{"id":90294,"date":"2025-07-18T22:12:19","date_gmt":"2025-07-19T01:12:19","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=90294"},"modified":"2025-11-09T23:24:38","modified_gmt":"2025-11-10T02:24:38","slug":"the-inspector-cluzo-lanca-10-disco-less-is-more-e-desabafa-o-mercado-da-musica-nao-esta-nem-ai-pra-crise-climatica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/07\/18\/the-inspector-cluzo-lanca-10-disco-less-is-more-e-desabafa-o-mercado-da-musica-nao-esta-nem-ai-pra-crise-climatica\/","title":{"rendered":"The Inspector Cluzo lan\u00e7a 10\u00b0 disco, \u201cLess is More\u201d, e critica: &#8220;O mercado da m\u00fasica n\u00e3o est\u00e1 nem a\u00ed pra crise clim\u00e1tica&#8221;"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista de\u00a0<a href=\"https:\/\/twitter.com\/ociocretino\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Alexandre Lopes<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cVamos simplificar tudo \/ Pra todo mundo entender\u2026 certo? \/ Tentando fazer o mais est\u00fapido poss\u00edvel\u201d. A cr\u00edtica afiada \u00e0 sociedade do espet\u00e1culo abre caminho para o d\u00e9cimo \u00e1lbum da banda francesa <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/theinspectorcluzo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">The Inspector Cluzo<\/a>, lan\u00e7ado em junho de 2025. Intitulado \u201c<a href=\"https:\/\/theinspectorcluzo.lnk.to\/Physical\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Less is More<\/a>\u201d, o trabalho marca mais um cap\u00edtulo na trajet\u00f3ria da dupla formada por Laurent Lacrouts (guitarra, vocais) e Mathieu Jourdain (bateria, vocais), dois m\u00fasicos que dividem a vida entre os palcos e a rotina di\u00e1ria em sua fazenda org\u00e2nica no cora\u00e7\u00e3o da Gasconha, no sudoeste da Fran\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Gravado ao vivo em apenas quatro dias no est\u00fadio de Vance Powell, em Nashville\/EUA (o mesmo produtor do trabalho anterior e conhecido por colabora\u00e7\u00f5es com Jack White, Clutch, Buddy Guy, Willie Nelson, entre outros), o disco pretende refletir a energia de suas apresenta\u00e7\u00f5es, sem uso de artif\u00edcios. \u201cQuer\u00edamos soar o mais pr\u00f3ximo poss\u00edvel dos nossos shows ao vivo, mas sem fazer um \u00e1lbum ao vivo em est\u00fadio\u201d, explica Laurent. \u201cEscrevemos as m\u00fasicas no viol\u00e3o, bem ao estilo antigo, sabe? Porque \u00e9 assim que trabalhamos: se a m\u00fasica funciona bem sozinha, s\u00f3 com letra e viol\u00e3o, a\u00ed sim come\u00e7amos a adicionar os outros elementos, fazer barulho mesmo\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O conceito de \u201c<a href=\"https:\/\/theinspectorcluzo.lnk.to\/Physical\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Less is More<\/a>\u201d vai al\u00e9m do som: \u00e9 uma filosofia de vida, sustentada tanto na musicalidade do blues quanto na pr\u00e1tica cotidiana dos m\u00fasicos em sua fazenda, Lou Casse. L\u00e1, desde 2013, os dois produzem seu pr\u00f3prio alimento, cultivam sementes, criam animais e vivem sem depender de grandes estruturas capitalistas. \u201cEst\u00e1 ligado \u00e0 ideia de p\u00f3s-crescimento (post-growth). Vivemos na fazenda, somos autossuficientes. N\u00f3s mesmos financiamos a nossa m\u00fasica, fazemos tudo por aqui\u201d, diz Mathieu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O \u00e1lbum tamb\u00e9m \u00e9 carregado de refer\u00eancias filos\u00f3ficas. A dupla se inspirou em Henry David Thoreau, autor do livro \u201cWalden\u201d (1854), e em Guy Debord, pensador franc\u00eas que cunhou o conceito de \u201csociedade do espet\u00e1culo\u201d (1967). A faixa \u201cAs Stupid As You Can\u201d, carro-chefe do disco, traduz essa cr\u00edtica \u00e0 l\u00f3gica dominante: \u201cComo uma sociedade materialista e consumista pode acabar levando a uma sociedade invertida, onde a verdade se torna apenas um breve momento dentro da mentira. E \u00e9 exatamente essa a sociedade em que vivemos hoje\u201d, reflete Mathieu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mesmo vivendo uma rotina rural, The Inspector Cluzo procura manter uma presen\u00e7a global: o lan\u00e7amento de \u201cLess is More\u201d d\u00e1 continuidade a um ciclo de dois anos que a dupla alterna turn\u00eas extensas e temporadas na fazenda. A banda tem vontade de retornar \u00e0 Am\u00e9rica do Sul em 2026, incluindo o Brasil, onde tocaram no Lollapalooza em 2019 e <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/04\/12\/entrevista-the-inspector-cluzo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">deram sua primeira entrevista ao Scream &amp; Yell<\/a>. \u201cFoi incr\u00edvel! Teve uma tempestade antes do nosso show, e depois a gente entrou no palco. A\u00ed, depois de n\u00f3s, o Twenty One Pilots foi tocar com um carro no palco! Sinceramente, a gente ficou tipo: \u2018Mas que porra \u00e9 esse carro?\u2019 (risos)\u201d, lembra Laurent. \u201cVendemos nosso merchandising direto na grade, ali com o p\u00fablico. Foi muito legal!\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Totalmente independentes, os franceses mant\u00eam uma postura cr\u00edtica sobre o mercado musical atual, especialmente quanto \u00e0s redes sociais e ao modelo de turn\u00eas excessivamente inflado. \u201cO problema \u00e9 que o mercado da m\u00fasica virou uma mega ind\u00fastria que n\u00e3o est\u00e1 nem a\u00ed pra crise clim\u00e1tica. Finge que se importa, faz um greenwashing no palco do tipo: \u2018Ei, n\u00e3o comam carne!\u2019, mas a\u00ed est\u00e3o fazendo streaming em massa, viajando em \u00f4nibus gigantes com ar-condicionado e tudo mais\u201d, afirma Laurent. \u201cSe voc\u00ea realmente quer fazer algo, venha pra fazenda com a gente, plantar uns legumes\u201d, desafia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A rela\u00e7\u00e3o com as plataformas digitais, embora cautelosa, \u00e9 estrat\u00e9gica: \u201cTemos s\u00f3 <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/ticluzo\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Facebook<\/a> e <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/theinspectorcluzo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Instagram<\/a>, e nada al\u00e9m disso porque j\u00e1 \u00e9 suficiente para n\u00f3s. Usamos apenas para informar, divulgar, avisar alguma coisa. N\u00e3o usamos pra gerar buzz, nem criar conte\u00fado s\u00f3 por criar\u201d, explica Laurent. O verdadeiro centro de opera\u00e7\u00f5es <a href=\"https:\/\/theinspectorcluzo.com\/en\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\u00e9 o site da banda<\/a>, que concentra todas as informa\u00e7\u00f5es, discos, merchandising e uma newsletter com 20 mil inscritos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sendo uma banda que prega a autossufici\u00eancia, o novo \u00e1lbum \u00e9 uma extens\u00e3o desse pensamento, com a Inspector Cluzo fazendo um convite provocador \u00e0 simplicidade como meio de vida. E ao que tudo indica, esse \u00e9 s\u00f3 o come\u00e7o de mais uma pr\u00f3xima colheita em poss\u00edveis palcos brasileiros. \u201cEstamos muito ansiosos pra voltar. Estamos em contato e tentando voltar pro Brasil, Argentina, pra outros lugares tamb\u00e9m. Espalhem a palavra, falem sobre isso, porque isso nos ajuda bastante!\u201d, pede Laurent. Enquanto a banda n\u00e3o passa novamente aqui, leia o papo que o Scream &amp; Yell teve com o duo via zoom.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Ou\u00e7a o novo \u00e1lbum na integra abaixo<\/em><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"LESS IS MORE\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/videoseries?list=OLAK5uy_nTyow8knAnLa_AWQU_jfXgG5PBWF2z2N0\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>J\u00e1 faz algum tempo desde o \u00faltimo lan\u00e7amento de voc\u00eas, em 2023. Eu sei que voc\u00eas t\u00eam a fazenda para cuidar e isso toma bastante tempo. Mas voc\u00eas poderiam explicar o que t\u00eam feito desde o \u00faltimo lan\u00e7amento?<\/strong><br \/>\nLaurent Lacrouts: Bem, a gente faz muitas turn\u00eas. Cada lan\u00e7amento acontece a cada dois anos e, como voc\u00ea disse, temos uma fazenda tamb\u00e9m. Ent\u00e3o, nesse meio tempo, fazemos uma longa turn\u00ea, depois paramos, depois mais uma longa turn\u00ea, e assim por diante. Sempre seguimos esse ciclo de dois anos, porque leva tempo para ir aos Estados Unidos, Canad\u00e1, Jap\u00e3o, Austr\u00e1lia, fazer a Europa toda&#8230; tudo isso leva tempo. E no pr\u00f3ximo ano, estamos planejando visitar o Brasil, esperamos que aconte\u00e7a! Faremos uma turn\u00ea longa at\u00e9 o Natal, depois voltamos para a fazenda por um tempo, e talvez fa\u00e7amos algo pela Am\u00e9rica do Sul e outros lugares. \u00c9 isso que tem acontecido nesse meio tempo, sempre.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Esse \u00e9 o d\u00e9cimo \u00e1lbum da banda. O que voc\u00eas acham que fizeram de diferente neste \u00e1lbum?<\/strong><br \/>\nLaurent Lacrouts: Bom, a ideia era soar o mais pr\u00f3ximo poss\u00edvel dos nossos shows, mas sem fazer um \u00e1lbum ao vivo em est\u00fadio, o que sempre \u00e9 complicado. Ent\u00e3o, decidimos fazer este disco bem pr\u00f3ximo disso. Passamos dois anos nos preparando. Escrevemos as m\u00fasicas no viol\u00e3o, bem ao estilo antigo, sabe? Porque \u00e9 assim que trabalhamos: se a m\u00fasica funciona bem sozinha, s\u00f3 com letra e viol\u00e3o, a\u00ed sim come\u00e7amos a adicionar os outros elementos, fazer barulho mesmo. Ent\u00e3o a gente se preparou bastante. Seguimos um processo parecido com o do Nirvana, Pearl Jam ou de outras bandas dos anos 90, que tocavam suas m\u00fasicas centenas de vezes ao vivo antes de entrar no est\u00fadio. Quer\u00edamos capturar esse tipo de energia, esse momento. E foi isso que fizemos. Gravamos tudo ao vivo em apenas quatro dias, sem metr\u00f4nomo, nada, porque j\u00e1 est\u00e1vamos bem preparados. E o Vance Powell fez a mixagem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ah, ent\u00e3o voc\u00eas gravaram guitarra e bateria na fazenda ou foi em outro lugar?<\/strong><br \/>\nLaurent Lacrouts: Gravamos em Nashville, com o produtor Vance Powell, que trabalhou com discos do Jack White e do Clutch.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ah, o mesmo produtor do \u00faltimo \u00e1lbum, certo?<\/strong><br \/>\nLaurent Lacrouts: Exatamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sei que pode parecer uma pergunta \u00f3bvia, por causa da hist\u00f3ria da banda, mas qual \u00e9 o conceito por tr\u00e1s do t\u00edtulo do \u00e1lbum?<\/strong><br \/>\nMathieu Jourdain: Bem, o conceito de &#8220;Less is More&#8221; (menos \u00e9 mais) vem obviamente do blues; com poucas notas, voc\u00ea consegue expressar uma m\u00fasica inteira. Mas &#8220;Less is More&#8221; tamb\u00e9m se aplica a n\u00f3s mesmos, aqui na fazenda. Est\u00e1 ligado \u00e0 ideia de p\u00f3s-crescimento. Vivemos na fazenda, somos autossuficientes. N\u00f3s mesmos financiamos a nossa m\u00fasica, fazemos tudo por aqui. Ent\u00e3o, esse \u00e1lbum fala exatamente sobre isso. E, ao longo das m\u00fasicas, d\u00e1 pra perceber essa dire\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m fomos inspirados por dois fil\u00f3sofos: Henry David Thoreau e Guy Debord. O Thoreau foi um dos primeiros ecologistas, no s\u00e9culo XIX. Ele se isolou numa floresta, viveu por um tempo l\u00e1 e depois escreveu o livro \u201cWalden\u201d, onde criticava a sociedade de consumo daquela \u00e9poca. Ele tamb\u00e9m escreveu \u201cDesobedi\u00eancia Civil\u201d, que nos inspirou muito \u2014 especialmente a ideia de que, quando uma regra n\u00e3o \u00e9 justa, \u00e9 necess\u00e1rio desobedecer. Esse pensamento tamb\u00e9m influenciou Gandhi e Martin Luther King. Foi isso que nos inspirou, por exemplo, na m\u00fasica \u201cRules\u201d. J\u00e1 o Guy Debord escreveu um livro chamado \u201cLa Soci\u00e9t\u00e9 du Spectacle\u201d [A Sociedade do Espet\u00e1culo], publicado em 1967, pouco antes dos famosos protestos de 1968 na Fran\u00e7a. Ele demonstrava como levar a sociedade de consumo ao extremo, usando t\u00e9cnicas como a manipula\u00e7\u00e3o narrativa, a mentira, etc, levaria a uma sociedade invertida, onde a verdade se tornaria apenas um breve momento dentro da falsidade. Tudo isso nos inspirou muito nas m\u00fasicas deste \u00e1lbum.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"THE INSPECTOR CLUZO - AS STUPID AS YOU CAN\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/pDdlm1YZp0Y?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c9 engra\u00e7ado e meio tr\u00e1gico, porque essas ideias v\u00eam de muito tempo atr\u00e1s, e agora estamos vivendo exatamente o exagero de tudo isso. Eu ouvi o \u00e1lbum e, pelo que consegui captar das letras, h\u00e1 uma cr\u00edtica clara \u00e0s redes sociais e \u00e0 m\u00eddia, certo? Especialmente no single &#8220;As Stupid As You Can&#8221;. Gostaria que voc\u00ea falasse um pouco mais sobre isso.<\/strong><br \/>\nLaurent Lacrouts: \u201cAs Stupid As You Can\u201d \u00e9 uma refer\u00eancia direta ao livro de Guy Debord que o Mathieu citou e fala justamente sobre isso: como uma sociedade materialista e consumista pode acabar levando a uma sociedade invertida, onde a verdade se torna apenas um breve momento dentro da mentira. E \u00e9 exatamente essa a sociedade em que vivemos hoje. Atualmente, n\u00e3o conseguimos mais distinguir o que \u00e9 verdadeiro do que \u00e9 falso. Isso \u00e9 consequ\u00eancia do excesso, seja de consumo, de informa\u00e7\u00e3o, de m\u00eddia, de tudo. A gente n\u00e3o usou o t\u00edtulo \u201cLa Soci\u00e9t\u00e9 du Spectacle\u201d diretamente, mas escolhemos essa express\u00e3o americana, \u201cAs Stupid As You Can\u201d, para que as pessoas entendessem melhor. Mas sim, a m\u00fasica \u00e9 uma cr\u00edtica direta baseada nas ideias desse livro e desse pensamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>H\u00e1 muitas cr\u00edticas \u00e0s redes sociais, mas sendo uma banda independente, como \u00e9 para voc\u00eas ter que us\u00e1-las para expandir o trabalho e alcan\u00e7ar outras pessoas?<\/strong><br \/>\nLaurent Lacrouts: \u00c9 a mesma quest\u00e3o que a gente tem com o streaming. N\u00e3o temos problema nenhum com isso, desde que o streaming ou as redes sociais continuem sendo s\u00f3 uma ferramenta. S\u00f3 isso: uma ferramenta, n\u00e3o um mundo inteiro. O streaming n\u00e3o pode ser a totalidade do universo da m\u00fasica, porque ele \u00e9 gratuito, n\u00e3o nos paga e ainda polui pra caramba. J\u00e1 o formato f\u00edsico &#8211; CDs, LPs, vinis &#8211; isso sim nos paga, e voc\u00ea guarda um vinil pra vida toda. \u00c9 diferente. Por outro lado, as redes sociais tamb\u00e9m podem ser interessantes como ferramenta. O streaming \u00e9 legal, por exemplo, pra descobrir bandas. Mas descobrir de verdade significa: voc\u00ea ouve, vai a um show, compra ingresso, compra um CD, apoia a banda. A\u00ed sim \u00e9 legal. E com as redes sociais \u00e9 a mesma coisa pra gente. Temos s\u00f3 Facebook e Instagram, e nada al\u00e9m disso porque j\u00e1 \u00e9 suficiente para n\u00f3s. Usamos apenas para informar, divulgar, avisar alguma coisa. N\u00e3o usamos pra gerar buzz, nem criar conte\u00fado s\u00f3 por criar. Pra n\u00f3s, o mais importante continua sendo nosso site: <a href=\"https:\/\/theinspectorcluzo.com\/en\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">theinspectorcluzo.com<\/a>. Esse \u00e9 o nosso ref\u00fagio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O site de voc\u00eas \u00e9 super completo. Acabei de dar uma olhada e tem tudo l\u00e1!<\/strong><br \/>\nLaurent Lacrouts: Ah, obrigado! Sim, \u00e9 justamente por isso que todo mundo acaba indo at\u00e9 l\u00e1. As redes sociais servem s\u00f3 pra isso: ajudar a levar as pessoas at\u00e9 o site. Temos uma newsletter com 20 mil inscritos, e o p\u00fablico acompanha por l\u00e1, etc. Constru\u00edmos isso passo a passo, ao longo do tempo. Ent\u00e3o, a gente n\u00e3o tem problema com as ferramentas em si. O problema \u00e9 a import\u00e2ncia que elas acabaram ganhando.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Entendi. Ent\u00e3o, depois da pandemia, muitos artistas que vivem de turn\u00eas t\u00eam enfrentado dificuldades por causa dos altos custos. Como voc\u00eas tamb\u00e9m s\u00e3o uma banda independente, como isso tem sido pra voc\u00eas? Est\u00e1 dif\u00edcil agora?<\/strong><br \/>\nLaurent Lacrouts: N\u00e3o, pra gente sempre foi simples, at\u00e9 f\u00e1cil, porque temos muita demanda. Mas tamb\u00e9m \u00e9 porque aplicamos uma mentalidade de p\u00f3s-crescimento nesse aspecto. Por exemplo, nunca usamos um \u00f4nibus de turn\u00ea. Nunca usamos caminh\u00f5es ou coisas assim. Nosso show \u00e9 s\u00f3 guitarra e bateria. E eu poderia encontrar uma guitarra e uma bateria para tocar no Brasil, por exemplo. \u00c9 tudo muito simples, eu levo apenas minha guitarra. \u00c0s vezes levamos nosso t\u00e9cnico de som, se ele estiver com boa vontade (risos). E \u00e9 isso. O problema \u00e9 que o mercado da m\u00fasica virou uma mega ind\u00fastria que n\u00e3o est\u00e1 nem a\u00ed pra crise clim\u00e1tica. Finge que se importa, faz um greenwashing no palco do tipo: &#8220;Ei, n\u00e3o comam carne!&#8221; \u2014 mas a\u00ed est\u00e3o fazendo streaming em massa, viajando em \u00f4nibus gigantes com ar-condicionado e tudo mais. Se voc\u00ea realmente quer fazer algo, venha pra fazenda com a gente, plantar uns legumes &#8211; a\u00ed voc\u00eas fazem muita diferen\u00e7a de verdade. Ent\u00e3o, n\u00e3o temos dificuldade com isso. O problema \u00e9 outro. S\u00e3o duas coisas: o impacto econ\u00f4mico da COVID, claro, mas tamb\u00e9m a forma como as turn\u00eas s\u00e3o produzidas hoje em dia. Por exemplo, a gente falou isso outro dia pra um jornalista franc\u00eas: se a gente fosse uma banda contratada por uma gravadora e grande produtora de turn\u00eas, estar\u00edamos viajando com 15 ou 20 pessoas na equipe. Mas n\u00e3o precisamos disso. A\u00ed o pessoal reclama: \u201cAh, n\u00e3o d\u00e1 pra levar todo o mundo, est\u00e1 muito caro\u201d. Claro que t\u00e1 caro, voc\u00eas s\u00e3o vinte! Ent\u00e3o \u00e9 isso. Menos \u00e9 mais.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"RUNNING A FAMILY FARM - Documentaire\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/7BeG7w0neks?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00eas vieram ao Brasil em 2019. Gostaria de saber quais s\u00e3o as lembran\u00e7as que voc\u00eas t\u00eam daquela visita.<\/strong><br \/>\nLaurent Lacrouts: Foi incr\u00edvel! Teve uma tempestade antes do nosso show, e depois a gente entrou no palco. A\u00ed, depois de n\u00f3s, o\u2026 [olha para Mathieu para lembrar o nome da banda]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mathieu Jourdain: Twenty One Pilots.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Laurent Lacrouts: Isso, o Twenty One Pilots foi tocar com um carro no palco! Sinceramente, a gente ficou tipo: \u201cMas que porra \u00e9 esse carro?\u201d (risos) A verdade \u00e9 que a gente ficou t\u00e3o irritado que queria destruir o carro. A gente pensou mesmo em fazer isso, mas acabou n\u00e3o rolando&#8230; Enfim! Mas fizemos uma outra coisa: lembro que vendemos nosso merchandising direto na grade, ali com o p\u00fablico. Foi muito legal! Porque o merchandising oficial estava caro demais, e era proibido vender fora do controle do evento. Mas a gente fez mesmo assim, do nosso jeito franc\u00eas (risos). Existem regras&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mathieu Jourdain: \u2026e tem regras que foram feitas pra serem quebradas!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Laurent Lacrouts: Isso, regras que foram feitas pra serem quebradas! E o pessoal do nosso selo, que estava cuidando da gente, at\u00e9 ajudou a vender! Foi um show \u00f3timo, com muita gente, e a gente guarda \u00f3timas lembran\u00e7as. Estamos muito ansiosos pra voltar. Estamos em contato e tentando voltar pro Brasil, Argentina, pra outros lugares tamb\u00e9m. Espalhem a palavra, falem sobre isso, porque isso nos ajuda bastante! A gente sabe que o p\u00fablico nos espera, e queremos voltar. \u00c9 por isso que estamos dando tantas entrevistas, estamos fazendo nossa parte. Vamos ver o que acontece!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ent\u00e3o, pessoal, espero v\u00ea-los em breve aqui no Brasil para o show. Parab\u00e9ns pelo novo \u00e1lbum, est\u00e1 incr\u00edvel!<\/strong><br \/>\nLaurent Lacrouts: Muito obrigado! At\u00e9 mais, boa sorte para voc\u00eas tamb\u00e9m, e esperamos mesmo v\u00ea-los em breve.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mathieu Jourdain: At\u00e9 o pr\u00f3ximo ano!<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-90295 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/inspectoc.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/inspectoc.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/inspectoc-300x300.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/inspectoc-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p><em>\u2013 Alexandre Lopes (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/ociocretino\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">@ociocretino<\/a>) \u00e9 jornalista e assina o\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ociocretino.blogspot.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">www.ociocretino.blogspot.com.br<\/a>.\u00a0<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O \u00e1lbum \u00e9 carregado de refer\u00eancias filos\u00f3ficas com inspira\u00e7\u00f5es de Henry David Thoreau, autor do livro \u201cWalden\u201d (1854), e Guy Debord, pensador que cunhou o conceito de \u201csociedade do espet\u00e1culo\u201d\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/07\/18\/the-inspector-cluzo-lanca-10-disco-less-is-more-e-desabafa-o-mercado-da-musica-nao-esta-nem-ai-pra-crise-climatica\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":101,"featured_media":90296,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[3647],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/90294"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/101"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=90294"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/90294\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":90301,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/90294\/revisions\/90301"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/90296"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=90294"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=90294"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=90294"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}