{"id":90463,"date":"2025-08-05T11:58:06","date_gmt":"2025-08-05T14:58:06","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=90463"},"modified":"2025-09-09T00:03:05","modified_gmt":"2025-09-09T03:03:05","slug":"faixa-a-faixa-a-jupta-cristaliza-sua-identidade-e-abraca-o-pop-em-ultra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/08\/05\/faixa-a-faixa-a-jupta-cristaliza-sua-identidade-e-abraca-o-pop-em-ultra\/","title":{"rendered":"Faixa a faixa: a Jupta cristaliza sua identidade e abra\u00e7a o pop em \u201cUltra\u201d"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>texto e entrevista por <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/caro.davii\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Davi Caro<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">A palavra \u201cpop\u201d pode ser quase ofensiva para muitas bandas que surgem, diariamente, do underground. N\u00e3o \u00e9 o caso, no entanto, da <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/juptabr\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Jupta<\/a>. O quarteto jundiaiense lan\u00e7ou, no \u00faltimo dia 30 de julho, seu terceiro \u00e1lbum, \u201c<a href=\"https:\/\/onerpm.link\/ultrajupta\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Ultra<\/a>\u201d (2025) \u2013 um trabalho que reafirma a identidade musical do grupo, consolidando a sonoridade explorada nos dois discos anteriores (\u201cUm Pouco de Paz Antes que Tudo Acabe\u201d, de 2018, e \u201cMinha Casa \u00c9 Longe Daqui\u201d, de 2020) e dando uma guinada sonora decidida, madura e bem estruturada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para Mateus Flores (vocais), Marcus Vin\u00edcius (guitarra), Daniel Martinho (baixo e vocais) e Henrique Oliveira (bateria e vocais), essa aproxima\u00e7\u00e3o com timbres e est\u00e9tica mais modernos passa longe de soar deslocada. Pelo contr\u00e1rio: se os dois discos anteriores j\u00e1 sinalizavam o potencial de uma das mais promissoras e interessantes bandas em atividade no momento, \u201cUltra\u201d escancara o talento dos quatro em compor can\u00e7\u00f5es que miram na atemporalidade, ao mesmo tempo em que tocam em elementos e quest\u00f5es atuais mais pertinentes (e intimistas) do que nunca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cEssa \u00e9 a personalidade que n\u00f3s quatro temos, e acho que n\u00e3o vamos ficar tentando nos adaptar a algo completamente falso\u201d, disse Flores <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/07\/31\/entrevista-em-nova-fase-jupta-ve-na-estranheza-sua-principal-virtude\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">na conversa que a Jupta teve com o Scream &amp; Yell<\/a>, no ano passado. E \u201c<a href=\"https:\/\/onerpm.link\/ultrajupta\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Ultra<\/a>\u201d n\u00e3o poderia ser mais fiel a este pensamento. &#8220;Por mais que esse \u00e1lbum seja mais trabalhado, o processo de fazer o disco foi mais livre, mesmo&#8221;, revela Henrique. E foi mais colaborativo, quisemos jogar tudo nas m\u00fasicas. E o disco saiu desse jeito por causa da liberdade que tivemos&#8221;, completa o baterista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O release de \u201c<a href=\"https:\/\/onerpm.link\/ultrajupta\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Ultra<\/a>\u201d afirma que as novas faixas falam sobre transforma\u00e7\u00e3o, intensidade e liberta\u00e7\u00e3o. &#8220;Hoje, mais do que nunca, existe a necessidade de se livrar de todo tipo de preconceito, e do peso que faz parte da rotina de qualquer pessoa&#8221;, pontua Daniel. &#8220;\u00c9 se aceitar como voc\u00ea \u00e9, independente da bandeira que voc\u00ea carrega, e se conhecer&#8221;, diz o baixista. Flores completa: &#8220;\u00c9 sobre se libertar e se aceitar tamb\u00e9m. Se libertar dos medos e seguir em frente&#8221;. Abaixo, o grupo passeou pelo disco novo na \u00edntegra, faixa a faixa. Acompanhe.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Sangue\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/74eB_qCTlzg?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>01) \u201cSangue\u201d &#8211;<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Daniel: Muito desse disco foi composto na casa do Henrique, que mora mais longe. E essa quase n\u00e3o entrou no disco, vale citar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Flores: Sim, ficamos entre \u201cACORDAR\u201d e \u201cSangue\u201d, para come\u00e7ar o disco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Daniel: Isso, e as duas \u201cbrigaram\u201d muito entre si, porque eram muito parecidas, no come\u00e7o. E hoje \u00e9 uma faixa da qual gostamos tanto que, al\u00e9m de termos colocado no in\u00edcio do disco, j\u00e1 experimentamos abrir shows com ela. Achamos que n\u00e3o ia ter muito destaque, e acabou j\u00e1 sendo bem importante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Flores: Eu sempre confiei nela (risos). Realmente trabalhamos ela na casa do Henrique, que j\u00e1 tinha um arranjo de cordas, e eu at\u00e9 j\u00e1 tinha comentado com o Marcus sobre o que eu buscava, esse estilo mais \u201cpalhetado\u201d. N\u00e3o t\u00ednhamos nada assim antes. E at\u00e9 pela tem\u00e1tica, j\u00e1 que \u00e9 uma das poucas letras que j\u00e1 fiz depois de estudar, li livros de poesia para me inspirar, e j\u00e1 sentia que seria uma faixa forte. Por isso pensei nela para a abertura, para come\u00e7ar do jeito certo. Tem uma agressividade, que eu precisava para, como um homem gay, expressar minha incredulidade diante de tantas coisas que acontecem. E em \u201cSangue\u201d eu quis falar tudo direitinho, pra n\u00e3o me arrepender depois (risos). Est\u00e1 no meu Top 3 das m\u00fasicas que j\u00e1 fizemos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Daniel: Ela n\u00e3o tem muita progress\u00e3o mel\u00f3dica, e acabamos ficando felizes do jeito que ela ficou.<\/p>\n<hr \/>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Jupta - Ultravioleta \/ Espiral (Clipe Oficial)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/SQLF3oQWpvo?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>02) \u201cUltravioleta\u201d<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Essa tamb\u00e9m j\u00e1 foi testada ao vivo, e fica a impress\u00e3o de que foi uma das primeiras nesse repert\u00f3rio a ser trabalhada. Essa ideia \u00e9 real?<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Flores: Sim, inclusive o plano de lan\u00e7amento j\u00e1 contava com \u201cUltravioleta\u201d como primeiro single, mesmo antes de come\u00e7armos a gravar. E quer\u00edamos reunir todos os elementos poss\u00edveis para poder resumir o disco. Tem uma atmosfera meio \u201cpunkzinha\u201d nas guitarras, tem o baixo com [o efeito] chorus, tem os sintetizadores&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Daniel: A pr\u00f3pria letra j\u00e1 \u00e9 quase um resumo da trajet\u00f3ria da Jupta at\u00e9 agora, e tem refer\u00eancias a \u201cChuva\u201d (de \u201cUm Pouco de Paz Antes que Tudo Acabe\u201d). At\u00e9 por isso foi pensada em abrir os lan\u00e7amentos, e como uma abertura de portas tanto pra n\u00f3s, para trabalhar o material novo, quanto para o p\u00fablico captar as transforma\u00e7\u00f5es da banda.<\/p>\n<hr \/>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Cansei\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/RPmtejgRdKc?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>03) \u201cCansei\u201d<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Flores: Essa foi o Marcus que trouxe.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Daniel: Acho que era uma esp\u00e9cie de residual que ele tinha dos primeiros anos, por isso o timbre de guitarra. Porque, nas outras m\u00fasicas, todos se esfor\u00e7aram para criar essa nova identidade, mas essa tem essa cara do Marcus, nesse som mais cru. Claro que ela foi trabalhada para entrar no \u201cUltra\u201d, tem os sintetizadores e o jeito que o Flores canta. At\u00e9 na cria\u00e7\u00e3o do baixo, quis seguir aquilo que ele criou, sem variar tanto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Marcus: D\u00e1 pra ver que ela tem muito a cara do primeiro disco, at\u00e9 porque, na \u00e9poca, eu segurava a parte de cordas sozinho. Por isso n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o mel\u00f3dica, e sim mais percussiva. Ela tem uma vibe parecida com \u201cTarja Preta\u201d (do primeiro \u00e1lbum). Mas levamos um tempo para trabalhar ela.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Daniel: A m\u00fasica ficou pronta s\u00f3 na pr\u00e9-produ\u00e7\u00e3o, mesmo. Antes ela era crua at\u00e9 demais, mas, com paci\u00eancia, completamos a faixa.<\/p>\n<hr \/>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Quem Foi?\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/eTErvHFajUU?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>04) \u201cQuem Foi\u201d<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Flores: \u201cQuem Foi\u201d come\u00e7ou com uma \u201cloucurinha\u201d que o Henrique tinha feito, tinha uma letra diferente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Henrique: Mas a \u201calma\u201d dela continuou a mesma. Tiveram coisas que acrescentamos, e outras que complementamos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Daniel: E ela tem um groove diferente. Na \u00e9poca que \u00edamos at\u00e9 a casa do Henrique, ele estava trabalhando bastante no iPad, e tem v\u00e1rias m\u00fasicas nossas que come\u00e7am assim. E ele tomou a dianteira, fez a melodia do refr\u00e3o. E, para fazer os slaps, nem precisei pensar muito, j\u00e1 que a m\u00fasica j\u00e1 pedia aquilo. E, de todas as que est\u00e1vamos feito, essa \u00e9, de longe, a mais diferente. E mesmo sendo muito diferente, acabamos incorporando isso, e acho que as pessoas v\u00e3o conseguir escutar a identidade da Jupta aqui.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Henrique: No come\u00e7o eu achei que era diferente demais do resto das m\u00fasicas. Mas mostrei pros caras e eles disseram \u201cvamos colocar no disco\u201d. At\u00e9 a faixa da bateria \u00e9 a mesma da primeira vers\u00e3o, e s\u00f3 adicionamos uma ou outra coisa. Mas n\u00e3o tinha como trocar, porque sen\u00e3o perderia toda a identidade da m\u00fasica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Essa realmente \u00e9 a faixa mais decididamente pop do repert\u00f3rio. Essa guinada musical, que aparece no resto do disco tamb\u00e9m, foi algo planejado, ou totalmente espont\u00e2neo?<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Flores: Era para ter sido at\u00e9 mais pop (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Daniel: Sim, e mais eletr\u00f4nico. Tentamos colocar o m\u00e1ximo de elementos eletr\u00f4nicos poss\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Marcus: Logo no come\u00e7o, o Flores e eu t\u00ednhamos o plano de fazer o disco todo assim. Mas no final, ele acabou ficando mais \u201croqueiro\u201d do que a gente imaginava. E \u201cQuem Foi\u201d acabou sendo uma das \u00faltimas que finalizamos. T\u00ednhamos a refer\u00eancia do \u00faltimo disco do Nothing But Thieves, uma pegada bem anos 1980. S\u00f3 que n\u00e3o consegu\u00edamos aplicar, e a\u00ed o Henrique chegou meio incerto com a faixa, que era exatamente o que eu precisava. Mas chegamos a ficar duas horas de ensaio s\u00f3 trabalhando ela, at\u00e9 que o Chapola (produtor) chegou com algumas ideias de varia\u00e7\u00f5es, e passamos mais um tempo mexendo na estrutura. E o Flores teve v\u00e1rios insights bons.<\/p>\n<hr \/>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Lapso\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Hw4LhVues18?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>05) \u201cLapso\u201d<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Essa \u00e9 a primeira vez que escutamos os vocais filtrados de uma forma mais distorcida, mais d\u00fabia. Flores, como foi para voc\u00ea experimentar com esses tipos de ideias?<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Flores: Eu adoro. Assim, depende da m\u00fasica. Eu sou muito chato com minha voz, mas pensei que \u201cLapso\u201d tinha que ser uma coisa mais \u201cpodreira\u201d, mesmo. N\u00e3o acho que sou um bom cantor, e penso que conto hist\u00f3rias mais do que canto. Mas aqui eu queria ter um pouco mais de drive. E nessa tem aquela raiva, um \u00f3dio sendo resolvido. Falando sobre o disco como um todo, ela \u00e9 tipo um cl\u00edmax, um momento de destrui\u00e7\u00e3o. Por isso tem uma sonoridade quase industrial, com o breakdown, e toda aquela sujeira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Daniel: Essa n\u00e3o foi t\u00e3o pensada. Ela nasceu do que faz\u00edamos nos intervalos entre uma m\u00fasica e outra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Marcus: Sim, foi at\u00e9 em um final de ensaio de pr\u00e9-produ\u00e7\u00e3o, veio a ideia do riff e liguei todos os pedais. Gostamos do efeito, e a\u00ed gravamos s\u00f3 aquela parte, na \u00e9poca. No come\u00e7o n\u00e3o gostei muito, achei muito simples e tal. Mas o Daniel veio e complementou a melodia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Flores: At\u00e9 o solo j\u00e1 saiu nesse primeiro ensaio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Henrique: Sempre pensamos em adicionar coisas novas. J\u00e1 est\u00e1vamos mexendo com o som do piano, os efeitos de teclados, a bateria eletr\u00f4nica: tudo descoordenado, mas j\u00e1 gravavamos. Ela teve nome mesmo antes de estar pronta (risos).<\/p>\n<hr \/>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"ACORDAR\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/9NV41ejVV2E?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>06) \u201cACORDAR\u201d<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Daniel: Ela vem do mesma \u00e9poca em que fizemos \u201cSangue\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Flores: \u201cACORDAR\u201d \u00e9 como se fosse minha filha. Pela primeira vez na Jupta eu trabalhei uma faixa al\u00e9m da letra, sabe? Foi uma ideia que eu tive, depois de um dia em que eu simplesmente acordei inspirado, peguei o teclado e fiz. J\u00e1 t\u00ednhamos a ideia de que seria um disco mais pop, da\u00ed fomos ensaiar e levamos ela.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Marcus: Ela \u00e9 de antes da pr\u00e9-produ\u00e7\u00e3o. Na verdade, \u00e9 uma das que finalizamos antes da pr\u00e9 com o Chapola. O Flores tinha todos os versos e n\u00e3o tinha refr\u00e3o, a\u00ed fiquei com a miss\u00e3o de fazer os refr\u00e3os.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Daniel: Falando da m\u00fasica em si, ela ficou do jeito que o Flores trouxe, sem nenhuma altera\u00e7\u00e3o. At\u00e9 na pr\u00f3pria atmosfera dela.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Flores: O Chapola deu uns toques em algumas linhas que eu fiz. \u00c9 legal, porque realmente se encaixa no conceito do disco: se \u201cLapso\u201d veio pra destruir, um momento de revolta, acabar com pessoas t\u00f3xicas, \u201cACORDAR\u201d \u00e9 uma m\u00fasica na qual a gente se olha, se pega pela m\u00e3o e diz, \u201cvamos seguir.\u201d Ela segue como que a mesma linha de \u201cUltravioleta\u201d, \u00e9 tipo um salmo (risos). \u00c9 um lembrete do que n\u00f3s somos e do que queremos ser.<\/p>\n<hr \/>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Jupta - Seu Cheiro (Clipe Oficial)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/k_BENjmPXWQ?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>07) \u201cSeu Cheiro\u201d<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Henrique: \u201cSeu Cheiro\u201d \u00e9 uma m\u00fasica bem pessoal, mesmo. Talvez seja t\u00e3o pessoal que ela at\u00e9 mudou. At\u00e9 o nome da cidade onde eu moro estava na letra (risos) e acabamos mudando.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Flores: Eu queria manter o nome na letra (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Daniel: Foi o Henrique que come\u00e7ou a compor a faixa, e por isso \u00e9 t\u00e3o pessoal. Tanto que, na minha concep\u00e7\u00e3o, isso \u00e9 o mais interessante sobre ela: \u00e9 o produto de um cora\u00e7\u00e3o romantizado, n\u00e3o foi algo que fizemos juntos. \u00c9 uma m\u00fasica criada por um cara apaixonado, e abrimos todo o espa\u00e7o para que o Henrique se destacasse mais no refr\u00e3o. \u00c9 ele que conduz, porque simboliza o que ele quis dizer. Ent\u00e3o tem toda uma verdade rom\u00e2ntica por tr\u00e1s dela.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Marcus: Tanto que toda a melodia, os refr\u00e3os, tudo veio dele. S\u00f3 estruturamos, e fomos mexendo nela ao ponto de termos que pedir pro Chapola refazer algumas partes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Henrique: N\u00f3s t\u00ednhamos prazo. Faltava uma m\u00fasica para fechar o \u00e1lbum, a\u00ed ela apareceu. Tinham duas m\u00fasicas do Flores, que precisavam de mais trabalho. Mas fui testar um equipamento em casa, sozinho, e todas as partes da m\u00fasica vieram sozinhas. J\u00e1 tinha falado para a minha namorada que queria fazer uma m\u00fasica para ela, ent\u00e3o j\u00e1 tinha alguns versos que guardei pra mim, mas j\u00e1 estava praticamente completa. A\u00ed guardei, e pensei \u201cacho que n\u00e3o vai com a cara da Jupta. Apesar de ter um refr\u00e3o bem chiclete. At\u00e9 bati o carro por causa dela: estava escutando enquanto dirigia e fiquei impressionado. Foi a\u00ed que resolvi mostrar pra banda, afinal a m\u00fasica quase me custou um parachoque (risos). Mostrei primeiro pro Flores, e a rea\u00e7\u00e3o dele foi a melhor poss\u00edvel. A\u00ed mostrei pros outros.<\/p>\n<hr \/>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Meu Lugar\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/TFq9GAfHNao?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>08) \u201cMeu Lugar\u201d<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Flores: Al\u00e9m de ser a mais curta do \u00e1lbum, tamb\u00e9m foi a mais r\u00e1pida de se fazer. No final de um ensaio da pr\u00e9, quando o Marcus come\u00e7ou a improvisar, eu lembrei de um verso que tinha no celular e pensamos \u201cvamos tentar?\u201d. No dia seguinte sentei na frente do computador para tentar fazer uma letra, e ela ficou pronta super r\u00e1pido, quase psicografada. Ela \u00e9 como a irm\u00e3 mais nova de \u201cUltravioleta\u201d; na hora de fazer o setlist, temos at\u00e9 que pensar em uma dist\u00e2ncia entre uma e outra (risos). Mas essa similaridade \u00e9 totalmente espont\u00e2nea.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Marcus: As duas tem algumas semelhan\u00e7as musicais, mesmo. Falando de ritmo e melodia, s\u00e3o mais voltadas para o punk e para o p\u00f3s-punk. Eu estava na vibe de escutar o Bad Nerves, que \u00e9 uma banda muito legal, e tamb\u00e9m tem algumas coisas a ver com The Hives, o pessoal com um som bem \u201cguitarrado\u201d. N\u00e3o sabia se cabia no repert\u00f3rio, mas o Flores insistiu que cabia. At\u00e9 por isso, ela \u00e9 mais crua, tem menos presen\u00e7a de sintetizadores. Eu penso nela como uma irm\u00e3 mais nova de \u201cHelena\u201d, do primeiro disco, bem r\u00e1pida, e bem certeira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Daniel: Ela e \u201cCansei\u201d s\u00e3o realmente mais parecidas com os trabalhos anteriores. Tem aquela coisa das palhetadas r\u00e1pidas, umas entradas inesperadas&#8230; acho que at\u00e9 o acorde \u00e9 o mesmo de \u201cHelena\u201d, \u00e9 quase uma vers\u00e3o 2.0.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Marcus: E ela tamb\u00e9m tem um synth que o Matheus trouxe, me lembrou um pouco do Turnstile. Sem querer comparar, mas uma galera que curte, e for escutar, vai pensar \u201cah, faz sentido!\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Flores: E eu adoro que voc\u00eas falam do Turnstile quando o objetivo era Legi\u00e3o Urbana (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Daniel: E \u00e9 uma m\u00fasica bem pessoal para o Flores. Inclusive no show ele faz quest\u00e3o de comentar sobre isso, por causa da tem\u00e1tica. Tem muito a ver com a quest\u00e3o de pais ausentes, e acho que \u00e9 porque saiu t\u00e3o f\u00e1cil para ele. E muita gente pode se identificar com ela, ou mesmo ressignificar a ideia da m\u00fasica. Ela \u00e9 r\u00e1pida e objetiva, mas tamb\u00e9m sentimental.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Flores: E pra mim serviu como uma cura, inclusive. Eu estava muito chateado, e assim que terminei me senti mais leve. \u00c9 disso que a letra fala: minha consci\u00eancia est\u00e1 tranquila, mesmo que ela n\u00e3o tenha resolvido minhas quest\u00f5es. Inclusive, minhas pr\u00f3prias rela\u00e7\u00f5es s\u00e3o mais leves depois de ter feito essa letra. Ent\u00e3o ela \u00e9 realmente sobre cura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Henrique: E al\u00e9m de tudo \u00e9 uma m\u00fasica bastante animada.<\/p>\n<hr \/>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"ESPIRAL\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/tbVJhysP7c8?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>09) \u201cEspiral\u201d<\/strong><br \/>\n<em>\u00c9 interessante perceber que a faixa mais curta do disco \u00e9 seguida pela mais longa. Al\u00e9m da dura\u00e7\u00e3o, o que tamb\u00e9m surpreende \u00e9 perceber que \u201cEspiral\u201d seja, talvez, o mais pr\u00f3ximo que a Jupta j\u00e1 chegou de um som mais voltado para o prog. E parte disso pode ter a ver com a percep\u00e7\u00e3o de que a m\u00fasica foi a somat\u00f3ria de v\u00e1rias outras ideias muito diferentes, e depois mescladas. Voc\u00eas concordam?<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Flores: Ela foi uma das primeiras a serem pensadas, mesmo antes de o Marcus voltar para a banda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Daniel: Tudo come\u00e7ou na \u00e9poca do \u201cMinha Casa \u00c9 Longe Daqui\u201d, n\u00f3s ainda est\u00e1vamos nos conhecendo, aprendendo a trabalhar naquela combina\u00e7\u00e3o bateria-baixo-vocais, e veio bem no in\u00edcio. Eu tinha acabado de come\u00e7ar a usar um pedal de phaser, deu para experimentar bastante com levadas diferentes. Talvez por isso ela seja mais prog, porque partiu de uma coisa bem experimental, e o Marcus voltou no meio do processo. Por isso, at\u00e9 na pr\u00f3pria m\u00fasica, a guitarra vai aparecendo aos poucos. Por isso acho que, junto com \u201cQuem Foi\u201d, ela destoa um pouco do resto do repert\u00f3rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Flores: \u201cEspiral\u201d inicialmente n\u00e3o fecharia o disco, t\u00ednhamos pensado em encerrar com \u201cACORDAR\u201d. Precisamos ouvir muito e entender cada m\u00fasica. Eu sou muito pirado com esse neg\u00f3cio de ordem das m\u00fasicas. Pra mim, \u00e9 quase uma religi\u00e3o. E isso foi acertado, porque \u201cEspiral\u201d \u00e9 uma ode ao tempo, e fala sobre perdoar. Isso \u00e9 importante para o conceito de liberta\u00e7\u00e3o, \u00e9 preciso perdoar. Por isso escolhemos ela para fechar. Ali\u00e1s, o refr\u00e3o veio de um trecho de \u201cDe Sa\u00edda\u201d (de \u201cMinha Casa \u00c9 Longe Daqui\u201d), a faixa que us\u00e1vamos para encerrar os shows da turn\u00ea anterior. Ent\u00e3o tamb\u00e9m tem um easter egg ali. Tanto musical quanto conceitualmente, \u00e9 uma m\u00fasica bem completa, e por isso precisamos trabalhar bastante com ela.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-90464 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/jupta2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"711\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/jupta2.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/jupta2-300x284.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p><em><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=4cfQaQO-YD4\">\u2013\u00a0Davi Caro\u00a0\u00e9 professor,<\/a>\u00a0tradutor, m\u00fasico, escritor e estudante de Jornalismo. Leia mais textos dele\u00a0<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/author\/davi-caro\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O release de \u201cUltra\u201d afirma que as novas faixas falam sobre transforma\u00e7\u00e3o, intensidade e liberta\u00e7\u00e3o. &#8220;\u00c9 sobre se libertar e se aceitar tamb\u00e9m. Se libertar dos medos e seguir em frente&#8221;.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/08\/05\/faixa-a-faixa-a-jupta-cristaliza-sua-identidade-e-abraca-o-pop-em-ultra\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":134,"featured_media":90465,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[7302],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/90463"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/134"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=90463"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/90463\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":90468,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/90463\/revisions\/90468"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/90465"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=90463"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=90463"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=90463"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}