{"id":90492,"date":"2025-08-07T01:41:02","date_gmt":"2025-08-07T04:41:02","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=90492"},"modified":"2025-09-10T09:11:53","modified_gmt":"2025-09-10T12:11:53","slug":"critica-em-a-melhor-mae-do-mundo-anna-muylaert-discuta-questoes-urgentes-mas-arrisca-pouco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/08\/07\/critica-em-a-melhor-mae-do-mundo-anna-muylaert-discuta-questoes-urgentes-mas-arrisca-pouco\/","title":{"rendered":"Cr\u00edtica: Em \u201cA Melhor M\u00e3e do Mundo\u201d, Anna Muylaert discute quest\u00f5es urgentes, mas arrisca pouco"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>texto de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/leandro_luz\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Leandro Luz<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em um <a href=\"https:\/\/youtu.be\/3dyHO5B_u4I\">debate online realizado em setembro de 2020<\/a>, Adirley Queir\u00f3s comenta a respeito da ideia um tanto abstrata de \u201ccinema popular\u201d. Para o diretor de \u201cA Cidade \u00c9 uma S\u00f3?\u201d (2011) e \u201cBranco Sai, Preto Fica\u201d (2014), o popular no cinema n\u00e3o est\u00e1 ligado \u00e0 performance de bilheteria, ao di\u00e1logo com grandes multid\u00f5es a partir da entrada no circuito comercial, nem \u00e0s narrativas que retratam as suas hist\u00f3rias de maneira convencional, com trilha sonora edificante, roteiro \u201cfechadinho\u201d ou demais elementos que proponham uma tradu\u00e7\u00e3o, destinada ao espectador das classes m\u00e9dia e alta, de determinada subjetividade perif\u00e9rica. Para Adirley, a pr\u00e1tica do fazer popular na arte (e aqui podemos expandir do cinema para outras linguagens art\u00edsticas como a m\u00fasica e as artes visuais, por exemplo) est\u00e1 justamente no caminho do risco, do radical, do autoral que se prop\u00f5e, sincronicamente, coletivo. \u00c9 \u201cfazer cinema com os vizinhos\u201d, como ele diz &#8211; ainda que estejamos falando de um cineasta que costuma vaguear pela fic\u00e7\u00e3o especulativa, em imagina\u00e7\u00f5es de futuros tecnol\u00f3gicos n\u00e3o determinados, a partir de seu centro de realidade, a Ceil\u00e2ndia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O novo filme de <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/09\/26\/entrevista-homenageada-na-cinebh-2024-anna-muylaert-diz-que-tem-a-sensacao-de-dever-cumprido\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Anna Muylaert<\/a> pode muito bem ser encarado por muitos como uma tentativa de realizar cinema popular no Brasil em pleno 2025. De maneira semelhante, o seu \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/01\/22\/anos-10-os-melhores-filmes-da-decada\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Que Horas Ela Volta?<\/a>\u201d (2015) tamb\u00e9m foi inserido em discuss\u00f5es como essa h\u00e1 10 anos. Entretanto, a vis\u00e3o apresentada no par\u00e1grafo acima nos ajuda a questionar esse entendimento dominante na cr\u00edtica e na percep\u00e7\u00e3o de um recorte de p\u00fablico que possui as condi\u00e7\u00f5es materiais necess\u00e1rias para frequentar salas de cinema comerciais no pa\u00eds hoje. Bastaria realizar um filme no qual personagens perif\u00e9ricos s\u00e3o representados em suas lutas di\u00e1rias? Seria o suficiente rechear o seu enredo de cenas como a de um churrasco no quintal regado a muito samba e pagode? Ou como a de uma fam\u00edlia que visita pela primeira vez uma ocupa\u00e7\u00e3o de movimentos sociais em luta por moradia? S\u00e3o perguntas que podem ser respondidas tendo como base o pr\u00f3prio filme, cujas fragilidades apontam para uma resigna\u00e7\u00e3o desconfortante que atravessa parte do cinema brasileiro atual.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-90497 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/amelhor4.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/amelhor4.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/amelhor4-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA Melhor M\u00e3e do Mundo\u201d (2025) acompanha objetivamente a sua protagonista, Gal, interpretada por Shirley Cruz, que nos \u00e9 apresentada em close com um corte no superc\u00edlio direito fruto de um evento de viol\u00eancia dom\u00e9stica (n\u00e3o \u00e9 o primeiro e possivelmente n\u00e3o ser\u00e1 o \u00faltimo, logo conclu\u00edmos). Ap\u00f3s a den\u00fancia desconfort\u00e1vel na delegacia, Gal corre para a escola para buscar Rihanna e Benin, seus dois filhos, e se desespera ao descobrir que ambos j\u00e1 foram levados pelo marido Leandro, vivido por Seu Jorge. De antem\u00e3o, sabemos tamb\u00e9m que Gal e Leandro n\u00e3o s\u00e3o casados e que ele n\u00e3o \u00e9 o pai biol\u00f3gico das crian\u00e7as. Muito nos \u00e9 contado nos primeiros quinze minutos de filme, efici\u00eancia narrativa esta caracter\u00edstica de Muylaert, demonstrada em seus mais de 35 anos de carreira no cinema e na televis\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A jornada do filme se estabelece a partir de uma l\u00f3gica muito conhecida do cinema mundial, cujo \u00e1pice midi\u00e1tico talvez seja a representa\u00e7\u00e3o do \u201cmelhor pai do mundo\u201d em \u201cA Vida \u00c9 Bela\u201d, filme italiano de 1997, dirigido e estrelado por Roberto Benigni e vencedor de tr\u00eas Oscars. O paralelo entre Guido e Gal \u00e9 evidente, pois ambos criam um mundo de fantasia para seus filhos diante das situa\u00e7\u00f5es de vulnerabilidade extrema pelas quais est\u00e3o passando. \u00c9 a \u201cternura diante do sofrimento\u201d, como apontou <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/fsp\/mais\/fs21039908.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Contardo Calligaris na Folha de S.Paulo<\/a>, que fazia uma compara\u00e7\u00e3o entre o filme de Benigni e \u201cCentral do Brasil\u201d (Walter Salles, 1998). A cr\u00edtica de Calligaris ao filme italiano se revela bem-vinda ao analisarmos o filme de Muylaert, mas n\u00e3o \u00e9 suficiente para decodificar quest\u00f5es pr\u00f3prias da contemporaneidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A diferen\u00e7a entre os filmes de Benigni e de Muylaert reside no fato de que Gal, ao contr\u00e1rio de Guido, se permite desmoronar diante dos filhos ao final, revelando a farsa da aventura. No entanto, o roteiro assinado pela pr\u00f3pria diretora, com colabora\u00e7\u00e3o de Mariana Jaspe, n\u00e3o permite que o abismo da desesperan\u00e7a cres\u00e7a diante de suas personagens, colocando-as em constante movimento. Essa \u201caventura\u201d, termo usado por Gal para convencer os filhos de que dormir acampados na rua, substituir uma refei\u00e7\u00e3o completa por um pacote de biscoitos e andar quil\u00f4metros na garupa de uma carro\u00e7a n\u00e3o passa de um jogo divertido, \u00e9 a todo momento pontuada por \u00e1reas de escape que estrategicamente surgem para acolher essa fam\u00edlia em plena situa\u00e7\u00e3o de abandono &#8211; pelo Estado ou pelo suposto \u201cchefe da fam\u00edlia\u201d (com muitas aspas, pois \u00e9 evidente que Gal desempenha verdadeiramente esse papel). N\u00e3o \u00e0 toa a diretora lan\u00e7a m\u00e3o do imagin\u00e1rio do parque de divers\u00f5es para ser o ponto de partida desta jornada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s as in\u00fameras voltas na montanha-russa &#8211; uma s\u00f3 vez nunca \u00e9 o suficiente -, o \u201chappy end\u201d de \u201cA Melhor M\u00e3e do Mundo\u201d apenas \u00e9 poss\u00edvel porque existe uma pista que foi plantada anteriormente em um di\u00e1logo entre Gal e Munda, personagem interpretada por Rejane Faria, cuja atua\u00e7\u00e3o incorpora gestos que a tornam quase um or\u00e1culo. O aparecimento de Munda escancara um grande problema no filme de Muylaert: a previsibilidade. Quase todos os eventos do roteiro s\u00e3o previs\u00edveis, desde a maneira como o marido violento aparece em cena, passando pelos conselhos de Munda, at\u00e9 o reaparecimento de um coadjuvante, Reginaldo, que ganha vida com a atua\u00e7\u00e3o de Louren\u00e7o Mutarelli (evento este que, caso fosse mais explorado neste texto, poderia estragar parte da experi\u00eancia do espectador incauto com o filme). O embate entre classes de \u201cQue Horas Ela Volta?\u201d d\u00e1 lugar \u00e0 diferen\u00e7a de g\u00eanero. Sai de cena a dualidade ricos contra pobres e, em seu lugar, observamos uma batalha ferrenha entre homens e mulheres, escancarada por uma esp\u00e9cie de ringue criado pelo filme que coloca as personagens femininas (Gal, Munda, a prima) de um lado e as masculinas (Leandro, Reginaldo, o marido da prima) de outro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em contrapartida, o que n\u00e3o \u00e9 totalmente previs\u00edvel, e que portanto se ergue como a melhor por\u00e7\u00e3o do longa-metragem, reside na desestabiliza\u00e7\u00e3o evocada por Shirley Cruz no momento em que a sua personagem precisa lidar com a dualidade entre o desejo e a raiva. Gal leva uma vida de viol\u00eancia e, mesmo com a coragem necess\u00e1ria para denunciar o seu parceiro, segue apaixonada por ele &#8211; ou pelo menos rendida a determinada ideia de paix\u00e3o, de amor. O toque do celular de Gal \u00e9 onipresente e tem uma dupla fun\u00e7\u00e3o narrativa: ele lembra tanto a Gal quanto a n\u00f3s, espectadores, de que Leandro persiste como uma amea\u00e7a \u00e0 estabilidade daquela fam\u00edlia.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"A MELHOR M\u00c3E DO MUNDO | Trailer Oficial\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/jbezpOggmYs?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O curioso e inesperado est\u00e1 justamente na maneira como Shirley Cruz abra\u00e7a a desestabiliza\u00e7\u00e3o, algo que \u00e9 traduzido de forma intensa na cena do reencontro entre Gal e Leandro. Morando na casa da prima, Gal \u00e9 surpreendida com o reaparecimento do marido e corre, atormentada, para o banheiro. Ao se trancar no c\u00f4modo, ela se deixa seduzir pelo homem: as express\u00f5es dos olhos esbugalhados e da boca quase sempre retesada da atriz em virtude da ansiedade e do medo d\u00e3o lugar a uma voltagem de prazer e dor. Seus movimentos tamb\u00e9m corroboram esse conflito sentimental: ela aproxima o rosto e coloca as duas m\u00e3os espalmadas na porta como se tentasse sentir o cheiro do marido. Tudo em Shirley Cruz, nessa sequ\u00eancia, irradia algo verdadeiramente vivo &#8211; ainda que a dire\u00e7\u00e3o corra o risco de deixar escapar essa vivacidade ao incluir um plano de Gal se maquiando e quase caindo em uma l\u00f3gica digna do termo \u201ccoringada\u201d, algo t\u00edpico de personagens que experienciam conflitos psicol\u00f3gicos e de diretores que tentam representar a perturba\u00e7\u00e3o mental por meio de um filtro mais fantasioso. Felizmente, na cena seguinte, a atriz e a diretora mant\u00eam a interpreta\u00e7\u00e3o de Gal aberta, sem a necessidade de resolver as emo\u00e7\u00f5es da personagem por meio de gestos e palavras reducionistas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA Melhor M\u00e3e do Mundo\u201d passa ao largo de uma experi\u00eancia ousada com a forma f\u00edlmica. Risco e experimenta\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00e3o sin\u00f4nimos de hermetismo. H\u00e1 muita ousadia em narrativas de g\u00eaneros como o horror, a com\u00e9dia e o melodrama, por exemplo, g\u00eaneros de comunica\u00e7\u00e3o muito aberta com o p\u00fablico. Ali\u00e1s, \u00e9 importante lembrar que a pr\u00f3pria diretora j\u00e1 flertou com v\u00e1rios desses g\u00eaneros em alguns de seus trabalhos, sobretudo seu primeiro e melhor longa-metragem, \u201cDurval Discos\u201d (2002). Mesmo com o frustrante <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/09\/26\/entrevista-homenageada-na-cinebh-2024-anna-muylaert-diz-que-tem-a-sensacao-de-dever-cumprido\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\u201cO Clube das Mulheres de Neg\u00f3cios\u201d<\/a> (2024), seu filme imediatamente anterior, era poss\u00edvel enxergar algum tipo de ousadia. Desta vez, ainda que Anna Muylaert discuta quest\u00f5es absolutamente importantes e urgentes, presentes na ordem do dia, o faz se arriscando muito pouco, e isso tem um pre\u00e7o bastante dispendioso para com o cinema.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>Leia mais:<\/strong> <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/08\/07\/cinema-anna-muylaert-investiga-os-meandros-familiares-da-violencia-domestica-em-a-melhor-mae-do-mundo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Anna Muylaert investiga meandros familiares da viol\u00eancia dom\u00e9stica em \u201cA Melhor M\u00e3e do Mundo\u201d<\/a><\/em><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-90496 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/amelhor1-1.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"938\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/amelhor1-1.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/amelhor1-1-240x300.jpg 240w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u2013 Leandro Luz (<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/leandro_luz\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" data-saferedirecturl=\"https:\/\/www.google.com\/url?q=https:\/\/www.instagram.com\/leandro_luz\/&amp;source=gmail&amp;ust=1743510468220000&amp;usg=AOvVaw2y1ecqCW_KBoFqtTKVBQEK\">@leandro_luz<\/a>) pesquisa e escreve sobre cinema. Coordena a \u00e1rea de audiovisual do Sesc RJ, atuando na curadoria, programa\u00e7\u00e3o e gest\u00e3o de projetos em todo o estado do Rio de Janeiro. Exerce atividades de cr\u00edtica no\u00a0<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" data-saferedirecturl=\"https:\/\/www.google.com\/url?q=https:\/\/screamyell.com.br\/site\/&amp;source=gmail&amp;ust=1743510468220000&amp;usg=AOvVaw263alYeTRQy1GYVR0TXsQG\">Scream &amp; Yell<\/a>\u00a0e nos podcasts\u00a0<a href=\"https:\/\/creators.spotify.com\/pod\/show\/tudoebrasil\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" data-saferedirecturl=\"https:\/\/www.google.com\/url?q=https:\/\/creators.spotify.com\/pod\/show\/tudoebrasil&amp;source=gmail&amp;ust=1743510468220000&amp;usg=AOvVaw1BTqnliQ9DvtqDHkpafqt5\">Tudo \u00c9 Brasil<\/a>,\u00a0<a href=\"https:\/\/creators.spotify.com\/pod\/show\/plano-sequencia\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" data-saferedirecturl=\"https:\/\/www.google.com\/url?q=https:\/\/creators.spotify.com\/pod\/show\/plano-sequencia&amp;source=gmail&amp;ust=1743510468220000&amp;usg=AOvVaw3TjpLW5o8SaVAAdNU3jD2Z\">Plano-Sequ\u00eancia<\/a>\u00a0e\u00a0<a href=\"https:\/\/creators.spotify.com\/pod\/show\/1disco1filme-podcast\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" data-saferedirecturl=\"https:\/\/www.google.com\/url?q=https:\/\/creators.spotify.com\/pod\/show\/1disco1filme-podcast&amp;source=gmail&amp;ust=1743510468220000&amp;usg=AOvVaw3DtKMpqv1bp5QVCI6MvWbM\">1 disco, 1 filme<\/a>.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Diretora passa ao largo de uma experi\u00eancia ousada com a forma f\u00edlmica. 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