{"id":90271,"date":"2025-07-16T00:01:45","date_gmt":"2025-07-16T03:01:45","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=90271"},"modified":"2025-10-17T00:54:32","modified_gmt":"2025-10-17T03:54:32","slug":"do-racha-ao-renascimento-gabriel-aragao-detalha-o-novo-momento-dos-selvagens-a-procura-de-lei","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/07\/16\/do-racha-ao-renascimento-gabriel-aragao-detalha-o-novo-momento-dos-selvagens-a-procura-de-lei\/","title":{"rendered":"Do racha ao renascimento: Gabriel Arag\u00e3o detalha o novo momento dos Selvagens \u00e0 Procura de Lei"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista de\u00a0<a href=\"https:\/\/twitter.com\/ociocretino\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Alexandre Lopes<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s um longo per\u00edodo marcado por tens\u00f5es internas que se tornaram p\u00fablicas e um conturbado processo de separa\u00e7\u00e3o, a <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/selvagensaprocuradeleioficial\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Selvagens \u00e0 Procura de Lei<\/a> ressurge com um quinto disco, uma nova forma\u00e7\u00e3o e esp\u00edrito renovado. Lan\u00e7ado em maio de 2025, \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/05\/09\/faixa-a-faixa-gabriel-aragao-apresenta-y-o-novo-disco-da-selvagens-a-procura-de-lei\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Y<\/a>\u201d marca tanto uma retomada quanto uma ruptura: traz de volta o \u00edmpeto roqueiro dos primeiros trabalhos da banda cearense e tamb\u00e9m procura romper com a est\u00e9tica mais polida e pop dos \u00e1lbuns \u201cPraieiro\u201d (2016) e \u201cPara\u00edso Port\u00e1til\u201d (2019).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No centro dessa reviravolta est\u00e1 Gabriel Arag\u00e3o, vocalista, guitarrista e \u00fanico remanescente do in\u00edcio do grupo. Ap\u00f3s a sa\u00edda dos ex-integrantes Rafael Martins, Caio Evangelista e Nicholas Magalh\u00e3es (que hoje integram o projeto <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/acordosolhos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Cor Dos Olhos<\/a>), Gabriel decidiu seguir em frente mantendo o nome da banda. O novo \u00e1lbum soa como um desabafo cru e direto &#8211; uma esp\u00e9cie de \u201cterapia do grito\u201d que nasceu do tumulto emocional provocado pelo fim da antiga forma\u00e7\u00e3o. Segundo Arag\u00e3o, durante uma media\u00e7\u00e3o com um advogado e os ex-membros, ele foi convidado a sair do conjunto que fundou ainda nos tempos de faculdade. \u201cEssa hist\u00f3ria \u00e9 curiosa, porque na verdade a primeira tentativa deles foi de me tirar da banda, e n\u00e3o montar outra. Eu tenho tudo isso gravado em v\u00eddeo, em \u00e1udio. Eu nunca soltei isso porque est\u00e1 na justi\u00e7a, mas quem sabe um dia eu solte\u201d, alfineta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa separa\u00e7\u00e3o virou mat\u00e9ria-prima para um dos trabalhos mais crus da carreira do compositor. \u201cDepois do processo de ruptura, eu estava precisando colocar para fora mesmo, de musicoterapia&#8221;, conta Gabriel. \u201cEu tinha duas op\u00e7\u00f5es: sentava para escrever m\u00fasica de dentro, que \u00e9 o que eu sei fazer, ou eu podia me entregar e cair na depr\u00ea. Ent\u00e3o naturalmente eu pensei \u2018cara, vou fazer uns rock que \u00e9 o que eu sei fazer e botar para fora o que estou sentindo\u2019&#8221;, resume com franqueza.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O \u201cY&#8221; do t\u00edtulo simboliza uma bifurca\u00e7\u00e3o: duas estradas poss\u00edveis. Entre a nostalgia do que a banda foi e o desconforto com o que se tornou, ele decidiu continuar sob o mesmo nome, mas com uma nova forma\u00e7\u00e3o. \u201cA marca da banda \u00e9 minha, eu que montei, eu que batizei. Eu que chamei as pessoas e estou continuando com ela. Tanto que, se n\u00e3o pudesse continuar, n\u00e3o estaria fazendo isso, algu\u00e9m ia mandar alguma coisa me impedindo&#8221;, afirma, com bastante convic\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A nova encarna\u00e7\u00e3o dos Selvagens conta com Matheus Brasil (bateria), Pl\u00ednio C\u00e2mara (guitarra) e Jonas Rio (baixo), vindos de nomes como Projeto Rivera, Casa de Velho, Mateus Fazeno Rock e Left Inside. Segundo Gabriel, os integrantes s\u00e3o co-criadores de um novo cap\u00edtulo na trajet\u00f3ria da banda, trazendo o peso das viv\u00eancias perif\u00e9ricas, pretas e jovens da Fortaleza contempor\u00e2nea. Gabriel n\u00e3o os escolheu por conveni\u00eancia, mas por afinidade. Para ele, a proposta nunca foi soar como uma continua\u00e7\u00e3o do que j\u00e1 existia, mas sim cavar uma nova sonoridade. \u201cEu gostei porque as impress\u00f5es que foram colocadas dos novos m\u00fasicos est\u00e3o muito legais. \u00c9 um Selvagens que eu j\u00e1 tentava puxar h\u00e1 muito tempo, sabe?\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em \u201cY&#8221;, as faixas s\u00e3o curtas, raivosas, quase todas com menos de quatro minutos (Gabriel as detalhou antes <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/05\/09\/faixa-a-faixa-gabriel-aragao-apresenta-y-o-novo-disco-da-selvagens-a-procura-de-lei\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">num faixa a faixa para o Scream &amp; Yell<\/a>). Guitarras pesadas, letras diretas e uma produ\u00e7\u00e3o bem objetiva. Cada m\u00fasica \u00e9 uma pequena explos\u00e3o de ressentimento criativo e impulso de continuar &#8211; como em \u201cAmigos Por Interesse\u201d, \u201cUm Lugar Que Te Mere\u00e7a\u201d e \u201cQuando Eu Me Encontrar\u201d, que misturam cr\u00edtica, auto an\u00e1lise e reconstru\u00e7\u00e3o emocional. A ambi\u00e7\u00e3o radiof\u00f4nica dos discos anteriores d\u00e1 lugar a uma produ\u00e7\u00e3o (assinada por Gabriel e Matheus Brasil) mais seca e \u00e0s vezes at\u00e9 desconfortavelmente honesta.\u2028\u2028Nesta entrevista ao Scream &amp; Yell, Gabriel fala com clareza sobre o colapso da forma\u00e7\u00e3o anterior, as disputas pol\u00edticas internas, o processo judicial que est\u00e1 em vigor, as tentativas de boicote que tem sofrido e, principalmente, sobre a reconstru\u00e7\u00e3o art\u00edstica e emocional que deu origem a \u201cY\u201d. O que se revela aqui vai al\u00e9m de um novo disco: \u00e9 o retrato de algu\u00e9m tentando recome\u00e7ar com honestidade, mesmo que isso envolva feridas abertas, riscos e muita vulnerabilidade. Confira o papo na \u00edntegra abaixo.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Ou\u00e7a o disco novo na integra abaixo<\/em><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Daqui Pra Frente\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Mxiw-_Pbdak?list=OLAK5uy_lQvXwmFrM5EdHKXr3LQ5pIOR3VU-azwb4\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ouvi o disco novo e achei que ele tem momentos mais pesados at\u00e9 que a fase mais roqueira dos Selvagens \u00c0 Procura de Lei. Fora o que aconteceu com a forma\u00e7\u00e3o antiga da banda, teve alguma inten\u00e7\u00e3o consciente de buscar esse som mais porrada?<\/strong><br \/>\n\u00c9, teve assim, no sentido natural. Comecei a compor essas can\u00e7\u00f5es mais ou menos em agosto [de 2024]. Tem tr\u00eas do disco que j\u00e1 s\u00e3o um pouco mais antigas, mas de uma maneira geral, depois do processo de ruptura da banda, eu estava precisando colocar para fora mesmo, (estava precisando) de musicoterapia. E como foi muito cruel o que rolou &#8211; o processo de ruptura, foi muito de repente, do nada mesmo &#8211; eu tinha duas op\u00e7\u00f5es: ou eu sentava para escrever m\u00fasica de dentro, que \u00e9 o que eu sei fazer, ou eu podia me entregar e cair na depr\u00ea. Ent\u00e3o naturalmente pensei: \u201cCara, vou fazer uns rock que \u00e9 o que eu sei fazer e botar para fora o que estou sentindo&#8221;. Ent\u00e3o veio tudo de maneira muito r\u00e1pida e clara. Sentimentos de raiva, tristeza, de se sentir tra\u00eddo, mas ao mesmo tempo sempre com olhar pro futuro, de seguir em frente. E da\u00ed vem tamb\u00e9m o t\u00edtulo do disco, que \u00e9 o desenho do \u201cY\u201d, que \u00e9 ao mesmo tempo uma separa\u00e7\u00e3o de um caminho \u00fanico e tamb\u00e9m um \u201cseguir em frente\u201d. Enfim, tomar outros rumos na vida. Foi mais ou menos por a\u00ed. Mas foi mais natural do que previamente pensado \u201cah, vou fazer um disco de rock&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/05\/09\/faixa-a-faixa-gabriel-aragao-apresenta-y-o-novo-disco-da-selvagens-a-procura-de-lei\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Li o faixa a faixa do disco<\/a> e vi que \u201cNunca Tem Fim\u201d foi escrita depois de experi\u00eancias com ayahuasca. Eu gostaria de saber a sua rela\u00e7\u00e3o com a ayahuasca; se voc\u00ea toma regularmente ou se segue alguma religi\u00e3o que faz uso dela.<\/strong><br \/>\nN\u00e3o sigo nenhuma doutrina n\u00e3o, s\u00f3 tive algumas experi\u00eancias. Na verdade, fui criado numa fam\u00edlia cat\u00f3lica; tenho um irm\u00e3o que \u00e9 padre, inclusive. Ent\u00e3o muito da minha vida e princ\u00edpios foram moldados pela minha cria\u00e7\u00e3o bem cat\u00f3lica. Minha fam\u00edlia Arag\u00e3o tem tias, av\u00f3s freiras, esse tipo de coisa. Mas eu nunca tinha me encontrado muito nessa quest\u00e3o da espiritualidade. Eu me dizia ateu naquele comecinho da banda, nos primeiros anos. At\u00e9 que tive uma experi\u00eancia com a ayahuasca que mexeu profundamente comigo. Tomei como convidado algumas vezes, com um grande amigo cantor, o Marcos Lessa. Tomei aqui em Fortaleza e tamb\u00e9m em S\u00e3o Paulo. Mas sempre fui muito questionador, ent\u00e3o nunca consegui me adaptar muito em um sistema religioso, sabe? Por isso nunca entrei em nenhuma religi\u00e3o que faz o uso da ayahuasca. Gosto de olhar de uma maneira muito cient\u00edfica; \u00e9 uma subst\u00e2ncia, um psicod\u00e9lico que voc\u00ea toma e tem algumas sensa\u00e7\u00f5es. N\u00e3o acho que \u00e9 para todo mundo, mas para mim, eu tive a sorte de bater direitinho. Acho que tamb\u00e9m porque comecei a gostar muito de meditar, e acima de tudo, isso \u00e9 o que me faz bem mesmo. Minha \u00faltima experi\u00eancia com ayahuasca foi em 2020. Mas voltando pra m\u00fasica, foi mais sobre essa sensa\u00e7\u00e3o de pequena morte, que voc\u00ea morre e nasce de novo. Pelo menos para mim, a minha viagem \u00e9 sempre de uma profunda despedida, um renascimento. Ent\u00e3o essa m\u00fasica era uma letra j\u00e1 antiga, e eu sempre tentei escrever sobre essa sensa\u00e7\u00e3o. Tem uma can\u00e7\u00e3o linda em ingl\u00eas que \u00e9 \u201cA Horse With No Name\u201d, do America. Se voc\u00ea pegar a letra traduzida, \u00e9 puro suco dessa viagem tamb\u00e9m. Estava vendo as entrevistas do Sting e parece que quando ele esteve no Brasil, teve v\u00e1rias experi\u00eancias assim, nos mesmos locais que eu fui. O Paul Simon tamb\u00e9m. Mas hoje em dia encaro como uma experi\u00eancia que tive e que n\u00e3o pretendo ter novamente. Porque \u00e9 uma coisa muito forte, muito profunda e muito pessoal. Acho que fechei o meu aprendizado ali. Para as pessoas que est\u00e3o em religi\u00e3o, beleza, mas n\u00e3o tenho a menor inten\u00e7\u00e3o de fazer parte de uma religi\u00e3o que envolve o uso do ch\u00e1. Acho que o ch\u00e1 traz o inconsciente \u00e0 tona de alguma maneira. Tem umas entrevistas&#8230; \u00e9 bonito, assim, tem uns trabalhos bonitos que as pessoas fazem. Mas acho que, se fosse poss\u00edvel ser usado da maneira mais cient\u00edfica poss\u00edvel, seria o que me agradaria mais. Tipo uma sess\u00e3o de terapia com um psic\u00f3logo adequado, que pudesse conduzir legal&#8230; acho que isso seria bom.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Nunca Tem Fim\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/4-ceaMlZRaw?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sobre a nova forma\u00e7\u00e3o: sei que o pessoal saiu de outras bandas como Projeto Rivera, Casa de Velho, Mateus Fazeno Rock e Left Inside, mas como voc\u00ea os conheceu e como rolou o convite para tocar no Selvagens?<\/strong><br \/>\nEntre agosto e janeiro, eu estava meio que compondo, produzindo, gravando o disco e remontando a banda. Ent\u00e3o foi uma coisa muito doida, muito r\u00e1pida. O Matheus Brasil, que \u00e9 do projeto Rivera, assumiu a bateria. J\u00e1 o conhe\u00e7o h\u00e1 mais tempo. Ele j\u00e1 estava tocando comigo no meu projeto solo que lancei em 2022. Ent\u00e3o ele veio de l\u00e1 pra c\u00e1, no sentido de estar tocando comigo. Mas todos eles eu j\u00e1 conhecia, assim, das bandas, de ocasionalmente tocar junto em Fortaleza ou S\u00e3o Paulo, esse tipo de coisa. Pl\u00ednio C\u00e2mara, que assumiu a guitarra, era do projeto Casa de Velho, montado por ele e por outro Mateus, que acabou virando o Mateus Fazeno Rock. Eu j\u00e1 tinha convivido com a banda Casa de Velho, mas fiquei mais pr\u00f3ximo do Pl\u00ednio por \u00faltimo, e bem r\u00e1pido. No ano passado, aqui em Fortaleza, a gente teve um candidato bolsonarista que quase ganhou a prefeitura. Foi meio doideira. E v\u00e1rios artistas daqui se juntaram pra gente tentar fazer um movimento massa, de ter um candidato que n\u00e3o fosse dessa corrente pol\u00edtica terr\u00edvel. E dentre as pessoas que estavam l\u00e1, estava eu cantando e o Pl\u00ednio estava l\u00e1 tamb\u00e9m no meio do mar de artistas fortalezenses. A gente se encontrou ali, trocou uma ideia e depois eu comecei a ver umas coisas dele. Alguns amigos indicaram tamb\u00e9m do tipo &#8220;se for pra entrar algu\u00e9m na banda pra assumir a guitarra, chama o Pl\u00ednio&#8230;&#8221; Ent\u00e3o foi mais ou menos por a\u00ed. O Jonas eu j\u00e1 n\u00e3o tinha contato h\u00e1 muito tempo, mas ele \u00e9 muito amigo do Matheus, ent\u00e3o meio que veio atrav\u00e9s dele. O Pl\u00ednio e o Matheus s\u00e3o mais novos. Ent\u00e3o quando o Pl\u00ednio estava come\u00e7ando a querer ser m\u00fasico, ia pros shows do Selvagens, assistia e falava: &#8220;P\u00f4, quero ter uma banda que nem essa.&#8221; E tudo isso foi massa tamb\u00e9m. Depois, trocando ideia com o Jonas, percebemos que n\u00f3s somos os caras que t\u00eam a idade mais pr\u00f3xima e que o Selvagens \u00c0 Procura de Lei e a antiga banda dele, Left Inside, tocaram juntos em shows ou festivais aqui em Fortaleza, bem no comecinho. Voc\u00ea v\u00ea nas fotos ali, todo mundo moleque, e estava junto em algum canto, sabe? E a\u00ed a gente se reencontrou. A gente se tocou disso s\u00f3 depois.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E quais s\u00e3o as suas expectativas para essa primeira turn\u00ea com a nova forma\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nCara, assim\u2026 A gente est\u00e1 obviamente ensaiando bastante, com setlist fechado, bem amarrado. Eu sei o que vai ser o show, no sentido da entrega. Ent\u00e3o estou muito feliz com isso. Com a nova forma\u00e7\u00e3o, est\u00e1 todo mundo num momento da vida que, indiscutivelmente, todo mundo toca muito. Ent\u00e3o eu sei que profissionalmente est\u00e1 massa. Eu estava mais preocupado com a turn\u00ea no sentido de como \u00e9 que seria a conviv\u00eancia di\u00e1ria, j\u00e1 que banda acaba virando um casamento aos poucos, n\u00e9? Mas, cara, a galera \u00e9 muito massa. Quando a gente foi fazer os primeiros ensaios, j\u00e1 fiquei muito aliviado. &#8220;Ufa, caraca, bicho&#8230; que bom, velho! Que bom que eu n\u00e3o estou soando como um cover de mim mesmo\u201d. Esse era o meu maior medo, sabe? \u00c0s vezes tu vai num show do Roger Waters e v\u00ea o guitarrista tocando exatamente igual ao David Gilmour, e parece meio que um cover dele. Eu estava um pouco preocupado com isso. Mas gostei porque as impress\u00f5es que foram colocadas dos novos m\u00fasicos est\u00e3o muito legais. \u00c9 um Selvagens que eu j\u00e1 tentava puxar h\u00e1 muito tempo, sabe? O nosso baterista, cara&#8230; ele t\u00e1 trazendo uma vibe de bateria que \u00e9 muito foda. \u00c9 descomunal, \u00e9 uma coisa que a gente nunca teve. Nossa, bicho\u2026 agora parece que a gente tem uma bateria sensacional. Parece tipo o Nirvana ali com o Dave Grohl, sabe? \u00c9 que o Matheus toca demais, mesmo. Se voc\u00ea for ver as coisas desse disco novo, as viradas\u2026 N\u00e3o falando mal de quem j\u00e1 passou pela banda, pois quem passou anteriormente sempre deu sua contribui\u00e7\u00e3o e tal. Eu acho que, \u00e0s vezes, menos \u00e9 mais, e cada um tem sua maneira de lidar com o instrumento, est\u00e1 tudo certo. Mas dito isso, estou muito feliz com o Matheus na bateria. E o Pl\u00ednio tem o jeito dele de tocar guitarra e eu acho maravilhoso. Ele vem de uma vertente da m\u00fasica de Fortaleza, que toca muito, mas ao mesmo tempo tem uma pegada mais psicod\u00e9lica. \u00c9 quase uma coisa p\u00f3s-Cidad\u00e3o Instigado, Fernando Catatau. Ent\u00e3o, putz, vai trazer uma caracter\u00edstica que eu tamb\u00e9m amo. E o Jonas, no baixo, \u00e9 um monstro. O Jonas na verdade \u00e9 guitarrista, mas ele assumindo o baixo \u00e9 maravilhoso tamb\u00e9m, porque vai pra um lugar levemente diferente, assumindo caminhos que n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o \u00f3bvios. E isso me agrada muito. Ent\u00e3o o show est\u00e1 muito porrada. \u00c9 quase a sensa\u00e7\u00e3o que voc\u00ea teve com o disco: quando as m\u00fasicas s\u00e3o r\u00e1pidas, elas est\u00e3o mais r\u00e1pidas, mais rock, mais porrada mesmo. At\u00e9 quando tocamos as can\u00e7\u00f5es mais antigas. Ent\u00e3o houve uma releitura, assim, de deixar tudo mais rock. E estou adorando. Estou numa fase ouvindo o \u201cIn Utero\u201d, do Nirvana, direto. E estou muito feliz nesse sentido, de \u201cque saudade de fazer uma parada pesada, bicho!\u201d.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Selvagens \u00e0 Procura de Lei - Pra Recome\u00e7ar (V\u00eddeo Oficial)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/OYua6ndjYGs?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Pedindo um spoiler: voc\u00eas n\u00e3o v\u00e3o tocar s\u00f3 m\u00fasicas do disco novo, v\u00e3o tocar as antigas tamb\u00e9m?<\/strong><br \/>\nAh, sim, com certeza. De tudo um pouco. A gente vai resgatar muita coisa que n\u00e3o tocava h\u00e1 um tempo, do primeiro disco dos Selvagens, &#8220;Aprendendo a Mentir&#8221; (2011), que eu acho que dialoga muito com esse novo momento da banda. Mas assim, vamos passar por todos os discos, com certeza. Pelo menos os tr\u00eas primeiros e esse mais recente. O quarto disco da gente, o \u201cPara\u00edso Port\u00e1til\u201d, \u00e9 um disco que acho que j\u00e1 anunciava que a forma\u00e7\u00e3o n\u00e3o estava t\u00e3o bem. Eu tentei puxar pra um lado mais psicod\u00e9lico, a galera tentou puxar pra um lado mais pop, e acabou n\u00e3o ficando nem uma coisa nem outra &#8211; ficou no meio do caminho. Ent\u00e3o, sobre esse repert\u00f3rio&#8230; depois que a gente foi perceber: \u201cP\u00f4, estou muito feliz com esse show\u201d e, depois eu: \u201cP\u00f4, n\u00e3o tem nenhuma m\u00fasica do \u2018Para\u00edso Port\u00e1til\u2019\u201d (risos). Mas tudo bem; depois, no futuro, quando a gente for fazer outro show, certamente podemos resgatar uma coisa ou outra dele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Al\u00e9m da carreira musical, voc\u00ea j\u00e1 lan\u00e7ou dois livros &#8211; \u201cO Livro das Imperman\u00eancias&#8221; e \u201cArmadura de Papel\u201d. Como voc\u00ea divide o material que voc\u00ea escreve pros livros e pras can\u00e7\u00f5es? Ou voc\u00ea acha que eles se complementam de alguma forma?<\/strong><br \/>\nNo caso desse \u00faltimo livro, o \u201cArmadura de Papel\u201d, <a href=\"https:\/\/www.editoraletramento.com.br\/armadura-de-papel\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">que eu lancei agora em janeiro<\/a>\u2026 Esse livro espec\u00edfico eu escrevi na \u00faltima turn\u00ea da pen\u00faltima forma\u00e7\u00e3o da banda. Eu estava escrevendo o livro e vendo tudo desmoronar, cara. Assim, o clima estava uma bosta, e eu ali, escrevendo esse livro. E \u00e9 um livro escrito nos avi\u00f5es, \u00f4nibus, van, antes do show, no hotel, depois do show. E durante a crise, depois que tudo se tornou p\u00fablico e foi aquela coisa muito horrorosa que os outros l\u00e1 decidiram fazer. Mas, com isso dito, acho que o lugar da poesia revela muito mais intimidade do que a m\u00fasica, sabe? Eu acho que n\u00e3o s\u00e3o tantos f\u00e3s que consomem as minhas poesias. Agora estou com uma caixa de livros aqui que eu vou levar pra estrada. Acho que sou mais visto como m\u00fasico, ent\u00e3o as pessoas acabam adquirindo os livros mais quando estou na estrada do que numa livraria ou algo desse tipo. Por\u00e9m, acho que se um f\u00e3 quiser conhecer o Gabriel com mais intimidade do que na m\u00fasica, vai me encontrar na poesia. \u00c9 um lugar em que eu me vejo \u201cpelado\u201d, cara. Mas acho importante. Olhando pra m\u00fasica&#8230; pra mim, \u00e9 o que faz sentido. Prefiro me expor fazendo poesia e fazendo m\u00fasica, dizendo as coisas que eu vivi, do que me expondo tanto em rede social. Tipo, abrindo c\u00e2mera, esse tipo de coisa. Acho que \u00e9 uma maneira muito mais profunda. Sou muito beatleman\u00edaco e sempre admirei muito o John Lennon nesse sentido. E o Renato Russo tamb\u00e9m. Voc\u00ea se sente muito pr\u00f3ximo deles, da hist\u00f3ria pessoal deles. O Renato Russo, quando termina com o namorado, est\u00e1 l\u00e1 ele cantando \u201cVento no Litoral\u201d, chorando as pitangas dele. O John Lennon, no primeiro disco solo, o \u201cPlastic Ono Band\u201d, est\u00e1 lidando com os traumas dele e a coisa toda. Sempre admirei muito isso. Amo o Chico Buarque, o Samuel Rosa\u2026 mas n\u00e3o conhe\u00e7o a vida pessoal deles e tudo bem. Mas gosto muito desse outro lado, sabe? Porque, por ter sido sempre um cara extremamente t\u00edmido, acho que essa \u00e9 a minha maneira de lidar comigo mesmo. Talvez falar, abrir a boca, dar uns berros\u2026 Acho curioso que alguns coment\u00e1rios que t\u00eam aparecido sobre esse disco espec\u00edfico, sejam do tipo: \u201cAh, mas est\u00e1 muito literal, est\u00e1 falando muito da tua vida\u2026\u201d Cara, eu sempre fui assim, desde a primeira m\u00fasica. A quest\u00e3o \u00e9 que estou falando sobre uma situa\u00e7\u00e3o que se tornou p\u00fablica e ficou todo mundo sabendo. Mas, se n\u00e3o fosse p\u00fablica, seria a mesma coisa que eu sempre fiz na minha vida inteira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Fazendo esse paralelo, voc\u00ea diria que esse disco novo dos Selvagens funcionou como se fosse uma terapia do grito para voc\u00ea, como o Lennon fez no \u201cPlastic Ono Band\u201d?<\/strong><br \/>\nCom certeza. Absoluto, cara. \u00c9 um disco que eu tinha muito na minha cabe\u00e7a, embora o \u201cY\u201d n\u00e3o soe nada como o dele. O dele \u00e9 bem minimalista. Inclusive, esse disco dele inspirou o \u201cThe Wall\u201d, do Pink Floyd. Mas n\u00e3o estou falando sobre traumas passados de inf\u00e2ncia, como ele mergulhou muito. Pra mim, foi da minha vida recente. Estou falando sobre o que aconteceu comigo dois meses atr\u00e1s, um m\u00eas atr\u00e1s\u2026 o que est\u00e1 acontecendo comigo agora. \u00c9 tipo isso.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Posicionamento definitivo | Duvido de tudo que segue o que \u00e9 mais f\u00e1cil.\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/G2QsEhr6HP8?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ouvi a sua participa\u00e7\u00e3o <a href=\"https:\/\/youtu.be\/D1FmXi8CpnQ?si=LwkRdHyeowW-SMNE\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">no programa da R\u00e1dio Universit\u00e1ria FM 107,9<\/a> contando sobre tudo que aconteceu na separa\u00e7\u00e3o da forma\u00e7\u00e3o anterior. E em um v\u00eddeo no novo canal da banda no YouTube (acima), voc\u00ea diz que n\u00e3o gostaria de falar mais sobre o que aconteceu e sim sobre m\u00fasica. Mas para contextualizar tudo, tudo bem a gente conversar sobre isso?<\/strong><br \/>\nSim, tudo bem!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>OK. Voc\u00ea pode falar como foi a hist\u00f3ria da censura da sua participa\u00e7\u00e3o no Agora POD?<\/strong><br \/>\nPosso sim. Quando a gente estava se preparando para lan\u00e7ar o primeiro single da nova forma\u00e7\u00e3o, precisava fazer o an\u00fancio da volta da banda, n\u00e9? Ent\u00e3o era necess\u00e1rio a gente fazer uma entrevista sobre isso. Tem uma pessoa ligada aos meninos [ex-integrantes], que \u00e9 a esposa de um deles, que j\u00e1 \u00e9 a segunda vez que tenta fazer algum tipo de censura. No ano passado, fui entrevistado pelo jornal O Povo para falar sobre a situa\u00e7\u00e3o da banda. Depois recebi uma liga\u00e7\u00e3o me dizendo que essa pessoa ficava ligando pro jornal tentando proibir a entrevista. Ela vem de uma fam\u00edlia importante daqui [de Fortaleza], que \u00e9 dona de festival e ligada ao poder do mercado da m\u00fasica, trazendo artistas de fora. Se voc\u00ea for ver, a banda deles est\u00e1 no palco onde a gente costumava tocar. Isso, certamente, n\u00e3o vai acontecer mais porque n\u00e3o estamos no mesmo balaio&#8230; Mas, voltando \u00e0 censura do Agora POD: eu gravei o programa e estava tudo certo. Mas depois o pessoal do podcast me ligou, dizendo que ela ligou fazendo amea\u00e7as para que o epis\u00f3dio fosse retirado do ar. Ela falou que, se n\u00e3o tirassem, faria isso e aquilo, ia falar com patrocinadores. E o pessoal, com uma extrema fraqueza e sem senso de jornalismo, decidiu retirar. At\u00e9 agora, estou sem saber o que aconteceu. Mandamos mensagem do tipo &#8220;e a\u00ed, pessoal, v\u00e3o nos dar alguma satisfa\u00e7\u00e3o sobre o epis\u00f3dio?&#8221;. Esse tipo de situa\u00e7\u00e3o acontece quando voc\u00ea est\u00e1 numa cidade onde as pessoas tratam tudo como uma prov\u00edncia. E \u00e9 muito triste, porque eu realmente acho que Fortaleza merece muito mais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Entendo. E voc\u00ea mencionou que essa pessoa j\u00e1 fez isso de te censurar outras vezes\u2026<\/strong><br \/>\n\u00c9, houve um primeiro an\u00fancio da banda dando um tempo, que foi no Jornal O Povo. Ela n\u00e3o conseguiu censurar, mas houve uma tentativa. Existiram muitas t\u00e1ticas, eu diria bem bolsonaristas, de extrema direita, sabe? Quando digo isso, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 sobre votar no cara, mas essa coisa de querer aniquilar o outro. \u201cSe voc\u00ea n\u00e3o est\u00e1 comigo, voc\u00ea precisa ser aniquilado\u201d. Por exemplo, uma entrevista que me marcou recentemente, onde os outros tr\u00eas, que montaram outra banda, se referem assim: \u201cO Selvagens acabou, agora continuamos aqui.\u201d Cara, isso \u00e9 muito tosco, essa ideia de aniquila\u00e7\u00e3o do outro. Do outro lado, a nossa equipe de comunica\u00e7\u00e3o continua comigo desde sempre, a mesma galera de antes. S\u00f3 que a gente perdeu o acesso \u00e0s redes sociais da banda. O Rafael e o Caio trocaram a senha do Instagram e at\u00e9 o Gmail da banda. A gente n\u00e3o tem mais acesso ao YouTube, etc. E essa mesma equipe de comunica\u00e7\u00e3o agora est\u00e1 identificando perfis falsos falando coisas por a\u00ed. D\u00e1 para identificar facilmente. Voc\u00ea entra no perfil da pessoa e v\u00ea quem ela est\u00e1 seguindo, quando a conta foi criada&#8230; um monte de mecanismos que permitem ver que s\u00e3o perfis fakes. E o tipo de mensagem que essas pessoas deixam \u00e9 sempre muito direcionada, sabe? Elas s\u00f3 falam da banda e se concentram nesse tipo de post. Isso \u00e9 bizarro e eu nunca imaginei que teria que lidar com isso. Mas, ao mesmo tempo, fiquei mais cascudo, porque aprendi que essas pessoas n\u00e3o vivem no mundo real tamb\u00e9m. Tudo bem se voc\u00ea n\u00e3o gosta da banda nessa nova fase e prefere a outra, mas tem muita gente que fala coisas maldosas, do tipo \u201cvou no show s\u00f3 para xingar\u201d, sabe? Durante um tempo, eu achava que isso podia acontecer. Mas depois percebi que essas pessoas se sentem no direito de falar essas coisas s\u00f3 nas redes sociais. Elas jamais v\u00e3o levantar do sof\u00e1 para fazer o que dizem. O mundo real \u00e9 outra coisa. E teve uma pessoa ligada \u00e0quela garota de que falamos no come\u00e7o que eu precisei entrar com um processo por danos morais. A pessoa fez uma declara\u00e7\u00e3o absurda na internet, e eu acabei ganhando a senten\u00e7a. Ela entrou com recurso e tudo bem, \u00e9 direito dela. Mas, sabe, \u00e9 o tipo de coisa que a gente tem que aprender a lidar na vida. Esse \u00e9 o momento que estou vivendo, lidando com essas loucuras das redes sociais, mas sempre respirando fundo. Porque, cara, uma coisa \u00e9 a rede social, outra coisa \u00e9 estar no show semana que vem, ali, de frente para a galera que pagou ingresso para ver a gente e est\u00e1 torcendo por n\u00f3s, sabe?<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Selvagens \u00e0 Procura de Lei - Melhor Assim (V\u00eddeo Oficial)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/hSv5vExakbI?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Assim como dei uma ouvida na sua vers\u00e3o da hist\u00f3ria, fui atr\u00e1s do <a href=\"https:\/\/youtu.be\/UM_-tqkzimk?si=0XQaUUyTHcXjjd3o\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">podcast que os ex-membros participaram<\/a> para saber o lado deles. E em posts em redes sociais, realmente vi coment\u00e1rios do tipo \u201cesse disco novo do Selvagens \u00e9 o Gabriel dando indireta para todos os ex-integrantes\u201d e etc. Voc\u00ea j\u00e1 esperava passar por todo esse \u00f3dio ao lan\u00e7ar o trabalho como um novo disco dos Selvagens?<\/strong><br \/>\nCara, sim, sim. Eu j\u00e1 sabia que isso estava dentro do roteiro. Existe um imediatismo, at\u00e9 na minha gera\u00e7\u00e3o mesmo, de voc\u00ea ser obrigado a ter uma opini\u00e3o imediata sobre qualquer not\u00edcia do mundo. Se o Papa novo \u00e9 americano, voc\u00ea tem que correr para dizer sua opini\u00e3o, essas coisas\u2026 Cara, n\u00e3o sei nem quem \u00e9 esse cara, deixa eu ter um tempinho a mais para absorver isso e a gente poder criar uma opini\u00e3o pr\u00f3pria. Mas hoje em dia a gente tem esse tipo de coisa assim, n\u00e9? E a\u00ed o que eu decidi \u00e9 que eu n\u00e3o vou ficar travado, deixar de fazer a banda que eu inventei no col\u00e9gio, e eram outras tr\u00eas pessoas que me acompanhavam. Tudo bem que a forma\u00e7\u00e3o que ficou mais conhecida foi a posterior. Mas eu, como criador da banda, nunca tive a menor vontade de criar outro projeto. Ent\u00e3o se os outros est\u00e3o a fim de criar outro projeto, com outro som, bicho, massa, que v\u00e3o em frente. Mas at\u00e9 essa hist\u00f3ria \u00e9 curiosa, porque na verdade a primeira tentativa deles foi de me tirar da banda, e n\u00e3o montar outra. Eu tenho tudo isso gravado em v\u00eddeo, em \u00e1udio. Eu nunca soltei isso porque est\u00e1 na justi\u00e7a, mas quem sabe um dia eu solte. Rede social \u00e9 uma coisa imediata, mas eu, que estudei Direito e me formei, sei que o tempo da justi\u00e7a \u00e9 outro. Cara, tem grava\u00e7\u00e3o dos caras tentando me tirar da banda numa media\u00e7\u00e3o. E eu era o cara que estava propondo dar um tempo para depois a banda voltar. Mas a\u00ed foi o fundo do po\u00e7o mesmo. Ent\u00e3o massa, valeu, cada um vai para a sua. Mas agora \u00e9 o seguinte: esque\u00e7am essa ideia de que est\u00e3o me tirando da banda, porque a partir de agora ela t\u00e1 comigo e ningu\u00e9m me tira dela. Eu que inventei isso aqui, p\u00f4! Ent\u00e3o foi essa a decis\u00e3o que eu tomei. Eu n\u00e3o tinha no\u00e7\u00e3o se eu ia voltar com a banda logo como est\u00e1 sendo agora. Mas ao fazer o disco, fiquei\u201d \u201cPutz, bicho, isso aqui est\u00e1 muito a cara do Selvagens&#8221;. Eu tamb\u00e9m n\u00e3o comecei a compor e produzir essas m\u00fasicas para ser dos Selvagens. Mas ficou t\u00e3o Selvagens que eu pensei: \u201cCara, por que n\u00e3o?\u201d. \u201cPutz mas est\u00e1 muito cedo, vamos esperar passar o tempo&#8221;&#8230; Mas esperar passar por qu\u00ea? Se n\u00e3o agora, quando? Cara, estou com essas m\u00fasicas, s\u00e3o sinceras, s\u00e3o a cara dos Selvagens\u2026 \u201cMas vai ser um bafaf\u00e1&#8221;. Vai, mas se n\u00e3o agora, quando? Ent\u00e3o teve tudo isso passando pela minha cabe\u00e7a e eu tomei a decis\u00e3o de continuar a banda mesmo assim. Meu irm\u00e3o, vai ter sim um bocado de hate, mas vamos sempre ter em mente que existe o mundo real e existe a rede social. S\u00e3o duas coisas diferentes. Ent\u00e3o acho que \u00e9 isso: que \u00e9 assumir, deixar o tempo passar e vamos para a frente. N\u00e3o tem muito por que ficar choramingando, olhando para tr\u00e1s n\u00e3o, sabe? Eu jamais voltaria a banda se n\u00e3o tivesse um disco condizente. Mas quando me vi com um disco massa que nem esse, putz, acho que a hora \u00e9 agora, tem que encarar. Ent\u00e3o o que estou fazendo \u00e9 isso. T\u00f4 encarando.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Existe uma disputa judicial entre voc\u00ea e os ex-integrantes? Como est\u00e1 isso?<\/strong><br \/>\nSim. Na verdade, partiu de minha parte colocar na Justi\u00e7a. Depois da nossa media\u00e7\u00e3o, decidi entrar na Justi\u00e7a pra gente lidar especificamente sobre o CNPJ que a gente tem juntos. Esse CNPJ tem muita coisa; por exemplo, os royalties dos discos que n\u00f3s fizemos juntos. Para quem n\u00e3o entende: antigamente se vendia CDs f\u00edsicos, voc\u00ea distribu\u00eda nas lojas e o que fosse vendido era repassado para gravadora, distribuidora e pros artistas. A mesma l\u00f3gica permanece pro streaming: o que toca l\u00e1 arrecada um dinheiro. Isso sempre foi dividido igualmente pelos quatro, desde o in\u00edcio. Mesmo eu tendo feito ali a banda, montada na democracia total, eu quis dividir igualmente por todo mundo. S\u00f3 que um belo dia esse dinheiro parou de cair na minha conta. E eu, que era o s\u00f3cio-administrador da empresa, de repente descobri que n\u00e3o posso mais acessar a conta do banco para tirar um dinheiro que \u00e9 meu por direito. Ent\u00e3o esse tipo de situa\u00e7\u00e3o, que o p\u00fablico fica sem saber e que \u00e9 uma coisa extremamente burocr\u00e1tica, acontece e eu preciso resolver. Mas o que est\u00e1 na Justi\u00e7a diz respeito t\u00e3o s\u00f3 e somente ao nosso CNPJ, n\u00e3o tem nada a ver com a possibilidade de eu seguir ou n\u00e3o com a banda. Isso ningu\u00e9m est\u00e1 discutindo. A marca da banda \u00e9 minha, a banda eu que montei, eu que batizei. Eu que chamei as pessoas pra banda estou continuando com ela. Tanto que, se n\u00e3o pudesse continuar, n\u00e3o estaria fazendo isso, algu\u00e9m ia mandar alguma coisa me impedindo. E foi exatamente isso que eles decidiram: n\u00e3o continuar, que \u00e9 o que eles falaram na internet. Primeiro tentaram me tirar da banda, como se fosse algo muito f\u00e1cil. Mas eles entenderam que n\u00e3o era. E a\u00ed montaram um novo projeto. E Deus aben\u00e7oe, que sejam felizes assim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Falando no projeto deles, voc\u00ea chegou a ouvir as m\u00fasicas do Cor dos Olhos?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o, nem quero. Ainda \u00e9 uma coisa que me d\u00e1 gatilho, sabe? N\u00e3o \u00e9 algo que me faz bem. Mas mesmo sem ter escutado, eu tenho uma boa no\u00e7\u00e3o do que deve ser: acho que \u00e9 um lado bem mais pop, que eles j\u00e1 queriam seguir h\u00e1 um tempo. Um som mais comercial, talvez algo parecido com umas bandas que est\u00e3o na moda hoje. Mas \u00e9 uma parada que eu n\u00e3o estou nem um pouco a fim de fazer e nunca estive. Quando rolavam esses rompantes dentro da banda, com m\u00fasicas nesse estilo, na minha lideran\u00e7a democr\u00e1tica, eu pensava: &#8220;Beleza, vamos nessa, vamos tocar a m\u00fasica do brother aqui. \u00c9 o estilo dele, ent\u00e3o vambora.&#8221; Mas fazer um trabalho inteiro com essa dire\u00e7\u00e3o art\u00edstica? Cara, acho um saco. Ent\u00e3o prefiro fazer meu rock mesmo. Muita gente que est\u00e1 come\u00e7ando [na carreira musical] me pergunta qual a dica que eu dou, e para mim \u00e9&#8230; existe um momento de inoc\u00eancia, quando voc\u00ea \u00e9 adolescente ou est\u00e1 entrando na faculdade, que \u00e9 o melhor momento para montar uma banda ou qualquer projeto criativo &#8211; especialmente se ainda n\u00e3o tem grana envolvida. Esse \u00e9 o momento ideal para criar os alicerces do que \u00e9 o seu projeto, no sentido filos\u00f3fico mesmo. O que ele significa? O que te torna diferente dos outros? Se nesse momento voc\u00ea j\u00e1 come\u00e7a a se preocupar com o que \u00e9 comercial &#8211; sem ganhar um centavo com isso ainda &#8211; a\u00ed j\u00e1 era. Pode at\u00e9 ganhar dinheiro depois, mas pode acabar virando ref\u00e9m de algo que te estressa, que n\u00e3o tem mais nada a ver contigo. Voc\u00ea cria um monstro, sabe? Do contr\u00e1rio, quando tu cria uma parada massa, do cora\u00e7\u00e3o mesmo &#8211; tipo essa banda aqui, que ningu\u00e9m gostava do nome Selvagens \u00e0 Procura de Lei no come\u00e7o, todo mundo queria mudar &#8211; e ela d\u00e1 certo primeiro com os f\u00e3s e depois comercialmente no sentido de se manter, a\u00ed sim. Tem gente que acha que ganhamos uma grana absurda com isso, mas n\u00e3o \u00e9 bem assim. Quando come\u00e7a a andar, quando vira uma possibilidade de viver de m\u00fasica, a\u00ed beleza. Mas pra mim, se for pra ganhar dinheiro com m\u00fasica, tem que ser fazendo rock, porque \u00e9 o que me faz feliz. Sen\u00e3o, qual o sentido? Vou fazer m\u00fasica que eu n\u00e3o gosto? Prefiro sei l\u00e1, virar um engomadinho e ganhar dinheiro de outro jeito, tipo com Direito. Mas eu n\u00e3o viraria advogado, n\u00e3o. A\u00ed seria o fim da picada. Acho que viraria jornalista, ou outra coisa qualquer. Dou meus pulos, fa\u00e7o alguma coisa.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Selvagens \u00e0 Procura de Lei - Daqui Pra Frente\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/M0HLmNcza6Q?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em 2020, toda a forma\u00e7\u00e3o anterior voltou a morar em Fortaleza, menos voc\u00ea, que ainda ficou em S\u00e3o Paulo. Agora voc\u00ea voltou para Fortaleza tamb\u00e9m, mas voc\u00ea diria que essa mudan\u00e7a deles e voc\u00ea ficar em S\u00e3o Paulo foi o come\u00e7o do distanciamento entre os membros? Ou isso j\u00e1 vinha de antes?<\/strong><br \/>\nAcho que isso j\u00e1 vinha de antes sim. Especialmente com o \u201cPara\u00edso Port\u00e1til\u201d, aquele disco que ningu\u00e9m sabia onde queria chegar, com o baterista n\u00e3o querendo gravar e outras decis\u00f5es, tipo tentar tornar a banda algo extremamente pop e comercial, o que n\u00e3o me agradava. Artisticamente, a gente j\u00e1 n\u00e3o estava se entendendo. Tinha muita m\u00fasica minha que j\u00e1 estava pronta, mas n\u00e3o estava sendo acolhida. Tenho tr\u00eas can\u00e7\u00f5es ou mais que n\u00e3o foram para esse disco. A minha carreira solo surgiu porque eu precisava colocar essas m\u00fasicas para fora. A galera n\u00e3o queria gravar no disco, ent\u00e3o pensei: \u201cVou fazer o meu pr\u00f3prio projeto, vou dar meus pulos tamb\u00e9m&#8221;. E tem tamb\u00e9m a quest\u00e3o de como lidar com f\u00e3s. Por exemplo, teve um integrante que n\u00e3o se vacinou [contra a Covid], e s\u00f3 se vacinou quando foi viajar para os Estados Unidos porque era obrigat\u00f3rio. Mas mesmo assim, a gente fez shows em que ele queria ter contato com os f\u00e3s, e n\u00f3s tivemos que segurar a onda dele. Tipo, &#8220;n\u00e3o, brother, n\u00e3o \u00e9 por a\u00ed.&#8221; Comecei a n\u00e3o tolerar mais esse tipo de atitude. Esse distanciamento que aconteceu a partir de 2020, com eu ficando em S\u00e3o Paulo e a gente se encontrando s\u00f3 para resolver quest\u00f5es burocr\u00e1ticas de shows, obviamente contribuiu para o distanciamento, mas eu acho que tamb\u00e9m foi por essas raz\u00f5es. Talvez as pessoas envolvidas n\u00e3o saibam terminar um relacionamento. A gente, como homem, tem uma dificuldade grande para lidar com isso. Nesse universo masculino, em que tudo \u00e9 muito brutal, acaba rolando esse tipo de treta, essas bobagens de quinta s\u00e9rie, sabe? E \u00e9 uma pena o que aconteceu. Mas meu irm\u00e3o, eu n\u00e3o vou ficar fugindo disso. J\u00e1 foi, j\u00e1 aconteceu. Se algu\u00e9m me perguntasse, eu diria que isso n\u00e3o estava nos meus planos, mas a vida vai acontecendo e a gente vai improvisando junto com ela. O que importa \u00e9 o que voc\u00ea faz a partir daqui. A vida segue. A ferida ainda est\u00e1 um pouco exposta, mas \u00e9 a vida, n\u00e9? Daqui a pouco j\u00e1 \u00e9 2026, 2027, 2028, e a vida vai seguir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c9 dif\u00edcil manter uma rela\u00e7\u00e3o est\u00e1vel entre todos os integrantes de uma banda. Como voc\u00ea mesmo falou, acaba sendo quase um casamento entre v\u00e1rias pessoas, com conviv\u00eancia intensa e desgastante. No caso de voc\u00eas, ainda teve essa quest\u00e3o pol\u00edtica envolvida. Dando uma olhada na rea\u00e7\u00e3o dos f\u00e3s nas redes sociais, d\u00e1 pra ver que tem muita gente meio perdida com tudo isso. Tem f\u00e3 que te apoia na decis\u00e3o e diz que entende os motivos, mas tamb\u00e9m tem f\u00e3 dizendo que foi bobagem brigar por pol\u00edtica. O que voc\u00ea pensa sobre essa opini\u00e3o de quem diz que \u00e9 besteira?<\/strong><br \/>\nCara, eu diria o seguinte: eu sempre convivi com todo mundo. Acho que todo mundo convive com pessoas diferentes. N\u00e3o existe um ser humano que viva numa bolha s\u00f3 de esquerda ou s\u00f3 de direita. Quer dizer, at\u00e9 existe, mas deve ser bem raro. Eu convivi com tr\u00eas pessoas com vis\u00f5es pol\u00edticas muito diferentes das minhas durante muito tempo. E foi o que aconteceu com qualquer fam\u00edlia brasileira: aquela escalada de situa\u00e7\u00f5es inadmiss\u00edveis. Chega um ponto que voc\u00ea pensa: \u201cCara, a partir daqui n\u00e3o d\u00e1 mais. N\u00e3o d\u00e1 pra ter um relacionamento saud\u00e1vel com essa pessoa&#8221;. E se voc\u00ea tem uma banda de rock, com o poder de estar na frente de um microfone e falar para um monte de gente, existe uma responsabilidade com o que est\u00e1 sendo feito por esse projeto, com o que est\u00e1 sendo dito. Se essas tr\u00eas pessoas n\u00e3o concordam com isso, come\u00e7a a ficar muito dif\u00edcil. Come\u00e7a a parecer uma coisa muito falsa para os f\u00e3s. Vou te dar um exemplo que, para mim, foi o fim da picada. A gente fez um show gratuito em Fortaleza, num lugar que \u00e9 um centro da esquerda &#8211; a Avenida Universit\u00e1ria, onde fica a Universidade Federal e tal. \u00c9 um palco cl\u00e1ssico da cidade. Tocamos l\u00e1 num s\u00e1bado \u00e0 noite e, no domingo, o Bolsonaro venceu as elei\u00e7\u00f5es contra o Haddad, em 2018. Neste show, um dos integrantes da banda saiu l\u00e1 de tr\u00e1s e foi at\u00e9 a frente do palco. Ele me disse: \u201c\u00c9 contigo, cara. Tu que \u00e9 de esquerda, fala que a gente n\u00e3o vota em candidato homof\u00f3bico, machista, mis\u00f3gino\u201d. A\u00ed eu mandei um recado do meu jeito, como sempre fazia &#8211; misturando com m\u00fasica brasileira e tal. Mas o cara, n\u00e3o satisfeito, pegou o microfone e falou essas coisas. Alguns meses depois, vi esse mesmo cara feliz da vida com a vit\u00f3ria do Bolsonaro. Comentava nos bastidores, se entrosava com a galera de direita e falava que o Bolsonaro estava fazendo um grande governo. E a\u00ed tamb\u00e9m entra a quest\u00e3o de n\u00e3o querer se vacinar. A gente fez show em Fortaleza e era proibido ter contato com o p\u00fablico, mas ele ia l\u00e1 e falava com os f\u00e3s mesmo assim. Eu dizia: \u201cCara, tu votou no Bolsonaro\u201d. E ele: \u201cVotei, gosto do cara.\u201d Sempre que eu falava \u2018Ele N\u00e3o\u2019 ou \u2018Fora Bolsonaro\u2019 no palco &#8211; e o perfil da banda chegou a postar isso tamb\u00e9m &#8211; os tr\u00eas vinham me questionar: \u201cCara, n\u00e3o fala isso, vai dividir o p\u00fablico.\u201d E eu dizia: \u201cMeu irm\u00e3o, nessa altura do campeonato? Em 2020, 2022, uma banda de rock n\u00e3o se posicionar contra isso? N\u00e3o d\u00e1\u201d. A\u00ed voc\u00ea vai juntando tudo e chega num ponto em que a conviv\u00eancia se torna invi\u00e1vel. Para mim, foi uma decis\u00e3o que partiu de um profundo respeito aos f\u00e3s. Se o cara n\u00e3o se vacina, ignora as normas e ainda quer manter esse discurso, eu n\u00e3o quero prejudicar ningu\u00e9m, mas tamb\u00e9m n\u00e3o d\u00e1 pra continuar convivendo com uma vis\u00e3o de mundo t\u00e3o distorcida. Pra mim, n\u00e3o d\u00e1. E, se os outros dois concordam com isso ou se h\u00e1 um degrad\u00ea da direita entre eles, tudo bem, boa sorte. Mas eu n\u00e3o sou obrigado a trabalhar com fulano porque os outros dois querem. Um deles sempre foi abertamente conservador. Teve uma vez que ele encontrou o Roger, do Ultraje a Rigor, e queria fazer m\u00fasica junto. Cara&#8230; talvez em 1985 isso fizesse sentido. Mas agora? Est\u00e1vamos em 2023, 2024, n\u00e3o dava mais. Eu ainda tenho que explicar o b\u00e1sico?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Pra gente terminar: tem algo que voc\u00ea acha que seria importante falar que eu n\u00e3o te perguntei? Fique \u00e0 vontade.<\/strong><br \/>\nAcho que \u00e9 mais isso: essa volta da banda n\u00e3o \u00e9 uma coisa pontual; eu j\u00e1 estou pensando l\u00e1 na frente. Vai ter m\u00fasica in\u00e9dita j\u00e1 no segundo semestre. Se voc\u00ea quiser, pode anunciar isso a\u00ed. E a gente j\u00e1 est\u00e1 pensando em disco novo, ent\u00e3o vamos pra frente. Vamos com tudo agora. Ningu\u00e9m para mais esse trem n\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u2028Essa m\u00fasica in\u00e9dita que voc\u00eas v\u00e3o lan\u00e7ar como? Um novo single?<\/strong><br \/>\nEu ainda estou vendo. \u00c9 uma can\u00e7\u00e3o que a gente gravou pro disco, mas que a gente decidiu deixar de fora. Eu n\u00e3o sei se a gente vai lan\u00e7ar ainda como a vers\u00e3o deluxe do disco atual e ela ser\u00e1 uma in\u00e9dita dentro ou se vai lan\u00e7ar apenas como single. Mas vai sair sim!<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Selvagens A Procura de Lei - Quando Eu Me Encontrar (Ao Vivo \/ Live - Rio de Janeiro \/ RJ) 2025 4K\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/h5widA4YtSo?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Selvagens \u00e0 Procura de Lei - Pra Recome\u00e7ar Tour em SP\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/noGkidsmlwQ?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Selvagens \u00e0 Procura de Lei e Vivendo do \u00d3cio - Quando Eu Me Encontrar (V\u00eddeo Oficial)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/vXfREvvlAEc?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><em>\u2013 Alexandre Lopes (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/ociocretino\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">@ociocretino<\/a>) \u00e9 jornalista e assina o\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ociocretino.blogspot.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">www.ociocretino.blogspot.com.br<\/a>.\u00a0<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Ap\u00f3s um longo per\u00edodo marcado por tens\u00f5es internas que se tornaram p\u00fablicas e um conturbado processo de separa\u00e7\u00e3o, a Selvagens \u00e0 Procura de Lei ressurge com um quinto disco\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/07\/16\/do-racha-ao-renascimento-gabriel-aragao-detalha-o-novo-momento-dos-selvagens-a-procura-de-lei\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":101,"featured_media":90274,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[914],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/90271"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/101"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=90271"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/90271\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":90292,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/90271\/revisions\/90292"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/90274"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=90271"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=90271"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=90271"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}