias de bandas. A minha maior preocupa\u00e7\u00e3o foi tornar o livro compreens\u00edvel para o leitor, j\u00e1 que, com essa estrutura que a cole\u00e7\u00e3o exige, n\u00e3o foi poss\u00edvel apresentar os acontecimentos em ordem cronol\u00f3gica. Mas eu e o Alessandro, editor da obra, nos esfor\u00e7amos bastante para que a leitura flua com naturalidade. Outro desafio importante foi tentar n\u00e3o deixar o livro muito chapa branca. \u00c9 claro que, se eu escolhi escrever sobre esse \u00e1lbum, \u00e9 porque gosto muito dele. Mas tentei ao m\u00e1ximo trazer uma vis\u00e3o cr\u00edtica, sem ficar s\u00f3 elogiando ou puxando o saco. Sobre novos projetos, n\u00e3o tenho nada planejado por enquanto. Antes de decidir escrever sobre o \u201cWhiskey\u201d, eu apresentei outras possibilidades para a editora. Pode ser que alguma delas aconte\u00e7a no futuro. Mas por enquanto vou manter em segredo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para encerrar: qual \u00e9 a sua faixa favorita de &#8220;Whiskey for the Holy Ghost&#8221;. E por qu\u00ea?<\/strong><br \/>\nA\u00ed tu me complica, Lopes\u2026 Eu acho o disco inteiro incr\u00edvel. Mas gosto muito de \u201cBorracho\u201d, tanto pelo instrumental raivoso quanto pela letra dilacerante. Tamb\u00e9m tenho um apre\u00e7o especial por \u201cPendulum\u201d, por ser a \u00fanica faixa do disco que vi o Lanegan apresentar <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/04\/20\/mark-lanegan-ao-vivo-em-sao-paulo-2\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">ao vivo num show dele em S\u00e3o Paulo, em 2012<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Ou\u00e7a o \u00e1lbum de Mark Lanegan na integra abaixo<\/em><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Whiskey For The Holy Ghost\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/videoseries?list=OLAK5uy_mQwjgGxSudTF7WqA2T_YWriBmfa-KalnM\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><em>\u2013 Alexandre Lopes (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/ociocretino\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">@ociocretino<\/a>) \u00e9 jornalista e assina o\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ociocretino.blogspot.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">www.ociocretino.blogspot.com.br<\/a>.\u00a0<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"&#8220;Lanegan sempre foi muito admirado pela voz, mas acho que passei a valorizar ainda mais o trabalho dele como compositor&#8221;, diz Tissot\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/08\/08\/uma-dose-para-o-santo-livro-da-editora-barbante-mergulha-em-disco-classico-de-mark-lanegan-e-voce-pode-ler-um-trecho-gratis\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":101,"featured_media":90531,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[9,3],"tags":[4591,344],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/90530"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/101"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=90530"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/90530\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":90537,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/90530\/revisions\/90537"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/90531"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=90530"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=90530"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=90530"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}