{"id":9049,"date":"2011-07-05T12:21:24","date_gmt":"2011-07-05T15:21:24","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=9049"},"modified":"2023-03-29T01:18:39","modified_gmt":"2023-03-29T04:18:39","slug":"musica-superguidis-2002-2011","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/07\/05\/musica-superguidis-2002-2011\/","title":{"rendered":"M\u00fasica: Superguidis 2002 &#8211; 2011"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"http:\/\/www.flickr.com\/photos\/maccosta\/2452785201\/sizes\/l\/in\/set-72157605017515797\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-9050\" title=\"superguidis_virada\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/07\/superguidis_virada.jpg\" alt=\"\"><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>por <a href=\"http:\/\/twitter.com\/eduardoapm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Eduardo Martinez<\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA @Superguidis informa que encerra suas atividades, por interesses pessoais que conflitavam com os da banda.\u201d Foi com esse tweet, do dia 23 de junho de 2011, que a Superguidis, uma das melhores bandas de sua gera\u00e7\u00e3o, anunciou o fim dos trabalhos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 2006, a revista Bizz, em uma de suas voltas, dessa vez sob o comando de Ricardo Alexandre, publicou uma esp\u00e9cie de guia intitulado: \u201c13 Nomes Que Realmente Importam No Novo Rock\u201d. Eram 10 internacionais e 3 brasileiros. Dos gringos, o \u00fanico que realmente vingou e se tornou \u201cgrande\u201d foi o Arctic Monkeys. Alguns tiveram seus momentos e continuam na ativa, como Wolfmother, Guillemots, We Are Scientists, Clap Your Hands Say Yeah e Hard-Fi, outros n\u00e3o tiveram muita visibilidade nem na \u00e9poca, como Hal, Los Alamos e Stephen McBean, por exemplo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre os brasileiros, o Moptop foi bastante incensado naquele contexto, mas teve uma incurs\u00e3o n\u00e3o muito bem sucedida no mundo das grandes gravadoras. Com dois discos gravados, continua em atividade. O Supercordas manteve-se no underground e sustenta ainda um grande n\u00famero de admiradores enquanto prepara um aguardado segundo disco. O \u00faltimo nome era de um tal de Superguidis, grupo ga\u00facho de Gua\u00edba\/Porto Alegre.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto da Bizz recomendava as m\u00fasicas \u201cMalevolosidade\u201d e \u201cDiscos Arranhandos\u201d. Na descri\u00e7\u00e3o dizia que o grupo era como uma mistura de Foo Fighters, Guided By Voices e Los Hermanos. Ouvindo \u201cMalevolosidade\u201d e pensando em um misto do lado mais power pop dos barbudos (\u201cCara Estranho\u201d, por exemplo) com alguma guitarreira grudenta de Dave Grohl, at\u00e9 fazia sentido. Bastava, no entanto, ouvir o disco de estreia inteiro para ver que a l\u00edngua falada ali tendia muito mais para o Guided By Voices.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Guitarras hora furiosas, hora dissonantes contornavam letras de tem\u00e1tica adolescente cantadas com tanto potencial mel\u00f3dico que, ainda hoje, s\u00e3o dif\u00edceis de esquecer. Andrio Maquenzi (voz e guitarra), Lucas Pocamacha (guitarra), Diogo Macueidi (baixo) e Marco Pecker (bateria) traziam para l\u00edngua portuguesa, sem perdas no percurso, um universo dos anos 90 povoado por Pavement, o j\u00e1 citado Guided By Voices, Yo La Tengo e outras bandas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As letras do primeiro disco, auto-intitulado, s\u00e3o curtas e tratam de assuntos cotidianos de forma despojada, beirando o cafona: \u201colha o que eu trouxe pra enfeitar \/ maravilhosamente o seu lar\/ paguei baratinho no mercado \/ e to pensando em colocar no quarto ao lado\u201d, cantam em \u201cSpiral Arco-Iris\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No segundo \u00e1lbum, \u201cA Amarga Sinfonia do Superstar\u201d, as guitarras aparecem mais encorpadas e a voz de Andrio potente como nunca. As letras ganham um tom levemente mais s\u00e9rio, o que desagradou uma parte da cr\u00edtica. Disseram que a banda perdeu o frescor do debute e \u201camadureceu\u201d demais. Embora o disco tenha realmente uma atmosfera mais melanc\u00f3lica, n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil encontrar lampejos do despojamento de antes nas letras: \u201cPra n\u00e3o estressar\/ n\u00e3o esbranquecer os cabelos \/ e depender a vida toda de Wellaton\u201d, dia a letra de \u201cApenas Leia\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A m\u00fasica \u201cOs Erros Que Ainda Irei Cometer\u201d traz um verso que simboliza bem a forma como o grupo foi, de fato, amadurecendo, mas sem perder a aura jovial do in\u00edcio: \u201cPelos becos amontoados de sil\u00eancio \/ penso nos dias que ainda tenho pra viver \/ bicicletas aro 15, t\u00eanis com cheiro de chiclete \/ s\u00e3o o bastante pra me lembrar desses anos que voam sem parar\u201d. Coincidentemente, ou n\u00e3o, v\u00e1rias m\u00fasicas do disco resvalam na tem\u00e1tica do passar do tempo, da nostalgia. A festeira \u201cRiffs\u201d, resgatada do in\u00edcio da carreira, surge como faixa escondida e funciona como um \u201cn\u00e3o se desespere, ainda somos os mesmos\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-9052 aligncenter\" title=\"superguidis1\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/07\/superguidis1.jpg\" alt=\"\"><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No terceiro \u00e1lbum, novamente hom\u00f4nimo (mas conhecido por \u201c3\u201d), lan\u00e7ado em 2010, o in\u00edcio com a balada ac\u00fastica \u201cRoger Waters\u201d choca. Mas por pouco tempo. Ap\u00f3s 2 minutos e 11 segundos \u201cN\u00e3o Fosse O Bom Humor\u201d traz possivelmente as guitarras mais altas da carreira dos ga\u00fachos. O contraste das duas primeiras m\u00fasicas dita a t\u00f4nica do disco: guitarras altas e um mergulho ainda mais profundo na melancolia iniciada no trabalho anterior. O que aponta \u201cA Amarga Sinfonia Do Superstar\u201d como um disco de transi\u00e7\u00e3o. Em 2010 a banda se mostra equilibrada, segura de si e, por que n\u00e3o, madura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cVis\u00e3o Al\u00e9m Do Alcance\u201d, \u201cRoger Waters\u201d e \u201cAos Meus Amigos\u201d trazem violinos. \u201cAs Camisetas\u201d come\u00e7a com ritmo truncado e cai no refr\u00e3o que evoca com\u00e9dias rom\u00e2nticas pop: \u201cPor que ser\u00e1 que sempre chove toda vez que algu\u00e9m te abandona?\u201d. \u201cQuando Se \u00c9 Vidra\u00e7a\u201d e \u201cF\u00e3-Clube Adolescente\u201d s\u00e3o mais r\u00e1pidas e agitadas, ou como os pr\u00f3prios guidis definem: s\u00e3o \u201cpau dentro\u201d. \u201cDe Mudan\u00e7a\u201d, do meio em diante, \u00e9 Alice In Chains puro. \u201cCasablanca\u201d retoma o vigor enquanto \u201cNova Completa\u201d traz altas doses de melancolia, mas nada comparado a \u201cO Usual\u201d com seu refr\u00e3o corta-pulso: \u201cDe repente o medo de morrer sozinho me incomoda mais que o usual\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A \u00faltima m\u00fasica do disco, \u201cAos Meus Amigos\u201d, n\u00e3o s\u00f3 resume o \u00e1lbum, mas traz elementos presentes por toda a carreira da banda. Versos que remetem ao primeiro trabalho: \u201cE a simplicidade de quem tem \/ um par de t\u00eanis furado\u201d; a melancolia introduzida em \u201cA Amarga Sinfonia do Superstar\u201d; e a fus\u00e3o entre guitarras e arranjos de cordas do terceiro. Tudo isso sem contar o belo refr\u00e3o, outra marca do grupo. Uma maneira bonita, mesmo que inconsciente, de encerrar as atividades.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Superguidis conseguiu captar como poucos o esp\u00edrito adolescente em tr\u00eas discos. Para alguns, refletiram uma aura j\u00e1 n\u00e3o existente, saudosista. Mas \u00e9 prefer\u00edvel pensar que eles traduziram o sentimento que poderia ser vigente na juventude atual. Um \u00faltimo EP, \u201cEP\u00edlogo\u201d, foi colocado para download gratuito na Trama Virtual com vers\u00f5es demo e ao vivo de faixas que iriam compor um novo lan\u00e7amento do grupo, mas que ficaram pelo caminho atropelados pela incerteza do cen\u00e1rio independente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em entrevista \u00e0 revista Rolling Stone, Andrio Maquenzi disse que a decis\u00e3o pelo fim da banda foi tomada sem atritos. &#8220;Foi tudo muito tranq\u00fcilo. Somos, acima de tudo, brothers, amigos de longa data. O que aconteceu foi que cada um tem outros projetos pessoais e profissionais que estavam conflitando com os da banda\u201d. Disse ainda que ir\u00e1 continuar com projetos musicais de antes como o Medialunas (com Liege Milk, do Loomer e Hangovers) e o Worldengine.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Andrio Maquenzi, Lucas Pocamacha, Diogo Macueidi e Marco Pecker deixam como legado os tr\u00eas \u00f3timos discos, lan\u00e7ados entre 2006 e 2010, e a insatisfa\u00e7\u00e3o em saber que bandas t\u00e3o legais nascem e morrem no underground, tornando-se marcantes para alguns, mas desconhecida para tantos outros. \u00c9 preciso repensar um cen\u00e1rio que n\u00e3o consegue comportar bandas como a Superguidis e tantas outras com enorme potencial para conquistar um grande p\u00fablico, mas que saem de cena sem o merecido sucesso. Se uma banda \u00e9 reconhecidamente boa, lan\u00e7a grandes discos e faz \u00f3timos shows, por que ela n\u00e3o consegue sobreviver fazendo m\u00fasica no Brasil? A culpa \u00e9 do artista ou do cen\u00e1rio? Vale pensar nisso. E ouvir as m\u00fasicas novas da Superguidis. Eles ainda tinham muita lenha pra queimar&#8230;<\/p>\n<p align=\"center\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/4XRUNiKmFKA\"><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/4XRUNiKmFKA\"><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">******<\/p>\n<p>Eduardo Martinez \u00e9 jornalista e assina o blog <a href=\"http:\/\/ailhadosmendigos.blogspot.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">A Ilha dos Mendigos<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><\/span><br \/>\n&#8211; Lucas Pocamacha fala sobre o Terceir\u00e3o ao Scream &amp; Yell, por Janaina Azevedo (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2010\/03\/24\/entrevista-superguidis\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; \u201cA Amarga Sinfonia do Superstar\u201d: poesia juvenil movida a guitarradas, por Mac (<a href=\"..\/2007\/08\/06\/disco-da-semana-a-segunda-vinda-do-superguidis\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; &#8220;Superguidis 3&#8221;: h\u00e1 uma cicatriz na alma do \u00e1lbum que pede aten\u00e7\u00e3o, por Mac (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2010\/03\/24\/entrevista-superguidis\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; \u201cBootleg: Ao Vivo em Brasilia\u201d, Superguidis, por Marcelo Costa (<a href=\"..\/2007\/09\/05\/500-toques-engenheiros-superguidis-e-chico-buarque\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Baixe a discografia da Superguidis, incluindo o EP &#8220;EP\u00edlogo&#8221;, na Trama Virtual (<a href=\"http:\/\/tramavirtual.uol.com.br\/superguidis\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Eduardo Martinez\nEles conseguiram captar como poucos o esp\u00edrito adolescente. 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